Flávio evita dizer se acaba com a escala 6×1 e aposta na “liberdade” para flexibilizar jornada

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  1. O que está acontecendo com Augusto Cury?

    O Índice de Popularidade Digital (IPD) medido pela Quaest tem mostrado nas últimas três semanas um dado surpreendente: o crescimento exponencial de Augusto Cury no ambiente digital. No período, ou seja, do dia 10 de agosto e até quarta-feira passada, o candidato do Avante subiu. Para ser mais exato, quase dobrou. No mesmo período, Lula e Flávio Bolsonaro caíram; Renan Santos estacionou; e Romeu Zema registrou uma ligeira queda.

    As campanhas de Flávio, Renan e Ronaldo Caiado levantaram suspeitas nos últimos dias pelo fato de, por exemplo, Cury ter pulado de 8,3 milhões para mais de 10,5 milhões de seguidores nas redes sociais em menos de uma semana. Em conversas privadas, falam da possibilidade de robôs estarem inflando a popularidade de Cury.

    Pode ser. Mas o IPD da Quaest, que mede a influência, a relevância e a reputação de políticos no ambiente da internet, tem meios de visualizar robôs e excluí-los do cálculo. Em 2018, por exemplo, o IPD detectou antecipadamente a força de dois candidatos desacreditados, Jair Bolsonaro e Wilson Witzel; em 2024 o mesmo aconteceu com Pablo Marçal quando disputou a prefeitura de São Paulo.

    Aliás, existe uma semelhança entre Marçal e Cury. Em 2024, com aquelas participações bizarras nos debates, todos analistas sem exceção trataram o Marçal apenas como um candidato grotesco e só. De fato, ele era grotesco, mas cresceu. Cresceu muito.

    Cury também, de certa forma, é tratado — pelos políticos seja pelos analistas de política — como um escritor de autoajuda sem programa de governo factível, sem grupo político e sem nenhum apoiador de respeito ao lado dele — enfim, é tratado como alguém que não deve ser levado a sério.

    De acordo com um levantamento da consultoria Bites, Cury foi o candidato “que mais adicionou seguidores em seus perfis oficiais nas redes sociais (2,6 milhões, crescimento de 18% na sua base) e o segundo em volume de interações (6,7 milhões), atrás apenas de Flávio Bolsonaro (6,9 milhões)”. E foi, também na semana passada, “o segundo nome mais buscado do país entre os presidenciáveis” (ficou atrás apenas de Lula).

    Nem sempre, claro, o barulho nas redes sociais se transforma em voto. As pesquisas da semana — Quaest na quarta-feira e Datafolha na quinta-feira — responderão se o burburinho que Cury vem conseguindo no ambiente digital se converterá em intenção de voto.

    O Globo, Política, Opinião, 31/08/2026 05h52 Por Lauro Jardim

  2. A explicação do vice de Augusto Cury para a alta em duas pesquisas

    Júlio Delgado foi deputado federal por cinco mandatos antes de se filiar ao Avante

    A subida de Augusto Cury em duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira foi recebida com euforia na campanha do candidato do Avante.

    Candidato a vice-presidente na chapa de Cury, o ex-deputado Júlio Delgado arrisca uma explicação para os números da Nexus/BTG e da Atlas/Bloomberg:

    — Ele já tinha 8 milhões de seguidores nas redes sociais. Agora as pessoas começaram a perceber que o escritor Augusto Cury é o candidato Augusto Cury.

    Para o vice de Cury, o psiquiatra e best-seller de autoajuda está se beneficiando de uma “estafa com a polarização” entre Lula e Flávio Bolsonaro.

    No entanto, Delgado diz acreditar em outras razões não mensuráveis em pesquisas.

    — Nem tudo tem explicação técnica. Às vezes a coisa pode ter um fator sobrenatural — aposta.

    Cury surpreendeu ao aparecer em terceiro lugar na Nexus/BTG, com 11% das intenções de voto. Na Atlas/Bloomberg, figurou com 7,8%.

    Como esses institutos não fazem entrevistas presenciais, dirigentes de outras campanhas receberam os números com cautela. A Nexus aborda os eleitores por telefone, e a Atlas faz enquetes online.

    As novas pesquisas do Datafolha e da Quaest, a serem divulgadas esta semana, mostrarão se as entrevistas presenciais confirmam a alta do candidato do Avante.

    O Globo, Política, Opinião, 31/08/2026 12h10 Por Bernardo Mello Franco

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