Preso nos EUA, Ramagem expõe contradição de quem aplaudia deportações de Trump

“Bets” de Haddad são um escândalo que poderá prejudicar a reeleição de Lula

Charge do Orlando (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não bastassem as preocupações dos principais assessores do presidente Lula da Silva com a ligação entre o governo  e alguns ministros do STF, em meio às denúncias de corrupção e de fraudes no INSS e na derrocada do Banco Master, surgiu agora um novo alerta: a regulamentação das bets, promovida pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Essa iniciativa, realizada a pretexto de turbinar a arrecadação federal em alguns bilhões de reais com o produto da jogatina, vem sendo interpretada pela população como apoio da administração pública a jogos de azar. 

DINHEIRO DO POBRE – Nessa operação de apostas descontroladas, com a expressiva participação de grupos e cassinos estrangeiros, não há diversão nem responsabilidade social, resultando apenas na perda de dinheiro do programa Bolsa Família, que reduz as compras de alimentos e remédios, sem esquecer a ludopatia, o devastador vício que arruína a saúde dos apostadores e a convivência familiar, com endividamento definitivo, sem recuperação judicial.

Lula já sentiu que nada tem a ganhar com essa liberalidade da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e já externou  desconforto com a enrascada em que se meteu ao sancionar a Lei 14.790/2023, fazendo pouco da ainda vigente Lei das Contravenções Penais.

Em entrevista no último dia 8, Lula defendeu a proibição dos jogos de apostas online. Mas, para escusar-se de responsabilidade, disse que a decisão depende também do Congresso. E frisou que, se pudesse agir sozinho, sem depender dos deputados e senadores, “as bets seriam banidas. Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada no Brasil”.

“INVESTIMENTOS” – A solução, porém, não é tão simples como imaginado por Lula. Para operar essa modalidade de aposta fixa, grupos internacionais que mantêm sites de jogos e cassinos na Europa, América e África pagaram à Receita Federal R$ 30 milhões por cada outorga recebida e para tanto se coligaram com empresas brasileiras de jogos. Só neste item, o fisco nacional faturou perto de R$ 3 bilhões.

Caso as bets sejam banidas, quem devolverá essa fortuna aos investidores que aqui desembarcaram e estão devastando as economias de mais de 30 milhões de apostadores que só perdem?

Dados oficiais apontam que em 2024 as bets tomaram cerca de R$ 200 bilhões dos brasileiros, capturados por insistente e pouco ética propaganda na TV, especialmente na Globo.

BOLSA FAMÍLIA – Oportuno artigo do jornalista Fernando Castilho, no UOL, revela que o Ministério do Desenvolvimento Social identificou não só a transferência de quantias bilionárias do Bolsa Família para as bets, mas também que as mulheres que têm o controle do recebimento do Bolsa Família passaram a representar 37% do total de apostadores no país, considerando-se apenas as casas esportivas legalizadas.

Lula prometeu agir rápido, pois acredita que o dito endividamento das famílias (80,45%), que em março tinham alguma dívida a vencer ou já estavam inadimplentes, é reflexo da decisão de apostar.

Para o candidato à reeleição que está com os concorrentes nos calcanhares, o cenário mudou radicalmente com a popularização das apostas online. “O cassino entrou dentro de casa da gente, para crianças de 10 anos pegar o telefone do pai e jogar com essa quantidade de bets que foram criadas aí, que estão tomando conta do futebol, tomando conta da publicidade e tomando conta da corrupção desse país”.

TRATAMENTO NO SUS – A situação é tão grave – epidêmica, mesmo – que o Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidados para Pessoas com Problemas Relacionados a jogos de Apostas, programa que orienta profissionais do SUS no acolhimento e tratamento das pessoas afetadas pela ludopatia, conforme esclarecimento prestado pelo Setor de Comunicação do próprio PT.

O fato concreto é que a publicidade intensa, que enriquece as TVs, especialmente a Globo, estimula o consumo contínuo do produto destruidor de famílias e causador de endividamento irreversível. Porém, o então ministro Haddad não pensou nisso quando abriu a guarda para viciar o povo, em troca de um punhado de dólares.

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P.S –
O arrependido Lula é o principal culpado. Foi ele quem sancionou a lei das bets e deu vida a uma legislação que dificulta ações de restrição e de impedimento de apostas.  O faturamento das bets é tão atraente que a Organização Globo, maior grupo de comunicação do Brasil, já se associou nessa empreitada a um dos maiores exploradores de cassino dos Estados Unidos e juntos operam a Bet MGM. Os filhos de Roberto Marinho não têm escrúpulos e são viciados em ganhar dinheiro, não importa a origem. (C.N.)

Hungria: a queda de Viktor Orbán e o fim de um ciclo de poder na Europa

Longevidade da direita radical expõe a sua fragilidade

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

A derrota de Viktor Orbán expõe, com nitidez, o desgaste acumulado de um modelo político que, durante 16 anos, se apresentou como resistente à alternância e imune à erosão interna. O que emerge das urnas húngaras não é apenas a substituição de uma liderança, mas a evidência de que a consolidação prolongada de autoridade — baseada na concentração institucional, na influência indireta sobre o espaço informativo e na compressão dos mecanismos de equilíbrio democrático — entra, inevitavelmente, em fase de saturação.

O resultado eleitoral na Hungria traduz um ponto de ruptura dentro desse processo. O comparecimento recorde às urnas, próximo dos 78%, identificado como um dos mais elevados da história recente do país, não reflete apenas a mobilização cívica. Indica um momento de ativação do eleitorado diante de um sistema que deixou de absorver o desgaste que ele próprio produziu. Em contextos de normalidade democrática, a participação eleitoral tende à estabilidade; quando essa lógica é quebrada, o que se observa é um mecanismo de correção em funcionamento.

SEM SUSTENTABILIDADE – O El País enquadra esse momento como uma decisão estrutural sobre o modelo de governança, enquanto o The Guardian destaca o caráter excepcional da mobilização. A convergência dessas leituras aponta para um diagnóstico preciso: o sistema perdeu capacidade de se sustentar sem recorrer de forma crescente a instrumentos de condicionamento.

Durante mais de uma década e meia, o ex-primeiro-ministro húngaro não se limitou a governar; reconfigurou o funcionamento do Estado. A designação de “democracia iliberal” não foi apenas retórica política, mas a expressão de um método consistente de reorganização institucional. A capacidade de moldar o espaço informativo, a reengenharia do sistema judicial e a construção de redes de dependência política e econômica criaram um ambiente de estabilidade dirigida, no qual a alternância se tornava progressivamente improvável.

Esse modelo, amplamente analisado por observadores internacionais, consolidou-se como uma referência para setores da direita que procuram conciliar legitimidade eleitoral com domínio estrutural do aparelho de Estado. Sua derrota altera esse enquadramento de forma direta.

FRAGILIDADES – O que está em jogo não é apenas a substituição de uma liderança, mas a exposição das fragilidades inerentes a sistemas que dependem de um equilíbrio artificial entre legitimidade democrática e acumulação de influência. A longevidade de Orbán funcionava como argumento empírico a favor da viabilidade desse modelo; sua queda transforma esse argumento em uma contingência histórica. A dependência do consentimento eleitoral se mantém, mesmo em estruturas altamente concentradas — e se revelou determinante.

No plano europeu, as implicações são imediatas e estratégicas. Orbán representou, durante anos, um dos principais fatores de instabilidade interna da União Europeia, bloqueando decisões, relativizando consensos e introduzindo um padrão de confronto permanente com Bruxelas.

Sua saída do poder não elimina automaticamente essas tensões, mas reduz significativamente sua capacidade de projeção. A Reuters identifica nesse resultado um potencial ponto de reequilíbrio institucional, com impacto direto na previsibilidade política do bloco, na gestão de fundos europeus e na articulação de posições comuns em temas sensíveis, como a relação com a Rússia.

INSTABILIDADE –  Esse reposicionamento tem uma dimensão que ultrapassa a geografia europeia. A trajetória de Orbán foi frequentemente invocada por Donald Trump e por setores do conservadorismo norte-americano como demonstração da eficácia de modelos políticos baseados na concentração de autoridade e no confronto com instituições tradicionais. Sua derrota introduz um elemento de instabilidade nessa leitura.

A longevidade deixa de garantir continuidade. Esse fator reduz a margem de previsibilidade de estratégias baseadas na permanência prolongada no poder. Do ponto de vista analítico, a transição que se segue não deve ser interpretada como linear. Sistemas moldados ao longo de um ciclo prolongado não se desconstroem por via eleitoral imediata.

Estruturas administrativas, redes de influência e mecanismos de condicionamento permanecem ativos e continuarão a moldar o funcionamento do Estado. A fase subsequente exigirá capacidade de reconfiguração institucional em um contexto ainda marcado por assimetrias acumuladas, o que introduz complexidade e risco no processo de governança.

LIMITES OPERACIONAIS – Ainda assim, o ponto crítico já foi atingido. A derrota de Orbán redefine os limites operacionais de modelos políticos baseados na concentração prolongada de poder. Ao evidenciar a capacidade de resposta do eleitorado diante de um sistema em desequilíbrio, o caso húngaro reintroduz um elemento frequentemente negligenciado nas análises contemporâneas: a resiliência funcional dos mecanismos democráticos.

Em um contexto internacional marcado por tendências de polarização, contestação institucional e fortalecimento de lideranças personalistas, o resultado húngaro altera o enquadramento estratégico de forma silenciosa, mas substantiva. A Hungria deixa de ser apresentada como exemplo de continuidade ininterrupta de um modelo iliberal e passa a integrar o conjunto de sistemas nos quais a alternância permanece uma possibilidade concreta.

FIM DE UM CICLO – A derrota de Viktor Orbán não encerra um ciclo político; expõe a fragilidade estrutural de uma arquitetura construída sobre a acumulação contínua de autoridade. Durante anos, apresentou-se como estável, resistente e replicável. Quando essa aparência se rompe, sua premissa deixa de se sustentar.

O que emerge não é apenas o fim de uma liderança, mas a evidência de que a concentração prolongada de influência, quando submetida ao teste democrático, encontra inevitavelmente seu ponto de ruptura. A partir daí, o desfecho deixa de ser hipótese — torna-se consequência.

Caiado mantém rede de parentes em cargos públicos e levanta debate sobre nepotismo

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Após CPI mirar ministros do STF, Alcolumbre fala em “agressão permanente às instituições”

Zema ataca PL, fala em “frutas podres” e descarta a aliança com Flávio Bolsonaro

Zema tem reiterado que pretende manter sua pré-candidatura

Bruna Barboza
O Globo

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo Romeu Zema fez críticas diretas ao campo da direita nesta segunda-feira e disse que o PL tem “frutas podres”. A declaração ocorre em meio a especulação de que Zema poderia abrir mão de ser cabeça de chapa para ser alocado como vice do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Planalto.

— Eu sou uma direita que não tem corrupção, não tem escândalo. E tem direita aí que também está envolvida com coisas erradas. Então eu sou de direita, mas sou diferente. No PL eu acho que tem algumas frutas podres lá. No Novo, se tiver, a gente coloca para fora — disse Zema após participação em evento da Associação Comercial de São Paulo.

VÍDEO NAS REDES – O ex-governador também foi questionado sobre um vídeo publicado nas redes sociais ao lado do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL. A gravação segue um viral nas redes, chamado “Será?”, em que os dois brincam com a possibilidade de formar uma chapa presidencial, invertendo especulações recorrentes sobre Zema ser vice.

No vídeo, o mineiro aparece ao lado de Flávio e sugere, em tom descontraído, que o senador poderia ser seu vice, ao que o parlamentar responde com a frase “será?”, antes de ambos rirem. A publicação ocorre em meio a discussões sobre possíveis alianças para 2026.

Questionado sobre o conteúdo, Zema desconversou e afirmou que se tratou apenas de um momento de descontração. Apesar disso, nos bastidores, o nome do ex-governador é citado como possível vice em uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele, no entanto, tem reiterado que pretende manter sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

CRÍTICAS AO JUDICIÁRIO – Zema também defendeu a prisão de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e elevou o tom das críticas ao Judiciário, mirando principalmente Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

A fala ocorre em meio aos desdobramentos das investigações do caso Master, que apontam ligações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. O caso motivou pedidos de impeachment no Senado contra Toffoli e Moraes por crimes de responsabilidade. Contra Toffoli, pesa a acusação de julgar processos nos quais seria suspeito; já Moraes é acusado de conduta incompatível com o cargo.

— Os intocáveis são aqueles que se consideram acima da lei (…). Principalmente dois ministros, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Esses dois, para mim, não merecem só processo de impeachment, merecem prisão — disse Zema a jornalistas.

Prisão de Ramagem nos EUA testa influência do bolsonarismo junto a Trump

Ramagem estava nos EUA em situação irregular

Deu na CNN

A prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos (ICE) nesta segunda-feira (13) coloca em xeque a real influência do bolsonarismo junto ao governo de Donald Trump. O analista de política Pedro Venceslau vê o caso como um teste para a relação entre o movimento político brasileiro e as autoridades norte-americanas.

Ramagem estava nos Estados Unidos em situação irregular após ter seu passaporte cancelado, apesar de ter solicitado asilo político. “O fato de ele não ocupar o cargo de parlamentar no Brasil fragiliza o pedido de asilo político e também o discurso, a narrativa de perseguição no Brasil”, explicou o analista durante o CNN 360º desta segunda-feira.

DESAFIO – A detenção de Ramagem representa um desafio para Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que têm se apresentado como articuladores políticos com acesso à Casa Branca. “Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro são os responsáveis pela articulação política com a Casa Branca, até onde é possível chegar na Casa Branca e também no Capitólio. Os dois foram os responsáveis por articular as sanções da Lei Magnitsky”, destacou Venceslau.

Paulo Figueiredo, jornalista aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e sócio da empresa Imigrex, está representando Ramagem no caso. Em nota, Figueiredo afirmou estar prestando assistência ao ex-deputado e sua família, com expectativa de que seja liberado rapidamente, sem risco de deportação. No entanto, há contradição entre esta versão e as informações das autoridades brasileiras, que confirmaram cooperação entre os dois países.

Embora a prisão tenha sido realizada como parte da rotina da polícia imigratória americana, sem aparente decisão política inicial, o caso pode evoluir para uma questão diplomática. “Num segundo momento, a partir do fato de que existe um pedido de asilo feito pelo deputado, que está em algum escaninho da Casa Branca, passa, então, a ser uma decisão política de Donald Trump”, explicou o analista.

DILEMA – Segundo Venceslau, o dilema para os apoiadores de Ramagem é significativo: criticar a prisão sem criticar a gestão Trump seria contraditório, já que a detenção reflete justamente a política de “tolerância zero contra a imigração” que é considerada o “principal cartão de visitas” do presidente norte-americano.

Ramagem estava vivendo abertamente nos Estados Unidos, em um condomínio de luxo em Miami, participando de encontros políticos e reunindo-se com Eduardo Bolsonaro em diversas ocasiões.

“Depois dessa fuga por Roraima, usando o passaporte diplomático que ele tinha, ele não fez questão de se esconder no País, ele estava atuando politicamente, aparentemente se sentindo seguro de estar nos Estados Unidos, achando que não estaria no radar do ICE”, acrescenta Venceslau.

Documento dos EUA aponta visto vencido e coloca Ramagem sob risco de deportação

Datafolha: maioria vê poder excessivo, mas reconhece papel do STF na democracia

75% afirmam que ministros do STF têm poder demais

Deu no O Globo

Uma pesquisa Datafolha mostra que 75% dos brasileiros afirmam que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder demais, enquanto 71% consideram a Corte essencial para a proteção da democracia. O levantamento foi divulgado em meio às investigações do caso do banco Master, que levaram magistrados da cúpula a uma crise inédita de confiança

Segundo a sondagem, publicada na noite desta segunda-feira, apenas um quinto dos entrevistados discorda do excesso de poder dos ministros do STF e quase um quarto (24%) discorda do papel essencial do Supremo para a defesa democrática. Outros 3% não souberam responder, e 2% disseram não concordar nem discordar das duas afirmativas.

MARGEM DE ERRO – O Datafolha ouviu 2.004 pessoas, de 7 a 9 de abril, em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.

As perguntas integraram questionários do instituto pela primeira vez, logo não há série histórica comparativa. A pesquisa aponta ainda que 75% dizem que as pessoas acreditam menos no STF agora do que antes, e 20% discordam disso.

O descrédito é maior entre os que votaram no segundo turno de 2022 em Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão pela participação na trama golpista: neste estrato, 88% disseram que os ministros têm poder demais. No entanto, mesmo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quase dois terços veem excesso de poder na Corte (64%). (Nestes recortes da pesquisa, a margem de erro é de quatro e de três pontos, respectivamente.)

PAPEL DO STF – Os que votaram em Lula no segundo de 2022 tendem a defender em maior proporção o papel essencial do Supremo para a proteção da democracia: 84%. O percentual chega a 60% entre aqueles que declararam voto em Bolsonaro, apesar da ofensiva do bolsonarismo contra ministros da Corte desde o andamento do inquérito das fake news e das apurações sobre o 8 de janeiro.

Aqueles que afirmaram ter votado em branco, ter anulado o voto ou não ter escolhido nenhum candidato, 67% disseram que os ministros do STF têm poder demais, e 73% apontaram que a cúpula do Judiciário nacional é essencial para a democracia.

A ironia poética de Raul de Leoni pode ser transformada em filosofia de vida

Tribuna da Internet | Uma antiga história antiga, na poesia do mestre Raul  de LeoniPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, diplomata, deputado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), embora tenha morrido muito cedo, aos 31 anos, é considerado um dos maiores autores do neoparnasianismo brasileiro, embora alguns prefiram identificá-lo como simbolista.

Publicou apenas um livro de poemas, intitulado “Luz Mediterrânea”, no ano de 1922. Numa das poesias, Leoni faz uma reflexão sobre a importância da ironia, que pode até funcionar como se fosse uma filosofia de vida.

IRONIA
Raul de Leôni

Ironia! Ironia!
Minha consolação! Minha filosofia!
Imponderável máscara discreta
Dessa infinita dúvida secreta,
Que é a tragédia recôndita do ser!
Muita gente não te há de compreender
E dirá que és renúncia e covardia!

Ironia! Ironia!
És a minha atitude comovida:
O amor-próprio do Espírito, sorrindo!
O pudor da Razão diante da Vida!

Imaginem como seria o mundo, se o Papa trocasse de lugar com Donald Trump…

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #papa #trump #pope #LeãoXIV #orientemedio #war #usa #eua #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *Thiago Lucas

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

 Vicente Limongi Netto

Bem feito, Trump, quem mandou você tirar o Papa Leão XIV do anonimato vazio e improdutivo? O mundo hipócrita agora volta-se contra você. Até padres de igrejinhas do interior do sertão, como ávidos desocupados, aproveitaram os pingentes dos holofotes para tirar pedaços de você e fazer média com o Sua Santidade.

Como outros pontífices costumavam fazer, também Leão XIV aproveita momentos de barulheira grossa no mundo,  com balas, canhões, drones etc., e vai altivo para a sacada do suntuoso Vaticano clamar pela paz. Pedindo mais pão, menos canhão.

TROCA DE POSIÇÕES – Em algum instante do arranca rabo inútil, que não vai acabar com a guerra nem baratear a gasolina, muito menos eliminar com a miséria no mundo, seria engraçado, nessa linha, se analistas católicos, padres, bispos, cardeais, coroinhas e carpideiras, botassem Trump no Vaticano e o Papa na Casa Branca.

As ações nas bolsas do planeta iriam explodir.  Seria engraçado o Papa que é cidadão americano, na Casa Branca, de terno e gravata.  Como presidente do país mais poderoso do mundo, o Sumo Pontífice combateria a guerra com orações entusiásticas, rezas brabas e crucifixo em riste, completamente rouco, enxugando gelo com missas, discurseiras e leituras da Bíblia, enfrentando bombas na Ucrânia, no Irã e no Libano. 

Enquanto isso, no Vaticano, Trump tomaria altos porres, dizimando a riquíssima adega da Santa Igreja…

 

Lula enfrenta um isolamento inédito e faz crescer as dúvidas sobre sua candidatura

Mensagens de Ibaneis sobre Master entram na mira da PF e ampliam crise no BRB

Ramagem foi detido por infração de trânsito e não será deportado, diz jornalista

Quem é o jornalista da "velha mídia" que se encantou com o golpista Paulo  Figueiredo?

Figueiredo explica que Ramagem já pediu asilo aos EUA

José Carlos Werneck

Segundo o blog do jornalista Fausto Macedo e informações de Aguirre Talento e Guilherme Caetano, no Estadão, o ex-deputado Alexandre Ramagem não foi preso nos Estados Unidos pela Interpol. A reportagem cita explicação do jornalista Paulo Figueiredo, que também vive nos Estados Unidos e revelou que Ramagem foi detido após uma abordagem policial em Orlando por uma leve infração de trânsito e que a questão é “meramente imigratória”.

O ex-deputado Eduardo também usou sua rede social para sustentar que o caso de Ramagem foi por mera infração de trânsito, e a expectativa é de que muito em breve ele será solto.

PEDIDO DE ASILO – Paulo Figueiredo explicou que Ramagem tem um pedido de asilo pendente nos EUA e, por isso, estaria em condição legal no país. E assinalou acreditar que ele não será extraditado.

“A Immigrex, empresa da qual sou sócio, está prestando toda a assistência a Ramagem e sua família. Nossa expectativa é de que seja liberado o mais rapidamente possível e, no momento, não vemos qualquer risco de deportação”, afirmou Figueiredo, acrescentando:

“Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado”, disse.

Como dizia o jornalista Alberto Dines, em certos casos a versão supera o fato…

Datafolha expõe uma polarização concreta, que parece resistir ao tempo

Tribuna da Internet | Polarização é alimentada pela estratégia de ofender  ao invés de debater

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do Datafolha consolida um dado que já não pode mais ser tratado como circunstancial: o Brasil permanece profundamente dividido. O empate técnico entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno — com ambos dentro da margem de erro — não representa apenas equilíbrio eleitoral, mas a continuidade de uma clivagem política estrutural, que atravessa governos, crises e ciclos históricos.

Esse cenário ganha ainda mais peso quando observado em perspectiva. Lula, que há poucos meses sustentava uma vantagem mais confortável, agora vê seu espaço comprimido por uma candidatura que emerge como herdeira direta de um campo político resiliente. A ascensão de Flávio não é apenas individual — ela reflete a reorganização do bolsonarismo, que, mesmo após derrotas institucionais e desgaste acumulado, mantém densidade eleitoral e forte capacidade de mobilização.

POLARIZAÇÃO – O primeiro elemento central dessa fotografia é a persistência da polarização. Diferentemente de outras democracias, onde o desgaste de governos costuma abrir espaço para alternativas moderadas, o Brasil segue orbitando em torno de dois polos bem definidos.

No primeiro turno, Lula ainda lidera, mas Flávio se consolida como principal adversário, enquanto nomes de terceira via continuam incapazes de romper essa lógica binária. Não há, até aqui, um campo intermediário competitivo — apenas candidaturas periféricas que orbitam sem alterar o eixo central da disputa.

Esse padrão revela algo mais profundo: a polarização brasileira deixou de ser apenas política e se tornou identitária. Lula representa não só um projeto de governo, mas um conjunto de valores associados à proteção social, ao papel ativo do Estado e a uma memória política consolidada. Flávio Bolsonaro, por sua vez, encarna a continuidade de um movimento ancorado em valores conservadores, no antipetismo e na crítica às instituições tradicionais. Não são apenas candidatos — são polos simbólicos.

EQUILÍBRIO NEGATIVOO segundo elemento decisivo é o chamado equilíbrio negativo. Ambos os lados carregam índices elevados de rejeição, praticamente equivalentes. Isso significa que a disputa tende a ser menos sobre conquista de novos eleitores e mais sobre rejeição ao adversário. Em cenários assim, vencer não depende necessariamente de ampliar apoio, mas de reduzir resistências ou explorar as fragilidades do outro lado.

Esse dado ajuda a explicar o paradoxo atual. Lula mantém uma base sólida e ainda lidera, mas enfrenta sinais claros de desgaste. Ao mesmo tempo, Flávio cresce mesmo carregando o peso de um campo político historicamente polarizador. O resultado é um empate que não nasce da convergência, mas de um bloqueio mútuo entre forças que se neutralizam.

Há ainda um terceiro fator relevante: a ativação do eleitorado. O crescimento de Flávio ocorre em paralelo à reorganização de sua base política, que mantém alto grau de engajamento. Já o campo lulista depende cada vez mais da preservação de seu núcleo histórico, com maior dificuldade de expansão. Isso reforça a ideia de que a disputa tende a se dar dentro de limites já conhecidos, com pouca margem para surpresas fora desse eixo.

TENSÃO – O que emerge desse quadro não é apenas uma eleição competitiva, mas um sistema político tensionado de forma permanente. A polarização brasileira deixou de ser um fenômeno episódico e passou a estruturar o próprio funcionamento da democracia. Ela organiza preferências, delimita estratégias e reduz o espaço para alternativas fora desse eixo.

Do ponto de vista analítico, a conclusão é clara: a eleição de 2026 não será definida apenas por propostas ou desempenho de governo. Será, sobretudo, uma disputa entre identidades políticas já consolidadas, em que cada lado conhece seus limites — e os do adversário.

Nesse contexto, o empate captado pelo Datafolha não indica indefinição. Ao contrário: revela a estabilidade de um conflito político que se mantém ativo, resistente e profundamente enraizado. O Brasil não está dividido por acaso — está estruturado em torno dessa divisão.

Piada do Ano! Ministros do STF querem exigir que Fachin os defenda das acusações

Relatório da CPI do Crime mira Moraes, Toffoli e Gilmar e acirra confronto com o Supremo

Moraes perseguiu e destruiu Ramagem, sem encontrar provas concretas contra ele

Alexandre Ramagem recebe primeiro voto no STF

Moraes destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagen

Carlos Newton

Respeitado como um templo da justiça, que corrigia os erros judiciários cometidos em instâncias inferiores, o Supremo Tribunal Federal acabou se tornando uma instituição desmoralizada, na qual a maioria dos brasileiros não mais acredita.

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Estadão, feita em março, indica que a desconfiança no STF atingiu 60%, o pior índice da série histórica, e apenas 34% dos brasileiros ainda demonstram confiar no mais importante tribunal do país.

DECISÃO POLÍTICA – O desgaste começou lá atrás, em 2019, quando a maioria dos membros do Supremo resolveu desprezar as leis e passar a reinterpretá-las, para conseguir soltar um criminoso chamado Lula da Silva.

Foi uma imensa vergonha internacional, pois o Brasil passou a ser o único país da ONU a deixar em liberdade os criminosos condenados em segunda instância colegiada, quando se esgota o exame do mérito da questão. E Lula já estava condenado em três instâncias, sempre por unanimidade.

Dois anos em seguida, outro vexame mundial. Uma nova “reinterpretação” limpou a ficha de Lula, para permitir sua candidatura, com uma justificativa patética, pois tornou o Brasil o único país a anular condenação sob alegação de “incompetência territorial absoluta” (julgamento por tribunal errado), uma possibilidade só existente em ações imobiliárias, jamais em processos criminais.  

EM QUEDA LIVRE – Assim, Lula conseguiu voltar ao poder e a derrocada do Supremo foi ganhando cada vez mais velocidade, como se estivesse em queda livre. Vieram a libertação de narcotraficantes, a proteção a réus amigos, os penduricalhos salariais, um verdadeiro festival.

Depois, ocorreu o inacreditável julgamento do 8 de Janeiro. Para aumentar artificialmente as penas, o relator Alexandre de Moraes duplicou crimes que são excludentes entre si, como “Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito” (art. 359-L) e “Golpe de Estado” (art. 359-M). No caso, seria um crime ou o outro, jamais os dois somados.

Da mesma forma, Moraes duplicou outros d ois crimes – “Dano Qualificado” (art. 163) e “Deterioração de Patrimônio Tombado” (art. 62 da Lei nº 9.605. Também são crimes excludentes, porque só se pratica um deles, jamais os dois ao mesmo tempo.

QUADRILHA ARMADA? – Ainda insatisfeito com as duplicações de crimes, Moraes inventou  aplicar mais dois. Um deles foi “Associação Criminosa Armada” (Art. 288), embora os réus nem se conhecessem entre si, morassem em cidades diferentes etc., além de não ter sido usada ou apreendida nenhuma arma em poder deles.

Por fim, o criativo relator também arrolou “Incitação ao Crime” (Art. 286) para punir os atos realizados em frente ao QG do Exército.

Com isso, conseguiu prender e condenar a penas exageradíssimas cerca de 1,5 mil pessoas comuns, inclusive idosos e idosas, todas sem antecedentes criminais e sem haver provas individuais de terem cometido os delitos mencionados e acumulados, inclusive usando armas – à exceção, é claro, daquela bela cabeleireira que sacou o batom da bolsa para escrever “Perdeu, Mané!”.

CASO RAMAGEM – Agora, surge a notícia da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem  nos Estados Unidos, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Na matriz USA, eles não sabem que na filial Brazil o ex-parlamentar foi vítima de um dos maiores erros judiciários do Supremo, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição do estado de direito e organização criminosa armada.

Provas contra ele? Nenhuma, porque o então presidente da Abin (Associação Brasileira de Inteligência), uma espécie de CIA tropical, não participou da trama golpista. Motivo: em março de 2022 Ramagem pediu demissão do governo e se desligou, para ser candidato a deputado federal.

Durante as articulações do golpe, estava a mil quilômetros de distância de Brasília, porque voltara a morar no Rio, para dedicar-se à campanha eleitoral. Portanto, só poderia ter participado do golpe por telefone, e-mail ou sessão espírita, e isso nunca ficou provado.

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P.S. 1
– Algum fã de Moraes pode alegar que Ramagem foi condenado a 16 anos por formar uma Abin Paralela. Mas isso é uma farsa, uma indiscutível Piada do Ano. Por que ele criaria uma Abin Paralela, se podia usar a Abin verdadeira? Onde estão as provas? Padre Quevedo encerraria a questão, dizendo: “Esse crime non ecziste”.

P.S. 2 – Realmente, não existe, porém Moraes o inventou. Com isso, destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagem, tirou-lhe o mandato popular conquistado nas urnas, jogou no lixo sua impecável carreira de delegado federal, sem jamais receber sequer advertência, transformou num inferno a vida da família dele.

P.S. 3 – É um problema que deixa terríveis sequelas, especialmente nos filhos. Mas tem solução. Se os advogados de Ramagem entrarem com pedido de revisão criminal, último recurso a que ele tem direito, certamente conseguirão absolvê-lo na Segunda Turma do STF, que será encarregada do julgamento revisional, nos termos do Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é entusiástico signatário. Nem é preciso redigir um longo recurso; basta exigir as provas da condenação.

P.S. 4Quanto a Moraes, já está pagando aqui na Terra as perversidades cometidas apenas por vaidade e ambição. Ficou rico e famoso, mas sua vida não vale nada. (C.N.)

Maioria dos brasileiros defende Bolsonaro em prisão domiciliar, aponta Datafolha

37% acham que Bolsonaro deve cumprir a pena na prisão

João Ker
CNN

A maioria dos brasileiros é a favor de que o ex-presidente Jair Bolsonaro continue em prisão domiciliar, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (12).

O levantamento mostra que 59% dos entrevistados defendem o regime atual, enquanto 37% acham que ele deve cumprir a pena na prisão; 5% não souberam responder.

DOMICILIAR – A maior parte dos eleitores de centro e dos bolsonaristas também defendem que Bolsonaro seja mantido em prisão domiciliar. O índice de preferência pelo regime atual é alto até entre os que se declaram petistas.

Entre os que se declaram eleitores de centro, 53% acham que Bolsonaro deve continuar em prisão domiciliar, 41% são a favor de que ele volte ao regime fechado e 6% não souberem responder à pergunta. O índice de aprovação da prisão domiciliar é quase absoluto entre bolsonaristas: 94% defendem que ele cumpra a pena em casa e apenas 3% acham que ele de voltar à prisão; outros 2% não souberam responder.

Para a maioria dos eleitores do PT, entretanto, Bolsonaro deve ficar em regime fechado: 68% acreditam que ele deve voltar à prisão, 28% defendem que ele cumpra a pena em casa e 4% não souberam responder. A pesquisa foi feita com 2.004 pessoas em 134 cidades entre as últimas terça e quinta-feira (7 e 9).

GOLPE DE ESTADO – Bolsonaro foi condenado de forma unânime pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e três meses de prisão por planejar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022.

O ex-presidente passou 125 dias cumprindo a pena em regime fechado. Ao longo do período, ele passou pelas celas da Superintendência da PF (Polícia Federal) e do Complexo da Papuda, ambos em Brasília. Ele também passou duas semanas em internação hospitalar após ser diagnosticado com um quadro de broncopneumonia bilateral, ele passou duas semanas internado.

NOVA TORNOZELEIRA – Em 27 de março, Bolsonaro recebeu alta e voltou para casa. Sua transferência para a prisão domiciliar foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou também o uso de uma nova tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente.

Inicialmente, Bolsonaro ficou em prisão domiciliar entre agosto e novembro de 2025, por descumprir medidas cautelares fixadas pelo STF. Ele foi transferido para o regime fechado depois que tentou remover a tornozeleira com um ferro de solda e, segundo a PF (Polícia Federal), apresentou risco de fuga do país.