Governantes prostituem o Brasil, um país que doa as terras raras e outras riquezas

Charge mostra Luiz Inácio como cão submisso oferecendo “terras raras do Brasil” a Trump, caricaturado como criança mimada, que exige: “Eu querou seus riqueizas”.

Charge do Artie (Arquivo Google)

Ronaldo Lemos
Folha

Nosso país dá aulas para o mundo sobre como abrir mão do desenvolvimento. O caso dos minerais críticos é um exemplo. Em 1940, chegou ao Brasil o russo Boris Davidovitch. Seu objetivo era explorar monazita nas areias de Guarapari (ES). Em um ano ele dominaria completamente esse mercado de forma predatória, deixando um rastro de destruição.

Davidovitch destruiu cerca de 70 km de praias, incluindo restingas. Montou uma operação de evasão fiscal em que vendia para si mesmo, jogando o preço e os impostos para valores irrisórios. Foi acusado de subornar juízes e desembargadores, de usar trabalho escravo e de continuar exportando clandestinamente mesmo quando suas atividades foram proibidas.

US$ 227 BILHÕES – Em 1954 o prefeito de Guarapari lhe deu uma bofetada na cara. Seu sucessor declarou: “Nasci e me criei aqui. Nunca vi esse homem fazer qualquer coisa em benefício dessa terra”. Em 1956, foi aberta uma CPI onde ele foi intimado a depor.

Tudo isso não serviu para nada. A predação ao Brasil lhe rendeu US$ 227 bilhões. Ele morreu bilionário em Paris em 1960. Após sua morte, seus funcionários enterraram o maquinário da empresa na areia e queimaram todos os documentos.

O que sobrou de monazita extraída em Guarapari foi levado para o bairro do Brooklin em São Paulo, processado pela Orquima e, depois de 1966, pela estatal Nuclemon. Depois da vergonha da monazita, o Brasil finalmente conseguiu dominar boa parte da cadeia de separação das terras raras. Era uma capacidade estratégica rara no mundo naquele momento. Essa capacidade foi desmantelada a partir de 1990 e o que sobrou para o país foram 11 toneladas de resíduo radioativo, apelidado de “Torta 2”. Essa “torta” foi enviada para Caldas (MG). E lá se encontra até hoje.

TERRAS RARAS – A monazita é uma das principais fontes de terras raras do planeta, incluindo o elemento radioativo tório, usado para fazer urânio-233. O problema é que ao ser exportada de forma bruta, seu valor é de banana: menos de US$ 10 por quilo. Com um mínimo de processamento, que o país não consegue mais fazer, o valor aumenta dez vezes: US$ 100 o quilo. Na sua forma final (óxido de térbio) o valor aumenta para US$ 1.000 o quilo.

Analisar a história da exploração da monazita no Brasil revela o tamanho do descaso do país com o desenvolvimento. A monazita brasileira é hoje cobiçada no mundo todo por causa das terras raras. Só que, como toda a capacidade de processamento local foi perdida, o valor agregado é todo gerado no exterior.

TUDO DE NOVO – E o mais irônico: após décadas sem vender monazita bruta por conta da vergonha do passado, o Brasil voltar a exportar monazita bruta nesse ano a partir do Rio de Janeiro, repetindo mais uma vez a história.

O país fica com os buracos, e quem a compra e processa fica com os bilhões de valor agregado. Tudo isso poderia não ser assim. O país teve vozes na história que buscaram refundar nossa política mineral, como o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, o próprio Juscelino Kubitschek ou o professor Diógenes Moura Breda, da Universidade Federal de Uberlândia.

Seus artigos recentes demolem a lei sobre terras raras em tramitação no Congresso Nacional, que ele chama de “erro estratégico”. Seus escritos merecem atenção.

4 thoughts on “Governantes prostituem o Brasil, um país que doa as terras raras e outras riquezas

  1. Especialmente agora vemos nesse governo como estamos perdendo muito de nossa soberania. Em breve virarmos novo colônia, dessa vez da China. Estão tomando posse de tudo, são portos, minas e em especial comprando as mentes daqueles que se vendem por trinta moedas

  2. Culpados?
    O para tanto alçado e locupleto “Alcoviteiro Conglomerado”, constituído pelas fraternas “Mãe da Impunidade & Congêneres & Apocalípticas Meretrizes & Más Companhias Ilimitadas”, servos da “Máfia Khazariana” e de seu lucrativo e nefasto “Sindicato Internacional do Crime Organizado!”

  3. Senhor Ronaldo Lemos (Folha) , ledo engano seu , os congressistas não estão incorrendo nos mesmos erros de então , mas estão repetindo-os de forma nociva e criminosa ” premeditada , consciente e deliberara ” , como sempre fazem contra os interesses do país , tal como fez os então governadores de Goiás e Minas Gerais , Ronaldo Caiado e Romeu Zema , ao entregarem a preço vil as riquezas minerais do país a estrangeiros , num típico crime de lesa-pátria , sendo que agora se arrogam o direito de presidirem o Brasil , visando consolidarem tais crimes de lesa-pátria contra o país e seu povo , enriquecendo-se ainda mais e legando aos seus familiares os produtos de seus crimes .

  4. Senhor Ronaldo Lemos (Folha) , ledo engano seu , os congressistas não estão incorrendo nos mesmos erros de então , mas sim estão repetindo-os de forma nociva e criminosa ” premeditada , consciente e deliberara ” , como sempre fazem contra os interesses do país , tal como fizeram os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais respectivamente , Ronaldo Caiado e Romeu Zema , ao entregarem a preço vil as riquezas minerais ” nobres e raras ” do país a estrangeiros , num típico crime de lesa-pátria , sendo que agora se arrogam o direito de presidirem o Brasil , visando consolidarem tais crimes de lesa-pátria contra o país e seu povo , enriquecendo-se ainda mais e legando aos seus familiares os produtos de seus crimes .

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