Defesa aponta alterações em arquivos
Rafaela Gama
O Globo
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirma que a conclusão da análise contratada pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não comprova por si só que o celular do empresário passou por adulterações.
Em nota, a organização diz que eventuais mudanças em registros digitais do aparelho não implicam necessariamente na adulteração do conteúdo. A manifestação foi emitida em resposta aos advogados do banqueiro, que consideraram que o celular teve arquivos mudados após a apreensão pela Polícia Federal (PF) e argumentam que as provas não podem ter sua integralidade verificada.
COMPROVAÇÃO DE FALHA – “A eventual identificação de modificações em registros digitais não significa necessariamente adulteração do conteúdo probatório, tampouco demonstra comprometimento de sua integridade”, diz o comunicado. O texto também afirma que “o questionamento apresentado pela defesa não constitui, por si só, comprovação de falha na produção da prova pericial””.
A nota também pontua que “a perícia criminal federal atua com rigor técnico, observando procedimentos de cadeia de custódia destinados a assegurar a preservação, a autenticidade, a fidedignidade e a rastreabilidade dos vestígios examinados.
ARGUMENTAÇÃO – A defesa de Vorcaro, por sua vez, relata que contratou um perito por conta própria após o banqueiro não reconhecer a veracidade de uma série de conteúdos vazados. Na análise, segundo os advogados, o profissional identificou que, no dia seguinte à prisão, “657 arquivos foram modificados, 59 deles bancos de dados, e 436 arquivos foram criados, entre eles 94 imagens e 5 bancos de dados”. “Um aparelho apreendido deve ser preservado, não alimentado ou editado”, diz a defesa.
O relatório do perito também afirma que, considerados isoladamente, os registros identificados “não permitem determinar quem operou o dispositivo, se os eventos decorreram de intervenção humana deliberada ou qual a natureza e a extensão das alterações realizadas”. Para a análise, ele utilizou, dentre outros arquivos, laudos produzidos pela polícia e extrações integrais do telefone.