Renegociação das dívidas do cartão expõe o impasse estrutural do crédito no Brasil

Juros do rotativo ultrapassaram 400% ao ano

Pedro do Coutto

O avanço das negociações entre governo e bancos para reestruturar dívidas de cartão de crédito é, antes de tudo, um reconhecimento tardio de uma distorção que há anos penaliza o cidadão comum. Em um país onde os juros do rotativo ultrapassaram a casa dos 400% ao ano — chegando a cerca de 438% em 2025 — a dívida deixa de ser um instrumento financeiro e passa a operar como mecanismo de aprisionamento econômico. Não por acaso, a inadimplência atingiu níveis recordes, refletindo não apenas descontrole individual, mas um modelo de crédito estruturalmente disfuncional.

Nesse contexto, a possibilidade de renegociação com descontos expressivos — que podem chegar a 50% em alguns casos — surge como uma válvula de escape necessária. A experiência recente do programa de renegociação do governo federal, que movimentou dezenas de bilhões de reais e beneficiou milhões de brasileiros, mostra que há espaço para acordos mais equilibrados entre credores e devedores.

REINSERÇÃO  – Mais do que limpar nomes, essas iniciativas buscam reinserir o consumidor no circuito econômico formal, restaurando sua capacidade de consumo e, por consequência, estimulando a atividade econômica. Mas o ponto central vai além da renegociação em si.

O problema não é apenas o estoque da dívida — é o seu custo. O próprio governo tem sinalizado que políticas de alívio perdem eficácia se não vierem acompanhadas de mudanças estruturais nas taxas cobradas. Medidas recentes, como a criação de tetos para o crescimento da dívida do cartão e maior transparência nas faturas, caminham nessa direção, ao limitar o efeito exponencial dos juros e impor algum grau de racionalidade ao sistema.

Ainda assim, há um delicado equilíbrio político e econômico em jogo. O Banco Central resiste a intervenções mais duras, como o controle direto das taxas, sob o argumento de que isso pode restringir o crédito e excluir justamente os mais vulneráveis. Trata-se de um debate clássico: até que ponto o Estado deve intervir em um mercado que, embora formalmente livre, produz resultados socialmente insustentáveis?

EXTENSÃO DA RENDA – O fato é que o cartão de crédito, que deveria funcionar como instrumento de conveniência, transformou-se em extensão precária da renda de milhões de brasileiros. Com o custo de vida pressionando orçamentos e o crédito fácil ampliando limites, muitas famílias passaram a usar o cartão como complemento salarial — um comportamento que, sob juros abusivos, inevitavelmente desemboca no endividamento crônico.

A renegociação em curso, portanto, é menos uma solução definitiva e mais um ajuste emergencial. Ela corrige distorções acumuladas, mas não elimina suas causas. Sem uma reconfiguração mais profunda do mercado de crédito — que envolva concorrência, educação financeira e, sobretudo, redução consistente das taxas — o país corre o risco de institucionalizar ciclos periódicos de perdão parcial de dívidas, seguidos por novas ondas de inadimplência. No curto prazo, negociar é necessário. No longo, é insuficiente. O verdadeiro desafio não está em aliviar o passado, mas em impedir que ele se repita.

Relatório da Câmara dos EUA ataca Moraes e fala em ameaça à liberdade de expressão

Grupo diz que Moraes atua em “campanha de censura”

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos publicou na última a quarta-feira um novo relatório sobre o Brasil, no qual critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O grupo, atualmente comandado pelo partido Republicano, do presidente Donald Trump, afirma que o magistrado atua em uma “campanha de censura” que “atinge o cerne da democracia brasileira e ameaça a liberdade de expressão” americana.

“A supervisão do Comitê revela que o ministro Moraes e outros membros do Judiciário brasileiro, assim como um número crescente de censores estrangeiros, buscam impor um regime global de censura ao ordenar a remoção de conteúdos em todo o mundo”, diz o documento sobre decisões de Moraes no STF.

ARGUMENTOS – No relatório, o comitê argumenta que decisões, avaliadas pelos deputados como de censura, proferidas Moraes e outros magistrados brasileiros “têm repetidamente mirado os discursos proferidos nos Estados Unidos, incluindo os de jornalistas e comentaristas brasileiros” que vivem no país governado por Trump.

O documento também menciona o cenário eleitoral no Brasil, citando a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os parlamentares americanos, “as ordens de censura e o ‘lawfare’” de Moraes contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiadores “podem prejudicar significativamente sua capacidade de se expressar on-line sobre questões de interesse público nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”.

A comissão é presidida pelo deputado Jim Jordan, que é apoiador de Trump. Ele esteve com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e Flávio em 8 de janeiro deste ano. O Globo procurou o STF, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. O texto será atualizado em caso de resposta.

Traído por Lula em 2018, Ciro Gomes se alia a Flávio Bolsonaro contra o PT

Ciro Gomes se filia ao PSDB ao lado de lideranças da oposição e  bolsonaristas no Ceará

Ciro lidera as pesquisas, com apoio de Tasso Jereissati

Merval Pereira
O Globo

Ciro Gomes volta à eleição no Ceará, possivelmente para disputar a eleição para governador, aliado a Flavio Bolsonaro. Pode parecer estranho no primeiro momento, porque ele sempre se disse de esquerda, mas virou um antipetista total. É o tipo de político capaz de fazer acordo com Flavio Bolsonaro para derrotar Lula.

Ficou engasgado com o PT e nunca perdoou, porque acha que sofreu várias traições de Lula. Inclusive em 2018, quando Lula não podia disputar e ele quase foi o candidato da esquerda.

UM ANTILULA – Ciro Gomes virou o eleitor antipetista que vota em qualquer um, menos em Lula. Numa região em que o PT é muito forte, ele está em primeiro lugar nas pesquisas, se junta a Flávio Bolsonaro e ganha uma força eleitoral grande.

O PSDB, partido atual de Ciro, virou para a direita. A maioria de seu eleitorado deixou o partido e ficou a parte que era de direita e centro-direita. Lula tanto fez para jogar o PSDB para a direita que conseguiu – pelo menos, o que sobrou do partido virou antipetista.

Do eleitorado do antigo PSDB, que votava contra Lula, muita gente ficou na direita, apoiando Bolsonaro.

PF torna-se suspeita, por se recusar a exibir imagens da morte de “Sicário”

Notícias sobre charge | VEJA

Charge do JCaesar (Revista Veja)

Carlos Newton

Na vida moderna, com a tecnologia avançando em incrível velocidade, a transparência passou a ser uma exigência inafastável. Sempre que há sigilo sobre essa ou aquela situação, é um sinal evidente de que alguma coisa está errada e não pode vir a furo.

É o caso do inquérito aberto sobre fake news há quase sete anos, destinado a sepultar informações sobre sonegação de impostos pelas mulheres de Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ambas advogadas de renome e hoje separadas dos respectivos maridos.

FIM DO MUNDO – O fato concreto é que o inquérito do fim do mundo se multiplicou como criação de coelhos, abrigando apurações de toda sorte, que não acabam nunca, sendo apelidado pelo ministro Marco Aurélio Mello de “Inquérito do Fim do Mundo”.

É uma Piada do Ano que se sustenta indefinidamente, porque os inquéritos são previstos para durar 30 dias e não podem ser prorrogados através dos tempos.

Quando não há transparência e o sigilo é decretado, como vem ocorrendo habitualmente no Supremo e no Executivo, há um resultado sempre ruinoso, porque surgem suspeitas e especulações de todo tipo.

SIGILO INDEVIDO – É justamente o caso do suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Não existe sigilo oficial, mas os dados sobre a estranhíssima morte do criminoso estão guardados a sete chaves pela PF, exatamente como ocorreu com a gravação das 80 câmeras do Ministério da Justiça no quebra-quebra do 8 de Janeiro, quando não havia sigilo, mas o então ministro Flávio Dino alegou não poder exibir, porque teriam sido “apagadas”.

Naquela ocasião, Dino não teve medo do ridículo e caprichou na criação dessa fake news, porque hoje as imagens são gravadas em computador e não precisam ser apagadas, como ocorria antigamente quando as gravações eram feitas em fitas reaproveitáveis.

CHEGA DE SIGILO – Agora o Congresso cansou de esperar e está exigindo as imagens da morte de Sicário, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo, afirmou terem sido feitas “sem pontos cegos”, ou seja, a câmera esteve focalizada no preso o tempo todo, até a chegada do socorro, e o tal suicídio foi inteiramente filmado.

Em 5 de março, a CPMI do INSS oficiou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitando as imagens. O tempo passou e a comissão foi extinta sem haver atendimento.

No último dia 24, o senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado solicitando o envio de imagens e documentos sobre a morte do “Sicário”. No mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública da Câmara também aprovou requerimentos sobre averiguação das circunstâncias da morte do capanga de Daniel Vorcaro, mas é tudo em vão, a Polícia Federal está sentada em cima.

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P.S.
Esse comportamento estranho e anômalo da PF compromete o diretor-geral Andrei Rodrigues, que até agora vinha atuando com destemor, tendo exigido ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, e foi atendido. Estranha-se agora que Andrei Rodrigues aceite manchar sua biografia, ao ocultar as circunstâncias da morte de “Sicário”, que era o “Homem que Sabia Demais”, como diria Alfred Hitchcock. Realmente, tratava-se de um arquivo ambulante e se tornou um arquivo morto, logo que foi preso. Vamos aguardar e ficar em cima. (C.N.)

Caso Master: Investigação alcança paraísos fiscais e expõe conexões políticas em Brasília

Valdemar sugere Caiado como vice de Flávio e acena com recuo na disputa presidencial

Valdemar também sugeriu que Caiado disputasse o Senado

Deu no O Globo

O presidente do PL Valdemar da Costa Neto disse nesta quarta-feira que Ronaldo Caiado (PSD) poderia ser um nome para a vice-presidência em uma chapa com o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro. A declaração foi feita em uma entrevista ao site Metrópoles, após ele ser questionado sobre a possibilidade.

Ele também sugeriu, no entanto, que o ex-governador de Goiás pode desistir da candidatura presidencial e se lançar ao Senado pelo estado: “Sim. O Caiado está preparado para tudo. Por isso, acho que ele pode inclusive voltar ao estado dele e ser candidato ao Senado. Não estou dizendo que eles estão enganando ninguém. O Caiado é parceiro nosso, é da direita. Vamos estar juntos. Agora, eu gostaria que todos estivéssemos juntos no primeiro turno”, diz Valdemar

CONVITE – O presidente do PL  disse que ele e Flávio não discutiram ainda sobre a possibilidade de convidar Caiado para a chapa. “Não tivemos essa conversa ainda. O Flávio está andando da maneira que ele tem de andar. Ele tem de ir devagar. Essa eleição só não ganhamos se errarmos”, afirmou

O nome de Caiado foi confirmado como a escolha do PSD para disputar a Presidência da República nesta segunda-feira, dias após Ratinho Júnior desistir da disputa. Ao discursar no anúncio, feito na sede do partido em São Paulo, Caiado atacou o PT e aflinetou Flávio Bolsonaro, com quem deve disputar o eleitorado de direita. Ele argumentou que para governar é necessário ter experiência prévia no Executivo.

GOVERNAR NA CADEIRA – “Difícil é governar para o PT não ser mais opção no país. Ganhar não é a maior dificuldade, e vamos ganhar. Mas (quem ganhar) vai saber governar, ou vai aprender a governar na cadeira?”, questionou, ao evocar sua experiência como governador.

Em outro momento, Caiado voltou a tratar sobre o assunto. “O ímpeto da idade, às vezes, ultrapassa o momento de equilíbrio. E não se governa com decreto, mas dialogando, sentando à mesa. Não se governa com queda de braço. (…) Na democracia tem que se conviver harmonicamente. O que precisa é de experiência. Não cabe a improvisação neste momento”, afirmou.

Investigação revela acesso a dados fiscais de autoridades e mira empresário foragido

Conde é apontado como “mandante” de estrutura

Pepita Ortega
O Globo

A investigação sobre o esquema de obtenção ilícita de dados fiscais de autoridades identificou o acesso a informações de 1.819 pessoas, entre elas familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal de Contas da União, deputados, ex-senadores e até um ex- governador. Houve acesso irregular, por exemplo, às informações fiscais da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci.

A informação foi destacada pela Procuradoria-Geral da República ao pedir a abertura da segunda fase da Operação Exfil. A ofensiva fez buscas nesta quarta-feira em seis endereços do empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde.

“MANDANTE” – Marcelo Conde é apontado como “mandante” da estrutura que teria acessado indevidamente dados dos magistrados da Corte. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva do empresário, mas ele está foragido. De acordo com depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF), Conde teria fornecido listas de CPFs a estrutura sob investigação e feito pagamentos de R$ 4,5 mil, em espécie, para acessar as declarações fiscais obtidas de forma ilícita.

Segundo o inquérito, foram identificados múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil para obtenção dos dados de ministros. As informações teriam sido extraídas não só dos sistemas do Fisco, mas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Ao autorizar a operação, Moraes indicou que as buscas eram necessárias para a “reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos”. Os investigadores pretendem confirmar a negociação dos valores e a atuação do grupo a partir dos dispositivos colhidos durante a ofensiva.

INTERMEDIAÇÃO – A Polícia Federal viu uma “cadeia de intermediação estruturada”, que contava com a participação de servidores públicos, funcionários terceirizados, despachantes e intermediários. Segundo a corporação, as mensagens trocadas entre os investigados poderiam “evidenciar a extensão da atuação” de Conte.

A primeira fase da Operação foi aberta em fevereiro, com o em “apurar o repasse de documentos fiscais submetidos à proteção legal e obtidos de forma criminosa mediante remuneração”, segundo a PF.

Sem convite formal, Tereza Cristina entra no radar como possível vice de Flávio Bolsonaro

‘Nunca fui convidada; se for, vamos pensar’, diz senadora

Alvaro Gribel
Estadão

A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS) afirma que “não chegou o convite” para ser candidata a vice na chapa encabeçada pelo também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo PL. Se o convite for feito, complementa, irá “pensar mais à frente”.

“Nossa senhora, esse assunto não sai da minha frente. Nunca fui convidada. Se eu for, lá na frente nós vamos pensar. Nunca chegou esse convite”, afirmou em entrevista ao Estadão. A senadora também afirmou que o agronegócio brasileiro tem uma posição pragmática, especialmente os exportadores, e irá se distanciar do presidente dos EUA caso sejam prejudicados pela guerra no Irã travada por Donald Trump.

PRAGMATISMO – “Tem vários agros, mas vamos falar do agro exportador. O agro que é onde (a guerra) pode atrapalhar. O agro exportador é muito pragmático. Se o Trump atrapalhar muito, eles vão ficar contra. Se o Trump atrapalhar menos, eles vão ficar a favor, porque o agro é conservador. Mas, assim, o agro é pragmático”, afirmou.

Nesta semana, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que torce para que uma mulher seja escolhida como vice de Flávio Bolsonaro. “Eu torço para que seja uma mulher. Porque as mulheres, apesar de ter pouca mulher aqui, são muito melhores do que os homens, em todos os sentidos”, afirmou durante evento do grupo Lide, em São Paulo.

PESQUISA – Levantamento do instituto Paraná Pesquisas indica um cenário de disputa acirrada entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições de 2026, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PT) numericamente à frente.

De acordo com a pesquisa, Flávio Bolsonaro aparece com 45,2% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44,1% – um empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos porcentuais da pesquisa.

Outros 6,2% afirmam que votariam em branco ou nulo e 4,5% não souberam ou não opinaram. Em fevereiro, os dois estavam numericamente mais próximos, com 44,4% para Flávio e 43,8% para Lula.

MISOGINIA –  Sobre a aprovação no Senado do projeto de lei da misoginia, como voto a favor da senadora, ela diz que o País vive uma violência “fora do normal” contra as mulheres e que se posicionou de acordo com as suas convicções.

“Estamos vivendo um tempo muito complicado para as mulheres. Feminicídio todo dia, uma violência fora do normal, fora dos patamares anteriores. Não sei se é rede social, o que está acontecendo – mas é fato, porque a estatística está aí e a gente tem visto casos aterradores”, afirmou. “É um tema difícil, mas eu acho que precisava ser feito, Eu tenho também as minhas convicções, e eu votei a favor.”

TIPIFICAÇÃO – Aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, a proposta define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres” e altera a redação da legislação vigente para incluir o termo “misoginia” entre as formas de preconceito já tipificadas – como as praticadas por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.

“O que a gente tem visto é um escândalo nunca visto no Brasil e que pega de A a Z. Pega direita, esquerda, centro, meio, para cima, para baixo, uma coisa que cada dia a gente fica mais estarrecido”, afirma. “Eu acho que todo mundo precisa ser investigado e a verdade tem de vir à tona e, aí, as medidas precisam ser tomadas.”

Kassio Nunes pode barrar CPI do Master e blindar aliados do Centrão no Senado

Banco Master já enfrentava crise ao tentar operação “arriscada” de R$ 500 milhões com a CEF

O realismo fantástico de Castro Alves, num poeta sinistro, romântico e apaixonante

Castro Alves...Paulo Peres
Poemas & Canções

 O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”, no poema “A Canoa Fantástica” demonstra toda a sua criatividade poética, numa visão ensandecida sobre o destino da canoa e o que ela conduz.

A CANOA FANTÁSTICA
Castro Alves

Pelas sombras temerosas
Onde vai esta canoa?
Vai tripulada ou perdida?
Vai ao certo ou vai à toa?
Semelha um tronco gigante
De palmeira, que s’escoa…

No dorso da correnteza,
Como boia esta canoa!…
Mas não branqueja-lhe a vela!
N’água o remo não ressoa!
Serão fantasmas que descem
Na solitária canoa?

Que vulto é este sombrio
Gelado, imóvel, na proa?
Dir-se-ia o gênio das sombras
Do inferno sobre a canoa!…
Foi visão? Pobre criança!
À luz, que dos astros coa.

É teu, Maria, o cadáver,
Que desce nesta canoa?
Caída, pálida, branca!…
Não há quem dela se doa?!…
Vão-lhe os cabelos a rastos
Pela esteira da canoa!…

E as flores róseas dos golfos,
— Pobres flores da lagoa,
Enrolam-se em seus cabelos
E vão seguindo a canoa!…

Lula condiciona novo Ministério da Segurança à PEC e fala em “guerra” contra o crime organizado

Gilmar Mendes defende ruptura com “guerra às drogas” e cita experiência com cannabis

Lula entre a crise dos combustíveis, a busca de votos e o exercício do poder

Governo tenta segurar preços para conter desgaste

Pedro do Coutto

Em ano eleitoral, a política brasileira abandona qualquer tentativa de disfarce técnico e assume sua natureza mais direta: governar também é disputar. É nesse contexto que o governo de Lula da Silva se move com intensidade, articulando medidas para conter a inflação dos combustíveis ao mesmo tempo em que reorganiza sua base política e consolida sua estratégia de reeleição.

A preocupação central está no impacto do diesel, do gás de cozinha e do querosene de aviação sobre o custo de vida e sobre a engrenagem econômica do país, especialmente porque o diesel sustenta o transporte de alimentos, a logística e a circulação urbana. Em um país que, na prática, “se move a diesel”, qualquer alta no preço rapidamente chega ao bolso do consumidor — e, consequentemente, ao humor do eleitor.

CONTENÇÃO – Diante disso, o governo aposta em uma combinação de subsídios e ajustes tributários para evitar oscilações bruscas. Trata-se de uma escolha política clara: segurar preços para conter desgaste. Estados são chamados a participar dessa equação, já que parte relevante da carga tributária sobre combustíveis está sob sua responsabilidade, o que exige coordenação e negociação. No fundo, o que está em jogo é mais do que economia — é percepção. Inflação alta corrói apoio, enquanto estabilidade de preços pode preservar capital político em um momento decisivo.

Essa movimentação revela o uso estratégico dos instrumentos de governo. A chamada “caneta” presidencial continua sendo uma ferramenta poderosa, capaz de alterar políticas, reduzir impostos e direcionar incentivos. Não há ingenuidade nesse processo. Em Brasília, decisões econômicas e cálculos eleitorais caminham juntos, e a ofensiva sobre os combustíveis mostra um Executivo disposto a agir para evitar turbulências que possam comprometer seu projeto político.

VICE – No campo eleitoral, a confirmação de Geraldo Alckmin como vice na chapa de Lula reforça a busca por estabilidade. Ao manter Alckmin, o presidente sinaliza continuidade e evita riscos desnecessários.

O vice, que deve deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para cumprir a legislação eleitoral, representa uma ponte com setores moderados e empresariais, ampliando o alcance político da chapa. A decisão encerra especulações sobre mudanças e indica que, diante de um cenário sensível, o governo prefere apostar no equilíbrio a promover rupturas.

Ao mesmo tempo, Lula intensifica um movimento estratégico menos visível, mas crucial: a construção de maioria no Senado. A lógica é conhecida no núcleo do poder. Sem uma base sólida na Casa, o governo fica vulnerável em temas centrais, como indicações ao Judiciário e votações de alto impacto institucional.

ALIANÇAS – Por isso, o presidente admite a necessidade de ampliar alianças e dividir espaços, reconhecendo que o PT não pode concentrar todas as posições. Compartilhar poder, nesse caso, não é concessão ideológica, mas uma exigência prática da governabilidade.

Enquanto o Executivo se articula, o Judiciário também se movimenta. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, defende a criação de um código de ética mais claro para a magistratura, em resposta a pressões e questionamentos recentes. A proposta busca reforçar mecanismos internos de controle e preservar a credibilidade da Corte em um ambiente cada vez mais tensionado, onde temas como desinformação e fake news colocam o tribunal no centro do debate político.

O cenário, portanto, é de múltiplas frentes em movimento. O governo atua para conter a inflação e proteger o consumo, reorganiza alianças para garantir sustentação política e acompanha, com atenção, o comportamento das instituições. Tudo isso ocorre sob a sombra do calendário eleitoral, que amplifica o peso de cada decisão. No fim, o que se vê é uma engrenagem complexa em funcionamento, onde economia e política se entrelaçam de forma inseparável. Em Brasília, especialmente em tempos de eleição, governar nunca é apenas administrar — é, acima de tudo, calcular.

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Caso Master: 8 mil vídeos nos celulares podem redesenhar conexões com o poder

Volume de dados inclui registros pessoais e profissionais

Patrik Camporez
O Globo

Peritos envolvidos na análise dos celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontraram mais de 8 mil vídeos nos aparelhos. O material foi extraído de nove smartphones ligados ao banqueiro, obtidos ao longo das diferentes fases da investigação. Além desses vídeos, há grande quantidade de outros tipos de arquivos digitais sob análise.

O volume de dados inclui registros pessoais e profissionais, com arquivos que vão desde registros antigos até conteúdos mais recentes. Os peritos estão separando conteúdos pessoais e interações corriqueiras do que realmente importa para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise demanda tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, dizem pessoas com acesso ao processo.

CONEXÕES – Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades, por exemplo, vêm sendo selecionadas e analisadas. A avaliação, no entanto, é que registros de presença em eventos e encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades. Por isso, o material tem sido tratado com cautela pelos investigadores, sendo necessário cruzá-lo com outros elementos de prova para verificar eventual relevância para a apuração.

A avaliação de pessoas com acesso ao material é que, à medida que os arquivos forem examinados, novas frentes de apuração possam ser abertas, inclusive com base em elementos ainda não identificados nas etapas iniciais do caso.

Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, onde negocia um acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. A expectativa entre pessoas envolvidas no processo é que a eventual delação contribua para esclarecer pontos ainda pendentes da investigação, especialmente aqueles que não puderam ser totalmente reconstruídos a partir do material apreendido.

DESAFIO DA TRIAGEM –  O volume de dados é apontado como um dos principais desafios do processo. Segundo relatos, o material apreendido inclui milhares de arquivos sem relação direta com os fatos apurados, o que impõe um trabalho de filtragem para separar conteúdos pessoais de possíveis evidências.

Integrantes da investigação afirmam que, embora a delação seja considerada relevante, boa parte das informações já está contida nos dispositivos apreendidos. Nesse cenário, a expectativa é de que a colaboração traga elementos inéditos, capazes de lançar luz sobre pontos ainda não alcançados pelos policiais.

De acordo com pessoas com conhecimento do assunto, a apuração ainda está em fase intermediária, com diversas frentes abertas e pontos pendentes de aprofundamento. Assim, investigadores afirmam que medidas “mais incisivas” só são adotadas quando há robustez suficiente nos elementos reunidos, de forma a evitar fragilidades processuais. A preocupação é garantir que eventuais pedidos à Justiça sejam sustentados por provas consistentes, reduzindo o risco de questionamentos ou nulidades no curso do processo.

Ao confirmar Alckmin como vice, Lula está contribuindo para extinção do PT

Charge do Zé Dassilva: Lula e Alckmin juntos? - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Carlos Newton

Já tínhamos abordado na Tribuna da Internet, diversas vezes, a importância da escolha do candidato a vice-presidente na chapa de Lula da Silva. O motivo, é claro, todos sabem. O criador do Partido dos Trabalhadores é muito mais importante do que a sigla, porque jamais permitiu que surgisse um novo líder que pudesse vir a substituí-lo no comando do PT.

Em sua surpreendente trajetória política, Lula sempre fez questão de se isolar no poder. desde os tempos de metalúrgico, quando usava o codinome  “Barba” e prestava serviços ao delegado federal Romeu Tuma, como agente infiltrado no sindicalismo pelo regime militar, fato denunciado por várias fontes e jamais desmentido pelo petista. 

CRIAÇÃO DO PT – É também bastante conhecido o fato de o PT ter sido criado por Lula sob os auspícios do general Golbery do Coutto e Silva, o grande ideólogo do regime militar, que foi ministro-chefe do temido Serviço Nacional de Informações.

Autor de importantes estudos sobre a Geopolítica do Brasil, inicialmente publicados em 1959 como “Aspectos Geopolíticos do Brasil” e depois ampliados sob o título “Conjuntura Política Nacional – O Poder Executivo & Geopolítica Do Brasil”), o general Golbery defendia a ligação do Brasil ao bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos.

Preocupado com o fortalecimento da União Soviética e da China, o criador do SNI mandou Lula fundar o PT para evitar que o PTB ficasse hegemônico no sindicalismo e elegesse Leonel Brizola, cuja candidatura a presidente era então considerada imbatível.

LULA/BARBA – O PT foi criado em 1980 e cumpriu fielmente o objetivo de Golbery. Assim, nove anos depois, o próprio Lula/Barba derrotava Brizola no photochart e ia ao segundo turno contra Fernando Collor, que venceu com inestimável ajuda da Organização Globo, na tristemente famosa edição do debate, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz.

Mas tudo isso é passado distante. Quando chegou ao poder em 2003, Lula da Silva já não era mais Barba, tinha vida própria, comandava o PT com mão de ferro e impedia que qualquer outro petista se destacasse no partido.

Esmagado por um eterno complexo de inferioridade, Lula jamais leu um livro e abominava os intelectuais atuantes no PT, como o sociólogo Francisco Oliveira, o jurista Helio Bicudo, o jornalista e escritor Nilmário Miranda e o economista Aloizio Mercadante, que nunca conseguiram se destacar no partido e dois deles até desistiram de apoiar Lula e o PT (Oliveira e Bicudo). 

ELEIÇÃO DERRADEIRA– Esta é a última eleição a ser disputada por Lula, que já está meio depauperado e não diz mais coisa com coisa. Mesmo assim, corre o risco de se eleger aos 81 anos, e será o mais velho presidente a tomar posse no mundo democrático, eleito pelo povo. Jamais se viu nada igual.

Como a vida média do homem brasileiro é de 74 anos, na eleição Lula estará fazendo hora extra há sete anos. Suas chances de sobrevivência diminuem a cada dia, porque o tempo não para, como lembrava o cantor Cazuza, que procurava uma ideologia para viver e não encontrou.

Se ficar impossibilitado de exercer a presidência em função da idade, o criador do PT será substituído por Geraldo Alckmin, que é sete anos mais jovem, mas nunca foi, não é nem jamais será petista. Isso significa que o partido ficará sem voz, futuro ou destino. Sem Lula, o PT “non ecziste”, diria padre Quevedo, o velho desmistificador de charlatães.

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P.S. –
Perto dos 81 anos, mais cansado de guerra do que a Tereza Batista criada por Jorge Amado, Lula terá de esgotar suas energias em mais uma campanha. Será que vale a pena gastar assim a fase final da vida? É um político milionário, enriquecido ilicitamente e que hoje diz ser “um socialista refinado”, mas não tem como aproveitar o que resta pela frente… E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta, especialmente em ano de Copa. (C.N.)

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