
Delator confirma milhões enviados a fundo ligado a Eduardo
Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo
Em seu acordo de colaboração premiada, o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro.
O fundo, sediado nos Estados Unidos, é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e foi usado para o financiamento do polêmico longa-metragem “Dark Horse”. O filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, que aborda a campanha política de 2018, com destaque para a facada no ex-presidente, só vai estrear nos cinemas depois das eleições deste ano.
ACORDO – Nesta terça-feira (8), às 14h, a defesa de Mineiro vai ao gabinete do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para analisar aspectos do seu acordo de colaboração, como a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação. É uma etapa prevista na lei e que antecede a decisão do ministro de homologar o acordo.
As transferências bancárias ao Havengate, em tese, seriam destinadas à produção de “Dark Horse”, mas uma das linhas de investigação da PF e da PGR é verificar se os repasses também não serviram para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O filho 03 de Bolsonaro se mudou para o Texas em fevereiro de 2025. sob a alegação de estar sofrendo perseguição política no Brasil. As parcelas ao Havengate foram efetuadas entre fevereiro e setembro de 2025 – o sétimo pagamento, de US$ 1,66 milhão (cerca de R$ 9 milhões à época), foi revelado pela revista piauí.
DINHEIRO VIVO – Além das transferências bancárias para o Havengate, Mineiro relatou aos investigadores ter efetuado uma série de entregas em dinheiro vivo, inclusive em malas, para terceiros indicados por Vorcaro. Mas o delator alegou que não sabia para que finalidade seriam os repasses.
“Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após o site Intercept Brasil publicar mensagens do senador cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção.
Após o episódio vir à tona e afetar o seu desempenho nas pesquisas eleitorais, Flávio havia prometido apresentar em detalhes as contas do filme, mas depois mudou o discurso, tentou se desvencilhar do caso e vem alegando que o assunto é “página virada”.
GASTOS NOS EUA – De acordo com uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, das cinco fases de realização do projeto, apenas uma (as filmagens) ocorreu no Brasil. As demais foram feitas nos Estados Unidos. A Go Up nunca lançou nenhum filme nos cinemas brasileiros.
A perícia também apontou que 72% dos gastos com o filme ocorreram nos Estados Unidos e apenas 28% no Brasil. Ao todo, “Dark Horse” teria custado US$ 13,39 milhões, o equivalente a R$ 75,18 milhões na cotação de câmbio utilizada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco.
Os gastos nos EUA incluem não apenas a pré-produção (US$ 2,66 milhões) e a pós-produção do filme (US$ 1,96 milhão), mas também a produção (US$ 1,97 milhão), além de despesas com o desenvolvimento do projeto (US$ 383,2 mil) e a fase chamada de “soft production” (US$ 2,69 milhões), focada em questões logísticas e administrativas, anterior à pré-produção.
ETAPAS INICIAIS – Segundo cinco produtores do mercado audiovisual brasileiro ouvidos reservadamente, os gastos com as etapas iniciais do filme foram estratosféricos. Eles chamam atenção para o fato de que, segundo a perícia, os gastos na “soft produção” (uma fase embrionária de definição de questões conceituais do filme) de US$ 2,68 milhões representam 20% do orçamento total de US$ 13,39 milhões. Em média, um filme reserva entre 3% a 5% do seu orçamento para essa etapa.
Na “soft pré”, como é chamada no mercado, são realizadas reuniões preparatórias apenas com o núcleo duro da produção, nas quais começam a ser definidas as principais diretrizes criativas e técnicas do filme, como a escolha de atores e locações, definição sobre fotografia (como os tipos de câmeras que vão ser usadas para as filmagens), além de conceitos de figurinos, por exemplo.
ESTRANHAMENTO – Já a pré-produção de “Dark Horse” custou US$ 2,66 milhões, ligeiramente menos que a soft, de acordo com o documento elaborado pelo perito Castelo Branco. Isso também provocou estranhamento, já que essa segunda etapa envolve a mobilização das diversas equipes de cada área, com a elaboração de figurinos, viagens de preparação técnica para as filmagens e ensaios com o elenco escolhido.
No mês passado, a PF cobrou da Go Up esclarecimentos sobre “aspectos financeiros, contratuais e operacionais” do filme. A resposta foi encaminhada na última sexta-feira (4).
“O jornalista Mário Sabino afirmou que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) teria telefonado diretamente para a direção do veículo de comunicação onde ele trabalha e feito uma ameaça de prisão contra ele.
O relato ganhou repercussão neste domingo (7) após a divulgação de um vídeo em que Sabino conta o episódio. Segundo o jornalista, a suposta pressão teria ocorrido em razão de seu trabalho e de conteúdos publicados pelo veículo.
A declaração reacendeu nas redes sociais o debate sobre liberdade de imprensa e os limites da atuação de autoridades diante de reportagens e opiniões críticas.
Sabino, porém, não identificou publicamente, no trecho divulgado, qual ministro teria feito a ligação. Até o momento, também não há confirmação independente da acusação nem manifestação oficial do STF sobre o relato.
O episódio, portanto, deve ser tratado como uma denúncia feita pelo jornalista, enquanto não surgirem documentos, gravações ou outras evidências capazes de comprovar as circunstâncias narradas.
Fonte: relato de Mário Sabino, repercutido neste domingo (7).”
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“O homem que se recusa a julgar, que não concorda nem discorda, que declara que não existem absolutos e acredita que escapa à responsabilidade, é o responsável por todo o sangue derramado no mundo. A realidade é um absoluto, a existência é um absoluto, um grão de poeira é um absoluto, assim como a vida humana. Viver ou morrer é um absoluto. Ter um pedaço de pão ou não é um absoluto. Comer o pão ou vê-lo desaparecer no estômago de um saqueador é um absoluto.”
Toda questão tem dois lados: um está certo e o outro está errado, mas o meio-termo é sempre o mal. O homem que está errado ainda conserva algum respeito pela verdade, mesmo que apenas por aceitar a responsabilidade de sua escolha. Mas o homem no meio-termo é o vilão que ignora a verdade para fingir que não existem escolhas ou valores, que está disposto a se omitir em qualquer batalha, a lucrar com o sangue dos inocentes ou a rastejar até o culpado, que administra a justiça condenando tanto o ladrão quanto o roubado à prisão, que resolve conflitos ordenando que o pensador e o tolo se encontrem no meio do caminho. Em qualquer compromisso entre alimento e veneno, só a morte pode vencer. Em qualquer compromisso entre o bem e o mal, só o mal pode lucrar. Naquela transfusão de sangue que drena o bem para alimentar o mal, o compromisso é o tubo de borracha transmissor.” ― Ayn Rand, A Revolta de Atlas
Mendonça homologará ou continuará fazendo cortina de fumaça?
Senhor José Vidal , por quais cargas d’água o juiz relator do processo Banco Master , André Mendonça tirou o senador e acusado Flávio Bolsonaro , de foco e o esta protegendo do assédio da imprensa , ao contrário do que vem fazendo com os demais envolvidos ?