Tom Jobim e a canção que terminou sua amizade com Ronaldo Bôscoli

Ary Barroso, Tom Jobim, Ronaldo Bôscoli e Carlos Lyra numa imagem que sintetiza o surgimento da bossa nova, abençoada pela geração anterior - Rio de Janeiro, RJ / 1960. Em 1960, a

Ary Barroso, Tom Jobim, Ronaldo Bôscoli e Carlos Lyra

Paulo Peres
Poemas & Canções

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor carioca Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira e um dos criadores do movimento da bossa nova.

A letra da música “Luiza” é impregnada de amor e sexo. Tom estava com dificuldade para terminar a letra e pediu ajuda a Ronaldo Bôscoli, que concebeu um encerramento genial: “E um raio de sol/ Nos teus cabelos/ Como um brilhante que partindo a luz/ Explode em sete cores/ Revelando então os sete mil amores/ Que eu guardei somente pra te dar, Luiza“.

Tom esqueceu de dar a coautoria a Bôscoli, que ficou decepcionado e pôs fim à amizade que os dois tinham.

Esta música faz parte do LP Elis & Tom, gravado, em 1974, pela Philips.

LUIZA
Tom Jobim

Rua
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve
mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar, Luiza
Luiza
Luiza

8 thoughts on “Tom Jobim e a canção que terminou sua amizade com Ronaldo Bôscoli

  1. “E um raio de sol
    Nos teus cabelos
    Como um brilhante que partindo a luz
    Explode em sete cores”

    Raios de sol nos cabelos não causam refração da luz. Talvez reflexão, dependendo da brilhantina! Se houver dúvida, perguntem ao Isaac Newton!

  2. Talvez seja a tal de liberdade poética, que dizem desafiar a gramática para dar mais beleza, ritmo e sentimento ao texto por meio de escolhas inusitadas.

  3. Não reconhecer a coautoria de uma canção é um ilícito civil e uma violação de direitos autorais. A disputa sobre autoria musical deve ser resolvida na Justiça Cível ou por meio de ações de retificação de cadastro de obras no ECAD.

    A omissão do nome de um coautor gera direito a indenização por danos morais e materiais e à correção dos créditos devidos.

    A Lei nº 9.610/1998 regula os direitos autorais, determinando que obras em coautoria exigem consentimento de todos para publicação ou exploração, dependendo do caso.

    O crime contra o direito autoral existe em hipóteses específicas de violação com intuito de lucro direto (previsto no Artigo 184 do Código Penal), mas disputas puras sobre porcentagem de autoria ou autoria não reconhecida tramitam primordialmente na vara cível.

  4. O enredo de Rio, Zona Norte retrata exatamente isso: o personagem Espírito da Luz Soares, interpretado por Grande Otelo, é um sambista pobre e marginalizado que tem suas músicas apropriadas e gravadas por parceiros inescrupulosos e atravessadores da indústria cultural.

    O sambista tem suas composições roubadas por malandros e intermediários ligados ao meio artístico.

    A música original de Espírito é gravada de forma comercial e alterada em seu estilo para atender ao mercado fonográfico da época.

    O protagonista agoniza após um acidente de trem e relembra sua trajetória de exploração enquanto tenta fazer com que sua arte seja respeitada na voz de grandes estrelas, como Ângela Maria.

  5. “A licença poética é a liberdade que o autor tem para quebrar ou mudar as regras da gramática, da ortografia ou da sintaxe em nome da arte. Os principais exemplos envolvem trocas na concordância verbal, cortes de palavras para ajustar o ritmo e o uso de gírias ou sotaques regionais.”

  6. Senhor Panorama , lembra-se da reedição de um livro (Dependência e Desenvolvimento na América Latina) de FHC e coautoria do escritor – sociólogo Chileno Enzo Faletto , e aproveitando-se do falecimento do sociólogo e coautor Enzo Faletto , FHC excluiu deliberadamente a participação de Enzo Faletto , além de plagiar diversas obras de escritores da América Latina , quando a viúva e familiares do sociólogo foram alertados pela editora , que FHC tinha excluído o nome do sociólogo Enzo Faletto na reedição de sua obra , auferindo ganhos indevidos e ilegais .

  7. O ilícito civil nesse caso, senhor José Carlos, seria ainda mais grave do que o da letra da música, talvez chegando a crime contra direitos autoriais.

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