Dirigentes do Novo temem que a união de Zema e Caiado possa enfraquecer a direita

Romeu Zema propõe federalizar Cemig e outras estatais para pagar dívida

Romeu Zema articula aliança para evitar a reeleição de Lula

Deu no site Timeline

O avanço das articulações para a eleição presidencial de 2026 começou a provocar tensão dentro do Partido Novo. Integrantes da legenda demonstram preocupação com o impacto das críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao senador Flávio Bolsonaro, avaliando que a escalada do conflito pode prejudicar alianças estratégicas com o PL nos estados.

 Nos bastidores, dirigentes do Novo defendem uma postura mais moderada de Zema para evitar desgaste com setores do eleitorado conservador e com lideranças bolsonaristas que hoje são vistas como fundamentais para acordos regionais.

MAIS VISIBILIDADE – Embora a possível candidatura presidencial de Zema seja considerada positiva para ampliar a visibilidade nacional do Novo e fortalecer a bancada do partido no Congresso, integrantes da legenda temem que o confronto com o núcleo bolsonarista produza efeito contrário ao desejado.

O receio é que a disputa afaste aliados do PL em estados onde as duas siglas mantêm proximidade política e interesses eleitorais convergentes. Em diversas regiões do país, parlamentares e lideranças locais dependem da manutenção dessa relação para viabilizar palanques competitivos nas próximas eleições.

A tensão aumentou após declarações públicas de Zema direcionadas a Flávio Bolsonaro, interpretadas por setores da direita como uma tentativa de demarcar espaço político próprio dentro do campo conservador. O movimento gerou reações negativas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e acendeu alertas dentro do Novo sobre possíveis consequências eleitorais.

ENFRAQUECER A DIREITA – Parte da direção partidária avalia que Zema precisa equilibrar a construção de uma identidade nacional independente sem romper pontes com o eleitorado bolsonarista, considerado decisivo em diversos estados. A leitura é de que um confronto direto pode fragmentar a direita e enfraquecer alianças locais estratégicas.

Apesar do desconforto interno, o ex-governador mineiro continua sendo visto como um dos principais ativos eleitorais do Novo para 2026.

Integrantes do partido acreditam que sua projeção nacional cresceu nos últimos anos e que sua candidatura presidencial poderia consolidar a legenda como força mais relevante no cenário político nacional.

MAIS CAUTELA – Ainda assim, dirigentes avaliam que o momento exige cautela. Nos bastidores, há quem defenda que o partido evite transformar divergências pontuais em conflitos públicos com o grupo político ligado a Bolsonaro.

Esse temor é causado especialmente pela necessidade de alianças regionais para fortalecer candidaturas ao Congresso e aos governos estaduais.

 O episódio expõe as dificuldades enfrentadas pela direita brasileira na construção de alianças para 2026, em um cenário marcado por disputas internas, busca por protagonismo e tentativas de reorganização do campo conservador após os desdobramentos políticos dos últimos anos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviada por Mário Assis Causanilhas, essa análise mostra as dificuldades do Novo para se fortalecer nacionalmente. Hoje, o partido depende diretamente de Romeu Zema, que está negociando uma aliança com o PSD para formar uma chapa única com Ronaldo Caiado. As duas pré-candidaturas ficam mantidas até o início de agosto, e quem estiver à frente nas pesquisas sai para a Presidência e o outro fica como vice. Com essa manobra, Zema e Caiado estão criando uma terceira via que pode representar com chances a direita e o centro na eleição. A preocupação de Caiado e Zema é o desgaste de Flávio Bolsonaro, devido à sua ligação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, um fato que pode facilitar a reeleição de Lula. (C.N.)

Decisão dos EUA sobre PCC e CV amplia ofensiva bolsonarista contra Lula na segurança pública

O custo político da crescente promiscuidade entre poder e dinheiro público

Ex-governador enfrenta cenário de desgaste acumulado

Pedro do Coutto

As novas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e Cláudio Castro aprofundam uma crise que já ultrapassou a esfera policial para alcançar o coração da política fluminense. Os pagamentos de despesas pessoais, viagens, encontros em ambientes privados e eventos patrocinados pelo controlador do Banco Master ao então governador do Rio não aparecem mais como episódios periféricos ou meramente sociais. Dentro do contexto investigado pela Polícia Federal, esses movimentos passaram a ser observados como parte de uma engrenagem política e financeira muito maior.

O ponto central das suspeitas está justamente na coincidência temporal entre a aproximação pessoal dos dois e os sucessivos aportes do Rioprevidência em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Segundo decisões judiciais e documentos tornados públicos, os investigadores identificaram um padrão que vai além da informalidade política típica das relações entre empresários e governantes. A suspeita é de que a relação privada teria produzido efeitos concretos sobre decisões administrativas envolvendo bilhões de reais pertencentes ao fundo previdenciário dos servidores do estado.

SIMBOLISMO INSTITUCIONAL – A gravidade política do caso não está apenas nos valores envolvidos, mas no simbolismo institucional da operação. O Rioprevidência não é um fundo qualquer. Trata-se da estrutura responsável por garantir aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos fluminenses. Quando aplicações consideradas arriscadas passam a ser associadas a relações pessoais entre agentes públicos e empresários investigados, a consequência inevitável é o desgaste da confiança pública na gestão do patrimônio estatal.

O caso também ajuda a explicar por que a crise do Banco Master deixou de ser vista apenas como um escândalo financeiro para se transformar em um problema político nacional. As investigações passaram a atingir governos estaduais, fundos públicos, operadores financeiros e figuras centrais do sistema político brasileiro. A dimensão do episódio lembra outras fases da história recente do país em que a fronteira entre influência econômica e poder institucional se tornou nebulosa.

DESGASTE ACUMULADO – No caso específico de Cláudio Castro, o problema político é ainda mais delicado porque o ex-governador já enfrenta um cenário de desgaste acumulado. As operações recentes da Polícia Federal ampliaram a percepção de fragilidade ao redor de seu grupo político justamente no momento em que o Rio de Janeiro vive uma disputa intensa por reorganização de forças para os próximos ciclos eleitorais.

O impacto não se limita ao campo jurídico. Existe um dano reputacional crescente, sobretudo porque as imagens divulgadas e os relatos de encontros privados patrocinados por Vorcaro reforçam um componente simbólico devastador: a ideia de promiscuidade entre o luxo privado e a gestão de recursos públicos.

A política brasileira tolera relações próximas entre empresários e governantes há décadas. O problema surge quando essa proximidade passa a produzir coincidências administrativas, mudanças estratégicas em órgãos públicos e decisões financeiras incompatíveis com critérios exclusivamente técnicos. É exatamente nesse ponto que a narrativa das investigações ganha força.

REFLEXOS – Outro aspecto relevante é o efeito institucional produzido pelo caso. A sucessão de denúncias envolvendo fundos públicos estaduais reacende um debate antigo sobre governança, fiscalização e blindagem técnica de fundos previdenciários. Em tese, estruturas como o Rioprevidência deveriam operar sob critérios rigorosos de compliance e gestão de risco. Mas a repetição de episódios semelhantes em diferentes estados brasileiros demonstra que ainda existe enorme vulnerabilidade política nesses sistemas.

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer irregularidade e sustenta que as relações mantidas com Daniel Vorcaro ocorreram dentro da normalidade institucional e social inerente ao exercício do cargo público. Ainda assim, o avanço das investigações indica que a discussão já deixou de ser apenas jurídica. O desgaste político tornou-se inevitável porque a opinião pública tende a interpretar esse tipo de proximidade a partir de uma lógica simples: quando empresários bancam luxo, viagens e convivência privada de autoridades, cresce inevitavelmente a suspeita sobre o que estava sendo negociado nos bastidores.

PÚBLICO E PRIVADO – O episódio também revela uma característica recorrente da política brasileira contemporânea: a erosão gradual das fronteiras entre o espaço público e os interesses privados. Não se trata apenas de corrupção clássica ou troca direta de favores. O fenômeno é mais sofisticado. Relações pessoais passam a criar ambientes de influência permanente, nos quais decisões estratégicas deixam de ser exclusivamente técnicas e passam a orbitar relações de confiança, dependência e conveniência política.

O caso Vorcaro-Castro ainda está longe de um desfecho definitivo. Mas independentemente do resultado judicial, as revelações já produziram um efeito político profundo: reforçaram a percepção de que parte da elite dirigente brasileira continua operando em uma zona cinzenta onde convivem luxo privado, influência financeira e estruturas públicas bilionárias. E quando aposentadorias de servidores entram nessa equação, o impacto deixa de ser apenas político para atingir diretamente a credibilidade do próprio Estado.

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Chapa de Caiado e Zema (ou vice-versa) pode ser a terceira via e tem chances de vitória

Caiado e Zema têm algo para Flávio - 27/05/2026 - Cláudio Hebdô - Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Aleluia, irmão! Ainda resta uma esperança de nos livrarmos de Lula de Silva e da família Bolsonaro, de uma vez por todas. Essa perspectiva tornou-se verdadeira esta semana, com a reunião entre os dois presidenciáveis alternativos de maior chance – Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo. Pela primeira vez desde o início da pré-campanha, eles estiveram juntos, nesta quarta-feira, dia 27, e o resultado foi auspicioso.

Louve-se o desprendimento de Zema, que foi ao escritório eleitoral de Caiado, em São Paulo, ao invés de sugerir um local neutro para o encontro, digamos assim.

CHAPA ÚNICA – “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse Zema em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.

Em tradução simultânea, o ex-governador mineiro está informando claramente que já foi feito um pacto entre os dois. Ou seja, ficou decidido que eles vão formar uma chapa única. Quem estiver melhor colocado nas pesquisas será o candidato a presidente, e o outro ficará como vice.

Ao contrário do que Zema previu, essa decisão não deverá ser tomada na data-limite. Antes de 5 de agosto, as pesquisas já terão indicado quem deve encabeçar a chapa, para que os dois possam reiniciar a campanha em novos moldes.

UNIÃO JÁ – No entanto, nada impede que Zema e Caiado (ou vice-versa) comecem logo a fazer campanha juntos, criando um fato novo e muito positivo nesta eleição presidencial. Note-se que é uma situação jamais vista na política brasileira e pode agradar muito aos eleitores indecisos que costumam decidir as eleições brasileiras, ao escolherem o menos pior no segundo turno ou ao preferirem voto em branco, nulo ou abstenção.

Cabe a esses eleitores, que significam quase um terço do total, viabilizar essa possibilidade de terceira via, optando desde já por qualquer um dos dois (Caiado e Zema, ou vice-versa), para fazer com que cresçam nas pesquisas.

O fato concreto é que esses dois pré-candidatos são muito melhores do que os favoritos, e o Brasil merece alguma alternativa menos corrupta e mais preocupada com os interesses nacionais.

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P.S. –
Esta deve ser a vez de Caiado, que tem 77 anos e mais experiência do que Zema, conhece bem o Congresso e foi o governador melhor avaliado do país. Aliás, Caiado fez história na política goiana ao se tornar o primeiro governador a ser eleito e reeleito no primeiro turno. Quanto a Zema, é bem mais jovem do que Caiado, tem apenas 61 anos e pode esperar sua vez numa boa, embora nada impeça que seja cabeça de chapa. (C.N)   

Governo admite impasse: EUA ainda não responderam sobre extradição de Ramagem

Pedido de extradição foi realizado pelo STF em dezembro

Raquel Lopes
Folha

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, disse que o pedido de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) ainda aguarda resposta dos Estados Unidos. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a abertura do processo de extradição de Ramagem, que tramita no Departamento de Estado.

A condenação definitiva do núcleo central da trama golpista, do qual o parlamentar fazia parte, foi decretada por Moraes em 25 de novembro. A declaração foi dada em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados

LEGISLAÇÃO MIGRATÓRIA – Na ocasião, o ministro afirmou que a detenção pelo ICE, serviço de imigração dos Estados Unidos, não ocorreu em razão de um pedido de extradição, mas por questões relacionadas à legislação migratória americana. Ramagem foi detido pelo serviço de imigração dos EUA em abril. Autoridades brasileiras afirmaram, à época, que a ação ocorreu no âmbito da cooperação entre os dois países.

Dias depois, ele foi solto e, na sequência, o Departamento do Estado, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, acusou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, sem citar seu nome, de ter “manipulado” o sistema migratório para contornar canais formais, classificando a atuação como uma extensão de “perseguição política” em território americano.

O ministro da Justiça disse, entretanto, que todos os atos operacionais, tais quais abordagem, detenção, teriam sido integralmente executados por autoridades norte-americanas. “Não houve participação do oficialato da PF em atividades operacionais ou decisórias”, disse.

NOVA FRENTE – A prisão e sua posterior liberação abriram uma nova frente de atrito entre o Brasil e o governo de Donald Trump, expondo versões conflitantes e um ambiente político propenso à escalada de tensões.

Durante a audiência pública, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), chegou a criticar a postura do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por não comparecer em duas audiências em que foi chamado. Ele foi interrompido por parlamentares governistas enquanto questionava o ministro sobre uma possível demissão de Andrei Rodrigues.

PGR denuncia grupo envolvido em esquema de venda de sentenças no STJ

Ilustração da Revista Piauí

Pepita Ortega
O Globo

A Procuradoria-Geral da República denunciou nove pessoas por envolvimento no esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público Federal imputa aos investigados supostos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo, lavagem de capitais e organização criminosa.

Entre os acusados estão o ex-servidores do STJ Márcio José Toledo Pinto, que atuou no gabinete da ministra Nancy Andrighi, e Daimler Alberto de Campos, que exerceu cargo em comissão de chefe de gabinete da ministra Isabel Galotti. Ministros não são investigados.

OPERADORES FINANCEIROS – Também foram denunciados o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e a advogada Mirian Gonçalves, sua esposa. A acusação ainda atinge supostos operadores financeiros do grupo e pessoas beneficiadas pelas decisões judiciais supostamente negociadas. Segundo a denúncia, o grupo operou entre 2019 e 2023.

A acusação é derivada da Operação Sisamnes, que identificou suposto funcionamento irregular dentro da Corte, com acesso antecipado a minutas de votos, possível influência na distribuição de processos e atuação coordenada para direcionar resultados em casos considerados sensíveis.

Relatório da PF descreveu a existência de um “mercado paralelo de influência”, estruturado em ao menos três núcleos: servidores do STJ, advogados e intermediários, além de empresários, sobretudo do setor agroindustrial. Segundo os investigadores, contratos de alto valor teriam sido firmados para garantir decisões previamente alinhadas, em substituição à atuação técnico-jurídica regular.

Trump pega Lula de surpresa, ao classificar o PCC e o Comando Vermelho como “terroristas”

Secretário dos EUA, Rubio cita 'graves violações dos direitos humanos' para  justificar Lei Magnitsky contra Moraes

Marco Rubio, secretário de Estado, tenta justificar sua decisão

Tiago Tortella
CNN Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que classificou o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como “Terroristas Globais Especialmente Designados”.

O comunicado, assinado pelo secretário Marco Rubio, também afirma que os EUA pretendem designar os dois grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.

JUSTIFICATIVA – “O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, destaca o texto.

“Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país”, adiciona.

O governo Lula foi apanhado de surpresa e o Itamaraty ainda não respondeu. O assessor internacional do Planalto, ex-ministro Celso Amorim, fez um comunicado curto, dizendo que toda colaboração contra o crime é bem-vinda, mas não fez comentários sobre uma possível interferência dos EUA no Brasil, a exemplo do que já acontece na Venezuela.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A declaração do Departamento de Estado é gravíssima. Isso significa que ação dos EUA contra o crime organizado no Brasil passa a ser feita pela CIA, a agência central de inteligência, cujos métodos abusivos de espionagem são bem conhecidos no mundo inteiro. O fato concreto é que o governo brasileiro não combate o crime organizado nem o desorganizado. O país é mundialmente conhecido pela impunidade da corrupção, como se viu com a desmobilização da Lava Jato e com a libertação de Lula, através de uma manobra do Supremo, que tornou o Brasil o único país da ONU que não prende criminosos após condenação em segunda instância. No caso de Lula, ele já estava condenado em terceira instância, por unanimidade, no STJ. Mesmo assim, foi solto e “descondenado”. Esta é a nossa realidade, hoje. (C.N.)

Crise do Master afasta Centrão de Flávio e amplia o risco de seu isolamento político

União-PP e Republicanos tendem a não embarcar na coligação

Lauriberto Pompeu
O Globo

O afastamento de partidos do Centrão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a crise provocada pelas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro tornou as opções de vice para a corrida presidencial mais restritas e reforçou a tendência de uma chapa pura, com a vaga ficando com o PL.

Havia a expectativa que a federação União-PP indicasse a vaga, mas os comandos das duas siglas dizem que hoje um apoio ao senador é considerado cada vez mais remoto. Um movimento para o apoio formal dos dois partidos havia crescido, mas as legendas se afastaram após o escândalo do caso Master atingir o pré-candidato do PL e também o presidente do PP, Ciro Nogueira.

EM RISCO – O dirigente do PP e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, são próximos de Flávio e, ainda que não tivessem ainda garantido um apoio, participavam de perto das articulações envolvendo as alianças com o PL e discutiam opções de candidatos a vice. Flávio teve suas alianças colocadas em risco após ter sido protagonista de uma crise envolvendo o Master.

O desgaste teve início há duas semanas após a divulgação, pelo site Intercept, de conversas e áudios envolvendo cobranças de dinheiro por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para a realização do filme sobre a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Integrantes da cúpula da federação União-PP temem que novos casos venham a ser revelados e isso também respingue na estratégia dos partidos de tentar crescer na eleição. O principal objetivo das legendas é formar o maior número possível de deputados e senadores e há um receio, caso a campanha se vincule a Flávio, de que isso prejudique essa estratégia.

LIGAÇÕES COM VORCARO – Os próprios presidentes do PP e União Brasil também têm ligações com Vorcaro e poderiam se desgastar mais ainda caso se associassem a Flávio. Há uma crítica de que o pré-candidato do PL não tem sido transparente sobre o que ainda pode ser revelado contra ele e que apoiar Flávio pode ser uma aposta arriscada.

O distanciamento não é ligado diretamente ao desempenho eleitoral do senador nas pesquisas. Há uma avaliação de integrantes desses partidos de que Flávio não é solidário diante do desgaste, também relacionado ao banco Master, enfrentado pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, que chegou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga pagamento de propina, algo que o parlamentar nega.

De acordo com relatos, Ciro está bastante incomodado com Flávio e isso tem influenciado um afastamento de toda a federação dele. Aliados do presidente do PP disseram que Flávio chegou a procurar o aliado por telefone para tentar desfazer o desgaste, mas que não houve abertura para uma reaproximação.

OPÇÕES – Antes da crise, o PP discutia diversos nomes de vice. Entre as opções estudadas estavam a da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já indicava resistência em compor a chapa mesmo antes da crise envolvendo Flávio e Vorcaro, e a deputada Simone Marquetto (PP-SP).

As discussões sobre candidatura a vice estão indefinidas e ainda não há um nome favorito dentro do PL para o posto. A pré-campanha de Flávio tem mostrado preferência em ter uma mulher como companheira de chapa. O nome da vereadora de Fortaleza Priscila Costa, que é pré-candidata ao Senado, chegou a ser citado. A escolha dela também resolveria uma divergência no palanque de Flávio no Ceará, já que ela disputa a vaga de candidata a senadora pela sigla com o deputado estadual Alcides Fernandes.

Priscila é o nome de preferência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para o Senado, enquanto Alcides, que é pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), tem recebido acenos de Flávio. A própria Michelle tem sido citada como opção de candidata a vice, mas integrantes do PL veem como difícil a possibilidade, já que ela está afastada de Flávio e tem focado nas articulações no Distrito Federal, onde deve disputar uma vaga no Senado.

Lula entrega redes sociais ao PT e prepara ofensiva digital contra Flávio Bolsonaro

Lula reformula estratégia digital e amplia tom político

Catia Seabra
Folha

O presidente Lula terá uma atuação mais combativa nas redes sociais a partir das próximas semanas, com a transferência da gestão de seus perfis para o PT. Hoje a cargo do governo, mais especificamente da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), as contas pessoais de Lula passarão a ser administradas pelo partido, permitindo maior contundência no debate político, sem as amarras impostas ao governo federal.

A estratégia de comunicação mais aguerrida exigirá mudanças no próprio governo, a começar pela saída do secretário de produção e divulgação de conteúdo audiovisual, Ricardo Stuckert. Ao lado de Lula desde 2003, o fotógrafo oficial da Presidência passará a trabalhar para o PT. Stuckert já é o responsável pelos perfis do presidente nas diferentes plataformas, à exceção do X (antigo Twitter). Sob a gestão de um funcionário do governo, as páginas atualmente se restringem basicamente ao relato de agendas oficiais.

FOCO EM LULA –  No PT, os perfis poderão focar mais na imagem de Lula, aderindo à dinâmica da pré-campanha. A consolidação do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário exigiu a antecipação dessa estratégia, segundo auxiliares. Além disso, o engessamento dos perfis de Lula tem sido alvo de críticas de seus aliados. O desligamento de Stuckert está previsto para os próximos dias. No PT, ele trabalhará ao lado de Nicole Briones.

Especialista em comunicação e marketing digital, Nicole coordenou as redes sociais do presidente entre junho de 2017 e dezembro de 2021, quando Lula atingiu a marca de 48% das intenções de voto para as eleições do ano seguinte. No governo, ela foi superintendente de Comunicação Digital e Mídias Sociais da EBC até agosto de 2025 e, em outubro daquele ano, assumiu a coordenação digital do PT, a convite do presidente do partido, Edinho Silva.

Sob a coordenação de Edinho, a ideia será levar o debate político aos perfis de Lula. No ambiente digital, o PT tem dado destaque à imagem do presidente e tem aproveitado para expor a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Antes da revelação de conversas entre o senador e o ex-banqueiro, Lula e Flávio Bolsonaro seguiam empatados, segundo a pesquisa Datafolha.

VANTAGEM – Na pesquisa mais recente, divulgada na última semana, dias após a eclosão do caso “Dark Horse”, em referência ao nome do filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido dinheiro de Vorcaro, Lula ampliou de três para nove pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival. No cenário do segundo turno, a igualdade virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.

Nas redes sociais, o PT tem explorado notícias sobre o pedido de dinheiro feito por Flávio a Vorcaro, em uma demonstração dessa estratégia mais agressiva. A transferência das contas das redes sociais de Lula para o PT também embute um descontentamento de aliados de Lula com a comunicação digital do governo, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira.

No momento de estagnação de Lula nas pesquisas, interlocutores do presidente haviam criticado o trabalho nas redes, questionando, por exemplo, a eficácia de peças centradas em animais. Não está descartada a hipótese de o ministro deixar o governo para assumir a comunicação da campanha de Lula.

INVESTIMENTO EM ANÚNCIOS – A gestão de Sidônio na Secom foi marcada por maior investimento em anúncios nas redes sociais. Em 2025, a verba de propaganda do governo destinada para Google e Meta, que é dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, superou pela primeira vez o valor em anúncios pagos para as redes de televisão do SBT e da Band. Os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela Secom e ministérios no último ano.

A publicidade nas redes tem abordado temas variados, com foco em anúncios regionalizados, que divulgam projetos e ações do governo em cidades ou estados específicos. Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país, respectivamente, foram priorizados entre outubro e abril deste ano.

Além disso, a publicidade do governo na Meta também envolveu temas como isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, segurança pública, enfrentamento à violência contra mulheres e crianças e o fim da escala 6×1.

Lula abre cinco pontos sobre Flávio no 2º turno após escândalo envolvendo Banco Master

Petista também saiu na frente nos cenários de primeiro turno

Rafaela Gama
O Globo

A nova pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quinta-feira, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma vantagem de cinco pontos percentuais no segundo turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio aos desdobramentos das revelações sobre a relação entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O instituto ouviu 1.500 pessoas entre os dias 23 e 27 de maio e considera a margem de erro de 2,5 pontos para mais ou para menos.

O levantamento mostra o petista com 46,5% das intenções de voto em um cenário de segundo turno estimulado contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que contabiliza 41,4%. Na última rodada, divulgada no início do mês, Flávio tinha 45,3% e aparecia numericamente à frente de Lula, que tinha 44,7%, mas os dois estavam em empate técnico.

PRIMEIRO TURNO – Já no primeiro turno, o presidente também sai na frente (38,5%), seguido de Flávio (31,5%). Os ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas, Romeu Zema (Novo), aparecem abaixo, com 5,5% e 2,4% das intenções de voto, respectivamente, enquanto Renan Santos (Missão) registra 2,1%.

A pesquisa também testou outros candidatos, como o psiquiatra Augusto Cury (Avante), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC), o deputado federal Aécio Neves (PSD), o ex-deputado Cabo Daciolo (Mobiliza), além de Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP|). Somados, eles têm 4,4%.

O levantamento também testou a substituição de Flávio por outros nomes da direita também no primeiro turno, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que marcou 29,6% contra os 38% registrados por Lula. Já a senadora Tereza Cristina (PP) teve 15,9% ante os 38,1% do petista.

AÚDIOS –  A pesquisa também testou a percepção da população sobre os áudios enviados por Flávio ao banqueiro. Questionados sobre o tema, 37,4% responderam que viram ou ouviram “muita coisa” sobre o assunto, enquanto 23% disseram ter visto “alguma coisa” e 10% relataram ter tomado conhecimento do fato, “mas só de passagem, sem detalhes”. Os que não ficaram sabendo da notícia foram 18,2% e 11,4% não souberam ou não responderam.

Entre os que estiveram por dentro da crise, 48% dos entrevistados afirmaram que o caso é grave e merece ser investigado de maneira aprofundada pela Polícia Federal (PF), enquanto 20% discordaram da afirmação. Outros 20% disseram que nem concordam nem discordam.

A maioria (40,6%), no entanto, afirmou que não acredita na justificativa apresentada pelo senador, que argumentou que manteve a relação com o banqueiro para buscar o financiamento do filme biográfico do pai, “Dark Horse”. Por outro lado, 33,4% disseram confiar na versão apresentada por Flávio e 19% responderam que nem acreditam nem desacreditam. Além desses, 7% não souberam responder.

Jantares milionários, camarotes e uísque raro: bastidores da relação entre Castro e Vorcaro

A geometria dos ventos, na fronteira da loucura poética, com Rachel de Queiroz

rachel de queiroz – @frasespoesiaseafins on Tumblr

Rachel foi a primeira mulher na Academia

Paulo Peres
Poemas & Canções

A romancista, contista, tradutora, jornalista, cronista e poeta cearense Rachel de Queiroz (1910-2003), primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, em “Geometria dos Ventos”, mostra uma poesia livre, sem limites de idioma, espontânea, mas na fronteira da loucura.

GEOMETRIA DOS VENTOS
Rachel de Queiroz

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma.
Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada –
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio;
onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta
no mistério ao mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

Ataques ao Supremo dominam propaganda política digital nas eleições de 2026

Caiado admite aliança com Zema e tenta construir terceira via competitiva para 2026

Caiado diz que ‘existe o sentimento’ para uma aliança

Rafaela Gama
O Globo

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que “existe o sentimento” para a construção de uma aliança com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), como uma alternativa para a eleição polarizada. A declaração foi dada por ele em uma entrevista nesta quarta-feira para a rádio Nova Difusora, em São Paulo, após o pré-candidato mineiro relatar ontem que não descarta a hipótese de uma composição entre os dois.

Caiado também descreveu que a união seria um “atestado de credibilidade política” e um “respiro para a população que quer ver uma alternativa para romper com a polarização”. O ex-mandatário goiano também disse que se reuniu com Zema nesta terça-feira para uma conversa “muito produtiva” sobre a necessidade de ambos terem “cada vez mais encontros”.

“SENTIMENTO” – “Com a última pesquisa, nós conversamos e existe esse sentimento [de união no primeiro turno]. Ele é uma pessoa aberta e nós estamos realmente olhando”, disse Caiado. “Neste momento, as candidaturas estão numa posição, temos que ter humildade para reconhecer, acima de nós. No momento em que nós unirmos todas as forças, elas poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão ainda chegar competitivas no primeiro turno. É muito emblemático as forças dos governadores bem avaliados, todos juntos no primeiro momento”, acrescentou.

O comentário veio na sequência de uma fala de Zema que, durante um encontro com investidores também na quarta-feira, deixou em aberto a chance de construção de uma aliança entre os dois. Na ocasião, ao ser questionado sobre a possibilidade, o ex-governador mineiro disse que “se dá bem” com o goiano e que “gosta dele”, mas afirmou que as definições devem ser deixadas mais para frente, no prazo-limite estabelecido pelo calendário eleitoral.

“Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse o mineiro na ocasião.

INTENÇÕES DE VOTO – Na última rodada da pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, o ex-governador mineiro contabilizou 3% das intenções de voto e Caiado teve 4%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 40% e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou 31%.

No passado, Zema chegou a ser cotado por integrantes do PL como um possível vice para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a relação dele com o bolsonarismo se deteriorou nas últimas semanas. Os atritos tiveram início após as críticas proferidas pelo mineiro contra Flávio depois da revelação dos áudios enviados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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Donald Trump, Flávio Bolsonaro e o sinal político vindo de Washington

Flávio chegou a Washington carregando desgaste crescente

Pedro do Coutto

A reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, não foi apenas um encontro protocolar ou uma agenda internacional comum. Pelo contrário. O episódio produziu perplexidade em setores da diplomacia, da política brasileira e até mesmo entre aliados do próprio bolsonarismo, sobretudo pelo contexto em que ocorreu e pelas circunstâncias que cercaram sua realização.

Segundo reportagem de Luísa Marzullo, publicada por O Globo, o encontro durou cerca de uma hora e quarenta minutos e só foi confirmado praticamente na última hora, após intensa articulação de interlocutores ligados ao secretário de Estado Marco Rubio e ao entorno republicano próximo do trumpismo.

TEMOR – Até poucas horas antes da reunião, nem mesmo integrantes do grupo de Flávio tratavam a agenda como garantida. O temor era evidente: uma frustração pública da viagem teria enorme custo político para o senador em um momento particularmente delicado de sua trajetória. E é justamente esse contexto que torna o episódio politicamente tão significativo.

Flávio Bolsonaro chega a Washington carregando desgaste crescente após a divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso e alvo de investigações que passaram a contaminar o ambiente político da pré-campanha presidencial do senador.

O caso atingiu não apenas o PL, mas também setores do Centrão que discutiam aproximação com a candidatura bolsonarista para 2026. União Brasil e PP, que vinham ensaiando uma convergência, começaram a recalcular riscos diante do temor de novos desdobramentos do escândalo. Nesse cenário, a imagem internacional passou a ter valor estratégico.

RECONSTRUÇÃO SIMBÓLICA – O encontro com Trump serviu como tentativa clara de reconstrução simbólica da autoridade política de Flávio Bolsonaro. A fotografia dentro da Casa Branca, o tratamento protocolar reservado ao senador e até mesmo a entrega da tradicional “challenge coin” americana foram utilizados como elementos de uma narrativa cuidadosamente construída para reforçar sua condição de liderança internacional da direita brasileira.

Mas há um aspecto que chama atenção: os temas oficialmente apresentados para justificar a reunião dificilmente explicam, por si só, uma agenda desse porte. Flávio afirmou ter tratado do combate ao Comando Vermelho e ao Primeiro Comando da Capital, defendendo que as facções sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma pauta relevante, sem dúvida. Contudo, iniciativas desse nível normalmente transitam por canais diplomáticos formais entre governos, ministérios da Justiça, departamentos de Estado e serviços de inteligência. Não é comum que um presidente americano reserve quase duas horas para discutir esse tipo de assunto diretamente com um senador estrangeiro e um ex-deputado sem mandato. É exatamente aí que o encontro ganha dimensão política muito mais ampla do que a explicação oficial sugere.

ATIVO POLÍTICO – Donald Trump não é um ator político convencional. Sua atuação internacional frequentemente rompe protocolos diplomáticos clássicos e privilegia relações ideológicas, lideranças alinhadas e construção de redes conservadoras globais. Nesse contexto, o bolsonarismo continua sendo visto pelo trumpismo como um ativo político estratégico na América Latina.

A presença de Eduardo Bolsonaro reforça ainda mais essa leitura. Mesmo após perder o mandato parlamentar ao transferir residência para os Estados Unidos, Eduardo manteve e aprofundou sua rede de contatos dentro do universo trumpista. Sua ligação com estrategistas republicanos, influenciadores conservadores e operadores políticos próximos de Trump tornou-se uma das principais pontes internacionais do bolsonarismo.

A própria logística da viagem revela isso. Flávio, Eduardo e o influenciador Paulo Figueiredo permaneceram concentrados no hotel Willard, endereço historicamente associado ao trumpismo em Washington e frequentado por aliados republicanos. Antes da confirmação do encontro, a agenda da Casa Branca sequer mencionava oficialmente o senador brasileiro. O improviso de última hora, longe de reduzir o peso político da reunião, talvez revele justamente o contrário: a existência de uma articulação paralela, menos institucional e mais ideológica.

REFLEXOS – O problema é que essa aproximação produz inevitáveis consequências diplomáticas. O governo Lula rejeita a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por entender que elas operam dentro da lógica do crime organizado e do narcotráfico, sem motivação política típica do terrorismo internacional. Ao levar essa pauta diretamente a Trump, Flávio Bolsonaro cria um contraponto explícito à política externa e à estratégia de segurança pública do atual governo brasileiro.

Na prática, o encontro transforma uma divergência doméstica em tema de interlocução internacional. Mais do que isso: ao receber um pré-candidato da oposição brasileira em meio a tensões políticas internas, Trump envia um gesto claro de reconhecimento político. Flávio Bolsonaro percebeu isso imediatamente. Não por acaso, tratou o encontro como demonstração de força internacional e sinalização de legitimidade para sua eventual candidatura presidencial.

Há ainda outro elemento simbólico relevante. A gravata verde e amarela usada por Flávio durante o encontro não foi casual. Assim como a tentativa de presentear Trump com uma camisa da seleção brasileira, o gesto procurava reforçar a associação visual entre bolsonarismo, nacionalismo brasileiro e trumpismo americano. Trata-se de uma construção política cuidadosamente planejada para consumo interno no Brasil.

QUESTÕES NO AR – Ainda assim, o episódio deixa perguntas difíceis. Por que Donald Trump decidiu investir capital político em um senador brasileiro fragilizado por denúncias e investigações? Qual o interesse estratégico americano em elevar a exposição internacional de Flávio Bolsonaro neste momento? E até que ponto essa aproximação interfere no delicado equilíbrio diplomático entre Brasília e Washington?

Talvez a resposta esteja menos nos temas discutidos oficialmente e mais no simbolismo político do encontro. Trump parece ter identificado no bolsonarismo uma peça importante para a reorganização internacional da direita conservadora nos próximos anos. E Flávio Bolsonaro, pressionado internamente por crises políticas, precisava desesperadamente de uma imagem capaz de recolocá-lo no centro do jogo. Nesse sentido, a reunião cumpriu sua função.

Mas o fato de ter funcionado politicamente não elimina o caráter extraordinário — e até desconcertante — do episódio. Porque encontros desse porte normalmente obedecem a racionalidades diplomáticas muito claras. Desta vez, porém, a lógica parece ter sido substituída por algo mais amplo: a construção de uma aliança política transnacional baseada em identidade ideológica, disputa narrativa e interesses eleitorais futuros. E é exatamente isso que transforma a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca em um dos acontecimentos políticos mais intrigantes do cenário pré-eleitoral brasileiro até aqui.

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Marques deu 20 dias para a Procuradoria se manifestar

Raisa Toledo
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques concedeu nesta quarta-feira, 27, prazo de 20 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar por motivos de saúde.

A ação foi protocolada pelos advogados do ex-presidente no dia 8 de maio e busca reverter a condenação. Relator do caso, Nunes Marques dobrou o prazo previsto no Código de Processo Penal para o parecer da PGR – de 10 dias. “Diante da complexidade do feito, que envolve o julgamento de ex-presidente da República, entendo necessário estender o prazo previsto para manifestação do Ministério Público Federal”, escreveu.

COMPETÊNCIA – No pedido apresentado ao STF, a defesa questiona a competência da Primeira Turma da Corte para conduzir o julgamento e alega que o caso deveria ter sido analisado pelo plenário do Supremo.

Entre os pedidos feitos ao STF, estão a anulação integral do processo e a absolvição de Bolsonaro de todos os crimes pelos quais foi condenado: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Segundo a defesa, não houve demonstração concreta de participação individual de Bolsonaro nem atos executórios que comprovassem tentativa de depor o governo democraticamente eleito com o uso de violência ou grave ameaça.

8 DE JANEIRO – Os defensores também argumentam que não há provas de autoria, participação, instigação ou vínculo subjetivo de Bolsonaro com os executores dos ataques às sedes dos Três Poderes nos atos de 8 de janeiro de 2023.

A revisão criminal é um instrumento jurídico usado para contestar condenações já transitadas em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso. A medida é considerada excepcional e depende da demonstração de erro judiciário no julgamento original.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da Corte, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Conforme determina o regimento interno do Supremo, a revisão criminal deverá ser julgada pela Segunda Turma, composta por André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados por Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aleluia, irmão! Depois da Carta Capital e da Agência Brasil, surge o Estadão concordando com a tese da Tribuna da Internet, de que o novo julgamento de Bolsonaro será na Segunda Turma do STF, onde ele tem maioria (Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça) e será inocentado. Agora, só falta a Ouvidoria do Supremo mandar retirar do site da instituição a matéria com a informação falsa de que Bolsonaro será julgado agora pelo Plenário. (C.N.)