As contradições de Flávio Bolsonaro ao explicar sua relação com Daniel Vorcaro

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, onde a segurança virou disputa de poder

A aposta errada na “fragilidade” de Flávio colocou Lula diante de uma eleição muito mais difícil

Charge do Gilmal (Sobral em Revista)

Dora Kramer
Folha

Pleito batendo à porta, a campanha da reeleição ainda está no modo “onde foi que erramos?”, sem conseguir chegar ao ponto de virada. Houve um equívoco de origem que Luiz Inácio da Silva e o PT não cometeram sozinhos.

A quase totalidade do mundo político e adjacências compartilhava a visão de que Flávio Bolsonaro (PL) seria presa fácil, escolhido pelo pai para manter o nome da família na roda. Era essa a impressão que davam os telhados de vidro e a falta de lastro do moço.

EMPATE – Pois eis que a má avaliação do governo se juntou à identificação bolsonarista, encontrou abrigo na soberba petista e produziu o cenário de empate que flerta com aquela vitória considerada improvável.

Mesmo quando o transcorrer da campanha sinalizava desmentido à interpretação inicial, continuou dominante a indiferença aos fatos. O despertar veio tardio e improvisado, na forma de medidas tão populistas quanto irresponsáveis para tentar reduzir o presumido prejuízo.

Reação pautada pela suposição de que o eleitorado —ou a parcela mais necessitada— está sempre à venda. Não se levou em conta a fadiga do país com Lula e com um partido que chegou aos quase 18 anos no poder sem um plano para tirar o Brasil do atraso.

OUTRO TIPO DE DIÁLOGO – Seria de se esperar que gente com expertise de cinco governos e inúmeras campanhas eleitorais nos 46 anos de vida do PT percebesse que a luta era dura, que a população queria outro tipo de diálogo, que era preciso falar do futuro como gente grande.

No entanto, prevaleceu o projeto de culto à personalidade de Lula, a submissão ao líder, a suposição de que ele seria uma fonte inesgotável dos votos necessários à sobrevivência da esquerda. Não se ouviu o bom conselho da autocrítica que facilita o discernimento entre desejo e realidade.

O corre-corre de última hora até pode atingir o objetivo de obter os votos que tirarão a diferença na urna, mas não apagará o fato de que Lula e o PT não levarão o país a um bom lugar nos próximos quatro anos se não se dispuserem a mudar.

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Por que Lula demorou três anos e somente extinguiu as bets às vésperas das eleições?

A canetada das Bets cria uma cortina de fumaça para cobrir a crise no STF -  NF Opinião

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Até os pássaros que voam e cantam nos jardins do Palácio da Alvorada sabem que as apostas bets de quota fixa são ilegais, contrariam a Lei de Contravenções Penais, empobrecem os mais vulneráveis e necessitados, agravam males decorrentes da ludopatia, enriquecem exploradores de sites nacionais e internacionais de apostas e cassinos, além de causar prejuízo bilionário ao sistema público de saúde (SUS).

O jornal “O Estado de S. Paulo”, em editorial, no dia 26, destacou que “ao proibir as bets, Lula tenta apenas limpar sua imagem e arranjar um punhado de votos. Reeleito ou derrotado, o presidente terá a chance de provar se sua determinação é para valer”.

PREJUÍZOS A TODOS – O “Estadão” foi o jornal que mais combateu essa jogatina desenfreada e que tirou de circulação no país mais de R$ 200 bilhões, em dois anos, afetando os setores comercial e industrial, desorganizando o orçamento de milhões de famílias e captando jovens e adultos para esse vício destruidor que está aumentando até o número de suicídios. 

Essa tragédia vem sendo anunciada há bom tempo, tendo o citado jornal advertido que “é preciso ter uma certa dose de cinismo ou muita ingenuidade para acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva somente agora tenha se dado conta da infinidade de problemas causados pelas bets”…

E acrescenta o Estadão: ”Não se sabe se Lula pessoalmente é contra as bets, como apregoa, mas é inegável que compactuou com elas. Logo, chega a ser irônico que somente agora – a dias do primeiro turno, quase quatro anos depois de assumir o cargo – recorra a uma medida provisória para resolver um problema que assola a sociedade há anos”.

BUSCA DE VOTOS – A Tribuna da Internet aplaude o Estadão e concorda queo Planalto e a assessoria do presidente Lula, sem dúvida, vislumbraram oportunidade de captar votos em cima da extinção das bets, assim como em 2023 regulamentaram esses jogos de azar para arrecadar bilhões de reais e compensar seus descontrolados gastos administrativos. 

Porém, essa apressada e complicada edição da Medida Provisória no. 1.394, de 25 de setembro de 2026, que trará muita complicação jurídica a Lula, ganhou maior relevância porque no dia 24 de agosto, o juiz da 18ª. Vara Federal Cível de Brasília mandou citar a União Federal e o próprio presidente Lula como réus em ação popular que os responsabiliza pela sanção da Lei Federal 14.790/2023, interpretada como ilegal, imoral e lesiva ao erário público (SUS). A ação popular é movida pelo ex-deputado Afanasio Jazadji, representado pelo advogado Luiz Nogueira.

A edição dessa Medida Provisória já em vigor complica a situação judicial de Lula, por ação e omissão, pois ela proíbe tudo que Lula avaliou como legal na Lei 14.790/2023 e na Portaria SPA 1231/2024, do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também citado na ação popular para se defender no prazo legal.

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P.S. – Se estivéssemos num país minimamente civilizado, com um Judiciário que punisse exemplarmente os crimes de responsabilidade administrativa, Lula poderá ser condenado a devolver aos cofres públicos parte do bilionário prejuízo que ele agora pretende cobrar dos operadores da jogatina. Essa Medida Provisória 1394/2026, conforme explicou na Tribuna o jurista Jorge Béja, é absolutamente inconstitucional, foi produzida de afogadilho para arrecadar votos de incautos e vai ser facilmente derrubada. Aguardem. (C.N.)

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Gabinete de Lula impede acesso a visitas que lobista fez ao Palácio da Alvorada

Sigilo no Alvorada e a contradição da transparência

Rafael Moraes Moura
O Globo

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) se recusou a informar os registros de acesso da lobista Roberta Luchsinger no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre janeiro de 2023 e setembro de 2026.

Em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI), o GSI alegou que esses dados estão sob sigilo, sob a justificativa de que a divulgação das visitas ao presidente Lula no Palácio da Alvorada “gera risco à segurança de instituições ou altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares”.

NÍVEIS DE SIGILO – A legislação estabelece três níveis de sigilo – 5 anos (informação reservada), 15 anos (secreta) e 25 anos (ultrassecreta), mas o GSI não esclareceu por quanto tempo os dados de acesso no Alvorada não serão tornados públicos.

Amiga de Fábio Luís Lula da Silva (o Lulinha, alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal), Roberta entrou na mira das investigações de um esquema bilionário de desvio de aposentadorias do INSS. Durante sabatina na TV Globo em agosto, Lula a chamou de “pilantra” e chegou a dizer que não a conhecia nem eram próximos, mas logo após a entrevista, espalharam-se pelas redes sociais fotos de Lula com Roberta em diferentes situações, inclusive beijando a mão dele e o abraçando junto com a primeira-dama Janja.

As investigações da Polícia Federal mostraram que a lobista se gabava de voar em jatinhos da FAB e de ter acesso ao círculo íntimo do petista. Em 25 de outubro de 2023, uma quarta-feira, Roberta disse a um interlocutor que estava na casa do “pai do Fábio”, como se referia ao presidente da República. A mensagem, revelada pela colunista Andreza Matais, do Metrópoles, foi encaminhada a um contato salvo como “Gustavo Oliveira” às 23h16m.

AUDIÊNCIAS – A agenda oficial de Lula naquele dia, no entanto, não informava nenhuma agenda no Palácio da Alvorada e sim uma série de audiências e compromissos no Palácio do Planalto pela manhã e pela tarde.

Reportagem publicada na sexta-feira (25) mostrou ainda que Roberta, junto com o filho do presidente, Fábio Luís da Silva, e Marcola, o então chefe de gabinete de Lula no Palácio do Planalto, atuaram a favor do fechamento de um contrato entre a produtora de fertilizantes Unigel e a Petrobras que era prejudicial aos interesses da petroleira. Roberta recebeu ao todo R$ 1,26 milhão do diretor da empresa, Leo Slezynger, mas o contrato acabou sendo anulado tempos depois.

INTIMIDADE –  Segundo o GSI, “os registros de entrada e saída de pessoas em residências oficiais do Presidente da República são informações que devem ser protegidas por revelarem aspectos da intimidade e vida privada das autoridades públicas e de seus familiares, salvo se tais registros disserem respeito a agendas oficiais ou se referirem a agentes privados que estejam representando interesses junto à administração pública”.

As suspeitas da PF, descritas nas representações que baseiam os inquéritos já abertos no Supremo para apurar tráfico de influência e corrupção, é de que Roberta tivesse uma sociedade informal com Lulinha e o ex-chefe de gabinete do presidente da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para trabalhar pelos interesses de empresas e governos junto ao Palácio do Planalto, vendendo acesso e fechando contratos.

Um desses contratos é o do canabidiol, com a empresa World Cannabis. Outro, da 3Sytructre. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, ela também atuou com Lulinha para marcar reuniões para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, com o presidente Lula no Planalto.

“EU SOU O FÁBIO” – Nas mensagens de Roberta captadas pela Polícia Federal no celular apreendido em dezembro de 2025, a lobista diz: “eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”. De acordo com as investigações, a frase demonstra que ela tinha “aparente autorização” para atuar em nome de Lulinha.

A resposta do GSI contrasta com a postura do governo Lula, que derrubou no início de 2023 o sigilo de 100 anos imposto pela administração Jair Bolsonaro na lista de pessoas que foram visitar Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Desde então, a gestão petista tem se recusado a prestar as mesmas informações sobre visitas ao atual chefe do Executivo.

SEM IDENTIFICAÇÃO –   A negativa do GSI também vai na contramão das respostas obtidas em pedidos similares sobre registros de acesso de Roberta em outros órgãos públicos, como o Ministério da Previdência Social e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Após consulta aos bancos de dados disponíveis, realizada com base no nome informado no pedido, não foram identificados registros de entrada ou saída associados à pessoa indicada, no período solicitado”, informou a Previdência Social.

Na mesma linha, a Anvisa comunicou que fez uma consulta nos sistemas de controle de acesso aos prédios da agência e, “após as devidas buscas, não foram localizados registros de entrada ou saída referentes à cidadã Roberta Moreira Luchsinger”.

CONTRANGIMENTO – Para a diretora executiva da Transparência Brasil, Juliana Sakai, “é constrangedor que um governo que se intitule defensor do direito à transparência pública negue acesso a informações de claro interesse público, como o de registros de entrada de uma lobista na residência oficial do presidente da República”.

“O caso ilustra o quão frágil continua sendo a aplicação da Lei de Acesso à Informação, bastando que haja um interesse político contrariado para denegar ilegalmente acesso a informações públicas. Além disso, lembra da importância da aprovação de uma lei do lobby, que melhore a transparência pública assegurando acesso a registros de encontros entre lobistas e autoridades”, afirma.

Fim da jogatina das bets gera preocupação com segurança jurídica e ambiente de negócios

Ministro diz que futebol ‘sempre viveu sem bets’, e o governo prepara reunião com os clubes

A garota mais famosa do mundo, na inspirada poesia de Tom e Vinicius

Vinicius & Tom - As melhores

Vinicius e Tom, uma dupla inspiradíssima

Paulo Peres
Poemas & Canções

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) e o diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes (1913-1980), ambos cariocas, estavam em um bar bebendo em Ipanema.

Como era de costume, viram passar um linda jovem (Helô Pinheiro) que voltava da escola. Vinicius começou a escrever a letra de “Garota de Ipanema”, e Jobim foi logo completando com outros versos, originando uma espécie de diálogo. “Garota de Ipanema” é uma das músicas mais gravadas no mundo, cuja primeira gravação ocorreu no LP Getz/Gilberto gravado por Stan Getz, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim ao piano, em 1963, pela Verve.

GAROTA DE IPANEMA
Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de lpanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

Lula e Flávio empatam em 42% no segundo turno, aponta Quaest

Janja se desespera ao ver Lula fazendo graves acusações aos clubes de futebol

Lula rebate clubes sobre bets: “Dizer que o futebol vai acabar é balela”

Lula não obedeceu Janja e continuou atacando os clubes

Victoria Azevedo
Extra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira que os times de futebol brasileiro não têm “o direito” de querer sobreviver “às custas da dívida do povo que torce para o time”, ao falar sobre a Medida Provisória que acaba com as bets no Brasil.

Na semana passada, clubes de futebol divulgaram uma nota criticando propostas de restrição das apostas on-line que vinham sendo mencionadas pelo petista e seus aliados. Os times têm hoje as bets como fonte de receita.

EM CAMPANHA – A declaração foi dada por Lula em ato eleitoral no Recife ao lado de João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, e horas antes do anúncio previsto pelo seu governo de medidas contra as bets e o endividamento das famílias brasileiras.

— Os times de futebol mandaram uma carta para mim (dizendo) que se eu acabar com as bets eu vou acabar com os times de futebol. Os times não têm o direito de querer sobreviver às custas da dívida do povo pobre que torce para o time. Vão ter que arrumar outro jeito de arrumar o dinheiro, porque as bets vão acabar — disse Lula.

A MP impede cassinos on-line (como o jogo do tigrinho) e apostas de quota fixa (que são feitas sobre eventos reais, como partidas de futebol). Inicialmente, o governo discutiu proibir apenas os cassinos, mas a decisão tomada foi impedir todos os tipos de apostas on-line.

DISSE LULA — “Eu não vou pedir para levantar a mão quem tá devendo por causa do jogo nas bets. Eu sei que tem muita gente devendo. Gente que pega dinheiro emprestado, gente que pega dinheiro da comida do filho, gente que pega dinheiro do leite da criança e vai jogar. Tem muita gente doente por causa do jogo, endividada. E quero dizer a vocês que eu vou acabar com as bets” — afirmou o presidente.

Lula disse também que não acha correto o povo “estar devendo, se matando e ficando doente” por causa do jogo.

“Não é correto a gente gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe. Não dá para ficar acreditando em mentira” — completou o petista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O PT arranjou uma fake news profana sobre Nossa Senhora Aparecida, para tirar votos de Flávio Bolsonaro, e o assunto bombou nas redes sociais. Agora, o PL dá o troco e exibe o vídeo das inconvenientes declarações de Lula, mostrando a mulher dele no maior desespero, pedindo que ele não atacasse os clubes de futebol, mas ele não ouviu Janja e foi em frente. O vídeo tornou-se o maior sucesso nas redes sociais e vai custar preciosos votos ao presidente. Se ele continuar abrindo a boca, poderá perder sua derradeira eleição. (C.N.)

As benesses de Vorcaro e sua rede de aproximação com autoridades de todos os tipos

A terceira via pode não chegar ao segundo turno, mas ainda deve decidir a eleição

Envolvimento de Zanin comprova que há uma metástase institucional do Supremo

STF proíbe novos 'penduricalhos' e reforça transparência

Zanin se ligou à ala mais podre e arruinou o próprio futuro

Marcus André Melo
Folha

As revelações mais recentes sobre Davi Alcolumbre acrescentam uma dimensão ainda mais grave à crise política atual. Seu comportamento podia ser explicado, em larga medida, pela dinâmica institucional de um presidente hiperminoritário diante de um Legislativo hostil. Nessa interpretação, Alcolumbre seria essencialmente o agente representativo de uma maioria parlamentar.

O presidente do Senado é o gatekeeper dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e de instalação de CPIs. Apenas Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos; contra o conjunto dos ministros, segundo o próprio Alcolumbre, foram protocolados 109. A rejeição da indicação de Messias ao STF também parecia confirmar que o Senado recuperara sua condição de ponto de veto diante do Executivo.

PROMISCUIDADE – Mensagens extraídas do celular de Vorcaro apontam para uma relação de grande promiscuidade entre o banqueiro e Alcolumbre. Os dois se tratavam como irmãos “para a vida toda”.

Outros diálogos mencionam festas organizadas pelo ecossistema do Master e a presença de mulheres selecionadas para os convidados.

O problema não se limita à vida privada. A Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, aplicou centenas de milhões de reais em papéis do Master. Um irmão de Alcolumbre integrava o conselho da instituição. E a  decisão recente do ministro Cristiano Zanin rejeitando a CPI do Master torna o quadro ainda mais nefasto.

41 ASSINATURAS – O requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira tinha 41 assinaturas —muito mais do que as 27 exigidas pela Constituição— e apontava fato determinado: as relações pessoais, financeiras ou funcionais entre ministros do STF e Vorcaro.

 Embora já tivessem transcorrido quase seis meses sem que Alcolumbre desse andamento ao pedido, Zanin afirmou não estar suficientemente comprovada, “por ora”, omissão ou abuso de poder por parte do presidente do Senado.

A decisão colide com uma jurisprudência claríssima do próprio Supremo: a instalação de uma CPI constitui direito da minoria parlamentar. Zanin não apenas preservou o poder de veto do presidente do Senado: fez isso em benefício de um gatekeeper cuja relação com o principal investigado acabara de ser revelada.

COMES E BEBES – A informação também lança outra luz sobre o jantar realizado em agosto na casa de Moraes. Reuniram-se ali Moraes, Zanin, Lula e Alcolumbre, fora das agendas oficiais, para promover uma “reconciliação” entre os presidentes da República e do Senado.

Poucas semanas depois, um dos ministros presentes recusou-se a obrigar Alcolumbre a instalar uma CPI destinada justamente a investigar as relações de integrantes do Supremo com Vorcaro.

O passivo de suspeitas, vínculos comprometedores e ilícitos passa, assim, a sobredeterminar as relações entre os três Poderes. Presidentes, ministros e parlamentares deixam de agir apenas segundo suas preferências institucionais e passam a calcular também os riscos de exposição e retaliação. O que emerge não é simples corporativismo, mas um sistema de vulnerabilidades cruzadas, no qual a omissão de hoje pode ser trocada pelo silêncio de amanhã. É essa a metástase institucional do caso Master.

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NOTA DA REUNIÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, Zanin é um trouxa. Aos 50 anos, deveria se comportar com independência e preservar sua imagem futura, ao invés de de obedecer à ala mais podre do Supremo, se é que se possa dizer que exista alguma ala no STF que não esteja completamente imunda. (C.N.)