Politicamente alienado, o Brasil precisa livrar-se dessa injustificável polarização

Tribuna da Internet | Jovens querem virar a página da polarização política no Brasil

Charge do J.Bosco (O Liberal)

Carlos Newton

O noticiário político vive um momento de especulação generalizada, onde proliferam as mais disparatadas opiniões. É uma chatice, mas tem um lado positivo, porque significa que estamos vivendo em democracia, embora relativa, em função do absurdo rigor com que o Supremo passou a julgar adversários de Lula, como se o presidente fosse o mais imaculado dos seres, como certa vez ele mesmo se definiu.

Aliás, na realidade brasileira existe uma crônica carência de políticos decentes, que realmente não pretendam receber favorecimentos e desdenhem oportunidades de enriquecimento ilícito.

DISSE LULA – “Se tem uma coisa de que me orgulho e que não baixo a cabeça para ninguém é que não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, da Igreja Católica, da Igreja Evangélica, nem dentro do Sindicato. Pode ter igual, mas eu duvido”, afirmou Lula em uma entrevista de cerca de três horas, concedida a blogueiros sustentados pelo PT.

Essa declaração foi dada em 2016, antes de Lula ser condenado por dez juízes diferentes, em três instâncias  (13ª Vara Criminal. TRF-4 e STJ) e sempre por unanimidade.

Dois anos depois, em 2018, o criador do PT se entregaria à Polícia Federal no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, para cumprir pena por corrupção e lavagem de dinheiro.

HÍMEN COMPLACENTE – Mas a democracia brasileira tem uma espécie de hímen complacente que aguenta qualquer estupro. E o PT já se mostrou especialista em ataques bem-sucedidos à Constituição e às leis vigentes no Brasil e no mundo, digamos assim.

Não houve maiores protestos quando Lula foi solto, porque ele logo seria novamente preso, porque já estava prestes a ser julgado no Supremo, juridicamente sem qualquer chance de ser inocentado.

INVENÇÃO DE FACHIN – Em 2019, por obra e graça do ministro petista Dias Toffoli, aquele que até hoje é refratário a notável saber, o Supremo fez o Brasil passar vergonha, porque se tornar o único país da ONU a proibir prisão após condenação em segunda e terceira instâncias.

Essa enlameada decisão fez Lula ser solto, mas não podia ser candidato, devido à ficha suja. No entanto, em 2021 outro ministro petista, Édson Fachin, aquele que fez campanha para Dilma Rousseff no Paraná e depois entrou no STF, inventou a “incompetência territorial absoluta”, que também não existe em nenhum outro país.

Assim, de forma totalmente ilegal, o Supremo cancelou as condenações de Lula, que criminosamente então teve condições de voltar à política. E deu no que deu…

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P.S. 1 –
Como se vê, o PT desrespeita a democracia, inventa e cria leis sobre medida para Lula e pretende que o país não reaja a essa imundície. “Mas isso non ecziste”, diria Padre Quevedo, porque essa reação é natural e até inevitável.
E a reação está sendo impressionante, porque os parlamentares e a maioria dos brasileiros não aceita o prosseguimento do conluio entre Executivo e Judiciário, que formaram uma ditadura branda e estão tentando eternizá-la. Mas não vão conseguir.

P.S. 2 – O resultado deplorável de tudo isso é que o governo pode cair no colo de Flávio Bolsonaro, um candidato de passado sujo e totalmente despreparado, exatamente quando os eleitores deveriam aproveitar essa oportunidade para votar numa terceira via, que seja mais confiável. É desanimador. (C.N.)

Corte de penduricalhos poderia gerar economia de R$ 186 bilhões em uma década

Charge do Nef (Arquivo do Google)

João Pedro Abdo
Folha

O controle dos supersalários poderia levar a uma economia de R$ 186,4 bilhões em dez anos no Brasil. É o que aponta uma pesquisa chefiada por Sergio Guedes-Reis, servidor federal e doutorando pela UCSD (Universidade da Califórnia, San Diego), e encomendada pelo instituto República.org.

As adequações na remuneração sugeridas se baseiam nos dados sobre os salários de carreiras dos sistemas de Justiça em 11 países: Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. Além da magistratura, foram consideradas verbas pagas a membros dos órgãos equivalentes ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à advocacia pública.

CENÁRIOS – As simulações consideram três cenários, com regras de transição ou não, para estimar o impacto das alterações ao longo de 20 anos. Há projeções para congelamento total dos salários, incidência de novas regras apenas para ingressantes nas carreiras e adoção de VPNI (Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada) para enquadramento de verbas que excedam um novo teto.

São considerados um turnover (substituição de servidores ao longo do tempo) de 4% ao ano, uma taxa de inflação de 4% ao ano para correção monetária, a manutenção do número de servidores e a estruturação de uma nova pirâmide remuneratória, que divida a diferença entre as remunerações mínimas e máximas em cinco faixas equidistantes, priorizando uma base maior.

ECONOMIA – A aplicação imediata representaria, em teoria, a economia orçamentária máxima, poupando em dez anos R$ 186,4 bilhões. Em 20 anos, o valor poupado chegaria a R$ 578,3 bilhões. Caso a readequação passasse a valer apenas para servidores ingressantes, a economia seria de R$ 97,8 bilhões em uma década e R$ 330,3 bilhões em duas décadas. Considerando a VPNI, que inclui os servidores atuais, o valor poupado pode chegar a R$ 169,4 bilhões em dez anos e R$ 520,8 bilhões em 20 anos.

A fim de corrigir possíveis distorções cambiais na comparação entre países que baseou o novo padrão remuneratório proposto, a pesquisa parte de métricas distintas para contextualização dos dados. A primeira delas adota a unidade de medida em dólares PPP (da sigla, poder de paridade de compra, em inglês). As comparações também são feitas com base em múltiplos das medianas de renda e de salário mínimo.

O teto constitucional para remuneração pública no Brasil é o salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e corresponde atualmente a R$ 46,3 mil. Ele foi estabelecido em 2004. Com base no IPCA, esse valor seria hoje cerca de 40% maior.

ACIMA DO TETO – Não é incomum, entretanto, que servidores recebam acima do teto. Certas verbas pagas a magistrados, promotores, defensores e advogados públicos podem ter seu caráter indenizatório reconhecido e, por isso, ficam acima do limite constitucional: são os chamados penduricalhos.

Nos demais países estudados pela pesquisa, há diferentes regras que limitam os salários no funcionalismo público. O México apresenta um teto geral. Colômbia e Itália têm tetos específicos para poderes e entes. Nos EUA, os limites são estabelecidos com base em grupos de servidores. No Chile, levam em consideração as elites políticas e, na Argentina, determinados dirigentes públicos.

Alemanha e Portugal, por sua vez, adotam tabelas estruturadas que estabelecem limites remuneratórios. Por fim, no Reino Unido, há comissões que avaliam quando esses valores devem superar o salário do primeiro-ministro.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os estudos comparativos são essenciais, mas o Supremo não age com o necessário rigor. Ao invés de acabar com os penduricalhos, deu uma acomodada, tirando com uma mão e repondo com a outra. Infelizmente, os ministros não pensam no país, mas apenas nos próprios bolsos. (C.N.)

Lula tenta segurar Pacheco e aposta no pragmatismo para não perder votos em Minas

Planalto discute reação a Alcolumbre, mas aliados alertam para risco de escalada

Acusado de acordo, Flávio Bolsonaro nega ter rifado CPI do Master em troca da dosimetria

Acordo permitiu a derrubada do veto presidencial

Deu na Folha

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter costurado um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para abandonar a ofensiva pela CPI do Master.

“O senador Flávio Bolsonaro repudia a tentativa de associá-lo a qualquer acordo para barrar a CPMI do caso Master. É absurdo supor entendimento com [o ministro do STF] Alexandre de Moraes, cujas decisões atingiram diretamente Jair Bolsonaro e seus aliados”, diz um trecho da nota enviada pela equipe do parlamentar nesta sexta-feira (1).

DERRUBADA DO VETO – Um acordo com a oposição para enterrar a CPI, como mostrou a Folha na quarta-feira (29), permitiu a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Quando uma CPI mista reúne o número mínimo de assinaturas, o presidente do Congresso é obrigado a ler o requerimento de instalação na próxima sessão conjunta. Aliados indicaram que Alcolumbre não queria abrir o colegiado e não havia dado sinais de que marcaria sessão das duas Casas.

A situação criou um impasse para a oposição, já que é nas sessões conjuntas que o Legislativo pode derrubar vetos do presidente da República. Insistir na CPI mista faria Alcolumbre adiar a sessão, mantendo de pé o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por tentativa de golpe.

“Quem tem dificultado a apuração é o Partido dos Trabalhadores, que não assinou a instalação da CPMI. Lula teme ter que explicar por que recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro às escondidas e os contratos envolvendo ex-ministros que receberam milhões do banqueiro”, disse Flávio na nota.

REPERCUSSÃO – A cúpula do Congresso quer evitar a repercussão do caso do Banco Master, já que parte dos deputados e senadores tinha relação com Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada pelo Banco Central. O acordo para analisar o veto sem a leitura da CPI foi selado quando Alcolumbre anunciou a sessão do Congresso há cerca de três semanas, junto com a sabatina e a votação da indicação de Jorge Messias para a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitada na última quarta-feira (29) pelo Senado.

O requerimento do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) para abertura de uma CPI mista, composta por deputados e senadores, foi protocolado em 3 de fevereiro com apoio de 281 parlamentares. O foco são as relações de ministros do STF com Vorcaro.

A esquerda também reuniu assinaturas para uma CPI mista, numa articulação das deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). Elas defendem investigação sobre o sistema financeiro e as conexões entre a fraude e agentes públicos.

Sem provas suficientes, TCU encerra apuração sobre voos de Nikolas em avião de Vorcaro

Deputado esteve na aeronave para cumprimento de agendas

Deu no O Globo

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu arquivar a representação que pedia investigação sobre a origem dos recursos que custearam viagens aéreas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em um jatinho executivo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraudes bancárias. A ação havia sido apresentada pelo Ministério Público que funciona junto à Corte (MPTCU), assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha, mas teve a análise encerrada na última semana.

A representação protocolada questionava a origem dos recursos que financiaram deslocamentos do parlamentar no avião, realizados durante a campanha de 2022 para o cumprimento de agendas em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em resposta, o TCU argumentou que não havia requisitos mínimos que justificassem a abertura de investigação no âmbito da Corte.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – A Corte também alegou que o caso dizia respeito ao financiamento de campanha eleitoral, aspecto de competência da Justiça Eleitoral, e não da Corte de Contas. O órgão determinou o envio da representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE). Depois do encerramento da análise do caso, o deputado publicou a informação em suas redes sociais. “Nada como um dia após o outro”, escreveu na postagem.

A informação de que Nikolas havia voado no jatinho de Vorcaro foi revelada pela colunista do O Globo Malu Gaspar, que mostrou que os voos ocorreram em pelo menos nove estados e no Distrito Federal ao longo de dez dias no segundo turno das últimas eleições presidenciais.

CARAVANA – O avião foi utilizado nos deslocamentos da caravana liderada pelo parlamentar e pelo pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha. O objetivo era angariar votos nas regiões onde Lula teve maioria na primeira rodada em busca de reverter o resultado na reta final. À época, o deputado foi criticado pela esquerda e chegou a responder às acusações em conteúdos publicados nas redes sociais.

— Há literalmente quatro anos, fui convidado para participar de um evento chamado Juventude pelo Brasil e quem fez a logística, que eu não fiz, contratou uma empresa, que eu não contratei, para poder fazer o transporte. Ou seja, era de uma empresa que tinha vários sócios, e um deles era o Vorcaro — afirmou. — A narrativa de agora é que eu sou responsável por um ato futuro de alguém? Caramba, como eu vou prever isso?

Flávio canta vitória antecipada e transforma vitórias táticas em projeto de poder

Uma cantiga de Ferreira Gullar para sua amada no exílio em Moscou

Tribuna da Internet | “Uma parte e a outra parte”, que dividem vida e obra  de Ferreira GullarPaulo Peres
Poemas & Canções 

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira (1930/2016), o Ferreira Gullar, expressa no poema “Cantiga para não morrer” o desejo de ser lembrado de diferentes maneiras pela moça branca como a neve, moça esta com quem viveu uma profunda relação amorosa durante o seu exílio, em Moscou.

CANTIGA PARA NÃO MORRER
Ferreira Gullar

Cantiga para não morrer
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Tarcísio ataca Lula e o PT: “Agro sofre com descaso, impostos altos e governo atrasado”

Governador paulista critica aumento de impostos

Filipe Pereira
CNN

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (1º), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a postura do governo federal (e do Partido dos Trabalhadores) em relação ao agronegócio.

No vídeo, Tarcísio questiona a diferença entre quem faria apenas discursos ao agronegócio e quem respeitaria os produtores. “Você sabe qual é a diferença entre quem faz discurso para o agronegócio e quem realmente respeita quem produz? A diferença está na atitude quando a crise bate à porta”, diz.

AUMENTO DE IMPOSTOS – Na sequência, o governador também criticou o aumento de impostos, altas taxas de juros, crédito considerado caro aos produtores e incertezas acerca do Plano Safra. Além disso, ele atribuiu a falta de bons resultados do setor a “uma política atrasada, que não consegue colocar nosso país no rumo do desenvolvimento”.

“Um agro que produz com tecnologia, diversificação, sustentabilidade, mas é também o agro que vem amargando, ano após ano, o descaso do governo PT”, completa Tarcísio.

SUBSTITUIÇÃO LENTA – Durante evento no interior paulista, no último final de semana, o governador aproveitou o momento para tecer críticas ao que ele chama de processo de “substituição lenta na política”. Sem citar nomes, ele afirmou que há pessoas “que ficam ultrapassadas e não percebem que é hora de parar”.

“Um dos problemas do Brasil é o processo de substituição lenta na política, são as pessoas que ficam ultrapassadas e não percebem que é hora de parar, que é hora de passar a vez. E aí elas ficam ultrapassadas e impõem um atraso ao Brasil. É isso que acontece hoje: uma liderança envelhecida, uma liderança que já não tem mais nada a oferecer”, declarou o governador na ocasião.

Flávio testa a própria mãe para o Senado e faz jogo duplo contra Cláudio Castro

Para reverter a derrota, Lula precisa indicar uma jurista negra, de notório saber

Charge do Benett (Folha)

Charge do Benett (Folha)

Roberto Nascimento

A derrota do governo, com a rejeição ao nome de Jorge Messias para ministro do Supremo, e a derrubada do veto presidencial ao projeto da Dosimetria devem servir de lição para o Planalto. Não se pode avaliar nesse momento, quem traiu e quem foi leal, mas, algumas pistas devem ser investigadas.

1 – Culpar o MDB e o PP não me parece correto, porque esses dois partidos estão divididos no apoio ao governo e no apoio à oposição. Logo, não se pode cravar em traição pura e simples. Há uma máxima no Congresso de que o voto secreto dá uma vontade danada de trair.

2 – São favas contadas que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalhou intensamente contra a aprovação à indicação de Messias desde novembro, quando Lula preteriu o senador Rodrigo Pacheco, o preferido por Alcolumbre e por grande número de senadores.

3 – Não obteve sucesso a aproximação entre Jorge Messias e o ministro André Mendonça, relator do Caso Master e do INSS, que inclusive trabalhou junto à bancada evangélica. A pressão assustou os senadores envolvidos com Vorcaro e o Careca do INSS. Aprovado, Messias poderia ser mais um voto no STF em apoio ao relator André Mendonça.

4 – Esse movimento do ministro André Mendonça uniu a bancada garantista da Primeira Turma, exceto Carmem Lúcia, e na Segunda Turma, Gilmar e Toffoli, que não viam com bons olhos a chegada de um novo ministro punitivista. No entanto, se suas excelências trabalharam junto a senadores para a rejeição, jamais será confirmado, porque ninguém vai revelar, ficando a dúvida no âmbito da especulação.

5 – Pesou contra Jorge Messias o processo eleitoral e a proximidade do AGU com o PT e os presidentes Lula e Dilma. A oposição em peso, cerca de 30 votos no Senado, de olho nas eleições de outubro, ficou contra Messias, os outros votos, incluindo faltosos, foram de ação de Alcolumbre e traições dos aliados, incluindo senadores do PT. Eles nunca vão revelar, mas o PT da Bahia não vê com bons olhos a delação de Vorcaro, o dono do Master. Em conversas com os senadores da oposição, Messias prometeu rigor na análise do Master.

6 – O presidente Lula, não se empenhou ativamente na aprovação de seu indicado, deixando o AGU, em luta solo, numa via crucis de 5 meses de fritura.

JURISTA NEGRA – Bem fico por aqui, aconselhando o governo a virar essa página, evitar retaliação ao Congresso e finalmente indicar uma mulher, de preferência, jurista negra, o mais rápido possível e enviar para o presidente do Congresso pautar a sabatina.

Tenho absoluta certeza de que, assim, as mulheres podem ocupar as ruas em protesto, até que o Rei Davi, soberano do Congresso, cumpra seu dever constitucional, sob pena de cassação por omissão deliberada. Davi Alcolumbre pode muito, mas não pode tudo, porque ele não é dono do Congresso.

A bola está nas mãos do presidente Lula, para iniciar uma nova partida. Ganha quem jogar melhor e furar as redes.

Derrotas em sequência expõem fragilidade de Lula no Congresso Nacional

Governo Lula enfrenta crise de articulação

Pedro do Coutto

O fim de abril impôs ao governo do presidente Lula da Silva um choque de realidade que vai além de derrotas pontuais. Em menos de 24 horas, duas decisões do Congresso expuseram não apenas fragilidades circunstanciais, mas um problema estrutural de governabilidade — daqueles que não se resolvem com discursos, e sim com reconstrução política.

A primeira derrota veio com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Não se tratou de um revés qualquer. Pela primeira vez em mais de um século, um nome indicado por um presidente foi barrado para a Corte, num placar de 42 votos contrários a 34 favoráveis . O episódio foi interpretado, inclusive internacionalmente, como um sinal claro de enfraquecimento político do governo e de tensão crescente entre Executivo e Legislativo .

RUÍDOS NA ARTICULAÇÃO – Esse tipo de derrota não nasce do acaso. Ela costuma ser o resultado de um acúmulo silencioso: ruídos na articulação, desgaste com lideranças do Congresso e, sobretudo, a percepção — correta ou não — de que o governo não dispõe de uma base sólida. Analistas apontam que a votação refletiu justamente esse ambiente, marcado por divisões internas e pela proximidade do calendário eleitoral, que altera o comportamento dos parlamentares .

Se a rejeição de Messias já era grave, o segundo episódio ampliou o dano político. O Congresso decidiu derrubar o veto presidencial à lei que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, medida que pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos. A decisão foi interpretada como um gesto de força de uma maioria parlamentar conservadora — e, ao mesmo tempo, como um recado direto ao Planalto .

Mais do que o conteúdo da lei, o simbolismo da votação pesa. Ao reverter o veto, o Congresso não apenas impôs uma derrota legislativa, mas também tensionou a narrativa construída pelo governo sobre responsabilização e defesa das instituições. Em política, perder a disputa de narrativa pode ser tão ou mais relevante do que perder uma votação.

SEM MAIORIA NO CONGRESSO – O que conecta esses dois episódios é a mesma raiz: um governo que opera sem maioria consistente em um Congresso cada vez mais autônomo e assertivo. Esse cenário não é novo, mas ganha contornos mais delicados quando se aproxima um ciclo eleitoral. Parlamentares passam a responder menos ao Executivo e mais às suas próprias bases, aos seus cálculos regionais e às perspectivas de poder.

Há ainda um elemento adicional que torna o momento mais sensível: o ambiente de pré-campanha. A rejeição de um nome ao STF e a flexibilização de penas em casos ligados ao 8 de janeiro não são decisões isoladas — elas dialogam diretamente com o clima político de 2026. Como apontam análises recentes, o episódio da indicação ao Supremo já antecipa a disputa eleitoral e eleva a pressão entre os poderes .

Diante disso, a questão central não é apenas o tamanho das derrotas, mas a capacidade de reação do governo. Há, em geral, dois caminhos possíveis: dobrar a aposta no confronto ou reconstruir pontes. O primeiro pode mobilizar a base mais fiel, mas tende a aprofundar o isolamento institucional. O segundo exige concessões, negociação e, sobretudo, reconhecer limites — algo que nem sempre é simples em governos com forte capital político.

PREÇO ALTO – A história recente mostra que presidentes que ignoram sinais como esses costumam pagar um preço alto. Já aqueles que conseguem recalibrar sua estratégia, reorganizar alianças e compreender a lógica do Congresso tendem a recuperar espaço. O problema é que esse movimento exige tempo — e o calendário eleitoral costuma ser implacável.

No fim das contas, as derrotas de abril não encerram o jogo, mas mudam o tabuleiro. E, na política, muitas vezes não é quem vence uma batalha que define o futuro, mas quem entende mais rápido que a guerra mudou de fase.

EUA, Irã e o estreito de Ormuz: o limiar de uma ruptura global

Por uma questão de coerência, Lula tem de renunciar à candidatura nesta eleição

Tarifaço: Lula se reúne com Alckmin nesta segunda para alinhar últimos detalhes do plano de contingência #charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico #desenho #art #caricatura #caricature #jornal #opovo #jornalismo #illustration #ilustração ...

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Miguel de Almeida
O Globo

Lula deve renunciar à intenção de ser candidato. Pelo bem do Brasil e de sua biografia. É questão de coerência. Em 2022, ele prometeu, caso eleito, não buscar outro mandato — seria o quarto. Foi quase uma troca: votem em mim pela última vez. Quem jamais o engoliu, a ele e ao PT, aceitou a permuta. Os eleitores independentes o ajudaram a despachar Jair Bolsonaro.

Se, em 2018, a quantidade de votos brancos e nulos foi o equivalente a 8,8% do eleitorado no primeiro turno, em 2022, ano do escambo, mal chegou aos 4,4%, algo como 5,4 milhões de votos. Mas a abstenção superou os 20%. Lula ganhou com a diferença de míseros 2,1 milhões de votos — diferença perto de 1%.

PARA TODOS – E prometeu em sua primeira manifestação: “A partir de 1° de janeiro de 2023, vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não para só aqueles que votaram em mim — afirmou.

No passo seguinte, esqueceu suas palavras, mandando às favas a frente democrática que o levara à vitória. O povo não esquece. Ao longo do mandato Lula 3, ele jamais gozou de aprovação muito otimista; na pesquisa Quaest da semana passada, 52% dos brasileiros torciam o nariz para sua gestão.

Mesmo criando uma bolsa a cada crise de popularidade, o truque não funcionou. Não à toa, Flávio Bolsonaro está numericamente à frente dele no segundo turno.

LÍDER DESGASTADO – O problema é o desgaste do modelo de gestão. O retrato de sua incompreensão ao novo Brasil ficou demonstrado dias atrás na manifestação de motoboys e motoristas por aplicativos, contrários às propostas de regulamentação da categoria. Alguns milhares de trabalhadores pararam ruas paulistanas em protesto ao modo como o governo pretende editar legislação específica.

E não é de agora. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ameaça a categoria desde o início do governo com uma legislação considerada obsoleta — chegou a falar em sindicalização dos trabalhadores.

Marinho opera na mentalidade getulista (estrutura herdada de Mussolini) de aparelhamento de setores da sociedade. Na gênese do PT, está o movimento sindical da década de 1970.

DESAPROVAÇÃO – Os constantes e minguados índices de aprovação ao governo — hoje em 43% — significam fastio da população com Lula e seu jeito de governar, que embute um recado a quem deixou o segundo mandato com cerca de 80% de ótimo/bom: o apoio se limitava à eleição de 2022 diante da ameaça de golpe representada por Bolsonaro.

Os números podem ser lidos ainda como lembrança à promessa de um governo de frente ampla, que ficou na saudade, e à falta de êxitos na administração. Em dois exemplos: as fraudes milionárias no INSS sobre os aposentados e pensionistas e a fila no mesmo INSS (em março eram 2,8 milhões de brasileiros à espera de atendimento).

Caso renuncie, Lula já tem lugar na História brasileira. Foi o único a vencer três eleições nas urnas. Conseguiu eleger e reeleger Dilma Rousseff, embora carregue com ela uma das piores recessões econômicas do Brasil democrático (a da pandemia, sob Bolsonaro, foi excepcional).

BOLSAS SOCIAIS – Teve ousadia em aprofundar a ideia tucana de bolsas sociais, mesmo que construídas sob iluminação populista e não estrutural, como desenharam anteriormente Vilmar Faria e Dona Ruth Cardoso nos anos de FH.

Seus dois primeiros mandatos se beneficiaram de ventos favoráveis trazidos pelas commodities. E, no atual governo, exibe números positivos na queda do desemprego e na inflação (obrigado, Galípolo), apesar do escandaloso aumento da carga tributária — até o momento em que escrevo, de 32,4%. Renunciando agora, Lula deixa o Brasil com o maior volume de impostos da América Latina. PT!

Com sua afamada biografia — sempre saudada pelo próprio —, Lula deveria retribuir ao país os ganhos obtidos em sua trajetória. Não pode ser ingrato com o povo que o elegeu por três mandatos.

DIREITA RADICAL – Erros seus e de seu partido, em mais de 14 anos no poder, resultaram na vitória de Bolsonaro em 2018 e no surgimento de uma direita radical e raivosa. Seu compromisso deveria ser não entregar o Brasil novamente à conflituosa família Bolsonaro.

Em seu partido existem nomes capazes de lhe suceder. São pessoas jovens e mais modernas, não tão afeitas ao ideário petista de desenvolvimento, obsoleto como o fio do telefone.

Mantendo-se aferrado à disputa, ele deveria ter em mente o que ocorreu com o grande Winston Churchill. Depois de comandar o Reino Unido na vitória contra os nazistas, viu-se mandado para casa na primeira eleição depois do final da Segunda Guerra. Os britânicos reconheciam seu valor, mas queriam renovação após tantos anos.

Não foi Davi nem houve traição, Messias foi rejeitado pela falta de “notório saber”

Charge do JCaesar: 30 de abril | VEJA

Charge do JCaesar (revista Veja)

Carlos Newton

As supostas explicações dos jornalistas sobre a derrota de Jorge Messias representam uma sucessão de excelentes Piadas do Ano. A maioria afirma que o maior culpado teria sido Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, que faz o que bem entende até em decisões por voto secreto, num ramo profissional em que traição é o esporte preferido.

Outros alegam que a causa principal foi o momento de fragilidade política do governo, mas há também aqueles que culpam Lula, por haver superestimado a capacidade de seus negociadores, como o ministro José Guimarães, aquele deputado cearense dos dólares na cueca, e os senadores Jaques Wagner e  Randolfe Rodrigues.

“CENTRÃO AMPLIADO” -Também apareceram jornalistas e observadores inventando que Lula foi traído pelo chamado “Centrão ampliado”, uma suposta facção que ninguém sabia existir nem indicar os integrantes. Portanto, está valendo tudo para justificar a ascensão e queda do quase ministro indicado pelo presidente petista.

No meio desse tiroteio investigativo, eis que surge o senador Cid Gomes (PSB-CE) para dizer o óbvio, explicando que o nome indicado ao STF foi vetado pelo conjunto da obra de Lula e do próprio Messias, considerado sem notório saber pela maioria dos senadores, que nem precisaram apurar se tinha reputação ilibada.

Cid Gomes, que integra a base aliada de Lula, avisou a Messias que não votaria nele e ainda acrescentou que, mesmo se votasse, a indicação dele para o Supremo não seria aprovada em plenário.

SINCERIDADE – O senador do PSB foi sincero, mas os articuladores da nomeação (o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, os líderes Jaques Wagner e Randolfo Rodrigues, e o próprio Lula) continuaram insistindo e conduziram à desmoralização de Messias.

O resultado na Comissão de Constituição e Justiça animou Messias e o Planalto, com 16 votos a 11, pela aprovação.  Portanto, para ser aceito no plenário, ele precisava de mais 25 votos entre os 54 senadores restantes, porém só conseguiu 18, ficou longe da aprovação.

Ao explicar essa derrota, Cid Gomes disse esperar que Jorge Messias não tivesse mais de 35 votos, e por isso nem compareceu à sessão. A seu ver, o erro foi de Lula, a quem teria faltado “espírito republicano“ ao escolher Messias.

VIRA BRINCADEIRA – “Lula indicou o Zanin, que tinha sido advogado dele. Um advogado competente, respeitado, muito bem. Depois indicou um cara que é da política, aliado dele historicamente. Tudo bem, foi aprovado. Depois vira brincadeira. Acho que faltou espírito republicano na indicação. Nada, repito, nada contra o garoto lá [Messias]”, afirma Cid.

Em tradução simultânea, Cid Gomes revela que houve vário motivos, mas o principal foi a falta de notório saber, ao destacar a opinião dos senadores de que nomear ministro do Supremo não pode virar brincadeira.

Ele acrescentou que não apenas Davi Alcolumbre, mas também a maioria dos senadores considerou um desrespeito o desinteresse de Lula por nomear o senador Rodrigo Pacheco, insistindo em lançá-lo a governador, para tentar atrair votos em Minas e garantir sua reeleição à Presidência.

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P.S. –
Como se vê, a explicação de Cid Gomes é lógica e procedente. O principal motivo da derrota no Senado não foi o empenho de Alcolumbre, nem houve traição do “Centrão ampliado” e tudo o mais. Messias foi vetado devido à falta de saber jurídico. Ou seja, se Lula demonstrasse espírito republicano e indicasse Pacheco ou um jurista de verdade, os senadores teriam aprovado. E vida que segue, diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta na Copa do Mundo.. (C.N.)

Aliados articulam colocar Messias no Ministério da Justiça, para comandar a PF

Gilmar aponta crise política e expõe fragilidade do governo Lula após derrota no Senado

Gilmar descartou atuação de integrantes do STF no episódio

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, afirmou nesta quinta-feira (30) que a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado reflete uma “crise política” enfrentada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao SBT News, o decano da Corte avaliou que a derrota não está relacionada à capacidade do indicado pelo petista, mas sim a dificuldades de articulação política do Planalto. “Não se trata de uma rejeição por falta de requisitos profissionais, se trata de uma crise política”, disse.

BARRADO – Messias foi barrado no plenário do Senado após receber 34 votos favoráveis e 42 contrários. Para ser aprovado para uma vaga no STF, eram necessários ao menos 41 votos. Segundo Gilmar, o cenário está ligado ao fato de o governo operar com base minoritária no Congresso.

Para o ministro, esse quadro desfavorável também tem reflexos no papel do Judiciário. “Esse quadro leva a uma necessidade maior de intervenção do STF e isso também provoca fricções na relação entre governo e Congresso”, afirmou.

Na avaliação de Gilmar, o episódio deve levar a uma revisão interna no governo Lula sobre a condução política da indicação. “É preciso que se faça uma revisão e que cada um assuma sua responsabilidade”, disse.

SEM SENTIDO – O ministro também rebateu versões de bastidores que apontam uma suposta atuação de integrantes do Supremo para enfraquecer o apoio a Messias. “Não faz o menor sentido. Não vejo sentido nesse tipo de teoria conspiratória”, declarou. Como mostrou a CNN Brasil, fontes do Planalto afirmam que uma ala do STF também teria atuado para enfraquecer o apoio ao indicado no Senado.

O alinhamento de Messias com Mendonça e sua defesa de um Código de Ética para a magistratura teriam causado resistência entre integrantes da Corte. No Planalto, também era conhecida a oposição de ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino ao indicado.

Câmara acelera projeto que criminaliza misoginia e abre nova frente de embate político

Moraes ignora aval da PGR e mantém silêncio sobre pedido de entrevista de Filipe Martins

Solicitação foi feita pela Folha em 29 de janeiro

Fábio Zanini
Folha

Relator do processo que levou à prisão de bolsonaristas por tentativa de golpe, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, silencia há três meses sobre um pedido de entrevista da Folha com um dos condenados pela trama, o ex-assessor presidencial Filipe Martins.

O pedido foi protocolado em 29 de janeiro e conta com anuência do próprio Martins, que está preso numa cadeia de Ponta Grossa (PR). Uma carta de próprio punho do ex-assessor de Jair Bolsonaro concordando com a entrevista foi anexada à solicitação.

PARECER FAVORÁVEL – Naquele momento, Martins estava preso preventivamente, sob a alegação de que violou as regras de sua prisão domiciliar, ao acessar uma rede social. O ministro encaminhou o pedido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que em 20 de fevereiro deu parecer favorável à entrevista.

“Observa-se que o ordenamento jurídico pátrio não elenca, entre os efeitos penais ou extrapenais da condenação, qualquer proibição ao exercício da liberdade de expressão por meio de entrevistas”, disse Gonet. Passados mais de dois meses da manifestação do procurador, Moraes ainda não se pronunciou sobre o pedido.

Desde então, Martins passou a cumprir pena de forma definitiva, uma vez que seu processo transitou em julgado, com o esgotamento das possibilidades de recursos e publicação do acórdão da decisão. Ele recebeu pena de 21 anos de prisão. Procurado por meio da assessoria do STF, Moraes não se manifestou.

Lula errou e faltou espírito republicano na indicação de Messias, diz Cid Gomes

Cid Gomes teve lesão pulmonar e segue sem previsão de alta, diz boletim

Cid Gomes informou a Jorge Messias que não votaria nele

Thaísa Oliveira e Catia Seabra
Folha

O senador Cid Gomes (PSB-CE) diz que sabia que Jorge Messias não tinha mais do que 35 votos no Senado para ser aprovado para o STF (Supremo Tribunal Federal) e que faltou espírito republicano na escolha por parte do presidente Lula (PT).

Cid foi um dos dois senadores que faltaram à sessão do plenário que rejeitou Messias nesta quarta-feira (29). O senador está em Lisboa (Portugal). Ele diz que a viagem já estava programada e que tinha avisado ao próprio Messias que não votaria a favor dele.

DEFERÊNCIAS A LULA – Cid afirma que o Senado “já tinha feito várias deferências a Lula”, inclusive ao aprovar os dois indicados anteriores: Cristiano Zanin, seu advogado na Operação Lava Jato, e Flávio Dino, seu ex-ministro da Justiça. Indicar um terceiro, na visão do senador, foi “brincadeira”.

“Ele indicou o Zanin, que tinha sido advogado dele. Um advogado competente, respeitado, muito bem. Depois indicou um cara que é da política, aliado dele historicamente. Tudo bem, foi aprovado. Depois vira brincadeira. Acho que faltou espírito republicano na indicação. Nada, repito, nada contra o garoto lá [Messias]”, afirma Cid.

O senador diz que uma soma de fatores levou à rejeição histórica de Messias por 34 votos a 42, inclusive a montagem de palanques nos estados. Um dos principais deles, porém, foi a frustração do Senado com a decisão de Lula de não indicar o ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

OUTRO NOME – Cid Gomes afirma que Pacheco não era só o candidato do presidente atual, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele diz que Pacheco teve um papel decisivo na defesa da democracia e não foi devidamente reconhecido pelo petista.

“Eu sabia que ele [Messias] tinha menos do que 35 votos. Eu disse a ele em novembro que o meu voto não representaria nada. Tinha um sentimento muito claro de que o nome natural era o do Rodrigo Pacheco. Ele não era o candidato do Davi, como se tenta colocar. Ele era o candidato do país, um nome talhado para o Supremo”, diz Cid.

“Mas foi uma soma de fatores. Pode ter certeza que tem cobra, periquito, lagarto, tem tudo no meio. Tem gente que está insatisfeita porque é contra o PT em um lugar, tem gente que está insatisfeita porque foi excluída pelo PT em uma chapa, em uma aliança. Tem todos os sentimentos”, destaca o senador do PSB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A família Gomes tem um ponto em comum, altamente positivo. Tanto Ciro quanto Cid são pessoas verdadeiras, que dizem o que pensam e não escondem nada. Essa pequena entrevista do senador cearense é da maior importância, mostrando por que muitos senadores prometeram votar em Messias e na hora mudaram de ideia. Vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)