Empresas globais podem ser submetidas a limites
Pedro do Coutto
O acordo que acaba de impor à Meta o pagamento de até 17,1 bilhões de dólares nos Estados Unidos é mais do que uma punição histórica contra uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. É um sinal político de que o tempo da autorregulação das plataformas está a chegar ao fim.
Depois de anos em que as grandes empresas digitais cresceram sob a promessa de que inovação e liberdade tecnológica deveriam caminhar com o mínimo possível de interferência estatal, o poder público começa a atingir o centro do modelo de negócios: a arquitetura desenhada para reter a atenção dos utilizadores.
USO COMPULSIVO – O acordo, anunciado por uma coligação que reúne 47 estados norte-americanos, Washington, D.C., e territórios dos Estados Unidos, ainda depende de aprovação judicial. A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, aceitou pagar até 17,1 bilhões de dólares para encerrar ações que a acusavam de desenhar recursos capazes de incentivar o uso compulsivo entre crianças e adolescentes e de minimizar os danos associados às suas plataformas. Trata-se de um dos maiores acordos já celebrados contra uma empresa de tecnologia em matéria de proteção do consumidor.
A dimensão financeira impressiona, mas talvez não seja a parte mais importante da história. O que realmente diferencia o acordo é a intervenção direta sobre o funcionamento das plataformas. A empresa terá de adotar mecanismos destinados a limitar o uso por menores e reduzir recursos associados ao engajamento compulsivo.
Entre as medidas estão limites de tempo, restrições de acesso durante a madrugada, redução de notificações em determinados horários, controles parentais mais amplos, alterações em sistemas de recomendação e reforço da verificação de idade. Para adolescentes, determinadas configurações de segurança deverão passar a ser adotadas por padrão.
PRESSÃO JUDICIAL E POLÍTICA – É aqui que o caso ultrapassa a discussão sobre uma multa bilionária. A pressão judicial e política atinge de maneira explícita aquilo que as plataformas costumam apresentar como simples escolhas técnicas. Não são. A frequência das notificações, a rolagem infinita, os sistemas de recomendação e a sucessão permanente de estímulos traduzem também decisões económicas. Quanto mais tempo uma pessoa permanece ligada, maior é o potencial de exposição à publicidade e de geração de receita.
A acusação central contra a Meta foi precisamente a de que esse modelo teria sido levado a um ponto incompatível com a proteção de crianças e adolescentes. A companhia não admite responsabilidade, mas o acordo demonstra que o custo de manter intacto o modelo anterior passou a ser politicamente e juridicamente elevado demais.
A comparação com a indústria do tabaco, feita por autoridades e analistas nos Estados Unidos, ajuda a compreender o alcance político do episódio. Não porque redes sociais e cigarros sejam fenómenos idênticos, mas porque existe uma mudança semelhante na lógica regulatória.
RISCOS – Durante décadas, determinados sectores económicos foram tratados como espaços em que o consumidor deveria assumir individualmente os riscos das suas escolhas. Com o tempo, tornou-se impossível ignorar a responsabilidade das empresas na conceção e comercialização de produtos potencialmente prejudiciais.
Agora, a mesma pergunta começa a ser feita às plataformas digitais: até que ponto uma empresa pode alegar neutralidade quando os seus sistemas são organizados para maximizar o tempo e a intensidade da utilização? A resposta dada pelo acordo americano é inequívoca: a tecnologia não está acima das consequências do seu próprio desenho.
Essa discussão terá repercussões inevitáveis fora dos Estados Unidos. Isso não significa que as novas regras norte-americanas sejam automaticamente aplicadas ao Brasil ou a outros países. As obrigações previstas têm um âmbito jurídico próprio. Mas seria ingénuo imaginar que alterações profundas no produto de uma empresa global não produzirão pressão sobre outros mercados.
PROTEÇÃO – O precedente político está criado. Se determinados recursos são considerados suficientemente perigosos para justificar mudanças nos Estados Unidos, a pergunta surgirá inevitavelmente em Brasília, em Bruxelas e em outras capitais: por que os jovens de outros países deveriam receber uma proteção inferior?
Para o Brasil, a questão chega num momento particularmente sensível. O debate sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital ganhou centralidade política, enquanto avançam, em ritmos diferentes, as discussões sobre responsabilidade das plataformas, proteção de dados e regulação da inteligência artificial. A necessidade de coordenação entre Executivo, Congresso e órgãos de fiscalização torna-se ainda mais relevante à medida que as fronteiras entre redes sociais, sistemas algorítmicos e inteligência artificial se tornam cada vez menos nítidas.
Não se trata de copiar uma solução americana. O Brasil tem uma realidade própria e uma estrutura constitucional distinta. A regulação precisará evitar tanto a omissão diante dos riscos quanto respostas meramente simbólicas, aprovadas para gerar manchetes, mas incapazes de alterar práticas empresariais. A principal lição do acordo com a Meta é que regulações eficazes precisam alcançar os incentivos económicos. Se o lucro continua a depender exclusivamente de aumentar o tempo de permanência, qualquer discurso sobre bem-estar do utilizador corre o risco de se tornar secundário.
PRESERVAÇÃO DE OCUPAÇÕES – A coincidência temporal com outro debate torna o momento ainda mais revelador. O cofundador da Microsoft, Bill Gates, defendeu que algumas ocupações possam ser preservadas como empregos reservados aos seres humanos diante do avanço acelerado da inteligência artificial e da robótica. A sua preocupação é que governos ainda não estejam preparados para a dimensão das transformações que podem atingir o mercado de trabalho.
A proposta merece debate, mas também cautela. Determinar quais empregos devem ser exclusivamente humanos levanta questões difíceis: quem decide? Com base em quais critérios? Por quanto tempo? Como impedir que uma reserva de mercado se transforme num bloqueio à inovação?
Ainda assim, Gates toca num ponto essencial. A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta para aumentar a produtividade. Ela pode alterar profundamente a distribuição de poder entre empresas, trabalhadores e Estados. Revoluções tecnológicas anteriores criaram novas ocupações enquanto destruíam outras, mas a velocidade atual pode reduzir drasticamente o tempo disponível para adaptação.
CRISE SOCIAL – A política terá de enfrentar esse problema antes que ele se transforme numa crise social. Esperar que o mercado corrija sozinho os efeitos da automação significa correr o risco de repetir um velho padrão: os ganhos da inovação ficam concentrados, enquanto os custos da transição recaem sobre os trabalhadores e os sistemas públicos de proteção social.
A multa histórica contra a Meta e o alerta de Gates parecem, à primeira vista, tratar de assuntos diferentes. Um fala sobre adolescentes expostos a sistemas de engajamento potencialmente compulsivo; o outro, sobre trabalhadores ameaçados pela automação. Mas ambos apontam para a mesma disputa do nosso tempo: quem controla a direção do progresso tecnológico?
Durante demasiado tempo, essa pergunta foi respondida pelas próprias empresas que desenvolvem as tecnologias. O produto é criado, lançado, testado em escala e incorporado à vida de milhões de pessoas. Só depois, quando os efeitos negativos se tornam evidentes, governos e sociedades começam a discutir limites.
EXPERIMENTOS – A política precisa inverter essa lógica. Inovação não pode significar autorização para experimentar sem limites sobre a vida social. A questão não é escolher entre tecnologia e humanidade. O verdadeiro conflito está entre dois modelos de desenvolvimento: num, a tecnologia é orientada exclusivamente pela capacidade de aumentar receitas, reduzir custos e conquistar mercados; no outro, inovação e interesse público precisam ser conciliados desde o início.
A inteligência artificial pode produzir ganhos extraordinários na ciência, na medicina, na educação e em inúmeras outras áreas. As redes sociais continuarão a ser instrumentos fundamentais de comunicação. O desafio não é interromper o progresso, mas impedir que a velocidade da inovação se transforme numa desculpa para abdicar de qualquer controlo democrático.
LIMITES – A política chegou atrasada às redes sociais. Não pode cometer o mesmo erro com a inteligência artificial. O acordo que obriga a Meta a pagar até 17,1 mil milhões de dólares e a alterar o funcionamento do Facebook e do Instagram demonstra que até empresas globais podem ser submetidas a limites quando o Estado decide agir.
O debate sobre o futuro do trabalho mostra que a próxima fronteira já está diante de nós: não bastará discutir como usar a inteligência artificial. Será preciso decidir, politicamente, onde ela deve — ou não — substituir pessoas e quem deverá beneficiar economicamente da produtividade que ela produzir. A tecnologia continuará a avançar. Mas o rumo desse avanço não é uma decisão técnica. É, acima de tudo, uma decisão política.
Minha opinião:
Não passou de uma extorsão estatal hipócrita contra uma empresa endinheirada.
Não vai mudar.
Não vai beneficiar as vítimas.
Apenas vai enxer os bolsos da burocracia.
Mas, nesse caso, é uma troca.
*encher
Essas redes precisam ter regulamentos para funcional, como qualquer empresa. A utopia de autoregulamentação não funciona, pois o lucro fala mais alto.
Vejamos o que vão opinar aqueles que acham correta a liberdade de expressão absoluta.
Essas redes são ferramentas poderosas.
Mas não existe Estado Regulador benevolente e isento.
Os acordos de “captura recíproca” estão por trás das boas intenções aparentes.
Mais tumultuam do que aprimoram.
São superestimados, na minha opinião.
O Carimbador Maluco
Raul Seixas
Cinco, quatro, três, dois
Parem! Esperem aí
Onde é que vocês pensam que vão?
Ãn-ãn
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum
Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado, rotulado se quiser voar
(Se quiser voar)
Pra Lua: A taxa é alta
Pro Sol: Identidade
Mas já pro seu foguete viajar pelo universo
É preciso meu carimbo dando o sim
Sim, sim, sim
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum
Tem que ser selado, registrado, carimbado
Avaliado, rotulado se quiser voar
(Se quiser voar)
Pra Lua: A taxa é alta
Pro Sol: Interditado
Mas já pro seu foguete viajar pelo universo
É preciso meu carimbo dando o sim
Sim, sim, sim
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum
Plunct Plact Zum
Não vai a lugar nenhum
Mas ora, meus amigos, já estou gostando de vocês
Aventura como essa eu nunca experimentei
O que eu queria mesmo era ir com vocês
Mas já que eu não posso
Boa viagem, até outra vez
Agora o
Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum
Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum
Boa viagem!
Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum
Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum
Boa viagem, meninos, boa viagem
Não se trata de impedir o avanço das forças produtivas, como é o caso do jacu de gaiola neandertal “progressista”, que deseja a mera censura, mais fácil, caso voltemos pra onde quer, a Era da Máquina de Escrever.
https://youtu.be/lsD9WHEPrwE?is=-99W5OA5mO8QtpE7
A propósito a jacuzada nem pra censurar serve. Chicos, acharam que a sacanagem era só prós Franciscos.
https://www.instagram.com/reel/DcjL6nlxhZU/
Esperar o quê de seus dois neurônios apodrecido por uma ideologia atrasada, reacionária de meados do século passado?