
Olegário Mariano, retratado por Portinari
Paulo Peres
Poemas & Canções
O diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958), membro da Academia Brsileira de Letras, no soneto “A Velha Mangueira”, fala de assombrações do tempo da escravidão.
A VELHA MANGUEIRA
Olegário Mariano
No pátio da senzala que a corrida
Do tempo mau de assombrações povoa,
Uma velha mangueira, comovida,
Deita no chão maldito a sombra boa.
Tinir de ferros, música dorida,
Vago maracatu no espaço ecoa…
Ela, presa às raízes, toda a vida,
Seu cativeiro, em flores, abençoa…
Rondam na noite espectros infelizes
Que lhe atiram, dos galhos às raízes,
Em blasfêmias de dor, golpes violentos.
E, quando os ventos rugem nos espaços,
Os seus galhos se torcem como braços
De escravos vergastados pelos ventos