Moraes e Mendonça traçam estratégias para confronto no STF
Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo
A guerra declarada entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), motivada pelo avanço das investigações do caso Master, deflagrou nos últimos dias uma corrida por apoios e costuras de bastidores tendo em vista a possibilidade de as discussões transbordarem para o plenário da Corte. Diante da mais aguda crise enfrentada pelo tribunal em tempos democráticos, magistrados passaram a fazer contas e traçar os diferentes cenários em que uma votação pode ocorrer.
De um lado, pessoas próximas a Moraes contabilizam ao menos três votos, de Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Do outro, Mendonça tem em Luiz Fux seu apoio considerado mais seguro e demonstra confiança de que poderá conquistar novas adesões. Nesse tabuleiro, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e o presidente do tribunal, Edson Fachin, que já se aliaram a Mendonça em outros momentos, podem funcionar como fiéis da balança.
INCÓGNITA – A possibilidade de Dias Toffoli votar ainda é uma incógnita. A Corte tem 11 cadeiras, mas funciona com dez desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, no ano passado. O substituto indicado por Lula, o ministro-chefe da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, não foi aprovado pelo Senado.
Aliados de Mendonça já ressaltaram, em outras ocasiões, o alinhamento do ministro com Cármen e Fachin nos bastidores em temas que envolvem a imagem institucional da Corte, como a adoção de um código de ética para o STF. Com o abalo na credibilidade do tribunal provocado pela crise atual, a aposta desses interlocutores é que haja nova convergência.
ALINHAMENTO – Por outro lado, interlocutores de Moraes citam que Cármen esteve ao lado do ministro durante o julgamento da ação da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo sido uma das mais alinhadas a Moraes, inclusive rebatendo críticas à sua relatoria. Na semana passada, ela chegou a ser procurada por Moraes e demonstrou solidariedade ao colega. Também conversou com Mendonça, quando repetiu o discurso.
A avaliação, contudo, é que o tamanho de cada grupo dependerá de qual análise será feita caso o tema seja levado ao plenário por Fachin: a do conteúdo do relatório da Polícia Federal que mostra o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pedindo orientações a Moraes ao ver o cerco se fechar contra ele, ou a forma como o material foi produzido.
CONTRA-ATAQUE – Além disso, Fachin precisará decidir como vai lidar com o contra-ataque de Moraes, que na quinta-feira encaminhou a ele relatório no qual aponta “fortes indícios” de prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na condução das investigações do Master e do escândalo do INSS.
Na sexta-feira, o presidente do STF determinou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Mendonça se manifestem sobre o assunto. Uma possibilidade é que, além de tratar do relatório da PF sobre Moraes, o plenário também seja levado a decidir sobre a abertura ou não de uma investigação sobre a conduta de Mendonça.
A crise começou a tomar corpo no fim de agosto, após Mendonça determinar à PF que identificasse os destinatários de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e enviasse a seu gabinete a íntegra dos diálogos. A ordem levou à elaboração de um relatório no qual a corporação indica não só as conversas entre Moraes e o banqueiro, mas também menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
DESDOBRAMENTOS – Antes de o relatório se tornar público, Mendonça procurou Fachin para tratar do relatório e de seus possíveis desdobramentos. Na última semana, encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), dando prazo para que Gonet se manifestasse. Mendonça sinalizou ainda que, independentemente da posição do procurador-geral, pretendia levar a questão ao plenário do STF, movimento que ampliou a tensão interna na Corte e deu início às primeiras conversas reservadas sobre como os ministros se posicionariam.
Em parecer enviado à Corte, Gonet defendeu a nulidade do documento. Os principais argumentos são que Mendonça não poderia determinar a sua produção sem uma provocação prévia da própria PF ou do Ministério Público, além de que uma investigação envolvendo um ministro do STF necessitaria de um aval prévio do plenário.
O questionamento sobre a validade do documento da PF é considerado uma questão preliminar e, se acolhido, pode levar o plenário a invalidar o caminho percorrido até aqui sem precisar se pronunciar sobre o teor das mensagens entre Vorcaro e Moraes. Ao pedir a anulação do relatório, por exemplo, Gonet não citou os diálogos, apenas contestou o procedimento pelo qual eles foram obtidos.
FATOR TOFFOLI – Nesse sentido, a situação de Dias Toffoli adiciona uma variável importante às contas de cada lado. Ex-relator do caso Master, o ministro já se declarou impedido para analisar processos relacionados ao tema após deixar o posto, depois da revelação de relações empresariais indiretas dele e de seus irmãos com Vorcaro.
Ele não votou em julgamentos do caso como os das prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel Vorcaro. Não há, porém, impedimento automático para que ele participe de uma deliberação sobre as suspeitas envolvendo Moraes ou de um julgamento que defina o rito de investigações envolvendo ministros do STF.
Interlocutores da Corte avaliam que Toffoli poderia participar da votação se o que for levado ao plenário, num primeiro momento, for uma discussão procedimental sobre a eventual abertura de uma investigação contra um integrante da Corte, e não o mérito das mensagens de Vorcaro.
IMPACTO – A decisão de Toffoli tem impacto direto sobre a matemática do julgamento. Atualmente com dez integrantes na Corte, a avaliação de magistrados é que Moraes não deve participar de uma deliberação que trate de sua própria situação, deixando nove ministros aptos a votar. Se Toffoli também se declarar impedido, esse universo cai para oito, cenário considerado desfavorável a Moraes.
A avaliação predominante é que, caso participe do julgamento, Toffoli tenderia a se aproximar da posição da ala de Moraes. Um precedente recente é lembrado pelos ministros: quando integrantes do STF discutiram a situação de Toffoli na relatoria das investigações do Master, Moraes saiu em defesa do colega e sustentou que ele havia sido alvo de uma investigação indevida da Polícia Federal e que o material produzido pelos investigadores seria nulo. Agora, a situação é semelhante, mas com Moraes no foco.
A definição de quando e em quais condições o assunto chegará ao colegiado, porém, ainda depende de Fachin. Ministros e juristas que observam o Supremo acreditam que uma resposta rápida poderia reduzir a deterioração institucional provocada pela indefinição, mas levaria o STF a enfrentar uma crise interna de grandes proporções em pleno período eleitoral e às vésperas de uma data politicamente sensível como o 7 de Setembro. A data nacional tem sido instrumentalizada pela direita particularmente para atacar a Corte.
“BOLA NO CHÃO” – Após ter sua atuação criticada nos bastidores do STF por não conseguir conter a crise entre os ministros, Fachin “colocou a bola no chão”, nas palavras de um ministro, ao abrir um procedimento para esclarecer os questionamentos levantados em torno do relatório da PF e dar prazo para que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei prestem esclarecimentos. Além disso, ele também retirou do inquérito das fake news o pedido de Moraes para investigar Mendonça e determinou que a questão passe a tramitar sob sua condução.
Para integrantes da Corte, os movimentos tiveram o efeito de retirar dos dois ministros em choque parte do controle sobre a escalada da crise e concentrar na Presidência do STF a definição dos próximos passos. Isso não significa que as críticas à atuação de Fachin tenham desaparecido, nem que exista consenso sobre as medidas adotadas, mas a avaliação de parte dos magistrados é que o presidente começou a estabelecer um rito para um conflito que, até então, avançava de forma acelerada e caótica, por meio de decisões e reações individuais de Moraes e Mendonça. A semana começa com a expectativa sobre como será travada essa queda de braço.
Mendonça ainda não terá percebido que Aka Going To não é confiável ? Tinha razão R Jefferson quando remedou: “Só desta vez – tá ? – só a cabecinha”.
RECADO DO ALÉM, DO “MENESTREL DAS ALAGOAS”, mais atual do que nunca, para os políticos de plantão, da situação, da oposição, da direita, da esquerda e do centro, para todos os poderes da república (executivo, legislativo, judiciário, econômico, imprensa, popular…) e em especial para os “políticos”que para esconder e se esconderem do fracasso militarista e partidário (constatados nas ruas do país em Junho de 2013, aos gritos de “sem partidos, sem violência, sem corrupção, sem golpes, sem ditaduras, sem estelionatos eleitorais, vocês não nos representam) tiraram o nome partidos das suas agremiações, inventaram e inventam novas nomenclaturas, mudam de siglas, mas que, infelizmente, não mudam de mentalidade, nem de conduta e nem de compostura. E será que alguma mente engenhosa deste país se deu ao trabalho de ouviu com atenção e respeito o pedido do saudoso Dr. Teotônio Vilela, captar e conceber o projeto de mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas, evolutivo, para o bem da libertação, da evolução do sucesso da nação brasileira perante o mundo, que nem ele e os políticos da época foram capazes de conceber, compatível com o expressivo e histórico pedido do conjunto da sociedade, apartidária, nas ruas do país em Junho de 2013 ? SIM, agora Habemus Papa, podem dizer urbe e et orbe, que, agora, temos no banco de reservas da política nacional a RPL-PNBC-DD-ME, há mais de 30 anos na estrada da vida, desenvolvendo-se, tal seja o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, a Revolução Pacífica do Leão, que, indo direto ao ponto, realmente resolve o país, a política e a vida do conjunto da população, para os próximos 500 anos. https://www.youtube.com/watch?v=wC6-9w2Wrms