Julgamento de Castro no TSE pode implodir acordo político de Flávio no Rio

Castro desconfia que grupo do senador “largou sua mão”

Juliana Braga
Octavio Guedes
G1

O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que analisa a situação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), provocou tensão no acordo político anunciado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições no estado. Aliados do governador afirmam que o cenário jurídico acendeu um alerta e alimentou a desconfiança de que o grupo do senador teria “largado a mão” de Castro — o que pode levá-lo a rever seus próximos passos.

Castro contava com o voto favorável do ministro Antônio Carlos, o que não se confirmou. O magistrado votou pela cassação. Ele é considerado próximo de Kassio Nunes Marques, que, por sua vez, mantém relação política com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.

PEDIDO DE VISTA – Outra expectativa frustrada foi em relação ao pedido de vista de Kassio. Castro esperava que o prazo fosse de 30 dias, mas a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, fixou 15 dias — período aceito por Kassio. O episódio ampliou a desconfiança do governador em relação ao ministro. Outro indício de que Kassio estaria despertando em Castro a desconfiança de uma traição é a conversa, nos bastidores, de que, caso seja cassado, ele poderia ser substituído pelo secretário da Polícia Civil, Felipe Curi.

Curi agregaria à pasta a experiência que ele tem na segurança pública e avaliação positiva na população fluminense a respeito da mega operação no Complexo do Alemão. Diante desse cenário, uma das possibilidades discutidas nos bastidores é a antecipação da desincompatibilização de Castro, com eventual indicação para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A manobra lhe garantiria um cargo caso se torne inelegível e abriria espaço na chapa majoritária para outro nome ao Senado.

No sentido oposto, há a hipótese de Castro permanecer no cargo. Nesse caso, o secretário das Cidades, Douglas Ruas, não assumiria um mandato-tampão antes da eleição — etapa considerada estratégica para dar visibilidade à sua eventual candidatura ao governo pelo PL. Interlocutores do governador afirmam que há preocupação de que Ruas priorize a própria campanha e deixe em segundo plano a defesa da atual gestão, o que poderia comprometer o projeto de Castro ao Senado.

ABUSO DE PODER POLÍTICO – O pano de fundo é o julgamento que apura suposto abuso de poder político e econômico. O processo envolve a contratação de funcionários temporários no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo o Ministério Público Eleitoral, as admissões teriam sido usadas para empregar cabos eleitorais.

O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Kassio Nunes Marques. Durante a sessão, Cármen Lúcia informou que o processo retornará à pauta nos dias 24 e 25 deste mês. Diante do placar desfavorável ao governador, aliados de Castro no PL passaram a articular para que o ministro André Mendonça também peça vista, por até 60 dias. A estratégia seria ampliar o prazo de análise e adiar a retomada da votação para o período em que Kassio assumirá a presidência do TSE, em junho.

O plano, no entanto, é apertado. Caso Mendonça utilize os 60 dias a partir de 25 de março, o processo ainda seria devolvido na última semana da gestão de Cármen Lúcia à frente da Corte.

Ataques a Flávio Bolsonaro seriam um erro estratégico na campanha de Lula

Pedro do Coutto

Nos bastidores de Brasília, cresce a pressão de setores do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele altere sua estratégia política e passe a adotar uma postura mais agressiva contra o senador Flávio Bolsonaro. A sugestão de alguns assessores e aliados é que o presidente abandone a linha centrada na divulgação de pautas positivas do governo e parta para o ataque direto contra a oposição, sobretudo diante de pesquisas eleitorais recentes que indicam maior competitividade do cenário político. No entanto, essa leitura pode estar equivocada e ignorar um princípio clássico da política: quem governa não deve agir como quem está na oposição.

Um presidente da República em exercício ocupa uma posição institucional completamente diferente da de seus adversários. Enquanto candidatos oposicionistas dependem do confronto e da crítica permanente para ganhar visibilidade e mobilizar suas bases, quem está no poder precisa transmitir estabilidade, confiança e capacidade de gestão.

RISCO – Quando um governante parte para o ataque com intensidade excessiva, corre o risco de passar a impressão de fragilidade política, como se estivesse reagindo de forma ansiosa a dificuldades momentâneas ou ao impacto de pesquisas desfavoráveis. Em termos estratégicos, esse movimento pode acabar fortalecendo justamente o adversário que se pretende enfraquecer, pois o coloca no centro do debate político nacional.

No caso de Lula, essa dinâmica é ainda mais sensível. Trata-se de um líder político com décadas de experiência e com uma trajetória que sempre se apoiou na imagem de liderança forte, capacidade de articulação e diálogo com diferentes setores da sociedade. Adotar uma postura reativa ou demonstrar preocupação excessiva com oscilações de pesquisas poderia transmitir ao eleitorado a sensação de que o governo se sente pressionado ou inseguro. Na política, a percepção de controle do cenário costuma ser tão importante quanto os próprios resultados eleitorais.

Além disso, o governo possui instrumentos políticos e administrativos que nenhum candidato de oposição tem. A chamada “máquina do governo”, longe de ser apenas uma expressão retórica, representa a capacidade concreta de implementar políticas públicas, apresentar resultados e dialogar diretamente com a população por meio de programas que impactam a vida cotidiana dos cidadãos. Nesse contexto, partir para o confronto direto pode significar desperdiçar uma vantagem estratégica importante.

TEMAS CENTRAIS – Há, inclusive, temas centrais que podem fortalecer a posição do governo no debate eleitoral sem necessidade de ataques. A discussão sobre mudanças no Imposto de Renda, especialmente a ampliação da faixa de isenção para trabalhadores de renda mais baixa, tem forte apelo social e pode dialogar diretamente com milhões de brasileiros. Da mesma forma, o fortalecimento de programas sociais como o Bolsa Família continua sendo uma das marcas mais reconhecidas das administrações petistas e possui impacto direto na vida de famílias em situação de vulnerabilidade. Políticas dessa natureza criam vínculos concretos com o eleitorado, algo que discursos agressivos dificilmente conseguem produzir.

Outro ponto relevante é que o cenário político brasileiro permanece profundamente marcado pela polarização que ganhou força com a ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para setores da oposição, o ambiente de confronto permanente é extremamente favorável, pois mobiliza emocionalmente suas bases e mantém o debate público em torno de disputas ideológicas intensas. Ao entrar nesse terreno de forma deliberada, o governo pode acabar reforçando a lógica de polarização que beneficia seus adversários.

Historicamente, presidentes que buscam a reeleição ou a continuidade de seu projeto político tendem a ter melhores resultados quando conseguem transformar o debate eleitoral em uma comparação entre governos e propostas concretas. Quando a campanha gira em torno de indicadores econômicos, programas sociais, investimentos e melhorias percebidas pela população, o governante geralmente parte de uma posição mais confortável. Já quando o debate se transforma em uma sequência interminável de ataques e respostas, a disputa tende a se nivelar entre governo e oposição.

REFLEXO – Por isso, a pressão para que Lula adote uma estratégia de confronto direto contra Flávio Bolsonaro pode representar mais um reflexo da ansiedade típica dos bastidores políticos do que uma leitura estratégica consistente. Em vez de reagir às pesquisas com nervosismo ou elevar o tom contra adversários, o caminho mais sólido pode ser justamente o oposto: reforçar a agenda de governo, comunicar resultados e demonstrar tranquilidade diante do cenário político.

Na política, muitas vezes vence quem consegue transmitir a sensação de que controla o tabuleiro. Um presidente que demonstra serenidade, apresenta políticas públicas com impacto real e evita cair em provocações tende a ocupar uma posição mais forte diante do eleitorado. Em última análise, o eleitor costuma confiar mais em quem governa com segurança do que em quem parece disputar cada movimento como se estivesse na oposição.

Aos 94 anos, Bernardo Cabral critica a omissão do governo na crise hídrica

Bernardo Cabral, o estadista da República | Monitor Mercantil

È preciso garantir uma melhor qualidade de vida, diz Cabral

Vicente Limongi Netto

Hoje, quando a escassez de água tornou-se um tormento para governantes e população, vale recordar que há 30 anos, como senador, palestrante e escritor, Bernardo Cabral já ponderava e alertava sobre o assunto. Dizia Cabral:

“É preciso colocar-se na agenda da humanidade, como questão central, a falta de planejamento e racionalidade no uso dos recursos hídricos, uma constante que começa a ameaçar o abastecimento adequado”.

CRISE HÍDRICA – Como senador, Bernardo Cabral foi relator, em 1997, da lei que criou a política Nacional dos Recursos Hídricos. Em 2000, foi, também, relator no senado da lei que criou a Agência Nacional de Águas. Em 2004 Cabral continuava na sua pregação, no Brasil e no exterior, chamando a atenção para a crise hídrica.

O ex-ministro da Justiça, ex-presidente nacional da OAB, ex-relator geral da constituinte, o ex-senador antevia que o Brasil teria imensas dificuldades para lidar com o tema, e continua insistindo para que haja providências.

“A falta de planejamento e racionalidade no uso de recursos hídricos não é, por certo, uma característica isolada das grandes cidades, mas, sim, uma constante em todo o Brasil, que começa a ameaçar o abastecimento adequado dos vários aglomerados urbanos”, salienta o ex-senador, que no próximo dia 27 completa 94 anos de idade. 

MÃE DA VIDA – Em suas manifestações, Cabral destaca que “a mãe de toda a vida na terra é a água. Dela surgiu a vida. Dela a vida se nutre”.

Como relator-geral da Assembléia Constituinte Magna, o parlamentar perenizou a Zona  Franca de Manaus na Constituição. Ele tem diversos livros tratando de recursos hídricos, todos com edições esgotadas.

O Amazonas e os amazonenses devem eterna gratidão e respeito a Bernardo Cabral, que não está nada satisfeito com a omissão do governo federal e dos respectivos governos estaduais da Amazônia, em relação à falta de tratamento de esgotos nas cidades da região, uma situação revoltante.

STF exibe intolerável abuso de poder contra pastor, auditor e jornalista

Não há como ter um país livre sem uma imprensa livre

Fernando Schüler
Estadão

“Recebi a denúncia, apurei, confirmei a veracidade e publiquei”, diz Luís Pablo Conceição, o jornalista do Maranhão que teve a Polícia Federal na sua casa, por ordem de nossa Suprema Corte, por uma matéria sobre o uso de um carro oficial, por parte de um ministro. O carro é uma Toyota SW4, e a história é conhecida.

Havia imagens do ministro e familiares na praia, usando o veículo, e o Luís Pablo foi lá investigar. Fosse o Brasil uma democracia fundada em direitos, do tipo que desenhamos na Constituição, quem sabe o caso rendesse uma nota explicativa, por parte do Supremo. E talvez mais rigor no uso de carros oficiais. E assunto encerrado. Mas não é o caso.

BUSCA E APREENSÃO – Por estes dias, a Polícia Federal apareceu na casa do Pablo, às 6h da manhã, levou seu celular e seu computador. Seu sigilo de fonte virou poeira, se é que uma coisa dessas faça muito sentido no Brasil de hoje.

Não importa muito se Luís Pablo é um bom ou mau jornalista, ou um mero “blogueiro”, como diz um pedaço da imprensa. O fato é que atuou como jornalista, neste caso. Pela lógica de nossa Suprema Corte, ele não poderia ter investigado o uso de um carro oficial, por parte de um ministro. Simples assim.

Quem sabe Pablo pudesse publicar uma matéria sem investigar, mas neste caso seria mau jornalismo. Vamos imaginar: ele vê, por acaso, o carro passando na frente de sua casa, na praia, e publica uma foto. Seria um crime também? O ponto é que tudo isso é tremendamente bizarro.

DEMOCRACIA? – Se um jornalista identifica o uso indevido de um bem público, por parte de uma autoridade, ou qualquer outra irregularidade, diria que é sua função investigar. Ou então para que serve o jornalismo em uma democracia?

Sejamos claros: não há outra maneira de se ter um país livre se não com uma imprensa livre. Podendo errar, muitas vezes, pois isso faz parte do jogo. Vamos imaginar uma sociedade com a seguinte regra: você é livre para dizer o que quiser, mas não pode errar. Com um detalhe: é o Estado que define o que é o erro e o que é o acerto.

Pensem este princípio sendo aplicado às matérias recentes sobre os diálogos entre o ministro e Vorcaro, no dia de sua prisão. Seu conteúdo é muito mais grave do que a investigação do Pablo sobre o uso daquela SW4, no Maranhão.

TUDO FALSO? – O ministro Dino afirma que é tudo falso. Vai mandar a Polícia Federal para lá também? A pergunta sombria aqui: se os jornalistas que revelaram aqueles diálogos fossem apenas “blogueiros” sem pedigree, quem sabe no Maranhão, teriam escapado de receber a Polícia Federal na sua casa?

O que nosso Supremo está fazendo é mandar um recado: não investiguem. Se vocês acharem que há algum delito, por parte de uma autoridade, desistam. Fiquem calados. Caso contrário, isso pode ter uma enorme dor de cabeça.

Se isso tudo for um ponto fora da curva em nossa democracia seria lamentável, mas compreensível. Como escutei de um antigo ministro do Supremo, “as instituições são como grandes avenidas. São fundamentais, mas produzem lá seus acidentes”.

CRÔNICA SOMBRIA – O ponto é que nada disso é um acidente. É a crônica sombria do Estado brasileiro. Foi este o mesmíssimo caso da “investigação” sobre o Kleber Cabral, presidente da Unafisco.

Ainda por estes dias, lia a carta de um grupo de auditores da Receita Federal sobre o caso, dizendo que “o trabalho do auditor fiscal inclui a fiscalização de qualquer cidadão, inclusive autoridades públicas”. É curioso que uma coisa dessas precise ser dita, no Brasil de hoje.

Kleber Cabral não fez nenhuma matéria jornalística. Deu apenas uma opinião útil ao País. Disse que havia mais medo de investigar certas autoridades do que tratar do crime organizado. Ao invés de servir de alerta ao País, é ele quem termina na Polícia Federal. E desse modo, sejamos claros, confirmou seu ponto.

MALAFAIA RÉU – E por fim temos o pastor Malafaia, prestes a ser convertido em réu pelo STF, por dar um discurso chamando generais de “covardes”. Inútil dizer que não há foro de função para pastores no País e que, se alguém se sentisse ofendido, deveria mover um processo na primeira instância, contra o pastor. Mas o ponto não é este.

O Comando do Exército, com razão, considera que chamar um general de “covarde” é uma ofensa grave. Fôssemos uma grande democracia, nossos generais fariam uma nota pública contestando aquele discurso e dizendo que respeitam a lei. E que podem discordar duramente de Malafaia, mas respeitam seu direito de emitir a sua opinião.

Isto, na minha modéstia visão, seria de fato um ato de coragem. Acionar o inquérito das fake news expressa o caminho precisamente oposto: a chancela a um instrumento de exceção contra cidadãos comuns, algo que jamais poderia existir, em nossa democracia.

SEMIDEMOCRACIA – A verdade é que não andamos bem. Talvez sem notar, vamos passando do abuso para o uso mesquinho do poder. Ao lado do problema ético, que envolve nossa Suprema Corte, temos uma ferida aberta sobre direitos individuais no País.

Por agora lidamos com a agressão aos direitos de um pastor, um jornalista e o presidente de uma entidade de classe. Mas a verdade é que isto tudo diz respeito a cada um de nós.

Viver em uma sociedade livre significa que você pode dizer o que pensa, criticar e fazer jornalismo investigativo, se desejar. E à noite dormir tranquilo, porque sabe que há leis que protegem os seus direitos. E que há pessoas com a virtude e a coragem de fazer com que as leis sejam respeitadas. Se isso tudo desmorona, deveríamos nos preocupar. E, quando se percebe que vamos perdendo, dia a dia, a capacidade de indignação, deveríamos nos preocupar mais ainda.

Primeiro, Gilmar protegeu Lulinha e agora pretende blindar Toffoli e Moraes

Lulinha, o fenômeno, acha preferível morar na Espanha

Carlos Newton

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, deve anunciar nesta segunda-feira seu voto sobre o pedido de libertação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Só ele sabe se será a favor ou contra, porque seu propósito é apenas marcar posição sobre anulações de inquéritos. O julgamento já tem três votos para manter o criminoso em penitenciária de segurança máxima, proferidos por André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. Portanto o placar final será de 3 a 1 ou 4 a 0, o voto do decano não muda nada.

Conforme já comentamos aqui na Tribuna da Internet, Gilmar Mendescestá empenhado em defender os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, embora os dois sejam juridicamente indefensáveis nas acusações respectivas de corrupção e tráfico de influência, entre outros crimes.

DEFESA DE TESE – Gilmar Mendes quer deixar bem claro que, em sua interpretação, a atual legislação permite que sejam anulados os inquéritos policiais sempre que ocorra vazamento de informações sigilosas ou íntimas.

Sua teoria é uma falácia, arquitetada habilmente para ajudar a livrar Dias Toffole e Alexandre de Moraes, deixando Daniel Vorcaro segurar sozinho a descarga. Se aplicada for aceita, não haverá mais prisão de investigados de elite, que tenham alto poder financeiro. É claro que os próprios investigados podem providenciar os vazamentos, com apoio da  corrupção existente na Justiça e na Polícia, e assim os inquéritos seriam anulados em série.

É claro que essa tese de Gilmar & Cia não pode prosperar. Embora o país esteja claramente funcionando sem respeito à harmonia dos Três Poderes, prevista pelo colossal Montesquieu, é preciso que haja limites para tudo, a esculhambação institucional não pode prevalecer.

SIGILO DE LULINHA – Gilmar Mendes não  sossega e não se intimida  ao atuar na defesa dos amigos de ocasião. Era grande admirador da Lava Jato, até seus amigos tucanos começarem a ser investigados. Depois, com o ocaso do PSDB, passou a ser amigo pessoal de Lula.

Na sexta-feira, pediu destaque no julgamento da decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu quebras de sigilo em bloco, aprovadas pela CPMI do INSS.

Entre os beneficiados por Gilmar Mendes está o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aquele filho fenômeno que cuidava de animais no zoológico e ficou rico de uma hora para a outra no primeiro governo do pai. É semelhante ao caso do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, que também tem um filho desempregado que vive exibindo nas redes sociais seu enriquecimento ilícito.

EM SUSPENSO – Com a decisão de Gilmar, o assunto fica em suspenso até o presidente Edson Fachin agendar uma sessão presencial dos dez ministros. Foi um alívio para a família Lula da Silva.

Enquanto o caso não é pautado, continua valendo a decisão liminar de Dino que suspendeu as quebras de sigilo aprovadas pela CPI do INSS.

Para culminar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vive às turras com o presidente Lula, não está aceitando prorrogar os trabalhos da CPI do INSS. Com essa omissão, o corruptíssimo Alcolumbre conseguirá inviabilizar a incriminação de Lulinha e outros fenômenos petistas e de outros partidos. Como todos sabem, o senador ajuda os amigos, mas cobra muito caro a reciprocidade.

###
P.S. –
Em meio a essas calhordices de sempre, em pleno ano eleitoral, permanece a sinistra e patética polarização entre lulistas e bolsonaristas, deixando o eleitor naquela obrigação de escolher o menos pior. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Em pânico, Brasília aguarda o anúncio da delação premiada de Vorcaro

Brasília entra em pânico com possível delação de Vorcaro Troca de advogado do dono do Banco Master após decisão do STF que manteve sua prisão aumenta expectativa de colaboração premiada

Charge reproduzida do site Brasil 247

Roberto Nascimento

A confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, por decisão por maioria da Segunda Turma do Supremo, com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques acompanhando o relator, ministro André Mendonça, repercutiu no meio político e causou uma apreensão a mais no intrigado tabuleiro político e judicial, deixando à beira de um ataque de nervos muitas autoridades dos três Poderes.

O causador dessa insuportável tensão é o banqueiro Daniel Vorcaro, do grupo Master, um operador financeiro especializado em fraudes bancárias, pirâmides e até no comando de milícias digitais e físicas, disposto a mandar moer e matar adversários.

VORCARO BALANÇA – O fato concreto é que Vorcaro não está aguentando o isolamento na prisão. Trocou de advogados e assim mandou recados ao Congresso e ao Judiciário sobre a possibilidade de delação premiada. Mas, o líder de uma organização premiada, no topo do crime, pode fazer delação?

A legislação em vigor – Lei de Organização Criminosa – diz que sim. A diferença é que, se a delação for de um subalterno contra o líder da quadrilha, o delator pode ficar isento de crime e sequer ser denunciado pelo Ministério Público na abertura do processo penal.

No caso de Vorcaro, não há essa moleza. Como ele é o chefe da organização criminosa, seus benefícios serão no máximo uma redução da pena. De toda maneira, será julgado e condenado, porém com menos rigor.

IBANEIS EM PÂNICO – O governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, governador de Brasília, levou o Banco Regional de Brasília (BRB) a torrar R$ 12 bilhões dos cofres públicos na peneira do Banco Master de Vorcaro.

Às vésperas de deixar o governo para se candidatar ao Senado, Ibaneis não vem conseguindo dormir, toma Rivotril direto e teme ser rejeitado pelo eleitor da capital, onde há fortes candidatos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O governador Cláudio Castro, que perdeu quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência no Banco Master, já não tem certeza da viabilidade de sua eleição ao Senado e pode ser cassado pelo TSE no julgamento marcado para o dia 25 deste mês.

MAIS PREJUÍZOS – O senador Davi Alcolumbre está metido no rombo de 400 milhões da AmPrev (Previdência do Amapá), cujo presidente, indicado por ele, torrou investindo no Banco Master. O presidente do Senado está uma fera com a Polícia Federal, que teima em investigar corretamente essa fraude bilionária.

Hugo Motta, Jaques Wagner, Ciro Nogueira, e muitos outros políticos, assim como magistrados de tribunais superiores e membros do governo, são muitas “autoridades” com algum negócio fora das quatro linhas republicanas, alguns até legais, mas todos imorais, e temem a delação de Daniel Vorcaro.

A cada dia, surge uma novidade extraída dos oito celulares de Vorcaro e de seu cunhado, o pastor Zettel, expulso da Igreja Lagoinha de Belo Horizonte. Quem podia, levou dinheiro do Banco Master em troca de algum pedido desse verdadeiro encantador de serpentes. Mas quem vai pagar esse rombo, que já passa de R$ 50 bilhões? Ora, somos todos nós, os contribuintes, é claro.

Pluralidade do STM torna imprevisível julgamento de oficiais da trama golpista

Gastos com ex-presidentes aumentam e as prisões não interrompem os benefícios

Planalto corre para abrir palanques em SP e MG após crescimento de Flávio Bolsonaro

Mimos de Vorcaro a Moraes e Toffoli não salvaram o Master da liquidação

CPI do Senado para investigar Moraes e Toffoli reúne assinaturas  necessárias #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Elio Gaspari
O Globo

O banqueiro Daniel Vorcaro tinha um gosto pelo espetáculo e um agudo sentido de oportunidade. Em setembro de 2023, quando ele começou a brilhar no mercado, torrou R$ 363 milhões com uma festa em Taormina, na Itália.

Em dezembro de 2023 Vorcaro lançou o nome do ministro Alexandre de Moraes em sua agenda. Meses depois o Master contratou a banca Barci de Moraes, da mulher e dos filhos do ministro. A essa época o Banco Central começava a prestar atenção nos números do Master.

FAROFA EM LONDRES – Em abril de 2024, Vorcaro copatrocinou uma farofa em Londres enfeitada, entre outros, por Moraes e Dias Toffoli. Num ágape lateral, bancou um “serviço de degustação Macallan no George Club” que lhe custou R$ 3,3 milhões.

Em setembro de 2024, a Polícia Federal passou a investigar o Master. Em novembro de 2024 Banco Central deu seis meses para que o Master acertasse suas contas.

Em dezembro, Vorcaro conseguiu que o ex-ministro Guido Mantega lhe abrisse a porta do gabinete de Lula. Não adiantou, em novembro de 2025, depois de vários ultimatos, o Banco Central liquidou o Master.

FONTE DA FORTUNA – Enquanto a revista Forbes colocava o brasileiro Eduardo Saverin no topo da lista de bilionários brasileiros, com US$ 35,9 bilhões, soube-se que Mark Zuckerberg está de olho numa casa de US$ 170 milhões.

Ela fica em Miami, tem nove suítes, 11 banheiros e quatro lavabos em cerca de 8.000 metros quadrados de terreno. A casa ainda está em obras. Em novembro passado, o dono da casa pedia US$ 200 milhões.

Em 2004 Saverin era um colega de turma de Zuckerberg em Harvard e acreditou na ideia de criar o Facebook. De lá para cá, os dois administraram seus patrimônios com rara competência. Desde 2009 ele vive em Singapura.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Resumo da ópera: Moraes e Toffoli venderam

Sob risco de cassação, Cláudio Castro recua e reavalia plano tentar o Senado

“Entre-Textos” tornou-se uma forma criativa de reunir poetas contemporâneos

RICARDO MANIERI – Brasil – Poesia dos Brasis – Rio Grande do Sul -  www.antoniomiranda.com.br

Livro reúne poetas de todo o país

Paulo Peres
Poemas & Canções

Bacharel em Letras e Direito, o poeta carioca Luiz Otávio Oliani teve a ideia de reunir diálogos com outros poetas brasileiros contemporâneos, divulgando-os nas redes sociais. Esses poemas foram inicialmente publicados no seu mural do Facebook e depois migraram para o livro impresso “Entre-textos”, lançado pela Editora Vidráguas, de Porto Alegre, em 2013, numa publicação de 41 diálogos, ou seja, para cada poesia Luiz Otávio responde com outro poema, num desafio chamado: o avesso do verso (reverso). De lá para pa, já foram lançados muitas outras versões do “Entre-textos”.

Veja abaixo como Luiz Otávio Oliani, através do poema “Busca”, responde à poesia “Desarticulação”, da ativista cultural e poeta carioca Neudemar Sant’Anna.

DESARTICULAÇÃO
Neudemar Sant’Anna

Deixei a porta aberta
Aberta demais
Apenas vi passar
a convivência

Nem percebi
o rancor
a maldade
o falso rastro

Ao tentar fechá-la
com lágrimas, lubrifico
as dobradiças
enferrujadas

Disfarço o ranger
da própria dor

BUSCA
Luiz Otávio Oliani

Nas frestas do mundo
fogos de artifício,
serpentinas,
palmas…

O que houve?
Felicidade à porta
e minha porta,
trancada

Operação da PF amplia ruído político entre Alcolumbre e governo Lula

Criticar e investigar autoridades virou grande risco nesta democracia à brasileira

PF intima presidente da associação de auditores da Receita a depor após críticas a medidas de Moraes - Estadão

Cabral, líder dos fiscais, não pode mais dar entrevistas

Fernando Schüler
Estadão

“São medidas para amedrontar”, disse Kleber Cabral, presidente da Unafisco (sindicato dos fiscais da Receita), e lascou: “É mais seguro investigar o PCC do que altas autoridades”. A crítica doeu em algum lugar de Brasília. Seu ponto era dizer que não era razoável sair colocando tornozeleira eletrônica em funcionários da Receita, naquela fase da investigação. Teria razão?

Quando li aquilo, me lembrei das denúncias de Eduardo Tagliaferro sobre irregularidades do ministro Alexandre de Moraes. Elas eram graves, nada foi investigado e o sujeito ainda virou réu. Rapidamente, um filme me passou pela cabeça. O comediante Bismark Fugazza, preso por meses, vida quebrada no meio, por um punhado de críticas e piadas a “autoridades”; o famoso tuíte do Prof. Marcos Cintra sobre algumas urnas. E logo a censura, a humilhação. E mais toda a bizarrice brasileira dos últimos anos.

DEPOIMENTO – O curioso é que Cabral terminou provando seu ponto. Foi ele mesmo parar na Polícia Federal, intimado pelo Supremo a dar “explicações” sobre sua crítica. Acabou por descobrir, como tantos brasileiros, que não é só investigar autoridades que se tornou perigoso. Mas que também uma crítica ao próprio abuso de poder pode ser, ela mesma, um risco danado.

No final, ele declarou que não iria mais dar entrevistas. Achei perfeito. O líder de uma entidade de classe de bico calado, por críticas ao Estado. Nossa democracia devidamente salva mais uma vez.

A verdade é que tudo isso é inadmissível. Se o presidente de uma entidade de classe como a Unafisco considera que exista um abuso de poder, ele não tem apenas o direito de expressar esta crítica. Ele tem o dever. E a sociedade tem o direito a esta informação. É assim que funciona uma grande democracia.

ABUSO DE PODER – Se uma atitude como esta fosse um ponto isolado, já seria grave. Mas não é. Ela é a repetição de um padrão de abuso de poder que o País vem assistindo desde 2019. Naquele ano, o STF criou o inquérito sobre fake news a partir de um artigo de seu regimento interno que simplesmente não lhe dava este direito.

De uma licença para investigar infrações cometidas na sede da Corte, produziu-se um tipo de alien jurídico. Uma expansão interpretativa que deu poderes ao relator Moraes para investigar e punir qualquer delito, discurso, crítica, “ataque” contra a instituição ou seus membros, em qualquer lugar do planeta, internet inteira incluída.

Por muitos anos, bastava usar a expressão “blogueiro bolsonarista”, ou alguma variação, para justificar qualquer coisa. A tudo assistimos passivamente, salivando no transe dos rancores políticos.

RADICALIZAÇÃO – O que se observa agora é uma migração. Do uso sistemático dos inquéritos contra o “bolsonarismo”, transita-se para o enquadramento de qualquer um que desafie sua própria engrenagem de poder.

Muita gente achava bacana quando nosso alien tropical funcionava contra um “lado” do jogo político. O ponto é que agora Moraes envelheceu. E aprendeu a agir, em primeiríssimo lugar, em defesa de si mesmo.

O poder é sedutor. O poder excepcionalíssimo, quase irresistível. Saber como lidar com esta engrenagem sem freios, não duvidem, é nosso grande desafio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo. Aos poucos, Alexandre de Moraes tenta restabelecer a censura no país, mas não vai conseguir. Nesta quinta-feira determinou busca e apreensão contra o jornalista Luiz Pablo Almeida, que denunciou a família do ministro Flávio Dino, que utiliza ilegalmente o carro blindado que o Tribunal do Maranhense colocou à disposição dele, e não de seus desembargadores. (C.N.)

A prisão de Vorcaro e a sombra de uma delação que leva pânico a Brasília

Bastidores de Brasília temem delação de Vorcaro

Pedro do Coutto

A decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, abriu um novo capítulo em um dos casos mais sensíveis do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. A determinação, tomada no âmbito da Corte após análise dos elementos reunidos pelas investigações, reforça o cerco judicial sobre o empresário e amplia, nos bastidores de Brasília, a expectativa de que ele possa recorrer ao instrumento da delação premiada.

Mais do que um movimento jurídico comum em investigações complexas, uma eventual colaboração de Vorcaro é vista por analistas e interlocutores do meio político como um fator capaz de produzir impactos relevantes, especialmente diante das suspeitas que envolvem a liquidação extrajudicial do banco e as conexões institucionais que gravitam em torno do caso.

EXPANSÃO ACELERADA – O Banco Master vinha, há alguns anos, apresentando uma expansão acelerada no mercado financeiro, com estratégias agressivas de captação e oferta de títulos com rentabilidades elevadas. O crescimento, porém, passou a ser questionado por órgãos de controle e autoridades regulatórias, que identificaram inconsistências contábeis e estruturas financeiras consideradas atípicas.

À medida que as investigações avançaram, surgiram suspeitas de operações que teriam sido utilizadas para mascarar passivos, ocultar prejuízos e sustentar artificialmente a imagem de solidez da instituição. O desdobramento desse processo levou à intervenção e posterior liquidação extrajudicial do banco, uma medida extrema aplicada quando há risco sistêmico ou impossibilidade de continuidade da instituição financeira.

Foi nesse contexto que as investigações passaram a apontar para um conjunto mais amplo de práticas que, segundo os investigadores, não se limitariam à gestão financeira do banco. Relatórios preliminares indicaram a existência de estruturas destinadas a influenciar decisões administrativas e regulatórias, além de tentativas de interferência no andamento das apurações.

Esses elementos pesaram na decisão judicial de manter Vorcaro preso preventivamente, sob o argumento de que a liberdade do empresário poderia representar risco para a coleta de provas e para o próprio andamento das investigações.

NOVOS CONTORNOS – O cenário ganhou novos contornos após uma mudança significativa na estratégia jurídica do banqueiro. Vorcaro decidiu trocar sua equipe de defesa, substituindo o escritório que o representava anteriormente. Nos meios jurídicos e políticos, a alteração foi interpretada como um possível indicativo de reavaliação das alternativas processuais disponíveis. Em casos de grande repercussão, mudanças desse tipo frequentemente antecedem a adoção de estratégias mais amplas de negociação com as autoridades investigativas, incluindo acordos de colaboração premiada.

A delação premiada, instrumento jurídico consolidado no Brasil especialmente após grandes operações anticorrupção da última década, permite que investigados forneçam informações relevantes em troca de benefícios penais. Em situações envolvendo estruturas financeiras complexas ou redes de influência institucional, esse tipo de colaboração costuma ter impacto significativo, pois pode revelar conexões e dinâmicas que dificilmente emergiriam apenas a partir de documentos ou provas materiais. É justamente esse potencial que explica a crescente inquietação nos bastidores do caso Master.

Fontes próximas às investigações avaliam que, caso Vorcaro opte por colaborar, as informações fornecidas poderiam esclarecer não apenas os mecanismos internos que levaram à crise da instituição, mas também eventuais relações políticas ou institucionais que teriam orbitado o processo de regulação, fiscalização e intervenção no banco. Em um ambiente como o sistema financeiro brasileiro — profundamente interligado com decisões regulatórias e políticas públicas — revelações desse tipo tendem a produzir efeitos que extrapolam o âmbito estritamente judicial.

DINÂMICAS DE INFLUÊNCIA – Por isso, o caso deixou de ser visto apenas como um episódio de crise bancária. Aos poucos, ele passou a ser interpretado por observadores do cenário político e econômico como um possível ponto de interseção entre finanças, poder institucional e disputas políticas. A eventual delação de Vorcaro, nesse contexto, poderia lançar luz sobre áreas ainda pouco esclarecidas do processo que culminou na liquidação extrajudicial do banco, além de expor dinâmicas de influência que frequentemente permanecem invisíveis ao debate público.

Enquanto isso, o processo segue avançando nos tribunais e nas instâncias investigativas. A manutenção da prisão pelo Supremo sinaliza que o caso continua sendo tratado com alto grau de gravidade pelas autoridades judiciais. Ao mesmo tempo, o ambiente de incerteza permanece elevado, sobretudo porque decisões estratégicas da defesa — como a possibilidade de um acordo de colaboração — podem redefinir rapidamente o rumo das investigações.

Se isso ocorrer, o episódio que começou como uma crise bancária poderá ganhar contornos ainda mais amplos, projetando suas repercussões para além do mercado financeiro e alcançando o coração da política nacional. Em um país onde escândalos financeiros frequentemente se entrelaçam com disputas de poder, a história de Daniel Vorcaro e do Banco Master ainda parece longe de seu capítulo final.

Direita domina o tabuleiro político fluminense e pressiona Lula rumo a 2026

O retorno da geopolítica do petróleo na era dos motores elétricos

Vorcaro troca de advogado e assusta os três Poderes ao sinalizar a delação

Defender a esquerda tem muito mais charme' para ter apoio público, diz  advogado de Braga Netto - Estadão

Oliveira Lima conduziu a delação que pôs Lula na cadeia

Carlos Newton

Não se fala em outra coisa neste domingo em Brasília. Explodiu como uma bomba a notícia de que o banqueiro Daniel Vorcaro havia trocado de advogado, passando a ser defendido por um especialista em delação premiada, José Luís de Oliveira Lima.

Foi eleito duas vezes entre os cem brasileiros mais influentes pela revista Época e, conforme o site do escritório do qual é sócio, Oliveira Lima & Dall’Acqua Advogados, é considerado um “dos quinze mais importantes advogados do Brasil”. Com 30 anos de experiência, Oliveira Lima já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato, que foi usada para condenar Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro.

PODE DELATAR? – No meio da confusão instaurada pelo escândalo do caso do Banco Master, têm sido divulgadas algumas informações distorcidas, supostamente baseadas em lei, mas que na verdade não têm nada a ver com a situação dos investigados. Uma dela é a notícia de que Vorcaro não poderia fazer delação premiada, por ser o líder da organização criminosa.

A delação premiada está hoje regulamentada pela Lei 12.850, de 2013, que ficou conhecida como Lei de Organização Criminosa, e essa hipótese de haver colaboração de investigado, réu ou condenado foi nela incluída pela Lei 13.964, de 2019.

No caso do banqueiro Daniel Vorcaro, ele pode e deve fazer delação premiada, porque será a única forma de reduzir as longas penas de prisão que lhe serão aplicadas.

CHEFE DA QUADRILHA – A lei permite que o líder da organização criminosa colabore com as investigações, porém terá de ser julgado e condenado, sendo beneficiado pela delação apenas com a redução da pena, como aconteceu com o então presidente da OAS.

Com acúmulo de provas que estão sendo encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, o responsável pelo Banco Master não tem a menor chance de responder às acusações que estão sendo preparadas pela força-tarefa do ministro-relator André Mendonça.

As maiores preocupações são com a segurança do investigado. Por isso, o próprio ministro Mendonça tomou o cuidado de transferi-lo para um presídio de segurança máxima, onde não haverá risco de ser suicidado, digamos assim, a exemplo do que aconteceu com seu capanga Luiz Philippi Mourão, o “Sicário”.

###
P.S.
– Como se dizia antigamente, perguntar não ofende. Quando é que a Polícia Federal pretende exibir as imagens de Luiz Mourão na cela onde teria “praticado” suicídio? Primeiro, usando uma camiseta, que depois foi trocada por uma camisa social… Essa suspeita permanecerá em aberto para sempre? O que impede a exibição das imagens? O povo quer saber. (C.N.)

Blindagem entre ministros aprofunda cada vez mais o desgaste do STF

Ministros reivindicam análise individualizada de condutas

Dora Kramer
Folha

Há ministros do Supremo Tribunal Federal profundamente desconfortáveis, diria até muito irritados e sentindo-se injustiçados com a tomada das partes pelo todo na descrição que tem sido feita do dano de imagem que atinge a corte.

Alegam a necessidade de que se faça a distinção entre condutas e reivindicam a aplicação do critério da existência de 11 (no presente, 10) supremos, ilhas de atuação independente, no lugar de se olhar o tribunal sob prisma único e com isso se desqualificar a instituição.

JOIO E TRIGO  – Uma reivindicação, em tese, justa. Em todas as áreas há o joio e há o trigo, mas para que os maus não contaminem a reputação dos bons é preciso que estes se diferenciem daqueles de modo explícito. Não é o que tem acontecido no STF.

A crise de reputação é enfrentada de maneira reativa. Fala mais alto o espírito de corpo, a proteção dos pares como se isso garantisse — quando de fato prejudica— a correta defesa do conjunto. Há vários exemplos, mas fiquemos em dois dos mais recentes: a proposta de criação do código de ética e as ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli ao liquidado Banco Master.

SILÊNCIO – O primeiro caso, soubemos que Edson Fachin e Cármen Lúcia eram favoráveis; Moraes e Gilmar Mendes, contrários. E os demais? Deles não se ouviu palavra e, pelo silêncio que tomou conta do tema, depreende-se que o tribunal tenha preferido não cuidar de regras de conduta. Conta a ser paga pelo colegiado.

No segundo, vemos um misto de omissão e blindagem diante das desconfianças que recaem sobre os ministros Moraes e Toffoli. Ambos continuam achando-se no direito de não dar explicações, contando com a complacência dos colegas que não veem motivos para suspeições. Ali não se impõe reparo nem a truques processuais claramente questionáveis.

Não se espera que os ministros saiam denunciando uns aos outros, mas se consideram correto continuar dando respaldo a determinadas condutas sem ao menos sinalizar um alto lá, não podem reclamar por compartilharem o prejuízo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O Supremo está mais dividido do que as correntes da Psicanálise. Tem a ala do Master,  formada por
Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, com apoio de Gilmar Mendes, existe a ala do Lula, integrada por Edson Fachin, Cristiano Zanin e Flávio Dino, aos quais Gilmar às vezes se integra; há também a ala de Bolsonaro, com André Mendonça e Nunes Marques; e existem dois ministros que não são de nenhuma ala e evoluem na avenida ao sabor dos acontecimentos — Luiz Fux e Cármen Lúcia. O único fator que os une é o maldito corporativismo.
(C.N.)

 

Avanço de Flávio nas pesquisas leva PT a antecipar guerra digital para 2026

Campanha deve explorar rachadinhas e relações de Flávio

Luísa Marzullo
O Globo

O PT decidiu antecipar a ofensiva digital contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de pesquisa Datafolha que mostrou o bolsonarista tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento aponta Lula com 46% das intenções de voto, contra 43% de Flávio, uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em dezembro, a vantagem do petista era bem mais confortável: 51% a 36%.

O resultado acendeu um sinal de alerta no governo. Interlocutores do Planalto avaliam que o desempenho do senador reflete um momento de desgaste político da gestão petista, em meio à repercussão de investigações que atingem o entorno do presidente. Entre os episódios citados está a ofensiva da CPMI do INSS, que levou à quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a medida.

CONFRONTO – Diante do novo cenário, dirigentes petistas passaram a defender a antecipação da estratégia de confronto com o senador. A ideia inicial da campanha era intensificar os ataques apenas após a janela partidária, quando o cenário eleitoral estaria mais definido. A repercussão da pesquisa, porém, levou integrantes da direção e da comunicação do partido a defender uma reação imediata.

O pontapé inicial da ofensiva foi dado nesta semana pelo secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, que gravou um vídeo divulgado nas redes sociais. No material, aparecem imagens de Flávio Bolsonaro, e o dirigente tenta relativizar o impacto das pesquisas.

“Só sair pesquisa eleitoral e as torcidas do Brasil reagem. Quem está na frente comemora, quem está atrás se desespera. Mas pesquisa é foto de momento. Não é razão nem para alegria, nem para agonia”, afirma Valadares no vídeo.

ASSOCIAÇÃO – A gravação também menciona diretamente o senador e tenta associá-lo a acusações recorrentes contra o bolsonarismo. “Agora, ao ter Flávio, o filho que quer ser candidato, acusado de corrupção e envolvimento com milícia, vamos lembrar o que disse Bolsonaro”, diz o dirigente, antes de reproduzir um trecho de declaração do ex-presidente sobre interferência na segurança no Rio.

Nos bastidores, a estratégia petista foi organizada em alguns eixos. Um deles busca explorar as relações políticas da família Bolsonaro no Rio de Janeiro e episódios que integrantes do partido tratam como “contradições do discurso anticorrupção” do bolsonarismo.

Entre os temas que devem aparecer nas peças digitais está o esquema das rachadinhas investigado no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O caso envolve suspeitas de que assessores repassavam parte dos salários ao então deputado estadual, prática conhecida como rachadinha.

MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS – À época, as investigações apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas do ex-assessor Fabrício Queiroz, que operava as transações e chegou a ser preso em 2020. Relatórios do Coaf indicaram depósitos e saques de valores elevados em suas contas, além de transferências para pessoas do entorno da família Bolsonaro.

Também devem ser retomados episódios como os depósitos feitos por Queiroz na conta da então primeira-dama Michelle Bolsonaro e a evolução patrimonial da família ao longo dos anos. Outro ponto que deve aparecer no material preparado pela comunicação do partido envolve as operações imobiliárias da família Bolsonaro, incluindo levantamentos sobre a compra de imóveis com pagamento em dinheiro vivo.

RELAÇÕES PERIGOSAS – A estratégia digital também prevê tentar relacionar o senador e a família Bolsonaro a aliados políticos no Rio de Janeiro. Um dos exemplos citados por integrantes do partido é o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), que foi preso no ano passado em operação policial e está afastado do comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A ideia da legenda é explorar essas relações para sustentar a narrativa de proximidade do grupo político com personagens envolvidos em investigações. A intenção é reorganizar esses episódios em vídeos curtos e peças para redes sociais que confrontem o discurso anticorrupção adotado pelo bolsonarismo em 2018 com a trajetória política da família.

BOLSONARISMO MODERADO –  A ofensiva também mira a tentativa do senador de se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo. Integrantes da comunicação do PT pretendem resgatar declarações e votações de Flávio no Senado, além de posicionamentos durante o governo de Jair Bolsonaro, para sustentar a narrativa de que ele participou da condução política do governo e representa continuidade direta do projeto do pai.

Entre os episódios que devem ser explorados estão a atuação do senador na defesa pública do governo durante a CPI da Covid, críticas recorrentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a ministros da Corte, além de manifestações de apoio a pautas centrais do bolsonarismo, como a flexibilização do acesso a armas, críticas ao sistema eleitoral e a defesa de aliados do ex-presidente investigados em diferentes inquéritos.

Além da disputa nas redes, a estratégia inclui o Congresso como palco político. Petistas falam em usar CPIs em vigência, como as do INSS e do Crime Organizado, para apresentar requerimentos de informação e fazer discursos em plenário que levantem temas ligados ao entorno político e financeiro da família Bolsonaro, criando fatos políticos que depois possam ser amplificados no debate digital.

“MATERIAL NOVO” – Nas conversas internas aparece ainda um eixo tratado como possível “material novo” para a disputa. Dirigentes mencionam a tentativa de obter denúncias ou fatos novos contra o senador.

Parte dessa linha já começa a aparecer em declarações públicas de integrantes do partido. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) tem tentado vincular o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo.

“Queremos que esta investigação sobre o BolsoMaster seja levada às últimas consequências, porque o Brasil precisa conhecer o subterrâneo desse banqueiro que era dono de um banco pequeno e que se tornou bilionário a partir de decisões que foram adotadas dentro do governo Bolsonaro. O escândalo do Banco Master é filho legítimo de Jair Messias Bolsonaro e de seu governo”, afirmou.

ATAQUES –  Do lado do senador, a avaliação é que a ofensiva do PT confirma que o partido passou a tratar sua eventual candidatura como uma ameaça real na disputa de 2026. Interlocutores envolvidos na estratégia de Flávio afirmam que a campanha trabalhava com a hipótese de ataques mais intensos apenas após a janela partidária, quando o cenário eleitoral estaria mais consolidado.

Aliados do parlamentar dizem que o grupo já esperava investidas relacionadas a episódios como o caso das rachadinhas ou a supostas ligações com milicianos e afirmam que a campanha tem respostas preparadas para esse tipo de ataque. Em contrapartida, pretendem reagir explorando episódios associados ao PT, como a Operação Lava-Jato, período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser preso, além do escândalo do Mensalão e de investigações mais recentes que atingem o entorno do governo, como as fraudes no INSS investigadas pela CPMI, que chegaram ao Lulinha, filho do presidente.

Reservadamente, integrantes da pré-campanha avaliam que a antecipação da ofensiva reforça a leitura de que o senador passou a ser visto pelo PT como um adversário competitivo na disputa presidencial.