Sem Bolsonaro, comando da direita vira campo de batalha entre Michelle e Flávio

Michelle assume articulação no DF após desgaste de Ibaneis

Luísa Marzullo
O Globo

O avanço das investigações sobre o Banco Master no Distrito Federal e a nova internação de Jair Bolsonaro produziram, em poucos dias, um deslocamento no comando do bolsonarismo.

No DF, onde o escândalo atingiu o entorno do governador Ibaneis Rocha e desmontou o principal eixo de organização da direita local, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ocupar o espaço de articulação e a interferir diretamente na definição de candidaturas. Ao fazer isso, entrou no mesmo terreno de Flávio Bolsonaro e transformou uma disputa até então restrita aos bastidores em conflito concreto sobre os palanques de 2026. Procurados, Michelle e Flávio não comentaram.

BANCO MASTER – O ponto de inflexão foi a crise envolvendo o Banco Master e sua relação com decisões do governo local, especialmente no caso do BRB, banco estatal de Brasília. O desgaste se agravou após a revelação de que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38 milhões relacionado à venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por participação no esquema associado ao banco de Daniel Vorcaro.

A reação foi imediata: o PL protocolou na Câmara Legislativa um pedido de CPI para apurar a atuação do BRB e cobrar explicações do governo. Na prática, o movimento selou o rompimento com Ibaneis, até então aliado do bolsonarismo e interessado em disputar o Senado com apoio da sigla.

Sem o governador como polo organizador, a articulação no DF mudou de mãos. Parlamentares passaram a procurar diretamente Michelle, que assumiu a interlocução com pré-candidatos e passou a dar aval próprio a cenários eleitorais. Esse avanço ocorreu ao mesmo tempo em que Flávio mantinha, a partir de Brasília, a condução da estratégia nacional do partido, baseada na montagem de palanques mais amplos.

INCOMPATIBILIDADE  – No Distrito Federal, a divergência já se traduz em projetos incompatíveis. Michelle passou a sustentar uma chapa ao Senado com seu nome e o da deputada Bia Kicis e a defender a candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) ao Buriti. O desenho é visto por aliados como mais conectado à base bolsonarista e ao eleitorado evangélico, mas enfrenta resistência de dirigentes que veem risco de contaminação eleitoral pelo desgaste do governo Ibaneis.

— A Michelle se manifestou publicamente já várias vezes, desde o meu pré-lançamento no dia 11 de novembro, como pelas redes sociais dela várias vezes. Vamos ter agendas em breve, depois da internação do ex-presidente — afirmou Bia Kicis.

ALTERNATIVA – Do outro lado, aliados de Flávio trabalham para viabilizar o nome do senador Izalci Lucas como alternativa de centro-direita capaz de reduzir a exposição do grupo ao caso Master. A hipótese é rechaçada pelo entorno de Michelle:

— Até agora nada apareceu diretamente ligado a ela e acho que ela tem chances reais de ser eleita. Izalci é muito preparado, bom parlamentar, mas Celina é a melhor opção. Celina já passou pelo Executivo antes. Celina será nossa governadora — disse a ex-ministra e senadora Damares Alves (Republicanos).

REARRANJO – A carta escrita por Jair Bolsonaro durante a prisão, no início do mês, reforçou esse rearranjo. No texto, o ex-presidente pede que aliados parem de pressionar Michelle, critica ataques vindos da própria direita e afirma que orientou a ex-primeira-dama a se envolver mais diretamente na política apenas após março. A mensagem foi lida no partido como um sinal verde para que ela assumisse protagonismo.

O protagonismo de Michelle pode ser reforçado se a prisão domiciliar para Bolsonaro for concedida. Aliados relatam que a eventual concessão do benefício é vista como ponto de virada para sua atuação política. Fora do hospital e com Bolsonaro em casa, ela ganharia margem para intensificar agendas, organizar encontros e retomar a articulação de forma mais sistemática.

PESO POLÍTICO – Michelle acompanha de perto o tratamento à pneumonia que o marido contraiu, organiza a rotina do ex-presidente e mantém o envio diário de refeições preparadas por ela, encaminhadas por intermédio de seu irmão de consideração, Eduardo Torres. No entorno do PL, esse papel deixou de ser visto apenas como pessoal e passou a ter peso político: é ela quem controla o acesso, o ritmo e, em parte, a própria capacidade de Bolsonaro de voltar a se inserir no debate.

Enquanto isso, Flávio concentrou-se na interlocução institucional e chegou a se reunir com o ministro Alexandre de Moraes na terça-feira para fazer um apelo à domiciliar. Michelle abriu uma frente própria e acionou aliados como o governador Tarcísio de Freitas, que esteve com ministros do Supremo na quinta-feira e levou o tema à mesa.

PONTO DE RUPTURA –  O Ceará virou o caso mais explícito do choque entre as duas estratégias. Flávio decidiu retomar a aproximação com Ciro Gomes e planeja viajar ao estado em abril para tentar fechar o apoio do PL ao ex-ministro. A negociação envolve a composição da chapa majoritária, com discussão sobre a vice, e espaço ao partido na disputa pelo Senado. A aposta do senador é usar a aliança para abrir caminho no Nordeste, onde o PL ainda tem dificuldade de estruturação. O movimento, porém, encontrou resistência direta de Michelle.

Alinhada ao senador Eduardo Girão (Novo) e a nomes do PL local, como a vereadora Priscila Costa, a ex-primeira-dama passou a atuar contra o acordo. Nos bastidores, a avaliação é que ela considera a associação com Ciro incompatível com a base bolsonarista e tem pressionado para que o partido mantenha um palanque próprio ou alinhado a nomes mais identificados com o eleitorado conservador.

Apesar da resistência, a tendência dentro do partido é que o movimento de Flávio avance. O senador tem viagem prevista para a primeira semana de abril ao Ceará, quando deve anunciar o apoio a Ciro.

ALIANÇA –  Em Minas Gerais, o conflito aparece no desenho do palanque. Flávio tenta estruturar uma chapa competitiva com o senador Cleitinho (Republicanos) e ampliar interlocução com setores do empresariado, incluindo o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Michelle, por sua vez, mantém proximidade com o deputado Nikolas Ferreira, que prefere o vice-governador Mateus Simões (Novo).

Em São Paulo, a disputa se concentra no tamanho do espaço que o PL deve ocupar no principal palanque da direita no país. Flávio tem pressionado para ampliar a presença do partido na chapa de Tarcísio de Freitas, com foco na vice-governadoria, hoje ocupada por Felicio Ramuth (PSD). Interlocutores relatam que o senador passou a defender, nas últimas semanas, a substituição do vice por um nome do PL, como André do Prado, ou a filiação de Ramuth à legenda.

CRISE – Michelle atua na direção oposta. No entorno da ex-primeira-dama, o argumento é que a vontade de Tarcísio deveria ser respeitada. O governador argumenta que mexer na vice pode abrir uma crise desnecessária com o PSD e desgastar um palanque que hoje funciona.

No Paraná, a reaproximação com Sergio Moro foi conduzida diretamente por Flávio e por Valdemar Costa Neto, sem participação de Michelle. O episódio reforçou, entre aliados da ex-primeira-dama, a percepção de que decisões relevantes vêm sendo tomadas sem sua participação. A madrasta de Flávio não tem participado de nenhuma das reuniões que ele tem conduzido na sede do PL e no QG da campanha, no Lago Sul. Publicamente, contudo, o discurso é de unidade:

— Quando o presidente Bolsonaro fez a escolha, automaticamente teve outra pessoa que preferia ter outra escolha. Mas como a gente tem um líder, a gente tem que seguir o líder. E daí já está tudo resolvido, 100% dos apoiadores do presidente Bolsonaro estão com o Flávio Bolsonaro — disse o deputado Cabo Gilberto Silva.

PGR muda posição e apoia prisão domiciliar para Jair Bolsonaro por razões de saúde

Decisão será do ministro Alexandre de Moraes

Mariana Muniz
O Globo

A Procuradoria Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira a favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta é a primeira vez que a PGR é favorável à mudança de regime mais benéfica para o ex-presidente.

“Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro”, diz a manifestação.

FLEXIBILIZAÇÃO – Ainda de acordo com a PGR, a evolução clínica de Bolsonaro, nos termos como exposto pela equipe médica que o atendeu no último incidente, “recomenda a flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal em circunstâncias análogas”.

“Aqui também se impõe conciliar o regramento genérico da legislação infraconstitucional com as características peculiares do caso concreto, sob o enfoque das exigências elementares que decorrem dos princípios constitucionais da preservação da vida e da dignidade da pessoa humana”, apontou Gonet.

Segundo o procurador-geral da República, atualmente existe um quadro em o atendimento do que é postulado pelo ex-presidente “encontra apoio no dever dos Poderes Públicos de preservação da integridade física e moral dos que estão sob a sua custódia, até como projeção concretizadora dos fundamentos estruturantes do Estado Democrático de Direito”.

ATENÇÃO CONSTANTE – “Está demonstrado que o estado de saúde do postulante da prisão domiciliar demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”, escreveu.

A manifestação foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. O ministro abriu prazo para manifestação após o envio, pelo Hospital DF Star, de informações detalhadas sobre a internação do ex-presidente.

Bolsonaro foi transferido para a unidade de saúde no último dia 13, depois de apresentar um mal-estar na cela onde está custodiado, no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília.

CONCESSÃO – Na quarta-feira, a defesa do ex-presidente havia solicitado a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando o quadro clínico de Bolsonaro. Diante do pedido, Moraes determinou que o hospital encaminhasse, em até 48 horas, o prontuário médico completo, incluindo exames realizados, medicações administradas e avaliação das condições gerais de saúde.

Com o recebimento dos documentos, o ministro decidiu ouvir a PGR antes de analisar o pedido da defesa. Caberá ao órgão se manifestar sobre a eventual concessão da domiciliar, à luz das informações médicas apresentadas.

REGIME FECHADO – Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, após condenação em ação penal julgada pelo STF. A análise do pedido de prisão domiciliar ocorre em meio a avaliações dentro da Corte sobre os impactos jurídicos e políticos de uma eventual mudança no regime de cumprimento da pena.

Como mostrou O Globo, um grupo de ministros do STF avalia que a eventual concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente pode funcionar como uma forma de proteção institucional da própria Corte, diante do agravamento de seu quadro de saúde e dos possíveis desdobramentos políticos do caso. Integrantes do governo e do PT também têm considerado, sob reserva, que a piora clínica indica que chegou o momento de o ex-presidente voltar a cumprir pena em casa.

O Brasil aprendeu muito com a Arte Matuta do poeta Patativa do Assoré

PATATIVA DO ASSARÉ, O POETA QUE CANTAVA "AS VERDADES DAS COISAS DO  NORDESTE" - Cariri é IssoPaulo Peres
Poemas & Canções 

Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Arte Matuta”.

ARTE MATUTA
Patativa do Assaré

Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra.
Foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.

Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais,
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.

Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo.
Aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou,
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.

Jingle de Flávio Bolsonaro ataca Centrão e chama terceira via de “sequelada”

Primeira derrota no STM amplia risco de Bolsonaro ter cassada a patente de capitão

Às vésperas da prisão, Daniel Vorcaro buscou na internet quem julgava seu caso

Jogo de poder por trás do silêncio de Vorcaro indica uma delação sob medida

Vorcaro tenta organizar delação em “capítulos”

Pedro do Coutto

O avanço das negociações para a delação premiada de Daniel Vorcaro revela mais do que um escândalo financeiro de grandes proporções — expõe, sobretudo, a tentativa de controle narrativo em uma das crises mais sensíveis do sistema político-institucional brasileiro recente.

Em artigo publicado simultaneamente no O Globo e na Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari toca num ponto central: a delação não é apenas um instrumento jurídico, mas também uma disputa estratégica sobre o que será dito — e, principalmente, sobre o que ficará de fora.

“EM CAPÍTULOS” – Vorcaro, no epicentro do colapso do Banco Master, tenta organizar sua colaboração em “capítulos”, separando os eixos de corrupção que teriam sustentado o esquema que levou à quebra da instituição. Não se trata de mero detalhe técnico. Trata-se de um movimento calculado para compartimentar responsabilidades, diluir conexões e, eventualmente, proteger áreas mais sensíveis de sua atuação.

O problema é que a própria natureza do escândalo dificulta qualquer tentativa de isolamento narrativo. As investigações da Polícia Federal apontam para uma estrutura complexa, com múltiplos núcleos — financeiro, político, institucional e até de obstrução de justiça — operando de forma interligada . Em outras palavras, não há “capítulos independentes” quando o enredo é sistêmico.

Enquanto isso, a Polícia Federal ainda assimila o volume de informações e tenta reconstruir o fluxo das operações que, segundo estimativas, podem configurar a maior fraude bancária da história do país . Nesse intervalo, Vorcaro busca reposicionar-se: de operador central do esquema a colaborador-chave capaz de direcionar o foco das investigações.

INEDITISMO – Essa tentativa de pautar a própria delação não é inédita na política brasileira, mas ganha contornos mais delicados quando envolve relações com o Judiciário e o núcleo do poder em Brasília. Há indícios de conexões com autoridades e movimentações que ultrapassam o campo estritamente financeiro, alcançando zonas de influência institucional .

É nesse ponto que o alerta de Gaspari se torna particularmente relevante. Ao discutir decisões e movimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal, o colunista sugere que a forma como certos processos são conduzidos — inclusive com eventuais bloqueios de acesso a informações — pode reforçar a percepção pública de opacidade e seletividade. Não se trata apenas de legalidade, mas de legitimidade.

A delação de Vorcaro, caso homologada, terá efeito cascata. Poderá abrir novos inquéritos, fortalecer investigações em curso e atingir figuras que hoje orbitam fora do alcance direto das apurações . Mas esse potencial explosivo depende de um fator essencial: a integridade do conteúdo revelado.

RISCO DE RUÍDO – Se o acordo nascer fragmentado, guiado por interesses de sobrevivência política e jurídica, corre-se o risco de produzir mais ruído do que esclarecimento. Se, por outro lado, vier acompanhado de provas consistentes e sem blindagens seletivas, poderá reconfigurar o tabuleiro político nacional.

O Brasil já assistiu a esse roteiro antes. A diferença, agora, é a escala — e o nível de interdependência entre os atores envolvidos. O caso Banco Master não é apenas um escândalo financeiro. É um teste de resistência das instituições. E, como todo teste dessa natureza, seu resultado dependerá menos do que se sabe até aqui — e mais do que ainda se tenta evitar que venha à tona.

Na História da Humanidade, é preciso cultuar heróis como Daniel Ellsberg

Morre aos 92 anos Daniel Ellsberg, que vazou os 'Papéis do Pentágono' e  expôs a verdade sobre a Guerra no Vietnã

Sozinho, Ellsberg enfrentou o governo dos EUA e venceu

Deu no site
Estudos Históricos

Outubro de 1969. Daniel Ellsberg estava em um escritório emprestado, depois da meia-noite, passando documentos confidenciais por uma copiadora, página por página. Cada folha era um crime federal. Cada cópia podia significar prisão por toda a vida.

Ele não era um radical. Nem imprudente. Era um ex-fuzileiro naval, doutor por Harvard, analista de alto nível do Pentágono. Tinha acesso aos maiores segredos do país. E acabara de ler 7 mil páginas que provavam que seu próprio governo mentia há 25 anos.

PAPÉIS DO PENTÁGONO – Os documentos ficaram conhecidos como Pentagon Papers — um histórico confidencial da participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, encomendado pelo secretário de Defesa Robert McNamara.

O que revelavam era devastador. Quatro presidentes — Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson — sabiam que a guerra era impossível de vencer. E ainda assim enviaram jovens para morrer. Diziam ao público que a vitória estava próxima, enquanto, em privado, admitiam que nunca viria. Em 1969, mais de 40 mil americanos já haviam morrido.

Ellsberg tinha uma escolha: proteger sua carreira, sua liberdade, sua família… ou expor a verdade. Ele escolheu a verdade.

TOP SECRET – Mas copiar 7 mil páginas sozinho, durante a noite, era lento e angustiante. Qualquer carro passando poderia ser o fim. Então ele tomou uma decisão extraordinária: chamou seus filhos para ajudar: Robert, 13 anos. Mary, 10.

Enquanto o filho operava a copiadora, Mary se sentava no chão com uma tesoura, cortando cuidadosamente os carimbos “TOP SECRET” de cada página.

Anos depois, ele explicaria que esperava ser preso em breve. Queria que seus filhos vissem que ele fazia algo necessário — com calma, consciência e propósito. Queria que entendessem que, às vezes, a consciência exige sacrifício.

CAMINHOS OFICIAIS – Durante dois anos, tentou os caminhos “oficiais”. Procurou senadores, congressistas. Todos recusaram. Então, em 1971, entregou os documentos ao The New York Times.

Quando começaram a ser publicados, o governo reagiu com fúria. Pela primeira vez na história dos EUA, tentou impedir judicialmente um jornal de publicar informações. O bloqueio ao NYT veio.

Ellsberg respondeu entregando os documentos ao The Washington Post, depois a outros jornais. A verdade se espalhou mais rápido do que podia ser censurada. O então presidente Richard Nixon não queria apenas conter o vazamento. Queria destruir Ellsberg.

INVASORES – Criou uma unidade secreta chamada “Plumbers”, que invadiu o consultório do psiquiatra de Ellsberg em busca de algo que pudesse desacreditá-lo. Não encontraram nada. Mas cruzaram uma linha.

Ellsberg foi acusado de espionagem, roubo e conspiração. Enfrentava até 115 anos de prisão. O julgamento começou em 1973. Mas, aos poucos, os abusos do próprio governo vieram à tona: invasões ilegais, manipulação, tentativa de suborno do juiz.

O caso desmoronou. Em 11 de maio de 1973, todas as acusações foram anuladas por má conduta governamental. Ellsberg saiu livre. O impacto foi gigantesco. Os documentos confirmaram o que muitos suspeitavam: o governo mentiu sistematicamente sobre a guerra.

WATERGATE – A confiança pública foi abalada. A pressão aumentou. O rumo do conflito começou a mudar. E houve uma consequência inesperada. A mesma equipe que invadiu o consultório de Ellsberg esteve envolvida depois no escândalo de Watergate — que acabaria derrubando Nixon.

Ellsberg não apenas expôs mentiras sobre a guerra. Ajudou, indiretamente, a revelar a corrupção no coração do poder.

Ele viveu até 2023, aos 92 anos, como ativista contra a guerra e defensor de denunciantes. Nunca se arrependeu. E aquelas crianças que o ajudaram? Cresceram entendendo algo raro, que ser cidadão, às vezes, exige coragem.

UMA LIÇÃO ETERNA – Aquelas duas crianças aprenderam que fazer o certo nem sempre é fazer o seguro. Que o pai delas escolheu a consciência acima do conforto — e elas viram isso de perto.

Os Pentagon Papers não acabaram imediatamente com a guerra. Mas mudaram para sempre a forma como as pessoas enxergam o poder.

Porque, às vezes, o ato mais patriótico não é obedecer ordens. É dizer a verdade — mesmo quando o próprio governo chama isso de traição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aqui na Tribuna da Internet não costumamos publicar textos sem assinaturas. Sempre procuramos identificar o autor, mas desta vez não conseguimos. O texto foi enviado por José Guilherme Schossland, sempre atento, que o extraiu do Facebook, no site Estudos Históricos. É uma lição emocionante, que mostra a importância da dignidade e do espírito público, que precisam ser valorizados neste mundo tão confuso, injusto e desigual. (C.N.)

Depois do Prerrogativas, site petista também ataca TV Globo e GloboNews

Relação dos ligado a Vorcaro está revoltando os petistas

Listagem dos ligados a Vorcaro está revoltando os petistas

Lucas Vasques
Fórum

Após a emissora de notícias das Organizações Globo, a Globo News, ter levado ao ar na tarde desta sexta-feira (20) uma ilustração sobre o escândalo do Banco Master distorcendo fatos e omitindo e minimizando o papel de personagens que seriam centrais no caso, diversas críticas têm sido feitas ao grupo de comunicação.

O formato utilizado pela emissora remete ainda ao PowerPoint utilizado pelo ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol, que apontava o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como centro da suposta organização criminosa investigada pela força-tarefa. Pela apresentação, Dallagnol foi condenado pela Justiça a pagar R$ 146 mil em indenização por danos morais a Lula.

LULA E MANTEGA – Embora o escândalo do Banco Master tenha implicado até agora praticamente só nomes da direita e figuras ligadas ao bolsonarismo, a peça feita pela emissora mostrava próximos ao banqueiro Daniel Vorcaro, no centro da imagem, fotos do presidente Lula, do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do “PT da Bahia” e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda que tenha sido na gestão de Roberto Campos Neto, nomeado por Bolsonaro, que Vorcaro tenha conseguido autorização para assumir o controle do Banco Máxima, que posteriormente se tornou o Banco Master.

O ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sergio Neves de Souza, também da gestão de Campos Neto, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, foram apontados pela Polícia Federal (PF) como “funcionários” ou “consultores informais” de Vorcaro. E o Master firmou convênio com o INSS para operar o crédito consignado em 2020, também no governo Bolsonaro.

MUITO GRAVE – Nada disso pareceu fazer com que a Globo fizesse a equivalência correta na sua ilustração. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) classificou como “muito grave” o episódio.

“É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint. Sinceramente, eu achei que depois do PowerPoint do Dallagnol, a gente não teria tão cedo outra tentativa tão grotesca de manipulação da opinião pública através da criação de uma narrativa através de um PowerPoint”, declarou, em vídeo publicado nas redes sociais.

“As duas campanhas do Brasil que receberam mais dinheiro nas últimas eleições foram as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas. E eles não aparecem, não aparecem no PowerPoint da Rede Globo”, acrescentou, mencionando alguns nomes omitidos pela emissora.

PRÁTICA COMUM – Não é a primeira vez em que as Organizações Globo são acusadas de interferirem em processos eleitorais ou pré-eleitorais. A extrema direita costuma tecer teorias conspiratórias, mas os fatos apontam que é a esquerda quem foi alvo de coberturas enviesadas, falsificações e distorções.

Um dos casos emblemáticos envolve as primeiras eleições diretas para governador durante o processo de abertura política, no fim da ditadura iniciada com o golpe de 1964. No Rio de Janeiro, a empresa Proconsult, que contava com militares em sua direção, venceu a licitação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para totalizar os votos no estado, mesmo sem contar com nenhuma experiência no setor.

O professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Mauro José de Souza Silveira, analisava no trabalho “O caso Proconsult” os embates na apuração das eleições para o governo fluminense em 1982 a diferença entre a cobertura do Jornal do Brasil e do grupo Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A reportagem cita também outras distorções políticas e eleitorais das Organizações Globo, como a “edição” manipulada do debate entre Collor e Lula, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz, a campanha movida contra Brizola em toda a gestão, e a omissão da cobertura da emenda Dante de Oliveira e do movimento Diretas Já. Esse ataque por parte do Fórum, um site intersindical apoiado pelo governo Lula, vem se somar às acusações do Grupo Prerrogativas para abrir, em ano eleitoral, uma desnecessária guerra contra as Organizações Globo, que deste o início vinha apoiando e poupando Lula e agora terá de mudar de lado, por óbvio. (C.N.).

Tudo por dinheiro! PT investiga um genro de Silvio Santos, envolvido no caso Master

PGR pede reabertura de inquérito contra Fábio Faria por propinas da Odebrecht – CartaCapital

Fábio Faria atuava no STF em defesa de Daniel Vorcaro

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais surrealista, devido à abrangência do escândalo do banco Master, que incrimina autoridades dos Três Poderes, incluindo dois ministros do Supremo – Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. E as apurações a cargo da Polícia Federal estão enveredando por cenários verdadeiramente inesperados.

É o caso da investigação sobre o ex-deputado Fábio Faria (PP-RN), casado com Patrícia Abravanel, apresentadora de programas no SBT. Segundo a força-tarefa que apura o escândalo, o genro de Silvio Santos era íntimo do banqueiro Daniel Vorcaro e aparece diversas vezes nas mensagens dos celulares do dono do Master.

FARIAS OU FARIA? – O ex-deputado Fábio Faria é filho do político Robinson Farias, que passou a assinar “Faria” para simular parentesco com Wilma Faria, então governadora do Rio Grande do Norte, e ganhar votos dos eleitores dela. Com essa manobra, cresceu na política como deputado, presidiu a Assembleia, foi eleito vice-governador e depois tornou-se governador.  

Robinson Farias (ou Faria) elegeu seu filho Fábio deputado federal em 2006 e lhe garantiu mais três mandatos. Em 2022, porém, Robinson sentiu que perderia a eleição ao Senado e decidiu se candidatar à Câmara, fazendo com que o filho abandonasse a política e passasse a se dedicar exclusivamente aos interesses da família Farias (ou Faria).

Na Câmara, Fábio foi um fracasso e só conseguiu aprovar um projeto que considera relevante – a lei 13.111, em 2015, obrigando as agências a informar ao comprador a situação de regularidade dos carros e motos usados, como eventuais multas, impostos e taxas a pagar etc. E era chamado de galã, devido a seu sucesso com mulheres famosas, como a atriz Priscila Fantin e as apresentadoras Adriane Galisteu e Sabrina Sato, antes de se casar em 2017 com Patrícia Abravanel.

TUDO EM FAMÍLIA – A Polícia Federal já levantou que Fábio operava diretamente para o Master representando não somente o pai, mas também o tio, Ricardo Mesquita de Faria (ou Farias), responsável pelos nebulosos negócios empresariais da família, que incluem projetos conjuntos com Vorcaro, como a empresa Super Empreendimentos e Participações S/A.

Esta sociedade anônima é sediada em São Paulo, atua no setor de participações societárias e era administrada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, embora esteja registrada em nome dos diretores Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva.

Os peritos da Polícia Federal já decifraram mensagens entre Fábio Faria e Vorcaro, que comprovam a atuação do ex-deputado como operador do banqueiro no Supremo e revelam sua intimidade também com o ministro Dias Toffoli. E surgem cada vez mais informações sobre a família Faria (ou Farias)

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P.S. –
É difícil saber se a arte imita a vida ou se ocorre o contrário, com a vida imitando a arte. Nesse intrigante episódio, é certo que vida e arte se misturam, com Fábio Faria demonstrando admiração enorme por Silvio Santos, a ponto de dar o nome de Senor Abravanel a um de seus filhos e também seguir o lema “Tudo por Dinheiro”. (C.N.)

Delirante, Vorcaro acha que vai mandar na delação e poupar ministros do STF

Daniel Vorcaro comandou 'organização criminosa' no Banco Master, diz PF Relatório citado em decisão do ministro Dias Toffoli revela que os crimes na mira do inquérito do STF envolvem uma longa lista

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Elio Gaspari
O Globo

Daniel Vorcaro é uma pessoa audaciosa e o que ele fez com o banco Master comprova essa característica. Da cadeia, ele sinalizou que partirá para a delação. Até aí, tudo bem, mas em apenas uma semana ele soltou sinais de fumaça, indicando que pretende ser o maestro do espetáculo.

Quando estava solto e tentava ser recebido pelo ministro Fernando Haddad, ele avisava: “Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”.

PARECE BIPOLAR – Enquanto a Polícia Federal digere o conteúdo de seus oito celulares, os primeiros sinais revelaram-no simultaneamente ameaçador e conciliador. Ameaçou revelar suas conexões com o PT e levantou uma bandeira branca para as ligações com magistrados, revelando que não pretende envolver o Supremo Tribunal Federal na sua delação.

Vorcaro achou que controlaria o Banco Central dando capilés a pelo menos dois funcionários. Depois acreditou que paralisaria o BC indo a Lula com o consigliere Guido Mantega.

Quando deu tudo errado e o Master entrou em regime de liquidação, valeu-se de uma patrulha de blogueiros para intimidar o BC. Deu errado de novo e ele acabou preso pela segunda vez. Só então partiu para a delação, mas acredita que pode pautá-la.

UMA BOA PIADA – Vorcaro dizendo que não quer envolver magistrados com sua colaboração é uma piada. Uma delação controlada pelo delator é uma inversão dos papéis. Quem controla esse processo são funcionários da Viúva. Eles podem influir na fixação do tamanho da multa que será imposta a Vorcaro, bem como a extensão da pena que cumprirá.

Vorcaro tem um fraco por espetáculos, quer pelas suas festas, quer pelos seus patrocínios de farofas enfeitadas por parlamentares e magistrados. O melhor que pode lhe acontecer é transformar sua colaboração num espetáculo, colocando-se no papel principal.

Em 2013, quando a Receita dos Estados Unidos detonou a rede de roubalheiras no futebol, o empresário brasileiro José Hawilla foi preso e passou a colaborar com a polícia federal americana. Ele gravava conversas e era acompanhado por Jared Randall, um agente do FBI.

MULTA PESADA –  A certa altura depois de ter sido fixada uma multa de US$ 20 milhões a José Hawilla, garantida por um depósito de US$ 5 milhões, Randall sentiu-se na obrigação de lembrar ao colaborador: “Eu não sou teu amigo”.

O instituto da delação premiada não existe para fazer amizades/ e a colaboração de Vorcaro não pode avacalhar o processo.

Agora vai-se ver o que acontece com Vorcaro falando.

TSE barra ofensiva do PL contra Lula por fazer campanha no desfile do carnaval

Para se candidatar, Simone Tebet sai do MDB, mas no partido ninguém sentirá falta

Tebet: O Brasil não só tem tudo pra dar certo, como vai dar certo — Secretaria de Comunicação Social

Simone Tebet será uma ausência que preenche uma lacuna

Vicente Limongi Neto

É preciso ter grandeza para fazer política. Mas nem todo mundo entende isso. Simone Tebet deixa o MDB. Não fara a menor falta. Não deveria nem ter entrado no partido de Ulysses Guimarães, José Sarney, Mário Covas, Teotônio Vilela e Renan Calheiros. Como ministra do Planejamento, foi zero à  esquerda e à direita.

Simone cospe no prato que comeu e se lambuzou. No MDB, Tebet ganhou visibilidade. Que sirva de lição para o partido, que precisa passar a ser mais seletivo em suas escolhas.

A REBOQUE – Com mais de 800 prefeituras, não pode ficar eternamente a reboque do PT que tem menos de 300 prefeituras. O MDB precisa manter a dignidade e a grandeza, conquistadas em lutas democráticas.

Arrogante, dissimulada e pretensiosa, Simone Tebet foi para o PSB. Com apenas 15 prefeitos dos 645 em São Paulo. Não aparece nem com traço nas pesquisas para o senado. Mostra o que sempre foi.

Nas eleições para presidente do Senado, Renan Calheiros era o virtual eleito. Tebet disputou com Renan e perdeu na votação da bancada. No plenário, traiu Renan, que acabou perdendo para Davi Alcolumbre. O PSB, ao abrigar Simone Tebet, ganhou oceânico presente de grego. Bom proveito.

ELES TAMBÉM ACHAM… – Escrevi na Tribuna e reitero que, sem Neymar na seleção, o hexacampeonato fica ainda mais difícil.
Fico contente porque craques sem aspas, que deram glórias ao Brasil, como Romário, Ronaldo Gaúcho e Djalminha, também são taxativos e dizem que, sem Neymar, é melhor o Brasil nem ir  à Copa do Mundo.

Canetada de Fux trava nomes da direita e entrega vantagem a Paes na eleição indireta

“Bandeira branca” fracassa e desconexão no STF se aprofunda sob comando de Fachin

Contador preso é acusado por esquema de acesso a dados fiscais de 1.819 contribuintes

Moraes determinou a prisão de Washington Travassos 

Deu no O Globo

O contador Washington Travassos de Azevedo, preso no Rio por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), foi apontado, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como um dos responsáveis pelo esquema de acesso de “dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”. A informação consta do despacho que embasou a prisão.

Em nota, o STF afirmou que Washington foi apontado pela Polícia Federal como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”. A Corte disse ainda que o esquema envolveu “download das declarações” de Imposto de Renda dessas pessoas, que são informações protegidas por sigilo fiscal.

REGISTRO ATIVO – Washington está inscrito como contador no Rio, com registro ativo, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade. Além de uma firma de contabilidade na capital fluminense aberta em 2015, ele também abriu recentemente uma empresa em São Paulo.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a prisão dele, por suspeita de participar do vazamento de dados sigilosos envolvendo membros da Corte e outras autoridades. A prisão foi noticiada primeiro pela Folha de S. Paulo, neste sábado, e confirmada pelo O Globo.

Documentos do governo do Rio levantados pelo O Globo mostram que Washington foi preso no último dia 13, no presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da capital fluminense. Na quinta-feira, dia 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária comunicou que o contador estava apto a ser transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na Zona Oeste. A transferência, de acordo com a secretaria, ocorreu por abertura de vagas em Bangu. Procurada, a defesa de Washington não quis se manifestar neste sábado.

SIGILO VIOLADO – A PF já havia deflagrado operação, no início de março, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária contra suspeitos de vazamentos de dados. Uma das linhas de investigação é de que funcionários da Receita Federal teriam violado ilegalmente o sigilo fiscal do ministro do STF e seus parentes.

Já a prisão de Washington ocorreu uma semana depois dessa operação, e também foi realizada pela PF, que o conduziu para o sistema prisional do Rio. Segundo a Folha de S. Paulo, o contador admitiu ter acessado dados fiscais de forma ilegal.

Em nota, o STF afirmou que a prisão de Washington ocorreu no dia 14 — embora os documentos do governo do Rio apontem sua entrada no sistema prisional no dia 13 — e disse que a “audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia”.

Desesperado com demissão de Kent, agora Trump já fala em terminar a guerra

Counterterrorism official Joe Kent resigns over war: 'Iran posed no  imminent threat'

Joe Kent mostrou que a guerra é inútil e pediu demissão

Roberto Nascimento

Como se sabe, Joe Kent, ex-chefe da Agência de Antiterrorismo dos EUA, é um respeitado herói de guerra, que perdeu a esposa num atentado terrorista no exterior e hoje integra o movimento MAGA (Make American Great Again, ou Faca a América Grande de Novo), que Donald Trump usou para conquistar votos e se eleger presidente.

Ao pedir demissão do cargo, Joe Kent, que tinha sido nomeado pelo próprio Trump, expôs sua contrariedade com a guerra contra o Irã, que a seu ver não ameaçava os EUA.

GUERRA INÚTIL – Kent garante que o Irã não domina a tecnologia para fabricação de bombas nucleares, até porque as instalações de enriquecimento de urânio foram destruídas pelos EUA, com bombas que entraram pela rocha até a profundidade de 60 metros.

Portanto, Kent deduziu que essa guerra inútil para os EUA quebrou uma promessa de campanha de Donald Trump ao movimento de direita MAGA, de não entrar em conflitos desnecessários.

Assim como outros expoentes do importante grupo republicano, Joe Kent acha que Donald Trump está a reboque de Israel, o maior interessado na destruição do inimigo Irã e que precisa de permanente apoio dos Estados Unidos.

ISRAEL À FRENTE – No raciocínio do estrategista Kent, se o maior interessado na guerra é Israel, então, o presidente Donald Trump, não coloca os EUA em primeiro lugar, porque nesse conflito é o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que comanda o teatro de operações, como o ator que dita os rumos da guerra, até pela proximidade geográfica, não deixando alternativas a Trump.

Depois desse repto de Kent, o presidente Trump passar a deixar claro que deseja o fim da guerra, mas, não sabe como fazê-lo, porque não interessa a Israel uma trégua antes da queda do regime clerical do Irã.

Donald Trump demonstra estar a beira de um ataque de nervos, não diz coisa com coisa e nesta sexta-feira, dia 20, chegou a anunciar que a guerra está em fase final, mas o fato concreto é que o Irã está reagindo com extrema violência, ameaçando os países da região.

Isso significa que Trump enfim entendeu o recado de Joe Kent e certamente lamenta ter entrado nessa arapuca de Nethanyahu, um radical que se mantém no poder defendendo um permanente clima de guerra, .

ALTA DO PETRÓLEO – O resultado tem sido cada vez mais preocupante, porque o barril de petróleo já chegou aos 120 dólares pressionando os preços de combustíveis no mundo inteiro, com reflexos na inflação em geral, devido à falta dos derivados, que incluem importantes insumos industriais e agrícolas.

A paz é absolutamente necessária, porque se trata de uma guerra que só serve para Israel destruir seu principal inimigo no Oriente Médio. Entretanto, em contrapartida, vem causando uma desordem mundial, modificando para pior a vida dos cidadãos de todas as partes do mundo.

Para Trump, o pior é que este ano teremos as eleições de meio de mandato nos EUA, e os prognósticos, por causa da guerra, indicam derrota do Partido Republicano e a consequente perda da maioria parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado, o que tornará a vida de Trump num novo inferno de Dante. Trump está perdido, igual biruta de aeroporto, sem saber o que fazer para sair dessa armadilha na qual foi colocado por seu amigo da onça Benjamin Netanyahu. E a máxima do repertório popular nunca falha: “Aqui se faz, aqui se paga”.

“Ah, se eu te pudesse fazer entender, sem teu amor eu não posso viver…”

Meu irmão Paulo Sergio chegando aos 85, cercado pelo amor de sua eterna  companheira Malena, de poesia, letras e livros. Mais um ano para comemorar,  e para isso, vai aqui uma parceria

Paulo Sérgio e Marcos, compositores da pesada

Paulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio  Valle e Marcos  Valle fizeram em parceria “Eu Preciso Aprender a Ser Só”, cuja melancólica letra expressa o sofrimento causado pelo desamor e, consequentemente, a necessidade de se aprender a viver sozinho. Essa música faz parte do LP O Compositor e o Cantor Marcos Valle lançado, em 1965, pela Odeon.

EU PRECISO APRENDER A SER SÓ
Paulo Sérgio  e Marcos Valle

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
E sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou

Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Amigos preparam uma grande festa para homenagear Bernardo Cabral

Griselda no palco do Municipal | Hildegard Angel

Bernardo Cabral e Zuleide moram no Rio

Vicente Limongi Netto 

Nesta sexta-feira, dia 27, os deuses do amor e da amizade acordarão o Rio de Janeiro para saudar os 94 anos de idade do patriota Bernardo Cabral, ex-deputado estadual e federal, ex-senador, ex-presidente da OAB e relator da Assembleia Constituinte. Quem não gosta de Bernardo é doente da cabeça ou do pé, diria o sábio Ataulfo Alves.

Está sendo preparada uma comemoração à altura. O reitor Paulo Alonso, grande figura humana e profissional,  coordenando tudo. Não faz outra coisa há semanas. Com um timaço de amigos dedicados, como Roberto Tadros, Alexandre Farah, Aziz Ahmed,  Aristoteles Drummond e Sergio Costa e Silva.

NINGUÉM PODE FALTAR – Mestres Hélio Fernandes e Marcos Vilaça não perderiam o marcante regabofe.  Sairiam da dieta. Com permissão de donas Rosinha e Maria do Carmo. Seriam os primeiros a chegar. Beijam Bernardo do céu. Eu e Carlos Newton já compramos champanhes.

Advogado e jornalista José Carlos Werneck vai presentear Bernardo com livro da maravilhosa Adélia Prado. Bom gosto. Não quer aborrecer Cabral com destrambelhados togados, humilhando o judiciário. Jurista Jorge Béja confirmou presença, junto com José Aparecido Freire. 

Avião fretado decola cedo de Brasília,  com amigos de fé, de toda uma vida, como os juristas Estenio Campelo e Inocencio Martires Coelho, Paulo Octávio, ministro aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU), Valmir Campelo; senador Renan Calheiros; cientista politico Paulo Kramer, um dos melhores do ramo.

E MAIS – Os jornalistas e escritores Pedro Rogério e Silvestre Gorgulho e Marlene Galeazzi; e o ministro do STJ, Mauro Campbell.

A bela Manaus de Bernardo estará presente com o historiador, escritor, imortal e jornalista Robério Braga e o colunista Pedrinho Aguiar. Na bagagem, tucumã, pupunha,  tapioca e açai. 

A serena dama Zuleide Cabral, filho Júlio, netas, noras, genros e bisnetos, também orgulhosos e felizes com as homenagens ao patriarca do clã. O Cristo Redentor exclamará radiante, “Bernardo, amamos você”. 

Gilmar Mendes faz o possível e o impossível para manter a impunidade de Toffoli

Blindagem do Supremo. Charge de Marcelo Martinez para a newsletter desta sexta-feira (5). #meio #charge #stf #blindagem

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/zero Hora)

Gustavo Côrtes
Folha

Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou nesta quinta-feira, 19, a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen, aprovada pela comissão. O parlamentar afirmou que o magistrado tem atuado para proteger Dias Toffoli, também integrante do STF, cujos negócios receberam aporte do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

“Infelizmente, não é surpresa. Ainda ontem (quarta-feira, 18) alertei no plenário do Senado para essa ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos. Para contemplar seus interesses não têm nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. Reitero o alerta: o abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça”, escreveu o senador no X.

PERANTE A LEI – “Vamos resistir em todas as frentes, seja através de recursos ao presidente do STF ou na luta pela CPI específica para investigar os ministros supostamente envolvidos no escândalo. Essa é a verdadeira defesa da democracia, que só existe com todos iguais perante a lei”, completou.

Conforme revelou o Estadão, o Arleen tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e comprou cotas do resort Tayaya, no interior do Paraná, do qual Toffoli, seus irmãos e um de seus primos eram sócios. No total, o empreendimento recebeu R$ 20 milhões. Gilmar já havia anulado a quebra de sigilo da Maridt, empresa dos Toffoli que foi beneficiada pelos aportes.

Desta vez, o ministro considerou que o requerimento de autoria do senador Sérgio Moro (União-PR) e aprovado nesta quarta-feira, 18, não é válido, porque foi aprovado em bloco. Ele citou decisão do ministro Flávio Dino, que anulou quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela CPI do INSS. “Nesse ponto, sem me alongar de forma excessiva, relembro que o Ministro Flávio Dino (…) registrou que a votação em bloco (ou em globo) de requerimentos de quebra de sigilo ‘parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais’”, escreveu.

CPI VAI RECORRER – O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou, que vai recorrer da decisão. “O respeito às decisões judiciais não se confunde com concordância passiva diante de atos que afrontam a Constituição e limitam o dever desta Comissão de apurar fatos de inequívoco interesse público. A definição do rito de votação de requerimentos constitui matéria interna do Parlamento, não sujeita à ingerência de outro Poder”, disse.

Autor do requerimento anulado, Moro também criticou Gilmar, com quem tem desentendimentos desde quando era juiz federal e coordenava a Operação Lava Jato, da qual o ministro era crítico.

“Atualmente, as CPIs do Congresso fazem o seu trabalho e tentam investigar crimes graves, enquanto alguns Ministros do STF atuam para impedir as investigações”, escreveu o senador no X.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É triste constatar as seguidas iniciativas que visam a dificultar o combate ao crime. E Gilmar Mendes citou justamente a frase mais deplorável do ministro Flávio Dino, ao repetir que a votação em bloco de requerimentos “parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais”.
Sinceramente, membro do Supremo não pode basear sua determinação em “parece não se compatibilizar”. Decisão judicial tem de dizer que “segundo o artigo tal, não se compatibiliza”.  Assim, parece que o Supremo não está cumprindo corretamente sua função, e parece que os ministros não se preocupam com o texto da lei, mas apenas com o que parece que a lei determina. Sinceramente…
(C.N.)