
Charge do Glauco (Folha)
Lara Mesquita
Folha
Passadas as convenções e definidas as candidaturas, as atenções se voltam para o financiamento das campanhas eleitorais. Os fundos públicos respondem hoje pela maior parte do financiamento eleitoral —67,7% dos recursos em 2018 e 81,4% em 2022—, mas ainda há espaço para doações privadas.
Rodrigo Tamussino Roll defendeu recentemente dissertação de mestrado dedicada à análise das estratégias dos doadores de campanhas eleitorais no Brasil, no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.
TIPOLOGIAS – A pesquisa identifica quatro tipologias de doadores, a partir da dispersão das doações entre cargos e estados e entre campos ideológicos. Nos extremos estão os pragmático-dispersos, que financiam candidaturas de diferentes ideologias, cargos e estados, e os ideológico-concentrados, que restringem as contribuições a um mesmo campo ideológico e a poucos alvos eleitorais.
Até a proibição das doações empresariais, em 2015, as empresas respondiam por quase 91% dos recursos do grupo pragmático-disperso. Já os ideológico-concentrados são majoritariamente pessoas físicas.
Os dois perfis são muito diferentes também financeiramente. Embora os pragmáticos representem cerca de 1% dos doadores, respondem por aproximadamente 34% do valor privado doado. O grupo ideológico, por sua vez, representa cerca de 96% dos doadores e suas doações concentram-se em valores baixos.
PREFERÊNCIA – Esses doadores têm maior preferência por candidaturas de direita e a cargos do Legislativo. Dados do TSE consultados mostram que a doação mediana desse grupo foi de R$ 1.394 em 2018 e caiu para praticamente R$ 2,21 em 2022. Mas essa é apenas uma face da moeda.
Entre as pessoas físicas, porém, há superdoadores capazes de movimentar milhões de reais e distribuir recursos entre diferentes candidaturas ao Executivo e ao Legislativo. Por exemplo, Rubens Ometto (Cosan) doou R$ 8 milhões em 2018; os irmãos Pedro e Alexandre Grendene destinaram, juntos, mais de R$ 11,5 milhões a candidatos em 2022; Salim Mattar (Localiza) doou R$ 4,1 milhões em 2018. São exemplos da escala que doações individuais podem alcançar.
Há um abismo entre as doações dos “cidadãos-comuns” e dos “superdoadores”. Enquanto os primeiros contribuem majoritariamente com valores simbólicos, a elite usa a doação pessoal como ferramenta de acesso e influência, ocupando o papel que as empresas exerciam até serem proibidas de doar em 2015.
FORA DA DISPUTA – A proibição das doações empresariais, em 2015, retirou as empresas da disputa, mas não eliminou a possibilidade de grandes concentrações privadas. Pessoas físicas continuam podendo doar até 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição.
Na prática, esse limite autoriza tetos muito diferentes. Para quem recebeu R$ 100 mil em 2025, o máximo é R$ 10 mil; para quem recebeu R$ 100 milhões, são R$ 10 milhões. Na prática, esse teto apenas acentua as desigualdades de uma sociedade tão desigual quanto a brasileira.
Apenas um teto nominal, fixo e igual para todos, preservaria a doação cidadã e reduziria a capacidade de uma pequena elite de exercer influência financeira desproporcional sobre as campanhas. Essa mudança poderia até reabrir a discussão sobre doações de empresas, mas esse já é assunto para outra coluna.
Eu era contra essas “doações” empresariais, mas mudei de ideia. Hoje o pagamento aos partidos sai diretamente dos cofres públicos, tornando legal algo que era ilegal. Sem falar nada emendas dos parlamentares, uma forma de fazer propaganda (e também de potencial corrupção) e governar, sem a responsabilidade devida, tornando a reeleição quase garantida.
Portanto, as “doações” empresariais foram substituídas por algo bem pior. Precisariam ser regulamentadas e fiscalizadas. Tornadas ilegais, foram usados artifícios legais, ao mesmo tempo, imorais, para aumentar a arrecadação dos políticos.
Todos que pensam compor os poderes, deveriam submeter-se a Polígrafos!
Acho um absurdo o pagador de impostos (ou seja: nós todos) financiar partidos políticos e eleições. Todos sabemos onde vai parar a maioria dessa dinheirama, que deveria ser muito melhor aplicada (em saúde pública, por exemplo): no bolso dos parlamentares inescrupulosos, que cada dia enriquecem mais, ao contrário da população, que cada dia empobrece mais.
Com salário de R$ 107 mil, diretor de subsidiária da Petrobras doa a Lula
Com doação de R$ 40 mil, diretor da Transpetro, subsidiária da Petrobrás, se tornou o maior doador pessoa física da campanha de Lula
O presidente Lula recebeu uma doação de R$ 40 mil para sua campanha à reeleição de um dos atuais diretores da Transpetro, subsidiária da Petrobrás que atua no transporte e armazenamento de combustíveis.
A doação foi feita por Jones Alexandre Barros Soares. Ele é diretor de Transporte Marítimo, Dutos e Terminais da Transpetro desde abril de 2023. Pelo cargo, recebe salário fixo de R$ 107,7 mil, mais benefícios.
O repasse de Jones para a campanha à reeleição de Lula foi feito na quarta-feira (26/8). Com o montante, o diretor da Transpetro figurava como o maior doador pessoa física do petista até a sexta-feira (28/8).
Fonte: Metrópoles, Políitica, Opinião, 29/08/2026 11:05 Por Igor Gadelha
Rachadinha à la Lula?