Escândalo do Banco Master expõe o lucrativo mercado de influência que cerca os tribunais

Cúpula do PT enfrenta Lula e convoca Mercadante para fazer um plano de governo

Aloizio Mercadante é confirmado por Lula como presidente do BNDES

Lula detesta Mercadante, mas está sendo obrigado a aceitá-lo

Carlos Newton

No último sábado, dia 26, uma notícia discreta, publicada pela Folha sem maior destaque, indica o grau de desespero que está atingindo a cúpula do PT, porque Lula tem cometido uma série de erros que estão prejudicando a tentativa de conquistar votos de eleitores ainda indecisos, especialmente evangélicos e pessoas de baixa renda.

Em reportagem de Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique, a Folha publicou entrevista do presidente do PT, Edinho Silva, dizendo que Aloizio Mercadante está entrando de férias no BNDES nesta segunda-feira, para participar da cúpula da campanha de Lula e apresentar um plano de governo e projetos que possam atrair eleitores.

GRANDE SURPRESA – O apelo a Aloizio Mercadante, considerado um dos maiores economistas do país, discípulo de Maria da Conceição Tavares e Carlos Lessa, foi uma grande surpresa.

Em tradução simultânea, o desespero do PT é flagrante.  Se não houvesse risco expressivo de Lula perder a eleição, Mercadante jamais seria chamado a colaborar na campanha. Motivo – Lula detesta Mercadante e qualquer outra pessoa que tenha sólido preparo intelectual. Sempre evitou prestigiá-lo no PT e fechou-lhe todas as portas.

Apelar a Mercadante na undécima hora é sinal de que ficou muito mais difícil a vitória do PT. Aliás, as mais recentes bondades do governo Lula foram destinadas a evitar o aumento de sua rejeição, como o reajuste do valor do Bolsa Família, a suspensão da jogatina de apostas bets e o abandono do chapéu que dá a Lula o estilo de “Zé Pilintra”, uma importante entidade do Candomblé, como “patrono da malandragem”, que os evangélicos abominam.

JANJA VETOU – O novo visual, sem chapéu e usando camisa social, chegou a ser anunciado pelo PT ao Estadão, mas Janja da Silva ficou furiosa e mandou Lula manter o uso do chapéu de palha, que tinha sido ideia dela, para remoçar e descontrair o presidente. E quando dona Janja fala, está falado, como se dizia antigamente. O chapéu do “Pilintra|” vai até o fim do segundo turno.

O fato concreto é que os evangélicos não querem saber de Lula nem vestido de dourado, Flávio Bolsonaro avança nas pesquisas, e a cúpula da campanha do PT teve de baixar o nível, inclusive criando a fake news sobre Nossa Senhora da Aparecida, com apoio entusiasmado do ministro Flávio Dino, vejam como Dilma Roussef estava certa quando disse em 2013 que o PT “faz o diabo” para ganhar eleições.

Essas iniciativas eleitoreiras têm funcionado na mídia e nas redes sociais, mas o resultado é pequeno junto ao eleitor indeciso. Embora Mercadante seja muito capaz, não conseguirá fazer milagres, e por isso o PT terá de seguir com as medidas eleitoreiras e com as fake news.

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P.S.
1 –  Mercadante é o mais preparado dirigente do PT e há anos deveria estar sendo cogitado para substituir Lula quando chegar a hora. Mas foi boicotado afrontosamente e ficou anos afastando do front político, dirigindo o inexpressivo Instituto Perseu Abramo. Na campanha de 2022, porém, ficou amigo do vice Geraldo Alckmin, que o nomeou para o BNDES em 2023.

P.S. 2 – Mercadante era amigo de Carlos Lessa e acompanhou a revolucionária gestão dele no banco, 20 anos atrás, que fez a economia se recuperar no primeiro governo Lula. Mercadante seguiu o exemplo, e o BNDES vem injetando na economia R$ 1 bilhão por dia, beneficiando inclusive microempresas com o cartão BNDES, que tem os menores juros do mercado. Lula e Haddad fizeram uma gestão desastrosa na Fazenda, elevando perigosamente a dívida pública, mas Mercadante deu o troco e o PIB deve crescer entre 1,5% e 1,8% este ano. Não é muito, porém é melhor crescer do que desabar. (C.N.)

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AGU defende a validade da MP das bets, enquanto as empresas preparam reação na Justiça

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Tarcísio apoia o fim da jogatina das bets, mas critica a forma adotada por Lula

Tarcísio reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro

Pedro Fagundes
CBN

O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, Tarcisio de Freitas, afirmou que é a favor do fim das Bets no Brasil, mas se posicionou contra a forma como a Medida Provisória foi anunciada, na última sexta-feira (26), pelo presidente Lula, do PT.

O pronunciamento ocorreu durante um evento sobre moradia no Itaim Paulista, na Zona Leste da capital. Durante o discurso, Tarcísio reforçou o apoio ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e também a aliados ao Senado.

PRESENÇA DE PARCEIROS – No último fim de semana de campanha, o governador de São Paulo se colocou diante de centenas de pessoas, acompanhado do prefeito Ricardo Nunes e do candidato ao senado, André do Prado, para defender a presença de parceiros na Presidência e no Senado.

Tarcísio reforçou que contar com aliados nos cargos imediatos de poder são chave para aprovar medidas e acelerar o desenvolvimento do Estado. Ele utilizou do argumento para apoiar as candidaturas de Nunes, Prado e também de Guilherme Derrite.

Ao final, também demonstrou preocupação para que os eleitores não confundam o seu número — muito provavelmente com o do PL —, o que marca também a campanha de rádio e tv.

“IRMÃO” – Nunes chamou o governador de “irmão que Deus me deu”, fez indiretas a Lula ao perguntar se a população quer “viver de promessa de picanha”, chamou o candidato do PT ao governo, Fernando Haddad de “dorminhoco”, e ainda criticou as concorrentes ao Senado, Simone Tebet e Marina Silva, por não serem de São Paulo.

Na disputa estadual, Tarcísio tem 56% dos votos válidos no Datafolha divulgado na quinta-feira, suficientes para vencer no primeiro turno. O instituto ouviu 1.610 eleitores entre 22 e 24 de setembro.

Lindbergh pede apreensão de jatos ligados a Vorcaro e Willer Tomaz usados por Flávio e Moraes

Em editorial, o Estadão adverte sobre “relações” entre Flávio e os milicianos

Flavio Bolsonaro, de perfil

Flávio mandou até  condecorar um chefe de milícia no Rio

Vicente Limongi Netto

O capitão Jair Bolsonaro, hoje presidiário, descobriu o caminho das pedras para enriquecer na vida política e colocou toda a família na política. Inclusive a primeira mulher e a terceira, atual, que já está se infiltrando na vida pública e deve se eleger senadora, para entrar na vida política em defesa de sua religião e dos ideais  da extrema direita, pois é só disso que entende.

Flávio Bolsonaro teve um início com um cargo no gabinete do deputado Roberto Jefferson em Brasília, enquanto estudava numa faculdade no Rio de Janeiro. Daí para frente sua vida pública foi de envolvimento com supostos crimes até os dias de hoje. Mente descaradamente e fica por isso mesmo.

Os brasileiros do bem, que têm sanidade mental não merecem esse tipo de presidente. O jornal Estado de São Paulo, de 23/9, em editorial, disse do risco de as milícias terem ascensão ao topo do poder da República, caso Flávio Bolsonaro vença o pleito. Antes tarde do que nunca, veio o expressivo e corajoso reconhecimento de que Flávio é um perigo para o Brasil e para o povo.

A jornalista Ana Dubeux abre o coração, estimula a fraternidade, aplaude a democracia, defende o direito de escolha e prega o amor a Deus,  no expressivo artigo “A fé no voto” (Correio Braziliense – 27/09).

Endosso a tônica da Dubeux, saudável é votar com alegria e esperança no coração, jamais com rancor ou sentimento de vingança. A jornalista sustenta que “não precisamos pensar igual, podemos ter crenças e praticar rituais tão diversos como o país continental e miscigenado que somos”. Ana finaliza conclamando que a fé na democracia deveria ser soberana “pois é o único espaço onde se celebra o respeito à diversidade, a abertura do diálogo, a convivência pacífica com quem não necessariamente vive sob a mesma cartilha que nós”.

Flávio usa crise do STF na campanha e ignora “Dark Horse” e relação com Vorcaro

Gonet sobrevive ao caso Master, mas enfrenta desgaste na PGR

Paulo Gonet evita investigação por 5 a 4

Teo Cury
CNN

O arquivamento do processo administrativo contra Paulo Gonet, que enterrou a possibilidade de investigação pelas mensagens que o mencionam no caso Master, foi visto internamente como uma sobrevida ao procurador-geral da República.

A avaliação tanto de aliados como de críticos é a de que Gonet é um “sobrevivente”. Essas fontes acreditam que o procurador-geral não sai fortalecido do episódio desta sexta-feira (25), mas “segue vivo” para concluir a gestão.

VITÓRIA APERTADA – Uma ala de subprocuradores ouvida pela CNN afirma, no entanto, que a vitória apertada de 5 votos favoráveis e 4 contrários ao arquivamento do caso no Conselho Superior do Ministério Público Federal não tem a capacidade de dissipar a desconfiança sobre a relação de Gonet com Daniel Vorcaro.

O clima na PGR (Procuradoria-Geral da República) é de desgaste, na avaliação de críticos da gestão, desde que as mensagens que citam o procurador-geral foram tornadas públicas.

Piorou após a revelação da fotografia em que Gonet aparece ao lado de Vorcaro e do advogado Ciro Soares, que fez a interlocução entre os dois, bebendo uísque e fumando charuto em Londres.

CREDIBILIDADE – Parte dos integrantes da PGR diz que o chefe do MPF perdeu a confiança institucional. A percepção de algumas dessas fontes é a de que havia certa resistência entre colegas na primeira instância e de que agora o incômodo atinge também parte dos subprocuradores — o nível mais alto da carreira.

Os colegas de dentro e de fora do conselho que defendiam a apuração dos fatos dizem que a desconfiança deve persistir e que será necessário analisar se Gonet vai assimilar as críticas feitas durante a sessão.

Acreditam ainda que o procurador-geral buscará se preservar ao máximo nos desdobramentos, sem abrir mão do caso, mas dividindo cada vez mais as atribuições com os outros três colegas que atuam no caso Master.

IMPACTO – Aliados de Gonet minimizam a desconfiança dos colegas e descartam impacto na gestão do procurador-geral, que permanece no cargo até o final do próximo ano. Mas admitem que pode haver constrangimento durante as próximas sessões do Conselho Superior do MPF.

A ala próxima ao procurador-geral não esconde, no entanto, a surpresa com o placar da votação e com o posicionamento dos colegas que defenderam que houvesse investigação contra Gonet. Avaliam, contudo, que a decisão encerra o assunto.

Na poesia de Ferreira Gullar, uma parte e a outra parte que se dividem em nossa vida

A arte existe porque a vida não basta. Ferreira Gullar - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Ferreira Gullar, pseudônimo do maranhense José Ribamar Ferreira (1930-2016), jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta é um dos fundadores do neoconcretismo e entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.

O poema “Traduzir-se” reflete a profissão de fé de Gullar no exercício de uma poética em um discurso que só abrange a sociedade, porque investiga o mais fundo de sua subjetividade. O poeta se revela contido e grave durante o que vai expondo.

TRADUZIR-SE
Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte, estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

É preciso avisar a Gilmar que ninguém o investiu na função de bedel d0 Supremo

Nani Humor: GILMAR MENDESElio Gaspari
O Globo

A corrosão do STF (Supremo Tribunal Federal) está pior do que se imaginava. Falta pouco, muito pouco, para que algumas excelências saiam no tapa.

A única mulher do Pretório Excelso é a ministra Cármen Lúcia, que não usa toga acetinada nem vai a farofas no além-mar. Já na bancada masculina, com pelo menos três machos alfa (Gilmar, Fux e Toffoli) a qualquer momento o tempo pode fechar.

Na origem dos desentendimentos há uma forte carga de ciúme, que os homens gostam de atribuir às mulheres.

Uma maneira de baixar a tensão seria combinar com Gilmar Mendes que ninguém o investiu na função de bedel da corte. Até porque se fosse para ter bedel, a sério, esse personagem seria o servidor mais atarefado de Brasília.

MINISTRO FOLIÃO – Em 24 de fevereiro de 2024 publicou-se aqui a seguinte nota: “O ministro Kassio Nunes Marques é um folião aplicado. No último carnaval esteve em Salvador, de onde voou para o Rio e assistiu o desfile de segunda-feira no camarote Arpoador. Hospedou-se no Fasano e moveu-se naquilo que chamou de ‘nosso aviãozinho’.

Na segunda-feira desfilou a Mocidade Independente, cujo patrono é o contraventor Rogério Andrade. Em agosto de 2022, Nunes Marques revogou a prisão preventiva de Andrade, em decisão confirmada por seus colegas da segunda turma do STF. O sobrinho do falecido Castor de Andrade não pôde desfilar com sua tornozeleira eletrônica. Contentou-se vendo Fabíola, sua mulher, passar pela Sapucaí como rainha da bateria.”

ERA VORCARO… – Passou o tempo e soube-se mais. Quem cacifava todo o carnaval do ministro era o banqueiro Daniel Vorcaro. No carnaval seguinte, Nunes Marques voltou a ser mimado pelo banqueiro.

Vorcaro se valia dos serviços de uma senhora chamada Rayanna. No dia 28 de fevereiro ela informou a Vorcaro: “As meninas estão prontas” e ele deu-lhe um endereço. Uma semana depois, uma menina cobrava pelos serviços que prestou a “kassio”. Coisa de “10 né”.

Nunes Marques nega ter recebido esses favores e diz que nunca votou em caso que envolvesse o banco Master.

NOITE E DIA – Além dos favores noturnos, Daniel Vorcaro tinha também um expediente diurno com cifras do andar de cima. O contrato de serviços advocatícios da mulher de um desembargador pagava até R$ 427 milhões.

O apartamento para onde deveriam ir as “meninas” pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o maior doador pessoa física da campanha de Tarcísio de Freitas para o governo de São Paulo, em 2022, com R$ 2 milhões, e de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões. Zettel está preso.

STF condena Eduardo Bolsonaro a pagar R$ 80 mil por difamação contra Tabata Amaral

O problema do Supremo é muito grave e não se resolve apenas com reformas

Lula cometeu erro constitucional ao emitir a MP que suspende a jogatina das bets

🚨 FIM DAS BETS NO BRASIL! 🚫🎰 ​O Governo Federal assinou nesta sexta-feira (25) uma Medida Provisória (MP) que proíbe o funcionamento de sites de apostas esportivas e cassinos online em todo

Ilustração reproduzida do Google

Jorge Béja

O presidente Lula da Silva assinou nesta sexta-feira, dia 27, Medida Provisória que submete à prisão quem explorar as chamadas “Bets” ou operar apostas. Prisão é pena privativa de liberdade para quem comete crime ou contravenção. Portanto, Lula através de Medida Provisória legislou sobre matéria penal, mesmo que o conteúdo da MP cuide de considerar crime o que antes assim não era considerado.

O conteúdo desta reflexão pode até não estar correta. Mas o artigo 62, parágrafo 1º, nº 1, letra “d” da Constituição Federal dispõe:

DIZ A CONSTITUIÇÃO – “Em caso de relevância urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a direito penal, processual penal e processual civil”.

Considerando que os leitores e comentaristas da Tribuna da Internet são cultos e conhecem o Direito e a Constituição Federal, a todos eles se pede que registrem aqui seus doutos entendimentos para aferir se o presidente da República acertou ou errou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Prezado Dr. Béja, é uma honra contar com a colaboração de quem realmente conhece e ama o Direito. A meu ver, o presidente Lula errou ao tentar corrigir erros anteriores, do então presidente Michel Temer e dele próprio, Lula.

Em 2018, Temer sancionou a Lei nº 13.756/2018, que legalizou as apostas de cota fixa como um serviço público (?), e deu prazo de quatro anos para regulamentação, mas o governo Bolsonaro não o fez. Assim, as apostas eram feitas com as empresas sediadas no exterior, sem fiscalização ou tributação no país, veja que absurdo, Dr. Béja.

A lei de Temer era ilegal, porque revogou 19 dispositivos da legislação, mas esqueceu de revogar a Lei das Contravenções Penais, de 1941, que proíbe o jogo.

Em 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, estabelecendo regras de taxação e funcionamento para as operadoras, mas tudo continuava ilegal, devido à Lei das Contravenções Penais. E agora vem a Medida Provisória de Lula, suspendendo de forma ilegal as bets, formando um verdadeiro festival de ilegalidades.

Existem dezenas de ações populares contra as bets, e a Tribuna tem acompanhado a principal delas (1029773-82.2026.4.01.3400), apresentada pelo ex-deputado paulista Afanasio Jazadji, representado pelo advogado Luiz Nogueira, um dos melhores do país. No momento, a ação está ilegalmente suspensa, porque o país está numa fase em que a ilegalidade prevalece.  (C.N.)

Bets: o desafio de proibir um mercado que o Estado tentou regular

Quando o poder perde suas fronteiras, a situação se complica e pode influenciar as eleições

Metade do dinheiro público para deputados fica nas mãos de 7% dos candidatos

Na reta final, diminuem as manipulações e as pesquisas se tornam menos levianas

Pesquisas eleitorais - Espaço Vital

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Conforme começamos a avisar antes mesmo de iniciada a campanha, não se deve confiar em pesquisas eleitorais, devido à alta possibilidade de manipulação. Somente na fase final as pesquisas se aproximam da verdade, porque não podem falhar demais, porque se desmoralizam e acabam perdendo clientes na eleição seguinte.

O exemplo mais gritante ocorreu quando a ex-presidente Dilma Rousseff decidiu disputar a eleição para o Senado em 2018. Desde o lançamento da candidatura, todas as pesquisas indicavam seu favoritismo. Como havia duas vagas, a eleição era considerada certa e os assessores logo começaram a chamá-la de “senadora”.

ENORME DECEPÇÃO – Quando as urnas foram abertas, uma enorme decepção. Os candidatos eleitos foram Rodrigo Pacheco (DEM), com 20,49%, e Carlos Viana (PHS), 20,22%. A superfavorita Dilma (PT) ficou em quarto lugar, perdendo até para Dinis Pinheiro (Solidariedade), que teve  18,42% dos votos.

Mesmo assim, os jornalistas continuam a tratar as pesquisas como se fossem oriundas do Oráculo de Delfos. Na atual eleição, Lula vinha disparado, praticamente eleito no primeiro turno. Mas depois Flávio Bolsonaro foi subindo, foi subindo, até começar a aparecer na frente do petista, no segundo turno.

No desespero diante dessa realidade, Lula e o PT estão fazendo o diabo, como disse a então presidente Dilma, em 2013: “Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”.

NOSSA SENHORA – Na reta de chegada as duas campanhas partem para o tudo ou nada, e o PT desencavou a projeto apresentado em 2007 pelo então deputado pastor Professor Victório Galli (PP-MT), arquivado há muitos anos. Ao contrário do que os petistas propagam, o texto não tirava de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, apenas trocava por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, pois Galli era evangélico e invocava a laicidade do Estado.

Em cima dessa manipulação, o PT está fazendo o diabo, mas o resultado pode ser contrário, com Lula perdendo preciosos votos dos evangélicos e protestantes indecisos, pois os religiosos  não aceitam esse tipo de manipulação secular.

É triste e decepcionante ver a política brasileira sendo manipulada até em termos de religiosidade, embora o país seja um Estado laico, que tem de aceitar todas as religiões, sem discriminação.

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P.S.
– Essas manipulações das pesquisas mostram que ainda estamos longe de atingirmos o grau de civilização. Como dizia o lendário historiador, filósofo e jornalista britânico Kenneth Clark (1903-1983): “Civilização? Não sei o que é isso. Mas tenho certeza de que, se algum dia a encontrar, saberei reconhecê-la”. (C.N.)