Em depoimento, Bolsonaro afirma que pistola apreendida estava a caminho da manutenção

Pistola foi apreendida em blitz no Distrito Federal

Deu no O Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal e afirmou que pediu ajuda ao militar que posteriormente teve a arma apreendida em uma blitz ao perceber que a pistola não funcionava e necessitava de conserto, informou a defesa de Bolsonaro. As informações são do portal G1.

O depoimento durou cinco minutos, de acordo com os advogados, e Bolsonaro prestou as informações que já haviam sido apresentadas pela defesa na peça entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).

DEPOIMENTO EM CASA – A oitiva ocorreu na residência de Bolsonaro, onde ele cumpre prisão domiciliar, após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Civil havia solicitado que o depoimento fosse realizado por videoconferência, mas o ministro determinou que os investigadores se deslocassem até o endereço do ex-presidente.

O depoimento faz parte do inquérito aberto pela Polícia Civil após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança do ex-presidente.

Segundo a investigação, o armamento foi recolhido durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal porque não estava acompanhada do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento exigido para o transporte da arma. Em depoimento prestado à polícia, o militar afirmou que a pistola estava sendo levada para manutenção e que seria posteriormente devolvida a Bolsonaro.

INTIMAÇÃO – Ao autorizar a oitiva, Moraes também registrou que uma tentativa anterior de intimar pessoalmente o ex-presidente não foi concluída. Segundo ofício encaminhado ao STF, a equipe policial não conseguiu efetivar a intimação porque integrantes da escolta responsável pela segurança de Bolsonaro impediram o cumprimento do ato.

As informações produzidas no inquérito serão compartilhadas com o gabinete de Moraes, responsável pela execução penal do ex-presidente. Na quinta-feira, termina o prazo inicial de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro do STF em março para que o ex-presidente se recuperasse de um quadro de broncopneumonia.

Na peça apresentada ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que a equipe de segurança do ex-presidente retirou um item da arma de fogo que ele tinha em casa com o objetivo de torná-la inoperante. Os advogados afirmam que a medida foi adotada porque os medicamentos psiquiátricos que Bolsonaro toma afetam sua “cognição”.

ALEGAÇÃO – “Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário (Bolsonaro), capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, diz a peça apresentada ao ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF. Percussor é um componente que atua no disparo da arma de fogo. A defesa também negou haver irregularidades na posse, pelo ex-chefe do Executivo

Os advogados de Bolsonaro sustentam que, recentemente, o ex-presidente percebeu, pelo “simples acionamento do ferrolho e sem qualquer necessidade de disparo”, que o mecanismo da pistola não estava funcionando regularmente. O ex-chefe do Executivo não conseguiu identificar a causa do problema e então entregou o armamento para um segundo-sargento do Exército, para que ele verificasse o ocorrido, sustentou a defesa.

Governo e STF temem derrota em pedido de extradição de Eduardo Bolsonaro

Moraes ainda não enviou pedido ao Ministério da Justiça

Patrícia Campos Mello
Folha

O desgaste político de o Brasil ter um pedido de extradição de Eduardo Bolsonaro negado pelos Estados Unidos gera preocupação dentro do governo brasileiro e do STF (Supremo Tribunal Federal), na esteira da negativa da Justiça da Itália de extraditar a ex-deputada Carla Zambelli.

Eduardo foi condenado pelo STF  na última semana, a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo por sua atuação nos Estados Unidos, que resultou em sanções contra ministros do Supremo durante o julgamento da trama golpista. O ex-deputado mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

CHANCES MÍNIMAS – A avaliação no governo e no STF, semelhante à de advogados ouvidos pela Folha, é que seriam mínimas as chances de o governo Donald Trump aceitar o pedido de extradição de Eduardo.

No trâmite normal de um processo de extradição ativa, o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, enviaria um mandado de prisão e pedido de extradição ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Após confirmada pelo departamento a admissibilidade do pedido de extradição, o documento seria enviado ao Itamaraty ou ao governo americano.

A percepção no governo, no entanto, é que mais uma negativa de extradição por parte de um governo estrangeiro fortaleceria as críticas de que o sistema judicial brasileiro não é imparcial.

VIOLAÇÃO – Na decisão divulgada em 12 de junho, a Corte de Cassação da Itália afirmou que houve violação no direito de defesa de Zambelli, porque, entre outros fatores citados, Moraes assumiu “dupla função”, de julgador e vítima. A mesma interpretação poderia ser usada no caso de Eduardo Bolsonaro, condenado por sua interferência junto ao governo estrangeiro para impor sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do STF.

Nos Estados Unidos, o pedido de extradição seria examinado primeiro por um tribunal federal, que determinaria a admissibilidade do pedido à luz do acordo de extradição entre os dois países e da legislação americana. Depois, seria direcionado ao secretário de Estado, Marco Rubio.

Advogados veem risco de um pedido de extradição de Eduardo não sobreviver nem à avaliação pelo Judiciário americano. Isso porque o tratado de extradição assinado por Estados Unidos e Brasil em 1965 veda a extradição quando o crime que ocasionou o pedido “for de caráter político”.

CRIME POLÍTICO – Não existe, no entanto, uma definição taxativa sobre o que configuraria um crime político. “O juiz americano pode entender que houve motivação política no crime de coação”, diz Raphael Rocha, professor de direito internacional da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Mas, ainda que passe por esse primeiro filtro, é improvável passar pelo segundo. Cabe ao secretário de Estado, de forma discricionária, a última palavra em relação à extradição. Rubio é próximo da família Bolsonaro –recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recentemente em Washington. Além disso, é crítico contumaz de Moraes.

“As perseguições políticas por parte do violador de direitos humanos Alexandre de Moraes continuam, já que ele e outros ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos responderão de forma adequada a essa caça às bruxas”, postou Rubio em rede social em setembro passado.

REQUISITOS LEGAIS – “A decisão final é sempre política, mesmo em casos em que estão presentes todos os requisitos legais previstos em tratado”, diz Elaini Silva, doutora em direito internacional pela USP e professora da PUC-SP. Uma ideia em discussão seria desacelerar o processo de envio do pedido de extradição ao Ministério da Justiça, a análise na pasta e comunicação ao governo Trump, como forma de adiar o desgaste político.

Os EUA, sob Trump, já negaram o pedido de extradição do influenciador bolsonarista Allan dos Santos, em 2024. O governo dos EUA informou ao Brasil que não extraditaria Santos por delitos que os americanos veem como crimes de opinião, que estariam garantidos no direito à liberdade de expressão. Esses crimes não teriam correspondente no ordenamento jurídico americano e os crimes de calúnia, injúria e difamação não constam da lista de passíveis de extradição do acordo entre os dois países.

Em dezembro passado, Moraes determinou a abertura do processo de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista, que atualmente vive na Flórida. E a Justiça da Espanha decidiu, em abril de 2025, negar o pedido de extradição do influenciador bolsonarista Oswaldo Eustáquio. Ele é alvo de dois mandados de prisão do Supremo e é suspeito de crimes contra a democracia e corrupção de menores. Argumentou-se que a solicitação tinha motivação política e que não há acordo entre os dois países permitindo a extradição nesse tipo de situação.

Fachin defende punir com rigor as plataformas digitais para preservar democracia

Neymar precisa entrar em campo no segundo tempo, para ganhar ritmo de jogo

Neymar tem problema no voo e perde primeiro treino da seleção na Itália -  Diário do Noroeste

Neymar ainda é o maior craque da seleção brasileira

Vicente Limongi Netto

Sei que serei alvo da ira de alguns, mas se as tantas contusões não tivessem atrapalhado a carreira de Neymar, ele também alcançaria a altura técnica consagradora de Messi e Cristiano Ronaldo. Ambos conseguiram manter o alto nível técnico exatamente por este motivo,  poucas contusões.

Ao contrário de Neymar que apanha muito em campo. Só é parado com faltas violentas. Cada atleta reage de um jeito às lesões. Nesta Copa. não será diferente para Neymar. É claro que não será poupado pelos brutamontes.

A meu ver, Neymar é nosso único craque. Tem técnica refinada. Visão de jogo, excelente driblador. Cobra falta e pênalti com precisão. Respeitado pelos companheiros, técnicos e jogadores adversários. Acredito que não decepcionará. Entra um pouco contra a Escócia para ganhar ritmo. Depois vem com tudo para a etapa dura e mortal do mata-mata.

WAGNER AMEAÇA – O enrolado e santo de araque Jaques Wagner diz que vai entrar no STF contra os resultados das investigações da Policia Federal sobre dele. O mau caratismo e a cretinice de tipos imundos como o senador baiano é uma afronta aos cidadãos decentes.

Evidente que o senador venal quer ganhar tempo. Ele pensa que as roubalheiras dele cairão no esquecimento. A exemplo de outros desprezíveis da política, igualmente capachos de Daniel Vorcaro, como o também senador  Ciro Nogueira.

Justiça dos EUA autoriza Brasil a atuar em ação movida por Trump Media e Rumble contra Moraes

Após Irã e Venezuela, Trump mira Cuba em busca de nova vitória geopolítica

Trump faz guerras como quem joga fliperama

Elio Gaspari
Folha

Ninguém sabe por que Donald Trump atacou o Irã e ninguém sabe por que ele suspendeu os bombardeios. Nem ele sabe que resultados conseguirá depois de uma guerra que já custou aos americanos perto de US$ 30 bilhões. Esse é o preço das guerras teatrais.

Trump foi atrás do Irã depois de um êxito surpreendente contra a Venezuela. Sequestrou o ditador, absorveu a ditadura e embolsou o petróleo. Começou a guerra com o Irã matando o líder supremo Ali Khamenei, tentou decapitar o regime dos aiatolás e atolou.

EXIGÊNCIA – Nos primeiros dias da guerra Trump soltou uma exigência e uma ameaça. Primeiro, disse que os ataques prosseguiriam até que se conseguisse a “rendição incondicional” do Irã, depois ameaçou mandar milhões de iranianos “de volta à Idade da Pedra”. Nenhuma das duas expressões era original.

Uma foi posta na mesa dos Aliados, em 1943 pelo presidente americano Franklin Roosevelt. Dois anos depois, quando os alemães assinaram a rendição, o general americano Dwight Eisenhower nem sequer estendeu a mão ao alemão. A ameaça foi uma bravata do general Curtis Le May contra os vietnamitas. Falhou e os americanos voltaram para casa depois de terem perdido 58 mil militares. (Desde então os presidentes americanos evitam usar a infantaria em suas guerras.)

As duas falas indicam que Trump faz guerras como quem joga fliperama. Se der, deu. Se não, proclama-se vitória e sai-se de campo. Ao fim. A oposição iraniana que se levantaria, ficou menor.

CUBA NA MIRA – Até novembro, quando uma eleição poderá tirar os republicanos do controle da Câmara dos Representantes, Trump sairá atrás de uma vitória e Cuba é a primeira candidata. A Venezuela mostrou-se uma barbada porque a ditadura era corrupta, impopular e mantida às custas de uma eleição roubada.

O Irã está encravado na confusão do Oriente Médio e Trump tem um aliado em Israel, com sua agenda própria. No Caribe, passado mais de meio século da revolução castrista, com sua aura romântica, a pista parece livre.

Em Cuba, a crise energética levou a ruína para o cotidiano dos habitantes, gostem ou não do regime. O estabelecimento de uma nova ordem em Cuba dá a Trump uma vitória cuja extensão ainda é imprevisível. Dá ao secretário de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos), um êxito que o coloca mais perto da Casa Branca em 2028 e pode dar alguma sobrevida ao complexo comercial e burocrático das Forças Armadas, como sucedeu na Venezuela.

ATRATIVO – Cuba tem um especial atrativo para Trump e sua turma: uma mudança de regime, mesmo parcial, trará consigo um boom imobiliário de grandes proporções. Grosseiramente, pode-se estimar que com a venda de um estúdio em Miami será possível comprar um apartamento de três quartos e sala novo na ilha.

Nenhum iraniano ganharia com a guerra de Trump. No caso de Cuba, o negócio é outro, e o primeiro a ganhar será ele mesmo, que pensou em fazer uma Riviera na Faixa de Gaza.

O último sinal de que os Estados Unidos preparam alguma encrenca com Cuba veio do secretário da Guerra, Pete Hegseth, que ameaçou com um confronto se Havana comprar armas capazes de atingir o território americano, ou o da base militar de Guantánamo. Ora, Guantánamo fica em Cuba.

Investigação da PF abre corrida pela sucessão de Jaques Wagner no Senado

Reunião com Lula deve selar destino do senador

Lauriberto Pompeu
O Globo

A possível saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado após a operação da Polícia Federal que expôs as relações dele com o Banco Master abriu as conversas na bancada sobre e eventual substituição. Uma reunião nesta quarta-feira entre Wagner e o presidente Lula deve definir o destino do parlamentar, e os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) são cotados caso a mudança ocorra.

Integrantes da cúpula do PT e do entorno de Lula dão como certa a troca, mas Wagner ainda resiste. A avaliação de governistas é que a permanência dele no cargo dá munição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal rival de Lula na eleição.

LICENÇA DA LIDERANÇA – O caminho que pode ser adotado por Wagner é pedir licença da liderança do governo, abrindo o caminho. Ex-ministro da Educação, Camilo é apontado por parte do PT como o melhor nome por conta da interlocução política com Lula e também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O ex-ministro se aproximou do presidente da República durante a terceira gestão presidencial de Lula.

Além disso, mesmo em momentos de distanciamento entre Lula e Alcolumbre, acentuado desde o final do ano passado por conta da queda de braço pela nomeação no Supremo Tribunal Federal, Camilo manteve proximidade com o presidente do Senado e chegou a acompanhá-lo em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá.

No entanto, há uma avaliação de que o senador não poderia assumir o cargo porque ele precisa focar nas articulações das eleições. Há um entendimento de que Camilo precisará ficar muito tempo no Ceará para evitar que o governo do estado saia das mãos do PT.

AMEAÇA – O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio nome de Camilo é citado como possibilidade de candidato a governador caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide um favoritismo.

Por conta disso, o entendimento é que a líder do PT na Casa, Teresa Leitão, pode ser um nome melhor para assumir a tarefa de substituir Wagner. O mandato dela como senadora vai até 2030 e ela teria mais disponibilidade para ficar em Brasília nesta reta final das sessões do Congresso antes das eleições.

Apesar da indefinição, aliados do governo não veem uma disputa que divida o partido para a definição do cargo. Há um entendimento que a função neste momento está esvaziada por conta da proximidade das eleições e que qualquer senador do PT poderia exercer a função.

ESCALA 6 X 1 – O governo ainda deseja votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim a escala de trabalho 6×1, mas o entendimento é que o andamento dessa medida se dará por um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre. Na semana passada, Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal que investigam suspeitas de que ele teria recebido ‘vantagens indevidas’ para favorecer os interesses do banco Master.

O entendimento de governistas é que, toda vez que ele fizer um encaminhamento ou até dar qualquer discurso no Senado na condição de líder do governo, será uma maneira de trazer o caso Master para perto de Lula.

CRÍTICAS – Também foram feitas críticas à maneira como Wagner respondeu às perguntas de uma entrevista à BandNews na quinta-feira. Integrantes do partido se queixaram que o senador expôs Lula ao mencionar que ele procurou Jaques Wagner para conversar e trouxe ainda mais para perto do presidente o escândalo. Lula ainda não comentou publicamente sobre o caso.

Uma declaração do senador, quando disse que Lula já enfrentou casos piores, provocou insatisfação no entorno do presidente e em diversos integrantes do PT. “Ele (Lula), já teve até problemas maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, porque foi preso”, disse o senador na entrevista. Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista de Wagner, inclusive essa fala, para associar o escândalo de Master a Lula.

INOCÊNCIA – Mesmo com a insatisfação, a cúpula do partido diz confiar que Wagner vai provar sua inocência e que a legenda vai dar estrutura para ele fazer sua defesa política, além de contar com o apoio para a campanha de reeleição ao Senado.

Há um entendimento de aliados do governo de que o escândalo do Master ainda tem mais potencial de desgastar Flávio do que Lula. Petistas citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro, dono do Master, expostas, e que, no caso da campanha do PT, o que apareceu foi uma relação envolvendo um senador do PT, não do candidato à Presidência.

Um poema desesperado com as desgraças da vida, na visão de Abgar Renault

Paulo Peres
Poemas & Canções

Renault era da Academia Brasileira de Letras

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995), membro da Academia Brasileira de Letras, no soneto “A Vida Tem Sempre Uma Faca Na Mão”, questiona a utilidade da poesia.

A VIDA TEM UMA FACA NA MÃO
Abgar Renault

Vamos parar de ler. Paremos de escrever
Olhos e mãos circulam no papel
ao serviço da dor e da desgraça,
mas as palavras são frias e sem fel
para exprimir o desespero dessa taça.

Ninguém sabe escrever. E ninguém pode ler
o que fica, depois de tanta luta fútil,
da escuridão desvirginada do teu ser 
na indiferença de uma folha de papel.

Hoje, ontem, amanhã – amanhã sobretudo –
a vida sempre tem uma faca na mão,
vai sob as unhas, vai direto ao coração,
dói nos olhos, nos pés, dói na alma, dói em tudo,
torna toda a poesia um jogo raso e inútil.

Alvo da PF, Jaques Wagner recorre ao STF para tentar derrubar buscas do caso Master

Defesa ala em ‘erros graves’ que comprometeram a medida

Victoria Azevedo
O Globo

A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão contra o parlamentar na semana passada. Líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, o parlamentar foi alvo de operação da Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master.

A PF apontou que o senador foi o beneficiário central de vantagens econômicas pagas por integrantes do banco de Daniel Vorcaro, apontando relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A polícia suspeita da atuação parlamentar do senador em temas de interesse do Master, como na tramitação de propostas sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

VANTAGENS ECONÔMICAS – A PF apontou uma correlação entre essas atuações e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas por Wagner. Em nota, a defesa do senador diz que apresentou recurso e busca a anulação “apontando erros graves que comprometem a medida”. A nota é assinada por Pablo Domingues.

No texto, a defesa diz que há equívocos na decisão porque o parlamentar “jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer” a instituição financeira. Ele afirma que uma prova disso é que “a única emenda de sua autoria sobre o tema”, apresentada numa Medida Provisória (MP) “propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco”. A defesa diz ainda que o senador se apresentou contra emenda apresentada por Ciro Nogueira (ainda que sem citar nominalmente o senador).

ORIGEM LÍCITA  – O advogado também diz que os valores em espécie encontrados em endereços ligados ao parlamentar têm “origem lícita e comprovada”. A PF apreendeu US$ 49 mil (o equivalente a R$ 253 mil na cotação atual) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde ele costuma ficar em Brasília. Além disso, também foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador, na Bahia.

“Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens”, diz a nota. Por fim, a defesa afirma que confia que o Supremo “corrigirá os equívocos e reafirma tranquilidade do senador quanto à sua conduta”.

Tecnologias digitais humilham os idosos, que se tornaram dependentes funcionais

Fácil assim! O que vc acha disso? Charge excelente de @tomcotrim_

Charge do Tom Cotrim (Arquivo Google)

Ruy Castro
Folha

Minha amiga Ana Luiza recebeu e me mandou. Num cartum, um idoso de capa, cachecol e bengala está diante de um balcão de informações. A atendente lhe mostra o celular e o instrui: “O senhor baixa o aplicativo e entra em ‘gerar código de acesso’. Aqui tem o certificado digital. Faz o login e clica em ‘escolher o arquivo’. Ele vai pedir um código de liberação do acesso nas extensões JPG, PNG ou PDF… Entendeu?”.

O cartum é assinado por Tom Cotrim. Mostra uma realidade que está acontecendo neste momento no seu bairro, com macróbios quase centenários como eu ou talvez você.

EXCLUDÊNCIAS – Sob o cartum, segue-se um texto não assinado: “Uma sociedade que obriga uma pessoa de 90 anos a usar um smartphone para acessar os seus próprios direitos não é moderna. É uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos.

Em 2026, tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este país com as próprias mãos vê-se hoje analfabeto dentro da própria casa. Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou neto, quando existe um”.

O texto continua: “Isso é exclusão. A tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo —apenas nos tornando mais cômodos e egoístas”.

DITADURA DIGITAL – Há anos, no começo da ditadura do smartphone, observei as tentativas de gente da minha geração para se entender com o bicho, assim como se entendia com as novidades da antiga tecnologia.

Não queriam parecer velhos ou superados. Mas eles se superestimaram. Não foram capazes de acompanhar a velocidade com que o smartphone evoluiu. Hoje, a tecnologia acha normal que a enorme parcela da população que se recusa a morrer antes da hora —a nossa— seja diariamente humilhada por aquela joça.

Levei a vida me aplicando para escrever direito, ficar atento à história, entender o que lia. Não tenho mais idade, capacidade ou vontade de me converter em engenheiro eletrônico. E acho burro o sistema binário, o do sim ou não. Prefiro o talvez.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Nosso amigo Ruy Castro, um jornalista e escritor absolutamente genial, tem toda razão, como sempre. A tecnologia não pode ser excludente. Ele sempre se recusou a usar celular. Quando entrou na Academia Brasileira de Letras, foi obrigado a aceitar o uso do aparelho digital, mas sempre a contragosto. Eu também nunca me adaptei aos celulares modernos e parei de usar. Mas assim passei a depender do telefone de minha mulher, e agora estou me sentindo dependente funcional. Por isso, vou comprar um novo celular e ir em frente. (C.N.)

PGR abre caminho para Mendonça investigar financiamento de “Dark Horse” no STF

A jornada semanal de 40 horas e a conta que pode recair sobre o contribuinte

Prefeitos estimam que a conta será repassada ao cidadão

Pedro do Coutto

A aprovação da nova jornada semanal de 40 horas e o fim da tradicional escala 6×1 representam uma das mais profundas mudanças nas relações de trabalho das últimas décadas. Sob a ótica do trabalhador, a proposta atende a uma demanda antiga por maior qualidade de vida, mais tempo para a família e redução do desgaste físico e mental. No entanto, quando essa mudança é transportada para a realidade do setor público, surge um desafio que vai muito além da simples redução da carga horária: quem manterá os serviços funcionando no mesmo ritmo?

É justamente nesse ponto que economistas, gestores públicos e especialistas em administração pública têm concentrado suas preocupações. Diferentemente de escritórios administrativos, boa parte dos serviços públicos opera de forma contínua. Limpeza urbana, coleta de lixo, transporte coletivo, hospitais, unidades de pronto atendimento, segurança patrimonial, atendimento em escolas e diversos outros setores não podem simplesmente interromper suas atividades porque um turno terminou.

DEMANDA DA POPULAÇÃO – O grande problema é que a nova jornada não elimina a necessidade de manter esses serviços disponíveis durante praticamente o mesmo período do dia. Em outras palavras, a demanda da população permanece praticamente inalterada, enquanto a disponibilidade individual de cada servidor diminui. Na prática, será necessário preencher as horas que deixarão de ser trabalhadas por milhares de profissionais.

Especialistas ouvidos por diferentes veículos de imprensa alertam que esse efeito pode provocar uma expansão significativa das despesas públicas, especialmente nos municípios, que concentram boa parte dos serviços essenciais. Prefeituras já demonstram preocupação com o impacto financeiro, sobretudo em áreas intensivas em mão de obra, onde a tecnologia ainda não consegue substituir trabalhadores.

MODELO PROJETADO – O aspecto mais complexo dessa discussão é que o modelo projetado para a nova jornada não apresenta, ao menos até o momento, uma solução operacional clara para a substituição dos funcionários que deixarão de cumprir parte das horas atualmente trabalhadas. Em setores administrativos, parte da redução poderá ser compensada por ganhos de produtividade, digitalização de processos ou reorganização das equipes. Porém, em serviços presenciais e contínuos, essa lógica encontra limites bastante evidentes.

Um gari que deixa de trabalhar quatro horas por semana não faz desaparecer o lixo produzido pela cidade. Um motorista de ônibus que encerra seu expediente mais cedo não reduz automaticamente a demanda de passageiros. Da mesma forma, uma equipe hospitalar não pode simplesmente diminuir o número de profissionais durante um plantão porque pacientes continuam chegando às emergências vinte e quatro horas por dia.

Esse descompasso cria um fenômeno relativamente simples do ponto de vista econômico: o serviço permanece igual, mas o número de horas disponíveis por trabalhador diminui. A consequência natural tende a ser uma combinação entre novas contratações, aumento de horas extras, terceirizações ou ampliação dos contratos existentes. Em qualquer desses cenários, a despesa pública cresce.

DESPESAS OBRIGATÓRIAS – Há ainda outro fator frequentemente negligenciado no debate político. A maior parte dos gastos municipais é composta por despesas obrigatórias. Quando a folha de pagamento aumenta, sobra menos espaço para investimentos em infraestrutura, saneamento, pavimentação, creches ou aquisição de equipamentos para saúde e educação. Assim, uma política concebida para melhorar as condições de trabalho pode produzir efeitos indiretos sobre a capacidade de investimento do próprio Estado.

Isso não significa que a redução da jornada seja, por definição, uma medida equivocada. Diversos países reduziram suas cargas horárias ao longo das últimas décadas acompanhando avanços tecnológicos, aumento da produtividade e mudanças na organização do trabalho. Entretanto, essas transformações normalmente foram implementadas de forma gradual, acompanhadas de estudos de impacto econômico e adaptação dos modelos produtivos.

No Brasil, o desafio parece ser ainda maior porque grande parte dos serviços públicos depende essencialmente da presença física dos trabalhadores. Diferentemente da indústria ou de atividades fortemente automatizadas, muitos desses serviços simplesmente não podem ser substituídos por softwares, inteligência artificial ou equipamentos.

EFEITOS FISCAIS – Outro aspecto relevante é que os efeitos fiscais tendem a ser bastante desiguais entre os entes federativos. Grandes capitais possuem maior capacidade de arrecadação para absorver o aumento de despesas. Já municípios pequenos, fortemente dependentes de transferências federais e estaduais, podem enfrentar dificuldades muito maiores para equilibrar suas contas sem reduzir investimentos ou elevar a carga tributária local.

No centro dessa discussão está uma questão que ainda permanece sem resposta definitiva: de onde virão os profissionais necessários para preencher as horas deixadas pela redução da jornada? Se não houver aumento da produtividade suficiente para compensar a perda de horas trabalhadas — algo improvável em atividades essencialmente presenciais — o custo adicional parece inevitável.

A discussão, portanto, ultrapassa a simples dicotomia entre ser favorável ou contrário à jornada de 40 horas. O verdadeiro desafio consiste em construir um modelo capaz de preservar os ganhos sociais pretendidos sem comprometer a sustentabilidade financeira do Estado. Sem um planejamento detalhado para reorganizar escalas, ampliar a eficiência operacional e definir fontes permanentes de financiamento, existe o risco de que uma medida voltada à valorização do trabalhador resulte em uma pressão adicional sobre os cofres públicos — e, em última instância, sobre o próprio contribuinte.

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Carlos Newton

Poucas vezes o Supremo Tribunal Federal viveu um clima tenso como o de agora. A situação só ficou pior em 1968, no Ato Institucional nº 5 (que deveria ser denominado Ato Ditatorial), quando o presidente Costa e Silva aposentou compulsoriamente os ministros Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal e Hermes Lima, juristas de verdade, com notório saber e reputação ilibada..

Em solidariedade, os ministros Lafayette de Andrade e Antônio Gonçalves de Oliveira renunciaram aos cargos. Um mês e meio depois, em 3 de fevereiro de 1969, o regime militar então baixou o AI-6, que reduziu o número de cadeiras no STF de 16 para 11, consolidando uma maioria de ministros alinhados à ditadura.

CLIMA TENSO – Somente agora, quase 60 anos depois do AI-6, o Supremo volta a funcionar em temperatura máxima, causada pelos sucessivos escândalos que vêm abalando o tribunal a partir da libertação ilegal de Lula da Silva, em 2019.

O clima agora é muito tenso, por vários motivos, como o fato de o ministro Alexandre de Moraes estar sendo processado nos EUA pelo presidente Trump; o caso do Banco Master, que atinge Moraes e também Dias Toffoli; e a revisão criminal da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe, um crime que foi planejado, mas não chegou a acontecer.

Os três casos acontecem simultaneamente,mas o processo da revisão criminal, relatado na Segunda Turma pelo ministro Nunes Marques, está mais adiantado e ganha destaque.

DIZ GONET – Em parecer enviado ao STF na terça-feira passada, dia 16, o procurador-geral Paulo Gonet pede que a revisão criminal de Bolsonaro sequer seja conhecida pela Segunda Turma. Bem, sonhar ainda não é proibido, mas a revisão criminal é direito de todo réu, especialmente quando favorecido pelo mais extenso e fundamentado voto da História do Supremo, com 426 páginas, emitido por Luiz Fux na Primeira Turma.

Agora, o processo aguarda o voto do relator da Segunda Turma, Nunes Marques, que não tem prazo regimental para entregá-lo, mas tudo indica que deverá fazê-lo sem demora, pois conhece bem o processo.

Conforme a Tribuna da Internet tem informado desde o ano passado, sempre com absoluta exclusividade, a revisão criminal será aprovada por 3 votos a 2, com Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça, a favor, e Gilmar Mendes e Dias Toffoli, contra. Não haverá outro resultado.

CONSEQUÊNCIAS – Como a Segunda Turma funciona como revisora da Primeira Turma, o resultado do julgamento provocará uma confusão dos diabos, em pleno final da campanha desta eleição presidencial.

É claro que surgirão inquietantes dúvidas sobre as consequências legais da absolvição de Bolsonaro. A única coisa certa é que, ao proclamar a absolvição de Bolsonaro, o novo presidente da Segunda Turma, que será Luiz Fux, imediatamente expedirá o alvará de soltura, e todos os demais condenados pela Primeira Turma (mais de 1,5 mil) logo irão pedir revisão criminal.

É um direito que a lei lhes garante, para cumprimento do Pacto Americano dos Direitos Humanos, aprovado em 1969, que o regime militar desprezou, mas o Brasil aderiu em 1992, ainda no governo Collor de Mello, e logo depois foi assinado pelo sucessor Itamar Franco. O acordo garante que não existe condenação sem recurso a juízo colegiado.

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P.S. 1
– Com Bolsonaro solto, vai haver uma terceira disputa jurídica, porque o grupo de Gilmar Mendes, que inclui Moraes e a maioria do STF, vai tentar um desesperado recurso, pedindo que o ex-presidente seja julgado pelo plenário, onde a derrota dele é mais do que certa. Diante disso, o que acontecerá?

P.S. 2 – Bem, aqui na Tribuna da Internet sabemos o que vai acontecer, porque há meses estamos estudando o Regimento Interno do Supremo. Portanto, quem quiser saber o resultado desse processo, que faça o mesmo. No Regimento em si, há mais de mil dispositivos (artigos, parágrafos, incisos, itens e alíneas), acrescidos de uma série de emendas.

P.S. 3 – Logo que Bolsonaro for solto, a Tribuna da Internet irá revelar o que está previsto nas normas do Supremo quanto à possibilidade de recurso. Dispomos desse conhecimento porque nos dedicamos a pesquisar a legislação. É por isso que conseguimos transmitir essas informações sempre com absoluta exclusividade. Aliás, os juristas e jornalistas políticos deveriam fazer o mesmo. Mas quem se interessa? (C.N.)

Pesquisa Ipsos-Ipec: 56% dos brasileiros afirmam não confiar no presidente Lula

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho  nas pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Yago Godoy
O Globo

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira mostra que 56% dos brasileiros dizem não confiar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 41% afirmam que confiam no mandatário petista. O cenário mantém o percentual das divulgações anteriores. Outros 3% não souberam ou não responderam.

A taxa é maior entre homens (58%, contra 54% entre o público feminino). O percentual também é alavancado na parcela da população que possui ensino médio (62%) e ensino superior (64%), e, em relação à faixa etária, alcança o pior cenário entre pessoas de 25 a 34 anos de idade (63%).

RENDA E RELIGIÃO – A percepção negativa atinge o pico entre quem recebe mais de cinco salários mínimos (70%) ou é evangélico (70%).

Já a parcela da população em que há mais confiança é entre quem ganha até um salário mínimo (53%) ou é católico (51%).

Na última publicação da pesquisa, em março deste ano, 40% diziam confiar no petista, contra 56% que afirmavam ter desconfiança. Há um 1 ano, em junho de 2025, a situação atingiu a maior discrepância: 37% confiavam em Lula, enquanto 58% ressaltavam não confiar.

PIOR DO QUE ANTES – Ainda conforme a Ipsos-Ipec, para 42% dos brasileiros, o governo Lula é pior do que o esperado, enquanto 23% avaliam que a gestão superou as expectativas.

A única região brasileira em que a avaliação positiva predomina é no Nordeste, onde 36% dizem que o terceiro mandato de Lula é melhor que o que se esperava, contra 32% que afirmam ser “igual” e 30% que declaram estar pior.

O governo Lula, segundo a pesquisa, também não é melhor do que o esperado para nenhuma faixa de renda familiar. A maior diferença é entre quem ganha mais de cinco salários mínimos — 12% melhor contra 50% pior —, e a menor, entre quem tem renda de até um salário — 34% melhor e 36% pior.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Uma pergunta sincera para quem acredita em pesquisas: Você acha possível um político ser eleito presidente quando 56% dos eleitores não confiam nele? Além disso, em relação à situação econômica do Brasil, 41% dizem que está pior nos últimos seis meses e apenas 25% dizem que está melhor. Em suma: a pesquisa do Ipsos, uma grande empresa francesa que adquiriu o Ipec, mostra que Lula não tem condições de vencer. (C.N.)

Michelle volta ao ataque contra Ciro e enterra de vez aliança com o PL no Ceará

Michelle reagiu às declarações de Ciro

Letícia Pille
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar nesta segunda-feira o pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB), reacendendo um embate que já provocou atritos dentro da família Bolsonaro e levou o PL a suspender, no ano passado, uma articulação para apoiar o então pedetista na disputa pelo governo do Ceará.

Em uma sequência de publicações nas redes sociais, Michelle compartilhou um vídeo de um apoiador que afirma que ela “tinha razão” ao se opor à aproximação entre o PL e Ciro. A gravação repercute uma entrevista concedida pelo ex-governador do Ceará à revista Veja na semana passada, na qual ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “são iguais”.

PROJETOS DE PODER – Na publicação seguinte, Michelle compartilhou um trecho da reportagem e escreveu: “Nunca foi ‘para tirar o PT’, e sim por projetos de poder”. A mensagem faz referência às negociações conduzidas nos últimos meses por lideranças do PL cearense para tentar construir uma aliança com o ex-ministro em torno de uma candidatura de oposição ao governador Elmano de Freitas (PT).

A ex-primeira-dama afirmou ainda que já gravou um vídeo sobre o tema e que pretende divulgá-lo em breve. Pouco depois, Michelle voltou ao assunto ao compartilhar outro trecho da entrevista de Ciro à Veja. Na declaração reproduzida por ela, o ex-ministro afirma que uma eventual aliança regional não alteraria suas divergências nacionais com o PL.

— A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional — disse Ciro à revista.

DISPUTA – As críticas retomam uma disputa que mobilizou o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado. Em dezembro, Michelle se posicionou publicamente contra as tratativas conduzidas pelo deputado André Fernandes (PL-CE), então com o aval de Bolsonaro, para viabilizar uma composição eleitoral com Ciro no Ceará.

Na ocasião, a ex-primeira-dama afirmou que não poderia apoiar um político que, segundo ela, atacou reiteradamente Jair Bolsonaro e ajudou a consolidar narrativas contra o ex-presidente. O posicionamento gerou forte reação dos filhos de Bolsonaro, como Flávio, que classificou a postura da madrasta como “autoritária” e afirmou que ela havia atropelado uma decisão previamente autorizada pelo ex-presidente.

Carlos e Eduardo Bolsonaro também saíram em defesa da articulação conduzida pelo diretório cearense. Dias depois, porém, Flávio pediu desculpas a Michelle e o PL decidiu suspender as negociações.

Bolsonaro aguarda decisão de Moraes sobre prisão domiciliar após fim do prazo

Prazo de prisão domiciliar de Bolsonaro termina na quinta

Márcio Falcão
G1

O prazo da prisão domiciliar temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro termina na quinta-feira (25). A extensão do benefício depende do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro cumpre desde novembro do ano passado a pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido considerado líder de uma organização criminosa que tentou dar um golpe de estado em 2022 para mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.

ESTADO DE SAÚDE – A prisão domiciliar foi concedida por Moraes em março e pelo prazo de 90 dias. O ministro considerou que o estado de saúde do ex-presidente, que enfrentava um quadro de broncopneumonia e teve que ser internado num hospital particular de Brasília, justificava a medida. O benefício também teve aval da Procuradoria-Geral da República.

Antes da prisão domiciliar, Bolsonaro ficou preso na Superintendência da Polícia Federal e, em 15 de janeiro deste ano, foi transferido para uma sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

EXAMES –  A defesa de Bolsonaro pediu que Moraes autorize uma nova bateria de exames. Os advogados argumentam que são necessários uma tomografia computadorizada do tórax e do abdômen, uma endoscopia digestiva alta e uma pHmetria esofágica (para medir o grau de acidez no esôfago).

De acordo com os médicos, a avaliação é essencial para o acompanhamento do quadro de pneumonia broncoaspirativa e para a investigação de uma esofagite erosiva, gastrite crônica, doença do refluxo gastroesofágico, má digestão e recorrentes crises de soluço.

Os médicos apontaram que Bolsonaro, ao longo da domiciliar, apresentou piora considerável nos episódios de soluços. Devido à intensidade e à frequência das crises, a equipe médica que acompanha o ex-presidente precisou administrar doses extras de medicamentos, atingindo o “limite terapêutico de segurança”.

FADIGA – O relatório médico apresentado pela defesa também aponta que, do ponto de vista cardiológico, o ex-presidente permanece estável, com a pressão arterial controlada. E que mantém queixas de cansaço e fadiga ao realizar esforços médios, além de oscilações no equilíbrio corporal.

Em maio, o ex-presidente também passou por uma cirurgia no ombro direito. Além do quadro clínico de Bolsonaro, o ministro do STF também deve avaliar o comportamento do ex-presidente durante a domiciliar.

ARMA APREENDIDA –  Um fator que pode influenciar o caso é a apreensão de uma arma de Bolsonaro com um militar que é responsável pela segurança do ex-presidente. A arma – uma pistola Glock 9mm – foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília na última semana. Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo.

O caso é investigado pela Polícia Civil do DF. O carro era dirigido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. O militar prestou depoimento e foi liberado. Ele afirmou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada porque precisava passar por reparos, e seria devolvida em seguida ao ex-presidente.

Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro prestasse esclarecimentos sobre a entrega da arma na reta final da prisão domiciliar. Ao STF, os advogados afirmam que a própria equipe de segurança de Bolsonaro tinha deixado a arma de fogo inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do político.

PRECAUÇÃO – “As medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante.”

O juiz federal e pós-doutor pela Universidade de Coimbra, Paulo César Rodrigues, avalia que a prisão domiciliar humanitária no caso do ex-presidente é uma situação excepcional e que a apreensão da arma pode sim caracterizar uma falta grave.

PRAZO MENOR – O magistrado, no entanto, aponta que as condições que justificaram o benefício não foram alteradas, com o quadro de saúde fragilizado e com a idade. O ex-presidente tem 71 anos. E, portanto, a domiciliar pode ser mantida até mesmo com novas condições, como prazo menor.

“Essa situação não se desconfigurou, mas como a apreensão da arma é uma falta que pode ser considerada grave, o ministro pode regredir o regime ou até impor restrições para a própria domiciliar. Mas, como é uma pessoa idosa e com a saúde debilitada, há chances de a domiciliar ser mantida”, disse.

Na prisão domiciliar, Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica e cumpre restrições: monitoramento presencial da área externa da casa vistoria de todos os carros que deixarem o local; proibição de quaisquer manifestações a um raio de 1 km de distância; e proibição de celulares, redes sociais e gravação de vídeos ou áudios. O ex-presidente pode receber advogados, médicos e familiares. As visitas de políticos foram suspensas.

Interesses eleitorais de Motta e Alcolumbre emperram agenda do Congresso

Disputa deixa Motta e Alcolumbre em lados opostos

Luiz Felipe Barbiéri
Caetano Tonet
G1

Com o foco nas eleições, governo e oposição trabalham para encaminhar e destravar a análise de projetos de seus respectivos interesses no Congresso Nacional, mas a Copa do Mundo, as festas de São João e disputas políticas ligadas têm contribuído para atrasar o andamento das propostas.

Um dos pontos são as negociações para a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente. Impulsionadas pelo bom momento da relação de Motta com o governo, parte das matérias de interesse do Executivo já foi aprovada pelos deputados, mas não contam com a boa vontade de Alcolumbre, com quem a relação não está boa, para serem votadas pelos senadores.

PEC DA SEGURANÇA – É o caso da PEC da Segurança Pública, aposta do governo para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o eleitorado, principalmente o de centro-direita, que aponta o tema como uma de suas maiores preocupações.

O texto foi aprovado na Câmara em março, mas ainda não foi despachado por Alcolumbre para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde as PECs são analisadas antes de irem para o plenário do Senado.

POSTURA DÚBIA –  Outro texto que aguarda votação dos senadores é a PEC que reduz a jornada de trabalho sem redução salarial. Alcolumbre adota uma postura dúbia, apesar de garantir a interlocutores que o tema será votado antes das eleições, tem dito que o Senado não pode ser uma “casa carimbadora” e ainda não enviou a matéria para a CCJ.

Ele inclusive desmarcou um encontro que teria com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), para definir o relator e não há uma nova data no horizonte. Aliados do presidente do Senado dizem que apesar da cautela de Alcolumbre, a PEC terá uma tramitação rápida na CCJ pela boa relação de Otto Alencar com o governo.

DESCOMPASSO –  Parlamentares admitem o descompasso de agenda entre as duas casas, mas atribuem o travamento dos projetos à relação de Alcolumbre com o governo e não às festas, tratadas como a “desculpa oficial”.

Além disso, avaliam que a agenda ficará ainda mais apertada em razão do período eleitoral, quando o Congresso deverá trabalhar em regime remoto a maior parte do tempo para permitir que os deputados e senadores fiquem nas suas bases para fazer campanha.

Para permitir o avanço das propostas, os parlamentares defendem que Alcolumbre tente reconstruir a relação com o Planalto. O presidente do Senado é apontado como responsável por uma das principais derrotas políticas de Lula neste mandato, a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.

VÍDEO DE LULA – Sobre a Motta, um deputado disse que a relação com o Planalto deu uma pequena “azedada” por conta do vídeo de Lula em apoio à reeleição de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) ao Senado. Motta luta pelo apoio do presidente ao seu pai, o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos-PB). No entanto, não acreditam que isso impacte o andamento de propostas de interesse do Executivo na Casa por considerarem que o episódio ainda é “corrigível”.

Para os parlamentares, o acirramento dessa disputa pelo apoio de Lula seria prejudicial ao próprio Motta por dar mais peso à manifestação do presidente ao senador paraibano.

REELEIÇÃO –  A decisão de Motta e Alcolumbre de colocar em votação ou não determinados projetos também passa pelo cálculo de reeleição às respectivas presidências da Câmara e do Senado. Motta colou no governo e Alcolumbre na oposição.

Nas palavras de um parlamentar, o presidente do Senado só tem chance de se eleger se tiver o PL ao seu lado, enquanto Motta se agarrou ao PT. Ambos “só pensam nisso”, segundo outro congressista.

A decisão de Alcolumbre de levar à votação um que facilita o pagamento de dívidas de produtores rurais com subsídio do governo, por exemplo, não é tratada como uma retaliação ao governo por deputados e senadores, mas sim o atendimento de um interesse da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O texto é considerado uma pauta bomba pelo governo (leia mais abaixo). O Ministério da Fazenda estima um impacto de R$ 140 bilhões nos próximos 13 anos.

ANTES DO RECESSO –  Motta também anunciou que pretende enviar ao Senado outras três matérias antes do recesso parlamentar: um projeto que aumenta o limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI); uma proposta que equipara a misoginia ao crime de racismo. Este projeto já passou pelo Senado, mas vai ser analisado novamente pelos senadores porque os deputados devem alterar seu conteúdo; e outro texto que cria o Marco Legal da Inteligência Artificial (IA).

Parlamentares avaliam que os dois primeiros projetos devem ser discutidos e aprovados antes do recesso, como quer Motta. Os deputados, no entanto, defendem mais debates sobre a proposta que cria um marco legal para IA.

TOMA LÁ., DÁ CÁ –  Se os projetos de interesse do governo avançam na Câmara e ficam parados no Senado, as propostas aprovadas por senadores contra os interesses do Executivo estão guardadas na gaveta do presidente da Câmara.

É o caso do projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado. Como mostrou o G1, Motta disse a aliados que a medida é “impagável”, que as pautas de socorro ao agronegócio “precisam ter um limite” e que não é possível aprovar tudo o que a bancada ruralista deseja.

O projeto foi assunto em uma ligação entre Motta e Alcolumbre. O presidente do Senado perguntou se o tema avançaria na Câmara. Na resposta, Motta afirmou não conhecer o texto e que não se comprometia em pautá-lo.

MISOGINIA – Outra proposta que travou na Câmara foi o projeto da misoginia. Motta decidiu criar um grupo de trabalho para discutir o texto, o que atrasou a tramitação. A votação deve ser realizada só depois do período das Festas Juninas. Apesar do descompasso nas agendas das duas Casas, Alcolumbre e Motta mantêm uma relação próxima e se falam praticamente todos os dias.

Aliados do presidente do Senado atribuem a falta de harmonia entre as duas Casas a crise entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto deflagrada com a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

PT e PL transformam TSE em campo de batalha antecipado da eleição de 2026