Kassab sinaliza que aceita ser vice de Caiado e reforça projeto presidencial do PSD

‘Coloco-me à disposição’, afirmou o presidente do PSD

Deu no O Globo

O presidente do PSD Gilberto Kassab sugeriu que aceitaria ser candidato à vice-presidente na chapa do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), mas acrescentou que a decisão cabe ao correligionário.

Kassab afirmou ainda estar à disposição “para ouvir e acatar qualquer decisão coletiva, sabendo, de antemão, que ela será a melhor para o futuro do nosso projeto”.

ARTICULAÇÕES – “Mesmo já tendo afirmado que uma candidatura chapa pura pode ser uma hipótese concreta, entendo que muitas etapas e entendimentos precisam ser cumpridos, dentro e fora do nosso partido, até que seja tomada uma decisão sobre o perfil da nossa chapa”, escreveu Kassab, no Instagram.

O post foi feito após o jornal Folha de São Paulo publicar que a decisão de colocar o presidente da sigla na chapa havia sido tomada pelo próprio Kassab conjuntamente com o ex-senador Jorge Bornhausen e que o anúncio caberia ao ex-deputado federal Heráclito Fortes. Na publicação feita no Instagram, Kassab agradece os dois pela indicação:

PALAVRA FINAL – “Os dois têm experiência e isenção necessárias para que suas opiniões sejam examinadas com profundidade”, escreve Kassab na postagem. Ele afirma que ” a palavra final deve ser do nosso candidato, depois de ouvidas todas as instâncias partidárias e o conjunto de nossas forças apoiadoras”

“Como presidente e militante do PSD, coloco-me à disposição para ouvir e acatar qualquer decisão coletiva, sabendo, de antemão, que ela será a melhor para o futuro do nosso projeto”, diz ainda a publicação.

Zema e Caiado avançam sobre agro e Faria Lima após desgaste de Flávio Bolsonaro

Ministro da Fazenda alerta para risco a bancos, fintechs e Pix após medida dos EUA

Ataque eleitoral pode prejudicar economia , diz Durigan

Fabio Graner
Thaís Barcellos
O Globo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao GLOBO que a designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, pelos Estados Unidos, levanta preocupações econômicas para o Brasil, especialmente em relação ao Pix e ao setor financeiro, que podem atingir outros setores.

Durigan alertou para o risco de sanções discricionárias do governo que poderiam atingir bancos, fundos, fintechs e até mesmo a infraestrutura do Pix e disse que o governo brasileiro pode tomar medidas para proteger empresas, famílias e o Pix.

Ele também falou sobre o resultado do PIB, os rumos da política fiscal, o desafio de reduzir as taxas de juros e o debate sobre ampliação da autonomia do Banco Central. A seguir os principais pontos da entrevista.

O governo Trump classificou o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Quais os custos a Fazenda calcula que essa designação terá para as empresas brasileiras?
Primeiro, o compromisso soberano do país deve ser combater essas facções, o crime organizado de maneira muito rigorosa. De fato, essas facções, elas incomodam, geram terror para as comunidades brasileiras onde elas atuam. É fundamental que a gente deixe muito claro o compromisso do governo.

Nós nunca deixamos de ter diálogo com qualquer país que seja, mas em especial os Estados Unidos, para dizer que se houver colaboração entre nações soberanas, tudo que o Brasil quer é ter mais troca, mais colaboração, mais parceria para o combate ao crime organizado.

Ações que são unilaterais, sem diálogo, que vem muitas vezes incitadas por falsos patriotas que dizem que defendem o país, mas, mais uma vez, colocam o país e a economia em uma situação difícil, são atos e condições que me parecem muito ruins.

E quais são as consequências econômicas?
Há um receio das instituições financeiras de sofrerem com uma discricionariedade de instrumentos de ataque (por parte dos EUA), de se começar a dizer que determinada instituição financeira ou conta, determinada infraestrutura, como o Pix, pode ser utilizada por facções criminosas, denominadas grupos terroristas pela designação norte-americana, se começar a fazer ataque com as instituições como alvo. Isso é uma primeira preocupação.

Em uma segunda camada de avaliação, tem um impacto econômico mais geral, macroeconômico, que não é direto e imediato. O risco-país, que vem diminuindo no nosso governo, em patamares mais baixos da história, eventualmente, pode ter uma reversão.

Isso vai sinalizar para o mercado, para o investidor externo, que tem mais risco no país, que tem que tomar mais cuidado com o investimento direto no Brasil, com a ação da Bolsa brasileira que vai comprar. Isso é muito ruim e isso é artificial. Simplesmente um ato unilateral, político, que cria fumaça, que cria esse sentimento, quando na verdade não há.

Esse tipo de discricionariedade gera custo, gera risco e prejudica as instituições financeiras, seja Pix, sejam os fundos brasileiros, sejam as fintechs brasileiras, sejam os grandes bancos.

Falei com todos os CEOs de grandes bancos entre ontem (quinta-feira) e hoje (sexta-feira). Eles já estão preocupados de serem alvos de eventuais ações. Por isso, estão aumentando os seus cuidados de compliance e fazendo as avaliações jurídicas necessárias neste momento.

De que maneira essa decisão pode afetar o Pix especificamente?
Caso haja um argumento de que o PIX também está sendo utilizado por uma facção criminosa, ou por um chamado grupo terrorista nessa designação, pode-se ter uma sanção direcionada ao Pix, ou a um banco, que, em um determinado caso concreto, eventualmente pode ter utilizado o Pix. Isso nos preocupa. Não pode ter um ataque à soberania, a uma infraestrutura importante como o Pix em razão de uma briga política.

Nós estamos falando de um senador, que está com problema de justificativa pública de uma relação que ele teve, viajando para os Estados Unidos e de novo trazendo problemas para a economia, para as famílias e para os empresários brasileiros. Isso aconteceu no Tarifaço também por um motivo escuso no ano passado.

O papel que foi do governo no tarifaço, e vai ser agora, é de proteger a soberania brasileira e defender os brasileiros, os bancos brasileiros, as instituições financeiras em geral, as fintechs, os nossos fundos, as nossas gestoras, a infraestrutura do Pix, defender os empresários que eventualmente possam ser afetados com isso.

Além do financeiro, o governo mapeou outros setores que podem ser prejudicados?
Eu tenho conversado com empresas brasileiras que têm negócios importantes nos Estados Unidos e podem ficar receosas de sofrerem punição, porque muitas vezes têm ativos no Brasil, contas no Brasil, mas desenvolvem atividade relevante, inclusive, para a economia norte-americana.

Nós estamos caminhando bem com a economia brasileira, no momento de estabilidade, de PIB crescendo, desemprego baixo, inflação sob controle. Gerar artificialmente um maior custo para o capital vir para o Brasil, pode prejudicar o agronegócio, pode prejudicar a nossa indústria. Querer instrumentalizar a sociedade brasileira para fazer briga política é mexer com o nosso orgulho patriótico nacional.

Como o governo Lula vai reagir e buscar a reação e buscar reverter essa medida?
É uma reação para mostrar o trabalho que está sendo feito e para mostrar o seguinte: quem quiser colaborar, de verdade, com as operações de combate ao crime organizado, tem portas abertas no país. Então, se há informação por parte de qualquer outra autoridade de que tem uma facção criminosa atuando nesse ou naquele nicho, informe o Brasil. Nós somos os primeiros a querer combater. Há um espírito de colaboração franqueado aos países do mundo, não só aos Estados Unidos.

O nosso entendimento é que a gente deve combater o crime organizado no fluxo financeiro, na inteligência financeira. É isso que dá oxigênio, é isso que dá força para as facções criminosas. O que importa é fazer uma cooperação (com os EUA) para que a gente apreenda fuzil, droga sintética que vem dos Estados Unidos para cá. Importa fazer cooperação para que a gente receba essas informações de ativos que estão em Delaware (considerado paraíso fiscal), de recuperações judiciais que não são concluídas no Brasil, porque não existe patrimônio dessas empresas, que estão escondidas lá. Agora, adotar medida para ter discurso eleitoral prejudicando o Brasil mais uma vez é, de fato, algo muito lamentável.

O presidente Lula planeja ligar para o presidente Trump para tentar reverter essa medida?
Eu não posso responder pelo presidente, mas, por todo o sentimento que a gente tem levado ao mundo, de diálogo multilateral, de construção de pontes, eu não tenho dúvida de que nós vamos seguir falando com os Estados Unidos.

O governo brasileiro pensa em fazer alguma retaliação ao governo dos EUA?
O que aconteceu no tarifaço de agosto do ano passado, foi mais uma vez um movimento que foi unilateral, estranho às nossas relações diplomáticas históricas com os Estados Unidos. E Isso foi sendo desfeito. De que modo? Com diplomacia, com defesa da soberania nacional. Em nenhum momento, a gente arreda pé desse ponto. Aqui, o foco é mostrar a gravidade do crime organizado, mostrar que o Brasil tem feito seu papel, que vai seguir avançando, abrindo espaço de colaboração e protegendo as famílias e as empresas do país.

Como assim?
Nós não podemos aceitar que uma instituição financeira no Brasil, que uma empresa brasileira seja objeto de um ataque discricionário, artificial, a pretexto de gerar mobilização política, conturbação social. Nós temos que proteger o nosso sistema financeiro, as nossas empresas de eventuais ataques ou sanções discricionárias que possam vir de maneira unilateral. Então é importante mobilizar a AGU (Advocacia-Geral da União), mobilizar o Ministério da Justiça, tanto Receita quanto Polícia Federal, para ficar atentos às mudanças de protocolo que podem se seguir a essa designação.

Estão pensando em medidas de suporte aos setores como aconteceu no tarifaço?
Caso haja impacto financeiro e prejuízo financeiro injustamente causado por um ato unilateral, é possível pensar em medidas financeiras e econômicas de suporte também.

Tem algum precedente em outros países que foram sancionados?
O que a gente tem usado como analogia, em especial no sistema financeiro, é México e Colômbia. Foram dois países que tiveram facções designadas e próximos passos desencadeados nesse país. No México, por exemplo, teve duas ou três instituições financeiras que tiveram intervenção do DOJ norte-americano, justamente com uma alegação de que se fazia transferência de recurso financeiro por parte de facção criminosa.

Nesta  semana houve uma nova fase da operação Carbono Oculto e novos fundos sendo usados pelo crime organizado. O que falta em termos de regulação, fiscalização, ou ambos?
Tem um primeiro problema de inteligência criminal para a gente sufocar o crime de origem, para que não haja essa entrada de recursos no sistema financeiro. Mas acho que cabe sim um aprimoramento do nosso mercado de capitais para que a gente consiga olhar também de maneira prudencial, o papel entre o CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Banco Central, para que a gente tenha uma regulação mais detida e mais eficiente no mercado de fundos, no mercado de capitais em geral.

O senhor quer primeiro fortalecer os órgãos, antes de avançar em uma reestruturação regulatória?
Eu acho que uma mudança de modelo regulatório vai nos exigir mais tempo de discussão. Imediatamente, o fortalecimento é possível e está sendo feito. Então, de fato, no primeiro momento tem que fazer o fortalecimento, em especial aqui da CVM, falando do mercado de fundos, mas podemos discutir fortalecimento das competências, seja num Twin Peaks, seja num outro modelo, logo à frente, depois das eleições.

O modelo Twin Peaks é uma boa proposta de desenho regulatório, mas ele envolve grandes mudanças institucionais. E acho que mudanças grandes, institucionais, dentro de rearranjos da estrutura do Poder Executivo, devem acontecer em começo de governo.

Isso vale também para a proposta de emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central?
Eu ouço isso da imprensa, do mercado, uma dúvida muito grande sobre exceções ao arcabouço fiscal, há sempre uma crítica grande. Mas, nesse caso, a gente vê um grande aplauso por parte da imprensa, do mercado, de que se o BC ficar fora do arcabouço fiscal é muito bom, porque fortalece a competência do Banco Central, tem mais orçamento. Então, tem uma certa dissonância.

A minha reticência é com consequências outras, que não o fortalecimento institucional do Banco Central: o BC poder enviar projeto de lei para o Congresso, passar a ter uma relação com o Senado da República e não com o Conselho Monetário Nacional, ter autonomia para fins de estatísticas fiscais. São essas as minhas ponderações e reticências.

Qual foi o desfecho da negociação da PEC com o BC?
Estamos tratando ainda, não houve desfecho. Teve trocas essa semana. O norte é fortalecer o Banco Central, fazer o orçamento monetário a partir dos recursos próprios do banco, dar espaço para o Banco Central fortalecer a sua área de pessoal, a fiscalização, até para não acontecer o que aconteceu durante a gestão Roberto Campos com o Master, onde o Master nasce, cresce e morre.

A ideia é manter o BC como autarquia?
O que está colocado é uma exceção às regras orçamentárias. Teria, de fato, o Banco Central com um orçamento monetário independente do orçamento público.

Ainda no BC, já tem uma definição sobre os nomes a serem encaminhados ao Senado? Serão duas mulheres?
Eu acho que o presidente deveria encaminhar os nomes. Faz parte do processo democrático e fortalecimento institucional você ter os órgãos completos. O tema do Jorge Messias no Senado apareceu, hoje o presidente falou de novo a respeito disso, tem uma certa ordem de agenda do Senado da República que tem que ser observada. Fiquei de falar com o presidente, seja para entender se ele já definiu os nomes, se ele ainda precisa de nomes de indicação. Esse despacho eu ainda não tive.

O PIB surpreendeu no primeiro trimestre. É motivo para celebrar ou de dor de cabeça pelo risco de Selic mais alta?
É evidente que eu fico feliz quando a gente tem um crescimento do país acima do esperado. Todo brasileiro deveria ficar feliz com isso. A pergunta é, nós estamos numa trajetória de crescimento sustentável? Porque isso permite que a gente alie as coisas. Eu não quero que o país cresça a um custo de juros alto, isso é ruim para o país.

O país precisa crescer, nós precisamos melhorar a nossa recomposição fiscal, ajustar as nossas metas, diminuir a dívida pública e fazer com que os juros caiam. Os juros no Brasil precisam ser civilizados. Um debate que nós vamos encarar no futuro próximo do país é como aumentar a produtividade da nossa economia. E parte da produtividade da economia vem do setor privado.

Hoje, um dos gargalos de não aumento de produtividade é a taxa de juros. Um setor privado que se depara com a taxa de juros que nós temos no país hoje não consegue gerar aumento de produtividade. Tem dificuldade com isso. Então, nós precisamos encarar esse debate. É um debate que passa também pelo fiscal, como eu sempre enfatizo.

O que eu sempre rechaço no Brasil é a saída fácil: “Ah, porque o governo gasta muito, a política monetária é muito contracionista”. Alcançamos bons números e eu duvido que a gente consiga sair do modelo de discussão fiscal inaugurado pelo ministro Fernando Haddad, que é: como a gente consegue fazer o debate político no Congresso Nacional, na sociedade brasileira, para que a gente melhore o fiscal sem prejudicar a política ambiental e social. Esse é o grande debate. Não há como se fazer o debate fiscal dissociado do compromisso social.

O PIB cresceu forte no primeiro trimestre, mas também foi um período de retomada da expansão fiscal e parafiscal. O que o governo tem a oferecer para 2027 em diante para colocar essa equação de equilíbrio que o senhor mencionou de pé?
Primeiro, não acho que foi um período de expansão. Sexta-feira passada houve um anúncio de um bloqueio de R$ 23 bilhões ao orçamento.

O caminho para frente é de fortalecer o arcabouço fiscal, mas com ajustes. Nós precisamos moderar, o crescimento de despesa obrigatória, abrir espaço para investimento. E não só abrir espaço para o investimento público, que esse governo já fez, a gente deveria ampliar isso dentro dos nossos limites fiscais, mas diminuir a taxa de juros, cumprindo um fiscal bem cumprido, para que o investimento privado possa dar ganho de produtividade para o país. Então, essa é a diretriz que nós temos que trabalhar, seja de agora até a eleição, seja na eleição, seja no eventual próximo mandato do presidente Lula.

Nos últimos 10 anos tivemos um ciclo grande de reformas e os juros estão no maior nível dos últimos 20 anos. Como resolver esse desafio?
Esse é o grande desafio. Agora, essa resposta não é simples. Talvez a gente precise mesmo de um plano que passe por vários temas, seja poupança, poupança privada. A gente tem hoje, e é claro que no Brasil isso é difícil, quando você tem uma população mais pobre, que precisa de recurso para se alimentar, para pagar o transporte público, para botar o seu filho na escola, para dar um atendimento de saúde emergencial, eventualmente quando não tem acesso. Isso tudo consome a renda das famílias, o que não permite que a família poupe.

“No novo tempo, apesar dos perigos, estamos na luta, pra sobreviver, pra sobreviver…”

Ivan Lins e Vitor Martins: Novabrasil celebra 50 anos da parceria da dupla  - Novabrasil

Ivan e Vitor, uma dupla de grande talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O pianista, cantor e compositor carioca Ivan Guimarães Lins, em parceria com o letrista Vitor Martins, fala em um novo tempo, que é o momento de se mostrar, de lutar pelo seu espaço, por um país livre, sem censura e repressão política.

A música foi gravada por Ivan Lins no LP Novo Tempo, em 1980, pela EMI-Odeon.

O NOVO TEMPO
Vitor Martins e Ivan Lins

No novo tempo
Apesar dos castigos
Estamos crescidos
Estamos atentos
Estamos mais vivos
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer

No novo tempo
Apesar dos perigos
Da força mais bruta
Da noite que assusta
Estamos na luta
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra sobreviver

Pra que nossa esperança
Seja mais que vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança

No novo tempo
Apesar dos castigos
De toda fadiga
De toda injustiça
Estamos na briga
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer

No novo tempo
Apesar dos perigos
De todos pecados
De todos enganos
Estamos marcados
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra sobreviver

Pra que nossa esperança
Seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança

No novo tempo
Apesar dos castigos
Estamos em cena
Estamos na rua
Quebrando as algemas
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer

No novo tempo
Apesar dos perigos
A gente se encontra
Cantando na praça
Fazendo pirraça
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra sobreviver   

Alckmin acusa bolsonaristas de criarem “factoide” para abafar o caso Vorcaro

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O Brasil chegou ao limite da escala 6×1, e a nova regra não quebrará as empresas

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Moraes tem outros problemas graves nos EUA, além do processo judicial de Trump

Moraes é citado em ação nos EUA; caso amplia tensão diplomática com o STF, avaliam analistas – Noticias R7

Moraes é processado por Trump e investigado pelo Capitólio

Carlos Newton

A vida está dando uma bela lição no ministro Alexandre de Moraes, que precisa urgentemente usar parte dos R$ 80,2 milhões que conseguiu receber do banqueiro Daniel Vorcaro e contratar um grande escritório de advocacia nos Estados Unidos, para defendê-lo na ação movida pela plataforma de vídeos Rumble e pela  Trump Media & Technology Group, que é proprietária da rede social Truth, do presidente Donald Trump.

Mesmo que gaste parte da fortuna para se defender, Moraes será irremediavelmente condenado pela Justiça Federal americana, porque não tem como justificar as violações à Primeira Emenda da Constituição, que desde 1791 garante os direitos fundamentais dos cidadãos lá na matriz.

OUTROS PROBLEMAS – Além dessa ação judicial que vai condená-lo por estabelecer censura, perseguição política e outros graves crimes ao exercer a magistratura, Moraes tem outros problemas nos Estados Unidos, com destaque para a investigação que está sendo feita pelo Congresso americano sobre a atuação política de Moraes em seus julgamentos relacionados aos EUA.

Divulgado recentemente, o relatório inicial do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA acusa diretamente o ministro do Supremo de violar a liberdade de expressão em solo americano. Para o Comitê Judiciário, comandado atualmente pelo Partido Republicano, Moraes montou uma campanha de censura e lawfare que atingiu o cerne da democracia brasileira.

Por meio de intimações na Justiça dos EUA, o Comitê Judiciário obteve cópias de ordens de Alexandre de Moraes às redes sociais dos EUA, determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas, como se a Justiça da filial Brazil se sobrepujasse à Justiça da matriz USA.

85 ANEXOS – O relatório é impressionante, acompanhado de 85 anexos. A maioria deles consiste em decisões de Moraes ordenando às redes sociais americanas a suspensão de contas e a remoção de postagens. Há, por exemplo, quatro diferentes ordens para a plataforma de áudio Spotify remover conteúdos do youtuber Bruno Aiub, o Monark.

“Baseado em novos documentos obtidos pelo Comitê, este relatório fornece evidências adicionais de como o regime de censura do Brasil mina a liberdade de expressão nos Estados Unidos, por meio da edição de ordens de remoção de conteúdo com efeitos globais, parcerias com censores em outros países e pela remoção de proteções legais das plataformas de redes sociais”, diz o relatório.

Não há como Moraes se desfazer das acusações, porque as provas são abundantes, fornecidas por ele próprio, ao deflagrar uma patética campanha para calar as críticas de oposicionistas que se manifestavam contra o governo Lula nas redes sociais.

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P.S. –
Outro erro de Moraes foi pedir a extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem, que o ministro condenou à prisão e à perda do mandato e do cargo de delegado federal, sem haver a menor prova de participação dele na trama golpista. A extradição não será concedida e será judicialmente usada contra o próprio Moraes. Mas este é outro assunto importante, que depois abordaremos. (C.N.)

Rodrigo Pacheco anuncia saída da política e desiste de disputar governo de Minas

Pacheco era cotado para representar Lula em MG

Deu no O Globo

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) declarou nesta sexta-feira que não vai ser candidato a governador de Minas Gerais. O senador disse que tomou a decisão de encerrar sua participação na vida política.

“Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que eu já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que não me eternizaria na política. Tenho muito desapego ao poder e felizmente não preciso da política para sobreviver. Eu tinha decidido que ia sair desse ciclo, ao sair da presidência do Senado essa decisão estava muito bem refletida e estou mantendo essa decisão”, afirmou.

FAVORITISMO – O senador era visto como opção prioritária para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser candidato a governador em Minas Gerais e dar palanque para o petista no estado. Pacheco chegou a trocar o PSD, que em Minas está mais alinhado à direita, para ir ao PSB e sinalizou aproximação com Lula, mas o acordo no estado acabou estremecido após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articular a derrubada da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Pacheco era o nome de preferência de Alcolumbre e outros senadores para a vaga. Setores do governo e do PT passaram a ver o ex-presidente do Senado com desconfiança após o episódio. Pacheco, no entanto, voltou a negar hoje ter trabalhado contra Messias. Ao comentar sobre a possibilidade de ser indicado ao Tribunal de Contas da União, caso o ministro Bruno Dantas antecipe sua aposentadoria, Pacheco reforçou que não existe a vaga e “é algo que não se cogita”.

ELOGIO – Mesmo decidindo não concorrer para dar palanque ao petista, o senador elogiou o presidente Lula: “Minha relação com o presidente Lula é muito boa, sempre foi muito boa. Nós nos gostamos, temos apreço um pelo outro e tivemos uma convivência muito sadia mesmo antes de ele assumir a Presidência da República”.

O parlamentar também comentou sobre os cotados para disputar o governo de Minas Gerais e falou sobre as opções do PSB para a disputa. Ele, porém, fez uma ressalva de que se trata de opinião e de que não vai participar do processo de escolha.

“Acho importante que esse campo democrático, progressista, de pessoas que querem reconstruir Minas Gerais possa escolher um nome que esteja à altura e tenha nomes bons. Na pergunta você cita o nome de Josué Gomes da Silva, que foi presidente da Fiesp, é mineiro, filho do nosso saudoso vice-presidente José Alencar. Assim como temos também o ex-procurador geral da Justiça Jarbas Soares. São dois nomes que estão filiados ao PSB”, disse.

JULGAMENTO – Ao comentar sobre o escândalo do banco Master envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival de Lula na pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Pacheco disse também ter uma boa relação com o parlamentar da oposição e disse que ele não pode ser julgado antecipadamente.

“É preciso garantir a todas as pessoas, inclusive ao senador Flávio Bolsonaro, o direito de defesa, contraditório, o devido processo legal, a presunção de não culpabilidade. Isso se aplica a ele e a qualquer cidadão. Não vou me permitir fazer qualquer tipo de exploração midiática ou política de algo que precisa ser suficientemente explicado”, afirmou. As declarações foram dadas durante um evento do Lide realizado em São Paulo.

TERRORISMO –  O ex-presidente do Senado também criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas

“Eu não considero que seja uma decisão acertada, ao contrário, considero equivocada. Caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os Estados Unidos para ajudar a combater às organizações criminosas. Considero que essa classificação não é necessariamente uma ajuda”, pontuou.

Pacheco disse que a decisão “banaliza o conceito de terrorismo”. “Quando se classifica essas organizações criminosas como terroristas isso acaba banalizando o conceito de terrorismo e não resolvendo o problema das organizações criminosas”, finalizou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQuando percebeu que estava apenas sendo usado por Lula, o senador |Rodrigo Pacheco ficou tão decepcionado que desistiu da política. É uma pena. Seria melhor ter desistido de Lula. Pacheco é um político mais preparado do que a maioria dos parlamentares. (C.N.)

Lula reagirá à decisão dos EUA com discurso de defesa da soberania nacional

Estratégia de usar Trump como escudo é mais um erro dos irmãos Bolsonaro

12/03/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio (Folha)

Vicente Limongi Netto

Os irmãos metralhas e moleques, Flávio e Eduardo Bolsonaro, monitorados pelo pai golpista, condenado e preso, insistem em solapar a soberania brasileira. Perdem tempo, usando Donald Trump como escudo para esconder a queda da campanha do senador rachadinha, cada vez mais perto de afundar na lama. O velório já começou e o enterro será em cova rasa, pago pelo meliante Daniel Vorcaro.

Flávio achocolatado soltou foguetes, diante da decisão arbitrária de Trump de considerar as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital).   

NAÇÃO SUBSERVIENTE – Flávio não percebe que Trump o usa como capacho para tentar fazer do Brasil uma nação subserviente, ajoelhada aos Estados Unidos, como fez com a Venezuela e, breve, fará com Cuba e Colômbia.   

Celso Amorim retrucou firme, em boa nota, dizendo: “Colaboração, sim; intromissão, jamais”.  Nessa linha, o Brasil está fazendo o dever de casa. No dia 12 de maio, Lula lançou o Programa Brasil contra o crime organizado. Com investimentos de 11,1 bilhões de reais, para integrar forças de segurança federais, estaduais e municipais.

Flávio sonha em obter votos tirando migalhas dos destrambelhos de Trump.  Vai morrer tentando. No bueiro das ratazanas.

OUTRO GOLPE – O jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais destacados membros da Academia Brasileira de Letras, depois de ler minha coluna anterior na Tribuna da Internet, fez uma indagação que ele próprio respondeu:

“Vicente, o que Flavio faz não é um golpe contra o país? É como se estivessem trabalhando contra o Brasil. Não é atitude condenável, como se estivessem espionando o próprio país? Entregando a nação aos EUA? Pedindo: Venham nos governar!!!!

Tiradentes foi condenado. E quanto a esses outros, que tramam contra a nação?”

Sem consenso sobre código de conduta, STF avalia divulgar palestras de ministros

Tema ainda é considerado embrionário

Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo

A divulgação prévia de palestras e eventos públicos realizados por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido apontada nos bastidores da Corte como uma possível medida de transparência enquanto o código de conduta dos ministros segue sem consenso interno. A iniciativa é vista por uma ala de integrantes do tribunal como uma espécie de “meio-termo” diante das resistências para retomar, neste momento, as discussões mais amplas sobre a criação de regras éticas formais para os integrantes da Corte.

Entre esses ministros, há a avaliação de que a publicidade sobre convites para eventos e palestras pode funcionar como um gesto concreto de abertura institucional e ajudar a reduzir críticas sobre falta de transparência no Supremo. Ainda não há, contudo, uma adesão majoritária e o tema ainda é considerado embrionário, presente em conversas informais. Ministros que rechaçam a discussão a classificam reservadamente como “artificial”.

CÓDIGO DE CONDUTA – A discussão ocorre em meio à tentativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de destravar o debate sobre o código de conduta. Em março, em conversa com jornalistas, Fachin reconheceu que ainda há divergências internas sobre o tema e citou as palestras como um dos pontos em análise.

— Há quem entenda que o código é bem-vindo, mas não necessariamente neste momento. Há outros que já discutem questões um pouco mais concretas. As palestras devem ser informadas previamente? Pode trazer algum problema de segurança. Isso nós vamos discutir — afirmou o ministro na ocasião.

Ministros avaliam que a divulgação das participações em eventos públicos teria a vantagem de não exigir, neste primeiro momento, uma aprovação formal e ampla de um código de conduta completo, tema que ainda enfrenta resistências dentro da Corte após as crises dos últimos meses em que o Supremo se viu mergulhado. A minuta do código está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que foi anunciada como relatora do processo ainda em fevereiro por Fachin.

PRIMEIRA VERSÃO – Agora, com o fim da gestão da ministra na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a expectativa entre integrantes do Supremo e auxiliares da Corte é que uma primeira versão do material seja publicada após as eleições.

Em artigo publicado na revista CartaCapital, o ministro Flávio Dino magistrado afirmou não ver problema na participação de ministros em debates e eventos públicos. Segundo Dino, “ouvir pontos de vista diferentes, em eventos públicos ou audiências, não atrapalha a função de julgar” e “não implica automaticamente corrupção ou parcialidade”.

O ministro acrescentou que “atos de improbidade ocorrem longe dos olhos e ouvidos do público, em pagamentos ocultos e em reuniões clandestinas, que jamais constarão em um extrato bancário ou em uma agenda oficial”.

“CLIMA POLÍTICO” – A avaliação de uma parte de integrantes da Corte é que a adoção de medidas de transparência sobre palestras pode ajudar a reduzir parte das críticas dirigidas ao Supremo sem abrir, neste momento, uma nova frente de desgaste interno em torno da aprovação imediata de um código de conduta mais rígido. Ministros reconhecem que ainda não há “clima político” dentro do tribunal para retomar integralmente as negociações sobre o texto. A percepção é que o tema acabou contaminado pelas tensões internas e pelas crises recentes envolvendo a imagem da Corte.

Por outro lado, ministros do STF afirmam reservadamente que o debate sobre palestras ganhou uma dimensão desproporcional diante de problemas considerados mais graves dentro do Judiciário. Para esses magistrados, há uma “obsessão artificial” em torno do tema, enquanto questões como suspeitas de corrupção, fraudes bilionárias e a atuação de magistrados em investigações recentes teriam impacto muito maior para a imagem do Judiciário.

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“O Centrão nunca se compromete com ninguém”, diz analista sobre crise de Flávio

Contradições de Flávio podem aprofundar desgaste eleitoral

Míriam Leitão
O Globo

O impacto do caso Master sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda depende de novas revelações, mas o desgaste pode se aprofundar caso o senador volte a cair em contradição. Essa é a avaliação do professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Claudio Gonçalves Couto, cientista político formado pela USP e com pós-doutorado na Universidade de Columbia.

Para ele, partidos do Centrão, como PP, Republicanos e União Brasil, tendem a se afastar de candidaturas que possam gerar desgaste eleitoral e podem se manter neutros no primeiro turno, movimentando-se apenas no segundo. “A verdade é que o Centrão nunca se compromete com ninguém”, avalia.  Na entrevista que me concedeu na GloboNews, Claudio Couto fala também sobre a crise de governabilidade no Brasil, sobre o antipetismo e a dificuldade de renovação do PT. Veja a entrevista na íntegra:

Miriam: As últimas duas semanas foram marcadas por uma intensa repercussão do caso Master, que atingiu principalmente o candidato da direita, Flávio Bolsonaro. Que tipo de impacto isso pode ter na disputa? Esse desgaste tende a se dissipar ao longo da campanha ou pode influenciar de forma mais duradoura os eleitores que já demonstravam intenção de voto nele?

Claudio: Acho que depende muito do que ainda vier a aparecer. Imaginemos que parasse por aqui. Que tudo o que tivesse que aparecer já apareceu. Ele teve uma queda significativa nesse começo, como algumas pesquisas já mostraram, mas nada garante que essa queda vai continuar. Isso pode se manter nas próximas pesquisas, pode ficar onde está, pode se aprofundar. Acho que, se novas revelações houver, aí a situação dele se complica bastante, sobretudo se ele novamente cair em contradição.

Mesmo no dia em que saiu a reportagem do Intercept, ele chegou a negar ao próprio jornalista do Intercept, no começo do dia, que tivesse tido qualquer contato com o Vorcaro, deu aquela risada nervosa e, logo depois, foi desmentido pelos fatos. À noite, teve que falar o contrário do que havia dito de manhã. Então, se ele novamente for pego em contradição, aí eu acho que o desgaste se aprofunda.

Caso contrário, são quase cinco meses até o primeiro turno da eleição. Acho que ainda há espaço para recuperação do Flávio Bolsonaro.

Ele já mudou um pouco de postura diante da revelação do Metrópoles de que havia visitado o banqueiro Daniel Vorcaro. Estava em reunião com dirigentes do PL quando a notícia veio à tona e, imediatamente, confirmou o encontro. Ou seja, já não optou pelo caminho da negação. A percepção parece ter sido a de que insistir nisso poderia ampliar ainda mais o desgaste.

Claudio: Ser desmentido pelos fatos. E é melhor, às vezes, admitir as coisas em público e tentar apresentá-las como algo normal. Acho que foi isso que ele tentou fazer. Mas o problema é a contradição disso com tudo o que ele falou durante meses, negando qualquer contato, qualquer conversa, qualquer proximidade com o Vorcaro e tentando associar o escândalo do Master e o próprio Vorcaro ao governo. Quando essas coisas aparecem, por mais que ele tente justificar, fica muito complicado.

Mas houve um primeiro movimento do Centrão de tentar se afastar, começando a falar em liberar seus políticos para apoiar o candidato que quisessem na eleição de 2026. Você acha que partidos como PP, Republicanos e União Brasil vão manter a aproximação que vinham demonstrando com Flávio Bolsonaro diante dessa dúvida pairando?

Claudio: Acredito que não. A gente sabe que os partidos do Centrão, eles, a rigor, não têm grande compromisso com nenhum tipo de candidato ou projeto político nacional. Eles têm os seus projetos, primeiro regionais, evidentemente. Em alguns estados, um dos seus líderes tem alguma força e tem um projeto. E há também um projeto claro de ocupar um grande espaço no Congresso para poder justamente se apropriar dos recursos que isso possibilita. Ainda mais agora, com esse controle grande que o Congresso tem sobre o orçamento.

Então, ninguém vai tentar se associar ao governo Bolsonaro se perceber que isso pode trazer mais desgaste do que ganho. Várias vezes esses partidos que compõem o chamado Centrão foram para a eleição sem estar numa aliança presidencial. Eu acho que isso pode voltar a acontecer neste ano.

E aí eles vão para o primeiro turno sem aliança e, no segundo turno, se reposicionam.

Claudio: Aí se reposicionam, inclusive, a gente sabe, muito possivelmente sem fechar questão. Ou seja, às vezes uma ala do partido vai para um lado, outra ala vai para o outro, outros ficam neutros. O Centrão nunca se compromete muito com ninguém.

E o papel do PSD?

Claudio: O PSD é um partido que, claro, também é Centrão, mas resolveu ter candidato presidencial na eleição deste ano. E agora, diante do que acontece com o Flávio Bolsonaro, acho que essa candidatura ganha uma certa força. Não sei se a ponto de ir para o segundo turno, de crescer muito. Acho que isso não é tão fácil de acontecer, porque existe aquele núcleo duro bolsonarista que é capaz de preservar uma candidatura da família Bolsonaro num patamar relativamente elevado, dificultando que outras candidaturas do campo da direita também ocupem esse espaço. Mas o PSD pode, inclusive, ser um atrativo para outros partidos que queiram, por exemplo, embarcar numa chapa presidencial sem se comprometer muito com qualquer tipo de escândalo que tem aparecido até este momento.

Qual porcentagem do eleitorado você acha que é fielmente bolsonarista e votará no candidato indicado por Jair Bolsonaro?

Claudio: Eu imagino que seja alguma coisa em torno de 20%, pelo que as pesquisas mostram, quando as pessoas são questionadas sobre o seu posicionamento. Se elas são de direita bolsonarista, direita não bolsonarista, o quanto elas inclusive acreditam em praticamente tudo o que a família Bolsonaro diz.

A gente tem ali, eu diria, um piso de 20%. Acho que ele pode até oscilar um pouco para cima, mas acho muito difícil que caia abaixo disso, porque é uma afiliação que, eu diria, é muito mais emocional, afetiva, identitária do que propriamente uma vinculação baseada em propostas de políticas públicas e um projeto de governo.

Eu queria que você avaliasse o comportamento dos outros dois candidatos, Zema e Caiado. Caiado fez um movimento do tipo: “Nós precisamos tocar no nosso objetivo principal, que é antipetista, é contra esse governo, a gente quer substituir esse governo”. Já o Zema atacou Flávio Bolsonaro. Fez um recuo, mas voltou a afirmar ontem que “assombração sabe para quem aparece”. Ele está focando na crítica ao comportamento do Flávio Bolsonaro, enquanto Ronaldo Caiado não. Quem pode ter mais vantagens nesse ambiente meio fluido, desse momento em que ninguém sabe muito bem para onde as coisas vão?

Claudio: Eu acho que os dois estão fazendo apostas um pouco diferentes. O Caiado me parece estar numa aposta de médio e longo prazo, enquanto o Zema está numa tática de curtíssimo prazo. Isso por quê?

Porque a gente viu que, nas semanas anteriores, ele vinha dando declarações polêmicas. Falou aquela coisa sobre trabalho infantil, enfim, resolveu aparecer. Isso teve um certo impacto. O Zema teve um pequeno crescimento em algumas pesquisas, ganhou mais visibilidade. E eu acho que ele viu ali uma oportunidade de continuar nessa toada, de novamente ganhar palco. Farejou sangue e foi atrás.

Acho que o Caiado percebe que talvez isso possa até servir num momento inicial, mas pode lhe desgastar com esse eleitorado bolsonarista. Que, mais na frente, se perceber que a candidatura do Flávio ou de qualquer outro candidato da família Bolsonaro se viabilizar, terá nele um porto seguro, alguém confiável, alguém que não traiu aquele eleitorado. Tanto que sabemos que os dois subiram no palanque do Bolsonaro para defender a anistia.

Por outro lado, o presidente Lula enfrenta um momento muito difícil na economia, atingida por um choque externo forte, que é a guerra envolvendo o Irã. A inflação tende a subir, os juros devem cair menos do que o previsto e o crescimento pode desacelerar. Alimentos e combustíveis, que são os preços mais sensíveis para a população, devem sofrer maior pressão. Além disso, há preocupações com o abastecimento e impactos sobre o agronegócio. Enfim, há uma série de dificuldades no horizonte. Como o presidente Lula pode lidar com essa conta que, no fim das contas, acaba recaindo sobre quem está no poder?

Claudio: Não é uma resposta fácil de dar. E o próprio presidente deve estar se debatendo com esse tipo de questão. E por quê? Porque mesmo antes, quando os sinais já não eram tão negativos, a gente vinha com a inflação sob controle, os juros tinham começado a sinalizar uma queda, o próprio Banco Central anunciou, mas aí, quando foi iniciar a queda propriamente dita, veio a guerra do Irã. E aí a coisa toda se complicou.

Mesmo com o emprego em alta, renda aumentando, vários indicadores bons, ainda assim havia desaprovação do governo. Então isso torna a vida do presidente muito mais complicada. Ele está tomando algumas medidas pontuais em questões que acha que podem resolver. Tirou a taxa das blusinhas, resolveu criar ali um subsídio para combustíveis. Pode tentar coisas desse tipo, mas eu acho que o alcance disso é muito limitado.

Como o eleitor independente reage a isso? Pelas últimas pesquisas, pelo menos da Quaest, que eu olhei com detalhe, a espontânea está muito mais baixa e o grupo dos que ainda não se definiram é muito maior. E nesse momento isso acontece principalmente com a direita.

Claudio: Acho que ainda é um pouco cedo para as pessoas se definirem. Elas vão deixar para tomar a decisão final um pouco mais para frente. Talvez depois da Copa — não por causa da Copa em si, mas por causa do timing mesmo. Como eleição presidencial sempre acontece em ano de Copa, não dá para abstrair isso completamente. Mas as pessoas deixam para tomar a decisão final, sobretudo esse eleitor mais independente, muito mais perto da eleição. Então não acho que isso seja tão estranho. A espontânea ainda está dando uma intenção de voto baixa para qualquer candidato.

Agora, é claro que as pessoas vão se deixar levar, primeiro, pela percepção de como está a economia e de como ela pode vir a ficar, porque essa percepção prospectiva também é importante. Mas também por como episódios como esse escândalo de corrupção, que agora afeta a candidatura do Flávio Bolsonaro, podem impactar as candidaturas.

E aí esse eleitor pode chegar na reta final e, se algo bombástico aparecer ou se ele se vir desgostoso até com coisas que apareceram mais cedo, pensar: “Não, isso aqui não dá. Vou para o outro lado”. Mas acho que é uma decisão que esse eleitor particularmente deixa para tomar no final.

Explica melhor essa questão de a espontânea estar tão baixa para todos os candidatos. Dá quanto mais ou menos? Uns 60%?

Claudio: Quando você pega a espontânea, eu não diria que é 60%, mas é alguma coisa próxima da metade do eleitorado. Porque hoje você tem dois núcleos um pouco mais consolidados, que são os eleitores propriamente bolsonaristas e os eleitores lulistas ou petistas. E esses aí, de alguma forma, já estão sinalizando. A gente tem algo um pouco acima dos 40%, de novo, depende um pouco do instituto que você pega. Mas, no geral, as pessoas ainda estão pouco informadas sobre isso.

Imagine então como deve ser a eleição para governador e Senado. As pessoas não fazem a menor ideia de para onde vão. Mas para presidente você ainda tem um espaço grande. Isso não é tão diferente do que tivemos em outros anos de eleição. Então me parece que a gente não está num quadro atípico. Estamos num quadro normal, dado o tempo que ainda falta para ocorrer o pleito.

Na sua coluna, Vera Magalhães fala dessa complacência da elite brasileira com pessoas que tentaram um golpe de Estado. A elite econômica, o mercado financeiro, continuam apoiando o candidato Flávio Bolsonaro, apesar de ele não ter nenhum histórico de pensamento econômico que agrade o mercado. Independentemente de Flávio Bolsonaro não ter qualquer pensamento econômico conhecido, o mercado reagiu com dólar subindo e bolsa caindo com a crise na candidatura dele. A elite não se preocupa com a democracia?

Claudio: A gente já viu isso com Jair Bolsonaro. Ele não tinha nenhuma ideia sobre economia e tinha o “Posto Ipiranga”, como chamava Paulo Guedes, que resolveria os problemas para ele. A gente tem, no caso do Flávio, uma ausência completa de qualquer discussão sobre isso.

E parece que esses segmentos da nossa elite econômica se movem muito mais pelo antipetismo e antilulismo, independentemente de qualquer análise objetiva que possam fazer sobre as políticas levadas a cabo por esses governos e elas mudaram em diferentes momentos, do que propriamente por adesão ao outro lado. Se o outro lado é a negação desse, então eu vou para lá. O que mostra que aquela crença de que “dinheiro não tem ideologia” não é tão verdadeira assim.

O dinheiro pode até não ter, mas certamente os donos do dinheiro têm. E aí eles acabam se guiando muitas vezes mais pelos seus preconceitos do que propriamente por uma avaliação muito objetiva, muito pragmática, daquilo que acontece. Então acho que é isso. E, claro, a adesão deles à democracia não é das maiores. Acho que isso aparece para muitos deles e até para membros da classe política também como uma questão secundária. A classe política, a gente diz, é formada por “democratas semileais”, que não vão até o fim na defesa da democracia. Nesse caso, eu nem sei se dá para dizer que, em muitos casos, são propriamente democratas. Para eles, provavelmente, isso é uma questão secundária. Se os negócios andam bem, a democracia não é problema meu.

É irracional, porque um governo autoritário pode se voltar contra qualquer um, né?

Claudio: Porque ele não tem controle. Qualquer decisão pode ser tomada sem qualquer tipo de freio.

Você sempre estuda muito a questão da governabilidade no Brasil e eu queria que falasse sobre esse conflito entre Executivo e Congresso, que parece cada vez mais intratável. Isso piorou com o orçamento secreto? Esse momento é fruto do orçamento secreto somado às emendas? E como lidar com isso?

Claudio: Houve uma mudança estrutural no presidencialismo brasileiro desde 2015. Eu falo desde 2015 porque foi o momento em que começou a situação da impositividade das emendas orçamentárias dos parlamentares. Elas passaram a ser de execução obrigatória, inclusive depois aumentando o percentual em relação ao que foi gasto no orçamento anterior. No começo era 1,2% do orçamento, passou para 2%. Uma emenda constitucional ainda no governo Dilma. Presidente fraca, o Congresso ocupou espaço. Mas ocupou não só naquele momento, ocupou definitivamente.

Depois, Bolsonaro, que abdicou de montar uma base de sustentação, presidente fraco de novo, e o Congresso avançou mais. Primeiro vieram as emendas individuais, depois as emendas de bancada e depois o orçamento secreto. Aquilo que foi declarado inconstitucional pelo Supremo foi substituído pelas emendas de comissão, uma outra maneira de camuflar um pouco quem é o pai da criança, quem está propondo aquele tipo de coisa.

Isso empoderou o Congresso. Esse controle sobre o orçamento, que neste ano chega próximo de R$ 60 bilhões, é muito dinheiro. E aí o que acontece? Esses partidos não têm mais por que fazer concessões ao governo em troca de acesso a recursos, que é o que eles faziam antes. Antes, o governo condicionava a execução de uma emenda ao apoio legislativo. Isso acabou. Inclusive era uma maneira de disciplinar sua própria base dentro do Congresso.

Isso fica ainda pior quando você tem um desalinhamento ideológico entre o presidente e a maioria do Congresso. A gente tem hoje um presidente de esquerda com um Congresso claramente de direita, de maioria de direita.

Esses parlamentares, que abriam mão muitas vezes das suas preferências ideológicas em prol do acesso a recursos, não têm mais por que abrir mão delas. Então isso, ironicamente, tornou o Centrão mais ideológico do que era antes. E esse ideológico não é à esquerda, é à direita, porque o Centrão, cá entre nós, não é de centro. O Centrão sempre foi — inclusive surgiu na Constituinte — como um grupo de direita.

A questão é que era uma direita pragmática, que abria mão de certos projetos e preferências em prol do acesso a recursos, fosse dinheiro do orçamento, fossem cargos no governo. Hoje não precisam mais fazer isso. Estão numa situação muito confortável, o que dificulta a vida de qualquer Executivo, ainda mais se for um Executivo desalinhado ideologicamente da maioria congressual.

Eu queria que você falasse também sobre esse sentimento de rejeição tão forte ao PT e ao lulismo. De onde sai esse sentimento tão forte?

Claudio: Acho que sai de vários lugares. Sai, claro, da percepção que houve durante os governos petistas relacionada à corrupção. Os escândalos de corrupção ficaram colados no PT, que é um partido com marca forte. Então é mais fácil identificar isso com o PT do que, por exemplo, com os partidos do Centrão, que não têm muita identidade. Mesmo que políticos e até os próprios partidos tenham envolvimento em escândalos.

O presidente do PL é o Valdemar Costa Neto, que já foi preso no mensalão.

Claudio: Mas as pessoas nem sabem direito disso. Nem sabem do PP, do União Brasil, do PSD. Esses partidos são menos responsabilizados porque não têm uma identidade clara que permita ao eleitor identificá-los.

No caso do PT, que é o partido com essa percepção mais forte, tanto que também tem a maior preferência partidária do país, o outro lado da moeda é gerar uma identificação negativa clara. Há pesquisadores que já mostraram que, nas eleições nacionais, o eleitorado basicamente se dividia entre pró-PT e anti-PT. E isso aparece aqui.

Eu acho que existe um segundo elemento que, para certos setores da sociedade, sobretudo os de renda mais alta, é importante: a percepção de uma certa perda de distinção social que aconteceu com a redução da desigualdade e da pobreza ao longo dos governos petistas lá no começo. Isso aproximou o andar de baixo do andar de cima.

Isso pode ser sintetizado naquela situação anedótica, mas nem por isso menos verdadeira, do “efeito aeroporto”: “essa pessoa não viajava do meu lado e agora está aqui ao meu lado”. Antes ela, na realidade, era meu serviçal.

Muita gente se sentiu desprestigiada por causa disso. E acho que isso gera um certo ressentimento. Somado à percepção de corrupção, são duas coisas diferentes, mas que se combinam e produzem esse cenário que a gente vê hoje.

E, claro, tem ainda, eu diria, secundariamente — mas nem por isso deixando de atingir uma parte importante do eleitorado — a questão dos valores, da moralidade sexual, de temas relacionados à família, coisas desse tipo, que pegam sobretudo o eleitorado mais profundamente religioso, que percebe na esquerda em geral e, consequentemente, no PT, uma posição menos favorável à defesa da família e dos valores tradicionais do que teria a direita.

Acho que é esse amálgama de coisas que faz com que o antipetismo seja tão forte.

Que cara terá a esquerda no pós-Lula? Porque o mais impressionante nisso tudo é a permanência de um único líder durante tanto tempo, já disputando o quarto mandato. Não se vê um movimento de renovação. Você vê uma coisa muito fragmentada. Surge alguém e os outros atacam. Então há uma incapacidade de fazer herdeiros políticos para Lula. Pelo tamanho dele, pelo carisma, pelas características, pelos defeitos e qualidades, não importa. O fato é que não existe um sucessor.

Claudio: O que eu acho é que, apesar da enormidade da figura do Lula dentro da esquerda e desse predomínio que ele tem, o PT é um partido forte, com identidade própria e certa adesão social para além do lulismo. E eu acho que isso, na realidade, é o trunfo que existe ali.

O problema que o próprio PT enfrenta — e acho que enfrenta muito mais do que a direita hoje — é que não tem quadros jovens. Quando você pega a média etária dos parlamentares petistas, ela é muito maior do que a dos parlamentares da direita.

Não tem o Nikolas Ferreira do PT, só para ilustrar. Você tem o Fernando Haddad, mas Fernando Haddad já é um homem de 60 anos. Não estamos falando de gente muito jovem chegando. Acho que o grande problema não é a falta de um partido que possa gerar essa continuidade, mas a falta de uma nova geração que dialogue, inclusive, com as novas gerações.

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Uma simples palhoça, que nos dá vontade de morar para sempre no interior

ARQUIVO MARCELO BONAVIDES - Estrelas que nunca se Apagam - : RELEMBRANDO O COMPOSITOR  J. CASCATA

J. Cascata, um compositor de talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Álvaro Nunes (1912-1961), conhecido por J. Cascata, expressa na letra de “Minha Palhoça” um bonito, bucólico e romântico convite para a pessoa amada. Este samba de breque foi gravado pela primeira vez por Sylvio Caldas, em 1935, pela Odeon.

MINHA PALHOÇA
J. Cascata

Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada
Abençoar nossa união

Tem um cavalo
Que eu comprei em Pernambuco
E não estranha a pista
Tem jornal, lá tem revista
Uma Kodak para tirar nossa fotografia
Vai ter retrato todo dia
Um papagaio que eu mandei vir do Pará
Um aparelho de rádio-batata
E um violão que desacata

Meu Deus do céu que bom seria..
Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada
Abençoar nossa união

Tem um pomar
Que é pequenino,
É uma teteia
É mesmo uma gracinha
Criação, lá tem galinha
Um rouxinol
Que nos acorda ao amanhecer
Isso é verdade pode crer
A patativa
Quando canta faz chorar
Há uma fonte na encosta do monte
A cantar chuá-chuá…

Meu Deus do céu que bom seria..

Nem Trump contém turbulência e campanha de Flávio mergulha em disputas e deserções