Casas Bahia fechou quase 300 lojas em agosto
Pedro do Coutto
A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia não é apenas mais um episódio de uma empresa tradicional que perdeu fôlego. É um sinal de alerta sobre a dimensão da crise que atravessa o varejo brasileiro e sobre os limites de um modelo construído durante décadas com lojas físicas, crédito e expansão territorial. Com dívida declarada de R$ 17,3 bilhões, o grupo recorreu à Justiça para reorganizar suas finanças, preservar a operação e evitar um desfecho ainda mais traumático: a falência.
A dimensão do problema aparece nos números. A companhia anunciou o fechamento de 298 lojas e a redução de cerca de 3 mil postos de trabalho, além de uma diminuição de 40% nos investimentos. No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões e encerrou o período com patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões.
EFEITOS CONTÁBEIS – Cerca de R$ 9,1 bilhões daquele prejuízo, porém, decorreram de efeitos contábeis e ajustes relacionados à estrutura financeira. Isso não elimina a gravidade da situação, mas diferencia o prejuízo contábil de uma saída equivalente de caixa.
O problema, portanto, não é simplesmente vender menos. Juros elevados encareceram o crédito, consumidores ficaram mais cautelosos, a inadimplência pressionou as operações financeiras e a concorrência digital reduziu a vantagem das grandes redes físicas. Manter centenas de estabelecimentos também significa carregar custos de aluguel, pessoal, logística e estoque que não desaparecem na mesma velocidade que a receita.
É justamente aí que a recuperação judicial ganha importância. Prevista na Lei 11.101/2005, ela não significa que a empresa esteja automaticamente falida nem funciona como uma simples moratória. O objetivo é permitir que uma companhia economicamente viável reorganize suas dívidas enquanto mantém suas atividades. Depois do deferimento do processamento, a empresa precisa apresentar um plano no prazo legal de 60 dias; em determinadas circunstâncias, a não apresentação ou a rejeição do plano pode levar à falência.
GERAÇÃO DE CAIXA – O caso será decidido menos pelo tamanho da dívida do que pela capacidade de demonstrar que existe uma empresa viável depois da reestruturação. Não basta alongar pagamentos. Será preciso mostrar que, com menos lojas, menores custos e uma operação mais eficiente, a companhia conseguirá gerar caixa para sobreviver e cumprir as obrigações negociadas.
Também é importante corrigir uma interpretação comum. A recuperação judicial não é um despacho que simplesmente determina quando cada credor receberá. O processo envolve habilitação e verificação dos créditos, diferentes classes de credores, apresentação do plano, possibilidade de objeções e, quando cabível, assembleia-geral. A Justiça supervisiona o procedimento, mas os credores têm papel decisivo na aprovação da solução.
Os trabalhadores possuem proteção específica. A legislação estabelece prioridade aos créditos trabalhistas e, em regra, determina prazo de até um ano para seu pagamento, além de regras próprias para salários vencidos imediatamente antes do pedido. Isso torna o impacto social da crise maior do que os números apresentados no balanço. São milhares de trabalhadores afetados diretamente pelas demissões e uma cadeia muito mais ampla de fornecedores, transportadores e prestadores de serviços dependentes da circulação de recursos gerada por uma companhia desse porte.
DIMENSÃO DA QUESTÃO – A comparação com as Americanas ajuda a dimensionar o momento, mas precisa ser feita com cuidado. As duas empresas enfrentam problemas de endividamento e liquidez, mas as circunstâncias são diferentes.
A crise das Americanas foi marcada pelo escândalo contábil revelado em 2023, enquanto a Casas Bahia apresenta uma combinação de pressão financeira, juros elevados, transformação do consumo, competição digital e dificuldades de geração de caixa. O ponto em comum é outro: tamanho e tradição já não garantem a sobrevivência de uma grande rede varejista. E esse talvez seja o aspecto mais importante.
Durante décadas, Casas Bahia, Ponto, Americanas e outras marcas foram símbolos da expansão do consumo brasileiro, muitas vezes sustentada pelo crediário. Esse modelo depende de renda, emprego, crédito acessível, inadimplência controlada e confiança do consumidor. Quando várias dessas variáveis se deterioram simultaneamente, o gigantismo deixa de ser vantagem e passa a representar custo.
CENÁRIO TECNOLÓGICO – A transformação tecnológica aprofundou a pressão. Marketplaces, comércio eletrônico e empresas com estruturas físicas menores mudaram definitivamente a competição. A Casas Bahia vinha tentando responder a esse cenário, com redução de dívida e esforços para melhorar a geração de caixa. Ainda assim, uma empresa pode apresentar avanços operacionais e continuar vulnerável se sua estrutura financeira permanecer excessivamente dependente de crédito e refinanciamento.
O caso também se insere em uma sequência de grandes reestruturações no varejo brasileiro. Americanas, Tok&Stok, Casa&Vídeo, Marabraz e outras empresas passaram por processos de renegociação. Levantamentos recentes apontam dezenas de bilhões de reais em dívidas reestruturadas no setor. A Casas Bahia acrescenta R$ 17,3 bilhões a essa conta.
Isso deveria provocar uma discussão econômica maior do que a simples pergunta sobre quem receberá quanto. É preciso saber se estamos diante de casos isolados ou de uma transformação estrutural do varejo. Há erros específicos de gestão, mas também mudanças profundas no comportamento do consumidor, na tecnologia, no custo do capital e na forma de comprar.
PRESERVAÇÃO – A falência seria o pior desfecho para a empresa e para boa parte dos envolvidos, porque pode destruir valor, reduzir a capacidade de pagamento aos credores, eliminar empregos e produzir perdas em cadeia. Mas isso não significa que toda recuperação judicial deva ser tratada como uma operação para salvar uma marca a qualquer preço. A finalidade é preservar uma atividade econômica viável, não perpetuar um modelo que deixou de funcionar. Essa será a verdadeira prova das Casas Bahia.
O desafio não é simplesmente manter a marca viva. É descobrir se existe, por trás dela, uma empresa capaz de funcionar com menos lojas, menos custos, menor dependência de crédito e uma relação diferente com o consumidor. Se a resposta for positiva, a recuperação judicial poderá representar reconstrução. Se não for, será apenas uma forma de adiar o inevitável.
O drama das Casas Bahia, portanto, não está apenas nos R$ 17,3 bilhões de dívida. Está na pergunta que esses bilhões colocam para todo o varejo brasileiro: quantas empresas ainda estão de pé porque são eficientes — e quantas simplesmente ainda não chegaram ao momento de apresentar a conta?
Lamentáveis dificuldades das tradicionais Casas Bahia, cuja popularidade de seu crediário já inspirou até letra de sucesso musical.
Todo país está pagando a conta do ‘L’.
Marabraz entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/17/marabraz-recuperacao-judicial.ghtml
Já aconteceu com várias empresas de varejo ao longo do tempo. Hoje, com a realidade do comércio eletrônico, que não usa lojas físicas, isso acontece mais frequentemente. E isso ocorre principalmente com lojas físicas que operam com bens duráveis e de valores relativamente altos que exigem uma estrutura cara. A competição com as lojas virtuais é desigual, nesse aspecto de custos. .
Só o petista enrustido ainda acredita no que escreve. Mas como diria a Míriam Leitão, é apenas uma sensação de que as empresas estão quebrando. Apenas uma sensação. Tenho pena do próximo presidente que vai pegar um país quebrado e com dez anos, pelo menos, sem futuro. Mas o petista Lula, se eleito, vai dizer que a culpa é do bozo.
Prezado Paulo DB,
Estive hoje no Centro do Rio de Janeiro. O número de lojas fechadas e prédios inteiros desocupados é algo impressionante. É uma tristeza.
Abs,
CN
Sr. Newton
O Centro de São Paulo é a mesma coisa.
Tudo fechado…
Muito triste…
Eu frequento o Centro desde a década de 70, sei muito bem como era Centro Velho e Novo..
Hoje está jogado ás moscas…
Lojas fechadas no Centro de SP
https://www.youtube.com/watch?v=oVyiyDJnq_I
Foram os próprios congressistas quem abriram o ” caminho e brecha ” , para a concorrência desleal e desigual , entre os diversos seguimentos da economia do país , vede os tais aplicativos frente aos taxis regulares , etc…
E os impostos, a tributação em cascata?
Ou é falta de vergonha na cara?
Um litro de água mineral é mais caro que um litro de gasolina.
Baixar imposto é antidemocrático é um atentado a democracia desse governo.
O ICMS é tributo federal ou estadual?
Sr do Coutto, não se trata apenas das Casas Bahia. Muitas empresas de porte médio / grande estão falindo. O plano econômico do Luladrão é beneficiar as facções narcoterroristas PCC e CV.
Senhor James Pimenta , lembra-se de uma crise no Brasil , dos produtores de leite na era dos generais presidentes , quando de uma manifestação os produtores de leite pediam a criação de um preço mínimo por seus produtos , frente aos aumentos absurdos e abusivos dos insumos agrícolas , quando descobriram que um copo de água mineral de 150 ml , custava mais que um litro de leite , culminando no derramamento e esvaziamento dos caminhões tanques em via pública como protesto , sendo que até hoje os produtores de leites sofrem as mesmas agruras de então , sem nenhuma perspectivas de melhorias .
Senhor Carlos Newton , o ” esvaziamento e abandono ” de várias lojas do centro da cidade do Rio de Janeiro , deve-se principalmente aos aumentos ” abusivos e extorsivos ” do IPTU pela prefeitura e vereadores da cidade , visando a expulsão de seus proprietários frente a impossibilidade de arcarem com tais custos , criando um enorme passivo de seus proprietários junto á prefeitura , expulsando-os para a periferia ou até mesmo para outras cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro , sendo que tais expulsões visavam liberam os imóveis para especulação imobiliária no centro do RJ , mas o tiro saiu pela culatra , deixando o centro da cidade RJ entregue ás moscas , que o prefeito Eduardo Paes tenta reverter e não consegue mais , por sua falta de credibilidade , junto aos pretensos beneficiários .