Múcio encontra Alcolumbre após veto a Messias e afirma que governo vai adiar nova indicação ao STF

Ministro da Defesa atua como emissário do Planalto

Luísa Marzullo
O Globo

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu nesta terça-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em uma primeira tentativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reconstruir a relação com o comando da Casa após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira.

O encontro ocorreu na residência oficial do Senado e foi tratado por interlocutores do Planalto e aliados de Alcolumbre como um movimento inicial de distensão após a derrota histórica sofrida pelo governo no plenário. Messias, advogado-geral da União e um dos auxiliares mais próximos de Lula, teve seu nome rejeitado pelo Senado depois de meses de desgaste político.

BAIXAR A TEMPERATURA – Ao O Globo, Múcio confirmou a conversa e afirmou que o momento ainda é de reduzir a temperatura política antes de qualquer nova discussão sobre a vaga no Supremo. “Estive com Alcolumbre sim, ontem. Meu papel foi averiguar a temperatura. O momento é de apaziguar. Não é hora de apresentar nova indicação, nada, é deixar decantar. Ele vai encontrar Lula, sim, mais para frente”, afirmou o ministro.

Segundo interlocutores do Senado, Múcio também conversou com Alcolumbre sobre a importância de uma retomada do diálogo direto com Lula após a viagem do presidente aos Estados Unidos. De acordo com relatos de aliados de Alcolumbre, o senador se mostrou disposto a conversar com o petista, embora aliados dos dois lados admitam reservadamente que o ambiente ainda está longe de pacificado. Procurado por meio de sua assessoria, o presidente do Senado não comentou.

A reunião foi interpretada no governo como uma primeira tentativa de retomar o diálogo após a crise aberta pela derrota de Messias. Governistas avaliam que, mais do que a perda de uma vaga no Supremo, o episódio expôs a fragilidade da base governista na Casa e consolidou o poder de influência de Alcolumbre sobre o andamento da pauta legislativa.

REAPROXIMAÇÃO – Além de Múcio, outros integrantes do governo também foram mobilizados para o esforço de reaproximação. Nesta quarta-feira, Alcolumbre esteve com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no primeiro encontro entre ambos desde a derrota de Messias.

Eles dividiram o ambiente na celebração dos 200 anos da Câmara dos Deputados. Na ocasião, Alcolumbre elogiou Guimarães, afirmando que o ministro é um exemplo da relação harmoniosa entre Legislativo e Executivo. Os dois também conversaram reservadamente.

Nos bastidores, aliados de Lula atribuem ao presidente do Senado papel decisivo na articulação que levou à rejeição do chefe da AGU. Senadores próximos ao governo afirmam que Alcolumbre não apenas deixou de atuar pela aprovação do nome, mas pediu voto contrário de senadores do MDB, PSD, União Brasil e PP. Publicamente, porém, Alcolumbre negou veementemente ter articulado contra Messias.

Acredite se quiser! Associação pede que Supremo anule sessão que vetou Messias

Seleção de charges do Cláudio Hebdô de março de 2026 - 02/05/2026 - Humor -  Fotografia - Folha de S.Paulo

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

José Carlos Werneck

A que ponto chega a ignorância e a imbecilidade! A Associação Civitas para Cidadania e Cultura acionou o Supremo Tribunal Federal, pedindo que anule a sessão plenária do Senado que barrou a indicação de Jorge Messias. A ação foi distribuída ao ministro Luiz Fux.

Ação questiona o comportamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre e solicita também que o Supremo obrigue o plenário do Senado a analisar o nome de Messias novamente.

ARGUMENTOS – No pedido, a associação aponta que pouco antes de o placar da votação ser revelado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sussurrou ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que Messias iria perder.

Para a entidade, houve uma deliberação parlamentar legítima, mas o procedimento foi maculado pela antecipação do resultado.

“A liberdade de voto do parlamentar é prerrogativa inerente ao exercício do mandato representativo e pressupõe um processo livre, desembaraçado e, sobretudo, autêntico. Quando o resultado é antecipado e formalmente conhecido antes da conclusão da votação, essa liberdade é frustrada. O senador não vota segundo sua consciência, mas executa um roteiro previamente definido” – afirma o pedido, segundo o site R-7.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A ação é idiota, pois em voto secreto digital não pode existir manipulação do resultado. A única coisa que às vezes acontece é o parlamentar errar o voto, mas isso é problema dele e não configura ilegalidade. (C.N.)

STF deverá condicionar delação de Vorcaro à devolução integral de recursos desviados

Sob pressão eleitoral, governo planeja anunciar R$ 960 milhões em ofensiva contra facções

Líder do PT na Câmara defende manutenção da taxa das blusinhas e mudança sobre 6×1

Uczai critica mote de PEC que reduz jornada de trabalho

Raphael Di Cunto
Laura Scofield
Folha

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), defende que o governo não revogue a “taxa das blusinhas”, como ficou conhecido o imposto sobre compras internacionais via e-commerce. A volta da isenção é estudada pela equipe do presidente Lula (PT) para reverter uma medida que gerou impopularidade para o petista no começo do mandato.

Além da resistência das varejistas nacionais, que reclamavam de uma suposta concorrência desleal com as empresas instaladas na China quando não havia imposto de importação, Uczai afirma que as compras online são um dos três pilares do endividamento das famílias que o governo tenta combater com uma nova versão do Desenrola.

RAZÕES PARA ENDIVIDAMENTO – “Temos três razões para endividamento, na minha leitura: a taxa de juros abusiva e criminosa do Banco Central, as bets e o consumo online. A liberação das blusinhas aumenta o consumo e aumenta o endividamento”, afirma.

Para o líder petista, o fim da taxa produziria uma “satisfação momentânea” com as compras, mas, a médio prazo, traria consequências para as famílias. “Eu acho que hoje não temos problema de consumo no país, de crescimento econômico. Só reduz 2% de taxa de juros, cresce, não precisa tirar imposto. Só reduz a taxa de juros”, diz.

Apesar da opinião a favor da manutenção da taxa, Uczai afirma que o governo não terá dificuldade de aprovar a isenção no Congresso, se essa for a opção escolhida. “Não tem ninguém que vai se opor. Estamos no período pré-eleitoral, apoiar redução de imposto pega bem para todo mundo”, diz.

MUDANÇA DO DISCURSO – O petista também sugere que a esquerda e o governo mudem o discurso em torno da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 6×1, de redução da jornada de trabalho. “Eu acho que essa expressão de ‘dois dias para descansar’ está equivocada. É dois dias para viver, dois dias para ficar com os filhos, para namorar, amar, festejar”, afirma.

A bancada do PT, afirma, vai defender que a PEC tenha aplicação imediata, sem regra de transição, com redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e o fim da escala de 6 dias trabalhados para 1 de descanso.

Encontro de Lula com Trump divide bolsonarismo sobre ganhos e perdas para 2026

Justiça Militar desrespeita o STF e amplia penduricalhos em R$ 15 mil 

Gilmar Fraga | Charge publicada em GZH e Zero Hora. #fragadesenhos #charge # penduricalhos #judiciário #tetoconstitucional | Instagram

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Raphael Di Cunto
Folha

Dias após o STF (Supremo Tribunal Federal) limitar os penduricalhos de juízes e promotores, o STM (Superior Tribunal Militar) aprovou três resoluções para modificar e ampliar verbas pagas aos magistrados da Justiça Militar de modo a permitir que continuem a receber valores acima do teto constitucional de R$ 46 mil mensais.

A aprovação ocorreu sem que o tribunal tenha estimado qual o impacto orçamentário das mudanças, de acordo com a assessoria. O STM defendeu, em nota, que outras verbas estão sendo extintas, como licença compensatória e auxílio-natalidade, e que as novas resoluções fazem a adequação das verbas reconhecidas como constitucionais pelo Supremo.

DECIDIU O STF – O julgamento do Supremo, em 25 de março, limitou o pagamento de penduricalhos (verbas extras aprovadas pelo Judiciário e Ministério Público para viabilizar salários acima do teto constitucional).

Em sua decisão inicial, o ministro Flávio Dino afirmou que havia uma “multiplicação anômala” de verbas classificadas como indenizatórias, que, na prática, funcionariam como complementos salariais.

Foram extintos adicionais como auxílios natalino, alimentação e combustível, por exemplo. Entre as verbas permitidas está a gratificação por exercício cumulativo de jurisdição, um adicional pago ao magistrado que acumular suas funções normais com outras.

FORA DAS REGRAS – Mas o STM, órgão máximo da Justiça Militar, aprovou no dia 10 de abril uma resolução para alterar as regras aplicadas a essa gratificação e ampliar o seu escopo, permitindo que mais juízes e ministros as recebessem. A verba também passou a ter caráter indenizatório, o que a excluiu do teto salarial e evita o pagamento de Imposto de Renda.

Funções de auditoria interna passaram a ser consideradas para o pagamento dessa gratificação, assim como a atuação no tribunal de honra, instância administrativa responsável por julgar processos sobre descumprimento da moral e ética de militares, como a perda de cargo de sete deles pela condenação pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Outra atividade que dará direito ao adicional é a atuação como juiz de garantias, que faz o controle da legalidade das investigações, como autorizar quebras de sigilo e ações de busca e apreensão. Essa função é exercida antes do oferecimento da denúncia, quando a relatoria do processo criminal passa para um juiz que não participou da fase de coleta de provas.

NA LAVA JATO – A separação surgiu como uma resposta do Congresso à Operação Lava Jato em 2019, dentro do “pacote anticrime” do ex-juiz e então ministro da Justiça Sergio Moro.

Ele teve processos anulados pelo STF sob a acusação de ter coordenado a investigação junto com a força-tarefa do Ministério Público para acusar e denunciar políticos como o presidente Lula (PT). Moro nega irregularidades na condução do caso.

Essa divisão de tarefas foi aprovada pelo Congresso em 2019, validada pelo STF em 2023 e regulamentada pela Justiça Militar a partir de 1º de agosto de 2025. O pagamento extra para quem exercê-la, no entanto, só surgiu agora, após a limitação imposta pelo Supremo a outros penduricalhos.

NO LIMITE – O valor dessa gratificação por acúmulo de jurisdição foi elevado pelo STM de 33% do salário para 35%, o limite definido pelo STF para as verbas indenizatórias. No caso do ministro que atuar em julgamentos no tribunal de honra ou no núcleo do juiz de garantias, o aumento será de R$ 15,4 mil. Além disso, a Justiça Militar extinguiu a necessidade de que o juiz atue por pelo menos três dias úteis com acúmulo de funções para fazer jus ao pagamento e permitiu o ganho imediato.

O STM também modificou em 10 de abril o “adicional de permanência aos ministros militares” para estender o pagamento aos ministros inativos. Até então, as resoluções previam o pagamento apenas para quem continuava a atuar na corte, como forma de compensá-los por se manterem na ativa apesar de já acumularem tempo de serviço suficiente para migrarem para a reserva.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A atitude dos ministros do STM é abjeta. A maioria é formada de militares que passam a ganhar duplas remunerações. O pior disso tudo é que há poucas causas a julgar, o tribunal vive em clima permanente de baixa produtividade. Mas quem se interessa? (C.N.)

Defesa de Vorcaro entrega proposta de delação e abre nova frente de risco político

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Mariana Muniz
Eduardo Gonçalves
O Globo

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, entregou na terça-feira à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal uma proposta de delação premiada. O conteúdo agora será analisado pelos investigadores, que podem fechar um acordo com o executivo, pedir acréscimos ou rejeitar a colaboração.

A proposta consiste em uma sequência de capítulos do que Vorcaro pretende contar às autoridades em troca de benefícios, como a redução da pena ou mudança de regime prisional, em caso de condenação. Cada anexo se refere a um tema diferente em que os advogados apontam outros participantes dos supostos crimes e os meios para se confirmar os fatos narrados. Até o momento, não houve a entrega de nenhum documento ou depoimento para corroborar o pedido, o que deve ocorrer se a PGR e a PF concordarem em avançar com o acordo.

AVAL DE ANDRÉ MENDONÇA – A conclusão da proposta de delação foi revelada pela coluna do Lauro Jardim e ocorre após um mês e meio de encontros quase diários entre Vorcaro e seus advogados na Superintendência da PF no Distrito Federal, onde o ex-banqueiro está preso desde março. Antes, ele chegou a ficar encarcerado na penitenciária federal de segurança máxima de Brasília. Caso seja aceito pela PGR e pela PF, o acordo será submetido ao aval do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master na Corte.

Investigadores esperam que Vorcaro detalhe o envolvimento de políticos e integrantes do Poder Judiciário no suposto esquema de fraudes do Master. As autoridades já avisaram que só aceitarão o acordo se o banqueiro entregar informações inéditas, que vão além do conteúdo dos seus celulares, que estão em posse da PGR e PF desde o fim do ano passado.

Um dos pontos de maior interesse dos investigadores é o mapeamento das movimentações financeiras de Vorcaro no exterior. Há uma percepção entre advogados que acompanham o caso de que a defesa de Vorcaro acelerou a entrega dos anexos em razão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, preso na última fase da Operação Compliance Zero, também ter sinalizado a intenção de fechar uma delação.

PRÓXIMOS PASSOS –  A colaboração premiada consiste em um acordo no qual o investigado admite crimes e aponta suspeitos e meios de prova em troca de benefícios penais, que são negociados entre a defesa, a PGR e a PF. Esse instrumento pode prever redução de pena, regime diferenciado, eventual prisão domiciliar ou até perdão judicial, além de obrigações como a devolução de valores. Se as tratativas avançarem, Vorcaro passará à fase de depoimentos formais.

A lei exige que a colaboração produza resultados concretos, o que inclui a identificação de coautores e partícipes, a compreensão da divisão de tarefas dentro do grupo, o rastreamento de recursos e a eventual recuperação dos ativos desviados.

Cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público verificar a veracidade das informações apresentadas. A palavra do colaborador, isoladamente, não basta para sustentar uma acusação — é necessário que ela seja confirmada por outras provas.

HISTÓRICO –  Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. A PF entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga. O mandado foi cumprido no âmbito da Operação Compliance Zero, que naquela época investigava um suposto esquema de fraudes do Master estimadas em R$ 12 bilhões.

Um dia depois da prisão do seu dono, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em razão de uma crise de liquidez e insolvência financeira. Essa decisão deflagrou a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – mais de R$ 50 bilhões.

Vorcaro viria a ser liberado da prisão em novembro de 2025. No mês seguinte, o ministro do STF Dias Toffoli acatou a um pedido da defesa de Vorcaro e remeteu o processo ao Supremo sob a sua relatoria, além de decretar sigilo máximo sob os autos.

MENÇOES NO CELULAR – Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após a PF encontrar menções a ele no celular de Vorcaro. Ele foi substituído pelo ministro André Mendonça, que em março decidiu prender novamente Vorcaro.

Para justificar a nova prisão do banqueiro, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal que o apontava como líder de uma organização criminosa voltada a vigiar e intimidar pessoas que contrariavam os interesses do Master. A defesa de Vorcaro sempre negou todas as irregularidades, mas começou a negociar uma delação premiada a partir daquele mês.

A completa lucidez é perigosa, dizia Clarice Lispector, num poema em forma de oração

15 frases de Clarice Lispector sobre a vida e os sentimentosPaulo Peres
Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, expõe as consequências que “A Lucidez Perigosa” pode acarretar, contemplando o vazio.

A LUCIDEZ PERIGOSA
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise,
estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.

Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto, eu consisto,
amém.

Discurso político, cursos pagos e crise de credibilidade atingem cúpula do TST

Veto a Messias mostra que vaga no STF não é mais uma “cadeira cativa” de Lula

Cartum: quadrinhos, tirinhas e charges - 30/04/2026 | Folha

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Renan Ramalho
Gazeta do Povo

A rejeição de Jorge Messias pelo Senado oferece ao Supremo Tribunal Federal uma lição tardia, mas pedagógica: a aliança com o governo Lula, selada antes mesmo do pleito de 2022, é um dos maiores erros da história da Corte.

Muito se comentou que a derrota imposta ao presidente decorre de sua baixa popularidade e governabilidade, da previsão de que ele perca a reeleição e da perspectiva de que Messias seria mais um pau-mandado do petista na Corte.

PROMISCUIDADE – Este último motivo, porém, revela um fenômeno cuja gravidade muitos — inclusive no tribunal — ainda subestimam. O que se consolidou no atual governo é uma promiscuidade alarmante entre o Executivo e o STF.

Não é coincidência que a credibilidade do tribunal caia junto com a aprovação do governo nas pesquisas de opinião. Aos olhos da população, Planalto e Supremo tornaram-se uma coisa só.

Em 2022, antes mesmo de Lula subir a rampa, ministros mal escondiam o desejo de que Jair Bolsonaro fosse defenestrado do poder. O pretexto era a “defesa da democracia”, mas o motor real era um amálgama de insatisfações: desacordos políticos, aversão ideológica, antipatia pessoal e o ego ferido pelas constantes afrontas à autoridade da Corte.

VOLTA DA NORMALIDADE – Reabilitado política e eleitoralmente pelo próprio STF, Lula venceu a eleição e ministros respiraram aliviados com a “volta da normalidade”. Abraçado pelos ministros, o presidente logo percebeu que eles lhe seriam muito gratos se ele, em vez de “atacar” o tribunal como seu antecessor, cobrisse-os de elogios.

Diante de um Centrão hostil e insaciável por emendas no Congresso, Lula viu na Corte um atalho para governar. No STF, o presidente encontrou apoio para uma política fiscal baseada em gastos explosivos atrelados a uma arrecadação tributária voraz.

Ao nomear um procurador-geral amigo da Corte, livrou-se da preocupação com investigações de corrupção, tão comuns em gestões petistas passadas. Com Flávio Dino na cadeira de ministro, ganhou um “controlador-geral” das emendas parlamentares. Por fim, teve em Alexandre de Moraes uma arma de destruição em massa da oposição bolsonarista.

MAIS UM ZANIN – O Senado entendeu que Jorge Messias seria, para Lula, o que hoje é Cristiano Zanin e o que antes fora Dias Toffoli: um defensor fiel de seu governo no presente e um protetor seguro no futuro contra uma nova Lava Jato, como pode se transformar o caso Master.

O Centrão, contudo, aposta na saída de Lula do Planalto e no retorno da família Bolsonaro ao poder. Para que, então, dar esse presente ao petista, em vez de aliar-se a Flávio? Se na escolha de um ministro esse cálculo político é justificável para agentes eleitos, é ilegítimo para atores não eleitos, como os atuais integrantes da Corte.

Nesse cenário, torna-se ainda mais perturbadora a notícia de que ministros da Casa tenham operado contra Messias para favorecer nomes de seu círculo mais próximo. O fato só confirma a contaminação política que tomou conta de boa parte da Corte.

OCASO POLÍTICO – No momento em que o Lula caminha para seu ocaso político, não surpreende que ministros do STF, que tanto o ajudaram, comecem a retirar-lhe o suporte que, reitere-se, nunca deveria ter sido prestado. O fim da aliança tende a gerar mais decisões casuísticas, longe da segurança e estabilidade esperadas de uma corte constitucional.

A derrota de Messias não é apenas um revés de Lula; é o sinal de que o Senado começou a cobrar o preço da fatura política que o STF aceitou avalizar. Se a Corte não resgatar sua independência técnica e sua distância profilática do poder de turno, continuará refém de cálculos subalternos.

Que a queda de Messias deixe esse aprendizado: assento no STF não é cadeira cativa do Executivo. O Supremo precisa, enfim, decidir se quer ser um tribunal constitucional ou um puxadinho do Planalto em liquidação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas. Espera-se que, daqui para a frente, as vagas no Supremo sejam ocupadas por juristas de verdade, com notório saber, reputação ilibada e sem falsos títulos em Salamanca. (C.N.)

Após nove meses, Câmara pune ocupação da Mesa e suspende deputados da oposição

A reunião Lula/Trump e o risco de um alinhamento indesejado no tabuleiro global

Ação no TCU tenta driblar teto e criar ‘salário duplex’ no serviço público

Culto vira palanque e faz Malafaia e Flávio serem denunciados por abuso religioso

Associação vê propaganda eleitoral antecipada

Bianca Muniz
G1

O pastor Silas Malafaia e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornaram-se alvos de uma denúncia no Ministério Público Eleitoral após um culto de celebração da Santa Ceia. Durante o evento realizado no último domingo (3), na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro, Malafaia interrompeu a liturgia religiosa para declarar apoio à pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República em 2026.

O apoio ocorreu quando Malafaia convocou Flávio Bolsonaro e outras lideranças, como o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), para subirem ao altar. O pastor conduziu uma oração coletiva nominativa em favor dos políticos e afirmou que “chegou o tempo” de apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, citando passagens bíblicas para legitimar a escolha.

RECONCILIAÇÃO – “A Bíblia diz que há um tempo para todo propósito debaixo do sol. Esse é o tempo de eu apoiar o Flávio para presidente“, disse Malafaia. O ato selou uma reconciliação pública após meses de atritos em que o religioso questionava a “musculatura política” do senador.

Em resposta imediata, a Associação Movimento Brasil Laico protocolou uma representação junto à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. A entidade acusa os envolvidos de praticarem propaganda eleitoral antecipada em bem de uso comum e abuso de poder religioso e econômico.

INSTRUMENTO DE CAMPANHA – O documento jurídico argumenta que o culto foi desvirtuado de sua finalidade espiritual para servir de instrumento de campanha, utilizando a estrutura da igreja, que possui 149 templos no Brasil, para conceder uma vantagem eleitoral aos pré-candidatos.

A ação é dirigida contra o pastor Silas Malafaia, a instituição religiosa ADVEC e cinco pré-candidatos que participaram do evento no altar da igreja: Flávio Bolsonaro (PL): pré-candidato à Presidência da República; Douglas Ruas (PL): pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro; Sóstenes Cavalcante (PL): pré-candidato à reeleição na Câmara; Cláudio Castro (PL): pré-candidato ao Senado; Marcelo Crivella (Republicanos): pré-candidato a deputado federal.

A representação solicita medidas urgentes, como a preservação de vídeos do evento e a aplicação de multas que podem chegar a R$ 25.000,00 por participante. A ação pede também a declaração de inelegibilidade de Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro por oito anos, além da cassação de eventuais registros de candidatura ou diplomas.

DESVIO DE FINALIDADE – O documento também sugere que a Receita Federal investigue um possível desvio de finalidade da ADVEC, o que poderia colocar em risco a sua imunidade tributária constitucional.

Além das ações eleitorais, o evento foi marcado por ataques de Malafaia ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. O pastor, que recentemente tornou-se réu por injúria contra o comandante do Exército, classificou o inquérito das fake news como “imoral” e afirmou ser alvo de perseguição política. Flávio Bolsonaro, por sua vez, utilizou o espaço para reforçar sua aliança com o setor evangélico.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMalafaia entrou em seu inferno astral. Pipocam ações judiciais contra ele, para impedi-lo de fazer campanha, esquecidos de que, no passado recente, ele trabalhava para Lula e o PT, mas depois desistiu. Enriquecido ilicitamente, Malafaia é um explorador do povo, mas chamam a isso de religião e tudo funciona dentro da lei. (C.N.)

Ação na Justiça tenta proibir que as bets continuem a explorar a população pobre

O alerta sobre a epidemia das bets ganhou força após operações policiais envolvendo empresas que atuam no mercado de apostas de forma criminosa -  (crédito: Caio Gomez)

Charge do Caio Gomez (Correio Braziliense)

Carlos Newton

O presidente Lula da Silva não se cansa de repetir que é preciso banir as bets, que estão empobrecendo dezenas de milhões de brasileiros, que todo mês perdem cerca de R$ 20 bilhões nesses jogos de azar, estimulados por avassaladora propaganda televisiva que considera diversão essa modalidade de apostas de cota fixa.

Como criador da Lei 14.790/2023, que regulamentou essa jogatina, o presidente se diz impossibilitado de revogá-la, uma vez que não tem o indispensável apoio de deputados e senadores.

MEDIDA CAUTELAR – É aí que surge a boa notícia. Já está tramitando na Justiça Federal um processo que pede, via medida cautelar urgente, a imediata suspensão dessas apostas, assim como a proibição de sua intensa propaganda, que está atraindo sobretudo jovens e crianças, com celulares conectados a esses sites de apostas vinculados a cassinos estrangeiros.

A Organização Globo, por exemplo, que cobra uma fortuna por anúncios de 30 segundos em sua programação noturna, assistida por cerca de 80 milhões de telespectadores, é o que mais está faturando com esse jogo ilegal e imoral. 

Entrou de corpo e alma nesse caça-níquel, ao fazer uma sociedade com a empresa LV Amazonas Holding AB, uma sociedade sueca, subsidiária da MGM Resorts International. Com sede em Estocolmo, a entidade atua como veículo para a joint venture com as Organizações Globo para operar apostas esportivas no Brasil. Os irmãos Marinho detêm 49,99% da subsidiária que leva o nome de Boa Lion S/A e tem sede em São Paulo.

HADDAD LIBEROU – Quem convenceu o presidente Lula a embarcar nessa aventura, causadora do grave problema de que já afeta centenas de milhares de viciados em jogos, foi o agora ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que usou o seguinte sofisma: o jogo ilegal existe. Assim, como não se consegue eliminá-lo, é melhor participar, cobrando taxas e impostos que ajudem a engordar o caixa da Receita Federal.

Somente no ano passado, a Receita arrecadou perto de R$ 18 bilhões com essa jogatina, dinheiro tomado de endividados que agora poderão usar parte do FGTS no programa Desenrola 2.

Percebendo que as consequências dessa liberalidade serão cobradas nas eleições, o PT também apresentou projeto na Câmara Federal, visando proibir a oferta, a promoção e publicidade desse jogo de azar. 

JOGADA ELEITORAL – A proposta do PT, que só produzirá efeito quando transformada em lei, prevê o bloqueio de sites e pagamento, além de multas e penas de reclusão para quem operar ou divulgar as apostas. 

No entanto, não é para valer. Trata-se apenas de uma jogada eleitoral. O governo sabe que essa tardia intervenção legislativa só produzirá efeito quando aprovada pelo Congresso e sancionada por quem estiver na chefia do executivo, o que somente ocorrerá em futuro remoto. 

Até lá, se demorar anos, centenas de bilhões de reais deixarão o País e serão direcionados para sites de apostas e cassinos da Europa, América e Ásia, com a ajuda de empresas brasileiras de ocasião, sócias minoritárias desses gigantes internacionais operadores de jogos em cassinos de luxo.

Para o governo federal e para a Organização Globo, é melhor ter bets do que não ter. A Receita fatura impostos e a Organização Globo está ganhando no primeiro e no segundo tempo e até na prorrogação, faturando com a publicidade de outros sites de apostas e também com a participação na Boa Lion S/A.

Além disso, os irmão Marinho exploram o povo também com o “Familhão”, outro jogo disfarçado, em sociedade com Luciano Huck, e que até há alguns meses era patrocinado pelo Will Bank, de Daniel Vorcaro, que comprometeu meio mundo com práticas fraudulentas, inacreditáveis em qualquer país minimamente sério.

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P.S. –
Como se sabe, nem tudo que é legal é moral. Existem leis que permitem ou até favorecem comportamentos que, embora dentro da norma jurídica, são considerados imorais, injustos ou antiéticos pela sociedade, como é o caso das bets, que exploram o dinheiro do Bolsa Família. (C.N.)

Longe da Terra, no espaço infindável, astronautas sentem forte fervor religioso

ilustração de Ricardo Cammarota

Luiz Felipe Pondé
Folha

O senso comum costuma crer que pessoas altamente treinadas em ciência necessariamente são ateias. Ledo engano. Aqueles que lidam com o universo de alguma forma na sua atividade cotidiana e científica sustentam uma dose significativa de experiência espiritual e, talvez mesmo, mística, diferentemente de muitos profissionais das ciências humanas, biológicas e da filosofia, que costumam alimentar um ateísmo muito mais claro e praticam o proselitismo ateu abertamente, como uma forma de virtude intelectual.

Independentemente da crença de cada um, suspeito que tomar o ateísmo como virtude intelectual é um equívoco filosófico recorrente.

ASTRONAUTAS –  Entre esses profissionais praticantes das ciências que lidam com o espaço fora da Terra, os astronautas são um exemplo especialmente significante, pela simples razão de que sua relação com o espaço é, digamos assim, prática: eles frequentam o espaço.

Recentemente, o piloto da nave Artemis 2, Victor J. Glover, ao orbitar a Lua, fez uma oração se referindo ao amor de Cristo. Afinal, por que um astronauta, formado na mais fina ciência de frequentar o espaço, seria religioso e faria alguma forma de oração ao navegar pelo espaço?

Meu foco aqui é o que se chama, em estudos da religião, de dimensão estética ou “geográfica” das manifestações espirituais ou místicas —não as tomo como sinônimos, mas não farei essa digressão aqui.

OLHANDO A TERRA… – Mas, antes, vejamos outras manifestações espirituais de astronautas quando longe da Terra, vendo-a diante da imensa escuridão, vastidão e silêncio que caracteriza o espaço.

Como foi dito certa feita pelo astrônomo Carl Sagan, a partir da foto tirada da Terra pela sonda Voyager 1 em 1990, a bilhões de quilômetros, nosso planeta é “a pale blue dot” —um pálido ponto azul. Essa afirmação implica uma enorme humildade cósmica, elemento comumente associado a experiências espirituais.

No dia 24 de dezembro de 1968, na nave Apollo 8, que foi a primeira a orbitar a Lua, sua tripulação, constituída pelos astronautas Frank Borman, James Lovell — que ficou famoso quando interpretado por Tom Hanks no filme “Apollo 13” e pelo seu “Houston, we have a problem”, em 1970 —e William Anders, leu os primeiros versos do livro do Gênesis ao orbitar o satélite e fez uma mensagem de Natal. Foram ouvidos por milhões de pessoas na Terra e “bombou”, como se costuma dizer hoje.

PÃO E VINHO – Já na Apollo 11, a primeira a pousar na Lua, em 20 de julho de 1969, o astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar no satélite — o primeiro foi Neil Armstrong, que desde então viveu uma vida um tanto reclusa como professor em Cincinnati, Ohio, e recusou toda a fama que lhe era devida — levou um pão e um vinho, para celebrar a comunhão, e leu trechos do Evangelho de João.

A Apollo 15 também pousou na Lua, em 1973. Após o retorno, o astronauta James Irwin, que caminhou no astro, afirmou algumas vezes que havia sentido mais a presença de Deus do que do espaço. Tornou-se profundamente religioso, desde então.

Claro que estamos falando de americanos que cresceram num ambiente cristão, e o contexto é sempre determinante nesses casos — os soviéticos nada falaram de Deus. Mas o espaço, a Lua, a solidão da Terra e da humanidade nesta vastidão indiferente a nós que é o espaço, compõem o que em estética da religião — estética aqui se refere a sensação, como no grego, nada tendo a ver com a arte— se chama de experiência de descentramento do eu e do mundo, revelando nossa pequenez e insignificância diante do todo. No caso, o espaço.

SUBLIME KANTIANO – Estamos diante de um caso dramático do sublime kantiano, que transcende nossas capacidades cognitivas, epistêmicas e, ao mesmo tempo, eleva a alma, geralmente produzindo em quem o experimenta forte sensação de humildade cósmica e beleza, elemento essencial de qualquer narrativa espiritual que se preze.

Mesmo o estoicismo, em figuras como o imperador romano Marco Aurélio, via, no fato de sermos um “pedaço insignificante” de uma natureza que nos ultrapassa e nos determina, um elemento que o especialista em filosofia antiga Pierre Hadot considerou uma experiência passível de ser um exercício espiritual transformador da vida —nos termos do próprio Hadot.

A experiência do espaço tem profundo eco metafísico, justamente devido à sua imensidão misteriosa e silenciosa. Ao mesmo tempo, nossa fragilidade essencial diante dele nos encanta, assim como nossa solidão nele, e, quando digo “nossa solidão”, refiro-me à solidão da Terra. Só nessa condição podemos, talvez, reviver o mistério que nossos ancestrais viveram no despertar das suas consciências.

Crise com Senado empurra PEC da Segurança para depois das eleições

Alcolumbre não está disposto a pautar projeto neste ano

Gabriela Echenique
Folha

Em meio ao clima nada bom entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a PEC da Segurança deve ser votada pela Casa apenas depois das eleições. É o que preveem integrantes da oposição e do governo.

A oposição não tinha pressa para debater o tema, e desde que o projeto chegou ao Senado, o presidente da Casa tem feito corpo mole para colocar em pauta. A Câmara já deu aval à matéria. Agora, após a rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), os senadores admitem que o clima piorou e que o melhor é não debater o tema, ao menos por ora.

MAIS ESPAÇO – Governistas afirmam ainda, sob reserva, que o adiamento da votação da PEC dá mais espaço a Lula para protelar a recriação do Ministério da Segurança Pública. O presidente tem sido cobrado a recriar a pasta, mas já disse publicamente que só fará isso se a PEC passar no Congresso Nacional.

O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e não deve sofrer muitas alterações no Senado. O governo trabalha para evitar mudanças significativas, que fariam o texto voltar à Câmara.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEssa PEC da Segurança é uma tremenda conversa fiada. As elites da chamada classe dominante instituíram a desigualdade social legalizada e crescente, com aumentos em percentagens iguais para quem ganha muito e quem ganha pouco. Acreditam que é possível misturar a riqueza total com a miséria absoluta. Resultado: favelização das cidades e insegurança perpétua. Apenas isso. (C.N.)

“Ótimo comportamento”: PGR defende progressão do hacker Delgatti para regime aberto

Delgatti está preso pela invasão dos sistemas do CNJ

Maria Magnabosco
Estadão

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira, 4, a favor do pedido de progressão de regime do hacker Walter Delgatti Neto para o regime aberto. A manifestação foi enviada pelo pelo procurador-geral da República Paulo Gonet ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da execução penal.

A PGR apontou que, de acordo com os relatórios de conduta da unidade prisional, Delgatti apresentou “ótimo comportamento carcerário”. Ele também apresentou os requisitos previstos na Lei de Execução Penal para progredir de regime. A PGR apontou que, de acordo com os relatórios de conduta da unidade prisional, Delgatti apresentou “ótimo comportamento carcerário” Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

INVASÃO – “Dessa forma, estão atendidos os requisitos objetivos e subjetivos exigidos para a progressão de regime prisional”, escreveu a PGR na manifestação. Delgatti está preso em Tremembé, em São Paulo, onde cumpre pena de oito anos e três meses pela invasão, em 2023, dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a mando da ex-deputada federal Carla Zambelli, atualmente presa na Itália. Na ocasião, o hacker inseriu na plataforma da Justiça um mandado falso de prisão contra Moraes.

O hacker chegou à Penitenciária 2 de Tremembé em fevereiro de 2025 para cumprir a pena imposta pelo STF. Em dezembro do mesmo ano, ainda no regime fechado, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba. Em janeiro de 2026, após Moraes deferir a progressão ao regime semiaberto, retornou à unidade de Tremembé.

REDUÇÃO DA PENA – Em abril deste ano, o ministro autorizou a redução de 100 dias da sua pena graças ao seu desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio para pessoas privadas de liberdade, o Enem PPL.

Antes dessa condenação no STF, Delgatti já respondia por outro processo. Na Operação Spoofing, foi condenado em primeira instância a 20 anos de reclusão por hackear autoridades da extinta Operação Lava Jato e vazar mensagens obtidas ilegalmente. O caso ainda tramita em segunda instância na Justiça Federal em Brasília, e o hacker responde ao processo em liberdade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDelgatti é um hacker tipo pistoleiro de aluguel, contratado para fazer serviços sujos. É supereficiente. Conseguiu destruir a Lava Jato, uma operação do mais elevado interesse nacional, e depois foi contratado pela irresponsável Carla Zambelli para fazer brincadeiras digitais com a Justiça, e se deu mal. Deveria apodrecer na cadeia. Acabar com a Lava Jato fez o país retroceder. (C.N.)

“Sem rabo preso”, Zema mira Flávio e defende nova reforma da Previdência

Zema diz que eleitor deve escolhê-lo, não Flávio Bolsonaro

Rafaela Gama
O Globo

Pré-candidato ao Planalto e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) disse que os eleitores deveriam escolhê-lo e não o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela presidência por ele não ter “rabo preso”.

A declaração foi dada em entrevista ao portal de notícias Uol nesta segunda-feira. Na ocasião, também disse que, caso eleito, irá propor uma reforma previdenciária que leve ao aumento do tempo de contribuição para aposentadoria.

“HISTÓRICO DIFERENTE” – Ao ser perguntado sobre o motivo pelo qual os eleitores deveriam apoiá-lo em detrimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Zema disse que tem “histórico diferente” do senador e que, assim como a maior parte dos brasileiros, teve que “ralar para ganhar dinheiro”.

Ele se descreveu como “pagador de impostos”, enquanto outros presidentes seriam “recebedores de impostos”, e defendeu a necessidade de “alguém de fora” do setor público para dar uma “chacoalhada necessária” em momentos de crise.

— Em Minas, eu não levei parente meu para trabalhar e quem roubava perdeu espaço. E é o que eu vou fazer no Brasil. Eu não tenho rabo preso. Eu não tenho esses conchavos políticos que deixam todo mundo amarrado, com medo de falar a verdade. Então eu tenho algumas diferenças aí — afirmou.

RACHADINHA – Durante a entrevista, Zema evitou comentar casos polêmicos envolvendo Flávio, como as acusações de rachadinha quando o senador era deputado estadual, arquivadas em 2022 após a anulação de provas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador mineiro se limitou a dizer que não conhece os detalhes, mas afirmou defender a investigação.

Questionado sobre o apoio dado por ele ao governo de Bolsonaro, Zema disse que teve uma postura diferente do ex-presidente na pandemia, mas que se alinhou a ele por terem em comum o posicionamento “anti-PT”. Na ocasião, o ex-governador mineiro disse que tem como proposta a proposição de uma reforma da Previdência caso seja eleito.

— Vamos fazer uma reforma previdenciária necessária no Brasil. Aquela de 2019 [aprovada no governo Bolsonaro] não é mais suficiente. A expectativa de vida aumentou e, consequentemente, o tempo de contribuição tem de aumentar. E vejo que temos de agradecer a Deus. Viver mais e trabalhar um pouco mais faz parte desse processo — disse.