
Charge do Aroeira (Brasil 247)
Malu Gaspar
O Globo
Os investigadores envolvidos nas tratativas para o acordo de colaboração premiada com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, estão irritados com a demora da defesa do banqueiro em apresentar sua proposta de delação. Isso porque já se passou mais de um mês desde que Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal (PF) para elaborar sua proposta e, apesar de variadas previsões de data para apresentar os anexos, nada foi apresentado ainda.
Em 19 de março, o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a saída de Vorcaro do presídio de segurança máxima na capital federal com o objetivo de acelerar as tratativas da delação. Um termo de confidencialidade foi assinado. Mas embora esse contrato não incluísse nenhum prazo para a entrega da proposta, fontes que acompanham de perto os rumos da investigação estão frustradas com o pouco avanço concreto nas negociações. “Não há prazo, mas tudo tem limite”.
SEM PREVISÃO – Não houve ainda também nenhuma previsão oficial de entrega do material, mas várias sondagens vêm sendo feitas com investigadores sobre as condições de um possível acordo, sempre com acenos de que uma proposta será feita em breve. Mas, nas palavras de um investigador, até agora não chegou nem à PF e nem à Procuradoria-Geral da República (PGR) nada “que pare de pé”.
Do lado da defesa, a última data cogitada nos bastidores é o início de maio, e é com esse novo prazo que os investigadores trabalham. Enquanto isso não acontece, porém, a boa vontade vai virando irritação.
NOVOS FATOS – Nas conversas com representantes de potenciais delatores, como o próprio Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tanto policiais federais como os procuradores da equipe de Paulo Gonet têm avisado que, para ter o acordo aprovado, vão precisar apresentar fatos novos, corroborar as acusações com provas concretas, e ainda oferecer um ressarcimento proporcional aos danos provocados pela fraude bilionária que impactou o sistema financeiro nacional.
Mas há dúvidas na equipe que está debruçada sobre as provas já obtidas se a delação de Vorcaro vai avançar muito sobre o que já foi encontrado no conteúdo dos celulares do banqueiro e seus comparsas, nas quebras do sigilo telemático e bancário e nos documentos apreendidos nas diversas fases da operação.
FORÇA-TAREFA – Desde a transferência de Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal, na capital federal, os advogados do banqueiro se revezam diariamente no trabalho de pesquisa e organização do conteúdo celular apreendido e já periciado pela PF (foram apreendidos outros, mas o banqueiro ainda não recebeu cópias deles), avaliam e buscam documentos que podem servir de prova de corroboração e resumem os relatos que Vorcaro pretende fazer.
Para cumprir o prazo apertado, a defesa montou uma espécie de força-tarefa com cerca de dez advogados, divididos entre os dois escritórios que atendem o ex-executivo: o do criminalista José Luís Oliveira Lima e o do também advogado Sergio Leonardo.