Caso Master: investigações da PF estão avançando no Amapá e RJ

CHARGE ▫ Confira a charge do cartunista Mariosan desta quinta-feira (20). # Charge #OPopular #LeiaAgora

Charge do Mariosan (O Popular)

Lauro Jardim

A Polícia Federal, por meio de suas superintendências regionais, está avançando nas investigações das traquinagens entre o Master e os fundos de previdência do Rio de Janeiro e do Amapá.

No total, esses fundos investiram cerca de R$ 1,5 bilhão no banco.

A propósito, as investigações da CPI do INSS sobre o envolvimento de Lulinha com o Careca do INSS também seguem de vento em popa.

GILMAR DEFENDE – Apenas um ministro do STF até agora veio a público defender Alexandre de Moraes das revelações que se sucedem nas últimas semanas.

Trata-se de Gilmar Mendes, que disse ter “absoluta confiança em relação” a Moraes e que não vê “nenhum problema” em nada do que foi publicado.

Uma declaração favorável, sem dúvida, ainda que sem a veemência costumeira de Gilmar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Na semana passada, Gilmar convidou um grupo de jornalistas amestrados e armou um café da manhã suntuoso, para dizer que Alexandre de Moraes não fez nada de errado e o contrato de R$ 129,6 milhões está absolutamente dentro da normalidade. Detalhe curioso: nenhum dos jornalistas riu e todos levaram Gilmar a sério, embora ele próprio seja uma colossal Piada do Ano. (C.N.)

Correios lideram ranking de ações no TST em meio a rombo bilionário

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Eduardo Barretto
Estadão

Com um rombo bilionário, os Correios são a empresa com o maior volume de novos processos no Tribunal Superior do Trabalho (TST) nos últimos dois anos, com cerca de 18 mil ações.

A estatal, que busca R$ 8 bilhões para fechar as contas mesmo após pegar R$ 12 bilhões emprestados, pode ter de arcar com ainda mais despesas, a depender das decisões da instância máxima da Justiça trabalhista. Procurada, a companhia afirmou: “Conforme previsto no plano de reestruturação, os Correios estão aprimorando os controles e critérios relacionados aos passivos judiciais”.

PROCESSOS – Entre janeiro e outubro de 2025, os Correios integraram 8,5 mil novos processos trabalhistas no TST, segundo um levantamento da Coluna do Estadão. Desse total, 5,6 mil foram apresentados pela própria estatal contra decisões de instâncias inferiores, e 2,9 mil foram movidos por trabalhadores contra a empresa. Ao longo de 2024, outras 9,3 mil ações na Corte citam os Correios.

A lista das empresas com mais processos no TST em 2024 e 2025 é completada por Bradesco, Petrobras, Santander e Itaú Unibanco. Veja o ranking: Correios (17,8 mil ações) ; Bradesco (15,4 mil ações) ; Petrobras (14,2 mil ações); Santander (12,7 mil ações) ; Itaú Unibanco (10,9 mil ações).

Nessa segunda-feira, 29, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse que o plano de reestruturação da companhia prevê captar R$ 20 bilhões e que ainda há necessidade de um aporte de R$ 8 bilhões para fechar a conta. Segundo ele, ainda será definido se essa captação terá participação do Tesouro Nacional.

EMPRÉSTIMO – A estatal assinou, na última sexta-feira, um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O financiamento terá prazo de pagamento de 15 anos, com taxa de juros próxima à Selic. A operação recebeu aval do Tesouro Nacional há pouco mais de uma semana, após uma tentativa frustrada de aprovação no início de dezembro.

Com prejuízo acumulado superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 e déficits recorrentes desde 2022, os Correios buscam reequilibrar suas contas. Outra aposta da empresa para reduzir o rombo é um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que será aberto em janeiro de 2026. A estatal projeta uma adesão de até 15 mil empregados e uma economia anual de R$ 2,1 bilhões.

Surgem novos pedidos para investigar Moraes e votar impeachment

JC - JC - Charges

Charge do Thiago Lucas (JC-PE)

Rafael Moraes Moura
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada no último domingo (28) pelo vereador Guilherme Kilter (Novo), de Curitiba, para apurar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a favor dos interesses do Banco Master.

O pedido de abertura de inquérito vai ser examinado pela equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconduzido ao cargo neste ano com o apoio de Moraes.

“SUPOSIÇÕES” – Um pedido similar, apresentado pelo advogado Enio Martins Murad, já foi arquivado no último sábado (27) por Gonet, sob a alegação de que a “narrativa” da pressão de Moraes permaneceu no “campo das suposições”.

Gonet também não viu “qualquer ilicitude” no contrato firmado pela advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos.

Em outra frente de pressão, um grupo de parlamentares da oposição, capitaneados pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto (PL-PB), protocolou nesta segunda-feira (29) um novo pedido de impeachment contra Moraes no Senado Federal.

FAZENDO PRESSÃO – Tanto o pedido de abertura de inquérito de Kilter como o de impeachment de Moraes vieram à tona após o blog revelar que Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para tratar do Banco Master.

Ao menos três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes se encontrou presencialmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro.

Segundo o Estadão, Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo num mesmo dia para falar sobre a venda do Banco Master ao BRB, que acabou sendo barrada pelo Banco Central em setembro deste ano.

INTENSIDADE – Para o vereador, as reportagens expõem a “intensidade da pressão exercida pelo ministro sobre a autoridade monetária”.

Moraes nega que tenha atuado a favor dos interesses de Vorcaro e afirma que as conversas com o Banco Central giraram em torno das sanções da Lei Magnitsky, espécie de “pena de morte financeira” adotada pelo governo Trump contra Moraes em julho deste ano como forma de pressionar o Supremo a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.

FORA DA AGENDA – Os encontros não foram divulgados na agenda oficial de Galípolo nem na de Moraes, que não tem o hábito de divulgar seus compromissos nem informar quem recebe em audiências no gabinete.

Na notícia de fato protocolada no último domingo (28), o vereador Guilherme Kilter sustenta que Moraes se valeu “de sua alta posição e prestígio” para patrocinar interesses privados do Banco Master perante a administração pública, o que configuraria, em tese, o crime de advocacia administrativa.

“Não deveria ser preciso sequer mencionar o quão inapropriado é que um membro do Poder Judiciário agisse de tal maneira, como lobista ou articulador institucional perante uma autarquia do Poder Executivo, como é o Banco Central”, afirma Kilter.

ÉTICA FUNCIONAL – “A concepção por trás da repartição de poderes e da definição de deveres legais e de ética funcional se destina justamente a evitar interferências indevidas entre poderes, o que é completamente o oposto do que ocorre quando um magistrado ingressa em negociações que possuem relação de interesse direto com o sucesso do contrato de sua esposa.”

Kilter também aponta que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes, firmou um contrato com o Master que previa a remuneração mensal de R$ 3,6 milhões por 36 meses, a partir do início de 2024.

O contrato de Viviane com o Banco Master, publicado em primeira mão pelo blog, previa a organização de “cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, Legislativo e órgãos do Executivo, citando quatro instituições: Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Banco Central e o Cade.

SEM REGISTRO – Em resposta ao blog, Banco Central e Cade informaram que não têm registros da atuação de Viviane a favor do Master desde o início da vigência do contrato com o banco de Vorcaro.

Segundo Moraes, o escritório de advocacia de sua esposa “jamais atuou na operação de aquisição Master-BRB perante o Banco Central”.

Procurada, a assessoria de Vorcaro não se manifestou. O BC confirmou apenas que houve conversas a respeito da aplicação da Lei Magnitsky sobre Alexandre de Moraes, mas não negou que tenha se falado a respeito do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Se Viviane Moraes não atuou na aquisição do Master pelo BRB, estava sendo regiamente paga para fazer o quê? Se Bussunda ainda estivesse entre nós, diria: “Fala sério!”. (C.N.)

Nada começa no Ano Novo, e tudo apenas continua, dizia Fernando Pessoa

Fernando Pessoa - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Fernando Antônio Nogueira Pessoa (1888–1935) foi um dos mais importantes poetas e escritores da língua portuguesa e uma figura central do modernismo europeu. Sua característica mais marcante foi a criação de heterônimos, assinando seus textos com nomes de personalidades literárias completas, por ele criadas, com biografias, estilos e visões de mundo próprias, que iam além de simples pseudônimos. 

Neste seu poema “Ano Novo”, nada começa no virar do ano, dando um balde de água fria na mente dos sonhadores. Nada começa, apenas continua.

ANO NOVO
Fernando Pessoa

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento.

Trump descartou Bolsonaro porque ele virou perdedor, diz ex-embaixador dos EUA

Gonet mostra que a Procuradoria também submergiu na podridão

Moraes e Gonet - 02/09/2025

Paulo Gonet está limpando as sujeiras de seu amigo Moraes

Vicente Limongi Netto

Brasil rumo ao abismo da podridão. Brasileiros cada vez mais desapontados com as instituições. Poderosos deslustram os cargos. Fica tudo como dantes no quartel de Abrantes. A gentalha mafiosa e desprezível atua nos três poderes da República.

Vestais grávidas de toga passam a mão na cabeça de apaniguados. Com o maior descaramento. Dormem e acordam arrogantes. Amiguinhos e colegas de magistrados podem cometer as maiores barbaridades, que não acontece nada. Elementos nocivos e graúdos são blindados.

CASO MASTER – Imprensa em geral e colunistas respeitados investigaram, apuraram e publicaram matérias arrasadoras relatando negociatas do Banco Master. Muitas das matérias recheadas de graves acusações contra Alexandre de Moraes.

Agora, respeitados profissionais passam como malfeitores. Abissal absurdo. Canalhice que não pode ser admitida nem suportada. É o fim da picada. 

Nessa linha o sabujo procurador-geral da República,  Paulo Gonet, numa avassaladora, serviçal e cretina canetada, pediu a canonização do humilde e puro casal ministro Alexandre de Moraes, envolvidos no processo imundo e nada republicano do Banco Master.

ARQUIVADOR – Gonet mandou arquivar tudo que existe contra o imaculado xerife Xandão e a mulher dele, advogada Viviane Barci Moraes. 

Gonet não vê pressão de Moraes nem ilegalidade em contrato de esposa, e arquivou a investigação, dizendo que não há como aprofundar as revelações feitas pela imprensa. Mas é claro que há como comprovar, sim.

Tudo indica, nos finalmentes,  que os arquivos da Procuradoria-Geral da República estão podres. Fortes concorrentes  dos  sacos de lixo hospitalar.

Entre a paixão nacional e o vazio fiscal: o Brasil das apostas e seus desafios

Vorcaro reuniu-se com diretor do Banco Central horas antes de ser preso

PGR arquiva representação contra Alexandre de Moraes sobre caso do banco Master

Fachin intervém no caso Master e altera a “acareação” de Toffoli

Quem é quem no gabinete de Edson Fachin, novo presidente do STF - Estadão

Fachin decidiu botar o STF em ordem e desautorizou Toffoli

Carlos Newton

Embora determinados ministros do Supremo se julguem acima da lei e da ordem, tudo tem limites e nesta segunda-feira, dia 29, o presidente Edson Fachin alterou a decisão de Dias Toffoli, que tinha determinado uma acareação entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o presidente afastado do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa (os dois investigados por fraude), e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.

Ao invés de acareação, que tinha sido uma tremenda mancada de Toffoli, a sessão passou a ser de depoimentos sobre as irregularidades cometidas, que levaram à liquidação do Master, em defesa da economia popular, segundo justificou o Banco Central.

CONCORDÂNCIA – Convocar uma acareação foi uma surpresa, porque esse tipo de providência só é tomado quando existe discordância entre depoimentos. No caso dos convocados por Toffoli, nem existiam depoimentos e, muito menos, controvérsias.

O que havia eram concordâncias, porque os três foram a favor da venda irregular e ruinosa do Master para o estatal BRB.

Justamente por isso, Vorcaro e Costa estão sendo investigados criminalmente, e Aquino está sob suspeita, porque todos demais os diretores do Banco Central foram a favor da liquidação e somente no final ele mesmo viria a apoiar, para haver unanimidade na decisão.

GONET CONTRA – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foram contrários à acareação irregular, mas Toffoli manteve a decisão.

A intransigência de Toffoli levantou suspeitas de que estaria interessado em desfazer a liquidação extrajudicial do Master, que vai dar prejuízo de R$ 19 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.

Esse Fundo é particular e foi criado pelo sistema bancário para evitar graves crises financeiras e prejuízos aos pequenos investidores até R$ 250 mil em CDBs e Poupança.

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P.S.
– No caso do Master, há investidores que terão altos prejuízos, como o RioPrevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio. E agora, além do ministro Alexandre de Moraes, também Dias Toffoli fica sob suspeita de favorecimento ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Comprem pipocas que o Ano Novo vem aí. (C.N.)

Heloísa Helena volta à Câmara e rejeita alianças: “Não contem comigo para conciliar”

Governo Lula acende alerta para possível ingerência dos EUA na eleição de 2026

Galípolo agora precisa informar o que conversava com Moraes

Quem é Gabriel Galípolo, anunciado por Haddad como secretário-executivo do Ministério da Fazenda em 2023 | G1

Gaíípolo terá de exibir os documentos sobre as pressões

Elio Gaspari
Folha

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está numa sinuca de bico com o caso do banco Master. Se contar tudo o que sabe, muda a essência da relação do BC com bancos a caminho da quebra, mas, em tempos de festas e do Especial de Roberto Carlos, faz um milhão de inimigos.

Até agora, Galípolo não foi convincente sobre o que tratou em seus contatos com o ministro Alexandre de Moraes.

DISSE TUDO – A repórter Malu Gaspar com a palavra: “O ano de 2025 vai terminando amargo para muita gente que acreditou nos julgamentos dos vândalos golpistas do 8 de Janeiro e dos articuladores da intentona para impedir a posse de Lula, como salvação da democracia”, disse, acrescentando:

“Tudo por causa do enredo que começa no contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos por serviços até agora desconhecidos, e segue com a pressão do ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela aprovação da venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Galípolo, na entrevista coletivo de final do ano, disse que sua equipe “documentou tudo”, referindo-se às pressões. Estamos esperando… (C.N.)

Trump governa como monarca e leva os EUA ao limite do poder presidencial

Flávio Bolsonaro cria impasse e ressuscita o fantasma do voto em branco

A esperança de um Ano Novo, na visão poética de Ferreira Gullar

Porque nada do que foi feito satisfaz a vida, nada enche a vida. A vida é viver.... Frase de ferreira gullar.Paulo Peres
Poemas & Canções

Para os poetas, não existe nada como o amor.  Mas entre os demais temas preferidos, o Ano Novo é sempre um grande inspirador. Vejam como o grande poeta, tradutor, escritor e dramaturgo maranhense Ferreira Gullar (1930-2016) tratou do assunto.

ANO NOVO
Ferreira Gullar

Meia noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)

Lava Jato deu o exemplo e a luta contra a corrupção está de volta

Efeitos perversos e duradouros da corrupção - Blog do Ari Cunha

Charge do Tacho (Jornal NH)

Carlos Pereira
Estadão

O Brasil voltou a ser sacudido por uma sequência de escândalos de corrupção. Operações da Polícia Federal, solicitadas pela PGR e autorizadas pelo STF, recolocaram o tema no centro do debate público. Há denúncias de fraudes no INSS, desvios de emendas parlamentares e apreensões de grandes quantias em dinheiro com deputados.

Diante desse cenário, reaparece uma pergunta que parecia superada: a luta contra a corrupção está de volta?

ESVAZIAMENTO – Durante algum tempo, consolidou-se a percepção de que o combate à corrupção havia sido esvaziado com o fim da Operação Lava Jato.

Para muitos, aquele encerramento simbolizaria o retorno automático a padrões históricos de impunidade. Essa leitura, no entanto, ignora mudanças institucionais que permaneceram — como a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, a Lei Anticorrupção e os mecanismos de delação premiada e leniência.

Ainda assim, é inegável que houve um hiato recente, em que as instituições de controle pareceram recuar.

DEMOCRACIA AMEAÇADA – Uma primeira hipótese para explicar esse movimento é que, durante o governo Bolsonaro, o sistema de justiça avaliou que a principal ameaça não era a corrupção, mas à própria democracia.

Discursos golpistas, ataques ao Judiciário e tentativas de instrumentalização das forças de segurança deslocaram prioridades.

Diante desse cenário, as instituições teriam uma escolha: combater a corrupção ou proteger o regime democrático. Optaram pela segunda.

SINALIZAÇÃO – Há, contudo, uma segunda hipótese complementar, menos evidente, mas igualmente relevante. Esse novo ciclo de investigações pode funcionar também como uma sinalização preventiva do sistema de justiça diante de eventuais tentativas do Legislativo de retaliar ou reduzir seus poderes — especialmente os do STF.

Mesmo reconhecendo as dificuldades de coordenação em um sistema político altamente fragmentado como o brasileiro, é racional que o sistema de justiça atue de forma preventiva.

Ao intensificar o combate à corrupção, ele aumenta os custos políticos de qualquer agenda legislativa que busque enfraquecer suas competências. Investigações e denúncias elevam o risco reputacional e judicial dos próprios atores que poderiam patrocinar iniciativas de retaliação institucional.

ESTRATÉGIA – Nesse sentido, o retorno da pauta anticorrupção não seria apenas reativo, mas estratégico.

Trata-se de um movimento típico de instituições que operam sob ameaça difusa: agir antes para evitar ser contido depois.

O combate à corrupção, portanto, não desapareceu. Ele foi reordenado por prioridades políticas. E tudo indica que voltou a ocupar um lugar central no equilíbrio institucional brasileiro.

Caso Master: Banco Central pisa em ovos antes de chutar o balde

PF pede ao STF abertura de inquérito contra Toffoli por suposta propina |  ASMETRO-SI

Charge do Duke (Itatiaia)

Wálter Maierovitch
UOL

O Banco Central, com muita cautela, tentou obter do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, esclarecimentos sobre a acareação de Ailton Aquino, um dos seus fiscalizadores, com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília). Mas Toffoli negou.

Como o inquérito está em fase inicial, e a decisão de Toffoli é inconstitucional, ilegal e inusitada, o Banco Central quer saber a situação procedimental de Aquino. Seria testemunha, suspeito, perito?

JUIZ DE INSTRUÇÃO – Toffoli está atuando como se fosse um juiz de instrução, figura que não existe no nosso sistema constitucional.

O ministro não pode, pela proibição constitucional, subtrair atribuições reservadas ao Ministério Público e à polícia judiciária, como está fazendo.

O Banco Central move-se com muita cautela porque o inquérito é sigiloso, e os crimes em apuração são escabrosos, para dizer o mínimo.

FICAR CALADO – Como suspeito ou como testemunha que pode se implicar em razão de rumos tortuosos impostos por Toffoli, o diretor Ailton Aquino tem a garantia constitucional de invocar o silêncio.

Toffoli negou os esclarecimentos pedidos pelo Banco Central, que agora poderá entender por bem não apresentar Aquino para acareação nesta terça-feira.

A razão é simples: ninguém está obrigado a cumprir ordem manifestamente ilegal, inconstitucional.

Se Galípolo disser o que sabe, o mercado financeiro vai sofrer um forte abalo

Datafolha: PT lidera preferência partidária e PL atinge recorde impulsionado por Bolsonaro

PT é partido preferido de 24% dos eleitores e PL de 12%

Ana Gabriela Oliveira Lima
Folha

O PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua na dianteira como a sigla preferida dos brasileiros, agora acompanhado pelo PL, legenda alavancada na memória nacional pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mostra nova pesquisa Datafolha.

O partido de esquerda segue como o mais lembrado, feito que mantém desde o final da década de 1990. Atualmente ele é citado por 24% dos brasileiros, contra 12% do PL, a segunda sigla preferida dos brasileiros.

ESTABILIDADE – O cenário é de estabilidade para o PT no terceiro governo Lula, cujos índices variaram de 23% a 27%. Já a legenda de Bolsonaro alcançou índice recorde na série histórica, iniciada em 1989 Os dados vêm de pergunta que aceitou respostas espontâneas e únicas no Datafolha, feito com 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Considerando dados desde dezembro de 2021, quando o PL passou a ser citado de maneira consistente nas pesquisas, o ponto máximo do PT ocorreu em setembro de 2022, quando a sigla foi lembrada por 31% dos brasileiros. Na época, Jair Bolsonaro governava o país, fazendo oposição direta ao PT. Atualmente inelegível e preso, Bolsonaro já declarou querer reeditar a disputa com Lula pessoalmente ou por meio de um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Considerando toda a série histórica do Datafolha, com dados para esta pergunta desde 1989 (ano das primeiras eleições diretas para presidente após a ditadura militar), o PT só perdeu como a sigla mais lembrada para o PMDB. A legenda, que antes de 1980 tinha o nome MDB, recuperado em 2017, chegou a ter 19% das menções em 1992 e 1993. Hoje, registra 2%.

DIANTEIRA – A posição mudou no final da década de 1990, quando o PT entrou e nunca mais saiu da dianteira. Desde o início da série histórica, porém, o maior índice entre os brasileiros é daqueles que dizem não ter preferência de partido. A opção nunca teve índice menor que 40%.

O PSDB, que já foi considerado um dos principais opositores do PT, começou a série histórica em 1989 com 1% e teve pico de 9% em junho de 2015, época de protestos contra o governo Dilma Rousseff (PT) que levaram ao impeachment da então presidente.

Esse período, de fevereiro de 2015 a dezembro de 2016, também é um dos piores para o PT desde que ele ascendeu no final da década de 1990. Em março de 2015 e dezembro de 2016, a sigla, acostumada a dois dígitos, fez 9%.

SEGUNDO LUGAR – PSDB e PMDB/MDB disputaram o segundo lugar da preferência partidária na maior parte das duas primeiras décadas dos anos 2000, até que o PSL começou a ultrapassar as legendas em outubro de 2018.

A época é antecedida pela facada levada, em 6 de setembro daquele ano, por Jair Bolsonaro durante campanha presidencial. O político era do PSL, que teve pico de menção de 7% em outubro de 2018 e depois caiu.

Já o PL passou a ser lembrado com consistência a partir de dezembro de 2021, sendo citado por ao menos 1% dos brasileiros. Bolsonaro foi para a legenda em 30 de novembro daquele ano. Desde então, o partido foi subindo nas pesquisas, chegando a uma porcentagem com duas casas em outubro de 2022, quando Bolsonaro foi para o segundo turno com Lula, para quem perdeu.

REJEIÇÃO – Embora chame a atenção para a legenda na qual se encontra, Bolsonaro tem também rejeição para seu nome e de familiares, como mostra o Datafolha. Na análise por segmento, o último levantamento sobre preferência partidária mostra que o PT tem taxas de menções mais altas entre aqueles com ensino fundamental (31%), entre os moradores do Nordeste (31%), católicos (30%), os que avaliam o STF como ótimo ou bom (48%) e os que votaram em Lula em 2022 (50%).

Por sua vez, o PL se destaca entre os que têm renda familiar mensal de 5 a 10 salários mínimos (19%), com ensino médio e superior (14% cada), que avaliam o STF como ruim ou péssimo (30%) e votaram em Bolsonaro em 2022 (29%).