PGR resiste a pedido de Gilmar para incluir Zema em inquérito das fake news

Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após pedir a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news por conta da postagem de um vídeo satírico em que era retratado como fantoche, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem pressionado nos bastidores o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar aval à sua iniciativa. Mas a ofensiva do decano do Supremo de enquadrar o pré-candidato do Novo à Presidência da República enfrenta resistência na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido, mas vem sendo aconselhado a não fazer nada e deixar o assunto morrer. Ou, caso decida atender Gilmar, integrantes de sua equipe já sugeriram que ele deixe para algum subordinado o ônus de assinar o parecer favorável ao pedido do ministro, como uma forma de se distanciar do episódio e tentar se blindar das críticas que virão.

BANHO-MARIA – Não há prazo para o procurador-geral da República escolher qual caminho vai seguir – e, por enquanto, Gonet empurra o encaminhamento do caso. Gonet foi indicado ao posto de procurador-geral da República e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula, com o lobby de Gilmar, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Os dois são amigos de décadas.

O clima nos bastidores da PGR é de apreensão com o pedido de Gilmar, já que a maioria dos subprocuradores-gerais da República avalia que o Supremo já deveria ter encerrado o inquérito das fake news. O processo foi criado em março de 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares.

“ACABA QUANDO TERMINA” – Mas, apesar da pressão da opinião pública, de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de integrantes do próprio STF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não tem dado sinais de que pretende concluir tão cedo as investigações, que se tornaram uma arma para a Corte se proteger de ataques – e perseguir opositores políticos. Em entrevistas recentes, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e afirmou que ele deveria ficar aberto pelo menos até as eleições de outubro.

“A grande maioria de nós acredita que o inquérito tem que ser arquivado porque já exauriu o escopo de investigação e não pode se transformar em algo permanente onde qualquer crítica ao STF seja incluída como fato para investigação”, afirmou um interlocutor de Gonet que pediu para não ser identificado.

Na opinião de outro integrante da cúpula da PGR, o inquérito se tornou um instrumento de coerção – e o pedido de Gilmar contra Zema vai servir como uma espécie de teste para o chefe do Ministério Público Federal (MPF). “Esse inquérito é um absurdo total e absoluto. Gonet vai ser mais leal ao Gilmar ou à Constituição?”, questionou. “O MPF não pode ser um órgão inerte e cúmplice. Se Gilmar acha que por algum motivo sua honra pessoal foi atingida, ele deveria entrar com uma ação de indenização por danos morais, como fazem os outros mortais quando se sentem lesados.”

HOMOFOBIA –  Mesmo sem decidir o que fazer com o pedido de Gilmar, Gonet já agiu para blindar o colega. Na semana passada, a PGR arquivou um pedido para abrir uma ação civil pública contra Gilmar devido a declarações do ministro em que cita a homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra Zema.

Ao analisar o caso, a PGR considerou que a declaração de Gilmar – que numa entrevista indagou aos repórteres do site Metrópoles se não seria ofensiva a fabricação de “bonecos do Zema como homossexual” – foi reconhecida pelo próprio Gilmar “como inadequada, havendo retratação espontânea e pública”.

ARQUIVAMENTO – “Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”,concluiu o procurador da República e chefe de gabinete de Gonet Ubiratan Cazetta, ao determinar o arquivamento do pedido, apresentado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que costuma usar as redes sociais para cobrar transparência e fazer críticas à atuação de integrantes do Supremo.

Na avaliação do procurador, não foram identificados no caso de Gilmar “elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais [que alcançam grupos, não se limitando a um indivíduo específico], ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional”.

4 thoughts on “PGR resiste a pedido de Gilmar para incluir Zema em inquérito das fake news

  1. O que faltou no anúncio desse novo Desenrola

    NOVA VERSÃO DO PROGRAMA MIRA APENAS DÍVIDAS INADIMPLENTES, COM ATRASO SUPERIOR A 90 DIAS

    No anúncio do novo Desenrola Brasil que o governo lançou hoje, FICOU DE FORA A IDEIA DE ESTIMULAR A MIGRAÇÃO DE DÍVIDAS CARAS PARA MAIS BARATAS, em que o devedor está em dia com seus compromissos.

    A possibilidade estava no cardápio de opções dos técnicos do governo, mas é tecnicamente mais complexa de se colocar de pé do que a de renegociar dívidas sem pagamento há mais de 90 dias.

    Essa era uma ideia importante do ponto de vista de melhorar o perfil do endividamento das famílias sem fomentar o chamado “risco moral”, que é quando uma ação ou regra acaba estimulando um comportamento ruim.

    Na versão lançada hoje, o Desenrola mira apenas dívidas com atraso superior a 90 dias em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

    Se é fato que a Selic alta pressiona o custo do crédito bancário de forma geral, ainda que de maneira diferente entre as linhas, chama a atenção que, mesmo depois de tantas reformas que foram feitas ao longo da última década, as taxas ao consumidor sejam tão elevadas – no dado mais recente, a média estava em 33%, a mais alta da série iniciada em 2011.

    As taxas praticadas seguem extremamente elevadas, castigando o consumidor e, um ciclo negativo, piorando os índices de inadimplência – parte da explicação dos juros altos.

    Tanto o governo quanto os bancos têm ainda explicações a dar pelo estado de coisas no mercado de crédito.

    O programa emergencial é bem-vindo, mesmo sendo feito em um momento que deixa um viés claramente eleitoreiro. Mas o país há décadas demanda uma mudança estrutural no patamar de juros bancários.

    Fonte: O Globo, Economia, 04/05/2026 14h27 Por Fabio Graner – Brasília

  2. A governança do país está dirigida para a reeleição do Loola.
    Se ele não ganhar, vai haver ‘pranto e ranger de dentes’.
    Imaginem desaparelhar a nação inteira, vai ser um trabalho hercúleo (epa) tal empreitada.
    Esse desaparelhamento vai ser mil vezes mais difícil que o Nikita Kruschev teve ao desestalinizar a União Soviética Soviética.
    A ironia do destino vai ser petralhas jurando serem bolsonaristas desde criancinhas, desde o primeiro cagar dos pintos, para não perder boquinhas, bocões, sinecuras e outras mumunhas argentarias. O berreiro maior vai ser lá entre os das mais altas privilegiaturas.
    Tem petralha hoje em dia que se elegeu via bolsonarismo mas agora são lulistas também, redundando em criancinhas e o cagar dos pintos.
    Que é divertido meter a ripa na cacunda dos fariseus, isto é.
    Fonte, eu mesmo, James.

    • Quando me cito como fonte é por motivo de gostar de ler nada seletivamente pinçado do Globo, Folha e Estadão assinados por Vera Magalhães, Eliane Cantanhede, Bernardo de Melo Franco, Bela Megale, Miriam Leitão, Vinicius T. Freire, Dora Kamer, Gerson Camaroti, Merval Pereira e o decano esquerdista Pedro do Coutto, com dois tes.
      Sei tudo sobre a opinião deles sobre qualquer coisa.

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