Amar você é coisa de minutos, na poesia desesperada de Paulo Leminski

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Leminski, um poeta grandioso

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O crítico literário, tradutor, professor, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989) escreveu belíssimos poemas românticos, como “Amar Você é Coisa de Minutos”.

AMAR VOCÊ É COISA DE MINUTOS
Paulo Leminski

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui              

Sarampo e poliomielite retornam ao cenário do Rio de Janeiro e do Brasil

Vacinação contra poliomielite deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida

Em 312 municípios a vacinação atinge menos de 50%

Pedro do Coutto

Reportagem de Flávia Junqueira, Ana Paula Blower, Ana Lucia Azevedo, Renata Nariz, Rayanderson Guerra e Cesar Bayma, em O Globo, destaca o fato do sarampo voltar a preocupar a população do país, especialmente no Rio de Janeiro,  em que casos suspeitos alertam para o risco de retorno da doença que inclusive já causou um surto na região norte do país. No RJ os casos já registrados acenderam sinal de alerta confirmado por especialistas sobre o avanço da doença.

O último contágio da doença ocorreu em 2014. As campanhas de vacinação não têm no momento atual alcançado o êxito que marcou as precedentes no passado. A população carioca e fluminense não aderiu maciçamente aos apelos feitos, entre os quais o da Organização Panamericana de Saúde.

IMIGRANTES – Em Roraima aconteceram 177 notificações. Relativamente ao Norte existem informações de que o contágio foi provocado pela entrada em grande número de imigrantes venezuelanos. No Amazonas já foram confirmados 263 casos.

O problema é gravíssimo, porque  o sarampo há vários anos não assinalava incidências no Brasil. As campanhas de vacinação, de acordo com estudo da UFRJ e registros no Hospital Copa d”Or, revelaram casos suspeitos  da incidência. Até na sede social do Joquei Clube Brasileiro, no centro do Rio foram colocados cartazes alertando que no prédio verificaram-se casos nos últimos dias.

SEM OVERDOSE – A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balalai chamou a atenção para o problema afirmando não existir overdose de vacina. Assim caso a pessoa não encontre o cartão que prove ter sido vacinada, não existe problema em se vacinar novamente.  É melhor vacinar, sobretudo porque vacina não faz mal a saúde.

No Rio de Janeiro, digo eu, a atuação dos órgãos de saúde ao longo dos últimos governos foi verdadeiro desastre. A corrupção tomou conta das escalas administrativas, fenômeno dramático revelado pelo ex-secretário Sérgio Cortes que, em entrevista recente a revista Veja, admitiu ter desviado mais de 100 milhões de reais da Secretaria no redemoinho da corrupção que devastou a cidade e o Estado. Realmente, sob este prisma a corrupção causou a morte de muitas pessoas, desfecho trágico que certamente teria sido evitado se as verbas fossem destinadas para medicamentos, e não consumida nos especialíssimos vinhos franceses em restaurantes da mais elevada qualidade. Isso aconteceu há cinco anos atrás, mas os efeitos tanto do roubo quanto da inércia prolongam-se nos dias de hoje.

GRAVE AMEAÇA – O sarampo é uma ameaça tão grave quanto ao aspecto amedrontador da poliomielite. A vacinação é fundamental. Para isso, é necessária a participação direta de toda a sociedade.

Mas há um descrédito generalizado que tem origem no roubo desenfreado que se espalhou na área estadual e também na área federal. Os governantes de ontem e de hoje são os maiores responsáveis pelo que está acontecendo. Eles não desferiram o golpe da morte, mas o permitiram, por paralisação do compromisso para com o povo, e casos fatais acontecem numa sequência alarmante.

Alguns responsáveis estão na cadeia, e o médico Sérgio Cortes quer devolver 300 milhões de reais ao poder público.

Copa do Mundo dá uma idéia errada e esconde a volta do racismo na Europa

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Muçulmanos pedem liberdade religiosa na Alemanha

Carlos Newton

Quem assiste aos jogos da Copa do Mundo fica impressionado com a crescente miscigenação racial que se registra na maioria das seleções europeias. À primeira vista, fica parecendo que o racismo entrou em fase de decadência, o mundo enfim caminha para a civilização e em breve estará superada a célebre frase de Sir Kenneth Clark, um dos maiores historiadores e críticos de arte do mundo. “Civilização? Nunca conheci nenhuma, mas tenho certeza de que, se algum dia encontrá-la, saberei reconhecê-la”.

As aparências enganam e a realidade é justamente o contrário. Ao invés de ir amainando progressivamente, como ocorre no Brasil, na Europa o racismo está se agravando e se tornou um dos mais graves problemas políticos, devido à imigração.

MÃO DE OBRA – O fato concreto é que a população está diminuindo na maioria dos países europeus, fenômeno que propiciou uma melhoria passageira na qualidade de vida da população.

A Alemanha Ocidental, por exemplo, conquistou alto nível de qualidade de vida no século passado. Os filhos dos operários estavam na universidade, a desigualdade social diminuía, não havia campo para o marxismo e o maior problema do país era a chuva ácida, causada pela poluição industrial. Mas havia outro problema. Mesmo com a queda da mortalidade, a população da Alemanha começou a diminuir, não havia trabalhadores para as tarefas subalternas, o país então começou a importar os “cabeças pretas” (na maioria, turcos e portugueses).

Mas o número de habitantes continuou a cair, por isso a Alemanha aceitou receber no ano passado 1,5 milhões de imigrantes. Agora, não faltam mais trabalhadores subalternos, mas outros problemas se agravaram, inclusive o racismo.

SEM MISCIGENAÇÃO – Ao contrário do Brasil , que é um exemplo para o mundo, os europeus não se misturam aos imigrantes, não há miscigenação, que é a forma mais rápida e eficaz de diminuir o racismo.

Hoje, em quase toda a Europa se espalham os guetos dos imigrantes, que se transformaram em áreas proibidas, chamadas de “no-go zones”, onde as polícias locais não entram. Quando tentam se aproximar, as viaturas são incendiadas e os policiais podem ser mortos. Em algumas desses guetos, onde há grande concentração de muçulmanos, existem tribunais da Sharia e os moradores se comportam com se vivesse em países isolados.

Esta é a realidade da Europa de hoje, que a grande mídia mundial tenta ocultar, é raro ler alguma coisa sobre isso.

UM PROBLEMÃO – Como na música de Gonzaguinha, não dá mais para segurar e o problemão está explodindo, com o crescimento do racismo, que surge mascarado por vários codinomes. Os políticos racistas, por uma questão óbvia, exigem serem chamados de nacionalistas ou conservadores, mas seu procedimento nada tem a ver com ideologias políticas ou econômicas.

O fato é que os europeus não podem prescindir dos imigrantes. Sem a força do trabalho deles, haverá recessão em países como Alemanha, França, Suécia, Grã-Bretanha, Dinamarca, Bélgica e muitos mais.

Enquanto os casais europeus, para aproveitar a vida, querem ter “meio filho”, os imigrantes (especialmente os islamitas) proliferam feito coelhos. Acredita-se que em quatro décadas já serão maioria absoluta na França.

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P. S. 1 –
Comecei a escrever e fui viajando, divagando, acabei esquecendo da Copa do Mundo, o assunto que realmente interessa à grande maioria das pessoas. Mas a verdade é que, na Europa, o único local onde praticamente não existe racismo é nos campos de futebol, os melhores são escalados.

P.S. 2Aqui no Brasil, temos muitas mazelas, mas nossa convivência multirracial pode se considerada um exemplo para o mundo. Por isso, precisamos ganhar a Copa, para mostrar a grandeza de nosso país moreno. (C.N.)

E-mails comprovam que Odebrecht comprou o prédio para o Instituto Lula

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Aqui ia ser o Instituto Lula, mas d. Marisa não gostou

Cleide Carvalho
O Globo

Novos emails adicionados à ação penal em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de receber propinas da Odebrecht confirmam que valores pagos na compra de um imóvel para o Instituto Lula foram debitados na conta corrente de propina para o PT. Ao orientar sobre o pagamento, o empresário Marcelo Odebrecht diz a seus executivos para debitarem de uma conta “que Hilberto S. mantém”. Hilberto Silva era o responsável pelo departamento de propina da empreiteira.

“O custo … É uma conta que Hilberto S. mantém debita a 3 fontes distintos 3 x 1.057.920”, recomenda Marcelo Odebrecht, em email encaminhado a Paulo Melo, um dos executivos da empresa, em 9 de setembro de 2010.

PALOCCI SABIA – Os emails mostram ainda que o ex-ministro Antonio Palocci, que confessou ter administrado a conta corrente do PT na empreiteira, foi avisado da compra do imóvel por meio de seu assessor, Branislav Kontic.

No dia 9 de setembro de 2010, Marcelo reencaminhou para Kontic uma mensagem que recebeu de Melo, no qual o executivo lhe informa sobre a compra do prédio.

“Marcelo, o imóvel foi comprado hoje via contrato particular e efetuado pgto. Não foi possível fazer a escritura pública ainda por pendências, o advogado está providenciando a solução”, diz o email de Melo. E Marcelo Odebrecht repassa a Kontic: “Brani, peço avisar o chefe”.

EMÍLIO PARTICIPAVA – Outro email indica que o empresário Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, também acompanhou a compra do imóvel. Numa mensagem encaminhada a Alexandrino Alencar, homem de confiança do patriarca do grupo, em novembro de 2010, Marcelo afirma: “A compra/construção do prédio sou eu. O resto entendo que meu pai alinhe com ele.”

Os emails foram anexados ao processo pela defesa de Glaucos Costamarques, primo de Bumlai, que aparece como dono de uma cobertura vizinha à do ex-presidente Lula. Ele disse que comprou o imóvel a pedido de Bumlai e que nunca recebeu aluguel.

A defesa do ex-presidente argumenta ainda que o prédio comprado pela Odebrecht não foi aceito pelo Instituto Lula. Para o Ministério Público Federal, Costamarques foi usado como laranja e o apartamento foi pago pela Odebrecht.

RECIBOS FRAUDADOS – A defesa de Lula afirma que pagava aluguel pelo imóvel, que é vizinho ao apartamento da família, e apresentou recibos que, segundo Costamarques, foram assinados todos num único dia, quando ele estava internado num hospital.

Nesta quarta-feira, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou dois pedidos da defesa do ex-presidente Lula contra o juiz Sergio Moro, para que ele seja declarado suspeito nos julgamentos de duas ações ainda em andamento na Justiça Federal de Curitiba – uma relacionada ao sítio de Atibaia e a segunda à compra de um prédio para o Instituto Lula.

A defesa de Lula alegou que Moro participou como palestrante no Lide Brazilian Investment Fórum, em Nova York, em maio deste ano, promovido pela empresa de João Dória Jr, candidato ao governo de São Paulo, e que o magistrado fez referência à prisão de Lula.

DIZ O RELATOR – O desembargador federal João Pedro Gebran Neto afirmou que existe a tentativa nítida de politizar solenidades que não políticas. E que a presença de políticos não transforma um evento em político-partidário.

“A participação de eventos com ou sem a presença de agentes políticos não macula a isenção do juiz, em especial porque possuem natureza meramente acadêmica, informativa ou cerimonial, sendo notório que em tais aparições não há pronunciamentos específicos a respeito de processos em andamento”, defendeu Gebran Neto.

Vídeo de Temer elogiando o homem da mala é incluído em inquérito

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures ao deixa a carceragem da PF, em Brasília, em julho do ano passado (Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo)Camila Bomfim e Mariana Oliveira
TV Globo, Brasília

Investigadores incluíram no inquérito dos portos – que apura se o presidente Michel Temer editou um decreto para favorecer empresas portuárias em troca propina (ele nega) – um vídeo de 2014 no qual o presidente faz elogios ao então assessor especial, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures.

No ano passado, Loures foi flagrado pela Polícia Federal com uma mala de R$ 500 mil dada pelo executivo do grupo J&F Ricardo Saud. Ele foi preso, apontado pelo Ministério Público como operador de Temer para assuntos da empresa. A acusação é de que os valores eram destinado ao presidente.

BELÍSSIMA FIGURA – O vídeo de 2014 foi gravado para a campanha eleitoral de Loures a deputado federal. No vídeo, Temer se refere ao então assessor como “belíssima figura da vida pública brasileira”.

Segundo a Procuradoria Geral da República, Loures era “longa manus” de Temer, ou seja, cumpria as ordens do presidente. No inquérito dos portos, a suspeita é de que Rocha Loures era um representante do presidente em negociações com os empresários.

“Aqui (no gabinete) operava não só auxiliando a mim , mas era espécie de embaixador do Paraná e dos municípios do Paraná. Fez belíssimo trabalho, voltando olhos para o estado que é sua origem. (…) Com muito gosto que dou depoimento em relação a essa belíssima figura da vida pública brasileira que é o Rodrigo Rocha Loures”, disse Temer no vídeo.

COM A MALA – Três anos depois dessa fala, Loures foi flagrado com a mala de R$ 500 mil. Por causa desse episódio, ele virou réu em ação penal. A decisão foi do juiz Jaime Travassos Sarinho, da 10ª Vara Federal, responsável pelo processo na primeira instância.

A denúncia foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e também cita o presidente Michel Temer – mas, em relação a Temer, a Câmara decidiu suspender a investigação. Atualmente, o inquérito dos portos está sob análise da Procuradoria Geral da República, que dará parecer sobre a prorrogação do inquérito, pedida pela Polícia Federal.

O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou a PF a seguir investigando o caso durante o recesso do Judiciário, enquanto não é tomada uma decisão de concessão de mais prazo para as investigações.

Após derrotas no STF, militantes decidem fazer greve de fome por Lula

Resultado de imagem para eleição em Lula e fraudeDaniela Lima
Folha/Painel

Após as seguidas derrotas no Supremo Tribunal Federal e os sinais de que a presidente da corte, Cármen Lúcia, não pautará ações que pedem a revisão da prisão após segunda instância até setembro, 11 militantes de movimentos sociais ligados ao PT começarão uma greve de fome em apelo à libertação do ex-presidente Lula. O protesto será deflagrado no fim deste mês e tem o respaldo da direção do partido. Os manifestantes prometem acampar em Brasília até que a situação do petista seja reavaliada.

A ação extremada faz parte de uma série de movimentos que o PT vai promover para tentar reverter a prisão de Lula. O partido quer entregar um abaixo-assinado a tribunais superiores em 15 de agosto, quando haverá ato para o registro da candidatura do petista.

DETALHES – Os militantes que estarão à frente da greve de fome são da Via Campesina, organização formada por 15 entidades, entre elas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

O MST é justamente o movimento social com o qual o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, mais teve contato ao longo da carreira. A proximidade com os sem terra chegou a suscitar a resistência da bancada ruralista à aprovação de sua indicação para o STF.

O PT diz que não há previsão de Lula aderir à greve de fome.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na política brasileira, a última greve da fome foi feita pelo ex-deputado Anthony Garotinho, mas não deu certo. Ele só aguentou alguns dias e quando largou a greve, acabou engordando bastante. (C.N.)

Corruptor da saúde foi salvo por Cunha em CPI e pagava mesada para Cabral

Iskin foi o ‘xerife’ da corrupção na Saúde por 30 anos

Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

Principal alvo da nova fase da operação Fatura Exposta, o empresário Miguel Iskin é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o “grande corruptor” da iniciativa privada na área da saúde no Estado do Rio há pelo menos 30 anos, reconhecido como um dos principais fornecedores de equipamentos médico-hospitalares do país. Sua influência entre políticos de ‘alta patente’ tanto no Rio quanto em Brasília somada à sua postura para lidar com os negócios lhe rendeu o apelido de “Xerife”.

Foi com essa influência no meio político que Iskin se livrou de prestar, graças a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depoimento em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de 2015 que investigava fraudes no mercado de órteses e próteses. Cunha está preso na Operação Lava-Jato desde outubro do ano passado.

É FANTÁSTICO – A CPI das Próteses teve início com uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, que mostrava representantes de empresas negociando pagamentos a médicos para a prescrição de órteses e próteses para pacientes que não necessitavam. A empresa Oscar Iskin foi uma das citadas desde o início, mas Cunha impediu que se ouvisse o empresário na fase final das investigações.

Ainda de acordo com as investigações do Ministério Público no âmbito da Fatura Exposta, Iskin seria responsável por repassar R$ 450 mil por mês ao ex-governador Sérgio Cabral. Presidente da Oscar Iskin, empresa do ramo de equipamentos hospitalares, Miguel Inskin seria o “Xerife”, que aparece nas anotações encontradas na casa do operador Luiz Carlos Bezerra, durante a operação Calicute.

ERA MESADA – As anotações são uma contabilidade paralela do esquema de corrupção liderado por Cabral. O nome “Xerife” aparece com regularidade ao lado do valor de R$ 450 mil, o que, segundo os investigadores, leva a crer que os pagamentos eram realizados mensalmente.

Peça-chave na investigação, o delator Cesar Romero Vianna, ex-subsecretário executivo da secretaria de Saúde e ex-assessor da direção do Into, conta que foi apresentado a Iskin por Côrtes, quando ele era diretor-geral do Into. O empresário estava preocupado com a implementação de pregões eletrônicos no instituto, para substituir as compras feitas com dispensa de licitação. O próprio Côrtes teria dito a Romero que Iskin era uma pessoa “influente em Brasília” e que “seria um ótimo negócio para todos” se Romero conseguisse privilegiar suas empresas nas licitações.

LICITAÇÕES FRAUDADAS – O delator disse que, mesmo com o sistema eletrônico de compras, as licitações eram direcionadas para beneficiar Miguel Iskin. Com o tempo, no entanto, outras empresas passaram a se encaixar nos critérios exigidos pelos editais, o que prejudicava a hegemonia do empresário. Por isso, em 2004, Romero e Sergio Côrtes tiveram a ideia de lançar o pregão internacional para a compra de equipamentos para o Into.

O delator afirma que passou a existir um “clube do pregão internacional”, com empresas trazidas ao Brasil por Miguel Iskin, que faziam um rodízio para que cada uma ganhasse parte das licitações. Até os preços oferecidos pelas empresas nos pregões internacionais eram previamente acertado por Miguel Iskin e informados ao Into antes mesmo de ser lançado o edital de licitação. No exterior, os valores pagos indevidamente eram repassados pelos fabricantes a Miguel Iskin em forma de taxa de serviços. Cesar Romero diz que a propina circulou em contas secretas internacionais.

Segunda Turma ameaça o Estado de Direito, dizem juízes e promotores

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A ameaça tem nome – Toffoli, Lewandpwski e Mendes

Frederico Vasconcelos
Folha

Um documento assinado por 130 integrantes do Ministério Público e do Poder Judiciário, em que defendem a execução da pena a partir da condenação em segunda instância, deverá ser protocolado no Supremo Tribunal Federal. A manifestação – uma Nota Técnica – foi divulgada no site O Antagonista pelo jornalista Diego Amorim, nesta terça-feira (dia 3), às 23h.

Os signatários entendem que houve quebra da ordem jurídica na sessão da Segunda Turma do STF, no dia 26 de junho, quando –entre outras decisões– o ministro Dias Toffoli, seguido por Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, concedeu liminar de ofício para soltar o ex-ministro José Dirceu.

DEGRADAÇÃO – “Nenhum tribunal, nem mesmo a mais alta Corte, seja por ministros individualmente, seja por suas Turmas isoladas, pode alegar que ‘a decisão vale apenas para o processo em questão’, a pretexto de afastar a aplicação da jurisprudência uniformizada do Plenário, sob pena de se degradar inescusavelmente a ordem Constitucional”, afirma o documento.

A seguir, trechos da Nota Técnica:

Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente, ou seja, os tribunais não devem permitir divergências internas sobre questões jurídicas idênticas, porque desembargadores e ministros fazer parte de um sistema. (…)

A quebra da unidade do direito, sem adequada fundamentação, resulta ativismo judicial pernicioso e arbitrário, principalmente quando desembargadores ou ministros vencidos, não aplicam as decisões firmadas pelo Plenário. (…)

A prisão-pena (decorrente de condenação) prescinde de fundamentação no art. 312 do CPP, à medida que prisão-pena não é prisão processual. Certo ou errado, o Plenário do STF entende que trata de execução de pena. O fato de ser prisão provisória não a torna cautelar. (…)

A afirmação de que a execução provisória da pena seria uma prisão preventiva e, por essa razão, deveria atender aos requisitos do art. 312 do CPP, é absolutamente insustentável. Ora, prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase do processo, presentes o fumus comissi delicti e o periculum libertatis, nos termos do art. 316 do CPP. Esse entendimento jamais foi questionado pelo STF, sequer, no ano de 2009, quando firmou a jurisprudência no sentido da impossibilidade da execução provisória da pena. (…)

O ministro Gilmar Mendes, integrante da 2ª Turma do STF, em recentíssimo precedente, entendeu que crime grave pode ensejar execução provisória da condenação após julgamento em segunda instância, com base na garantia da ordem pública, sobretudo quando não há nenhuma perspectiva de cumprimento da pena, se se aguardar o encerramento de todos os recursos imagináveis nos tribunais superiores. [HC 147957] (…)

“A própria credibilidade das instituições em geral, e da justiça em particular, fica abalada se o condenado por crime grave não é chamado a cumprir sua pena em tempo razoável”. [Trecho da decisão do ministro Gilmar Mendes]. (…)

Diante do não acatamento por integrantes da 2ª Turma de súmula ou jurisprudência do Plenário do STF, que vêm reiteradamente descumprindo as decisões plenárias, relativamente ao início da execução da pena a partir da condenação em segunda instância, e, com isso, frustram os justos anseios da sociedade por eficiente atuação do Estado contra corrupção e a impunidade, resta às partes processuais, inclusive, o Ministério Público, utilizarem-se do instrumento processual “reclamação” (ação que visa garantir a observância das decisões do órgão ou a preservação de sua competência). (…)

O documento conclui afirmando que “os membros do Ministério Público e do Poder Judiciário abaixo-assinados expressam à sociedade seu entendimento jurídico de que, por força da Constituição, da legislação processual e do seu Regimento Interno, os ministros e as Turmas do STF devem obrigatoriamente cumprir as deliberações do Plenário do Tribunal, que estabelecem a execução da pena a partir da condenação em segunda instância; ao tempo em que alertam para o fato de que o desrespeito às decisões do referido colegiado quebra a ordem jurídica e ameaça gravemente o Estado de Direito”.

Um petista privatizador, que se vê sitiado pelos antigos aliados

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), busca a reeleição em campanha discreta, com agendas públicas reduzidas e poucas entrevistas (Foto: UESLEI MARCELINO/REUTERS)

Corrupção de Pimentel foi denunciada em 14 delações

José Casado

Três invernos atrás era festejado como símbolo da renovação do Partido dos Trabalhadores. Hoje se vê sitiado pelos antigos aliados do partido e do sindicalismo no setor público, que há 30 meses incitam greves em protestos contra privatizações e atrasos nos salários.

Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, é caso curioso de político que sonha com a reeleição em outubro, mas enfrenta dificuldades para sair à rua em campanha. Coleciona denúncias por corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e caixa 2 eleitoral, e, ao mesmo tempo, administra um estado virtualmente falido, com o funcionalismo em convulsão.

Semana passada, grevistas invadiram os jardins do Palácio da Liberdade, onde ele se entretém no desenho de ideias para resgatar sua administração do naufrágio — elas têm sido exorcizadas pelo próprio partido, sob a premissa da rejeição ao “neoliberalismo”.

GASTOS DE PESSOAL – Minas gasta com funcionalismo o equivalente à receita de uma companhia como a Vale. Foram R$ 49,8 bilhões no ano passado, 13% mais do que conseguiu arrecadar em tributos. A principal fonte de renda do estado, o ICMS, não cobre o gasto com os quase 400 mil servidores, que consumiram R$ 42 bilhões.

Desde 2015, Pimentel aumentou custos de pessoal em cerca de 20%. Decretou calamidade financeira logo no primeiro ano de governo. E se tornou refém de uma folha de pagamentos onde a Polícia Militar (R$ 10,5 bilhões) custa 25% mais que os serviços de Educação.

O gasto com servidores na Educação supera a despesa com pessoal das maiores empresas privadas de Minas. Deve aumentar na próxima semana, quando a Assembleia aprovar reajustes retroativos (até 14%) para os professores. Entre eles, há 96 mil temporários. Sua incorporação é reivindicação antiga, mas foi bloqueada na Justiça pelo PT de Pimentel, anos atrás.

JUSTIÇA ONEROSA – Pesado, também, é o custo do Judiciário mineiro (R$ 4,5 bilhões). A despesa com a folha já ultrapassa o valor anual da arrecadação de outro imposto estadual, o IPVA. São 24 mil servidores trabalhando com três processos pendentes para cada caso novo registrado.

A Justiça estadual sustenta um expressivo número de privilegiados entre os 978 juízes, com rendimento mensal acima de R$ 50 mil. O recorde em maio foi de um juiz aposentado que recebeu remuneração de R$ 387.346,67. Equivale a R$ 12,9 mil por dia de aposentadoria, ou R$ 537,5 por hora de inatividade.

Pimentel procura alternativas. Tentou vender a sede administrativa do governo (290 mil metros quadrados) e parte das ações da empresa de saneamento (Copasa), promover concessões em metrô, aeroportos, estradas, presídios e escolas e centros de saúde. Não conseguiu.

DEBÊNTURES – Agora insiste numa obscura operação com debêntures de R$ 2 bilhões e a estatal Codemig, que recebe 25% da receita de produção de nióbio, um metal raro no mundo, mas abundante em Araxá (MG), e que é essencial à indústria de alta tecnologia.

Nessas iniciativas, seu maior adversário tem sido o próprio partido. A uma dúzia de semanas da eleição, o PT já não reconhece “Jorge”, antigo militante da guerrilha VAR-Palmares, olha para Pimentel, candidato à reeleição, e enxerga um petista privatizador.

Carnaval, futebol e corrupção, em meio às críticas de sempre

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Charge do Gilmar (Arquivo Google)

Arnaldo Leodegário Pereira
Recanto das Letras

Sempre vejo ou ouço alguém comentar sobre o carnaval. Geralmente são comentários de reprovação. Alegam que para quê desperdiçar tantos milhões com um evento inútil, tal qual o carnaval? Pessoas das diversas classes sociais comentam que o dinheiro gasto com esses eventos deveria servir para ser aplicado na saúde pública, transporte, educação e em fim, em infra-estrutura. O mesmo vejo e ouço falar do futebol. Uma parcela da sociedade argumenta contra o futebol, fazendo a mesma alegação descrita a cima.

Criticam os jogadores todos. Agora, por exemplo, a “bola da vez” é o jogador Neymar Jr., ouço comentários do tipo: por quê um “cara” igual a “ele” deve ganhar fortunas, enquanto a maioria dos brasileiros vivem na miséria ou com salários de sobrevivência? Estes, e outras centenas de argumentos, para justificar a (fala) de que o governo brasileiro gasta milhões com carnaval e futebol, em detrimento da saúde, transporte educação e etc.

Porém, há um engano aí! Pois nesse caso estão confundindo carnaval e futebol com corrupção. O esporte, assim como o carnaval não tem nada a ver com uma Horda de políticos corruptos e larápios que existe no pais!  O carnaval é um evento cultural que traz turistas daqui e de fora, e isso movimenta milhões. Ganha o setor hoteleiro, turístico, aviação, e o comercio em geral.  Sendo assim, o país só tem a ganhar.

BOM SENSO – É descabido alguém que tenha bom senso criticar os jogadores e o futebol, assim como o carnaval. Pois o que se coloca em questão, são os corruptos e a corrupção, e não o  futebol e o carnaval. Portanto, não se deve confundir carnaval e futebol com corrupção.

Neste contexto, vejo os jogadores de futebol como outros profissionais liberais.  Assim como os artistas da música e da televisão em geral. Eles defendem o seu sustento tal como um bom advogado, engenheiro, arquiteto, administrador, médico, ou um Bom executivo. Se um atleta do porte de Pelé, Zico, Cafú, Ronaldo, Kaká, ou Neymar Jr., fazem fortuna no futebol, o fazem com seu próprio mérito, são trabalhadores honestos que ganham seu pão literalmente com seu próprio suor. (Sem desmerecer os outros trabalhadores). Sendo que, o que está errado neste país é a inversão de valores! Há poucos (políticos) ganhando verdadeiras fábulas para exercer somente a corrupção, enquanto existem milhões de trabalhadores ganhando salários de miséria.

ELEVAM O BRASIL – Atletas como Guga, Ayrton Senna, Anderson Silva, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, e tantos outros que elevam o nome do Brasil mundo a fora, com certeza são dignos do salário que recebem. Seus clubes, equipes, agremiações, e ou empresas os paga de acordo com seu mérito e o retorno financeiro que os mesmos lhes proporcionam. Estes profissionais, assim como seus respectivos esportes não podem ser confundidos com a politicagem mesquinha e os políticos corruptos que estão aí a saquear os cofres públicos.

A corrupção existe por sí só, ou seja, para e pelos políticos corruptos. Uma “casta” podre que corrompe a sociedade, dilapida o patrimônio publico, envergonha e humilha os cidadãos de bem, e é sim um câncer a destruir as instituições e macular o nosso tão rico e amado país. (Estes sim deveriam ser exterminados do seio da nossa sociedade).

Ora!… Pode-se e deve-se ter investimentos em saúde, transporte, educação, segurança, -ao mesmo tempo que investe-se em futebol e  outros esportes. Assim como, preservar e incentivar o carnaval que é uma manifestação cultural que nos identifica e atrai divisas para o pais. A corrupção vai existir, independente de se há futebol e carnaval ou não. Se assim o fosse, bastaria um país não ter futebol e carnaval, logo o mesmo estaria livre de problemas dessa natureza?

PÃO E CIRCO – Mas… Que fique bem claro: não estou apoiando a política do “pão e circo”! Não concordo com gastos exorbitantes e esbanjamento do dinheiro público. Não sou a favor dos estádios com o “padrão FIFA”, (em um país que não oferece as condições básicas aos seus cidadãos), pois alguns desses estádios, logo após a copa do mundo ficarão obsoletos e às “moscas”.

Se é para ter o “padrão FIFA”, que a infra-estrutura do país tenha também esse mesmo padrão para que todos os Brasileiros possam usufruir! Assim teríamos sim; Justiça e Igualdade para todos!
(artigo enviado por Carmen Lins)

 

DataPoder360: Bolsonaro é líder e ‘não voto’ tem 42%

Fernando Rodrigues
Poder360

A três meses da eleição presidencial de 7 de outubro, pesquisa DataPoder360 revela grande indecisão por parte dos eleitores, Jair Bolsonaro (PSL) na liderança isolada em cenários sem Lula e 5 candidatos embolados em 2º lugar, com leve vantagem para Ciro Gomes (PDT). O maior percentual da pesquisa é a taxa de “não voto”, de 40% a 42%, a depender do cenário testado, dizem que votarão em branco ou nulo ou que estão indecisos ou não respondem.

Essa tem sido uma tendência em disputas eleitorais recentes. No Tocantins, em junho de 2018, a taxa de “não voto” foi de 52% numa eleição suplementar para governador. No Amazonas, que também escolheu 1 governador tampão em 2017, o “não voto” ficou perto de 40%.

PELO TELEFONE – O DataPoder360, divisão de pesquisas do portal Poder360, realizou 5.500 entrevistas por meio de telefones fixos e celulares de 25 a 29 de junho. Foram atingidas 229 cidades em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro do estudo no TSE é BR-05297/2018.

Foram testados 2 cenários, ambos já usados no levantamento de maio. Por essa razão é possível comparar as duas pesquisas. No 1º cenário foram incluídos apenas os 6 candidatos mais competitivos, os que têm 5% ou mais de intenção de voto nos últimos meses.

Já no 2º cenário o DataPoder360 testou os nomes de 15 pré-candidatos a presidente. Não foi incluído desta vez o nome do tucano João Doria como opção de candidato a presidente pelo PSDB. O ex-prefeito de São Paulo foi testado em maio. Pontuou 6% no DataPoder360, uma taxa semelhante à obtida por Geraldo Alckmin, o que dificulta a troca de nomes pelo PSDB a esta altura do processo. Doria deve permanecer como candidato ao governo de São Paulo.

LULA COM 35% – O potencial de voto de Luiz Inácio Lula da Silva foi pesquisado (é de até 35%) e também a opinião dos lulistas sobre quem o petista deve apoiar se não for candidato (Fernando Haddad se aproxima de Ciro Gomes). Há também a taxa de rejeição ao governo Michel Temer (76%).

A rodada de 25 a 29 de junho do DataPoder360 foi realizada em meio à Copa do Mundo de futebol na Rússia. O evento esportivo galvaniza a atenção dos brasileiros. É natural que poucas mudanças ocorressem agora na corrida presidencial.

JAIR BOLSONARO (PSL) – o representante da direita registrou uma variação negativa nos cenários testados, mas sempre no limite da margem de erro (2 pontos percentuais, para mais ou para menos). Tinha 21% e 25%. Agora, tem de 18% a 21%.É necessário levar em conta que a última pesquisa foi no final de maio, no auge da paralisação de caminhoneiros que afetou todo o Brasil. Havia uma propensão entre os eleitores para manifestar aversão a políticos em geral –sentimento do qual se beneficia Bolsonaro, apesar de ele próprio estar na vida pública há décadas. Agora, a oscilação negativa que teve pode indicar 1 refluxo, ainda que marginal, em seu eleitorado. Só as próximas pesquisas trarão uma resposta mais definitiva.Neste momento, parece certo que o capitão do Exército na reserva tem cerca de 20% das intenções de voto.

Quando vai ao 2º turno, sobe para o patamar de 36%. A seu favor, Bolsonaro tem o fato de ter eleitores muito convictos: 79% dizem que votam nele com certeza e não mudam mais de opinião. A maior dificuldade do nome do PSL continua sendo o voto feminino. Bolsonaro chega a 26% entre homens e tem apenas 11% entre mulheres.

CIRO GOMES (PDT) – continua sendo o 2º colocado mais bem posicionado, mas sua distância para os demais é muito pequena, pouco acima da margem de erro. Ciro luta para herdar os votos de esquerda que naturalmente têm ido para o PT nas últimas décadas. Precisa também ampliar suas alianças partidárias. Todas as pesquisas recentes indicam que 1 eventual “candidato do Lula” poderá rapidamente ganhar tração durante a campanha.

O eleitor de esquerda pode preferir votar em 1 nome “de marca” (filiado ao PT) em detrimento de 1 “nome genérico” (Ciro). É necessário levar em conta que Ciro tem sido 1 dos candidatos que têm conseguido mais visibilidade no noticiário, a chamada “free media”, por conta de suas propostas sempre apresentadas de maneira efusiva e direta. Mesmo assim, suas variações ficam sempre dentro da margem de erro. Tinha 11% e 12% no final de maio. Agora, 12% e 13%.

FERNANDO HADDAD (PT) – cotado para substituir Lula na corrida pelo Planalto, o ex-prefeito de São Paulo pontua 5% ou 6%, conforme o cenário testado. Há 1 mês, tinha 6% ou 8%. Haddad é apresentado logo no primeiro cenário testado, sem que o nome de Lula tenha sido mencionado ainda na pesquisa. Essa é uma diferença importante da metodologia do DataPoder360 em relação a outros levantamentos.A presença de Lula logo no início de uma pesquisa tende a “esquentar” o eleitor do PT que deseja votar no ex-presidente –que no momento está preso cumprindo pena imposta por condenação na Lava Jato. Sem Lula no início da pesquisa e apenas confrontado com a opção de outro petista (Haddad), esse nome alternativo do partido tende a ter 1 desempenho melhor do que em outros estudos de intenção de voto.

Na realidade, é uma forma de testar como será o eventual desempenho do substituto de Lula. Entre os eleitores que hoje dizem votar em Lula (uma pergunta posterior no levantamento), Haddad chega a ter até 34% de potencial de apoio;

MARINA SILVA (REDE) – em pesquisas por telefone, como esta do DataPoder360, a pré-candidata da Rede sempre tem 1 desempenho pior do que em levantamentos feitos com entrevista face a face. Neste estudo ela pontua 7% nos 2 cenários testados (há 1 mês, tinha 6% ou 7%). Essa discrepância pode ser explicada, pelo menos em parte, pelo voto pouco sólido de Marina Silva. Entre seus eleitores, 31% dizem que ainda podem mudar de opinião.

Como Marina é uma candidata que incorpora o que se convencionou chamar de “politicamente correto”, possivelmente muitos eleitores acabam dizendo neste momento que vão votar na pré-candidata da Rede em entrevistas pessoais –embora não tenham tanta certeza assim. Esse comportamento tende a ser menos presente em entrevistas impessoais e automatizadas, ao telefone;

Geraldo Alckmin (PSDB) – paralisado, o tucano pontua 7% ou 8% nesta pesquisa do final de junho. Há 1 mês, no final de maio, tinha 6% ou 7%. Geraldo Alckmin rivaliza com Marina Silva quando se trata de voto pouco cristalizado: 39% de seus eleitores dizem que ainda podem mudar de opinião. Com uma equipe muito profissionalizada, partido grande e tempo de TV garantido, Alckmin é em teoria o pré-candidato que mais reúne predicados objetivos para decolar na fase final.

Ocorre que política não é uma ciência exata. Os comerciais to tucano na rede evocam parcialmente os de Ulysses Guimarães na TV durante a campanha de 1989 pelo Planalto. As peças publicitárias exaltam o fato de Alckmin estar no mesmo partido há 30 anos e de ser o mais experiente entre os concorrentes. Era o que Ulysses dizia em 1989, até porque eram fatos substantivos e incontestáveis. Mas naquele ano o eleitorado buscava por 1 candidato com outro tipo de estampa –e ele ficou com apenas 4% dos votos;

ALVARO DIAS (PODEMOS) – o ex-tucano e senador pelo Paraná tem 4% e 5%. No final de maio, pontuava 5% e 6%. Demonstra ter dificuldade para ampliar seu leque de apoio. Tem 14% na região Sul. Nas demais, vai de 1% a 4%. Houve 1 momento no atual ciclo eleitoral em que Alvaro foi considerado como opção do autodenominado “centro”, mas essa onda nunca ganhou tração e o pré-candidato do Podemos terá muita dificuldade para decolar.

Como neste momento Geraldo Alckmin pontua quase o dobro, talvez voltem as negociações para que Alvaro possa ser o vice do tucano – algo que o Podemos já rejeitou mais de uma vez.

CERTEZA DO VOTO – O DataPoder360 indagou sobre a certeza da decisão dos entrevistados a respeito do voto para presidente. No final de maio, 49% responderam que o voto presidencial já estava decidido. No final de junho, o percentual foi a 52% –uma variação dentro da margem de erro.

Há ainda 23% que dizem que podem mudar de ideia até o dia da eleição, em 7 de outubro. E 25% estão indecisos ou não respondem. Essa “certeza do voto” deve ser interpretada como um quadro deste momento, como todo o restante da pesquisa. Nada impede que uma mudança na conjuntura leve muitos eleitores convictos a mudar de opinião mais adiante.

O fato é que esse é um termômetro real de como está o espírito dos brasileiros a respeito da corrida presidencial: apenas metade está dizendo hoje que já tomou uma decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante notar que o Poder 360 afirma que, se a eleição fosse agora, Bolsonaro também venceria o segundo turno, com 5 pontos de diferença sobre Marina, 10 sobre Ciro e Alckmin, e 13 sobre Haddad. (C.N.)

Lava-Jato manda prender empresários do esquema Cabral que fraudaram Into

Federais fazem busca na cobertura de Sergio Cortes

Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

Um ano e dois meses depois de desbaratar um esquema de corrupção na saúde pública do Rio na operação Fatura Exposta, que levou empresários e o ex-secretário de saúde do estado à prisão, a força-tarefa da Lava-Jato volta às ruas nesta quarta-feira para prender o empresário Miguel Iskin, seu sócio Gustavo Estellita e outras 20 pessoas, além da busca e apreensão em 44 endereços no Rio, São Paulo, Paraíba, Minas Gerais e no Distrito Federal. Também foi decretado o bloqueio de bens dos investigados no valor de R$ 1,2 bilhão na operação denominada Ressonância. Um dos mandados de busca e apreensão está sendo cumprido no apartamento do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, na Lagoa, zona sul do Rio, que deve também depor à Polícia Federal.

A operação mira agora empresas envolvidas no esquema de cartelização e desvio de dinheiro no fornecimento de próteses e equipamentos médicos por meio de fraudes em licitações no chamado “clube do pregão internacional” liderado por Iskin.

HAVIA UM CARTEL – Foi identificado um cartel de fornecedores que atuou entre os anos de 1996 e 2017 no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Há mandado de prisão também contra o atual diretor-geral do Into, André Loyelo, e contra dois executivos da Philips do Brasil, uma das 37 empresas envolvidas no esquema e acusadas dos crimes de formação de cartel, corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As investigações destacam ainda a atuação de Jair Vinnicius Ramos da Veiga, conhecido como Coronel Veiga, responsável por controlar de fato as licitações no Into e na Secretaria Estadual de Saúde. Ele também será preso.

Depois da etapa de investigação feita no ano passado, que culminou na prisão do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes, de Iskin e de seu operador Estellita, o Ministério Público Federal (MPF) precisou da ajuda do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Conselho de Controle de Atividades Financeirasa (Coaf) para auditar contratos e importações feitas por órgãos federais, entre eles o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

OSCAR ISKIN – O núcleo operacional da organização criminosa era formado por funcionários de confiança da empresa Oscar Iskin. De acordo com o MPF, eles eram responsáveis por fazer a ligação entre o setor público (núcleo administrativo-político) e os empresários cartelizados (núcleo econômico) para direcionar as demandas públicas (insumos médicos a serem adquiridos e cotação de preços fraudadas) e as contratações, mediante a desclassificação ilícita de concorrentes que não faziam parte do cartel.

O esquema de corrupção pagava propinas milionárias, as quais eram custeadas com base na arrecadação de valores com as empresas beneficiárias das licitações, seja por meio de pagamento de ‘comissões’ no exterior (correspondentes a cerca de 40% dos contratos), seja por meio do recolhimento no Brasil de valores entre 10% e 13% dos contratos firmados pelas empresas do cartel.

LICITAÇÕES – As fraudes nas licitações se deram por meio de inserção de cláusulas restritivas da competitividade para beneficiar as empresas de Miguel Iskin. Quando outras empresas começaram a também preencher os requisitos arbitrários impostos nas licitações, no final de 2004, a organização criminosa, de acordo com os investigadores, passou a se valer de pregões internacionais com o objetivo de “proteger” as empresas de Iskin no esquema diante da concorrência. O ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e seu braço direito Cesar Romero deram então marcha a um plano de lançar um “pregão internacional” para cotar os equipamentos que seriam adquiridos pelo Into.

De acordo com o MPF, as empresas que faziam parte da licitação eram todas trazidas ao Brasil por Iskin, de maneira que elas se arranjavam entre si para dar “cobertura” a outra, fraudando a licitação e privilegiando a vitória de uma determinada “concorrente”. A investigação, baseada na colaboração de Romero aos procuradores, sustenta ainda que as participantes desse “clube do pregão internacional” se revezavam para que cada uma ganhasse na sua vez.

LAVAGEM – Para o recebimento dos valores, Miguel Iskin montou uma rede complexa de lavagem de dinheiro, utilizando-se de offshores em diversos países e empresas no Brasil. O esquema funcionava de maneira similar na Secretaria de Saúde, onde se identificou fraude em contratos com a empresa Maquet e a adesão a atas de registro de preço do Into nas quais também foram encontradas irregularidades.

Além da delação premiada de Romero, a investigação da Fatura Exposta se valeu também de papéis manuscritos e e-mails coletados na casa de Luiz Carlos Bezerra, apontado como operador financeiro de Cabral junto a empreiteiras e preso com o ex-governador na operação Calicute, em novembro do ano retrasado.

Chamou a atenção dos procuradores do MPF o fato de Bezerra não seguir, como outros integrantes do esquema, protocolos rígidos de segurança. Os investigadores não tiveram dificuldade para ter acesso a planilhas que mostravam inclusive pagamento a Sérgio Cabral.

XERIFE – O MPF sustenta que a organização costumava usar criptografia, mas Bezerra era quem fazia anotações de toda a contabilidade. E também mandava e-mails para si mesmo com planilhas. Miguel Iskin era identificado como “xerife”. E, a partir dessas anotações, foram identificados pelo menos R$ 16,4 milhões destinados a Cabral neste esquema.

Como revelou O Globo no dia da operação Fatura Exposta, a fraude, aplicada nas regras de importação, permitiu que uma máfia formada por empresários e gestores públicos desviasse, por pelo menos 12 anos (2003-2014), de 40% a 60% de um total de R$ 500 milhões gastos pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio (SES) e pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) em compras internacionais de equipamentos médicos de alta complexidade, como macas elétricas, monitores transcutâneos, aparelhos cirúrgicos e unidade móveis de saúde.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sérgio Cortes foi beneficiado por decisão de Gilmar Mendes, e no dia seguinte saiu à rua e acompanhou a mulher a um shopping. Deveria ser preso de novo. Ficaria até agosto na prisão, pelo menos, enquanto Gilmar curte o recesso judiciário e não retoma a libertação em série dos ladrões de recursos públicos. (C.N.)    

PT organiza uma “Marcha a Brasília” para forçar o registro da candidatura de Lula

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Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

No mesmo dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou carta dizendo que já não tem razões para acreditar que terá “Justiça”, o PT confirmou a incorporação de novos nomes à coordenação da campanha presidencial da sigla.

Reunida em Brasília nesta terça-feira (3) a Executiva Nacional petista informou que o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli assumirá como coordenador geral da campanha. O ex-ministro Ricardo Berzoini vai coordenar as finanças da candidatura petista. Além deles, os ex-ministros Luiz Dulci e Gilberto Carvalho e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também foram indicados para a compor a equipe.

HADDAD CONTINUA – O ex-prefeito da capital paulista Fernando Haddad, tido como “plano B” do PT para a disputa presidencial, continua como coordenador do programa de governo. Na segunda-feira, Haddad se integrou à equipe de advogados do ex-presidente, o que lhe dará acesso livre ao petista na prisão.

As indicações para a coordenação da campanha foram atribuídas ao próprio Lula. Todos os nomes apresentados já vinham participando de reuniões do chamado “conselho político”, montado para conduzir a estratégia eleitoral da legenda.

MARCHA A BRASÍLIA – A Executiva do PT também aprovou um calendário de mobilizações em defesa da liberdade do ex-presidente e do direito de ele ser novamente candidato ao Planalto.

A diretoria do partido promete organizar uma “marcha” a Brasília para marcar, no dia 15 de agosto, o pedido de registro da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGVai ser igual à “Marcha à Curitiba”, um fracasso total. O PT sonha em tocar fogo no país, mas não consegue. E agora, com a extinção da contribuição sindical obrigatória, a coisa fica mais difícil ainda, e o famoso “exército” do Stédile já faz tempo que ensarilhou as armas, como se dizia antigamente. (C.N.)

Ativismo judicial e a revolução pelas canetas, nas barras dos tribunais

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Percival Puggina

Em fins de 2016, ocorreu em Brasília o 10º Encontro Nacional do Poder Judiciário. Presentes os ocupantes dos degraus mais elevados da magistratura na União e nos Estados. Somente a crême de la crême. Desse evento recebi, há poucos dias, um pequeno vídeo contendo fala do ministro Luiz Fux, do STF. À mesa dos trabalhos, além dele, a presidente Cármen Lúcia e o jornalista William Waack, ainda nas boas graças da hipersensível elite nacional.

Na gravação, a fala do ministro é muito breve. Referindo-se, aparentemente, a uma questão suscitada pelo jornalista sobre ativismo judicial, Fux afirma haver temas, como o aborto, sobre as quais o judiciário “não tem capacidade institucional para solucionar”. Eles deveriam caber ao Parlamento, que “não quer pagar o preço social de decidir”. Então, acrescenta o ministro chiando os “esses”, como “nós não somos eleitos, nós temos, talvez, um grau de independência maior, porque não devemos, depois da investidura, satisfação a absolutamente ninguém…”.

PERIGOSO MIX – Se a nata do Poder Judiciário assim pensa e age estamos ante perigoso mix de ignorância e soberba capaz de causar inveja a Lula. Não raro, a maioria do pleno do STF, muitos tribunais inferiores e mesmo juízos singulares enveredam por igual caminho, substituindo-se ao Congresso Nacional, ou estabelecendo certa interatividade, quando não proatividade, com o texto constitucional. A cada passo nessa estrada, aumenta a insegurança jurídica, a representação popular perde substância e os que dela têm mandato perdem poder e pudor.

Por trás desse fenômeno ativista – digamos logo: militante -, que tanto afeta o judiciário brasileiro, está o entulho ideológico espargido nas últimas décadas sobre nossas universidades. Ele dissemina a ideia de uma revolução pelas canetas, na qual a esperteza dos meios emburrece os agentes ao ponto de o ministro Fux, no ambiente jurídico de um congresso de magistrados, permitir-se afirmar, sem corar e sem que lhe desande o topete, que o STF delibera porque os congressistas “não querem pagar o preço social”.

LEI MORAL – Vale dizer, não querem legislar contra a maioria da opinião pública! Então, em matérias de enorme relevância moral, dane-se a vontade majoritária expressa na Constituição, dane-se a maioria do parlamento e seu poder constituinte derivado, dane-se a opinião pública. “Façamos a lei moral à nossa minoritária imagem e semelhança!”. Afinal, os onze julgam – embora não fosse prudente tamanha certeza – não dever satisfação a ninguém.

Nos parlamentos, decidir não votar é votar; não deliberar é deliberação. Os projetos dos abortistas não vão a plenário porque os autores sabem que serão derrotados. E isso, num regime democrático, é legítima deliberação. Assim funcionam as democracias e os países com instituições racionais, honestamente providas e virtuosamente exercidas. O demônio, porém, vai dando as cartas e jogando de mão com a soberba dos revolucionários de toga.

Conheça a letra completa de “Luar do Sertão”, de Catulo e João Pernambuco

Resultado de imagem para catulo da paixão cearense frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A letra de Luar do Sertão, um dos maiores clássicos da MPB, é muito extensa e  nunca foi gravada integralmente. Foi o  maior sucesso do poeta, compositor e cantor maranhense Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), em parceria com o músico João Pernambuco. Eis a letra completa e original, extraída do livro “Minhas Serestas” de Loris R. Pereira, paginas 61/64.

LUAR DO SERTÃO
João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense

“Não há, ó gente, oh não,
Luar, como este do sertão. ”
(refrão)
Oh que saudade do luar da minha terra,
Lá na serra branquejando,
Folhas secas pelo chão,
Esse luar cá da cidade, tão escuro,
Não tem aquela saudade,
Do luar lá do sertão.
(refrão)
Se a lua nasce por detrás, da verde mata,
Mais parece um sol de prata,
Prateando a solidão,
E a gente pega na viola que ponteia,
E a canção é a lua cheia,
A nos nascer no coração.
(refrão)
Quando vermelha, no sertão desponta a lua,
Dentro d’alma, onde flutua,
Também rubra, nasce a dor,
E a lua sobe…
E o sangue muda em claridade !
E a nossa dor muda em saudade…
Branca, assim, da mesma cor !!!
(refrão)
Ai !… Quem me dera, que eu morresse lá na serra,
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez !
Ser enterrado numa grota pequenina,
Onde à tarde a surunina,
Chora sua viuvez.
(refrão)
Diz uma trova,
Que o sertão todo conhece,
Que se à noite o céu floresce,
Nos encanta e nos seduz,
É porque rouba dos sertões as flores belas,
Com que faz essas estrelas,
Lá do seu jardim de luz !!!
(refrão)
Mas como é lindo ver depois,
Por entre o mato,
Deslizar, calmo o regato,
Transparente como um véu,
No leito azul das suas águas, murmurando,
Ir, por sua vez roubando,
As estrelas lá do céu !!!
(refrão)
A gente fria desta terra sem poesia,
Não se importa com esta lua,
Nem faz caso do luar,
Enquanto a onça, lá na verde capoeira,
Leva uma hora inteira,
Vendo a lua a meditar.
(refrão)
Coisa mais bela neste mundo não existe,
Do que ouvir um galo triste,
No sertão, se faz luar,
Parece até que a alma da lua é que descanta,
Escondida na garganta,
Desse galo a soluçar !!!
(refrão)
Se Deus me ouvisse, com amor e caridade,
Me faria esta vontade,
-O ideal do coração !
Era que a morte,
A descantar, me surpreendesse, e eu morresse
Numa noite de luar, no meu sertão !
(refrão)
E quando a lua surge em noites estreladas,
Nessas noites enluaradas, em divina aparição
Deus faz cantar o coração da natureza,
Para ver toda a beleza do luar do Maranhão !
(refrão)
Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia,
-A do meu sertão, do meu sertão primaveril,
Disse aos arcanjos que era o hino da poesia,
E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil !
(refrão)
Pois só nas noites do sertão de lua plena,
Quando a lua é uma açucena,
É uma flor primaveril,
É que o poeta, descantado a noite inteira….

 

Três temas: os salários congelados, o gesto de Neymar e os juros dos bancos

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Neymar pretende que não haja críticas a ele

Pedro do Coutto

O artigo de hoje divide-se em três partes. O senador Dalirio Reber, relator do Projeto de Lei que fixa as diretrizes orçamentárias, apresentou emenda congelando por tempo indeterminado os salários dos funcionários públicos federais. Incrível, a iniciativa não faz nenhuma referência aos preços que refletem os índices de inflação. Quer dizer redução de vencimentos, pois todos sabem que o índice do custo de vida, como é natural, sobe independentemente do congelamento salarial dos funcionários. O senador, ao defender seu projeto, diz simplesmente que, adotada sua ideia, a iniciativa proporcionará uma economia de 5 bilhões de reais em 2019. Dalirio Reber está pouco se lixando em relação ao destino dos servidores federais.

Reportagens de Liliana Tomazzeli, O Estado de São Paulo, e matéria de Marta Becker, em O Globo edições de ontem, focalizam muito bem o absurdo de um projeto que traz consigo uma escala de diminuição dos valores do trabalho.

GESTO DO CRAQUE – Relativamente a Neymar, observando-se com atenção a fotografia de página inteira, publicada em O Globo, também de terça-feira, interpreta-se a imagem prestando-se atenção no gesto que ele fez com o dedo indicador sobre os lábios como se estivesse rebatendo as opiniões maciças da torcida brasileira sobre seu modo de atuar.

O atacante confundiu as situações. Ele deveria era agradecer a todos aqueles que opinaram dizendo que estava prendendo demais a bola, não a soltando de primeira, driblando em excesso. Foram três comportamentos que prejudicaram o time brasileiro no empate com a Suíça. A partir do jogo contra a Sérvia ele mudou. Para melhor, e confirmou esse avanço apresentando excelente desempenho contra o México.

Quer dizer: foram as críticas que o levaram para jogar muito melhor e sua grande habilidade com a bola e colocação nos es´paços do gramado. O treinador Tite – tenho a certeza –  transmitiu a Neymar o modo de jogar corretamente, lembrando-lhe que no futebol ninguém vence sozinho. Futebol, repito mais uma vez, é conjunto.

JUROS EXTORSIVOS – Vamos ao terceiro assunto. Os quatro grandes jornais brasileiros, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Valor publicaram com destaque a decisão dos grandes bancos de aceitar as recomendações do Banco Central sobre os juros extorsivos cobrados nas dívidas de clientes para com a utilização dos cheques especiais.

Esses juros passavam de 300% a/a. Se os bancos recuarem para juros anuais de 40%, é porque a inadimplência estava ameaçando a rentabilidade da constelação bancária. Agora, a partir deste mês se as dívidas com cheques especiais passarem de 15% de seus limites, as agências bancárias podem estabelecer que os clientes envolvidos sejam chamados à negociação.

O caso é o seguinte. Se a dívida acumulada ultrapassar a faixa de 15% sobre o limite oferecido, os devedores serão convocados a aceitar o financiamento da dívida por juros menores que, no crédito pessoal passam um pouco de 40%a/a.

INADIMPLÊNCIA –  É sinal que está ocorrendo uma inadimplência em larga escala, que levaria a uma cobrança impossível de resgatar. Os bancos não poderiam executar as dívidas, pois isso demandaria, em função do número de devedores, muitos anos na tramitação judicial.

O desfecho homologado pelo Banco Central é a prova concreta do processo de desvalorização seguida da capacidade de pagamento dos assalariados. É verdade que muitas pessoas agem de forma irresponsável, porém a capacidade de cobrá-las não resultaria em nada para os estabelecimentos bancários.

Advogados de Lula misturaram a defesa dele com a candidatura a presidente

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Charge do Jota-A (jornal O Dia/PI)

Carlos Newton

Começa a ficar mais claro o objetivo dos advogados de Lula da Silva. Eles estão misturando duas coisas bem distintas – a condenação do ex-presidente e sua consequente inelegibilidade. Nos últimos dias houve três iniciativas da maior importância em respeito a esta estratégia. No sábado, dia 30, Lula deixou de fazer comentários esportivos na TV mantida por sindicatos ligados ao PT, alegando que não pode mais aparecer na telinha, por ser candidato; na segunda-feira, dia 2, Lula anunciou que Fernando Haddad passaria a integrar seu corpo de advogados, para ter livre acesso à prisão em Curitiba; e na terça-feira, dia 3, Lula mandou um manifesto à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, para que reafirmasse a candidato dele à Presidência da República.

Ou seja, não haverá Plano B, pelo menos até o Tribunal Superior Eleitoral recusar o registro da candidatura de Lula, porque está inelegível, incurso na Lei da Ficha Limpa.

NO ÚLTIMO DIA – No manifesto redigido por seus advogados, mas com autoria atribuída ao próprio Lula, está escrito que o registro da candidatura será pedido no último dia do prazo legal, 15 de agosto. A estratégia dos “juristas” do PT é de retardar ao máximo a declaração da inelegibilidade, para se beneficiar com os prazos concedidos para contestação, apresentação de provas etc. e tal, com objetivo de forçar a barra e manter o nome de Lula “registrado sub judice” na urna eletrônica.

Bem, sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. Mas quem sonha demais pode entrar em luta corporal com a realidade dos fatos.

Na realidade, o prazo alongado de defesa criado pelos “juristas” do PT é um delírio total. O que vai acontecer é que a candidatura de Lula será rejeitada de imediato, assim que for examinada pelo relator do TSE.  

EXPLICAÇÃO – O ministro Admar Gonzaga, do TSE, já deixou essa questão absolutamente clara. Explicou que nem será necessário que algum partido conteste a candidatura de Lula, porque o registro dele será automaticamente rejeitado, devido à falta de um dos documentos obrigatórios – a Certidão de Elegibilidade, que somente é concedida a quem não sofreu condenação penal em segunda instância, nos termos da Lei da Ficha Limpa.

Ou seja, não haverá a demora inventada pelos “juristas” do PT. Isso significa que Lula nem poderá aparecer na propaganda eleitoral no rádio e na TV, que só começa em 31 de agosto – quer dizer, 16 dias depois do pedido para registrar a candidatura.

Portanto, não adianta os advogados de Lula sonharem com algo que não vai acontecer. Por isso, é importante que o PT tenha um Plano B.  

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P. S. 1
A verdade é que Lula só pensa nele próprio e está pouco ligando para o que acontecerá com o PT.

P. S. 2Luiz Ignácio se comporta como se fosse uma nova versão do rei Louis XIV, o Rei Sol francês, que disse: “L’État c’est moi” (O Estado sou eu). Lula mudou a frase, referindo-se ao PT: “Le Parti c’est moi” (O Partido sou eu). É claro que isso não vai acabar bem. O PT precisa se libertar de Lula e encontrar um novo caminho, mas quem se interessa? (C.N.)

Procuradoria quer incluir mensagens de Pinheiro em inquérito sobre Temer

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Pinheiro (OAS) operava pessoalmente com ministros

Mariana Oliveira
TV Globo, Brasília

A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para incluir mensagens trocadas pelo ex-presidente da construtora OAS José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, no inquérito que tem o presidente Michel Temer entre os investigados. O inquérito apura o suposto de pagamento de propina pela Odebrecht na Secretaria de Aviação Civil quando a pasta foi comandada pelo MDB.

O caso se refere a um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, no qual teria sido acertado o repasse de R$ 10 milhões supostamente ilícito pela Odebrecht ao MDB.

Além de Temer, são investigados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), ambos do MDB e ex-ministros da Aviação Civil.

CELULARES – O pedido da PGR foi encaminhado ao ministro Luiz Edson Fachin em 15 de junho e tornado público nesta segunda-feira (2). No documento, a procuradora-geral, Raquel Dodge, informou terem sido apreendidos pela Operação Lava Jato celulares e equipamentos eletrônicos na casa de Marcos Ramalho, funcionário da OAS.

Ainda de acordo com Raquel Dodge, nesses equipamentos eletrônicos, havia mensagens trocadas entre Marcos Ramalho e Léo Pinheiro sobre encontros com Moreira Franco e Eliseu Padilha. Conforme a procuradora, uma das mensagens é de setembro de 2013. No texto, Léo Pinheiro avisa a Marcos que conversaria com Padilha e, em outra, de dezembro de 2013, Léo Pinheiro revela encontro marcado com Moreira Franco.

No documento ao STF, a procuradora reproduz relatório segundo o qual “no período compreendido entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014, houve, ao menos, três encontros entre Moreira Franco e Léo Pinheiro”.

CONCESSÕES – A procuradora diz, ainda, que a OAS era uma das empresas interessadas na concessão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

“Como se vê, as mensagens que tratam de encontros de Eliseu Padilha e Moreira Franco com Léo Pinheiro interessam as investigações em curso, que apuram corrupção na concessão de aeroporto na qual a OAS era uma das concorrentes”, argumentou a procuradora-geral.