Michelle reacende crise na direita ao atacar Ciro e expor racha no PL no Ceará

Alckmin aposta em reunião Lula–Trump para destravar tensão e defender o Pix nos EUA

Alckmin falou sobre o assunto em entrevista ao Estúdio i

Andréia Sadi
G1

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, acredita que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump será uma oportunidade para esclarecer o funcionamento do Pix e buscar um “bom entendimento”, ressaltando que o Brasil não é um problema para os Estados Unidos, visto que os americanos possuem superávit comercial com o país.

O vice-presidente falou sobre o assunto durante entrevista ao Estúdio i nesta terça-feira (5). O presidente brasileiro viajará para os Estados Unidos nesta quarta-feira (6) e se encontrará com o presidente americano.

NOVO DESENROLA – O vice-presidente também falou sobre o Novo Desenrola, lançado na última segunda-feira (4). Ele é o segundo programa de renegociação de dívidas lançado neste terceiro mandato do presidente Lula.

“Você pode utilizar até 20% do que estiver depositado no FGTS e tudo tem controle. Impossível alguém pegar os 20% do Fundo de Garantia e não pagar a dívida, porque ele não vai pôr a mão no dinheiro. O dinheiro sai do FGTS para o banco que vai abater a dívida. É um conjunto de medidas que eu diria de justiça fiscal”, disse o vice-presidente.

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS – Chamado de Desenrola 2.0, a proposta é uma iniciativa do governo federal, com duração de 90 dias, voltada à renegociação de dívidas em atraso. Os principais pontos são: possibilidade de descontos sobre o valor da dívida; definição de limites para os juros nas renegociações e incentivo à troca de dívidas mais caras por opções com custos menores.

Poderão participar do programa todas as pessoas com dívidas atrasadas em pelo menos 90 dias, estudantes com parcelas do Fies atrasadas, micro e pequenas empresas, aposentados e pensionistas. A expectativa da equipe econômica é que até R$ 58 bilhões em débitos sejam renegociados, incluindo dívidas antigas e recentes.

PGR assume protagonismo e deixa PF à margem em delação do caso Master

Documentos indicam uso do Banco Master para desvio milionário e ocultação de patrimônio

Vorcaro tentou encobrir rombo de R$ 777 milhões

Dimitrius Dantas
O Globo

Documentos internos do Banco Master apontam que Daniel Vorcaro e seus familiares realizaram uma operação financeira às vésperas da liquidação do banco e em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) para cobrir um rombo de R$ 776,9 milhões.

O valor, de acordo com a liquidante da instituição financeira, foi repassado a uma teia de firmas e fundos ligadas à família do banqueiro. A suspeita de autoridades é que os recursos foram repassados pelo Master para uso particular por meio da compra de mansões e jatinhos. O negócio, de acordo com a apuração, tinha como objetivo dificultar o rastreio e ocultar o patrimônio da família Vorcaro.

DESVIO DE RECURSOS – Henrique Vorcaro, pai do dono do Master, e Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, já tiveram seus bens protestados em ação movida no mês passado pela liquidante do Banco Master, responsável por vender os bens e pagar os credores até a liquidação completa da instituição. A suspeita é que, por meio dessa operação financeira, iniciada em 2022, eles desviaram recursos milionários do cofre do Master para financiar, entre outros bens, uma mansão de US$ 35 milhões na Flórida, nos Estados Unidos.

Procurada, a defesa de Henrique e Natália nega irregularidades e diz que os negócios citados na ação foram lucrativos para o Master. “Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações”, afirma a defesa (leia íntegra da nota abaixo). Também questionados, os advogados de Vorcaro não quiseram comentar.

PROTESTO DE BENS – Na ação, os advogados da liquidante pediram o protesto de bens desses dois familiares do dono do Master, ou seja, que haja um aviso sobre a disputa judicial se houver a intenção de vendê-los. O objetivo é evitar o esvaziamento de patrimônio e proteger eventuais ressarcimentos de credores do Master. O suposto desvio teria se iniciado após um fundo de investimento ligado ao Master, chamado City, adquirir de empresas da família Vorcaro títulos de mercado chamados de “recebíveis”.

Funciona assim: uma empresa que tem dinheiro a receber de vários clientes no futuro pode “empacotar” essas dívidas em contratos e vendê-los ao mercado, antecipando o dinheiro à vista. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que, em 2022, o fundo City repassou R$ 419,9 milhões nas contas dessas empresas familiares, em troca de uma promessa de receber R$ 798 milhões nos anos seguintes.

INDÍCIOS –  A liquidante do Banco Master, entretanto, aponta fortes indícios de que esses recebíveis eram “podres”, isto é, não tinham lastro real ou chance de serem pagos pelos clientes originais na outra ponta. Como o dinheiro esperado não entrava, a administradora do fundo passou a registrar perdas progressivas nos meses seguintes, seguindo as regras da CVM.

“Os indícios apresentados corroboram a tese de que os Requeridos, familiares próximos do ex-controlador, possam ter atuado de forma consorciada para a canalização, desvio e ocultação de recursos bilionários”, afirma a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acatou uma liminar pelo protesto dos bens da família.

O rombo começou a aparecer publicamente no início de 2025, quando o fundo City admitiu ao mercado uma perda de 61,25% de seu patrimônio apenas no mês de março. No balanço de junho, o saldo negativo por calotes (chamada de “provisão para devedores duvidosos”) atingiu a marca de R$ 714,9 milhões. Procurado, o City não comentou.

PREJUÍZIO BILIONÁRIO – A suspeita levantada na ação é que, como o fundo estava assumindo um prejuízo bilionário para enriquecer diretamente empresas da família do ex-controlador, uma nova operação teria sido armada. Em 3 de julho de 2025, meses antes da liquidação do Master, o fundo City assinou um contrato vendendo todo esse “pacote” de recebíveis da família Vorcaro por R$ 776,9 milhões para uma empresa chamada Navarra S.A..

A liquidante identificou, entretanto, que a Navarra não era uma empresa do mercado interessada nos recebíveis, mas que tinha, como beneficiário final, o próprio Vorcaro, por meio de dois fundos, o Lunar e o Astralo 95, este último já apontado nas investigações como sendo um dos “cofres” usados pelo banqueiro. Na prática, a suspeita é que a operação teria servido para mascarar a dívida da família na contabilidade do Master e do fundo City, vinculado ao banco.

Semanas depois de assinar esse contrato de venda, no dia 24 de julho de 2025, a administradora do fundo City emitiu um comunicado ao mercado admitindo a irrecuperabilidade dos ativos, com uma queda de 99,98% no valor das cotas. Na prática, o informe indicou que o valor do fundo foi reduzido a quase zero: se uma pessoa tivesse investido R$ 100 no dia anterior, veria seu investimento despencar para apenas R$ 0,02.

MANOBRA – A liquidante do Banco Master identificou essa manobra e obteve o protesto dos bens da família Vorcaro, argumentando que a operação com a Navarra não teve substância econômica, servindo apenas para mascarar o fato de que os créditos cedidos originalmente pela família ao fundo City eram de difícil recuperação e jamais seriam quitados.

“Identifica-se, de igual modo, fortes indícios de que os recursos supostamente desviados das Requerentes serviram ao financiamento de uma vida de alto luxo, materializada, entre outros, na aquisição de uma propriedade cinematográfica na cidade de Windermere, na Flórida (EUA), avaliada no montante recorde de US$ 35 milhões, de titularidade da empresa Sozo Real Estate Inc., cujos cargos de direção são ocupados pelos ora Requeridos”, apontou a decisão.

FINANCIAMENTO –  As investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal apontam que o Astralo financiou outros bens, como um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília (utilizado por Daniel Vorcaro), um jatinho de R$ 538 milhões e aportes milionários na SAF do Atlético Mineiro.

As apurações da PF revelam ainda que parte dos recursos do esquema bancou pagamentos de propina a fiscais do Banco Central para fazer vista grossa às operações, além de financiar o núcleo “A Turma”, uma milícia privada utilizada pelo banqueiro para espancar e ameaçar jornalistas que tentassem expor as fraudes.

NOTA DDA DEFESA DE HENRIQUE E NATÁLIA VORCARO:

“Em meio ao que já se revelou como maledicência – porque nunca fundado em provas – tem-se nova tentativa de arrastamento do nome da família a fatos que não tem qualquer relação com seus outros membros, no que diz respeito àquilo que nunca passou de especulação.

As novas `suspeitas não se sustentam! O que há é pura distorção da realidade, com finalidades não republicanas, típicas de quem, na falta de fatos, dá relevo aos boatos em uma construção artificial.

Essa estratégia, além de repetitiva, desconsidera fatos públicos e aposta na insistência de uma narrativa que não se sustenta. Os negócios feitos com as empresas parceiras citadas foram lucrativos para o Banco Master, como é o caso da venda da Promed.

Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações.

O foro adequado a tais aleivosias é o Poder Judiciário. Henrique Vorcaro, que nem citado foi ainda, já apresentou as explicações devidas e até mesmo as indevidas.”

O surrealista sideral do poeta Cruz e Sousa, em sua fase mais simbolista

Nada há que me domine e que me vença... Cruz e Sousa - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, e tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Cruz e Sousa  procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social.

No soneto “Siderações”, encontramos a presença do misticismo, característica da nova fase simbolista do poeta, em que se opõem matéria e espírito, corpo e alma. 

Mais do que nunca, há uma linguagem simbólica intensamente subjetiva sobre a essência do ser humano, através de incursões a regiões etéreas, espaciais, ilimitadas.

SIDERAÇÕES
Cruz e Sousa

Para as estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo…

Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítaras ferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…

Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de visões levanta…

E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
Da eternidade que nos astros canta

Quebra de sigilo de Lulinha completa três meses com análise bancária ainda em curso

Transferência de ex-presidente do BRB para “Papudinha” avança com sinalização de delação premiada

Relatora tenta aprovar lei da misoginia antes do início do calendário eleitoral

Crédito fácil, dívida difícil: o custo invisível da inclusão financeira precoce

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Pedro do Coutto

O Brasil atravessa um momento em que a ampliação do acesso ao sistema financeiro convive com um aumento preocupante da inadimplência, especialmente entre os mais jovens.

Nos últimos anos, abrir uma conta bancária deixou de ser um processo burocrático para se tornar uma experiência rápida, digital e, muitas vezes, estimulada por interfaces amigáveis e campanhas publicitárias direcionadas.

ALERTA – Reportagem de O Globo mostra que o acesso ao crédito entre jovens praticamente dobrou, acendendo um alerta sobre o crescimento do endividamento precoce. Esse fenômeno ajuda a explicar, em parte, por que o país acumula milhões de consumidores com dívidas em atraso, muitos deles iniciando sua vida financeira já em situação de vulnerabilidade.

A facilidade de obtenção de cartões de crédito, limites pré-aprovados e acesso ao cheque especial cria a impressão de que o crédito é uma extensão natural da renda, quando, na verdade, representa uma antecipação que cobra seu preço no futuro. O problema não está apenas no instrumento, mas na forma como ele é ofertado e consumido.

Bancos e fintechs intensificaram estratégias de captação de clientes jovens, utilizando linguagem acessível, benefícios imediatos e promessas de autonomia financeira. No entanto, esse movimento não foi acompanhado, na mesma proporção, por políticas consistentes de educação financeira.

DESCOMPASSO – Jovens que ainda não possuem renda estável ou experiência com planejamento financeiro passam a assumir compromissos que exigem disciplina e previsibilidade — exatamente o que ainda estão construindo. Esse descompasso entre acesso e preparo cria um ambiente propício ao endividamento.

O uso recorrente do crédito rotativo, os parcelamentos sucessivos e o recurso frequente ao cheque especial acabam formando uma bola de neve difícil de controlar. A publicidade, nesse contexto, desempenha um papel relevante ao reforçar o consumo imediato como forma de satisfação, sem destacar com igual intensidade os custos envolvidos. O resultado é uma geração que aprende a consumir antes de aprender a gerir, invertendo uma lógica que deveria ser básica em qualquer sistema financeiro saudável.

MECANISMOS DE PROTEÇÃO – É importante reconhecer que o crédito é um instrumento essencial para a economia e para a inclusão social. Ele permite acesso a bens, serviços e oportunidades que, de outra forma, estariam fora do alcance de grande parte da população. O problema surge quando a expansão do crédito ocorre sem mecanismos adequados de proteção e orientação.

A inclusão financeira, quando mal calibrada, pode se transformar em inclusão no endividamento. E esse é um risco que se materializa de forma mais intensa entre os jovens, justamente por estarem em fase de construção de hábitos e de estabilidade econômica.

Diante desse cenário, o debate precisa ir além da dicotomia entre liberar ou restringir crédito. O ponto central está em como esse crédito é oferecido. Transparência nas condições, limites mais responsáveis para novos usuários e, sobretudo, investimento em educação financeira são medidas fundamentais para equilibrar o sistema.

INADIMPLÊNCIA – Sem isso, o país continuará ampliando o acesso ao crédito ao mesmo tempo em que amplia o contingente de inadimplentes, criando um ciclo que fragiliza tanto as famílias quanto a própria economia.

O desafio não é impedir que os jovens tenham acesso ao sistema financeiro, mas garantir que esse acesso não se transforme em um atalho para a dívida. O crédito pode ser uma ferramenta de emancipação econômica, mas, sem preparo e responsabilidade, torna-se um dos caminhos mais rápidos para a perda dessa autonomia.

STF já entendeu o recado do Congresso e deve aceitar as mudanças na Dosimetria

Ministro recebeu pedido para sensibilizar Alexandre de Moraes | VEJA

Envolvido no caso do Master, Moraes foi obrigado a recuar

Rafael Moraes Moura
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizaram a parlamentares que a Corte não deve interferir na decisão do Congresso Nacional de derrubar o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria. O projeto, aprovado em dezembro do ano passado e mantido com a votação desta quinta-feira, reduz a pena dos condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A derrubada do veto com apoio de 318 deputados e 49 senadores, bem mais que o necessário – 257 votos favoráveis na Câmara e 41 no Senado — reforçou a crise de governabilidade aberta com a rejeição de Jorge Messias para o STF.

RECURSO AO STF – Logo após o resultado, o PSOL e a Rede anunciaram que vão acionar o Supremo para declarar o projeto inconstitucional.

No entanto, segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, a ala do STF com mais trânsito no Parlamento, conhecida como “Centrão do Supremo”, foi previamente consultada até mesmo sobre a manobra do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de excluir da derrubada do veto o trecho do projeto que poderia facilitar a progressão de regime para aqueles condenados por feminicídio e outros crimes hediondos.

Nesse grupo estão Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, por quem teriam passado inclusive minutas do texto original do projeto, apresentado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) .

RESPEITO À DECISÃO – Além do aval à manobra de Alcolumbre, integrantes do STF também indicaram a parlamentares, tanto da oposição quanto da base do governo Lula, que o sentimento da maioria da Corte é a de respeitar a decisão do Congresso.

Essa costura nos bastidores contou inclusive com a atuação do relator da trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes. Conforme revelou o blog, em dezembro do ano passado, durante a tramitação do PL da Dosimetria, Moraes discutiu com ao menos quatro senadores, entre eles Alcolumbre e o seu antecessor no comando da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ajustes na redação do texto aprovado pela Câmara dos Deputados.

Justamente em razão dessa participação de Moraes no texto final, aliados de Lula também não acreditam que nenhuma ação para sustar sua validade vá ter sucesso. A redução das penas só poderá ser feita mediante pedidos da defesa de cada réu, e quem vai avaliar cada um desses pedidos é o próprio Moraes.

SEM ENVOLVIMENTO – “Acho que o Supremo não vai querer se envolver nisso”, disse um ex-ministro de Lula ouvido reservadamente pelo blog, em referência à pouca disposição da Corte de mexer nesse vespeiro diante de uma crise de credibilidade e níveis recordes de desconfiança da população no Judiciário, com a pauta anti-STF ganhando força no debate político em pleno ano eleitoral.

Também não ajuda o fato de Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecerem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, segundo as pesquisas de intenção de voto mais recentes.

Na avaliação dos lulistas, o fato de Flávio ter chances de assumir o Planalto em um contexto em que as eleições devem ser pautadas pela rejeição ao STF deve fazer com que os ministros se poupem de mais uma briga com o Congresso em relação ao tema mais importante para o bolsonarismo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o Supremo sentiu que a maioria dos parlamentares não aceita mais a “Ditadura do Judiciário” em conluio com o Planalto. O Congresso está disposto a reequilibrar os Três Poderes, o Supremo sentiu que a crise é para valer, não quer comprar briga com o Congresso e agora está botando o galho dentro, como se dizia antigamente. (C.N.)

Supremo criou a democracia do medo, impedindo que se faça crítica ao poder

Tribuna da Internet | Superpoderes do Supremo minam sua legitimidade, e está difícil controlá-los

Charge do Mariano (Charge Online)

Fernando Schüler
Estadão

“Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições”, diz o ministro Toffoli em seu discurso, no STF, contra o relatório do senador Alessandro Vieira. A frase funciona como uma síntese do transe político brasileiro, dos últimos anos.

O roteiro é conhecido: denunciar condutas dos ministros equivale a um ataque ao Tribunal, como “instituição”. E portanto, uma agressão à própria democracia. O ministro também afirma que “sabe” por que o senador fez aquele relatório: uma “aventura para obter votos”. E daí a ponte para o crime eleitoral. O desfecho semanal do caso todos conhecem. O senador passou ele mesmo à condição de investigado. E a partir daí seu futuro político é incerto.

DEBAIXO DO TAPETE – Observem que há um padrão, nisso tudo. O ministro Toffoli foi o mesmo que abriu o inquérito sobre fake news, no início de 2019. Alguém lembra do motivo? Não havia nada em especial. Eram os mesmíssimos “ataques” aos integrantes do Tribunal, cuja conduta – seja ela qual for – passa sem muitas sutilezas a se confundir com a “instituição”, e logo com a “democracia”.

O primeiro ato é a censura da Revista Crusoé. Se há realmente um risco às instituições, o que deveria impedir a censura a uma revista? Por vezes me pergunto se teríamos chegado ao ponto em que chegamos se, ao invés de censurar aquela investigação jornalística, tivéssemos feito o contrário. Levado a sério. Ido adiante. Investigado, de fato, o que havia para investigar. Em uma democracia, é assim que funciona.

O jornalismo produz pistas, mas não dispõe de poder. Se a máquina do Estado não se move, é provável que muita coisa vai se acumulando debaixo de um enorme tapete. E por vezes é a imagem que me surge, quando penso no Brasil de hoje.

PADRÃO SUPREMO – Depois daquele episódio, o padrão se fixou. Foram anos de censura e coisas piores a quem praticasse qualquer modalidade de “ataque” ao Tribunal ou a seus integrantes

Na maior parte das vezes, coisas bizarras. O ativista que aponta o dedo médio para o prédio do Supremo (não é piada), o PCO, pequeno partido comunista, com seu tuíte que (quase) ninguém leu, dizendo alguma coisa sobre o STF que ninguém se lembra; a família de turistas que diz algum impropério em um tom mais elevado, em um aeroporto europeu.

O padrão se seguiu com o caso Tagliaferro. Sua crítica não era feita de xingamentos ou palavrões. Era uma denúncia sobre um sistema de abuso de poder. Alvos pré-definidos (como aquela “revista conservadora”), produção de provas, perseguição de pessoas por suas opiniões políticas, quebra do devido processo legal.

SISTEMA DE PODER – Tagliaferro era um funcionário público e trabalhou no núcleo do poder. Suas denúncias têm fundamento? Não há como saber. Ao invés de investigar, é o denunciante que é convertido em réu. Novamente, o “padrão”.

O sistema de poder se fecha, rechaça – com uma nota – qualquer responsabilidade. Se volta contra o elemento “crítico”. E de novo me pergunto se não estaríamos melhor caso tivéssemos levado à sério, investigado com isenção aquelas denúncias, ao invés de empurrar para debaixo do tapete. E mais uma vez, não encontro uma boa resposta.

O padrão, por estes tempos, segue intacto. Um jornalista ou blogueiro, no Maranhão, arrisca investigar um carro usado pelo ministro e termina na Polícia Federal. Mesmo destino do presidente da Unafisco. Sua crítica de que há mais medo de se investigar certas autoridades do que o crime organizado deveria preocupar o País. Mas ela era um “ataque”, não é mesmo? E era crucial, para nossa democracia, que ele também terminasse de bico fechado.

APENAS MAIS UM – Tudo isso para dizer que não há grande novidade neste processo que agora se abre contra o senador Alessandro Vieira. Ele se converte, na prática, em nosso novo Tagliaferro. Ao sugerir uma investigação dos “de cima”, torna-se ele mesmo o “investigado”. E por aí seguimos.

Uma sociedade democrática vive da controvérsia e do risco. A imunidade parlamentar, em especial, é um tipo de licença que a Constituição garante inclusive para o “erro”. Pela razão simples de que sem a possibilidade do erro, não há tomada de risco.

O senador pode estar errado em seu relatório. Em uma democracia, haverá sempre uma divergência sobre temas como este. Mas é seu direito, sua função e sua prerrogativa dizer o que pensa, em um relatório. Sem isso, não há parlamento que possa funcionar.

CRIME DE OPINIÃO – Se um senador é punido por uma opinião, em um relatório, a pergunta correta a fazer: qual o efeito inibidor que isto tem sobre os demais parlamentares?

É o mesmo padrão que se viu na censura a Cleber Cabral, da Unafisco: qual o efeito sobre os demais líderes associativos? E sobre o “blogueiro” do Maranhão: que impacto sobre os demais jornalistas independentes, que pensam em arriscar alguma investigação?

O resultado disso é a criação de uma sociedade do medo. No fundo, é este o problema com o “padrão”. Ele irradia um efeito inibidor, na sociedade. E vai consolidando a ideia de que temos por aqui um tipo de poder imensamente personalista e imune a qualquer suspeita. A qualquer hipótese de investigação. De um modo mais amplo, imune ao sistema de freios e contrapesos, que define a alma da vida republicana.

Atenção! As pesquisas não têm interesse em prestigiar candidato da terceira via…

Pesquisas eleitorais - Espaço Vital

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Aguarda-se com ansiedade a divulgação das novas pesquisas eleitorais a serem realizadas após as duas derrotas seguidas do presidente Lula da Silva. A primeira foi no Senado, com a indicação do petista Jorge Messias para o Supremo, e a segunda no Congresso, com a derrubada do veto à Lei da Dosimetria, que reduz vigorosamente as condenações do 8 de Janeiro.

O clima é de animação e os advogados já começaram a encaminhar as petições para diminuir as exageradas penas determinadas pelo relator Alexandre de Moraes e pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, que derrotaram Luiz Fux.  O problema é que o Supremo (sempre ele) pode pretender a suspensão da nova Lei da Dosimetria, alegando conflito jurídicos etc. e tal.

INDICATIVOS – Antes das derrotas, as pesquisas indicavam queda de Lula, que estaria em empate técnico ou até sendo ultrapassado por Flávio Bolsonaro, com a importante circunstância de que o pré-candidato do PL já estaria atingindo seu teto, que não seria suficiente para vencer no primeiro turno.

Pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada quatro dias antes dos malogros de Lula no Congresso, mostra que há brasileiros que temem tanto a reeleição do presidente Lula da Silva quanto a eventual vitória do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro nas urnas.

A pergunta era sobre qual candidato o eleitor não aceita. De acordo com o levantamento, a rejeição aos favoritos é muito alta, porque 47,3% dos entrevistados têm receio da reeleição de Lula, enquanto 45,4% temem a eleição de Flávio.

PERGUNTA DIRETA – Diante dessa constatação, seria importante uma indagação mais direta, tipo: “Entre Lula, Bolsonaro e um candidato alternativo, menos radical, qual seria seu voto?”.

Infelizmente, essa importante indagação jamais será apresentada pelos institutos de pesquisa, porque eles vivem de encomendas feitas por partidos, empresas e entidades interessadas em política, além de atenderem também a comerciantes e industriais que necessitam de pesquisas de mercado e de produtos específicos.

Uma pergunta mais direta somente será feita caso algum partido ou pré-candidato da terceira via financie uma pesquisa em que conste essa importante indagação.

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P.S.
O retrospecto demonstra que não se deve confiar em pesquisas eleitorais. Os institutos atendem a seus próprios interesses e precisam sobreviver num mercado que está altamente congestionado. Por isso, as pesquisas somente se tornam confiáveis quando a disputa entra na reta de chegada, porque os institutos que errarem demais o resultado final imediatamente perdem a confiabilidade, que é essencial nesse ramo de negócios. Então, vamos aguardar a sequência, porque a campanha mal começou e ainda está quase tudo no ar. (C.N.)

Por falta de ambiente político, Supremo deve adiar debate sobre reforma do Judiciário

Clima eleitoral trava debate sobre reforma+ no STF

Mariana Muniz
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a discussão de uma proposta de reforma do Judiciário, apresentada na última semana por Flávio Dino, deve ficar para depois das eleições de 2026. Integrantes da Corte entendem que, para que a discussão avance, será preciso envolver os chefes dos Três Poderes, mas o clima eleitoral pode atrapalhar essa articulação.

Ministros ouvidos sob reserva avaliam que, apesar de o debate ter ganhado tração nos últimos dias, não há ambiente político para uma discussão estrutural do Judiciário em meio ao ciclo pré-eleitoral. A percepção é de que qualquer proposta mais ampla tende a ser capturada pela disputa política e, por isso, deve ser amadurecida apenas no cenário pós-eleições.

PRESSÃO POR MUDANÇAS – Há ainda a avaliação de parte dos magistrados que o assunto deve ser conduzido pelos chefes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo antes que o debate seja de fato ampliado para propostas concretas. A posição reflete o ambiente de discussão na Corte diante da crescente pressão por mudanças no sistema de Justiça.

No último dia 20, Dino apresentou, em um artigo publicado no ICL Notícias, um conjunto de eixos para uma nova reforma do Judiciário, defendendo, entre outros pontos, o endurecimento de punições para desvios na magistratura e a revisão de mecanismos institucionais.

A ideia do ministro é retomar um pacto entre os Poderes, que inclua a participação do Congresso e do Executivo na elaboração e aprovação das medidas que deverão ser adotadas. A sugestão de Dino inclui 15 iniciativas, que passam pela revisão de capítulos do Código Penal, a redução no número de processos e o fim da aposentadoria compulsória como punição e da multiplicação dos chamados “penduricalhos” — benefícios e indenizações que turbinam os vencimentos de magistrados. No mês passado, o STF decidiu permitir pagamentos desse tipo em até 70% do teto.

MAIOR RIGOR – Dino também defende a criação de tipos penais mais rigorosos para corrupção, peculato e prevaricação envolvendo juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores e servidores do Judiciário. Ele argumenta que o debate sobre o Supremo se intensificou nos últimos anos após decisões envolvendo temas sensíveis, citando julgamentos sobre emendas parlamentares e a ação da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Vale lembrar, ainda, que o STF foi alvo de retaliações estrangeiras, sem, contudo, se curvar a imposições, o que provavelmente ampliou sentimentos vis”, escreveu o magistrado. O ministro propõe também ajustes na organização e no funcionamento das cortes, incluindo a revisão de competências do Supremo e dos tribunais superiores, a criação de instâncias mais ágeis para julgamento de crimes graves e a definição de regras mais claras para sessões virtuais.

Entre as sugestões, o ministro inclui ainda a regulamentação do uso de inteligência artificial no Judiciário, a melhoria da tramitação de processos na Justiça Eleitoral e a criação de procedimentos mais céleres para decisões envolvendo agências reguladoras, com impacto direto sobre investimentos e contratos.

APOIO PÚBLICO – A iniciativa recebeu apoio público do presidente do STF, Edson Fachin. Por meio da assessoria de imprensa do STF, o ministro disse que o texto do colega “merece aplauso e apoio” e classificou a iniciativa como uma contribuição relevante ao debate institucional. Para o presidente do Supremo, o texto apresenta “uma reflexão oportuna e bem estruturada sobre a necessidade de aperfeiçoamento do Poder Judiciário”, ao tratar o tema com “seriedade institucional e senso de responsabilidade republicana”.

O decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, defendeu a proposta e reconheceu a necessidade de mudanças em benesses concedidas a membros da classe e cobrou a realização de um pacto “mais amplo”, que tenha participação de todos os Poderes, por mudanças de âmbito administrativo e legislativo.

“Defendo um pacto mais amplo, costurado pelo presidente da República e pelo Congresso Nacional. Está tudo muito confuso. Quando aperta, todos correm lá para o Supremo”, disse Gilmar ao jornal Folha de S. Paulo.

OPORTUNISMO – As propostas, entretanto, não agradaram a todos. Uma ala de ministros mais distante de Dino viu a iniciativa como oportunista. Um magistrado ouvido sob reserva afirmou que quem verdadeiramente quer bem ao Judiciário deveria defender o fim de investigações sem prazo, usadas para perseguir críticos do tribunal. A referência é ao inquérito das fake news, aberto desde 2019, sob relatoria de Moraes.

Em paralelo, segue em discussão no Supremo a elaboração de um Código de Conduta, defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e que está sendo desenvolvido pela ministra Cármen Lúcia, escolhida em fevereiro para ser a relatora da proposta.

Levantamentos em quatro estados revelam resistência feminina à direita e evangélica ao lulismo

PGR resiste a pedido de Gilmar para incluir Zema em inquérito das fake news

Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após pedir a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news por conta da postagem de um vídeo satírico em que era retratado como fantoche, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem pressionado nos bastidores o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar aval à sua iniciativa. Mas a ofensiva do decano do Supremo de enquadrar o pré-candidato do Novo à Presidência da República enfrenta resistência na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido, mas vem sendo aconselhado a não fazer nada e deixar o assunto morrer. Ou, caso decida atender Gilmar, integrantes de sua equipe já sugeriram que ele deixe para algum subordinado o ônus de assinar o parecer favorável ao pedido do ministro, como uma forma de se distanciar do episódio e tentar se blindar das críticas que virão.

BANHO-MARIA – Não há prazo para o procurador-geral da República escolher qual caminho vai seguir – e, por enquanto, Gonet empurra o encaminhamento do caso. Gonet foi indicado ao posto de procurador-geral da República e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula, com o lobby de Gilmar, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Os dois são amigos de décadas.

O clima nos bastidores da PGR é de apreensão com o pedido de Gilmar, já que a maioria dos subprocuradores-gerais da República avalia que o Supremo já deveria ter encerrado o inquérito das fake news. O processo foi criado em março de 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares.

“ACABA QUANDO TERMINA” – Mas, apesar da pressão da opinião pública, de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de integrantes do próprio STF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não tem dado sinais de que pretende concluir tão cedo as investigações, que se tornaram uma arma para a Corte se proteger de ataques – e perseguir opositores políticos. Em entrevistas recentes, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e afirmou que ele deveria ficar aberto pelo menos até as eleições de outubro.

“A grande maioria de nós acredita que o inquérito tem que ser arquivado porque já exauriu o escopo de investigação e não pode se transformar em algo permanente onde qualquer crítica ao STF seja incluída como fato para investigação”, afirmou um interlocutor de Gonet que pediu para não ser identificado.

Na opinião de outro integrante da cúpula da PGR, o inquérito se tornou um instrumento de coerção – e o pedido de Gilmar contra Zema vai servir como uma espécie de teste para o chefe do Ministério Público Federal (MPF). “Esse inquérito é um absurdo total e absoluto. Gonet vai ser mais leal ao Gilmar ou à Constituição?”, questionou. “O MPF não pode ser um órgão inerte e cúmplice. Se Gilmar acha que por algum motivo sua honra pessoal foi atingida, ele deveria entrar com uma ação de indenização por danos morais, como fazem os outros mortais quando se sentem lesados.”

HOMOFOBIA –  Mesmo sem decidir o que fazer com o pedido de Gilmar, Gonet já agiu para blindar o colega. Na semana passada, a PGR arquivou um pedido para abrir uma ação civil pública contra Gilmar devido a declarações do ministro em que cita a homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra Zema.

Ao analisar o caso, a PGR considerou que a declaração de Gilmar – que numa entrevista indagou aos repórteres do site Metrópoles se não seria ofensiva a fabricação de “bonecos do Zema como homossexual” – foi reconhecida pelo próprio Gilmar “como inadequada, havendo retratação espontânea e pública”.

ARQUIVAMENTO – “Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”,concluiu o procurador da República e chefe de gabinete de Gonet Ubiratan Cazetta, ao determinar o arquivamento do pedido, apresentado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que costuma usar as redes sociais para cobrar transparência e fazer críticas à atuação de integrantes do Supremo.

Na avaliação do procurador, não foram identificados no caso de Gilmar “elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais [que alcançam grupos, não se limitando a um indivíduo específico], ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional”.

Derrota de Lula no Senado fortalece Flávio Bolsonaro e empurra centrão para nova aliança

Presidente do TST menciona “juízes azuis e vermelhos” e critica quem atua por interesse

 

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Zema chama Lula de “populista” e ironiza economia: “Brasil ficou impotente”

Após derrota no Senado, Lula avalia reunião com ministros para reorganizar articulação política

Aliados esperam debater a reorganização da base

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a semana sob a expectativa de aliados de que ele se reúna com ministros de seu governo para discutir a crise política gerada pela derrota da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Um auxiliar do petista afirma que há um indicativo de que esse encontro ocorra logo no começo da semana, mas disse que ainda não há uma confirmação de data. Segundo ele, seria uma reunião com ministros da área política do governo. Na última quarta-feira, os senadores impuseram uma derrota histórica ao presidente ao rejeitar o nome de Messias. O chefe da Advocacia-Geral da União teve 34 votos favoráveis, sete a menos do que o necessário, e 42 contrários.

DE OLHO DA REELEIÇÃO – A derrota de Messias no plenário do Senado foi orquestrada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que ficou contrariado com a indicação do chefe da Advocacia-Geral da União e passou a trabalhar contra o ministro, segundo parlamentares. O presidente do Senado se aliou à oposição nesse movimento, mirando apoio do grupo na reeleição à presidência da Casa, em 2027. Alcolumbre nega ter trabalhado contra.

Na avaliação do Palácio do Planalto, a articulação pela derrota também teve traições de aliados, identificados por governistas como integrantes do MDB, do PP e do PSD, além de suspeitas da atuação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), candidato favorito de Alcolumbre. A articulação política do Planalto também virou alvo de queixas, sobretudo a atuação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

VETO DERRUBADO – No dia seguinte à rejeição de Messias , o governo também foi derrotado com a derrubada do veto de Lula ao projeto que reduz penas dos condenados do 8 de janeiro. A mesma legislação deve beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista.

Nesse contexto, aliados de Lula defendem uma maior participação do presidente da República na articulação política de seu governo a partir de agora, diante do que classificam ser a maior crise política desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Há uma avaliação entre aliados que é preciso reorganizar a base, mirando a governabilidade até o final do ano, para garantir a aprovação de matérias consideradas prioritárias no Congresso. O realinhamento também é visto como crucial para reunir apoio político para a eleição.

REFLEXOS – Aliados dizem que o episódio não tem consequências nas urnas diretamente, mas pode afetar a correlação de forças com o Legislativo e aproximar partidos do centro à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula.

Apesar disso, ainda não há clareza sobre qual será o tom da reação do Planalto. De um lado, aliados defendem que Lula seja duro na resposta e rompa com Alcolumbre. Esse grupo defende retomar o mote de “Congresso inimigo do povo” para tentar capitalizar politicamente o acirramento com o Legislativo.

De outro, integrantes do governo pedem cautela e defendem uma reorganização da base, sem tensionar a relação com congressistas. Esse grupo avalia ser importante o presidente recompor a relação com Alcolumbre e buscar lideranças de partidos do centro para o diálogo.

A deusa do asfalto, um amor inatingível, na inspiração romântica de Adelino Moreira

IMMuB | Álbum - ENCONTRO COM ADELINO MOREIRA NA CHURRASCARIA "CINDERELA"

Adelino Moreira, compositor de grandes sucessos

Paulo Peres
Poemas e Canções 

O compositor e cantor luso-brasileiro Adelino Moreira de Castro (1918-2002), foi autor de muitas canções de sucesso na chamada Era do Rádio, cantadas por Sílvio Caldas, Orlando Silva, Francisco Alves, Nelson Gonçalves e muitos outros cantores de renome. Na letra de “Deusa do Asfalto”, Adelino mostra as consequências de um amor não correspondido, que era mais do que improvável. Esse samba-canção foi gravado por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Victor.

DEUSA DO ASFALTO
Adelino Moreira

Um dia sonhei um porvir risonho
E coloquei o meu sonho
Num pedestal bem alto.
Não devia e por isso me condeno,
Sendo do morro e moreno,
Amar a deusa do asfalto.

Um dia ela casou com alguém
Lá do asfalto também
E dizem que bem me quer.
E eu, triste boêmio da rua,
Casei-me também com a lua,
Que ainda é a minha mulher

É cantando que carrego a minha cruz,
Abraçado ao amigo violão.
E a noite de luar já não tem luz.
Quem me abraça é a negra solidão,
É cantando que afasto do coração
Esta mágoa que ficou daquele amor.
Se não fosse o amigo violão.
Eu morria de saudade e de dor.