Lula finge “defender” Moraes na ação que Trump move contra o ministro do STF

Moraes pede resposta política de Lula às sanções de Trump e freia ação judicial nos EUA | Brasil 247

Para acalmar Moraes, Lula teve de criar uma força-tarefa…

Carlos Newton

No serviço público há grande número de funcionários e autoridades que não têm mais o que fazer, especialmente depois da pandemia, quando se generalizou o chamado home office, que agora está muito difícil de desfazer. Ao invés de arranjar trabalho efetivo para justificar os altos salários pagos com dinheiro dos impostos cobrados ao cidadão-contribuinte-eleitor, como dizia Helio Fernandes, essas autoridades preferem fingir que estão presentes, positivas e atuantes.

É nesse clima que surge a curiosa informação de que o Supremo Tribunal Federal, a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça criaram uma força-tarefa para encontrar a melhor maneira de dar uma resposta institucional do governo da filial Brazil à decisão da matriz USA, que está movendo um processo judicial contra o ministro Alexandre de Moraes.

PIADA DO ANO – O assunto realmente é grave, mas também parece Piada do Ano. Porém, ninguém deve se preocupar nem pegar em armas contra os marines, que já estão bastante ocupados com a dissimulada ocupação da Venezuela.

O problema não afeta o governo nem a população em geral, o único atingido é o ministro Moraes, além de sua família, é claro, que não pode mais visitar a Disney nem curtir a ansiada mansão em Miami, que seria comprada com parte daqueles R$ 129 milhões da venda de proteção ao banqueiro Vorcaro, dos quais só embolsaram R$ 81 milhões, uma quantia que já daria para sustentar a família até o fim de seus dias, seja em Miami ou em qualquer outra cidade do mundo, digamos assim. Mas ambição é um sentimento que sempre aumenta, jamais diminui.

Além do mais, o cofrinho da família continua enchendo com ajuda dos milionários que recorrem à assessoria especializada que a família oferece àqueles que têm altas contas a pagar nos tribunais.

MORAES PEDIU… – Apesar de a imagem de salvador da pátria estar totalmente destruída, o ministro Moraes ainda manda muito em Brasília. Pediu que o governo da filial tomasse uma atitude de enfrentamento à matriz USA, e o presidente Lula mandou reunir os suspeitos de sempre, como dizia o chefe de polícia no filme “Casablanca”.

Assim, na tentativa de acalmar Moraes, que é uma meta praticamente impossível, a força-tarefa  do Supremo, da AGU e  da Justiça já fez a primeira reunião, mas os integrantes não conseguiram nada, porque a missão é praticamente impossível

Motivo: quem está processando Moraes é a plataforma de vídeos Rumble e a Trump Media & Technology Group, uma empresa que pertence ao presidente da matriz, Donald Trump, que o governante da filial tenta agradar ao máximo e até pede que ele sorria nas fotos, para o PT usá-las na campanha eleitoral.

PRIMEIRA EMENDA – O problema de Moraes é que ele não sabe medir sua força e resolveu investir contra a famosa Primeira Emenda da Constituição da matriz, justamente aquela que protege as liberdades dos cidadãos.

De uma só tacada, falando em nome da filial, Moraes pensou que podia dar ordens à Justiça da matriz, mandar retirar isso ou aquilo nas redes sociais, prender e extraditar oposicionistas e até estabelecer censura prévia.

Os governantes da matriz, membros dos três Poderes de lá, não entendem por que Moraes ainda não internado. O próprio Trump, que é dono de uma rede social, ficou com medo das insanidades de Moraes e resolveu entrar na Justiça, para se proteger.

CITAÇÃO POR E-MAIL – Para fugir da Justiça americana, Moraes se escondeu atrás da burocracia diplomática. Durante meses se escondeu dos oficiais de justiça, a tal ponto que a matriz USA decidiu citá-lo por e-mail, para se defender no processo.

Agora, o processo vai tramitar rapidamente, com péssimo resultado. Quando o réu tenta fugir da Justiça e não se defende, como Moraes está fazendo, é julgado à revelia e rapidamente condenado.

Na reunião que teve com Trump, no último dia 7, Lula entregou-lhe um papel contendo a lista de nomes de autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar na matriz, com Moraes encabeçando a relação. Trump recebeu o pedido e guardou na gaveta. Pode até liberar a lista, mas não adiantará nada, porque o processo contra Moraes vai continuar tramitando até a condenação, porque desde 1791 a matriz USA não aceita que ninguém descumpra a Primeira Emenda. Nem mesmo o poderosíssimo Moraes.

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P.S. –
Lula vai ficar embromando Moraes com a força-tarefa, porque é tudo uma Piada do Ano. O presidente petista não tem a menor intenção de brigar com Trump, porque sabe que ele pode atrapalhar sua reeleição. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Petistas classificam agenda de Flávio com Trump como operação de marketing

Preso e isolado, Bolsonaro prepara lista para tentar manter controle da direita

Corrupção lidera os temas nas redes após revelação sobre ligação entre Flávio e Vorcaro

Trump teve de mandar higienizar a Sala Oval, depois de tirar a foto com Flávio Bolsonaro & Cia.

25/05/2026 -

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

A visita-relâmpago do rachadinha Flávio Bolsonaro à Casa Branca foi patética. Seria até hilariante e mirabolante, se não tivesse sido vazia, inútil e rigorosamente cretina. No gabinete de Donald Trump, sempre perfumado, ficou um cheiro ruim. Algo podre havia passado na Sala Oval.

Seguranças foram acionados para descobrir quem entrou na sala do presidente mais poderoso do mundo e deixou no ar um odor de gambá. A Sala foi evacuada para higienização. Médicos informaram que o perfume da Praça Mauá que o senador usava foi a causa das tonturas do anfitrião.

FICOU SENTADO – Durante o encontro vapt vupt com o farsante Flavio Bolsonaro, Trump não conseguiu se levantar para cumprimentar o importuno visitante. Teve de ficar sentado, porque sentiu tremores e calafrios pelo corpo.

Quando os dois serviçais de Flávio, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, entraram no gabinete, as mãos de Trump tremeram. O presidente percebeu ser mais cômodo e seguro conversar com representantes do Irã, da Rússia ou da Ucrânia.

Segundo o rachadinha achocolatado, o fofo e topetudo Trump perguntou sobre a saúde do pai dele, aquele golpista condenado e preso. Flávio ficou mudo, sem palavras, mas Eduardo socorreu o irmão mais velho e disse: “Fala a verdade, cara, diga que papai está preso e não pode sair de casa”. Mas Flávio ficou com vergonha e não falou a cruel verdade.

GUERREIRA – Impressionam até mesmo aos mais incrédulos a fibra e a obstinação da ex-governadora Roseana Sarney. Lutando e vencendo obstáculos duros de sucessivas doenças graves, Roseana tem aparecido nas propagandas eleitorais do MDB, com voz forte, articulada, os olhos saudando a vida.

Roseana lidera as pesquisas para eleição do Senado no Maranhão. O qualificado cientista político Paulo Kramer tem razão, quando compartilha e destaca o orgulho que o ex-presidente José Sarney tem da briosa filha.

STF enterra aposentadoria como punição para juízes e endurece combate a desvios

Decisão da Primeira Turma foi unânime nesta terça-feira

Ana Pompeu
Folha

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) manteve nesta terça-feira (26) o entendimento do ministro Flávio Dino pelo fim da aposentadoria compulsória com afastamento remunerado e para que infrações graves de juízes sejam punidas com a perda do cargo. O colegiado foi unânime nesse sentido. Pelo voto do relator, que foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, a punição com manutenção de recebimentos significaria impunidade.

A perda do cargo, pela decisão, fica condicionada a uma ação perante o próprio Supremo, depois de processo administrativo nesse sentido. Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), foram aplicadas 126 sanções desse tipo desde 2006 —data da criação do órgão—, mas há casos de um mesmo juiz punido mais de uma vez com a mesma pena.

APOSENTADORIA COMPULSÓRIA – Os processos administrativos tinham, até aqui, como consequência mais grave a aposentadoria compulsória. Em seguida, vem a disponibilidade do magistrado com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. O tempo afastado conta apenas para aposentadoria, o que pode adiar o direito a licenças e o avanço na carreira.

Abaixo disso, as punições podem ser advertência ou censura, caso seja entendido que a postura foi menos grave. Até aqui, a perda de cargo seria possível em decorrência de julgamentos pelo cometimento de crimes. “A aposentadoria compulsória, materializada na inatividade remunerada do magistrado que comete infração, era uma exceção à regra da moralidade administrativa e à regra da perda do cargo. Contudo, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 103/2019, não mais subsiste no sistema constitucional a aposentadoria compulsória com caráter punitivo”, disse Dino.

De acordo com Dino, a responsabilização por meio de um afastamento com remuneração significa uma assimetria entre os Poderes. “No Poder Executivo, há possibilidade de impeachment e no Poder Legislativo há possibilidade de cassação de mandato, isto é, sanções compatíveis com ilícitos graves que impedem o recebimento de remuneração por parte do agente público”, comparou. “Só seria possível tal absurda assimetria se fosse vontade expressa da Constituição. Era. Não é mais.”

DESEQUILÍBRIO – Ainda segundo o ministro, esse modelo transfere o ônus da punição à sociedade, como um todo, já que a aposentadoria precoce desequilibra ainda mais o sistema previdenciário. “Após o fim do vínculo do magistrado com o Poder Judiciário em razão do cometimento de infração grave, não há como se reconhecer a existência de direito adquirido à permanência do pagamento de qualquer verba relacionada com a atividade jurisdicional, mesmo que transmutada por meio da (inconstitucional) conversão para um vínculo de natureza jurídica previdenciária”, disse.

De acordo com a decisão, se a perda do cargo for aprovada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a ação deve ser ajuizada diretamente no STF pela AGU (Advocacia-Geral da União). Caso a conclusão administrativa pela perda do cargo do magistrado for de um tribunal, o processo deve ser enviado ao CNJ, e depois ir ao STF.

A turma debateu um recurso apresentado pela defesa da ação originária e pelo MPF (Ministério Público Federal). Ambos pediam que o tema fosse levado ao plenário completo da corte, apontando a relevância jurídica da matéria, que atinge toda a magistratura e integrantes do Ministério Público, além do risco de divergência de decisões das duas turmas.

ARGUMENTOS RECUSADOS – Os ministros, no entanto, recusaram os argumentos nesse sentido. Dino afirmou que o debate se dá sobre a Lei Orgânica da Magistratura, que é anterior à Constituição de 1988, e sobre a emenda de 2019 que fez uma alteração nesse texto. Dessa forma, o tema poderia ser analisado pela Primeira Turma.

Na sessão, Dino afirmou que a vitaliciedade é uma garantia que não pressupõe impossibilidade de rompimento do vínculo diante de condutas incompatíveis com a função. “Não havendo exceção expressa, inviável a manutenção remunerada do vínculo de um agente público que comete conduta reprovável em grau máximo, muitos menos chamar tal manutenção de aposentadoria”, disse. A decisão de Dino no caso tinha sido expedida em 16 de março.

Dino também oficiou o ministro Edson Fachin, que preside o Supremo e também o CNJ, “para —caso considerar cabível— rever o sistema de responsabilidade disciplinar no âmbito do Poder Judiciário” e substituir a aposentadoria compulsória “por instrumentos efetivos para a perda do cargo de magistrados que cometem crimes e infrações graves”.

CUMPRIMENTO À DECISÃO – O presidente da corte e do CNJ já entrou em contato com o corregedor-nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, para definir os encaminhamentos no conselho para dar cumprimento à decisão. A Corregedoria Nacional de Justiça é a instância responsável pela orientação, coordenação e execução da correicional da atividade judiciária dos tribunais.

A interlocutores, Fachin avaliou, na época, que a decisão está de acordo com outras individuais que vinham sendo dadas desde 2019 e já era, portanto, um tema em debate. O relator da ação deu a decisão de forma individual em uma ação que analisa o afastamento de um juiz da Comarca de Mangaratiba (RJ), que acionou o Supremo para anular decisão do CNJ que resultou em sua aposentadoria compulsória.

Há três semanas, a AGU defendeu à corte que a decisão de Dino não poderia ser estendida a outros magistrados e que é atribuição do CNJ, e não do STF, exercer controle ético-disciplinar sobre os juízes.

Caiado e Zema discutem uma aliança para formar uma terceira via competitiva

Homem de cabelos grisalhos e terno azul fala segurando microfone, gesticulando com a mão direita. Outro homem de cabelos escuros e óculos observa atentamente, sentado ao lado, com crachá pendurado no pescoço. Fundo branco com logotipos desfocados.

Caiado e Zema estão acertando uma chapa competitiva

Bruno Ribeiro e João Pedro Abdo
Folha

Os ex-governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência, encontraram-se nesta terça-feira (26) e discutiram uma aliança já no primeiro turno das eleições.

Ao tratar do encontro nesta quarta-feira (27) em entrevista à rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado foi questionado sobre o assunto e sobre a disposição de Zema em fazer a aliança sem abandonar a cabeça da chapa. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos somente avaliando”, respondeu o pré-candidato do PSD.

NA DATA-LIMITE – Já Zema, durante um evento com agentes do mercado financeiro na terça-feira (26), manteve o tema em aberto. “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.

Zema esteve no escritório de campanha de Caiado, em São Paulo, para a reunião que tratou da aliança no primeiro turno. O ex-governador de Goiás havia dito, em outras ocasiões, que o grupo estaria unido de qualquer forma no segundo turno, quando é esperado que um nome do campo da direita se mantenha na disputa contra Lula, da esquerda.

No entorno dos dois candidatos, contudo, a avaliação é que uma eventual união dos dois, se ocorrer, só será definida perto das convenções e do registro das candidaturas.

HUMILDADE – Em sua entrevista, Caiado disse que era preciso ter humildade para reconhecer que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema estão em um patamar abaixo das do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). “No momento em que nós unirmos um pouco nossos esforços, elas [as pré-campanhas] poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno”, afirmou.

Já Zema afirmou “se dar bem” com Caiado e, quando questionado se aceitaria ser vice na chapa com o ex-governador de Goiás, brincou: “Não poderia ser ao contrário?”.

O mineiro, que também havia feito visitas e aberto canais de diálogo com Flávio Bolsonaro, virou alvo de ataques de bolsonaristas diante da postura após a revelação da associação do senador com Daniel Vorcaro, do banco Master.

TAPA NA CARA – Zema disse que era “imperdoável, um tapa na cara nos brasileiros de bem” ouvir o senador cobrando dinheiro de Vorcaro. A atitude foi interpretada como uma traição pelos aliados de Flávio, dificultando a busca do ex-governador por palanques entre políticos da direita.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, após o escândalo, Lula (40%) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a diferença para Flávio (31%) na simulação de primeiro turno. Caiado e Zema marcam, respectivamente, 4% e 3% no levantamento.

Zema repetiu na terça as críticas que tem feito a Flávio após a divulgação dos áudios. “Foi dito para nós, meses atrás, que ele não tinha nenhum envolvimento [Flávio] com o banqueiro bandido [Vorcaro] Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que nós”, disse.

INDIGNAÇÃO – Ele afirmou estar “realmente indignado” e que quem votar em Flávio estaria “entregando a eleição para o Lula, já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente”. O filho do ex-presidente marcou 46% e superou o petista (45%) entre os eleitores que dizem não votar em algum dos candidatos perguntados.

Mesmo assim, o ex-governador mineiro disse que apoiaria Flávio em um segundo turno contra um candidato de esquerda. Segundo Zema, combater esse espectro político é seu “grande objetivo”.

O pré-candidato também voltou a fazer críticas aos programas sociais: “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não tá escrito”, afirma. O tema é recorrente nas falas do ex-governador mineiro e já foi rebatido pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

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NOTA DA REDAÇÃO D0 BLOG
Ao que parece, Caiado e Zema tiveram uma crise de bom-senso e estão caindo na realidade. Se os dois não se unirem para criar uma terceira via de verdade, a família Bolsonaro, que só se preocupa com ela e não com o país, vai entregar novamente o governo nas mãos de Lula e do PT, que já provaram que não sabem administrar. (C.N.)

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Empresários veem desgaste de Flávio Bolsonaro após áudios com Daniel Vorcaro

“Quando olhaste bem nos olhos meus, e o teu olhar era de adeus…”

Serenata Do Vadinho - Francis Hime — Chico Buarque & Francis Hime | Last.fm

Chico e Hime, uma parceira realmente notável

Paulo Peres
Poemas & Canções

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, em parceria com Francis Hime, deixou sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra de “Atrás da Porta”, que confessa a dor de uma mulher por seu amor perdido, da humilhação de ser abandonada, da aflição surpreendente do final de uma paixão e de um amor.

Hime deu a música a Chico para fazer a letra em 1966 e ele demorou mais de seis meses para concluí-la. O resultado é que tudo é perfeito nesta canção. Desde o desespero até a vontade de se vingar e a decepção de saber que depois de ser apagada de um coração, nada mais surte efeito para trazer de volta este amor. A música faz parte do álbum Elis, gravado por Elis Regina, em 1972, pela Phonogram.

ATRÁS DA PORTA
Francis Hime e Chico Buarque

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua

Coordenador de Flávio pede investigação sobre vazamento de conversas com Vorcaro

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Gabriela Echenique
Folha

O coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), pediu que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça apure o que chamou de vazamento seletivo, após a divulgação de conversas entre o presidenciável e Daniel Vorcaro.

Ele cobrou uma apuração rigorosa sobre o vazamento de informações sigilosas do inquérito do Banco Master na corte. E quer que o ministro investigue a origem do material divulgado, onde ficou guardado e quais agentes tiveram acesso aos dados.

COBRANÇA – A representação é feita semanas após o site The Intercept Brasil divulgar trechos de conversas entre Flávio e o ex-banqueiro. Nelas, o presidenciável cobra recursos que seriam destinados a financiar um filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os áudios provocaram uma crise na campanha e aumentaram o clima de desconfiança no PL e no mercado financeiro. Em um deles, Flávio chama Vorcaro de “meu irmão” e diz que estará sempre com ele. No pedido ao STF, Marinho diz que não quer questionar a liberdade de imprensa, mas identificar os responsáveis pela divulgação de um material sigiloso. “A liberdade de imprensa não elimina o dever estatal de apurar a origem de vazamentos de autos sigilosos”, diz o senador.

O documento pede a instauração de procedimento próprio para investigar o vazamento das informações, além de apurar eventual violação de sigilo funcional. “O que se pretende é a apuração da origem do vazamento, da cadeia de custódia do material divulgado, dos agentes que tiveram acesso aos elementos sigilosos e da eventual utilização indevida de informações protegidas por sigilo para fins de constrangimento público, interferência política ou desequilíbrio do devido processo legal”, diz um trecho da representação.

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Redução da jornada de trabalho e o novo desafio político do governo Lula

Proposta permitirá mais qualidade de vida ao trabalhador

Pedro do Coutto

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional e, desta vez, com forte potencial de impacto político, econômico e social. A proposta de emenda constitucional que prevê a diminuição da carga semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, representa uma das medidas de maior apelo popular em análise no Congresso Nacional nos últimos anos.

Em um ambiente pré-eleitoral, o tema oferece ao governo do presidente Lula da Silva uma bandeira social poderosa, capaz de dialogar diretamente com milhões de trabalhadores submetidos a jornadas extensas, especialmente em setores de comércio, serviços e indústria.

PERÍODO DE TRANSIÇÃO – A proposta relatada na Câmara estabelece um período de transição de 14 meses para adaptação das empresas e fixa prazo de 60 dias para regulamentação após eventual promulgação da PEC. O texto também mantém os salários integrais, evitando perda de renda dos trabalhadores e reforçando o caráter social da medida.

Politicamente, poucos temas conseguem reunir simultaneamente forte aderência popular, discurso social e simbolismo trabalhista como a redução da jornada. O governo percebe isso claramente. Desde 2025, o Palácio do Planalto vem sinalizando apoio gradual à revisão do atual modelo de trabalho, inclusive reduzindo para 40 horas semanais a carga de milhares de trabalhadores terceirizados da administração federal.

A medida dialoga com uma transformação silenciosa do mercado de trabalho global. Em diversos países, governos e empresas passaram a discutir produtividade associada à qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Testes realizados na Europa e em partes da Ásia indicaram que jornadas menores não significam necessariamente queda de produtividade. Em muitos casos, houve aumento de eficiência, redução de afastamentos e melhora nos índices de satisfação dos funcionários.

COMPLEXIDADES – No Brasil, porém, o debate possui complexidades próprias. Especialistas em relações trabalhistas avaliam positivamente a existência de um período de transição justamente para evitar impactos abruptos sobre pequenas e médias empresas, especialmente aquelas intensivas em mão de obra. O texto busca criar uma implementação escalonada, permitindo reorganização operacional, revisão de escalas e adaptação contratual.

Há também preocupação legítima de setores empresariais com aumento de custos. Segmentos ligados ao varejo, alimentação, logística e serviços sustentam que a redução da jornada poderá exigir contratação adicional de pessoal ou ampliação de turnos. Em contrapartida, sindicatos argumentam que o modelo atual, especialmente em regimes próximos da escala 6×1, tornou-se socialmente desgastante e incompatível com padrões modernos de qualidade de vida.

Outro fator importante é que a proposta atinge majoritariamente trabalhadores de renda média e baixa. A ressalva prevista para salários acima de R$ 21 mil mensais alcança parcela muito pequena do mercado formal — algo inferior a 3% dos assalariados brasileiros, segundo estimativas discutidas durante a tramitação da matéria. Isso amplia ainda mais o alcance popular da medida e reduz resistências políticas mais amplas.

ANÁLISE PELO SENADO – Mesmo com ambiente favorável, o Senado ainda precisará analisar a PEC. A tendência predominante, contudo, é de aprovação, ainda que com possíveis ajustes de redação e negociação sobre regras de implementação. Nenhum grupo político deseja assumir o custo de se posicionar frontalmente contra uma proposta percebida por grande parte da população como melhoria direta das condições de vida.

O tema também produz um reposicionamento ideológico relevante. Durante décadas, reformas trabalhistas no Brasil estiveram associadas sobretudo à flexibilização de direitos e ampliação de mecanismos de adaptação empresarial. Agora, pela primeira vez em muitos anos, o centro da discussão passa a ser a redução efetiva da jornada sem perda salarial — uma inversão simbólica importante no debate econômico nacional.

Há ainda um componente eleitoral impossível de ignorar. Em um cenário de disputa polarizada, a pauta oferece ao governo um discurso concreto, de fácil compreensão popular e com forte capacidade de mobilização social. Diferentemente de debates técnicos sobre arcabouço fiscal, juros ou reforma tributária, a redução da jornada toca diretamente o cotidiano do trabalhador comum. É um tema que entra na casa das pessoas, altera rotinas familiares e produz identificação imediata.

SEGURANÇA ECONÔMICA – O desafio do governo será transformar o ganho político inicial em segurança econômica e previsibilidade regulatória. Caso consiga equilibrar proteção ao trabalhador e adaptação empresarial, a proposta poderá se tornar uma das marcas sociais mais relevantes do atual mandato presidencial.

Mais do que uma simples alteração na legislação trabalhista, a discussão revela uma mudança mais profunda no imaginário político brasileiro: a ideia de que desenvolvimento econômico não pode mais ser medido apenas pelo crescimento do PIB, mas também pela capacidade de oferecer tempo, qualidade de vida e dignidade ao trabalhador.

Crise com Vorcaro afasta União Brasil e PP de aliança com Flávio Bolsonaro

Tendência hoje é de neutralidade dos partidos

Fábio Zanini
Folha

Dirigentes da federação formada por União Brasil e PP consideram improvável o apoio formal à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), após a divulgação de detalhes sobre a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo um cacique, a tendência hoje é a federação ficar neutra na disputa, mas o martelo só será batido mais próximo do prazo de convenções, que se inicia em 20 de julho. Muito dependerá do surgimento de novos fatos que aumentem o desgaste do senador.

FORÇA DE LULA – Contribui também para isso a força de Lula em estados do Norte e Nordeste, que prejudicaria candidatos dos dois partidos nessas regiões em caso de coligação. Antes do vazamento das mensagens, União e PP estavam próximos de fechar apoio a Flávio, inclusive com a discussão sobre nomes para vice. Eram mencionados, por exemplo, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).

Dentro da federação, há muito incômodo com a postura de Flávio, que não revelou a existência de conversas com o banqueiro e ainda criticou quem tinha relação com ele. Se União e PP desistirem da aliança com Flávio, a tendência é que ele saia candidato apenas com apoio do PL, uma vez que Republicanos e MDB também devem ficar neutros.

Governantes prostituem o Brasil, um país que doa as terras raras e outras riquezas

Charge mostra Luiz Inácio como cão submisso oferecendo “terras raras do Brasil” a Trump, caricaturado como criança mimada, que exige: “Eu querou seus riqueizas”.

Charge do Artie (Arquivo Google)

Ronaldo Lemos
Folha

Nosso país dá aulas para o mundo sobre como abrir mão do desenvolvimento. O caso dos minerais críticos é um exemplo. Em 1940, chegou ao Brasil o russo Boris Davidovitch. Seu objetivo era explorar monazita nas areias de Guarapari (ES). Em um ano ele dominaria completamente esse mercado de forma predatória, deixando um rastro de destruição.

Davidovitch destruiu cerca de 70 km de praias, incluindo restingas. Montou uma operação de evasão fiscal em que vendia para si mesmo, jogando o preço e os impostos para valores irrisórios. Foi acusado de subornar juízes e desembargadores, de usar trabalho escravo e de continuar exportando clandestinamente mesmo quando suas atividades foram proibidas.

US$ 227 BILHÕES – Em 1954 o prefeito de Guarapari lhe deu uma bofetada na cara. Seu sucessor declarou: “Nasci e me criei aqui. Nunca vi esse homem fazer qualquer coisa em benefício dessa terra”. Em 1956, foi aberta uma CPI onde ele foi intimado a depor.

Tudo isso não serviu para nada. A predação ao Brasil lhe rendeu US$ 227 bilhões. Ele morreu bilionário em Paris em 1960. Após sua morte, seus funcionários enterraram o maquinário da empresa na areia e queimaram todos os documentos.

O que sobrou de monazita extraída em Guarapari foi levado para o bairro do Brooklin em São Paulo, processado pela Orquima e, depois de 1966, pela estatal Nuclemon. Depois da vergonha da monazita, o Brasil finalmente conseguiu dominar boa parte da cadeia de separação das terras raras. Era uma capacidade estratégica rara no mundo naquele momento. Essa capacidade foi desmantelada a partir de 1990 e o que sobrou para o país foram 11 toneladas de resíduo radioativo, apelidado de “Torta 2”. Essa “torta” foi enviada para Caldas (MG). E lá se encontra até hoje.

TERRAS RARAS – A monazita é uma das principais fontes de terras raras do planeta, incluindo o elemento radioativo tório, usado para fazer urânio-233. O problema é que ao ser exportada de forma bruta, seu valor é de banana: menos de US$ 10 por quilo. Com um mínimo de processamento, que o país não consegue mais fazer, o valor aumenta dez vezes: US$ 100 o quilo. Na sua forma final (óxido de térbio) o valor aumenta para US$ 1.000 o quilo.

Analisar a história da exploração da monazita no Brasil revela o tamanho do descaso do país com o desenvolvimento. A monazita brasileira é hoje cobiçada no mundo todo por causa das terras raras. Só que, como toda a capacidade de processamento local foi perdida, o valor agregado é todo gerado no exterior.

TUDO DE NOVO – E o mais irônico: após décadas sem vender monazita bruta por conta da vergonha do passado, o Brasil voltar a exportar monazita bruta nesse ano a partir do Rio de Janeiro, repetindo mais uma vez a história.

O país fica com os buracos, e quem a compra e processa fica com os bilhões de valor agregado. Tudo isso poderia não ser assim. O país teve vozes na história que buscaram refundar nossa política mineral, como o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, o próprio Juscelino Kubitschek ou o professor Diógenes Moura Breda, da Universidade Federal de Uberlândia.

Seus artigos recentes demolem a lei sobre terras raras em tramitação no Congresso Nacional, que ele chama de “erro estratégico”. Seus escritos merecem atenção.

Possibilidade de “absolver” Bolsonaro gera mais uma crise entre ministros do STF

Discreto sem ser omisso: o estilo de Fachin no julgamento da tentativa de golpe - PlatôBR

Edson Fachin reagiu contra o lobby do grupo de Moraes e Gilmar

Carlos Newton

Desta vez, a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal é tão grave que nenhum dos ministros faz comentários. O  desentendimento ocorre exclusivamente nos bastidores e seu desfecho será importantíssimo na política brasileira, porque pode ocorrer exatamente às vésperas das eleições presidenciais, devendo influir em seu resultado.

O motivo da cisão é o próximo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja defesa apresentou um processo de revisão criminal que pode absolvê-lo, embora a maioria absoluta dos ministros do STF não aceite essa possibilidade.

7 VOTOS A 3 – Liderado por Alexandre de Moraes, o grupo de partidários da condenação de Bolsonaro era integrado por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que enfrentaram Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Assim, até agora a condenação do 8 de Janeiro no Plenário teve o placar de 7 votos a 3 no Plenário e de 4 a 1 na Primeira Turma.

Essa situação ocorre porque os réus processados em 2023, antes da mudança nas regras regimentais, são julgados pelo Plenário, enquanto os demais estão sendo julgados na Primeira Turma, como aconteceu com Bolsonaro.

Mas agora houve uma dissidência, e placar no Plenário pode passar a 6 a 4, porque o presidente Edson Fachin decidiu obedecer às novas regras do Regimento e determinou que o novo processo de Bolsonaro tramite na Segunda Turma.

REGRAS ATUAIS – Fachin agiu corretamente. As normas antigas atribuíam ao Plenário a competência para julgar presidente, ministros, parlamentares etc., mas as regras atuais só preveem julgamento no Plenário quando eles ainda estão no exercício do cargo. Justamente por isso, Bolsonaro foi julgado pela Primeira Turma e não pelo Plenário. E a revisão, portanto, agora tem de ser feita pela Segunda Turma.

Diz o artigo 263: “Será admitida a revisão, pelo Tribunal, dos processos criminais findos, em que a condenação tiver sido por ele proferida ou mantida no julgamento de ação penal originária ou recurso criminal ordinário”.

Notem que o Regimento,  quando cita “Tribunal”, o Regimento está se referindo a “Plenário”, conforme fica bem claro neste artigo, que a facção de Moraes e Gilmar tenta desconhecer.

ERRO NO SITE DO STF – Exatamente por isso, quando foi apresentada a revisão criminal, o grupo a favor da condenação de Bolsonaro “plantou” no site do Supremo a informação de que o julgamento do ex-presidente ocorreria no Plenário, onde ele seria inevitavelmente derrotado.

Como toda informação publicada pelo site do STF é considerada “oficial”, a imprensa praticamente inteira repetiu a informação falsa e anunciou que Bolsonaro agora será julgado no Plenário.

Apenas a Tribuna da Internet, a Carta Capital, em matéria de Leonardo Miazzo, e a Agência Brasil, em reportagem de André Richter, informaram corretamente que a análise da revisão criminal caberá à Segunda Turma, da qual fazem parte os ministros Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Ou seja, o placar previsto é de 3 a 2 a favor de Bolsonaro, e não cabe recurso ao plenário. 

OUVIDORIA DO STF = Diante dessa grotesca manipulação das normas regimentais no site do STF, no último dia 16 a Tribuna da Internet tomou a iniciativa de denunciar o caso à Ouvidoria do Supremo,  pedindo que a informação falsa seja retirada do site da instituição.

Como até hoje isso não aconteceu, os repórteres e analistas da grande imprensa continuam achando que Bolsonaro será julgado no Plenário. Mas isso não acontecerá, porque o presidente Edson Fachin, ao reagir contra a manobra do grupo de Moraes e Gilmar, determinou o sorteio eletrônico entre os ministros da Segunda Turma, e Nunes Marques foi escolhido relator.

Essa decisão de Fachin confirma que o julgamento não será no Plenário, porque não houve sorteio de ministro-revisor. Em todo julgamento do Plenário é obrigatório haver revisor, uma função que não existe na Segunda Turma nem na Primeira. Por isso, a crise está em curso nas entranhas do Supremo, e Moraes, Gilmar & Cia. vão reagir duramente contra Fachin.

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P.S.
1 A evolução desse racha institucional vai depender da resposta da Ouvidoria. Caso seja confirmada a informação falsa, será sinal de que Fachin fraquejou e está aceitando descumprir as regras em vigor, para garantir a condenação ilegal de Bolsonaro no Plenário.

P.S. 2Cabe aqui uma observação. A Tribuna da Internet não está a serviço de Bolsonaro, Lula ou qualquer outro político. Apenas fazemos questão de defender que todo cidadão seja processado e julgado na forma da lei, sem haver perseguição ou favorecimento, como é exigido pelas normas da democracia. (C.N.)

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