Para limpar seu nome, Moraes trava uso do Coaf contra narcotráfico e corrupção

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

Moraes procura travar as investigações, para sair ileso…

Malu Gaspar
O Globo

Infelizmente, depois do caso do “powerpoint” da jornalista Andréia Sadi na GloboNews, os irmãos Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, não necessariamente nesta ordem) determinaram que a Organização Globo evite dar destaque a matérias que possam criar problemas para o governo Lula da Silva, principal financiador do grupo de comunicação.

Um dos resultados dessa ordem dos empresários foi a pequena repercussão de uma sensacional reportagem de Malu Gaspar, denunciando mais uma decisão do ministro Alexandre de Moraes em defesa própria, que revela audácia e desfaçatez jamais vista na Suprema Corte.

GUINADA RADICAL – No último dia 28, a colunista de O Globo noticiou que, além de tentar anular uma importantíssima jurisprudência do STF, que desde 2019 é usada para denunciar narcotraficantes e corruptos, Moraes desconheceu seu próprio voto, que na época permitiu o uso de relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf).

É evidente que Moraes está empreendendo uma desesperada tentativa de evitar sua incriminação, que significará o julgamento pela Justiça e o impeachment pelo Senado, porque há apenas sete meses, em agosto de 2025, nessa mesma ação, ele deu uma liminar em sentido contrário, acredite se quiser.

Na decisão que obedeceu a jurisprudência em 2025, ele afirmou que era permitido pela Constituição o “compartilhamento de RIFs sem autorização judicial, desde que em procedimentos formalmente instaurados e com garantia de sigilo”.

DISSE MORAES – Seis anos antes, na histórica decisão do plenário, Alexandre de Moraes justificou que os tribunais não podiam anular investigações que utilizassem RIFs produzidos antes da instrução penal, porque, conforme apontou o Ministério Público Federal, isso teria “graves consequências à persecução penal”.

Entre essas consequências funestas que hoje não lhe interessam mais, o ministro listou “a anulação de provas, o trancamento de inquéritos, a revogação de prisões, a liberação de bens apreendidos e a invalidação de operações policiais essenciais ao combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal”.

Malu Gaspar conta ainda que, naquela decisão de 2025, Moraes afirmava estar buscando preservar a eficácia do entendimento do STF em 2019, quando ele liderou a corrente a favor do uso dos RIFs em investigações sem prévia autorização judicial e com procedimento formal.

MUDANÇA RADICAL – Sete meses depois, para brecar as apurações sobre o Banco Master e evitar sua própria incriminação por suas ligações com o banqueiro fraudador, agora o mesmo Moraes alega que os relatórios do Coaf só podem ser usados em inquéritos ou procedimentos criminais.

Ainda não satisfeito com essa autoblindagem, o ministro está tentando impor restrições ao uso dos RIFs, como apresentação de “lastro documental” e  “pertinência temática estrita entre o conteúdo do RIF e o objeto da apuração” – critérios que permitem algum grau de subjetividade e podem levar à anulação das provas, a depender da discricionariedade do juiz.

Os relatórios são preparados pelo Coaf sempre que há movimentações financeiras atípicas de pessoas físicas ou jurídicas, e são encaminhados aos órgãos de investigação. Têm sido largamente utilizados na apuração do caso do Banco Master pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, e também foram compartilhados com as CPIs do INSS e do Crime Organizado mediante autorização judicial. Porém, agora Moraes quer mudar tudo isso. Mas não conseguirá.

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P.S. – Por mais que façam, os irmãos Marinho jamais conseguirão calar os jornalistas da Organização Globo. São seus empregados, mas não são servis à causa da compra e venda de consciências. A imprensa livre é mais forte do que qualquer empresário, por mais rico e poderoso que pense ser, porque na verdade esses supostos homens de negócios não valem nada. (C.N.) 

Mendonça errou ao impedir Ibaneis de depor na CPI do Crime Organizado

CartaCapital | O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal,  decidiu nesta quinta-feira 2 que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis  Rocha... | Instagram

Reprodução do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

O Supremo Tribunal Federal (STF) está tão desmoralizado que não causam surpresa essas decisões favoráveis dadas pelos ministros a algum imoral pendurado em recurso. Isso  não significa nada de saudável. Espelha, apenas, que ambos não merecem o respeito da opinião pública. Se igualam em podridão.

É o caso do presbiteriano André Mendonça, bolsonarista como o imundo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Convocado pela CPI do Crime Organizado, Ibaneis estava obrigado a comparecer, porém Mendonça o liberou, equivocadamente. Se convocado, o governador tem obrigação legal de comparecer à CPI, embora tenha o direito de ficar calado.

CONFESSAR CULPA – Nas CPIs, calar sempre significa “confessar a culpa”. Quem é inocente, tem como se defender e protesta contra a convocação. O advogado mambembe que veio do Piauí para enricar em Brasília é o mesmo que infelicitou a população da capital. Deixou Brasília imunda e insegura, à mercê de bandidos. A cidade é, hoje, o paraíso de mendigos e desabrigados.

O peçonhento Ibaneis errou de partido. Merece conviver com a escória do Partido Liberal, jamais pertencer ao MDB. Partido de lutas democráticas. De Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela,  José Sarney, Renan Calheiros, Alessandro Vieira, Mario Covas, Eduardo Braga etc.

A substituta do apedeuta Ibaneis, a vice Celina Leão, sabe todos os podres do ex-chefe, que desmoralizou o Banco Regional de Brasília com tramas nada republicanas com o Master de Daniel Vorcaro. Celina Leão precisa ficar esperta, para não ver cair no colo dela outra bomba desmascarando, mais uma vez, o cretino Ibaneis. A CPI do Crime Organizado tem tudo a ver, sim, com Ibaneis e Vorcaro. O anjinho de altar de igreja jura que não. É um esmerado canastrão. 

Congresso esvazia poder de Lula e deixa 77% das MPs perderem a validade

Taxa de aprovação é a menor desde 2001

Pedro Penteado
Estadão

O Congresso Nacional converteu em lei apenas 23% das medidas provisórias do terceiro governo Lula (PT). É a menor taxa registrada desde a Emenda Constitucional 32, de 2001, que proibiu a reedição de MPs e fixou prazo máximo de 120 dias para cada medida, encerrando a prática de manter normas provisórias em vigor indefinidamente por renovação automática.

Os dados são do levantamento do Ranking dos Políticos com base na plataforma oficial do Planalto e mostram que o principal instrumento legislativo do Executivo federal perdeu eficácia ao longo das últimas duas décadas, independentemente do partido no poder.

CADUCIDADEDas 192 MPs editadas por Lula no terceiro mandato, 38 foram convertidas em lei. Outras 26 ainda estavam em tramitação no fechamento do levantamento. Das 166 com desfecho definido, 128 — ou 77% — não chegaram a se tornar lei. Na maior parte dos casos, o mecanismo foi a caducidade: o prazo máximo de 120 dias, composto por dois períodos consecutivos de 60 dias, se encerrou sem que o Congresso deliberasse sobre o texto.

Ao não pautar uma MP dentro do prazo, o Congresso a barra sem assumir o custo político de uma rejeição formal. O estudo descreve o fenômeno como “veto silencioso”, estratégia que se consolidou nos últimos anos e permite ao Legislativo exercer poder concreto sem confronto direto com o Executivo.

A série histórica levantada pelo Ranking dos Políticos começa no período pós-EC 32 do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que abrange o último ano e meio de seu governo: 102 MPs editadas, 84 aprovadas, taxa de 82,3%. No primeiro mandato de Lula, de 2003 a 2006, o índice subiu para 90,4%, o mais alto do período analisado: das 240 MPs editadas, 217 foram aprovadas. A partir daí, a tendência geral é de queda.

RECUO – No segundo mandato, a taxa recuou para 83,2%, com 149 aprovações em 179 MPs editadas. No primeiro governo de Dilma Rousseff, caiu para 74,4%, com 108 aprovações em 145 MPs. No segundo mandato dela, encerrado pelo impeachment, o índice foi de 78%, com 46 aprovações em 59 MPs editadas. Michel Temer registrou 75%, com 108 aprovações em 144 MPs e Jair Bolsonaro chegou a 68,3%, com 194 aprovações em 284 MPs editadas, o maior volume do período, parcialmente explicado pelo uso intensivo do instrumento durante a pandemia de Covid-19.

O contraste com o período anterior à reforma constitucional é ainda mais expressivo. No governo Fernando Collor, o Plano Collor foi implementado por meio de 17 medidas provisórias, incluindo o confisco da poupança. Todas foram aprovadas pelo Congresso sem alteração de nenhum dispositivo, retrato de uma época em que o Executivo legislava com quase nenhuma resistência parlamentar.

O levantamento aponta dois fatores estruturais para a reversão desse padrão. O primeiro é o fortalecimento orçamentário do Parlamento, em especial após a institucionalização das emendas parlamentares impositivas, que deram a deputados e senadores capacidade de entrega direta de políticas públicas em suas bases eleitorais, reduzindo a dependência da intermediação do governo federal.

POLARIZAÇÃO – O segundo é a polarização política iniciada nas eleições de 2014, que fragmentou coalizões tradicionais, culminou no impeachment de Dilma Rousseff e produziu um ambiente de desconfiança persistente entre os Poderes.

A isso se soma uma mudança de comportamento dos próprios presidentes. A partir do segundo mandato de Lula, os governos passaram a recorrer com mais frequência a outros instrumentos legislativos, como projetos de lei, propostas de emenda constitucional e projetos de lei complementar, enviados pelo próprio Executivo ou por líderes dos partidos da base. As MPs foram deixando de ser a principal via de produção legislativa do Executivo.

COMPOSIÇÃO – O processo se acentuou após 2022. A disputa polarizada entre Lula e Bolsonaro produziu um Congresso heterogêneo, com parcela da bancada estruturalmente inclinada à oposição ao Executivo eleito, não por estratégia conjuntural, mas por composição eleitoral.

O estudo conclui que o presidencialismo brasileiro preserva sua capacidade de ação, mas o centro decisório se deslocou. A medida provisória, instrumento que na origem simbolizava a força unilateral do Executivo, passou a medir a capacidade de cada governo de entrar em consenso com o Parlamento antes de agir.

Michelle celebra evolução da saúde de Bolsonaro; Carluxo descreve quadro grave

Saúde de ex-presidente vira disputa de narrativas

Deu no O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou no sábado (4) que o ex-presidente Jair Bolsonaro está há seis dias sem episódios de soluços e apresenta evolução no quadro de saúde. A declaração foi feita nas redes sociais e contrasta com o relato recente do filho, que havia descrito uma situação mais delicada.

Segundo Michelle, Bolsonaro voltou a realizar sessões de fisioterapia. Em publicação no Instagram, ela comemorou a melhora clínica, referindo-se ao marido como “galego” e agradecendo a Deus pelo progresso.

CRISES – A avaliação difere da apresentada por Carlos Bolsonaro na quarta-feira (1). Após visitar o pai, o vereador afirmou que o ex-presidente enfrentava crises contínuas de soluços e apontou agravamento do estado geral, citando comorbidades e restrições impostas pela situação judicial.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar temporário. A Justiça autorizou a transferência do complexo da Papuda para casa por 90 dias, após o ex-presidente permanecer dez dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no fim de março.

Relações entre STF e Vorcaro colocam PGR sob pressão e expõem dilema institucional

Sob Bolsonaro, regra do INSS mudou após ofício do Master e impulsionou cartão investigado

Defesa de Vorcaro diz que cartão consignado seguiu normas

Vinicius Sassine
Folha

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) fez alterações em regras sobre o crédito consignado para permitir o funcionamento de um cartão de benefícios que impulsionou o Banco Master entre 2022 e 2025, até a derrocada da instituição financeira. Uma dessas mudanças foi implementada pelo órgão federal 16 dias após o recebimento de um ofício do Master com a intenção de operação do cartão.

A criação de normas específicas para o funcionamento do chamado cartão consignado de benefício, no último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), alavancou as operações do Credcesta, do Master, uma modalidade de crédito consignado levada para o banco de Daniel Vorcaro por Augusto Lima –os dois viriam a se tornar sócios.

CARTÃO CONSIGNADO – O Credcesta –um cartão consignado que incluía serviços adicionais, como desconto em farmácia e auxílio-funeral– funcionou como um motor do Master, praticamente até a liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado. Expandiu-se por 24 estados e 176 municípios, com foco em servidores públicos nas esferas estaduais e municipais.

Com a alteração de regras no INSS, o Credcesta passou a operar junto a aposentados e pensionistas do regime geral de previdência, além de beneficiários do BPC (benefício de prestação continuada). Dados compilados pelo INSS, extraídos pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), mostram que os contratos saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.

Documentos do acordo de cooperação técnica firmado entre o INSS e o Master, obtidos pela Folha, mostram que as regras adotadas sob medida em 2022 permitiram o funcionamento do Credcesta no mesmo ano, com expansão acelerada nos anos seguintes e de forma irregular, conforme a interpretação da atual gestão do INSS.

NORMAS – Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o Master sempre atuou em observância a normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, “incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.

Em 25 de março de 2022, o então presidente do INSS, José Carlos Oliveira, assinou uma instrução normativa que passou a permitir operações com cartão consignado de benefício, como o Credcesta, junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. A instrução normativa alterou regras vigentes desde 2008 e não detalhou como se daria essa operação.

Com base nessa norma, o Master buscou o INSS para que fosse feito um aditivo no acordo de cooperação voltado a operações de crédito consignado. Esse acordo vigorou entre 2020 e 2025, e deixou de ser renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do banco de Vorcaro, investigadas pela PF (Polícia Federal).

ADITAMENTO DE ACORDO – Em um ofício ao INSS em 7 de junho de 2022, o Master pediu “aditamento do acordo de cooperação técnica para inclusão do cartão consignado de benefício”. O banco citou, como base para o pedido, a instrução normativa publicada em março.

Até então, não havia um detalhamento sobre como esse cartão deveria operar, o que passou a estar previsto em nova instrução normativa, publicada no Diário Oficial da União em 23 de junho, 16 dias após o envio do ofício do Master.

Essa segunda norma sobre cartões consignados, como o Credcesta do Master, foi assinada por uma presidente substituta do INSS, Larissa Mora, servidora efetiva do órgão. José Carlos Oliveira havia sido nomeado por Bolsonaro, em 30 de março, para o cargo de ministro do Trabalho e Previdência.

SEM RESPOSTA – O termo aditivo para inclusão do Credcesta no escopo do acordo de cooperação técnica com o INSS foi assinado em 13 de julho. Quem assinou o aditivo pelo Master foi o diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do banco, Luiz Antonio Bull. O INSS não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem por e-mail e por WhatsApp na tarde de segunda-feira (30).

A reportagem buscou a defesa de Oliveira na segunda, mas não conseguiu contato. O ex-gestor esteve acompanhado do advogado durante o depoimento prestado na CPMI do INSS em setembro do ano passado.

No depoimento no Senado, o ex-presidente do INSS disse que o órgão não tinha capacidade de fiscalizar acordos de cooperação técnica firmados e que esses processos se davam de forma “mecânica”, após passarem por diversos setores da autarquia.

NOVO REGRAMENTO – O Master foi a primeira instituição financeira a fazer uso do novo regramento, com início das operações do cartão consignado de benefício, conforme acordos ou aditivos publicados no Diário Oficial da União, referentes a outras instituições financeiras.

Ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro, Oliveira mudou de nome e passou a se chamar Ahmed Mohamad Oliveira. A PF afirma que ele teve participação, de forma estratégica, no esquema de desvio de dinheiro de aposentadorias por meio de descontos fraudulentos. A polícia diz ter existido recebimento de propina pelo ex-gestor.

Bull, por sua vez, foi preso pela PF junto com Vorcaro, na primeira prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025. Naquele momento, as principais suspeitas investigadas eram de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília), com créditos inexistentes no valor de R$ 12,2 bilhões.

DELAÇÃO – Vorcaro voltou a ser preso preventivamente, no último dia 4, e negocia um acordo de delação premiada com a PF e com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Reportagem publicada pela Folha em 13 de fevereiro mostrou a explosão dos contratos do Credcesta –um aumento de 2.500% em dois anos, com base em dados extraídos pela Dataprev– e o padrão reiterado de “desconformidades”, além do risco de danos aos beneficiários, elencados pelo INSS. A atual gestão do órgão decidiu não renovar o acordo de cooperação.

Em 2 de março, em outra reportagem veiculada no jornal, o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que o Credcesta operou de forma irregular, sem amparo legal e com possibilidade de incidência de juros sobre juros nos contratos firmados.

“Quando se faz um [contrato de] Credcesta, ele começa com o empréstimo pessoal. Havendo margem, esse crédito pessoal migra para o crédito consignado. Na visão do INSS, isso é irregular”, disse Waller Júnior. “Nosso aposentado e pensionista têm de assinar um crédito consignado do INSS com todas as cláusulas e informações específicas.”

Governadores recuam da disputa e transformam sucessão em jogo de poder

A Pascoa de Paulo Peres e a solidão divina de Carlos Drummond…

Tribuna da Internet | Um recado a senadores e deputados, numa bem-humorada  canção de protesto

Peres, poeta e compositor carioca

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres, no poema “Páscoa”, faz uma reflexão sobre o significado deste acontecimento para a Humanidade.

PÁSCOA
Paulo Peres

Há mais de dois mil anos,
Jesus Cristo tentou
Mostrar à Humanidade
Uma vida melhor,
Mas a ignorância
Da maior parte da população,
Incentivada
Pelos poderes da época,
Mercenários e imperialistas,
Como os de hoje,
Impediram-no…

Houve sofrimento,
Houve lágrimas,
Houve escuridão…

Todavia,
Houve sabedoria,
Houve fé,
Houve busca,
Houve perdão,
Houve salvação,
Houve liberdade,
Houve luz,
Houve ressurreição!..

Ressurreição diária
Que existe na Páscoa
Do coração
De quem tem como dogma
Os Mandamentos
Da Justiça Divina!

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E DRUMMOND DESCOBRIU QUE DEUS É TRISTE…

COMO E POR QUE LER CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Solar do Rosário

Drummond refletia sobre Deus

O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira, no poema “Deus é Triste”, expõe a sua visão sobre a solidão divina.

DEUS É TRISTE
Carlos Drummond de Andrade

Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo
E cobre tudo tristinfinitamente.

A tristeza de Deus é como Deus: eterna.

Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.

Trump entre a força e o recuo: a guerra que a narrativa já não controla

Caiado avança sobre evangélicos e aposta em vice mulher para romper isolamento

Aliados reconhecem a dificuldade em ampliar alianças

Deu na CNN

Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, busca ampliar sua base de apoio e está implementando estratégias para fortalecer sua candidatura nas próximas eleições. Entre as principais movimentações, Caiado está criando uma ponte com o eleitorado evangélico e planeja ter uma mulher como vice em sua chapa.

De acordo com apuração do analista político Matheus Teixeira, Caiado nomeou o deputado federal Otoni de Paula (MDB) para aproximá-lo do segmento evangélico. O parlamentar, que já foi próximo de Jair Bolsonaro (PL), mas posteriormente se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas ao ex-presidente, agora está filiado ao PSD e tem a missão de organizar reuniões com pastores e marcar presenças em cultos para além do estado de Goiás, reduto eleitoral de Caiado.

MAIOR ALCANCE – “A aproximação com o eleitorado evangélico, que representa uma fatia significativa dos eleitores brasileiros, é vista como essencial para Caiado ampliar seu alcance nacional. O segmento, historicamente de perfil mais conservador e alinhado à direita, dialoga com as bandeiras defendidas pelo pré-candidato do PSD, que busca crescer nas pesquisas eleitorais onde atualmente aparece atrás dos principais nomes”, avalia Matheus.

Além da ponte com os evangélicos, outra estratégia de Caiado é incluir uma mulher como candidata a vice-presidente em sua chapa. A preferência é que esta vice seja de outro partido, ampliando assim as alianças políticas. No entanto, segundo o analista, mesmo que não consiga atrair outro partido para sua coligação, Caiado mantém a intenção de ter uma mulher na vice, ainda que seja do próprio PSD. A dúvida que permanece é se esta representante virá do Sudeste ou do Nordeste do país.

Os aliados de Caiado reconhecem a dificuldade em ampliar alianças no primeiro turno, já que muitos partidos já estão próximos de outras candidaturas. Com estas movimentações, o pré-candidato do PSD busca fazer acenos a dois importantes segmentos do eleitorado brasileiro: os evangélicos e as mulheres, considerados fundamentais para que tenha chances de disputar o segundo turno das eleições presidenciais.

Dança das cadeiras no Congresso expõe luta eleitoral e tensões institucionais

Voos em jatinhos comprometem ministros do STF e ampliam pressão por código de ética

No Brasil, “em nome do Estado de Direito”, perde-se até mesmo a vergonha na cara

ROTA IP (@rotaip) • Instagram photos and videos

Charge do Rotaip (Instagram)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos, Temer por dois anos e Bolsonaro por quatro anos — nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do “coroné”.

AS DUAS FACES – O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres — e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos.

Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali — quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como “herança maldita”. Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

HERANÇA MALDITA – Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes — que não é uma invenção petista, há que se reconhecer — é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT — a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama —, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

LIXO DA HISTÓRIA – Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do “blábláblá” nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país — sendo as grandes cidades já províncias do crime —, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

SOCIEDADE SEM LEI – A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo — sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS?

ROUBAR APOSENTADOS – Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. “Em nome do Estado de Direito”, perde-se a vergonha na cara.

Participação de Caiado indica que Lula será derrotado no segundo turno

05/04/2025 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Aqui no Brasil tudo é diferente. As ideologias são tão encobertas que o cantor Cazuza procurava uma para viver. Mas não achou, porque as tendências partidárias mudam e se misturam, de tal forma que conseguiram esculhambar até o marxismo, que no século passado era tido como uma doutrina séria e de fundo científico, a ponto de Luiz Carlos Prestes criticar Lula da Silva por não estudar as bases do comunismo.

Realmente, é uma maluquice. Quem ainda lembra que Roberto Freire, Aldo Rebelo e Flávio Dino eram declaradamente comunistas. Os três militavam em partidos cujos integrantes até hoje são chamados de “camaradas”, porque essa gente não tem medo do ridículo.

SEM DISTINÇÃO – Por isso, convém não fazer distinção entre os políticos brasileiros, porque eles na verdade não integram grupos ideológicos e muitos deles são até eleitos para representar facções criminosas de diferentes espécies.

Portanto, dizer que Lula é de esquerda tornou-se Piada do Ano. Embora o PT costume exaltar os benefícios sociais concedidos, simultaneamente os governantes petistas se especializaram em explorar o povo.

No segundo governo Lula, por exemplo, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, então marido de Gleisi Hoffmann, foi preso preventivamente pela Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. Ele era acusado de receber cerca de R$ 7 milhões em propina de um esquema de fraudes em empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Anos depois, os sindicalistas do PT voltariam à ação, para desviar dinheiro de aposentados e pensionistas, atuando como se fossem Robin Hood às avessas.

DIREITA, VOLVER – Se a esquerda no Brasil é assim, a direita não fica atrás. A política tornou-se uma atividade tão criminosa que no Estado do Rio de Janeiro, nos últimos 30 anos todos os governadores eleitos entre 1998 e 2026 foram, presos ou sofreram afastamento/cassação, incluindo Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro.

Nessa salada mista, encontram-se todas as tendências – direita, esquerda e centro. E pode-se dizer que apenas Leonel Brizola escapou da humilhação, porque Moreira Franco também foi preso em 2019, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, vejam a que ponto chegamos.

Bem, voltando à sucessão presidencial deste ano, será mesmo uma disputa eletrizante, especialmente se Ronaldo Caiado tiver um vice de respeito em sua chapa, de preferência uma mulher, como é sua intenção.

TRÊS CANDIDATOS – Não se pode desprezar o olho clinico de Gilberto Kassab, o senhor dos anéis, que achou melhor lançar Caiado (GO) do que os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).

Todos sabem que Caiado vai reduzir a votação de Flávio Bolsonaro (PL), que está de bobeira e ainda não convidou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para vice. Aliás, o candidato do PSD também vai tirar votos de Lula, porque no primeiro turno Caiado pode atrair a preferência de quem não aceita mais voltar em Bolsonaro e acabaria votando no petista.

No meio da confusão, já existem algumas certezas. A primeira delas é que Lula estará no segundo turno. E a segunda é que o petista vai perder a eleição, porque o terceiro colocado (seja Caiado ou Flávio) vai apoiar e garantir a vitória do adversário do PT.

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P.S.
O problema de Lula é a altíssima rejeição a ele, que foi de 61%, acima da rejeição a seu governo, que ficou em 51%. Mesmo assim, é certo que ele terá cerca de 30% dos votos válidos, o que garante lugar no segundo turno. Mas será muito difícil garantir a reeleição, se não houver uma mudança radical na atual situação. (C.N.) 

Inelegível, Pablo Marçal aposta tudo no TSE para viabilizar candidatura em 2026

Marçal tentará reverter condenações para disputar eleição

Sérgio Quintella
O Globo

Recém-filiado ao União Brasil, o empresário Pablo Marçal é cotado no partido para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo. Para que a ideia se concretize, porém, ele precisa se livrar de forma definitiva de três processos na Justiça Eleitoral, movidos após sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2024. Duas dessas ações foram julgadas procedentes em primeira instância, tramitam em segundo grau e irão ao Tribunal Superior Eleitoral, sendo uma delas que o mantém inelegível até 2032. O segundo processo foi revertido pelo empresário, mas haverá recurso do Ministério Público no TSE.

Entre os crimes dos quais é acusado estão captação e gastos ilícitos de recursos, abuso de poder econômico e outros ligados a casos como o “concurso de cortes”, denunciado pelo Globo há dois anos. Além dessas ações, há uma outra em primeira instância que condenou Marçal, mas ainda não gera inelegibilidade porque não foi julgada por um colegiado, como prevê a lei, o que deverá ocorrer até o mês que vem.

CONCURSO DE CORTES –  A ação que atualmente mantém Marçal inelegível diz respeito ao “concurso de cortes”, revelado pelo O Globo, em que colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha de dois anos atrás, com promessa de remuneração e distribuição de brindes.

A demanda, movida pelo PSB e pelo Ministério Público, apurou também um pagamento feito pela maquiadora da esposa de Marçal em um anúncio na internet. Ao clicar no link, o usuário era direcionado para o site da campanha eleitoral do empresário. Em dezembro do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou procedente a acusação de uso indevido dos meios de comunicação, além de manter uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.

A votação do colegiado no fim do ano passado foi apertada, por 4 votos a 3, razão pela qual a defesa de Marçal acredita em reversão no TSE. “Nós embargamos a decisão e estamos aguardando o resultado dos embargos, porque nós entendemos que há algumas nulidades no processo, então o relator vai ter que apreciar essas nulidades via embargo de declaração. Ele pode anular o acórdão, pelo que a gente está pedindo, mas se ele não for acolhido, cabe recurso para o TSE. E como foi uma votação bem apertada, 4 a 3, a gente tem muita esperança de virar no Tribunal Superior Eleitoral”, afirma o advogado Paulo Hamilton, que defende o empresário.

APOIO EM TROCA DE PIX –  Enquanto estuda a defesa na ação que mantém Marçal condenado e sem poder disputar eleições, Hamilton se prepara para o recurso do Ministério Público no processo que foi revertido, em novembro de 2025, desta vez em favor de seu cliente.

Movida por Guilherme Boulos e pelo PSB, a demanda foi aberta para apurar a venda do apoio de Marçal a candidatos a vereador na capital paulista em troca de doação de R$ 5.000 para sua campanha por meio de Pix. A medida foi julgada em primeira instância e gerou condenação por abuso de poder econômico e político, além de captação ilícita de recursos e uso indevido dos meios de comunicação. Porém, no julgamento de segunda instância, o relator Claudio Langroiva disse haver a necessidade de considerar a verificação da gravidade da conduta de Marçal.

“Não se está a negar a ilicitude da conduta do recorrente, já que a ilegalidade da proposta é evidente – prática que atenta contra a moralidade e a paridade de armas”, mas para o reconhecimento da procedência da ação é indispensável, além da ilicitude, a gravidade e, no caso do viés econômico, a efetiva constatação da quantidade de recursos efetivamente angariados por meio dessa prática específica”, disse o relator. Como a decisão foi referendada pelo colegiado, a ação foi julgada improcedente e agora o MP vai entrar com recurso em Brasília.

SORTEIOS –  No terceiro processo de Marçal, a primeira instância do TRE paulista o condenou, em julho de 2025, por uso indevido dos meios de comunicação, além de captação e gastos ilícitos de recursos e abuso de poder econômico. O processo apura dez condutas, como sorteios de dinheiro e bonés no Instagram, recebimento de dinheiro indevido, anúncios pagos com dinheiro proveniente de contas estrangeiras, entre outros delitos.

Agora, o colegiado vai votar se mantém ou não a condenação. Caso mantenha a decisão, o empresário ficará pela segunda vez inelegível. Porém, se nada for decidido até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, Marçal não terá impedimentos por esse processo.

“Se até o registro não tiver nenhuma decisão em segunda instância, quer dizer que ele não está inelegível por esse processo. Mas trabalhamos pelo julgamento antes do registro. Nós queremos que julguem porque estamos convictos da inocência dele”, afirma Paulo Hamilton.

PRAZOS – O advogado Arthur Rollo, especializado em legislação eleitoral, afirma que os prazos pretendidos pela defesa de Pablo Marçal são alcançáveis, pois a Justiça Eleitoral deverá dar celeridade a casos como esses. “Eu tenho certeza que dá tempo, pois tem muito tempo até lá e o TSE vai ter prioridade para julgar esses casos. Como ele está querendo se lançar candidato, o TSE não vai deixar sair um candidato ao Senado ou à Câmara [sem registro]. Há precedentes como esses no próprio Tribunal Superior Eleitoral”, diz Rollo.

Nos bastidores do União Brasil, o presidente da legenda, Antonio Rueda, é visto como um dos principais articuladores das ações de Marçal nos tribunais superiores eleitorais. Segundo um entendedor dos mecanismos partidários e jurídicos de Brasília, o cacique, com bom trânsito no TSE, não iria “apostar em um cavalo que não conseguisse largar no páreo”.

OUTRAS AÇÕES –  Além dos processos que versam sobre impedimentos de disputas eleitorais, Pablo Marçal é alvo de outras ações na Justiça Eleitoral paulista. No mês passado, o empresário fez um acordo e conseguiu suspender uma das demandas. O caso se refere à propagação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).

Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal divulgou um documento falso de internação por uso de drogas — a falsidade do documento foi atestada por perícias das Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a derrubada da publicação das redes sociais. Marçal foi o terceiro colocado na disputa eleitoral daquele ano, enquanto Boulos foi para o segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).

RESTRIÇÕES – Para que a ação fosse paralisada no TRE, o empresário aceitou a imposição de uma série de restrições, como comparecimento judicial a cada três meses, proibição de sair de sua cidade sem prévia autorização, além de não poder frequentar bares, boates e casas de prostituição.

No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado. Na ocasião, Marçal foi condenado a pagar uma indenização de R$ 100 mil a Boulos. Procurado, Marçal não quis comentar os processos aos quais responde, nem sobre suas pretensões eleitorais.

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João Pereira Coutinho
Folha

Em plena Páscoa, deparei-me com uma pergunta apropriada — será que Donald Trump vai para o céu? A pergunta não é absurda. O próprio Donald, em declarações ou entrevistas, já lidou com ela, lembra a revista New York. Aos 42 anos, era uma pergunta abstrata, distante, que não inquietava o presidente. Céu, inferno, reencarnação —o homem não acreditava nesses mitos. Tinha pressa de construir o seu.

Algo mudou dez anos depois. Donald passou a esperar que o céu existisse; caso contrário, a vida terrena perderia o sentido. Podemos dizer que Trump aplicava o raciocínio do jogador de cassino à teologia cristã — jogamos aqui embaixo porque esperamos ganhar o prêmio final lá em cima.

RESORT CELESTIAL – A primeira eleição, em 2016, introduziu uma mudança na relação de Trump com a eternidade — a presidência seria o caminho para garantir a passagem para um Mar-a-Lago celestial. Essa crença se reforçou depois da tentativa de assassinato de que foi vítima.

Nos últimos tempos, a fé tem fraquejado. E o homem que só admite ganhar, mesmo quando perde, já admite perder, mesmo quando ganha. O céu pode não ser para ele.

Entendo as angústias de Trump. À luz dos textos sagrados, o destino já era bem sombrio. “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus?”. O desmedido apego ao dinheiro, que só aumentou com a presidência — mais US$ 1 bilhão em lucros —, põe o nosso Donald na posição vexatória de perder para um dromedário.

ALGO PERTURBADOR – É um pensamento perturbador: uma vida inteira de riqueza acumulada, impunidade judicial e política, bajulação alheia — e, no momento decisivo, um animal do deserto tem direito a viajar em classe executiva? Espero que ninguém o avise disso. Caso contrário, os alvos podem acabar sendo outros nas aventuras militares do Oriente Médio.

Claro que existe sempre a possibilidade de perdão. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”, terá dito Jesus aos fariseus.

O problema é que o pecador precisa reconhecer que é pecador, expiando seus erros. É uma atitude de humildade que não combina com o nosso Donald.

CHAMAR A POLÍCIA – Confrontado com Jesus e seus apóstolos, o mais provável era mandar chamar o ICE, a polícia de imigração, e deportar esses ilegais para a Palestina.

Só a graça divina, por definição insondável, resolve o que a biografia complica. Trump, naturalmente, confia nela —ignorando que muitos são chamados e poucos escolhidos.

Eu, se fosse Trump, aproveitava a Páscoa e preparava um plano B. Ou talvez D, de dieta. Não por virtude. Por precaução, claro. O buraco da agulha continua apertado.

Lula intensifica ofensiva contra Flávio e busca controlar crise do Master

Assustado com rejeição, combustíveis e juros, Lula pensa em dar tiros no pé

Lula dá tiro no pé pró-Bolsonaro. Ou: Esquecer o velho e aprender o novo -  27/08/2021 - UOL Notícias

Reprodução do Arquivo Google

Vinicius Torres Freire
Folha

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis. O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma.

A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

AUMENTA A FILA – Há subsídios para o diesel. Até agora, não se falou em subsidiar gasolina, pelo menos. Haverá subsídio para o gás de cozinha, do governo ou da Petrobras, Lula deixou escapar. Companhias aéreas querem subsídio para combustível e crédito. O agro tem pedidos. Se essa fila andar, haverá mais candidatos a algum Bolsa Guerra, como na pandemia, favores do coronavírus que duraram até este governo.

DECISÕES DE MOMENTO – Pode ser razoável a tentativa de atenuar um choque de preço, sob certas condições, de modo a evitar que um problema provisório tenha consequências duradouras. Pode ser um paliativo para um par de meses, aliás adotado até pelo ultraliberal alucinado Javier Milei e pela Europa.

Mas é possível também que a tentativa de transferir problemas para o futuro contamine o presente. No exemplo mais simples, é possível que se esteja apenas transferindo a alta de preços de agora para logo depois da eleição, estocando inflação para 2027, com impacto desde já nas expectativas.

O governo vai gastar o que puder para conter preços por toda a parte, por meses? A ideia do subsídio é compensar alta de preços da Petrobras ou é tabelamento (que pode ameaçar o abastecimento)?

INFLAÇÃO E PIB – Está ainda mais difícil estimar a chance de cada cenário, pois também não se sabe do efeito da guerra: maior na inflação ou no PIB? Depende de duração da crise e do ritmo da economia aqui, ainda firme.

De resto, o governo não tem como mexer em reações fundamentais a todos esses problemas, a do Banco Central e a do mercado de títulos da dívida pública. E o PIB do mundo vai esfriar.

Difícil mexer com sucesso nessa máquina complicada. Enfim, tabelar preço é, claro, uma política, não raro com consequências funestas.

CONGELAMENTO – Em caso muito maior e de extremo descaramento, houve o congelamento de preços do Plano Cruzado, em 1986, desfeito logo depois de fechadas as urnas, o pai dos estelionatos eleitorais do Brasil, que pariu oligarquias até hoje no poder.

Em escala muito menor, porém mais dramática, foi assim com Dilma 1. No início do seu segundo mandato, em 2015, começou a desfazer o que eram, na prática, tabelamentos de preços de energia elétrica e combustíveis.

A então presidente tivera 42% de “ótimo/bom” no Datafolha de dezembro de 2014; em março de 2015, 13%. A vitória torta contribuiu para o seu fim.

CRISE DO PETRÓLEO – Abril será ruim no mercado mundial. Em março circulavam navios com petróleo e combustíveis produzidos e embarcados antes do início da guerra. Agora, o buraco deixado pelo fechamento de Hormuz vai aparecer na prática.

A conversa a respeito de algum tipo contenção de consumo, mesmo de racionamento, ou de redução preventiva de atividade econômica, que já é prática no Sul e no Leste pobres da Ásia, pode se espalhar pela Europa.

Na hipótese mais otimista, o problema de base (escassez de combustível e outros insumos) vai até setembro. Alguém do governo tem isso em mente?