‘Fiel da balança’: rejeição à política na igreja contrasta com influência de líderes sobre o voto

A nova disputa pelo voto passa pelas igrejas

Bernardo Mello
Kaio Magalhães
O Globo

Depois de passar metade da vida frequentando a mesma Assembleia de Deus em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, a psicanalista Alessandra Silva, de 40 anos, sentiu necessidade de mudar de igreja nas eleições de 2022. Ela diz que o estopim, à época, foi o incômodo com a forma como seu pastor orientava voto “no candidato que ele já tinha escolhido”, apresentado por ele como “representante da pátria e da família” e “contra o homossexualismo (sic)”.

O relato de Alessandra vai ao encontro de dados captados na pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, feita pelo Instituto de Estudos da Religião (ser) com a Quaest. Os dados começam a ser divulgados neste domingo pelo O Globo, no primeiro capítulo da série de reportagens “Fiel da balança”, que vai abordar as mudanças religiosas no país e seus impactos nas eleições e nos hábitos dos brasileiros.

CONTRA O DEBATE – O levantamento, com 15 mil entrevistas presenciais ao redor do país, aponta que oito em cada dez pessoas são contrárias a discutir política em espaços religiosos. Além disso, nove a cada dez brasileiros não querem que sua liderança religiosa permita a presença de candidatos na igreja — esses percentuais são similares entre católicos, evangélicos e outras religiosidades.

Mesmo com essa rejeição, a pesquisa também mostra em que medida os líderes, em especial pastores, tentam influenciar os votos dos fiéis. Questionados sobre o papel da liderança religiosa da comunidade que frequentavam na eleição de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter sido orientados por ela a votar no então presidente Jair Bolsonaro (PL), e 5% em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

ÍNDICE – No caso dos evangélicos, o índice dos que foram orientados a votar em Bolsonaro chega a 20% entre os protestantes, como batistas e presbiterianos. Entre os pentecostais, grupo que inclui denominações como as Assembleias de Deus — igreja de Alessandra —, a Universal e a Quadrangular, 23% afirmam ter recebido de seu pastor a indicação de optar por Bolsonaro.

— O que aquele pastor dizia sobre o candidato não era manifestação espiritual, e sim a preferência pessoal dele — diz Alessandra, que hoje frequenta outra Assembleia de Deus. — Não quero que ninguém venha me dizer o que eu tenho que fazer. Quem convence o homem é o Espírito Santo, em qualquer área da sua vida. Isso inclui também a política.

MARCADOR SOCIAL – Para a antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa Religião e Vida Pública e do Iser, os dados mostram que a religião é um entre vários marcadores sociais que podem influenciar o comportamento eleitoral. Apesar do apoio maciço de pastores das maiores igrejas a Bolsonaro em 2022, a pesquisa mostra que na região Nordeste, por exemplo, onde o PT vem tendo seus melhores desempenhos, Lula conseguiu 35% do apoio entre evangélicos, quase o mesmo desempenho que o de seu adversário (38%) no segundo turno neste grupo.

O levantamento também traz nuances entre as igrejas. No caso de fiéis da Universal, 27% afirmam que o pastor recomendou voto em Bolsonaro, e 12% em Lula, percentuais acima da média em ambos os casos. Além disso, no caso da Universal, 26% dos fiéis disseram concordar que o pastor indique em quem votar, o dobro da média geral da pesquisa.

CORRELAÇÃO DE FORÇAS – Na avaliação de Lívia Reis, os dados mostram que não há um “voto evangélico” homogêneo, mas sim uma correlação de forças nas igrejas.

— Não se trata de o pastor mandar e o fiel obedecer. Na pesquisa, os evangélicos aparecem mais engajados religiosamente do que outros grupos, e a igreja é uma rede de confiança. É nesse sentido que uma liderança pode acabar influenciando o voto, por exemplo, a partir das informações que circulam no grupo de WhatsApp dessa comunidade. Mas também há o inverso, pessoas que deixam a igreja reclamando da insistência do pastor de indicar voto — diz a pesquisadora.

Na atual corrida ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) vem tentando repetir a estratégia do pai em 2022 e busca o apoio de lideranças evangélicas — que têm hesitado, porém, em declarar voto de forma explícita. Em pronunciamentos, Flávio tem prometido indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam “contra o aborto e contra as drogas”, fazendo eco a discursos dessas lideranças. O presidente Lula, por sua vez, critica o que chama de “uso político da religião” e diz que não montará “comitê de campanha” em igrejas por “respeito à fé das pessoas”.

DESCONFORTO – Por experiência própria, Gustavo Catarino, de 50 anos, sabe que há um certo “desconforto dos membros” quando pastores “sugerem a igreja se vinculando” a um candidato. Atualmente trabalhando como supervisor em uma empresa de energia e membro de uma igreja Assembleia de Deus, Catarino já foi pastor da Igreja Nova Vida, no Rio.

Em época de eleição, Catarino diz já ter recebido candidatos a vereador na igreja em que era pastor, mas tomando certos cuidados, como o de não lhes franquear a palavra durante o culto. A liderança religiosa, argumenta Catarino, não deve agir como se a política não fizesse parte da vida dos fiéis, mas sim orientá-los a “não trocar seus votos por saco de cimento”.

— Eles sofriam assédio de políticos, e eu dizia que é preciso votar consciente. Já vi colegas pastores colocando a direita como salvadora, que iria resgatar a moralidade. Quando os altares começam a se tornar verdadeiros falantes políticos, não sou a favor. No meu caso, os candidatos participavam do culto, mas sem oportunidade de fala. Depois fazíamos uma oração — lembra.

NARRATIVA – Já a cuidadora de animais Renata Nascimento, de 47 anos, diz ter testemunhado outra faceta do discurso político em igrejas: o uso da narrativa religiosa para atacar adversários. Evangélica desde os 20 anos e hoje frequentando uma igreja batista em Realengo, na Zona Oeste do Rio, ela conta que o pastor de outra igreja da qual fez parte buscava demonizar candidatos de esquerda.

— Ele disse, com todas as letras, que quem votasse no Lula era do capeta. Para mim, aquilo foi o fim da picada — critica.

O antropólogo Flávio Conrado, diretor da Casa Galileia e coautor do relatório “Narrativas evangélicas e contexto eleitoral” junto ao Instituto Democracia em Xeque, avalia que lideranças mais radicalizadas podem estar menos vocais no púlpito, mas seguem usando as redes sociais e outros espaços para “circunscrever o voto religioso à direita”.

PROTAGONISMO – Ele aponta ainda que pastores das principais igrejas têm posicionado o ministro do STF André Mendonça, que é presbiteriano e foi indicado à Corte por Bolsonaro, como personagem de uma “luta do bem contra o mal” envolvendo o colega Alexandre de Moraes, com impactos eleitorais.

— A ideia transmitida é que Mendonça está numa batalha espiritual contra um “sistema corrompido”, que certas lideranças associam à ocupação do Executivo e do STF pela esquerda — avalia Conrado.

Segundo o levantamento realizado pelo Iser e pela Quaest, apenas uma minoria — um a cada cinco entrevistados — participa de grupos ou comunidades religiosas nas redes sociais. Entre os participantes, porém, há a percepção de atividade política nesses espaços: 48% veem “sempre” ou “frequentemente” outros participantes compartilhando conteúdos de política nesses grupos no Facebook, e 34% veem o mesmo no WhatsApp.

MAIS ACESSO –  Católicos praticantes, pentecostais e protestantes tendem a relatar mais acesso a esse tipo de conteúdo nos grupos de que participam, em comparação a católicos não praticantes e evangélicos sem igreja.

Para pesquisadores, os dados sugerem que a tentativa de influência política a partir do discurso religioso vai além, hoje em dia, do que é dito de forma explícita dentro da igreja. Em discursos na Avenida Paulista, em São Paulo, no feriado de 7 de Setembro, que depois se tornaram cortes em suas redes sociais, nomes como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e a bispa Sonia Hernandes, da Igreja Renascer, pediram orações a Mendonça e associaram sua atuação no caso Master a uma oportunidade para, nas eleições, “derrotar homens injustos” e não permitir que as “trevas ocupem nenhum cargo” no país.

“FORÇA MENDONÇA” – Presente ao mesmo ato, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), distribuiu camisetas com a frase “Força, Mendonça” que, segundo relatou ao portal Metrópoles, foram entregues a ele por grupos ligados à Igreja Católica.

— Talvez estejamos vendo uma aproximação de práticas entre cristãos conservadores, sejam católicos ou evangélicos — diz a pesquisadora Brenda Carranza, professora de Antropologia da Religião da Unicamp. — A campanha eleitoral passa cada vez mais pelos influenciadores cristãos em redes sociais. E os líderes de igrejas passam a trabalhar mais com a defesa de determinados valores, que sejam verbalizados por políticos, do que se restringir a candidatos da própria igreja.

Prazo para Mendonça responder a Moraes termina, e Fachin avalia próximos passos

É melhor eleger um Lula velho e cansado ou um jovem rachadista como Flávio?

Vai, Pix! Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (6).  #meio #newsletter #charge #flaviobolsonaro #lula

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O bom moço Flávio Bolsonaro, candidato rachadista, se gaba na propaganda eleitoral: “Todo mundo conhece meu pai, né?”.  Claro, quem vai esquecer da nefasta e pegajosa figura. Nem as pedras das ruas. Jair Bolsonaro, é claro, sabia que o filho era amigão do banqueiro fraudador Vorcaro, de quem recebeu 140 milhões de reais para aquele filme de terror que ficou de ser lançado, mas sumiu.

O pai é aquele golpista, condenado e preso, que debochou da pandemia e das vacinas contra a Covid. Bolsonaro, o ex-presidente, gostava de xingar os repórteres diante dos fãs, no cercadinho da portaria do Palácio da Alvorada.

URNA FRAUDULENTA – O pai do candidato é aquele Bolsonaro que não admitiu a derrota, acusando as urnas de fraudulentas. É também o mesmo Bolsonaro que em carta melosa e piegas pediu ao filho que resgatasse o Brasil.

Ora, a nação se livrou de Jair Bolsonaro. E não precisa de outro Bolsonaro para presidir o Brasil. Seria oceânico castigo. Entre um idoso Lula, experiente e trabalhador, mesmo com muitos defeitos, e um jovem incapaz, prepotente  e falastrão, cheio de acusações e suspeitas que não consegue refutar, como Flávio Bolsonaro, prefiro ficar com o idoso.

Quando a Casa Branca decide quais são os jornalistas que podem cobrir o presidente

BTG/Nexus: Lula recua, Flávio mantém 37%, e disputa fica empatada na margem de erro

Petista marca 40% e rival do PL registra 37% no primeiro turno

Marina Costa
Folha

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem tecnicamente empatados no primeiro turno e no segundo turno, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (21). O petista tem 40% das intenções de voto, contra 37% do rival. O cenário é de estabilidade em relação à semana passada, quando o placar estava em 42% a 37%.

O escritor Augusto Cury (Avante) é o terceiro colocado na simulação de primeiro turno, com 6% das intenções, o mesmo percentual da última pesquisa. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, manteve 5%. Renan Santos (Missão) oscilou um ponto percentual para cima e registra 3%. Assim como na semana passada, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) marcaram 1% cada.

SEM PONTUAÇÃO – Os demais presidenciáveis —Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata)— não pontuaram. Brancos e nulos são 4%, e 2% não souberam dizer ou não responderam.

Leonardo Avalanche, candidato anunciado pelo PRTB na última terça-feira (15) para substituir o influenciador Pablo Marçal, cuja candidatura foi negada por unanimidade pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não aparece no levantamento.

Foram entrevistados por telefone 2.006 eleitores com 16 anos ou mais de todo o país entre sexta-feira (18) e domingo (20). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-00485/2026.

EMPATE TÉCNICO – Lula e Flávio têm 46% e 45%, respectivamente, no segundo turno. Assim, mantêm o empate técnico constatado no levantamento anterior, no qual o atual mandatário tinha 47% e o filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, 46%.

O petista e o candidato do PL oscilam poucos pontos percentuais, marcando sempre entre 45% e 47%, nas últimas cinco rodadas da pesquisa, desde o dia 24 de agosto. Lula e Caiado têm o mesmo índice, 45%, em simulação de segundo turno. O petista lidera nos cenários contra Renan Santos (47% a 39%) e Zema (47% a 41%). O presidente aparece tecnicamente empatado em um eventual enfrentamento contra Cury —eles têm, respectivamente, 44% e 43%, ante 45% e 42% na semana passada.

Centrão muda de cálculo e já discute apoio a Flávio contra Lula no segundo turno

Moraes e a mulher não sabem se defender e necessitam de um advogado de verdade

Explicações de mulher de Moraes não convencem advocacia, é hora de o  ministro falar - Estadão

Cobiça e ganância destruíram o futuro de Moraes e Viviane

Carlos Newton

Não foi surpresa para ninguém a notícia de que o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, admitiu que o magistrado acompanhou sua dedicada esposa em voos realizados pela empresa de táxi aéreo Prime Aviation, quando ainda pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro.

É claro que o escritório da doutora Barci e dos filhos teria de dar alguma resposta, depois da publicação da foto do casal desembarcando no Aeroporto do Galeão. Isso não surpreendeu a ninguém. O que causa espanto é o primarismo da narrativa, que agrava de forma absoluta as acusações contra o antes respeitado casal, que era o mais importante de Brasília, a ponto de oferecer jantar aos presidentes da República, da Câmara e do Senado, como ocorreu em agosto.

DESCULPA IMBECIL – Em nota, o escritório informou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, incluindo a Prime Aviation, da qual Vorcaro foi sócio. É uma desculpa imbecil, porque desmente o que informa o gabinete de Moraes no Supremo, como também desmoraliza o próprio contrato redigido pelo ministro para que a mulher faturasse R$ 131,2 milhões às custas do banqueiro Daniel Vorcaro.

Em abril o gabinete do STF afirmou, em nota oficial: “O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.

Bem, já sabia que isso era uma tremenda mentira, devido aos registros dos aeroportos que a imprensa divulgou. Mas agora, cinco meses depois, quem desmente o marido é a mulher de Moraes. “Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes”, disse.

CRITÉRIOS OPERACIONAIS – A nota, ao alegar que o jatinho foi “alugado” pelo escritório, afirma ainda que a contratação de serviços de táxi aéreo não implica vínculo pessoal com os proprietários dos jatos e segue critérios operacionais. “A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation.”

Essa desculpa do “casal fenômeno” da advocacia brasileira, cujos honorários são de invejar as bancas de Wall Street, indica claramente que Moraes e Viviane, apesar de vitoriosos e milionários na profissão, não conseguem sequer se defender e deveriam contratar, com a máxima urgência, um advogado de verdade.

A nota de “aluguel” do jatinho é desmentida pelo próprio contrato que Moraes redigiu, pois uma das cláusulas afirma que todos os deslocamentos do escritório Barci de Moraes, inclusive aéreos, seriam pagos pelo Banco Master, que custearia todas as despesas, até mesmo a de fotocópias. Como se vê, Moraes é tremendamente pão-duro e sovina, só faltou exigir que Vorcaro pagasse o cafezinho no escritório da doutora Barci…

###
P.S. 1
– Portanto, o casal 20 da advocacia brasileira simplesmente não sabe se defender. Bastaria ter alegado que o Banco Master tinha obrigação de bancar as viagens a serviço da dra. Barci. Mas os dois simplesmente se esqueceram desse importante item do contrato.

P.S. 2 –  É certo que o casal Alexandre e Barci está vivendo seus piores momentos, com brigas diárias, cada um culpando o outro. É algo surrealista, porque a derrocada ocorre justamente quando eles estavam vivendo o melhor momento de suas vidas, com Moraes reinando no Supremo e Barci tocando o escritório de advocacia mais lucrativo do mundo, com poucos advogados, poucos clientes, poucos processos, porém com rentabilidade absolutamente recorde..

P.S. 3 – Agora, o sonho acabou e o futuro do casal não vale uma nota de três dólares. Nessa situação, Moraes e Barci precisam não somente contratar um advogado de verdade, como também uma clínica que possa acalmá-los e refrescar suas memórias, para lembrarem os contratos que assinam. (C.N.)

Eleições de 2026 têm mais de 6 mil candidatos com patrimônio milionário

Única mulher negra candidata ao Planalto propõe dobrar o salário mínimo

TSE aceita ação de Flávio contra Lula e Alckmin por suposto abuso no desfile de carnaval

Candidato alega abuso de poder político e econômico

Hadass Leventhal
G1

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu aceitar uma ação de investigação judicial eleitoral contra o presidente Lula (PT) e seu vice Geraldo Alckmin (PSB), candidatos à reeleição, por suposto abuso de poder político e econômico cometido durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em fevereiro deste ano, no carnaval do Rio. O desfile teve a história de Lula como enredo.

A ação foi admitida pelo corregedor-eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, na sexta-feira (18). A petição, apresentada pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) e seu vice Alfredo Gaspar, também cita a primeira-dama Janja Lula da Silva, o candidato a deputado federal pelo PT Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, como investigados. Pela decisão do ministro, eles têm até cinco dias para apresentar defesa.

REQUISITOS – Admitir a ação de investigação não é analisar o mérito, ou o assunto do caso. Aceitar o processo significa que o corregedor-eleitoral entendeu que os fatos apresentados se encaixam nos requisitos de admissibilidade. Alguns aspectos levados em consideração são: quem propôs a ação, se há a indicação de provas e se os fatos narrados poderiam, em tese, configurar abuso de poder econômico ou político.

Para Márcio Nogueira, presidente da OAB de Rondônia e especialista em Direito Eleitoral e Digital, este tipo de processo é um dos instrumentos “mais severos de responsabilização na Justiça Eleitoral”. O especialista lembra que, se julgada procedente, a ação de investigação judicial eleitoral pode levar à cassação do registro ou do diploma do candidato beneficiado e à inelegibilidade por oito anos de quem tenha praticado ou contribuído para o abuso.

Nogueira explica que a ação de investigação judicial eleitoral é utilizada para apurar abuso de poder econômico, abuso de poder político ou de autoridade e uso indevido dos meios de comunicação que, pela gravidade, comprometam a normalidade e a legitimidade da eleição. Investigações desta natureza estão contempladas no artigo 22 da Lei Complementar 64 de 1990.

ABUSO DE PODER –  Uma ação de investigação judicial não é a mesma coisa que uma representação eleitoral, classe de processo que o TSE tem recebido aos montes. “AIJE é voltada à apuração de abuso de poder, exigindo a demonstração da gravidade da conduta e podendo resultar em cassação e inelegibilidade”, afirma o presidente da OAB de Rondônia.

“Já as representações eleitorais são utilizadas para apurar infrações específicas previstas na legislação eleitoral, como propaganda irregular ou determinadas condutas vedadas, e as consequências dependem de cada infração, podendo envolver, por exemplo, multa ou cassação.”

ARGUMENTOS –  Na petição, os candidatos argumentam que o abuso de poder econômico ocorreu porque, segundo eles, os municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, o estado do Rio de Janeiro e a Embratur teriam destinado R$ 9,6 milhões à escola de samba. Ainda de acordo com eles, os repasses teriam ocorrido depois do anúncio do enredo, em julho de 2025. Além disso, haveria receitas privadas ainda não esclarecidas, possivelmente de empresas com contratos públicos e sem histórico de patrocinar escolas de samba.

Flávio e Alfredo Gaspar também afirmam que houve uso indevido dos meios de comunicação social. Sustentam que o desfile foi transmitido em rede nacional de televisão aberta por cerca de 79 minutos, e que a gravação continuou disponível em plataformas digitais. Segundo os candidatos, esta exposição teria escapado ao regime jurídico da propaganda eleitoral.

PRODUÇÃO DE PROVAS – No documento, pedem a produção de provas de diversos órgãos e entidades públicas e particulares, além de depoimentos de Janja, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves. Solicitam também que, se reconhecido o abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação, que Lula e Alckmin sejam cassados e declarados inelegíveis nos oito anos seguintes.

O G1 entrou em contato com a assessoria de campanha do PT para perguntar se gostariam de se manifestar sobre o caso, mas não obteve resposta. O texto será atualizado se alguma nota for enviada.

Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições e cita escalada de pressão

Pressão de Trump sobre Brasil acende alerta

Luísa Marzullo
O Globo

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório no qual aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano e identifica uma escalada da pressão americana sobre o Brasil. O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo O Globo.

No documento, a Abin aponta um “nível de criticidade” em relação à possibilidade de interferência externa e afirma haver uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. A avaliação é de que houve uma intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao país nos últimos meses.

ESTRATÉGIA DE TRUMP – A agência relaciona esse movimento à estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina. Segundo o relatório, os Estados Unidos buscam reduzir a influência de potências rivais na região, sobretudo da China, e impedir o acesso desses países a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura. A Abin também aponta uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo norte-americano.

O relatório cita ainda as sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas e avalia que as medidas representam uma mudança de fase na pressão americana sobre o país. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também é citado no documento, que atribui à sua atuação um componente ideológico e o objetivo de influenciar a política externa dos países da região.

SEM SINAIS CONCRETOS –  No TSE, porém, a avaliação até o momento é de que não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral, segundo integrantes da Corte ouvidos reservadamente pelo O Globo. A leitura é que o alerta feito pela Abin deve ser acompanhado pelo tribunal, mas que, até agora, esse risco não se traduziu em episódios de interferência percebidos no andamento das eleições.

A Abin participa de dois grupos de trabalho no TSE e mantém interlocução com a Corte durante o período eleitoral. A presença da agência nesses colegiados faz parte da estrutura de acompanhamento do pleito e permite o compartilhamento de informações relacionadas a eventuais ameaças ao processo eleitoral.

Pedido de vista no TSE trava maioria que liberava imagem de Bolsonaro em santinhos

TSE interrompe julgamento sobre imagem de Bolsonaro

Rafael Moraes Moura
O Globo

 Uma manobra do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), travou nesta sexta-feira (18) a conclusão de um julgamento que poderia liberar o uso da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em santinhos de candidatos de todo o país. Cueva pediu vista e paralisou a análise do caso, mesmo já tendo votado no mesmo julgamento contra a permissão.

No último dia 15, a ministra Estela Aranha deu uma liminar proibindo o uso da imagem de Bolsonaro em santinhos e materiais impressos. Indicada ao cargo pelo presidente Lula, a ministra alegou que a utilização em propaganda eleitoral da imagem de Bolsonaro “em posição de destaque”, ao lado do número e do nome de um candidato, burlaria a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que proibiu que Bolsonaro divulgue manifestos políticos-eleitorais, inclusive por terceiros, “independentemente do meio utilizado”.

PLENÁRIO DIVIDIDO – O caso foi levado ao plenário virtual do TSE e rachou o plenário, formado por sete magistrados. Do lado de Estela ficaram os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques, amigo pessoal de Moraes há décadas.

Contra a liminar, ou seja, a favor de liberar o uso da imagem de Bolsonaro em santinhos, se posicionaram o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o vice-presidente da Corte, André Mendonça, ambos indicados ao Supremo pelo ex-presidente. “A utilização da imagem de Jair Bolsonaro, nessas circunstâncias, comunica ao eleitorado a identificação política do candidato com determinada liderança ou corrente política”, escreveu Nunes Marques.

“A liberdade de expressão política protege precisamente a possibilidade de o candidato apresentar ao eleitorado suas referências e afinidades políticas, inclusive mediante a associação de sua candidatura a lideranças e correntes ideológicas. A possibilidade de utilizar, para esse fim, a imagem pública de uma liderança política integra o espaço de manifestação protegido pela Constituição Federal”, frisou Nunes Marques.

MAIORIA PROVISÓRIA – Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Dias Toffoli seguiram o mesmo entendimento de Nunes Marques e Mendonça, formando a maioria provisória de quatro votos pela liberação. No entanto, uma hora após Toffoli desempatar o placar e pavimentar a maioria pela liberação do uso da imagem de Bolsonaro em santinhos, Cueva pediu vista e travou o julgamento, mesmo já tendo votado horas antes contra a liberação.

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) critica a liminar de Estela Aranha, sob a alegação de que a propaganda eleitoral de Lula está veiculando imagens antigas de Bolsonaro para fins críticos, enquanto o senador não pode usar o próprio pai na campanha do PL.

“As vedações impostas a Jair Bolsonaro são ‘de dentro para fora’. Não pode ele externar suas posições e preferências, nem mesmo mandando recados, avisos ou cartas por terceiros. Mas a sociedade em geral não está proibida de se manifestar em relação a Jair Bolsonaro, figura pública e que faz parte da história brasileira”, sustenta o PL.

BANCO DE RESERVAS – Antonio Carlos Ferreira deixa o TSE neste sábado (19), quando encerra o seu mandato. A saída de Ferreira (que votou pela liberação da imagem de Bolsonaro) abre caminho para a efetivação do ministro substituto Sebastião Reis, que não participou do julgamento por estar no “banco de reservas”.

Na prática, isso significa que se o mesmo tema vier à tona em outro processo similar, o resultado desse segundo julgamento pode ser diferente, devido à troca na composição do TSE, com a saída de Ferreira e a efetivação de Sebastião Reis como ministro titular.

MPT processa Havan e Luciano Hang por assédio eleitoral e pede R$ 30 milhões

Gilmar diz que ministro do TSE que agir com partidarismo deveria deixar a Corte

Michelle assume espaço de Bolsonaro e grava para candidatos aliados em todo o país

Candidatos fazem romaria até Brasília por vídeo

Thaísa Oliveira
Folha

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem atuado para compensar a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso, na campanha eleitoral de aliados e gravado vídeos para candidatos de diferentes regiões.

A demanda levou a ex-primeira-dama a reservar um dia da semana apenas para candidatos de fora do Distrito Federal e a produzir peças para cerca de 20 pessoas por dia, em média, no começo da propaganda eleitoral obrigatória. Outros três dias da semana passaram a ser usados para filmagens da campanha dela própria ao Senado e de candidatos que integram a chapa da governadora de Brasília, Celina Leão (PP), de quem é amiga.

POPULARIDADE – De olho na popularidade de Michelle, o candidato do PL ao Governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, foi a Brasília exclusivamente para a gravação, no começo do mês, com a candidata dele a vice, a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL).

O material foi usado no programa eleitoral obrigatório de rádio e TV da última quarta-feira (16), em um esforço para atrair o voto de mulheres cristãs e conservadoras, segundo um integrante da campanha de Ruas. “A Fernanda cuida de quem cuida”, disse Michelle.

REGIME DOMICILIAR – Condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está preso em regime domiciliar desde março e proibido de usar as redes sociais dele ou de outras pessoas.

Pessoas próximas a Michelle afirmam que ela tem dado prioridade para candidatos para quem Bolsonaro faria campanha, se estivesse solto. Um dos nomes citados é o do vereador de Porto Alegre (RS) coronel Ustra (PL), candidato a deputado federal.

Ustra é sobrinho do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, herói de Bolsonaro que comandou um dos principais centros de tortura na Ditadura Militar. O vereador é tenente-coronel da reserva do Exército e chefiou a equipe de segurança do ex-presidente no GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

“CONFIANÇA” – “Esse é o coronel Ustra e eu sei da confiança que o presidente Bolsonaro sempre teve nele. É alguém que esteve ao lado do Jair e compartilha os mesmos valores que nós”, disse Michelle no vídeo ao lado de Ustra. O vereador de Belo Horizonte (MG) Vile Santos (PL) contou à Folha que foi para Brasília apenas para a filmagem com Michelle. O vídeo dos dois juntos está sendo distribuído pela campanha de Vile por WhatsApp.

“Sou amigo da família há muito tempo. Michelle é uma grande amiga. Me ajuda muito com o público feminino e com cristão”, disse o vereador, que se apresenta como “candidato a deputado federal do Bolsonaro em Minas Gerais”. Na gravação, Vile diz que estava com “a nossa eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro” porque “o nosso presidente Jair Bolsonaro não pode estar aqui conosco”.

ASSESSOR DE BOLSONARO – A ex-primeira-dama também produziu materiais para Mosart Aragão (PL), candidato a deputado estadual por São Paulo. Mosart foi um dos assessores mais próximos de Bolsonaro na Presidência e o acompanhou em uma série de agendas.

Em 2022, Bolsonaro designou o irmão Renato Bolsonaro (PL) para coordenar a campanha dele a deputado federal. O ex-presidente queria que o capitão fosse um dos candidatos mais votados de São Paulo, mas ele não foi eleito.

A ex-primeira-dama também gravou para o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) e para o filho dele, Gilson Machado Filho (Podemos), candidatos respectivamente a deputado federal e deputado estadual por Pernambuco. Gilson é amigo de Bolsonaro, mas acabou trocando o PL pelo Podemos alegando falta de apoio do partido para lançar o nome dele ao Senado.

“CANDIDATOS DO JAIR” – Na lista de “candidatos do Jair”, aparece ainda o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), apelidado por Bolsonaro de Hélio Negão. Hélio transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima para aumentar as chances de ser eleito senador e adotou o sobrenome Bolsonaro nas urnas.

Em 2022, Michelle viajou pelo país para pedir votos para Bolsonaro. A ex-primeira-dama tem dito que não poderá repetir o esforço neste ano em prol da candidatura à Presidência do enteado mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL), por causa das condições de saúde do marido.

Após semanas de mal-estar público, a ex-primeira-dama gravou um vídeo curto com Flávio em que um pede votos para o outro. Michelle também tem falado do senador nas agendas de campanha dela em Brasília.

AUTORIZAÇÕES – No último dia 8, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ampliou a lista de visitantes e autorizou a entrada do pai, da madrasta e de duas irmãs de Michelle, além de Renato Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente afirma, porém, que Michelle queria autorização permanente do ministro para que eles pudessem acessar a casa a qualquer momento —e não por apenas duas horas, dois dias da semana, como visitantes.

“Com essa decisão, também os atos de campanha da candidata ao Senado Federal —Michelle Bolsonaro—continuam restringidos e prejudicados”, afirmou a assessoria de imprensa de Michelle.

Celular de Vorcaro trava no STF: Mendonça e Fux pedem ajuda à PF para acessar dados

Uma modinha genial, de Sergio Bittencourt, que venceu um festival da canção no Rio

Sérgio Bittencourt – Wikipédia, a enciclopédia livre

Sérgio, grande jornalista e compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) revela, na letra de “Modinha”, o seu lírico e belíssimo sonho. Esta música foi vencedora do festival O Brasil Canta no Rio, em 1968, interpretada e, posteriormente, gravada por Taiguara.

MODINHA
Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela,
sonho um sonho pequenino…
Se eu pudesse ser menino
eu roubava essa rosa
e ofertava, todo prosa,
à primeira namorada,
e nesse pouco ou quase nada
eu dizia o meu amor,
o meu amor…

Olho o sol findando lento,
sonho um sonho de adulto…
Minha voz, na voz do vento,
indo em busca do teu vulto,
e o meu verso em pedaços,
só querendo o teu perdão…
Eu me perco nos teus passos
e me encontro na canção…

Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
(Eu vou morrer de muito amor)

Ninguém mais tem ideia de em que país vive, como vive, do que vive…

Pôr do Sol visto do setor hoteleiro norte, em Brasília-DF, em foto de 14 de setembro de 2022.

Foto de Wilton Júnior (Estadão)

Vicente Limongi Netto

Craque do jornalismo e da literatura, Ignácio de Loyola Brandão não esmorece. Não verga corpo nem refuta o combate. Com texto sublime e irretocável, mostra sua indignação com o atual e podre Brasil. É um privilégio e uma honra, antecipar aqui na nossa tribuna da internet sua bela crônica de domingo, publicada hoje no Estadão.

Ao enviar o texto, o mestre da Academia Brasileira de Letras anexou um bilhete: “ Vicente, para que leias antes, aqui vai minha crônica do próximo domingo, em primeira mão. Não é distopia nem ficção cientifica, apenas pura realidade…”

Para Mary Del Priore, em solidariedade

Estou ficando apavorado. Não me assusto mais com guerras, bombas nucleares, tufões, enchentes, El Niño, prédios desmoronando, vulcões explodindo, calor tremendo, tornados. Nem com aquele sujeito que comprou milhares de parlamentares e homens de governo.

Nas ruas, hábitos normais. Autos com vidros destruídos e milhões de celulares levados. Rios sobem e ocupam praças, ruas, becos, porões, terraços, templos, derrubando viadutos. Ventanias quebram vidraças; vidros caem sobre a população, que não consegue se abrigar.

PARALISADO – Os altíssimos mega-arranha-céus que nos permitiriam entrar direto no paraíso desmoronam ao toque de um polegar. E os metrôs inúteis pela queda dos túneis? As avenidas ficam paralisadas por bilhões de autos enquanto um milhão de veículos entra em circulação a cada dia em São Paulo. Paralisados, também, pela falta de gasolina, álcool e eletricidade nos postos e refinarias.

Problemas de licitação, propinas, guerra entre fornecedores. Os vagões ferroviários descarrilados, trilhos surripiados. Pessoas correndo por becos em busca de apenas um orelhão que tenha resistido por milagre. Porque quatrilhões de celulares brotam a cada momento – até crianças de peito estão com eles nas mãos, mamam na telinha, esquecem os seios das mães. Concessionárias não conseguem fornecer “linha”; a atmosfera está contaminada.

Mais do que isso: aviltada por ladrões de energia e de fiações, além do fim das terras com minérios. E os extratores se abrigam em edifícios de concreto monumentais, com medo dos meliantes.

EM CASERNAS – Faz 50 anos que os Eternos Ministros Fundamentais, EMF, estão encerrados em casernas superprotegidas, construídas com o dinheiro de emendas parlamentares – facção de mais de mil membros infiltrados na União, Estados, municípios, mansões e casas de praia defendidas por aço e concreto, mas também sem comunicação, uma vez que a energia foi totalmente tomada por influencers assustadores, sem que se saiba por quê.

Ninguém mais tem ideia de em que país vive, como vive, do que viver. E, principalmente, para que viver? Esperamos que um dia cheguem a uma conclusão nos encontros iniciados há décadas para tomar a decisão final. Mas ela – na verdade, uma espécie de facção – não sabe o que decidir.

Todos sabem que estão ocupados e, assim, pedem vista e mais vista. Alguns morrem lá dentro e são colocados nos porões, substituídos por filhos, netos, concubinas e bisnetos. Só que ninguém sabe quem é, o que faz. Ou de onde vem o fedor mefítico que contamina a nação.

SÓ A POESIA – Diante desse quadro pintado pelo mestre Loyola, só temos salvação na poesia. A que segue abaixo é de minha autoria, e enviei ao meu grande amigo;

BACIA FLORIDA

O frescor do sol
Lava os olhos do encantamento
O verde eleva o sabor da alma
Que divide as honras do amor
Com temperos fortes
Que salvarão o mundo

Moraes e Viviane foram flagrados ao usar jatinho de Vorcaro para viajar até o Rio

Presidente do PT admite desgaste de Lula com crise no STF: “Atingiu a nossa campanha”

Edinho reconhece efeito eleitoral da crise

Deu no G1

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu nesta sexta-feira (18) que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) provocou desgaste na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Claro que vínhamos em uma situação muito favorável eleitoralmente. Veio essa crise institucional. É inegável que ela atingiu a nossa campanha, desgastou a nossa campanha”, afirmou em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.

SEM DISTINÇÃO – Segundo Edinho, o conflito acaba atingindo quem está à frente do governo porque, no senso comum, parte da população não distingue claramente os Três Poderes. “A sociedade traduz todo o sentimento de mudança, o sentimento antissistema, em quem é governo”, declarou.

Em outro momento da entrevista, o dirigente petista afirmou que a crise “assola todo o ambiente político brasileiro” e “penaliza efetivamente o incumbente, aquele que está no poder, aquele que está à frente do governo”.

Apesar de admitir o impacto na campanha, Edinho afirmou que Lula tem respondido à crise de forma coerente com posições que já defendia. Ele citou a reforma do Judiciário e a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades.

REFORMA DO JUDICIÁRIO – “É inegável o desgaste, mas estamos respondendo com decisões coerentes com aquilo que nós sempre defendemos. Tem que haver reforma do Judiciário, e os responsáveis têm que ser penalizados”, declarou.

O presidente do PT afirmou ainda que o questionamento da sociedade ao Judiciário é legítimo e mencionou mudanças que podem ser debatidas, como a definição de idade mínima para integrar as cortes superiores, a adoção de mandatos para ministros e o aumento da participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Ele também rejeitou uma relação direta entre o desgaste do Supremo e o fato de seis dos atuais dez ministros terem sido indicados durante governos petistas — quatro por Lula e dois pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Não consigo fazer esse vínculo tão direto entre as indicações dos governos Lula e Dilma e o desgaste que a Suprema Corte enfrenta. Seria, na minha avaliação, forçar demais a mão”, afirmou.

AGENDA DE MUDANÇAS – Para Edinho, a resposta eleitoral da campanha deverá passar pela apresentação de Lula como representante de uma agenda de mudanças. Ele citou, além da reforma do Judiciário, a defesa de uma reforma política e eleitoral.

“O sistema hoje, como está organizado, não responde aos anseios da sociedade. Como tem dito o presidente Lula, o sistema apodreceu. Ele precisa ser reformado, precisa ser alterado para que a gente dê conta dos anseios da sociedade”, disse.