Nunes Marques e sua esposa também voaram nas asas dos jatos de Vorcaro

BlogdoBG | O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que... | InstagramDeu em O Tempo

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa viajaram para Maceió, partindo de Brasília, em uma aeronave particular da empresa Prime You, que gerencia os bens de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A informação foi divulgada pelo jornal “O Estado de São Paulo” neste sábado (4/4).

O motivo do deslocamento, de acordo com a reportagem, foi o aniversário de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e que informou ter bancado as despesas da viagem.

AS “ALEGAÇÕES” – Em nota oficial, o ministro confirmou ao “Estadão” que fez a viagem e que foi convidado pela advogada. Também em nota ao jornal, ela explicou que “o voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário”.

Além de Nunes Marques, na última semana, o jornal “Folha de São Paulo” mostrou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, viajaram em jatos executivos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele.

No período de maio a outubro de 2025, foram oito voos, em deslocamentos entre Brasília e São Paulo. Em sete desses voos, o casal utilizou aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual o ex-dono do Banco Master era sócio através do fundo Patrimonial Blue. A empresa é certificada a operar como táxi aéreo. 

R$ 600 MIL… – De acordo com levantamento feito por O Tempo em Brasília, cada deslocamento deste tipo chega a custar mais de R$ 600 mil no mercado de táxi aéreo, de acordo com cotações colhidas pela reportagem.

Em nota, o gabinete do ministro Moraes rebateu a reportagem da “Folha” e afirmou que “as ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”.

“O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, diz o comunicado.  Já o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”. Além disso, que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que se constata é a desmoralização progressiva do Supremo Tribunal Federal, cujos membros, em sua esmagadora maioria, mais parecem investidores, que usam a toga para acumular fortunas ilícitas, ao invés de respeitar a dignidade que o cargo de ministro impõe. Mas não há novidade no front, o Supremo apenas foi o último poder a ser prostituído. Por isso as falcatruas estão chamando tanta atenção. (C.N.)

“Ela valsando, só na madrugada, se julgando amada ao som dos bandolins…”

Oswaldo Montenegro apresenta em SP 'Nossas Histórias' - Estadão

Montenegro, um compositor de raro talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro conta que fez a música “Bandolins” para a cunhada do amigo Zé Alexandre, na época uma bailarina. A moça tinha um namorado também bailarino, mas o casal teve que se separar devido a um convite ao namorado para morar na França. Por ser menor, a família da bailarina não permitiu que ela também fosse.

Oswaldo Montenegro diz que, ao compor, tentou retratar a moça dançando sozinha. A música “Bandolins” foi gravada no LP Oswaldo Montenegro, em 1980, pela WEA, logo se transformando em um grande sucesso, alavancando, definitivamente, a carreira do então desconhecido cantor e compositor.

BANDOLINS
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim seu colo
E como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo
A valsa triste iluminava
E a noite caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins
Ao som dos bandolinsAo som dos bandolins

Histórico da democracia brasileira indica que é preciso estar atento a novos golpes

Golpe Militar de 1964: o que foi, contexto, resumo - Brasil Escola

De 64 a 85, foram 21 anos de ditadura militar e arbítrio

Roberto Nascimento

Em recente comentário aqui na Tribuna da Internet, abordamos golpes de estado ocorridos no Brasil após a República, que foi oriunda de uma conspiração contra Dom Pedro II, um monarca altamente intelectualizado e que sabia governar, ao contrário de muitos presidentes.

Insta salientar que, no ambiente da Internet, se o comentarista escrever muito, quase ninguém terá paciência de ler. Portanto, é preciso ser o máximo sucinto possível, e por isso não foi possível discorrer sobre  as nuances de todos os golpes de estado ocorridos no Brasil durante a República.

Primeiro, houve a conspiração de Floriano contra Deodoro. Depois, o episódio dos Tenentes (18 do Forte), a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas a governar por 15 anos em regime ditatorial, a Intentona Comunista de 1935, o Levante Integralista de 1938, o Movimento de 11 de Novembro (1955), para evitar a posse de Kubitschek, e as revoltas de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959), já no governo JK.

COUTTO LEMBROU – Este ano, o jornalista Pedro do Coutto foi um dos poucos que lembraram a passagem do golpe de 31 de março de 1964. Entretanto, a aventura política civil-militar nunca esteve tão atual, pois a ameaça golpista continua atormentando o país.

Tentaram de novo em 2022, mas fracassaram. E agora, vão levar 10 anos, como ocorreu no passado, quando tentaram derrubar Getúlio em 1954 e voltaram em 1964?

O mesmo golpe de 1964 foi tentado em 1954, com a pressão militar para derrubar Getúlio Vargas. Mas o suicídio do presidente, aliado à comoção popular, fez os militares recuarem. Em 1955, tentaram impedir a posse de Juscelino, mas o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, na época não se falava em ministro do Exército, impediu o 11 de Novembro, e depois vieram as revoltas de Aragarças e Jacareacanga, de origem aeronáutica.

JANGO ASSUME – Bem, em 1961, assumiu o vice João Goulart, devido à renúncia de Jânio Quadros, sete meses após assumir a presidência, supostamente para reassumir como ditador em meio a uma esperada pressão popular, que não veio. 

Os militares não queriam a presidência de Jango e até ameaçaram derrubar o avião que o trazia de volta de uma viagem à China, para assumir o governo.

Após intensas negociações, os militares aceitaram um acordo para mudar o regime de presidencialismo para parlamentarismo, com Tancredo Neves como primeiro-ministro. Seis meses depois, Jango arquitetou um plebiscito para retorno do presidencialismo, e o povo votou sim, dando o poder de volta a João Goulart como presidente.

Os militares, então, começaram a minar Jango junto com a elite empresarial paulista, acusando o presidente de comunista e de querer implantar uma república sindical.

GUERRA FRIA – O contexto era a guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética. Os EUA, que consideravam (e ainda consideram) o Brasil como colônia americana, tiveram receio de que nosso país passasse a orbitar sob o domínio de Moscou.

Com base no argumento da guerra fria, abasteceram os golpistas brasileiros com informações da CIA, ofereceram apoio logístico, caso fosse necessário, e dinheiro para minar o governo de Jango, tudo comandado pelo embaixador Lincoln Gordon e o adido militar, coronel Vernon Walters.

Em 31 de março de 1964, o golfe foi desfechado, assumindo o comando da nação, pela força, o general Humberto de Alencar Castelo Branco. O regime militar durou 21 anos, de 64 a 85.

BARBÁRIE MILITAR – Importante salientar que naquele período de trevas, toda a América Latina, após o Brasil sucumbir ao autoritarismo, teve um efeito dominó.  Depois, caíram Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Equador, Peru, Colômbia, somente a Venezuela foi poupada da barbárie militar no Cone Sul.

Bem, o futuro a Deus pertence e o Golpe de 2022 foi fracassado porque não houve adesão popular e do empresariado, além da falta apoio dos Estados Unidos, circunstância que desestimulou o Alto-Comando do Exército.

O então presidente Joe Biden enviou um assessor militar para dar um recado aos golpistas: se o golpe fosse executado, o novo governo ficaria isolado e sem condições de prosseguir. Portanto, se o presidente fosse Trump, a história seria outra. Portanto, todo cuidado ainda será pouco, porque Trump agora é o presidente e os golpistas brasileiros estão todos aí, com sangue nos olhos.

Mais vexame! Toffoli voou em jatinho de Vorcaro para “relaxar” no Tayayá

✈️ A farra do jatinho continua! Não bastasse a informação de que Moraes  voava em jatos da empresa de Vorcaro, documentos da Anac mostram que Toffoli  também embarcou em aeronave da PrimeLucas Marchesini
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli voou em 4 de julho de 2025 em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha como sócio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam documentos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e do Decea (Departamento de Controle de Espaço Aéreo) obtidos pela Folha.

Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h daquela data, segundo informações da Anac. Um avião da Prime Aviation com prefixo PR-SAD decolou às 10h10 para Marília (SP), cidade natal do ministro, de acordo com dados do Decea.

PEDIU SEGURANÇAS – Naquele mesmo dia, seguranças do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo haviam sido deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, que é frequentado por Toffoli e fica a 150 quilômetros de Marília. Esse deslocamento se deu, de acordo com a corte, a pedido do STF para atender a uma autoridade.

A Folha revelou em janeiro que empresas da família Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Banco Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.

Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, foram sócios no Tayayá até o ano passado. Tinham cotas no Tayayá a Maridt Participações, que pertence ao ministro, e o fundo Arleen, de Zettel.

MORAES, TAMBÉM – O avião PR-SAD é o mesmo que, segundo o cruzamento dos dados do Decea e da Anac, levou o ministro Alexandre de Moraes para São Paulo em três ocasiões, como mostrou reportagem da Folha publicada na terça (31).

Os documentos da Anac mostram dez registros de entrada de Toffoli em 2025 no terminal executivo do aeroporto de Brasília, que recebe principalmente aeronaves particulares.

O cruzamento com os dados do Decea permite identificar o avião que teria sido utilizado pelo ministro em seis ocasiões, uma vez que não há outras decolagens e pousos em horários próximos. Em cinco desses casos, o avião pertencia a empresários.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ministros como Toffoli, Moraes e outros, como Nunes Marques, que também é chegado num jatinho, confirmam que o Supremo deixou de ser confiável e respeitável. Neste Domingo de Páscoa podemos dizer que os 30 dinheiros de Judas falam mais alto do que se cobrir com o manto sagrado da Suprema Corte. Sinal dos tempos? Talvez. (C.N.)

A sujeirada se alastra, mas ninguém sabe quem é o pai do porco clonado

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Dono dos porcos

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto 

Primeiro porco clonado no Brasil como era de se esperar causando o maior rebuliço nos três poderes da República. Todos querem ser pai do porquinho bem nascido. Togados não abrem mão da façanha. Contam com fortes banqueiros patrocinando tudo. Mas Edson Fachin pede moderação. 

Um dos financiadores para as festas suntuosas e pesquisas suínas da Suprema Corte, banqueiro hoje em desgraça,  está enrascado com a Justiça até a medula óssea. Suspeita-se que tenha sido amante da mãe do porquinho clonado…

BRIGA PELA PATERNIDADE – Por sua vez, dentro do Congresso Nacional a briga pela paternidade do porco é acirrada. Deputados e senadores querem levar o suíno clonado para os palanques das campanhas.

 

Dinheiro não é problema para os parlamentares. Alegam que as pesquisas cientificas que permitiram a descoberta do novo xodó do Brasil foram bancadas pelo bilionário Fundo Partidário.
O senador Davi Alcolumbre, mestre em sentar em cima de iniciativas que não interessam aos congressistas e sobretudo a ele, já deu sinal que usará de toda sua força regimental para que o porquinho seja admirado e celebrado pelos brasileiros como patrimônio dos senadores.
SÍMBOLO REPUBLICANO – O porquinho correrá o país como símbolo republicano. Banhado, perfumado e com fitinha no pescoço. Senadores ostentam com orgulho e fascínio o conhecido e surrado espírito de porco em suas entranhas.  Lula também entrou na roda. Mas foi logo investindo na maldade.
Mandou o ministro Sidônio Palmeira preparar milhões de peças lembrando que Bolsonaro,  amorosamente chamado por dona Michele de” meu galego”, tem 3 filhos porcos: Flávio, Eduardo e Carlos.  Mas o porquinho clonado é fruto do empenho do Planalto e usou até verbas do Bolsa Família…

Muito além do banco: o caso Vorcaro e as conexões entre finanças e poder

Charge do Clayton (O Povo)

Pedro do Coutto

O avanço das investigações sobre os recursos no exterior ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro marca uma inflexão importante não apenas no caso em si, mas na forma como o Brasil lida com a interseção entre sistema financeiro, poder político e responsabilização institucional.

A reportagem de Patrik Camporez, publicada em O Globo, revela que autoridades passaram a rastrear ativos fora do país, ampliando significativamente o escopo da apuração. Esse movimento, embora técnico à primeira vista, carrega implicações profundas: ele desloca o centro do debate da simples recuperação de valores para a compreensão das engrenagens que permitiram sua formação, circulação e eventual ocultação.

FLUXOS FINANCEIROS – O rastreamento internacional sugere que não se trata de um episódio isolado ou de uma falha pontual de governança, mas de uma estrutura sofisticada, possivelmente desenhada para dificultar a identificação de fluxos financeiros e proteger patrimônio em diferentes jurisdições. Esse tipo de engenharia, comum em casos de grande complexidade financeira, raramente opera sem algum grau de interlocução institucional.

É nesse ponto que o caso deixa de ser apenas econômico e passa a adquirir contornos políticos mais sensíveis. Afinal, o dinheiro, quando se move em escala e com esse nível de organização, quase sempre dialoga com poder.

A possível conexão de Vorcaro com autoridades brasileiras, ainda sob apuração, adiciona uma camada de gravidade ao episódio. A menção à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília, operação que envolvia um banco público e que acabou sendo barrada, funciona como um sinal de alerta sobre a proximidade entre interesses privados e estruturas estatais. Mesmo que não haja comprovação de irregularidades nessa interlocução, o simples fato de ela existir já impõe um desgaste institucional relevante, sobretudo em um contexto em que a confiança nas instituições é constantemente testada.

DELAÇÃO – Paralelamente, ganha força a negociação de um acordo de delação premiada, que reposiciona Vorcaro não apenas como investigado, mas como potencial fonte de revelações capazes de reconfigurar o cenário. Nesse tipo de acordo, a devolução de recursos é apenas uma das variáveis.

O elemento central passa a ser a qualidade e o alcance das informações oferecidas. Em outras palavras, o valor estratégico da delação está menos no dinheiro recuperado e mais naquilo que pode ser revelado sobre redes, conexões e eventuais zonas de influência. Trata-se de uma moeda de troca poderosa, que historicamente tem sido capaz de produzir avanços institucionais, mas também de gerar instabilidade política.

O Estado brasileiro, diante desse cenário, se vê novamente confrontado com um dilema recorrente: até que ponto é aceitável flexibilizar punições em troca de informações que podem atingir outros atores, possivelmente mais relevantes do ponto de vista sistêmico? A resposta nunca é simples, porque envolve equilibrar eficiência investigativa, justiça e credibilidade institucional. Se conduzida com rigor e transparência, a delação pode contribuir para esclarecer estruturas mais amplas e fortalecer mecanismos de controle. Se mal calibrada, pode alimentar a percepção de seletividade ou oportunismo.

CAPITAL E PODER – O caso Vorcaro, portanto, ultrapassa os limites de um escândalo financeiro. Ele se insere em uma tradição brasileira de episódios que expõem a permeabilidade entre capital e poder, revelando fragilidades que vão além dos indivíduos envolvidos. A existência de fluxos internacionais, a possível interlocução com agentes públicos e a negociação de uma delação robusta colocam em evidência não apenas eventuais ilícitos, mas a própria capacidade das instituições de reagir de forma consistente e estruturante.

O que está em jogo não é apenas a devolução de ativos ou a responsabilização de um agente econômico, mas a possibilidade de se produzir uma leitura mais ampla sobre como operam, no Brasil, as conexões entre dinheiro e influência. Se essa oportunidade será aproveitada para promover mudanças reais ou se resultará apenas em mais um capítulo de desgaste sem transformação efetiva, dependerá menos do que já foi descoberto e mais da forma como o Estado escolherá agir a partir daqui.

Aumento da rejeição eleitoral obrigará Lula a mudar a atual postura cautelosa

Lula e a desaprovação que ganhou força | Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

William Waack
Estadão

A guerra no Oriente Médio virou um problemão eleitoral para Lula em duas dimensões: custos e endividamento. É possível tentar mitigar os efeitos de cada um desses fatores negativos. Mas não dá para controlá-los.

A questão de custos é bastante óbvia, mas nem um pouco até onde vai o encarecimento de energia e fertilizantes. O custo imediato para evitar desabastecimento e picos de preços é estimado em R$ 20 bilhões – para um horizonte de ainda haver quatro meses de guerra.

RENÚNCIAS FISCAIS – O governo agiu para “acomodar” esse impacto através de um mix de renúncias fiscais (junto de Estados) e subvenções.

É bastante provável que tenha de ampliar e estender essas medidas, pois mesmo que Trump declare imediatamente o fim da guerra, antecipa-se que não haverá uma volta ao “status quo ante” em termos de fluxos de energia.

Considerado de forma isolada, o aumento do preço de combustíveis é catastrófico para a reputação de qualquer político em qualquer lugar, e o que torna a questão no Brasil particularmente preocupante do ponto de vista eleitoral (visto da perspectiva de Lula) é sua combinação com o endividamento das famílias.

ACORDOU TARDE – O governo acordou bastante tarde para um estrago que, numa abordagem mais abrangente, ele mesmo criou. Expansão fiscal para sustentar crescimento da economia via consumo das famílias tem seus limites impostos por essa mesma política, uma das principais causas dos juros intoleravelmente altos.

O resultado é essa “malaise” tão claramente detectada pelas pesquisas de opinião. As benesses destinadas a produzir benefícios político-eleitorais não estão funcionando num quadro no qual prevalece a sensação, tão importante do ponto de vista da formação do voto, de que as coisas estão piorando. Em outras palavras, o endividamento devorou a isenção do IR até R$ 5 mil.

A resposta para a questão do endividamento vem do único tipo de ferramenta que o governo lulo-petista conhece: crédito subsidiado para pagar dívidas.

MAIS CONSUMO? – Em princípio, a ala “econômica” do governo gostaria de limitar o uso desse tipo de alívio apenas para tratar de dívidas, mas a ala política defende sem pudor algum que as linhas subsidiadas possam ser utilizadas também para mais… consumo, o que só agravaria a questão.

Até aqui as respostas ao problemão de custos e dívida têm sido a adoção de medidas emergenciais com alvos claros (evitar desabastecimento ou custo excessivo de diesel, por exemplo).

Mas a linha que separa “gerenciamento de crise” de “manobras eleitorais”, na definição da consultoria Eurasia, vai se tornando difusa, e depende de um número mágico: é a aprovação do presidente estar caindo para o patamar de apenas 40%. É quando os modelos estatísticos informam que a reeleição seria impossível.

Donald Trump mina os três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, está sentado à mesa do escritório Oval. Usa paletó escuro, camisa branca e gravata roxa. Está com as mãos entrelaçadas sobre documentos. Bandeiras e símbolos oficiais aparecem ao fundo.

A vaidade de Donald Trump o conduz a caminhos insanos

Hélio Schwartsman
Folha

Donald Trump procura “tornar a América grande de novo” exercitando o músculo militar do país, hostilizando imigrantes e impondo tarifas a outras nações, entre outras políticas erráticas. Na prática, o que ele está conseguindo é erodir três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder. Liderança internacional, predominância científica e apetite global pelo dólar estão sob risco

Recursos bélicos importam, mas o que realmente dava aos EUA um lugar único na ordem global era seu papel de liderança sobre o que os próprios americanos chamavam meio pretensiosamente de “mundo livre”.

REGRAS DEMOCRÁTICAS – Não era uma liderança que se impunha só pela força, mas principalmente pela adesão voluntária a um sistema internacional baseado em regras. O Agente Laranja já dinamitou esse sistema. Até os mais tradicionais aliados dos EUA já buscam alternativas.

Mesmo que a Otan sobreviva a Trump, não será a mesma organização. Isso vale para todas as instituições multilaterais, da Organização Mundial Do Comércio à ONU.

A questão da imigração, ao lado do corte de verbas para pesquisa, vai na jugular do que, a meu ver, era a joia da coroa dos EUA: sua predominância científica. A capacidade da América de atrair estrangeiros para estudar e depois pesquisar no país era o grande trunfo.

IMIGRANTES COM NOBEL – Dos 329 americanos que receberam prêmios Nobel em física, química ou medicina entre 1901 e 2025, 36% nasceram em outro país, isto é, eram imigrantes. O número vai a 40% se considerarmos as láureas científicas de 2000 até 2025. Com Trump, as matrículas internacionais em universidades americanas caíram 17% em 2025.

Se os EUA fossem um país normal, desvalorizar o câmbio poderia ser uma estratégia comercial apta. No caso americano, porém, ela embute um risco. O país goza da vantagem de emitir o dólar, que é a principal moeda de reserva global. É a divisa que todo mundo quer.

Essa hegemonia do dólar permite aos EUA financiar seus gigantescos déficits comerciais apenas imprimindo mais dólares sem causar inflação. Ao minar a confiança internacional nos EUA, sua moeda e títulos, Trump pode estar privando os americanos daquilo que já foi chamado de “exorbitante privilégio”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente artigo. Em poucas linhas, mostra o flagrante despreparo de Trump para governar e exibe sua colossal irresponsabilidade. Com toda certeza, trata-se da pessoa mais vaidosa do planeta Terra. Entregar o poder a Trump foi tão perigoso quanto permitir a ascensão de Hitler, mas há uma diferença abissal. O líder do nazismo não tinha como destruir o mundo, mas o líder do americanismo tem essa prerrogativa a seu dispor. (C.N.)   

Para defender Moraes, Fachin esquece a “ética” e usa argumentos fantasiosos

Fachin e Moraes entregam a Lula convite para posse de novo comando do STF | G1

Fachin se compromete ao acobertar os erros de Moraes

Carlos Newton

É muito triste acompanhar o noticiário sobre a progressiva desmoralização do Supremo Tribunal Federal como um todo, devido ao enriquecimento lícito, porém imoral, dos escritórios de advocacia mantidos por parentes dos ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Desta relação argentária, só escapam dois ministros atuais: Cármen Lúcia, uma pessoa simples e ética, que ia trabalhar no Supremo dirigindo um carro antigo; e André Mendonça, que segue na mesma linha e está destinado a fazer uma brilhante carreira.

TREMENDAMENTE – Tentam ridicularizar Mendonça, dizendo que ele é “tremendamente evangélico”, conforme afirmou o então presidente Jair Bolsonaro, em sua santa ignorância, sem perceber que o ministro é pastor presbiteriano, nada tem a ver com as seitas pentecostais que tanto exploram os brasileiros, como os autoproclamados bispos Edir Macedo ou Silas Malafaia.

Mendonça é diferente, tem formação em Teologia e jamais recebeu pagamento por suas atividades pastorais, mas quem se interessa? É mais fácil ridicularizá-lo do que reconhecer suas qualidades.

Bem, o fato é que, em janeiro, esses escritórios de advocacia com sobrenomes supremos já estavam inscritos em 1.921 processos nos tribunais superiores.

NAS MÃOS DE FACHIN – O encarregado de resolver essa bagunça é Edson Fachin, o atual presidente. No entanto, por ter uma personalidade fraca, sem vestígios de liderança, ele nada faz de concreto para tirar o Supremo da lama. Infantilmente, apenas propôs um Código Ética para repetir o que as leis já dizem sobre a conduta dos ministros.

Sua proposta foi estraçalhada em plenário pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, justamente os mais antiéticos da instituição, cujo proceder chega a transformar Gilmar Mendes num exemplo de correção, vejam bem a que ponto chegamos.

Apenas Cármen Lúcia e André Mendonça apoiaram o Código de Ética, que foi imediatamente arquivado e já repousa na lata de lixo do STF.

DEFESA DE MORAES – O mais constrangedor é ver Fachin ser humilhado por Moraes e Toffoli, ambos envolvidos em milionárias tramóias de enriquecimento ilícito, e depois vir a público para defendê-los.

Às vésperas do feriadão, por exemplo, Fachin divulgou uma nota para rebater o relatório da Comissão Judiciária da Câmara dos EUA, que acusa Moraes de praticar censura e outras ilegalidades.

Na nota, Fachin não cita diretamente Moraes, mas defende a atuação geral da Corte: “Os Ministros do Supremo Tribunal Federal seguem à risca os preceitos constitucionais, sendo a liberdade de expressão um desses primados fundamentais de nossa República”, afirmou.

MILICIAS DIGITAIS – O ministro também justificou as ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais, em inquéritos relatados por Moraes.

Segundo ele, as medidas “inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, com a finalidade da prática de diversas infrações penais, em especial aos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa ”.

Não é verdade. Fachin  distorce os fatos, usando argumentos do 8 de Janeiro e do golpe para justificar a censura imposta muito antes por Moraes, que desde 2019 punia blogueiros bolsonaristas em outro inquérito, o das fake news. “No âmbito daqueles inquéritos, foram emitidas medidas cautelares quando presentes indícios robustos da prática daqueles crimes”, justificou Fachin, sem medo do ridículo e misturando chiclete com banana.

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P.S. 1
É inaceitável esse procedimento de Fachin, dando cobertura aos erros e abusos de Moraes. A matriz USA não aceita censura política, de forma alguma. A lei mais famosa do mundo é a Primeira Emenda (1791), que proíbe o Congresso de estabelecer religião oficial, impedir o livre exercício religioso, restringir a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião pacífica ou o direito de petição ao governo. A emenda garante liberdades fundamentais contra a interferência do Estado.

P.S. 2Moraes, que não entende o fato de o Brazil ser uma filial, só se deu realmente mal na matriz USA quando “determinou” que a Justiça americana retirasse das redes sociais os blogs bolsonaristas. Foi demais. Só então os americanos perceberam que o ministro brasileiro tem problemas. Por isso, jogaram no lixo todos os pedidos feitos à Interpol pra extradição de brasileiros.

P.S. 3Por fim, a função de Fachin é presidir o Supremo e não cabe a ele funcionar como advogado de defesa de Moraes, inventando argumentos absolutamente ridículos. Se tivesse juízo e obedecesse à ética, Fachin deixaria que Moraes se defendesse sozinho. (C.N.)

Polícia Federal investiga possível mesada a Lulinha e atua para evitar devassa

Lulinha ainda não foi indiciado e apurações prosseguem

José Marques
Raquel Lopes
Folha

A Polícia Federal analisa movimentações financeiras sobre desvios no INSS para descobrir se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi beneficiário final de recursos sob suspeita. Os investigadores, porém, querem evitar uma quebra de sigilo mais ampla, que poderia ser interpretada como uma devassa sobre o filho do presidente da República.

Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF. Não houve, no entanto, nenhuma quebra de sigilo das empresas que pertencem ao filho do presidente.

LINHA TÊNUE – A atuação da PF segue em uma linha tênue. Investigadores ressaltam que Lulinha ainda não foi indiciado e que as apurações prosseguem. A corporação pediu a quebra dos sigilos do filho do presidente após informações colhidas ao longo do inquérito inicial e em depoimentos. A intenção dos investigadores é verificar se houve pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, a Lulinha.

Um ex-funcionário do lobista, Edson Claro, disse em depoimento que Antunes pagava essa quantia mensalmente a Lulinha e que ostentava publicamente sua ligação com o filho do presidente da República. Na quebra de sigilo de Lulinha, porém, não há repasses diretos do Careca a ele.

INDÍCIOS – A PF encontrou indícios de pagamentos nessa quantia à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A investigação quer determinar se ela repassou o dinheiro ao filho do presidente ou a outra pessoa. Procurada, a defesa de Lulinha diz que o filho do presidente não recebeu valores ligados às fraudes no INSS nem participou, de qualquer forma, dos crimes investigados. Segundo seu advogado, a quebra do sigilo bancário dos envolvidos não identificou qualquer vínculo financeiro entre ele e os fatos apurados.

“Apontamos também que todos os esclarecimentos pertinentes foram enviados ao Supremo Tribunal Federal, e Fábio Luís se colocou à disposição para qualquer consideração adicional que aquela corte considere necessária”, disse, em nota, o advogado Guilherme Suguimori.

SEM DESCONTO – As investigações conduzidas pela Polícia Federal acontecem no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios do INSS. Atualmente, a PF considera que a operação, cuja primeira fase foi deflagrada em abril de 2025, se encaminha para a sua metade final. Há suspeitas que recaem sobre eventuais operadores e beneficiários do esquema, inclusive advogados.

No entanto, a operação ainda pode render desdobramentos com delações premiadas que têm sido negociadas. Uma delas é com o empresário Maurício Camisotti, um dos principais operadores do esquema. Camisotti foi preso em setembro do ano passado, junto com o Careca do INSS. Ele discute a possibilidade de fechar um acordo com a PF.

PAGAMENTOS – Numa fase da operação realizada no fim do ano passado, a PF afirmou ter detectado pagamentos de R$ 300 mil feitos por ordem do Careca à empresária amiga de Lulinha. No total, Roberta Luchsinger teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista.

Em mensagens relatadas pelos investigadores, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta, a RL Consultoria e Intermediações. O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. O Careca responde que seria “o filho do rapaz” e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Roberta.

À época, a PF avaliava a suspeita de que ele se referia a Lulinha e que o filho do presidente poderia ser um sócio oculto do Careca. A defesa de Roberta diz, desde a ocasião, que sua empresa atua com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras “e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol”.

TRATATIVAS INICIAIS – Os advogados apontam que houve apenas tratativas iniciais que não chegaram a prosperar, e que elas aconteceram antes das revelações dos desvios de descontos do INSS.

As investigações sobre Lulinha, então, avançaram no sentido de descobrir se Roberta fazia pagamentos a ele, bancando viagens feitas pelo filho do presidente, por meio de repasses do Careca.

A defesa dela tem negado irregularidades e dito que é “risível a tese de que se tentou ‘lavar dinheiro’ por meio de viagens ao exterior –o que representaria a fruição do valor e não sua circulação para fins de ocultação ou dissimulação”. Os advogados também têm insistido ao ministro André Mendonça que abra apuração sobre o vazamento de informações detalhadas da investigação.

ESQUEMA DE FRAUDES – A operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.

A fraude consistia em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões —cobranças feitas por entidades de fachada que não prestavam os serviços prometidos, como convênios médicos ou auxílio funerário.

Fala de Lula tensiona Senado e ameaça articulação para emplacar Messias no STF

Confirmado! Moraes voou num jatinho de Vorcaro para fazer uma reunião com ele

Caso Master: Moraes usou aviões ligados a Daniel Vorcaro, diz mídia;  ministro nega | Brasil 247

Vendido a Vorcaro, Moraes está inteiramente desmoralizado

Vinícius Valfré, Aguirre Talento, Weslley Galzo e Gustavo Côrtes
Estadão

Documentos da CPI do Crime Organizado, da Aeronáutica e de empresas de táxi aéreo indicam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes viajou de Brasília para São Paulo em agosto de 2025 em um avião de empresa da qual o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, era sócio. No dia seguinte à viagem, ele teria se reunido com o banqueiro, segundo mensagem de Vorcaro enviada a então namorada na ocasião.

Moraes acessou o terminal de aviação executiva do aeroporto de Brasília às 19 horas do dia 7 de agosto de 2025, segundo dados enviados à CPI pela Inframérica, administradora do aeroporto da capital federal. Era uma quinta-feira, após sessão plenária do STF.

DECOLAGEM – A reportagem analisou os registros de partidas e chegadas de Brasília naquela data mantidos pela Aeronáutica. Após a chegada de Moraes, três aeronaves voaram para Congonhas, em São Paulo.

Às 19h16, decolou um avião da empresa FSW PSE, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro entre os sócios. A reportagem teve acesso a um documento ao qual o piloto que conduziu a aeronave Falcon 2000, da FSW, neste dia afirma categoricamente que o ministro Alexandre de Moraes não esteve a bordo. Em seguida, um voo da Prime, empresa que teve participação de Vorcaro até setembro de 2025, partiu de Brasília para o Aeroporto de Congonhas. O Phenom 300, de prefixo PR-SAD, decolou às 20h05 e aterrissou às 21h33.

O terceiro voo com destino a Congonhas realizado pela aviação secundária em Brasília, no dia 7 de agosto, partiu às 20h29. Era uma aeronave da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso.

REUNIÃO COM VORCARO – Um dia após embarcar em Brasília, o ministro teve uma reunião com Daniel Vorcaro. Ao menos foi o que o banqueiro relatou em conversa com a ex-namorada Martha Graeff, encontrada no celular dele e obtida pela CPI do INSS.

Às 18h39 de 8 de agosto de 2025, o banqueiro escreveu para Martha Graeff, em duas mensagens de texto: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. Essas seriam referências ao ministro do STF e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

No dia 11 de agosto, segunda-feira, o ministro fez palestra em programação jurídica do Tribunal de Contas de São Paulo.

OUTRAS VIAGENS – Em 16 de maio, os registros apresentam nova vinculação entre a presença de Moraes no terminal executivo e avião ligado a Vorcaro. Naquela data, a entrada do ministro no terminal foi registrada às 9h30. O PR-SAD decolou para Congonhas às 9h37, segundo a Aeronáutica. Um outro voo para São Paulo só decolaria às 21h51.

Uma dinâmica semelhante ocorreu em 1º de agosto. Moraes e a mulher dele, a advogada Viviane Barci, além de um policial da equipe do ministro, chegaram ao terminal às 12h40, conforme o registro da Inframérica. O único voo que partiu para Congonhas foi o PR-SAD, às 12h44.

Em nota divulgada na terça-feira, 31, o escritório de Viviane Barci afirmou que “contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation”.

HONORÁRIOS – Disse também que “todos os valores eram pagos compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”. A reportagem perguntou ao escritório, ainda na quarta-feira, dia 1º, se Viviane e Moraes usaram o voo das 20h05, da Prime. Não houve nova manifestação.

O Master, de Vorcaro, firmou contrato com o escritório de Viviane Barci em fevereiro de 2024 por um total de R$ 129,6 milhões em três anos, recebendo R$ 3,6 milhões mensais em honorários. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

O contrato foi encerrado em novembro, após a liquidação do Master pelo Banco Central, após pagamento de R$ 75 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Resposta oficial do gabinete no Supremo: “O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. A nota é capciosa, porque o ministro e a esposa viajavam em aviões que pertenciam a empresas de Vorcaro, e uma delas até hoje é administrada por Zettel, cunhado do banqueiro. Tudo isso deixa uma pergunta que não quer calar. O que falta para o impeachment de Moraes? Perto das armações dele, que “vendia” proteção milionária a Vorcaro, mas não conseguiu entregar, as pedaladas fiscais de Dilma Rousseff e Guido Mantega são uma brincadeira de criança. Definitivamente, a presença de Moraes no Supremo é um tapa no rosto dos homens de bem deste país. Apenas isso. (C.N.)

Na Páscoa, lembre que o Jesus histórico e o Cristo da fé não são a mesma pessoa

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O Jesus histórico e o Cristo da fé (o Jesus Deus) não são a mesma pessoa. O Jesus histórico foi “apenas” um “entusiasta apocalíptico, um curandeiro e um mestre carismático”, que morreu na cruz como inimigo de Roma, segundo o historiador Geza Vermes.

Como parte dessa figura histórica, será também essencial conhecer o contexto religioso no qual se deu o nascimento desse movimento apocalíptico conhecido como o judeu-cristianismo, em Israel do século I.

OS MANUSCRITOS – Como uma dessas fontes contextuais, o historiador David Flusser descreverá de forma primorosa como muitas das ideias cristãs foram influenciadas pela seita conhecida como os “qumranitas” — criadores dos famosos manuscritos do mar Morto, encontrados nas cavernas de Qumran, em Israel, na segunda metade do século 2.

Os “qumranitas” já existiam antes do nascimento de Jesus e dele foram contemporâneos, assim como dos primeiros anos da igreja de Jerusalém.

Entre outras, ideias dos “qumranitas”, como os filhos da luz versus os filhos das trevas, serão essenciais para a concepção de predestinação da graça no cristianismo, assim como a afirmação forte de que o fim do mundo se aproximava, como acreditava Jesus, e que se manterá como marco escatológico da expectativa cristã do retorno de Cristo.

CONSTRUÇÃO SOCIAL – O Cristo da fé — pedra fundamental do cristianismo como religião histórica — será uma construção social levada a cabo por personagens como Paulo de Tarso, João, o evangelista, e Lucas, o médico evangelista, que provavelmente escreveu os Atos dos Apóstolos, texto que narra os dias de Jesus na Terra após sua ressurreição e os primeiros anos da nascente igreja cristã, principalmente com personagens como Paulo e Pedro.

E, finalmente, será também fundamental o Concílio de Niceia em 325 d.C., com suas discussões acerca da substância divina e humana de Cristo.

As cartas de Paulo estabelecerão que Jesus é o Cristo (o messias) que venceu a morte, o salvador universal da humanidade, e não unicamente um messias judeu para os judeus.

CARÁTER DIVINO – Outra fonte que construirá o Cristo da fé será o famoso prólogo do evangelho de João que, ao afirmar que “no princípio era verbo [logos], e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus” e mais adiante “e o verbo se fez carne e habitou entre nós”, fundou a cristologia como a ciência que estuda o caráter divino, pré-existente de Jesus, o Cristo.

Esse caráter pré-existente de Jesus implica que o Cristo da fé já existia como espírito antes da geração milagrosa do seu corpo no ventre de Maria. Portanto, ele é incriado. Nele, nada há de “matéria de criatura”, como afirmará acerca de si mesma, após a união plena com Deus, a mística herege Marguerite Porete, queimada em Paris em 1º de junho de 1310.

Em 325 d.C., o Concílio de Niceia afirmará, definitivamente, esse Cristo da fé como sendo aquele que tem a mesma substância do Pai, o Deus de Israel. Jesus será Deus, a partir de então, e o cristianismo se tornará uma religião teologicamente unificada. O imperador Constantino foi quem convocou esse concílio dos bispos e dele participou.

AS BASES DE CRISTO – Portanto, ao longo desse processo, serão construídas as bases do personagem de Cristo, não apenas do personagem do judeu Jesus, o profeta apocalíptico que, por si, não sustentaria a religião cristã.

Nesse sentido, reflete Joseph Ratzinger, o papa Bento 16, no seu “Jesus de Nazaré” que, sem o Cristo da fé, o cristianismo teria permanecido como mera heresia judaica, condenada a desaparecer por conta da morte de seu profeta Jesus e do parco reconhecimento que ele teve entre seus conterrâneos judeus, como o esperado messias. Noutras palavras, o cristianismo não teria vingado.

Ratzinger não pretende com isso negar a importância do estudo histórico e crítico dos textos que servirão como fonte do cristianismo. Muito pelo contrário, a religião cristã, assim como sua “ancestral”, o judaísmo, são religiões para as quais a sustentação histórica é pedra fundamental para sua existência enquanto religião.

Isto é, crer na historicidade das narrativas do Velho Testamento (ou Bíblia hebraica) e do Novo Testamento é essencial para a afirmação teológica de que o Deus único não só escolheu seu povo eleito e se envolveu na história deles, os judeus, como encarnou num deles, o Jesus de Nazaré.

Esta semana é a Semana Santa, na qual os cristãos celebram a paixão e a ressurreição de Cristo. Nesta mesma semana acontece a Pessach, a Páscoa judaica, em que os judeus celebram a fuga da escravidão no Egito.

Jesus, o judeu, celebrava este mesmo Pessach na noite que mais tarde ficou conhecida como a Santa Ceia. Boa Páscoa a todos.

Master: mensagens mostram Vorcaro com Moraes às vésperas de viagens em aviões privados

Prisão domiciliar de Bolsonaro esfria pressão no Congresso pelo PL da Dosimetria

Na poesia de Vicente de Carvalho, a busca da felicidade que jamais é encontrada…

Veredas da Língua: Vicente de Carvalho - PoemasPaulo Peres
Poemas & Canções

O magistrado, jornalista, político, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924), que ficou famoso por ser um grande abolicionista, era também um poeta romântico e refinado. Neste poema que selecionamos, ele afirma que a esperança de encontrar a felicidade realmente existe, porém jamais conseguimos encontrar, embora esteja sempre onde a colocamos, mas em local onde jamais estamos.

ESPERANÇA
Vicente de Carvalho

Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos,
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.

Silvio Almeida reage à denúncia e fala em armação política para destruí-lo

Silvio Almeida afirma haver ‘acusações irresponsáveis’

Deu na Folha

O ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida publicou um vídeo em suas redes sociais na noite da última terça-feira (31) no qual voltou a defender sua inocência diante da acusação de importunação sexual à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

A nova manifestação pública ocorre após a PGR (Procuradoria-Geral da República) ter denunciado Almeida ao STF (Supremo Tribunal Federal) no mês passado, em processo que corre sob sigilo e é conduzido pelo ministro André Mendonça.

INOCÊNCIA – “Eu sou um homem inocente. O que tenho a dizer sobre esse caso eu direi no lugar certo, na Justiça. E é lá que eu poderei me defender de verdade, apresentando provas e mostrando como uma causa tão importante foi usada para me tirar da vida política. Durante o inquérito, na prática, eu não pude me defender”, diz Almeida no vídeo.

O indiciamento de Silvio Almeida ocorreu em novembro de 2025 pela PF e foi embasado pela suspeita de importunação sexual contra Anielle e a professora Isabel Rodrigues. A denúncia da PGR, no entanto, aborda apenas o caso de Anielle. O segundo caso foi enviado à primeira instância para seguir a jurisprudência do STF, já que, à época dos fatos relacionados à professora, Almeida não era ministro.

Apresentada no dia 4 de março pelo procurador-geral, Paulo Gonet, a denúncia afirma que há indícios que respaldam o relato de Anielle. Entre os depoimentos que corroboram as declarações da ministra está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

ARMADILHA POLÍTICA – Silvio Almeida chegou a dizer, em entrevista ao Uol, em 2025, que Anielle teria “se perdido no personagem” e caído em uma armadilha política. A postura de Silvio Almeida desde a revelação das informações foi a de repudiar as acusações e negar que tivesse cometido os supostos crimes.

Nesta terça, voltou a afirmar que continuará na vida pública apesar das “acusações irresponsáveis”. “Criou-se também sobre mim a imagem de um homem poderoso. Mas o homem poderoso, convenhamos, não é demitido em 24 horas e sem direito à defesa. Acusações irresponsáveis têm lugar e hora certa para serem respondidas à Justiça. Eu tenho livros a publicar, artigos e projetos nas áreas de educação e também na advocacia. Nas próximas semanas voltarei a falar do que sigo fazendo”, afirmou.

Após a denúncia da PGR ter vindo a público, Anielle afirmou que a nova etapa do processo é um estímulo para que mulheres que vivem ou que viveram episódios de violência denunciem os agressores e “não sofram em silêncio”. Procurada na ocasião, a defesa do ex-ministro afirmou que o caso permanecia sigiloso e reafirmou declarações anteriores de que as acusações não têm materialidade e que são ilações.

MOVIMENTAÇÕES – Sem citar diretamente o nome de Anielle, Almeida afirma no vídeo que “há movimentações muito previsíveis a quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer e que, por isso, chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera um adversário. Ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral.”

A ministra da Igualdade Racial está entre os integrantes do governo Lula que devem deixar suas pastas para concorrer às eleições deste ano. Ela deve sair candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro.

As acusações contra Almeida foram recebidas inicialmente pela organização Me Too Brasil. As vítimas relataram casos de assédio e importunação sexual. Dois inquéritos foram abertos para investigar o caso, um pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e outro no STF, a pedido da PF. Voltar

DEMISSÃO – O caso levou o presidente Lula a demitir Almeida um dia após a revelação das denúncias, em setembro de 2024. Antes da decisão, o petista se reuniu separadamente com Almeida e, após publicar a demissão, com Anielle Franco. Desde então a pasta dos Direitos Humanos é comandada por Macaé Evaristo.

Anielle confirmou as acusações em depoimento à PF em outubro de 2024. Segundo seu relato, as “abordagens inadequadas” de Almeida, como definiu, começaram no fim de 2022, quando os dois passaram a fazer parte do grupo de transição de governo nomeado por Lula antes da posse dele como presidente da República.

“ATITUDES INCONVENIENTES” – À revista Veja a ministra disse que houve “atitudes inconvenientes” por parte de Almeida, como toques inapropriados e convites impertinentes, mas que ela não reportou os episódios por “medo do descrédito e dos julgamentos”, além da sensação de que a culpa era da vítima, não do agressor.

No caso da professora, ela publicou um vídeo acusando o ex-ministro de tê-la tocado sem consentimento durante um almoço na presença de outras pessoas, em 2019, antes de ele se tornar ministro.

Depoimento de Anielle revela detalhes da acusação contra Silvio Almeida | VEJA

A mesa era larga e Silvio teria de se curvar para tocar nela

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ desumana essa perseguição ao ex-ministro Sílvio Almeida, já considerado inocente pela Comissão de Ética da Presidência da República. A foto da mesa de reunião em que ele teria apalpado a coxa da ministra Anielle comprova que ele jamais poderia ter feito isso sem que o movimento fosse percebido pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que estava sentado à sua frente. Almeida precisaria se curvar tanto que o delegado só não notaria o assédio se estivesse dormindo à mesa, tirando uma soneca. Por fim, a troca de mensagens nos celulares dos dois indicava estarem vivendo um tórrido romance.  (C.N.)

Fachin tenta “defender” Moraes, que  é acusado pelo Congresso americano

Fachin defende código de ética no STF, e Moraes rebate; Margot Robbie  elogia Wagner Moura; Bad Bunny protesta contra o ICE | GZH

Ilustração de Miguel Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Samanta Nogueira
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, divulgou uma nota nesta quinta-feira, 2, em que rebate um relatório preliminar elaborado pela Comissão Judiciária da Câmara de Representantes dos Estados Unidos. O documento acusa o ministro Alexandre de Moraes de praticar censura que pode afetar a lisura das eleições presidenciais de 2026 no Brasil.

“O relatório traz caracterizações distorcidas da natureza e do alcance de decisões específicas do Supremo Tribunal Federal, bem como, mais amplamente, do sistema de proteção à liberdade de expressão no ordenamento jurídico brasileiro”, diz Fachin.

GENERALIZANDO… – Na nota, Fachin não cita diretamente Moraes, mas defende a atuação geral da Corte. “Registre-se preliminarmente que o Tribunal e todos os seus integrantes primam pela defesa da independência entre os Poderes e autoridade de suas decisões. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal seguem à risca os preceitos constitucionais, sendo a liberdade de expressão um desses primados fundamentais de nossa República”, afirma.

O ministro também justifica ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais, em inquéritos relatados por Moraes, como o das fake news e o das milícias digitais.

Segundo ele, as medidas “inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, com a finalidade da prática de diversas infrações penais, em especial aos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal), golpe de Estado (art. 359-M do Código Penal) e associação criminosa (art. 288 do Código Penal)”.

“No âmbito daqueles inquéritos, foram emitidas medidas cautelares quando presentes indícios robustos da prática daqueles crimes”, acrescenta.

O presidente do STF informa ainda que esclarecimentos “que possam contribuir para a restituição de uma leitura objetiva dos fatos” serão encaminhados ao órgão do Congresso dos EUA, por canais diplomáticos e no nível adequado.

A Comissão Judiciária da Câmara de Representantes dos EUA divulgou nesta quarta-feira, dia 1.º, o teor de seu mais recente relatório sobre a liberdade de expressão no Brasil. O documento provisório foi elaborado por uma equipe vinculada ao colegiado.

“As ordens de censura e as manobras jurídicas do ministro Moraes contra a família Bolsonaro e seus apoiadores podem prejudicar significativamente a capacidade deles de se manifestarem online sobre assuntos de importância pública nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”, diz um trecho do documento.

O colegiado americano é dominada por aliados do presidente Donald Trump, junto aos quais atua em Washington o lobby da oposição bolsonarista. Em janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a Presidência da República, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o youtuber Paulo Figueiredo visitaram o gabinete do parlamentar republicano Jim Jordan, que presidente a comissão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fachin não teve coragem de defender Moraes, o único citado no relatório da matriz USA, e saiu pela tangente, defendeu genericamente o Supremo, sem mencionar o ministro lá investigado. Na verdade, o problema é que Moraes não tem argumentos para justificar suas decisões ditatoriais e abusivas. A vaidade é tanta que Moraes mandou que suas “ordens”, emitidas aqui na filial Brazil, fossem obedecidas pela Justiça da matriz USA, e Fachin ainda tem a desfaçatez de defender esse tipo insano de decisão, vejam a que ponto decaiu o Supremo brasileiro. Vamos voltar ao assunto, com mais detalhes, porque Fachin mentiu na resposta à Câmara da matriz. (C.N.)

Reflexões de Páscoa! O ideal é que os casais permaneçam eternos namorados…

desenho animado estilo fofa abraçando casal personagem com espumante  estrelas ilustração, uma encantador desenho animado ilustração do uma fofa  casal abraçando cada de outros firmemente, expressando amor e felicidade.  74649285 Vetor noVicente Limongi Netto 

Namorar é viver encantado e feliz. São os laços da ternura com o belo. São gestos suaves anunciando o amor. É o sorriso permanente.  É a tolerância oferecendo flores para o amanhecer. É a energia sublime dividindo emoções com a pessoa amada.

Namorar também é dividir anseios e dúvidas. É o abraço apertado que espanta apreensões da alma. É o cotidiano ameno, carinhoso e solidário. É o beijo amoroso de serenidade e respeito.  O namoro preserva no caminhar da vida, a paciência e a união duradoura. 

Agradeço ao sol pelas raízes no céu. Ao mar pela procura dos amados. As estrelas, pela energia aos namorados. Ao homem pela decisão de cuidar dos feridos. Agradeço as crianças por sonharem por mais emoção e ternura. Agradeço aos idosos pelas sementes da honestidade. Agradeço as flores, pelo sentimento do prazer.

Feliz Páscoa a todos.

Renegociação das dívidas do cartão expõe o impasse estrutural do crédito no Brasil

Juros do rotativo ultrapassaram 400% ao ano

Pedro do Coutto

O avanço das negociações entre governo e bancos para reestruturar dívidas de cartão de crédito é, antes de tudo, um reconhecimento tardio de uma distorção que há anos penaliza o cidadão comum. Em um país onde os juros do rotativo ultrapassaram a casa dos 400% ao ano — chegando a cerca de 438% em 2025 — a dívida deixa de ser um instrumento financeiro e passa a operar como mecanismo de aprisionamento econômico. Não por acaso, a inadimplência atingiu níveis recordes, refletindo não apenas descontrole individual, mas um modelo de crédito estruturalmente disfuncional.

Nesse contexto, a possibilidade de renegociação com descontos expressivos — que podem chegar a 50% em alguns casos — surge como uma válvula de escape necessária. A experiência recente do programa de renegociação do governo federal, que movimentou dezenas de bilhões de reais e beneficiou milhões de brasileiros, mostra que há espaço para acordos mais equilibrados entre credores e devedores.

REINSERÇÃO  – Mais do que limpar nomes, essas iniciativas buscam reinserir o consumidor no circuito econômico formal, restaurando sua capacidade de consumo e, por consequência, estimulando a atividade econômica. Mas o ponto central vai além da renegociação em si.

O problema não é apenas o estoque da dívida — é o seu custo. O próprio governo tem sinalizado que políticas de alívio perdem eficácia se não vierem acompanhadas de mudanças estruturais nas taxas cobradas. Medidas recentes, como a criação de tetos para o crescimento da dívida do cartão e maior transparência nas faturas, caminham nessa direção, ao limitar o efeito exponencial dos juros e impor algum grau de racionalidade ao sistema.

Ainda assim, há um delicado equilíbrio político e econômico em jogo. O Banco Central resiste a intervenções mais duras, como o controle direto das taxas, sob o argumento de que isso pode restringir o crédito e excluir justamente os mais vulneráveis. Trata-se de um debate clássico: até que ponto o Estado deve intervir em um mercado que, embora formalmente livre, produz resultados socialmente insustentáveis?

EXTENSÃO DA RENDA – O fato é que o cartão de crédito, que deveria funcionar como instrumento de conveniência, transformou-se em extensão precária da renda de milhões de brasileiros. Com o custo de vida pressionando orçamentos e o crédito fácil ampliando limites, muitas famílias passaram a usar o cartão como complemento salarial — um comportamento que, sob juros abusivos, inevitavelmente desemboca no endividamento crônico.

A renegociação em curso, portanto, é menos uma solução definitiva e mais um ajuste emergencial. Ela corrige distorções acumuladas, mas não elimina suas causas. Sem uma reconfiguração mais profunda do mercado de crédito — que envolva concorrência, educação financeira e, sobretudo, redução consistente das taxas — o país corre o risco de institucionalizar ciclos periódicos de perdão parcial de dívidas, seguidos por novas ondas de inadimplência. No curto prazo, negociar é necessário. No longo, é insuficiente. O verdadeiro desafio não está em aliviar o passado, mas em impedir que ele se repita.