
‘Noite das astronautas’ tinha mulheres fantasiadas
Malu Gaspar
Johanns Eller
O Globo
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, gastou em maio de 2024 mais de US$ 721 mil (R$ 3,7 milhões na cotação da época) em uma das mais notórias festas que patrocinou para políticos e outras autoridades no exterior, a “noite das astronautas”. Nela, os convidados, todos homens, eram entretidos por mulheres vestidas com malhas prateadas e acessórios de vidro na cabeça que lembravam um traje espacial.
Para o evento, organizado em uma suíte presidencial de Nova York, Vorcaro contratou russas e ucranianas que constam como “artistas” responsáveis por “performances” em uma prestação de contas encontrada pela Polícia Federal (PF) em um dos celulares do banqueiro.
REPRESENTAÇÃO – A informação consta na representação que embasou a oitava fase da Operação Compliance Zero no último dia 26, que cumpriu mandados de busca e apreensão sobre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e outros sete alvos.
Vorcaro gastou pelo menos R$ 11,9 milhões em valores da época na organização de eventos para entreter políticos e autoridades que estavam em Nova York naquele período, cifra que também incluiu uma degustação de uísques e charutos e um jantar. Tudo foi pago por meio de wire transfer, remessas internacionais sem instituições intermediárias muito usadas nos EUA.
A prova de bebidas foi mais exclusiva e contou com menos políticos do que a festa das astronautas. Realizada no renomado The Carnegie Club, localizado a algumas quadras do Central Park e da nobre Quinta Avenida, em Manhattan, custou pouco mais de US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões). Vorcaro bancou a locação do espaço, os charutos e as bebidas liberadas.
BEBIDAS E CHARUTOS – Castro e os demais convidados saíram de lá com uma garrafa de Macallan 25 anos avaliada em R$ 30 mil e uma caixa de charutos cada um. Nessa ocasião, Vorcaro gastou R$ 3,5 milhões só com uísques.
Segundo reportagem do O Globo, além do governador fluminense e do dono do Master, participaram da degustação o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ), à época cotados para disputar a presidência da Câmara dos Deputados (Motta foi eleito para o cargo em fevereiro do ano seguinte).
O documento enviado ao relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, também destaca gastos com “festas”, equipamentos de som e luz, produção de eventos e hospedagem de equipe que somam US$ 545,2 milhões (R$ 2,8 milhões).
“PACOTE” – Há ainda despesas documentadas de US$ 44,6 mil descritas como pagamento do “pacote de comidas e bebidas e green room” das artistas e “consumo de extras no hotel dos hóspedes entre os dias 12 e 16 de maio, totalizando R$ 11,9 milhões.
No mesmo período, diálogos obtidos pelos investigadores em um dos celulares do CEO do Master demonstram que ele também bancou um jantar para o então governador no Rio no restaurante Nusr-Et, do badalado chef turco Salt Bae, em Nova York. Também localizado em Manhattan, a casa é conhecida por excentricidades como filés de carne com folhas de ouro.
“VOCÊ NÃO EXISTE” – Ao receber o convite de Vorcaro por WhatsApp, Castro exclamou: “Você não existe”. A um auxiliar que organizou o jantar, o banqueiro orientou: “Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir [à mesa]”, em referência ao Salt Bae, que estava na filial de Nova York na ocasião.
O documento da PF não detalha quanto custou o convescote, mas a representação menciona outro banquete do político do PL pago por Daniel Vorcaro um ano antes no mesmo local. Segundo a investigação, o banqueiro, que não esteve no jantar, desembolsou US$ 13,3 mil (R$ 66 mil).
Serão precisos mais quatro anos de encruamento do país por este jacu de gaiola para os dissonantes cognitivos entendam que, em Plena Quarta Revolução Tecnológica, um sujeito deste não serve nem pra porteiro de lupanário de beira de estrada?
https://youtu.be/lsD9WHEPrwE?si=oZTgRu4b5HhsR3ro
Com todas as desculpas a estes dignos profissionais.
Trata-se de figura de linguagem.
Só serve mesmo pra periferia da borda do capitalismo concorrencial.
É por por aqui temos os atrasados capitalismo ilícito e a Economia Estatal.
Defina “outras autoridades”, Malu.