A ilusão da estabilidade fugaz: por que o cessar-fogo não resolve o Oriente Médio

Tudo indica que Sicário foi morto na cela, como ocorreu em NY no caso de Epstein

Os tentáculos malditos de Jeffrey Epstein - Charge publicada no jornal A Tarde.

Charge do Clériston (A Tarde)

Carlos Newton

Com as devidas proporções, o caso da morte do pistoleiro Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome Sicário, que ocorreu recentemente na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tem muita semelhança com o suicídio do magnata americano Jeffrey Epstein, ocorrido em 2019 numa prisão federal em Nova York.

Como aconteceu com “a morte e a morte” do célebre personagem Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, tanto Epstein quanto Sicário também tiveram duas mortes, porque teriam tentado o suicídio na cadeia, foram dados como mortos, mas estavam inconscientes, receberam socorro e só morreram muito depois, nos hospitais.

SABIAM DEMAIS – Como no filme de Alfred Hitchcock, Epstein e Sicário eram homens que sabiam demais. Ao morrer, o ricaço americano possuía fortuna equivalente a R$ 2 bilhões, enquanto o pistoleiro brasileiro ganhava RS 1 milhão por mês, que é salário de CEO de grande empresa privada.

Jeffrey Epstein era acusado de exploração sexual de menores, que ele oferecia a milionários e políticos do mundo inteiro, fazendo questão de se tornar íntimo deles e fotografá-los socialmente ou em plena ação, digamos assim, como ocorreu com o ex-príncipe Andrew, que sujou a barra da família real britânica e até perdeu o título de nobreza.  

Mais modesto, Sicário foi operador e pistoleiro do banqueiro Daniel Vorcaro, coordenando as ações de intimidação e segurança do patrão. Antes de sua ligação com o Banco Master, ele já era investigado em Minas Gerais por atuar como agiota e gerenciar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões.

“SUICIDADOS”? – Tanto no caso do pedófilo americano lá na matriz USA quanto no caso do capanga do banqueiro aqui na sucursal Brazil, tudo indica que ambos foram “suicidados”, naquele antigo e famoso método usado para matar o jornalista Vladimir Herzog, que somente agora foi reconhecido como assassinato.

A autópsia do magnata Epstein revelou que havia vários ossos fraturados no pescoço, como acontece em morte por enforcamento ou estrangulamento. Assim, não teria sido possível identificar se foi suicídio ou homicídio.

Os advogados tinham avisado ao juiz que ele havia recebido ameaças e que temia por sua segurança. Além disso, de acordo com o status especial imposto a Epstein, ele deveria ter um companheiro de cela. Mas no momento da quase morte, o pedófilo estava sozinho, porque o outro preso tinha sido transferido, o que representa uma infração ao regulamento da penitenciária.

CÂMARA NA CELA –  Os dois guardas designados para verificar sua cela à noite, Tova Noel e Michael Thomas, adormeceram em suas mesas por cerca de três horas e depois falsificaram os registros. As duas câmeras que filmavam a cela de Epstein também pararam de funcionar naquela noite, e outra câmera tinha imagens “inutilizáveis”. Aqui na humilde filial Brazil, todo o tempo que Sicário passou na cela foi filmado “sem pontos cegos”, segundo o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo.

Ou seja, existem imagens de Sicário dentro da cela que mostram que ele se suicidou ou foi suicidado, mas a Polícia Federal se recusa a exibi-las, alegando um sigilo que jamais foi decretado.

Na matriz, a morte do milionário está sendo investigada há sete anos pelo FBI e pelo Departamento de Justiça, num procedimento que parece o famoso “inquérito do fim do mundo” que o ministro Alexandre de Moraes inventou. E a morte de Sicário aqui na sucursal também parece que não vai terminar nunca.

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P.S. –
A Polícia Federal já recebeu três pedidos do Congresso para liberar as imagens de Sicário na cela, mas não liberou. Os próprios legislas da PF requisitaram as gravações para concluir o laudo, mas também não foram atendidos. Assim, enquanto as imagens não vierem a público, continuará a surgir todo tipo de especulação sobre “a morte e a morte” de Sicário. E a Tribuna da Internet continuará a cobrar o fim desse sigilo absurdo. (C.N.)

Após articulação de Lula, Alcolumbre tira indicação ao STF da zona de bloqueio

Em jantar com Kassab, presidente do PT aborda reforma do Judiciário e desgaste do STF

AGU corta salário de R$ 32 mil de ex-chefe do INSS preso em escândalo de fraudes

Stefanutto é investigado por descontos ilegais

Fernanda Fonseca
CNN

A AGU (Advocacia-Geral da União) suspendeu o salário do ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Alessandro Stefanutto, preso em novembro de 2025 por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias e pensões. O corte inclui tanto o salário-base quanto os honorários.

Segundo o órgão, a medida foi adotada após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou a prisão em mais uma fase da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Na avaliação da AGU, a restrição de liberdade — e a consequente ausência ao serviço — autoriza a suspensão.

ADICIONAIS – Stefanutto recebia cerca de R$ 32,4 mil mensais como procurador federal, valor que era ampliado com verbas indenizatórias e honorários advocatícios. Em alguns meses, os adicionais ultrapassaram R$ 15 mil, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Stefanutto foi preso durante operação da Polícia Federal que apura descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, especialmente aposentadorias e pensões. As investigações apontaram a existência de cobranças indevidas feitas diretamente nos pagamentos a segurados.

AFASTAMENTO – Ele ficou no cargo do INSS até abril de 2025. Após o esquema bilionário de fraudes ser revelado, o então presidente do instituto foi afastado e, depois, exonerado do cargo. Em outubro do ano passado, Stefanutto depôs à CPMI do INSS, em uma oitiva marcada por bate-bocas e troca de acusações.

No depoimento, o ex-presidente do instituto defendeu sua atuação enquanto esteve no cargo e afirmou ter tomado “muitas providências”, mas que talvez não tenha atendido o que a “CGU (Controladoria-Geral da União) queria”.

Derrota de Flávio e Caiado em 2026 pode manter Bolsonaro preso por mais 10 anos

Planalto arma narrativa contra Campos Neto, mas Galípolo desmonta estratégia em público

Disputa pelo vice na chapa expõe racha na direita em torno de Flávio Bolsonaro

Centrão quer Tereza Cristina; núcleo raiz prefere Zema

Andréia Sadi
G1

Há uma disputa importante acontecendo nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a escolha do vice. Essa disputa expõe uma divisão clara dentro da direita. Aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro resistem ao nome da senadora Tereza Cristina, do PP, que é a preferida do Centrão e já foi sugerida mais de uma vez pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Esse “núcleo duro” e mais “raiz” do entorno do senador avalia que o vice precisa ser uma solução de lealdade direta ao projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro, sem estar vinculado a um grupo político forte. Eles fazem até uma comparação: dizem que o ideal seria algo parecido com o que Lula (PT) fez em 2002, com José Alencar. Um aliado de Flávio definiu assim ao blog: ”um vice que vá dar paz”.

ESCOLHA POR MOURÃO – Bolsonaro escolheu Hamilton Mourão em 2018 — após negativas de outros nomes — e viveu às turras com o vice, com teorias de conspiração de que o general queria derrubá-lo. Em 2022, o ex-presidente escolheu Braga Netto, outro general, pois acreditava que ele seria uma espécie de ”seguro-impeachment”, por não ter estrutura própria de poder nem fazer parte de grupos no Congresso.

Para esse “núcleo duro” e mais ideológico da pré-campanha de Flávio, é aí que entra o nome de Romeu Zema, do partido Novo, que deixou o governo de Minas Gerais para disputar a eleição. Zema é pré-candidato a presidente, mas aliados do senador do PL enxergam nele uma “solução mais simples” para a vice, justamente por não carregar um bloco político como o Centrão.

Quanto a Tereza Cristina, ex-ministra de Bolsonaro, a resistência se dá por dois motivos. Por ser vista como um nome muito ligado ao Centrão e também por um episódio recente que incomodou a ala mais radical: a participação dela numa comitiva que tratou de tarifas nos Estados Unidos.

IRRITAÇÃO – Aliados dizem que Eduardo Bolsonaro ficou irritado com isso e atua contra o nome dela. Por outro lado, a senadora continua forte entre empresários e setores do mercado financeiro, que veem nela um nome mais moderado e previsível. No fim das contas, a discussão gira em torno de uma lógica bem pragmática: a vice como moeda de troca. O que cada nome entrega? Tempo de TV? Fundo eleitoral? Apoio político?

No caso do Zema, entra na conta o peso de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O ex-governador é visto como alguém mais fiel ao projeto bolsonarista, mas que ainda precisa provar quanto agrega eleitoralmente. Tereza Cristina, por sua vez, é um nome ligado ao Centrão, com apoio do mercado, empresários e setores da direita.

“Quem acha vive se perdendo, por isso agora eu vou me defendendo…”

Camiseta Noel Rosa - Preta - Tertúlia Produtos LiteráriosPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), na letra de “Feitio de Oração”, feita com o parceiro Vadico, mostra o samba como sendo a manifestação de um sentimento que  percorre e comove o indivíduo, a ponto de recorrer a uma espécie de oração.

Esse samba-canção foi gravado por Silvio Caldas, em 1933, pela RCA Victor.

FEITIO DE ORAÇÃO
Vadico e Noel Rosa

Quem acha vive se perdendo
Por isso agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que, por infelicidade,
Meu pobre peito invade

Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia

Por isso agora lá na Penha
Vou mandar minha morena
Pra cantar com satisfação
E com harmonia
Esta triste melodia
Que é meu samba em feito de oração

O samba na realidade não vem do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração

Ex-braço direito de Bolsonaro recebe milhões do Master e atua na defesa de Vorcaro

Repasses do Master cresceram 27 vezes sob estratégia de Vorcaro para ter influência

O caso Banco Master e a erosão silenciosa das instituições brasileiras

Caso não é isolado e revela uma rede de relações

Pedro do Coutto

A mais recente revelação envolvendo o Banco Master não é apenas mais um escândalo financeiro — é um retrato inquietante de como as engrenagens de poder no Brasil continuam operando em zonas cinzentas, onde legalidade, influência e interesses privados frequentemente se confundem. Trata-se de um padrão recorrente na história política nacional, mas que, a cada novo episódio, assume contornos mais sofisticados e difíceis de rastrear, justamente por se esconder sob a aparência de formalidade e regularidade.

Reportagem de O Globo aponta que figuras de alto escalão da República, como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Ricardo Lewandowski e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, teriam recebido valores expressivos do banco — cifras que, somadas, alcançariam dezenas de milhões de reais e que foram declaradas à Receita Federal com finalidades fiscais controversas.

LEGITIMIDADE – O dado mais perturbador não está apenas nos valores, mas na naturalidade com que essas operações parecem ter sido registradas, como se a formalização bastasse para conferir legitimidade ao que, na essência, pode configurar conflito de interesses.

 Ainda que os detalhes jurídicos precisem ser minuciosamente apurados, o simples fato de tais nomes surgirem associados a práticas potencialmente irregulares já provoca um abalo relevante na confiança institucional. Em democracias maduras, a credibilidade é um ativo tão importante quanto a própria legalidade. Quando ela é corroída, abre-se espaço para o ceticismo generalizado — terreno fértil para discursos populistas e para o enfraquecimento das instituições.

O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa a presença de outros atores do sistema político e econômico, como Guido Mantega, também citado no contexto das movimentações financeiras. A recorrência de nomes que ocuparam posições estratégicas no Estado brasileiro sugere que não estamos diante de uma eventualidade, mas de um possível padrão de relacionamento entre o setor financeiro e o núcleo decisório do poder público.

REDE DE RELAÇÕES – O que se desenha, portanto, não é um caso isolado, mas possivelmente uma rede de relações que conecta o sistema financeiro a decisões estratégicas de Estado — algo que, se confirmado, aponta para um padrão estrutural de captura de influência. Esse tipo de captura não se dá necessariamente por meio de ilegalidades explícitas, mas por mecanismos mais sutis: consultorias, pareceres, contratos formais e remunerações que, embora registradas, levantam dúvidas sobre sua real motivação.

É a chamada “zona cinzenta institucional”, onde o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser ético. Nesse ambiente, a distinção entre o público e o privado se dilui, e o interesse coletivo corre o risco de ser subordinado a agendas particulares.

PAPEL DELICADO — Nesse cenário, o papel do Supremo Tribunal Federal torna-se central — e também delicado. As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes, sugerindo cautela e até eventual impedimento em julgamentos relacionados ao caso, introduzem uma camada adicional de tensão que transcende o próprio escândalo.

Quando o chefe do Executivo se manifesta publicamente sobre a atuação de um ministro da mais alta corte do país, o gesto não pode ser interpretado como trivial. Ele carrega implicações institucionais profundas, pois toca no princípio da separação de poderes. Ainda que o argumento apresentado seja o de preservar a biografia e a integridade do magistrado, o efeito político pode ser o oposto: alimentar suspeitas e tensionar ainda mais a relação entre os Poderes.

O Supremo, por sua vez, encontra-se em uma posição particularmente sensível. Ao mesmo tempo em que deve garantir a aplicação da lei com rigor, precisa preservar sua própria legitimidade diante de uma opinião pública cada vez mais desconfiada. Qualquer decisão — seja de avançar ou de recuar — será inevitavelmente interpretada à luz do contexto político.

DELAÇÕES — A questão das delações premiadas, mencionada no contexto do caso, também merece atenção. Nos últimos anos, esse instrumento foi fundamental para desvendar esquemas complexos, especialmente durante a Operação Lava Jato. Foi por meio delas que se revelou a profundidade de redes que conectavam empresas, partidos e agentes públicos em diferentes níveis.

No entanto, o uso intensivo das delações também gerou controvérsias, sobretudo quanto a eventuais excessos, pressões indevidas e fragilidades probatórias. O desafio agora é encontrar um ponto de equilíbrio: preservar o instrumento como ferramenta de investigação, sem permitir que ele seja banalizado ou utilizado de forma distorcida.

Qualquer movimento que possa limitar ou desestimular colaborações precisa ser analisado com rigor, sob pena de enfraquecer mecanismos essenciais de combate à corrupção. Ao mesmo tempo, é legítimo — e necessário — discutir salvaguardas que garantam a lisura do processo.

AUTORREGULAÇÃO – No pano de fundo de toda essa discussão está uma questão maior: a capacidade do Estado brasileiro de se autorregular e de impor limites claros às relações entre poder político e poder econômico. O caso Banco Master, independentemente de seu desfecho jurídico, já cumpre um papel importante ao expor fragilidades estruturais que há muito tempo são conhecidas, mas raramente enfrentadas com a profundidade necessária.

A história recente mostra que escândalos passam, nomes mudam, mas os mecanismos tendem a se reinventar. Romper esse ciclo exige mais do que investigações pontuais — exige reformas institucionais, transparência radical e, sobretudo, uma mudança de cultura política.

Sem isso, o país continuará a oscilar entre momentos de indignação e longos períodos de acomodação, enquanto as zonas cinzentas do poder seguem operando, silenciosamente, no coração da República.

Luxo dos jatinhos enfeitiçou ministros do STF, porque aeroporto é coisa de pobre

A charge mostra três jatinhos voando. Nos dois primeiros deles, aparecem os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Na fuselagem lê-se a palavra “Aero-Vorcaro”. Em um terceiro jatinho está Nunes Marques, com o texto Aero-empreseario amigo” na fuselagem do avião. Em primeiro plano, um vira-lata e um cão salsicha observam as aeronaves no céu. O vira-lata diz; — Nunes Marques também! O cão salsicha diz: — Mais um a favor da tarifa Zero!

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Elio Gaspari
O Globo

Nem um maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam, ou falavam. Agora, não importa o que eles pensam, mas o que fazem. Alguns deles (Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques e outros) encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto.

NAS ASAS DO MASTER – Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar no resort Tayayá.

Jatinho do amigo permite decolar à hora que se quer, com destino ao aeroporto que se escolheu, sem passar pela sala de embarque onde ralam os bípedes comuns. Aeroporto é coisa de pobre, quem é gente de bem vai a hangar privatizado.

Jatinho é um símbolo de poder, prestígio ou patrimônio e disseminou-se nos últimos 50 anos. O primeiro jatinho público de que se tem notícia foi o do Banco Central.

RELATA O ADVOGADO – O jatinho havia pertencido a um papeleiro quebrado, e seu advogado contaria: “A certa altura, negociando com os burocratas, percebi que estavam de olho no avião. Endureci a negociação e eles levaram o jatinho, mas fizeram concessões com as quais poderiam ter comprado uma esquadrilha”.

O jatinho do Banco Central serviu a ministros e hierarcas amigos de ministros. Perdido o poder, lá se ia o conforto. Em setembro de 1983, quem estava no gabinete paulista do poderoso ministro Delfim Netto, ouviu-o falando ao telefone: “Quer o avião para voltar ao Rio? Diz a ele para ir de ônibus”.

Quem queria o avião do Banco Central para voltar para sua casa, no Rio, era o economista Carlos Geraldo Langoni, que acabava de ser defenestrado da presidência do BC.

VOANDO PELA FAB – Delfim usava seu poder como ninguém. O jatinho do BC talvez tenha se aposentado. Autoridade de verdade hoje em dia voa pela FAB. (O Supremo não divulga os voos de seus ministros, nem quando um presidente do tribunal vai à Argentina para um encontro de juízes paranaenses e o jatinho fica por dias à sua espera.)

Voando nas asas de Vorcaro, os ministros livraram-se de uma eventual curiosidade pública e acabaram na vala das conexões do banqueiro. Mau negócio. Os viciados em jatinhos dos amigos foram expostos como aproveitadores.

Noves fora o conforto, o que os empurra para os hangares é o horror à convivência com os cidadãos comuns.

CARROS BLINDADOS – Um curioso jura que no século passado viu a juíza Sandra Day O’Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sala de embarque da ponte aérea Washington-Nova York. Coisa de país pobre, só o presidente do tribunal tem carro oficial. O STF, com 11 ministros, tem uma frota de 91 carros, 11 deles blindados.

Mudou o Brasil e mudaram os tempos. No século passado, antes da era dos jatinhos, o jornalista Assis Chateaubriand, entrevado, mostrava seu poder fazendo numa Rolls Royce o percurso de umas centenas de metros na pista do Galeão, saindo do jato que o trazia da Europa para embarcar no bimotor que o levaria para São Paulo. Em tese, às suas custas. 

Declaração de Lula sobre Moraes expõe falhas no roteiro para se descolar do caso Master

Imprensa destrói blindagem do Supremo e exibe enriquecimento ilícito de Moraes

Laerte: Crise política é culpa da imprensa - O Cafezinho

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Chega a ser constrangedora e revoltante a resistência corporativa do Supremo Tribunal Federal, que faz o possível e o impossível para blindar os ministros envolvidos em corrupção, especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Mas tudo em vão. Por mais esforços que o STF faça, os resultados são patéticos e depõem contra a honorabilidade da maioria dos ministros, atingidos também pelo enriquecimento antiétic0 de parentes que advogam causas nos Tribunais Superiores, à exceção de André Mendonça e Cármen Lúcia.

Desde o início do caso do Banco Master, as tentativas de blindar Toffoli e Moraes têm fracassado e só serviram para agravar cada vez a situação dos ministros.

BLINDAGEM INÚTIL – Despertados pelas notícias de irregularidades, publicadas em O Globo por Lauro Jardim e Malu Gaspar, deputados e senadores também tentaram investigar o caso em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), pedindo quebras de sigilo e convocação de testemunhas e investigados, mas o Supremo derrubava tudo.

Numa perseguição implacável, o Supremo mudou ser entendimento anterior, a prorrogação da CPMI do INSS foi negada e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, consiga ser prorrogada.

Quanto às duas tentativas de CPI do Master, continuam blindadas pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que são alinhados com o governo Lula e com parte do Supremo.

ATÉ A PROCURADORIA… – Para fortalecer esse festival de blindagem, até a Procuradoria Geral da República mergulhou de cabeça. Os parlamentares fizeram uma série de representações, muito bem fundamentadas, mas o procurador-geral Paulo Gonet alegou que não havia nada a investigar.

Esse esforço impressionante do eixo Planalto-Supremo está sendo jogado fora, porque hoje em dia os jornalistas já conseguem se libertar das pressões dos empresários da comunicação e sempre arranjam como publicar as denúncias, que estão apresentadas de forma avassaladora.

Esse episódio demonstra a crescente importância da imprensa livre, na qual se insere a Tribuna da Internet, que em maio de 2025 enviou dossiês sobre o Banco Master à Comissão de Valores Imobiliários, ao Tribunal de Contas da União e ao Banco Central, alertando as autoridades, que só viriam a intervir em novembro, cinco meses depois, portanto.

BALANÇO DE MARÇO – Como sempre fazemos, vamos agradecer as contribuições feitas no mês passado, para colaborar com a manutenção deste espaço livre na web, que não tem patrocínio político, partidário ou empresarial.

A princípio, os depósitos feitos em nossa conta na Caixa Econômica Federal:

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21     211321           DEP DIN LOT…………200,00
28    281418          DEP DIN LOT…………..100,00

Agora, as contribuições feitas através do Banco Itaú/Unibanco:

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02    PIX TRANSF PAULO R 02/03………..100,00
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16    TED 001.4416.MARIO A C R…………300,00
30   TED 033.3591.ROBERTO S D………..200,00

Agradecendo mais uma vez as colaborações, vamos em frente, em busca da utopia de uma imprensa verdadeiramente livre.

Caiado exalta ação policial mais violenta do Rio e quer Forças Armadas na segurança

Até os senadores mais moderados já falam em impeachment de ministros do Supremo

AMB questiona quórum para impeachment de ministros do STF

Ilustração do site Migalhas

Raquel Landim
Estadão

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional. É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam. Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro, e agora as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

OUTROS ENVOLVIDOS – Já o ministro Dias Toffoli está envolvido na venda da participação de resort de luxo do Paraná ao ecossistema do Master, foi relator do caso e brecou a investigação, e também voou nos jatinhos da empresa de Vorcaro.

O ministro Nunes Marques também apareceu na confusão depois que uma consultoria tributária que recebeu dinheiro do banco subcontratou seu filho.

Os parlamentares fizeram uma série de representações à Procuradoria Geral da República (PGR), que disse que não havia nada o que investigar, e o PGR Paulo Gonet participou de um evento de degustação de uísque promovido por Vorcaro em Londres junto com outras autoridades…

BLINDAGEM GERAL – Deputados e senadores também tentaram investigar o caso via Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e tiveram quebras de sigilo e tentativas de ouvir testemunhas barradas pelo STF.

A prorrogação da CPMI do INSS foi negada pelo Supremo numa mudança de entendimento e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, terá destino diferente.

Uma CPI do Master sequer chegou a sair da gaveta dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre. Alinhados com o governo e com parte do Supremo, Motta e Alcolumbre recorrem a manobras para afastar investigações sobre o caso.

Resta apenas a delação de Daniel Vorcaro, que está nas mãos da Polícia Federal e da PGR, sob supervisão do ministro André Mendonça. Vorcaro resiste a se admitir um criminoso e a falar sobre suas relações com ministros do Supremo. Ele teme que, mesmo que sua delação passe pelo crivo de Mendonça, acabe esbarrando na resistência de outros colegas do tribunal.

GANHAR NO VOTO – Os parlamentares jogaram a toalha diante da blindagem. Decidiram partir para as eleições e ganhar no voto a força para controlar o comando do Congresso, principalmente do Senado.

A avaliação dentro da oposição é que o caso Master mostrou que existe corrupção na mais alta corte do país e que o STF recorre a blindagem ao invés da autocontenção. Por isso, parlamentares já falam nos bastidores, mesmo os mais moderados, em impeachment dos ministros do STF caso saíam vencedores em outubro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente análise de Raquel Landim, mas ficou faltando mencionar uma via de ataque à corrupção – a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a única que continua a investigar o incrível caso da impunidade (até agora) dos ministros do Supremo. Pode ser que tenha algum êxito. Vamos ter confiança e aguardar. (C.N.)

Alcolumbre enfim marca sessão a que pode derrubar veto de Lula ao PL da Dosimetria

Presidente destrava agenda após pressão da oposição

Luísa Marzullo
O Globo

O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), convocou uma sessão conjunta do Congresso Nacional para o dia 30 de abril com pauta única: a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria.

A sessão foi marcada para depois da sabatina do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a avaliação é que o encadeamento das agendas ajuda a acomodar o ambiente político e acalma a oposição, que recebe um aceno.

PRESSÃO – A decisão destrava a agenda do Congresso após semanas de pressão de parlamentares e marca uma mudança de postura de Alcolumbre, que vinha evitando convocar sessão conjunta em meio à crise envolvendo o caso do Banco Master e à disputa sobre a instalação de uma CPI para investigar o tema.

Na última quarta-feira, em plenário, o senador já havia sinalizado a intenção de avançar sobre o assunto, ao afirmar que queria realizar a sessão “o mais rápido possível”. A declaração foi dada após cobrança do senador Magno Malta (PL-ES), que questionou quando o veto seria analisado. “O meu desejo é o mais rápido possível fazermos uma sessão para deliberarmos um assunto importantíssimo, que é o veto da dosimetria”, disse.

Nos bastidores, a definição de uma pauta única é vista como uma forma de evitar que a sessão seja utilizada para a leitura de requerimentos de CPIs, especialmente a que mira o caso do Banco Master — cuja abertura depende de sessão conjunta do Congresso. A medida reduz o espaço para ampliação da crise política em torno do tema.

ALTERAÇÃO DAS PENAS – O projeto da dosimetria altera regras para cálculo de penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Entre os pontos aprovados pelo Congresso, está a proibição da soma de condenações por crimes de mesma natureza, como abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, determinando a aplicação apenas da pena mais grave.

A proposta também flexibiliza critérios para progressão de regime nesses casos, permitindo que condenados com bom comportamento avancem após o cumprimento de cerca de 16,6% da pena.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – Ao vetar integralmente o texto, Lula argumentou que a proposta violava princípios constitucionais, comprometia a individualização das penas e representava interferência do Legislativo sobre atribuições do Judiciário. O gesto foi anunciado em cerimônia que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em movimento interpretado no Congresso como de forte simbolismo político.

A expectativa entre parlamentares é de que o veto seja derrubado com folga, repetindo o placar da aprovação do projeto, que superou os 300 votos na Câmara. O ambiente favorável à derrubada é compartilhado pela oposição e por parte expressiva do Centrão, enquanto o governo atuava para adiar a votação.

Quando sair da cadeia, Vorcaro deve abrir um salão de beleza para ministros do STF

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O profeta Daniel, conceituado na Bíblia, que escapou da cova dos leões, tem xará nos dias atuais com 42 anos, mineiro de Belo Horizonte, que virou o Brasil de cabeça para baixo. É um homem superdotado, que sabe duplicar os peixes e os pães, como Jesus fez para alimentar seus seguidores.

Até o momento, segundo a Folha de São Paulo, Vorcaro gastou 60 milhões de reais com os poderosos da República. Lambuzou com grana todas as esferas dos Três Poderes.

A classe dominante se fartou com ricos presentes, viagens e doações financeiras do facínora do Master. As provas contra os meliantes togados e crápulas engravatados envergonham o Brasil.

GRIFE DE BANDIDAGEM – Vorcaro virou grife nacional da bandidagem e da safadeza. Línguas afiadas fazem paródia do sucesso musical de Roberto Carlos, dizem que “esse cara é o Vorcaro”.

Perdeu o voo, diga que é amigo do Vorcaro. Não consegue mesa em restaurante chique, use o nome do Vorcaro. Quer passear no exterior com a família, Vorcaro resolve.  O meliante do Master tem a chave dos bastidores da República.

A força do ex-banqueiro é tão formidável que o governo Lula pensa em lançar na Bolsa de Valores as ações do ousado fazedor de negócios. Empresários que enxergam longe vão lançar a cachaça Vorcaro e a linguiça Vorcaro. Turista que for ao Corcovado vai poder comprar o cartão postal do mineiro que come quieto.

ELE FAZ MILAGRES – Camisas da seleção brasileira já trazem a cara de Vorcaro. Ele faz milagres. Logo que sair da cadeia, o que não demora, é claro, o bom Vorcaro vai abrir luxuosa clínica de estética.

O objetivo é atender parceiros de fé, como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Nunes Marques e Gilmar Mendes, que envelheceram bastante nos últimos meses, devido à derrocada do Banco Master.

Depois do tratamento vão sair felizes com outra cara. Com a cara de um radiante Vorcaro.

Moraes determina perda de cargos de coronéis da PM por omissão no 8 de Janeiro

Decisão atinge oficiais condenados a 16 anos de prisão

Ana Pompeu
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF(Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (8) que a Polícia Militar do Distrito Federal declare a perda dos cargos públicos dos cinco coronéis condenados por omissão durante os ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023. Segundo o relator, com base na jurisprudência do STF, não há controvérsia sobre a possibilidade de perda do posto e da patente de oficial como consequência de condenação criminal, seja por crime militar ou comum.

A corporação enviou um ofício ao ministro no último dia 25 pedindo orientações sobre o cumprimento da decisão de expulsar Fábio Augusto Vieira, Klepter Rosa Gonçalves, Jorge Naime Barreto, Paulo José Ferreira e Marcelo Casimiro. O relator respondeu ao questionamento na decisão.

OMISSÃO – Moraes reproduziu trecho do voto dado por ele pela condenação no qual afirma que as condutas dos militares foram “marcadas pela omissão deliberada no cumprimento do dever funcional” e têm “manifesta incompatibilidade com a permanência no serviço público”.

Os ex-integrantes da cúpula da corporação tiveram pena de 16 anos de prisão fixada pela Primeira Turma pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Além disso, o colegiado também havia decretado a perda dos cargos públicos.

“Não há, portanto, qualquer dúvida em relação à decisão proferida […] uma vez que, nos termos da tese firmada no julgamento do ARE 1.320.744/DF, de minha relatoria, a perda da graduação da praça pode ser declarada como efeito secundário da sentença condenatória pela prática de crime militar ou comum”, disse Moraes.

PERDA DOS CARGOS – Os oficiais estão presos desde 11 de março na chamada Papudinha, em Brasília, mas a decisão do Supremo que condenou o grupo determinou também a perda dos cargos públicos. Como mostrou a coluna Painel, a situação dos cinco coronéis hoje causa apreensão na Polícia Militar do DF. Enquanto as tropas temem que a decisão de Moraes abra um precedente capaz de encurtar o rito de expulsão da categoria, familiares relatam angústia com a possível perda da aposentadoria.

No ofício enviado a Moraes, a PMDF reafirma seu “integral e incondicional compromisso com o fiel e imediato cumprimento” da decisão, mas diz haver uma dúvida sobre o regime constitucional específico aplicável aos militares estaduais e do DF sobre a perda do posto e da patente.

“A questão assume relevo particular em razão da condição dos atingidos —oficiais já na inatividade (reserva remunerada)—, circunstância que recomenda a definição mais precisa acerca da forma de implementação do comando decisório, especialmente diante das especificidades do regime jurídico-constitucional aplicável à categoria”, diz o documento.

POLICIAIS MILTARES CONDENADOS: 

Coronel Fábio Augusto Vieira, comandante-geral da PMDF em 8 de janeiro.

Coronel Klepter Rosa Gonçalves, subcomandante-geral da PMDF em 8 de janeiro, promovido a comandante-geral pelo interventor Ricardo Cappelli no dia 9.

Coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-comandante do DOP (Departamento de Operações) da PMDF, de licença em 8 de janeiro.

Coronel Paulo José Ferreira, chefe interino do DOP em 8 de janeiro devido à folga de Naime.

Coronel Marcelo Casimiro, ex-comandante do 1º CPR (Comando de Policiamento Regional) da PMDF.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMais um grave erro judiciário de Moraes e da Primeira Turma do STF. O coronel Jorge Naime Barreto estava de férias, viu o problema na TV e correu para a Praça dos Três Poderes, para ajudar a repressão aos manifestantes. Como pode ser acusado de omissão? (C.N.)