Datafolha confirma que Lula empata com Flávio, Caiado e Zema no 2º turno

Um caso de amor inspirou a sinfonia imortal de Cartola e Nelson Sargento

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Nelson Sargento, um gigante da Mangueira

Paulo Peres 
Poemas & Canções)

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Com parceria de Angenor de Oliveira, o Cartola, fez da vida amorosa uma bela “Sinfonia Imortal”. O samba foi lançado no CD Nelson Sargento Versátil, em 2008, patrocinado pela Natura.

SINFONIA IMORTAL
Cartola e Nelson Sargento

Nós dois somos um naipe de orquestra
Raios de sol pela fresta
Nas partituras do amor.
Surgiu no brilho dos instrumentos
Feito uma sombra, um lamento
Um contratempo da dor.

Jamais a corda lá do destino
Fez nosso amor peregrino
Vagando em acordes vãos.
E a paz era perfeita harmonia
Até que chegou o dia
Da gente fora do tom.

Quando o amor desafina
As notas que predominam
Saudade e desilusão.
Mas se o maestro é de fato
Põe na pauta um pizzicato
Resolve a situação.

E o que eu desejo afinal
É fazer das nossas vidas
Uma sinfonia imortal

Temer admite consultoria ao Master e cobra impedimento no STF

Ex-presidente afirmou ter recebido honorários pelo trabalho

Pedro Penteado
Estadão

O ex-presidente Michel Temer (MDB) confirmou nesta sexta-feira, 10, que foi contratado pelo Banco Master para realizar uma consultoria e mediação antes de o banco ser liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado.

Em entrevista à CNN Brasil, ele afirmou ter recebido honorários pelo trabalho e disse que o contrato foi encerrado sem resultado. Temer também avaliou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com possíveis vínculos ao caso Master deverão se declarar impedidos para julgá-lo.

ENVOLVIMENTO –  “Há no sistema normativo impedimentos para que eventuais ministros ou juízes ligados a familiares possam decidir certas matérias. Tenho absoluta convicção de que os ministros que têm advogados envolvidos nessa questão declararão impedimento”, disse.

Temer confirmou ter participado de uma reunião em Brasília com Daniel Vorcaro, controlador do Master, o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Afirmou não poder detalhar o conteúdo do encontro por razões de confidencialidade profissional. “Há uma certa confidencialidade nessas matérias. Isso é uma coisa ética, fundamental para o advogado”, disse. (Leia mais abaixo)

Sobre os contratos do Master com escritórios de advocacia, o ex-presidente afirmou que cabe a cada um estabelecer seus “critérios de cobrança”. Como publicado pelo G1 e confirmado pelo Estadão, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do banco liquidado em um período de 22 meses. Ele defendeu especificamente os serviços prestados pelo escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a assessoria era “global” e não apenas de natureza jurídica.

IMPEDIMENTO – O ministro Dias Toffoli já se declarou impedido de participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro, em 11 de março. Antes disso, em 12 de fevereiro, ele deixou a condução das investigações do caso após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com menções a seu nome em dados extraídos do celular de Vorcaro.

Temer disse não saber o que Vorcaro irá revelar em eventual acordo de colaboração, mas avaliou que o empresário “tinha uma influência muito acentuada” e “os mais variados contatos”. Sobre o impacto político do caso, o ex-presidente afirmou que os efeitos mais severos devem aparecer a partir de julho, com o início das convenções partidárias. “Não está sendo bom para as campanhas políticas e para o quadro institucional geral no País”, disse.

Temer negou ter orientado Moraes, ministro que ele indicou ao STF em 2017, sobre o caso Master. “Jamais me atrevi a dar uma orientação a ele. Eu conheço bem o Alexandre e sei que ele decide por conta própria”, afirmou.

Envolvido até o pescoço com Vorcaro, a eleição de Ibaneis será um desacato 

Escândalo Vorcaro: A Prisão e suas Implicações na Democracia

Esta é a pergunta que não quer calar em Brasília

Roberto Nascimento

Até semana passada, o rombo do BRB  (Banco Regional de Brasília) era de R$ 12 bilhões, jogados no colo do banqueiro fraudador e picareta Daniel Vorcaro. Mas ainda era pouco e novas investigações da Polícia Federal, apontam um rombo muito maior, na faixa de 30 bilhões.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, salafrário, tinha uma milícia particular para fazer o serviço sujo, sob o comando do matador e aluguel, o “Sicário” Mourão, um moderno cangaceiro de Minas, parecido com o Antônio das Mortes, que também matava no sertão, por dinheiro de fazendeiros, imortalizado no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do cineasta Glauber Rocha.

SAI ILESO – No filme, uma bela ficção de Glauber, Antônio das Mortes sai ileso, são e salvo, enquanto as vítimas, ficaram na horizontal com terra por cima. Na vida real, o Sicário Mourão, o chefe da milícia do  Vorcaro, teria se enforcado na cela da PF em Belo Horizonte.

No meio dessa confusão, surge uma pergunta que não quer calar, e todos a fazem em Brasília e arredores:
Por que o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, ainda não foi preso?

Ele negociou as compras de papéis podres do Master, diretamente com o banqueiro Vorcaro na mansão do picareta. Que país é este, que deixa o vampiro de Brasilia solto e livre para se candidatar ao Senado e ganhar imunidade eterna?

PROPOSTA INDECENTE – E agora surge a nova governadora Celina Leão, que era vice e assumiu o cargo de Ibanéis após a renúncia dele para se candidatar ao Senado, tenta pressionar o governo federal para salvar o BRB, o Banco de Brasília do rombo gigantesco.

Qual a proposta de Celina Leão? Ora, ela pretende que a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, comprem papéis do BRB, da ordem de R$ 8 bilhões. Que vergonha, governadora Celina, esse pedido é uma proposta indecente e imoral.

A única saída é uma intervenção do Banco Central, liquidando de vez o BRB. Embora seja estatal, pode sofrer intervenção e liquidação por insolvência, má gestão grave ou colapso financeiro, justamente as características atuais do BRB, deixando claro que governadores não devem administrar Bancos, porque o rombo é praticamente certo.

CIDADE ABANDONADA – Ao mesmo tempo, Brasília dá mostras de que está abandonada, com o aumento do número de moradores de rua nas superquadras e a favelização das chamadas cidades satélites.

Tudo isso demonstra que os políticos querem alçar ao poder apenas para enriquecer. Pedem votos ao eleitor com promessas impossíveis e depois riem da cara do povão, quando são eleitos.

Será que o morador de Brasília ainda pretende votar no Ibaneis Rocha e na Celina Leão? Acho que não. Errar de novo e sofrer duas vezes, sinceramente seria demais.

O rastro de bilhões de reais do Master que expõe as zonas cinzentas do poder

Charge do Laerte (Folha)

Pedro do Coutto

Há momentos em que a política brasileira não se revela por discursos, mas por conexões. E poucas histórias recentes ilustram tão bem essa engrenagem quanto o caso do Banco Master — um enredo que mistura expansão agressiva, colapso financeiro e uma rede sofisticada de relações que atravessa Brasília, o mercado e o Judiciário.

As revelações mais recentes, baseadas em dados fiscais e reportagens de veículos como O Globo, mostram que o banco não apenas cresceu de forma acelerada, mas também construiu, ao longo desse processo, uma espécie de “cinturão de proteção” composto por advogados, consultores e figuras de peso da República.

MILHÕES DE REAIS – Não se trata de pagamentos clandestinos, ao menos não no sentido clássico. São contratos, pareceres, consultorias — todos formalmente registrados. E é justamente aí que reside o problema. Entre 2023 e 2025, milhões de reais foram destinados a escritórios de advocacia e estruturas de assessoria jurídica.

Parte relevante desses valores foi direcionada ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Dados encaminhados a investigações e divulgados pela imprensa indicam repasses que chegam à casa de R$ 80 milhões em cerca de dois anos .

Formalmente, não há acusação direta de ilegalidade. O próprio escritório afirma não atuar em processos no âmbito do STF e sustenta que os serviços prestados foram técnicos, com reuniões e pareceres ao longo do contrato . Ainda assim, o impacto político é inevitável. Porque, em ambientes institucionais, não basta ser legal — é preciso parecer legítimo.

PADRÃO RECORRENTE – Esse é o ponto central que transforma o caso em algo maior do que uma simples relação contratual. O escândalo do Master, já descrito como um dos maiores colapsos financeiros recentes do país, com bilhões em jogo e investigações em curso, acabou por expor um padrão recorrente na elite brasileira: a sobreposição entre interesses privados e redes de influência pública .

O controlador do banco, Daniel Vorcaro, não operava apenas no mercado financeiro. Sua estratégia envolvia algo mais sofisticado: construir pontes. Pontes com o Executivo, com o Legislativo, com o Judiciário e com a opinião pública. Consultorias econômicas, pareceres jurídicos, mediações institucionais e até gestão de crise — tudo integrado em uma estrutura que, na prática, funcionava como um sistema de proteção e expansão simultâneas.

Não é um fenômeno novo. O Brasil já assistiu, em diferentes momentos, à formação de ecossistemas semelhantes, onde o poder circula por meio de relações personalizadas, contratos bem remunerados e uma zona cinzenta entre influência legítima e captura institucional. O que diferencia o caso Master é a escala e o timing: ele explode em um momento de forte polarização política e de crescente desconfiança nas instituições.

QUESTIONAMENTOS ÉTICOS – O efeito colateral mais sensível recai sobre o próprio Judiciário. O Supremo Tribunal Federal, que nos últimos anos assumiu protagonismo político, agora se vê, ainda que indiretamente, envolvido em questionamentos éticos. E isso tem consequências. Pesquisas recentes já apontam erosão na confiança pública, alimentada justamente por episódios que, mesmo sem ilegalidade comprovada, geram desconforto coletivo .

O presidente Lula da Silva chegou a reconhecer, em declarações públicas, que há situações em que decisões podem ser juridicamente corretas, mas politicamente problemáticas — sobretudo quando afetam a percepção da sociedade sobre a imparcialidade das instituições. Essa distinção, aparentemente sutil, é hoje o centro do debate.

DÚVIDAS LEGÍTIMAS – No fundo, o caso Master revela menos sobre um banco específico e mais sobre o funcionamento do poder no Brasil. Um sistema em que contratos podem ser legais, relações podem ser formais, mas o conjunto ainda assim levanta dúvidas legítimas.

Porque, quando milhões circulam entre atores que orbitam o núcleo do Estado, a questão deixa de ser apenas jurídica — torna-se política, institucional e, sobretudo, moral. E é exatamente nesse território, onde a lei encontra a percepção pública, que crises verdadeiramente perigosas começam a se formar.

Lula está ensinando ao Supremo que em política não existe gratidão nem lealdade

Charge do Zé Dassilva: Ninguém precisa saber - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

William Waack
Estadão

Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia”, e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativo ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.

Explícito nesse conselho é o reconhecimento de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado. Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.

SALVAR A PELE – As posturas públicas de integrantes das duas principais alas em que se divide hoje o Supremo indicam que a luta por “preservar” a imagem da instituição cedeu lugar à luta para salvar literalmente a pele de alguns de seus integrantes. Não ganhou tração no debate a tentativa de tratar a crise em que se encontra o Supremo como esforço para preservar a institucionalidade diante de ataques infundados.

Formou-se um tipo de “onda”, de “momento” na política, no qual a hipertrofia do STF é percebida amplamente como intolerável. E surgiu bastante distante, mas está na linha do horizonte, o temor de algum tipo de desobediência civil. A tal da “autocontenção” sequer é percebida como tal.

Ao contrário. A resposta à crise dada pelo STF é vista pelo público como o emprego mal disfarçado de subterfúgios “técnicos” para limitar o poder de investigação do Legislativo, cercear a distribuição de conteúdo obtido por órgãos como a PF, mudar regras do jogo para dificultar a tramitação de pedido de impeachment dos ministros e, por último, contestar o alcance e valor de delações – quando virão várias no Master.

NOVA LAVA JATO – Talvez seja a arrogância do poder irrestrito que tenha levado alguns integrantes do STF a acreditarem que está em curso um novo tipo de lavajatismo. O paralelo possível com aqueles tempos é outro: é o grau da indignação em vários setores da sociedade com a podridão e falta de moral no “sistema”. A Lava Jato foi um grande grito de “basta”. É o que se ouve novamente.

As duas “saídas” em curso no momento para a situação do Supremo são o forte espírito corporativista do Judiciário em geral e da corte suprema em particular. E um tipo de entendimento “informal” com um Senado que não mais comanda o mesmo respeito que já teve. Ficou mais parecido com a Câmara dos Deputados e suas “negociações”, inclusive políticas.

Seria mesmo difícil vislumbrar como “saída” uma eventual ajuda vinda de um mandatário que admite em público estar no cargo graças ao Supremo. Lula ensinou que em política não existe gratidão e nem lealdade.

A ilusão da estabilidade fugaz: por que o cessar-fogo não resolve o Oriente Médio

Tudo indica que Sicário foi morto na cela, como ocorreu em NY no caso de Epstein

Os tentáculos malditos de Jeffrey Epstein - Charge publicada no jornal A Tarde.

Charge do Clériston (A Tarde)

Carlos Newton

Com as devidas proporções, o caso da morte do pistoleiro Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome Sicário, que ocorreu recentemente na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tem muita semelhança com o suicídio do magnata americano Jeffrey Epstein, ocorrido em 2019 numa prisão federal em Nova York.

Como aconteceu com “a morte e a morte” do célebre personagem Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, tanto Epstein quanto Sicário também tiveram duas mortes, porque teriam tentado o suicídio na cadeia, foram dados como mortos, mas estavam inconscientes, receberam socorro e só morreram muito depois, nos hospitais.

SABIAM DEMAIS – Como no filme de Alfred Hitchcock, Epstein e Sicário eram homens que sabiam demais. Ao morrer, o ricaço americano possuía fortuna equivalente a R$ 2 bilhões, enquanto o pistoleiro brasileiro ganhava RS 1 milhão por mês, que é salário de CEO de grande empresa privada.

Jeffrey Epstein era acusado de exploração sexual de menores, que ele oferecia a milionários e políticos do mundo inteiro, fazendo questão de se tornar íntimo deles e fotografá-los socialmente ou em plena ação, digamos assim, como ocorreu com o ex-príncipe Andrew, que sujou a barra da família real britânica e até perdeu o título de nobreza.  

Mais modesto, Sicário foi operador e pistoleiro do banqueiro Daniel Vorcaro, coordenando as ações de intimidação e segurança do patrão. Antes de sua ligação com o Banco Master, ele já era investigado em Minas Gerais por atuar como agiota e gerenciar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões.

“SUICIDADOS”? – Tanto no caso do pedófilo americano lá na matriz USA quanto no caso do capanga do banqueiro aqui na sucursal Brazil, tudo indica que ambos foram “suicidados”, naquele antigo e famoso método usado para matar o jornalista Vladimir Herzog, que somente agora foi reconhecido como assassinato.

A autópsia do magnata Epstein revelou que havia vários ossos fraturados no pescoço, como acontece em morte por enforcamento ou estrangulamento. Assim, não teria sido possível identificar se foi suicídio ou homicídio.

Os advogados tinham avisado ao juiz que ele havia recebido ameaças e que temia por sua segurança. Além disso, de acordo com o status especial imposto a Epstein, ele deveria ter um companheiro de cela. Mas no momento da quase morte, o pedófilo estava sozinho, porque o outro preso tinha sido transferido, o que representa uma infração ao regulamento da penitenciária.

CÂMARA NA CELA –  Os dois guardas designados para verificar sua cela à noite, Tova Noel e Michael Thomas, adormeceram em suas mesas por cerca de três horas e depois falsificaram os registros. As duas câmeras que filmavam a cela de Epstein também pararam de funcionar naquela noite, e outra câmera tinha imagens “inutilizáveis”. Aqui na humilde filial Brazil, todo o tempo que Sicário passou na cela foi filmado “sem pontos cegos”, segundo o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo.

Ou seja, existem imagens de Sicário dentro da cela que mostram que ele se suicidou ou foi suicidado, mas a Polícia Federal se recusa a exibi-las, alegando um sigilo que jamais foi decretado.

Na matriz, a morte do milionário está sendo investigada há sete anos pelo FBI e pelo Departamento de Justiça, num procedimento que parece o famoso “inquérito do fim do mundo” que o ministro Alexandre de Moraes inventou. E a morte de Sicário aqui na sucursal também parece que não vai terminar nunca.

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P.S. –
A Polícia Federal já recebeu três pedidos do Congresso para liberar as imagens de Sicário na cela, mas não liberou. Os próprios legislas da PF requisitaram as gravações para concluir o laudo, mas também não foram atendidos. Assim, enquanto as imagens não vierem a público, continuará a surgir todo tipo de especulação sobre “a morte e a morte” de Sicário. E a Tribuna da Internet continuará a cobrar o fim desse sigilo absurdo. (C.N.)

Após articulação de Lula, Alcolumbre tira indicação ao STF da zona de bloqueio

Em jantar com Kassab, presidente do PT aborda reforma do Judiciário e desgaste do STF

AGU corta salário de R$ 32 mil de ex-chefe do INSS preso em escândalo de fraudes

Stefanutto é investigado por descontos ilegais

Fernanda Fonseca
CNN

A AGU (Advocacia-Geral da União) suspendeu o salário do ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Alessandro Stefanutto, preso em novembro de 2025 por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias e pensões. O corte inclui tanto o salário-base quanto os honorários.

Segundo o órgão, a medida foi adotada após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou a prisão em mais uma fase da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Na avaliação da AGU, a restrição de liberdade — e a consequente ausência ao serviço — autoriza a suspensão.

ADICIONAIS – Stefanutto recebia cerca de R$ 32,4 mil mensais como procurador federal, valor que era ampliado com verbas indenizatórias e honorários advocatícios. Em alguns meses, os adicionais ultrapassaram R$ 15 mil, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Stefanutto foi preso durante operação da Polícia Federal que apura descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, especialmente aposentadorias e pensões. As investigações apontaram a existência de cobranças indevidas feitas diretamente nos pagamentos a segurados.

AFASTAMENTO – Ele ficou no cargo do INSS até abril de 2025. Após o esquema bilionário de fraudes ser revelado, o então presidente do instituto foi afastado e, depois, exonerado do cargo. Em outubro do ano passado, Stefanutto depôs à CPMI do INSS, em uma oitiva marcada por bate-bocas e troca de acusações.

No depoimento, o ex-presidente do instituto defendeu sua atuação enquanto esteve no cargo e afirmou ter tomado “muitas providências”, mas que talvez não tenha atendido o que a “CGU (Controladoria-Geral da União) queria”.

Derrota de Flávio e Caiado em 2026 pode manter Bolsonaro preso por mais 10 anos

Planalto arma narrativa contra Campos Neto, mas Galípolo desmonta estratégia em público

Disputa pelo vice na chapa expõe racha na direita em torno de Flávio Bolsonaro

Centrão quer Tereza Cristina; núcleo raiz prefere Zema

Andréia Sadi
G1

Há uma disputa importante acontecendo nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a escolha do vice. Essa disputa expõe uma divisão clara dentro da direita. Aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro resistem ao nome da senadora Tereza Cristina, do PP, que é a preferida do Centrão e já foi sugerida mais de uma vez pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Esse “núcleo duro” e mais “raiz” do entorno do senador avalia que o vice precisa ser uma solução de lealdade direta ao projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro, sem estar vinculado a um grupo político forte. Eles fazem até uma comparação: dizem que o ideal seria algo parecido com o que Lula (PT) fez em 2002, com José Alencar. Um aliado de Flávio definiu assim ao blog: ”um vice que vá dar paz”.

ESCOLHA POR MOURÃO – Bolsonaro escolheu Hamilton Mourão em 2018 — após negativas de outros nomes — e viveu às turras com o vice, com teorias de conspiração de que o general queria derrubá-lo. Em 2022, o ex-presidente escolheu Braga Netto, outro general, pois acreditava que ele seria uma espécie de ”seguro-impeachment”, por não ter estrutura própria de poder nem fazer parte de grupos no Congresso.

Para esse “núcleo duro” e mais ideológico da pré-campanha de Flávio, é aí que entra o nome de Romeu Zema, do partido Novo, que deixou o governo de Minas Gerais para disputar a eleição. Zema é pré-candidato a presidente, mas aliados do senador do PL enxergam nele uma “solução mais simples” para a vice, justamente por não carregar um bloco político como o Centrão.

Quanto a Tereza Cristina, ex-ministra de Bolsonaro, a resistência se dá por dois motivos. Por ser vista como um nome muito ligado ao Centrão e também por um episódio recente que incomodou a ala mais radical: a participação dela numa comitiva que tratou de tarifas nos Estados Unidos.

IRRITAÇÃO – Aliados dizem que Eduardo Bolsonaro ficou irritado com isso e atua contra o nome dela. Por outro lado, a senadora continua forte entre empresários e setores do mercado financeiro, que veem nela um nome mais moderado e previsível. No fim das contas, a discussão gira em torno de uma lógica bem pragmática: a vice como moeda de troca. O que cada nome entrega? Tempo de TV? Fundo eleitoral? Apoio político?

No caso do Zema, entra na conta o peso de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O ex-governador é visto como alguém mais fiel ao projeto bolsonarista, mas que ainda precisa provar quanto agrega eleitoralmente. Tereza Cristina, por sua vez, é um nome ligado ao Centrão, com apoio do mercado, empresários e setores da direita.

“Quem acha vive se perdendo, por isso agora eu vou me defendendo…”

Camiseta Noel Rosa - Preta - Tertúlia Produtos LiteráriosPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), na letra de “Feitio de Oração”, feita com o parceiro Vadico, mostra o samba como sendo a manifestação de um sentimento que  percorre e comove o indivíduo, a ponto de recorrer a uma espécie de oração.

Esse samba-canção foi gravado por Silvio Caldas, em 1933, pela RCA Victor.

FEITIO DE ORAÇÃO
Vadico e Noel Rosa

Quem acha vive se perdendo
Por isso agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que, por infelicidade,
Meu pobre peito invade

Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia

Por isso agora lá na Penha
Vou mandar minha morena
Pra cantar com satisfação
E com harmonia
Esta triste melodia
Que é meu samba em feito de oração

O samba na realidade não vem do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração

Ex-braço direito de Bolsonaro recebe milhões do Master e atua na defesa de Vorcaro

Repasses do Master cresceram 27 vezes sob estratégia de Vorcaro para ter influência

O caso Banco Master e a erosão silenciosa das instituições brasileiras

Caso não é isolado e revela uma rede de relações

Pedro do Coutto

A mais recente revelação envolvendo o Banco Master não é apenas mais um escândalo financeiro — é um retrato inquietante de como as engrenagens de poder no Brasil continuam operando em zonas cinzentas, onde legalidade, influência e interesses privados frequentemente se confundem. Trata-se de um padrão recorrente na história política nacional, mas que, a cada novo episódio, assume contornos mais sofisticados e difíceis de rastrear, justamente por se esconder sob a aparência de formalidade e regularidade.

Reportagem de O Globo aponta que figuras de alto escalão da República, como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Ricardo Lewandowski e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, teriam recebido valores expressivos do banco — cifras que, somadas, alcançariam dezenas de milhões de reais e que foram declaradas à Receita Federal com finalidades fiscais controversas.

LEGITIMIDADE – O dado mais perturbador não está apenas nos valores, mas na naturalidade com que essas operações parecem ter sido registradas, como se a formalização bastasse para conferir legitimidade ao que, na essência, pode configurar conflito de interesses.

 Ainda que os detalhes jurídicos precisem ser minuciosamente apurados, o simples fato de tais nomes surgirem associados a práticas potencialmente irregulares já provoca um abalo relevante na confiança institucional. Em democracias maduras, a credibilidade é um ativo tão importante quanto a própria legalidade. Quando ela é corroída, abre-se espaço para o ceticismo generalizado — terreno fértil para discursos populistas e para o enfraquecimento das instituições.

O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa a presença de outros atores do sistema político e econômico, como Guido Mantega, também citado no contexto das movimentações financeiras. A recorrência de nomes que ocuparam posições estratégicas no Estado brasileiro sugere que não estamos diante de uma eventualidade, mas de um possível padrão de relacionamento entre o setor financeiro e o núcleo decisório do poder público.

REDE DE RELAÇÕES – O que se desenha, portanto, não é um caso isolado, mas possivelmente uma rede de relações que conecta o sistema financeiro a decisões estratégicas de Estado — algo que, se confirmado, aponta para um padrão estrutural de captura de influência. Esse tipo de captura não se dá necessariamente por meio de ilegalidades explícitas, mas por mecanismos mais sutis: consultorias, pareceres, contratos formais e remunerações que, embora registradas, levantam dúvidas sobre sua real motivação.

É a chamada “zona cinzenta institucional”, onde o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser ético. Nesse ambiente, a distinção entre o público e o privado se dilui, e o interesse coletivo corre o risco de ser subordinado a agendas particulares.

PAPEL DELICADO — Nesse cenário, o papel do Supremo Tribunal Federal torna-se central — e também delicado. As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes, sugerindo cautela e até eventual impedimento em julgamentos relacionados ao caso, introduzem uma camada adicional de tensão que transcende o próprio escândalo.

Quando o chefe do Executivo se manifesta publicamente sobre a atuação de um ministro da mais alta corte do país, o gesto não pode ser interpretado como trivial. Ele carrega implicações institucionais profundas, pois toca no princípio da separação de poderes. Ainda que o argumento apresentado seja o de preservar a biografia e a integridade do magistrado, o efeito político pode ser o oposto: alimentar suspeitas e tensionar ainda mais a relação entre os Poderes.

O Supremo, por sua vez, encontra-se em uma posição particularmente sensível. Ao mesmo tempo em que deve garantir a aplicação da lei com rigor, precisa preservar sua própria legitimidade diante de uma opinião pública cada vez mais desconfiada. Qualquer decisão — seja de avançar ou de recuar — será inevitavelmente interpretada à luz do contexto político.

DELAÇÕES — A questão das delações premiadas, mencionada no contexto do caso, também merece atenção. Nos últimos anos, esse instrumento foi fundamental para desvendar esquemas complexos, especialmente durante a Operação Lava Jato. Foi por meio delas que se revelou a profundidade de redes que conectavam empresas, partidos e agentes públicos em diferentes níveis.

No entanto, o uso intensivo das delações também gerou controvérsias, sobretudo quanto a eventuais excessos, pressões indevidas e fragilidades probatórias. O desafio agora é encontrar um ponto de equilíbrio: preservar o instrumento como ferramenta de investigação, sem permitir que ele seja banalizado ou utilizado de forma distorcida.

Qualquer movimento que possa limitar ou desestimular colaborações precisa ser analisado com rigor, sob pena de enfraquecer mecanismos essenciais de combate à corrupção. Ao mesmo tempo, é legítimo — e necessário — discutir salvaguardas que garantam a lisura do processo.

AUTORREGULAÇÃO – No pano de fundo de toda essa discussão está uma questão maior: a capacidade do Estado brasileiro de se autorregular e de impor limites claros às relações entre poder político e poder econômico. O caso Banco Master, independentemente de seu desfecho jurídico, já cumpre um papel importante ao expor fragilidades estruturais que há muito tempo são conhecidas, mas raramente enfrentadas com a profundidade necessária.

A história recente mostra que escândalos passam, nomes mudam, mas os mecanismos tendem a se reinventar. Romper esse ciclo exige mais do que investigações pontuais — exige reformas institucionais, transparência radical e, sobretudo, uma mudança de cultura política.

Sem isso, o país continuará a oscilar entre momentos de indignação e longos períodos de acomodação, enquanto as zonas cinzentas do poder seguem operando, silenciosamente, no coração da República.

Luxo dos jatinhos enfeitiçou ministros do STF, porque aeroporto é coisa de pobre

A charge mostra três jatinhos voando. Nos dois primeiros deles, aparecem os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Na fuselagem lê-se a palavra “Aero-Vorcaro”. Em um terceiro jatinho está Nunes Marques, com o texto Aero-empreseario amigo” na fuselagem do avião. Em primeiro plano, um vira-lata e um cão salsicha observam as aeronaves no céu. O vira-lata diz; — Nunes Marques também! O cão salsicha diz: — Mais um a favor da tarifa Zero!

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Elio Gaspari
O Globo

Nem um maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam, ou falavam. Agora, não importa o que eles pensam, mas o que fazem. Alguns deles (Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques e outros) encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto.

NAS ASAS DO MASTER – Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar no resort Tayayá.

Jatinho do amigo permite decolar à hora que se quer, com destino ao aeroporto que se escolheu, sem passar pela sala de embarque onde ralam os bípedes comuns. Aeroporto é coisa de pobre, quem é gente de bem vai a hangar privatizado.

Jatinho é um símbolo de poder, prestígio ou patrimônio e disseminou-se nos últimos 50 anos. O primeiro jatinho público de que se tem notícia foi o do Banco Central.

RELATA O ADVOGADO – O jatinho havia pertencido a um papeleiro quebrado, e seu advogado contaria: “A certa altura, negociando com os burocratas, percebi que estavam de olho no avião. Endureci a negociação e eles levaram o jatinho, mas fizeram concessões com as quais poderiam ter comprado uma esquadrilha”.

O jatinho do Banco Central serviu a ministros e hierarcas amigos de ministros. Perdido o poder, lá se ia o conforto. Em setembro de 1983, quem estava no gabinete paulista do poderoso ministro Delfim Netto, ouviu-o falando ao telefone: “Quer o avião para voltar ao Rio? Diz a ele para ir de ônibus”.

Quem queria o avião do Banco Central para voltar para sua casa, no Rio, era o economista Carlos Geraldo Langoni, que acabava de ser defenestrado da presidência do BC.

VOANDO PELA FAB – Delfim usava seu poder como ninguém. O jatinho do BC talvez tenha se aposentado. Autoridade de verdade hoje em dia voa pela FAB. (O Supremo não divulga os voos de seus ministros, nem quando um presidente do tribunal vai à Argentina para um encontro de juízes paranaenses e o jatinho fica por dias à sua espera.)

Voando nas asas de Vorcaro, os ministros livraram-se de uma eventual curiosidade pública e acabaram na vala das conexões do banqueiro. Mau negócio. Os viciados em jatinhos dos amigos foram expostos como aproveitadores.

Noves fora o conforto, o que os empurra para os hangares é o horror à convivência com os cidadãos comuns.

CARROS BLINDADOS – Um curioso jura que no século passado viu a juíza Sandra Day O’Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sala de embarque da ponte aérea Washington-Nova York. Coisa de país pobre, só o presidente do tribunal tem carro oficial. O STF, com 11 ministros, tem uma frota de 91 carros, 11 deles blindados.

Mudou o Brasil e mudaram os tempos. No século passado, antes da era dos jatinhos, o jornalista Assis Chateaubriand, entrevado, mostrava seu poder fazendo numa Rolls Royce o percurso de umas centenas de metros na pista do Galeão, saindo do jato que o trazia da Europa para embarcar no bimotor que o levaria para São Paulo. Em tese, às suas custas. 

Declaração de Lula sobre Moraes expõe falhas no roteiro para se descolar do caso Master