
Iniciativa não foi bem recebida pelas empresas
Luísa Martins
Folha
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, avalia desistir da criação de um “selo de acurácia” para os institutos de pesquisa nas eleições de 2026, após sofrer uma série de críticas à ideia de premiar empresas que se aproximarem dos resultados das urnas.
Quarenta dias após a proposta ser apresentada, a leitura do magistrado é de que a receptividade não foi boa, tanto entre os institutos, que viram na iniciativa um erro, quanto entre seus colegas na corte eleitoral.
AVALIAÇÃO – Kassio tem afirmado a auxiliares que o selo não é uma hipótese descartada e pode ser adotada nas próximas eleições. Também estão em estudo outras medidas para regulamentar as pesquisas eleitorais e dar mais transparência às suas metodologias.
O presidente do TSE diz a pessoas próximas que ele trata essa agenda como prioridade de sua gestão, mas aponta que o debate sobre o uso de IA (inteligência artificial) é mais urgente, a exemplo do vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Auxiliares do ministro dizem que esse caso deve ser levado a julgamento em plenário “em breve” e que ele próprio deve votar para proibir os chamados deepfakes de maneira abrangente. Seria um recuo da sinalização que ele havia dado anteriormente, em defesa da proibição de vídeos críticos e da liberação de conteúdo artificial positivo, no que seria uma espécie de “IA do bem”.
PREMIAÇÃO – No caso das pesquisas, a ideia de um selo de acurácia foi apresentada por Kassio em 14 de julho, em reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa. A proposta prevê uma premiação às empresas que, em seus levantamentos na reta final da campanha, mais se aproximarem dos resultados das eleições gerais.
A audiência foi convocada na esteira da censura que o ministro impôs a um levantamento da Atlas/Bloomberg, que mostrou uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto para Flávio após as repercussões do caso “Dark Horse”.
Em manifestação enviada ao gabinete de Kassio no TSE, o Datafolha, instituto de pesquisas de opinião que pertence ao Grupo Folha, se manifestou contra a criação do selo de acurácia. “Pesquisas eleitorais são instrumentos de informação e análise de momentos específicos do processo eleitoral, com resultados perecíveis e determinados por seu período de coleta, e não ferramentas de previsão ou competições de exatidão”, diz o ofício.
CONFRONTO – O Datafolha afirma que determinar “vencedores e perdedores” por meio da comparação entre empresas que adotam metodologias e amostras diferentes “confronta os alicerces que baseiam a construção de métodos científicos confiáveis”.
Kassio segue defendendo o selo, mas já admitiu a interlocutores que talvez não haja possibilidade de implementá-lo para as eleições de 2026, o que exigiria uma interlocução com os próximos presidentes do TSE para levar a ideia adiante no pleito de 2030.
Pelas tradições da corte eleitoral, em que o comando do tribunal é definido por rodízio, Kassio será substituído pelo ministro André Mendonça em 2028. Em seguida, a previsão é que o ministro Dias Toffoli assuma o cargo em 2030, ficando responsável pela organização das eleições gerais.
LEGADO – Mesmo que a ideia do selo não prospere, o presidente do TSE pretende insistir em medidas que possam soar como um legado da sua gestão em defesa de mais transparência para as pesquisas eleitorais.
Uma das ideias é instituir um novo modelo de registro para pesquisas, em que os institutos terão de preencher um formulário para detalhar, entre outras informações, o perfil dos eleitores que pretendem entrevistar. Outra possibilidade é restringir a inclusão de áudios e vídeos em questionários, sob o argumento de que esse recurso pode aumentar as chances de manipulação nas respostas dos eleitores.
Dois ministros do TSE ouvidos pela Folha sob reserva avaliam, entretanto, que essas iniciativas são desnecessárias e levantam desconfianças infundadas sobre a integridade das pesquisas, o que acaba deslegitimando o processo eleitoral, ainda que de forma sutil.
Desesperança
A primeira eleição que não traz traços de esperança
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O desânimo com a eleição presidencial deve-se a que ela é a primeira desde a redemocratização que não traz nenhum traço de esperança ao eleitor.
Hoje, não há auspícios a serem esperados.
Fonte: O Globo, Análise, Opinião, 30/08/2026 04h30 Por Merval Pereira
Aonde chegou o Brasil. Episódio 1.
Brasil endividado
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Nas últimas semanas, diversos indicadores vêm mostrando recordes no endividamento e na inadimplência; especialistas citam juros, incerteza fiscal e ‘círculo vicioso’ para empresas e famílias.
Fonte: O Globo, Economia, 30/08/2026 | 05h30 Por Alvaro Gribel
Aonde chegou o Brasil. Episódio 2.
Professores lidam com socos e canivetes em salas de aula
A maioria dos professores brasileiros já sofreu violência física ou verbal no ambiente escolar
‘Nós cuidamos de quase o Brasil inteiro, mas quem cuida de nós?’, pergunta uma das agredidas
Se quisermos fazer uma ideia do que espera o Brasil no futuro, basta perguntar aos professores do ensino público e particular.
Ninguém como eles tem tantas informações de primeira mão – não raro na forma de uma arma portada por aquela mão ou de um punho assestado contra o seu rosto.
Fonte: Folha de S. Paulo, Violência, Opinião, 30.ago.2026 às 8h00 Por Ruy Castro
Aonde chegou o Brasil. Episódio 3.
O domínio territorial do Comando Vermelho (CV)
Facção venceu rivais espalhando o medo nos estados
Espalhar tentáculos por vastos territórios e impor uma cartilha própria, em escancarada afronta às autoridades e à lei, sempre foi um dos princípios fundamentais do Comando Vermelho (CV).
Gestada dentro do presídio da Ilha Grande, no litoral fluminense, no final dos anos 1970, a facção aos poucos variou o leque de atividades para muito além do tráfico de drogas e extrapola as fronteiras dos morros cariocas, seu laboratório de origem, em velocidade espantosa.
A tática é subjugar a população das áreas sob seu domínio, à base do medo, enfrentando a polícia e, não raro, em conivência com o poder público.
Assim, a quadrilha que mais cresce no país já mantém células em 24 estados, sempre de olho no fluxo de caixa e em pontos que sirvam para o escoamento de entorpecentes.
Foi essa conjunção que levou o grupo a fincar profundas raízes no Ceará, onde já se esparramou por praticamente todo o estado — fenômeno jamais observado nessa proporção em outro canto, nem mesmo no Rio de Janeiro (sic).
Fonte: Revista Veja, Brasil, 30 ago 2026, 08h00 Por Duda Monteiro de Barros, de Fortaleza
Aonde chegou o Brasil. Episódio 4.