Metade da corte está sob algum tipo de suspeição
Dora Kramer
Folha
São raros os momentos em que a sociedade em seus diferentes segmentos se mostra unânime frente a questões de ordem institucional e/ou a problemas que afetem a vida da coletividade. Anos atrás, vimos unidade no anseio pela retomada do regime democrático e assistimos de novo coesão nacional no apoio ao combate à inflação.
Agora, vemos personalidades dos mundos jurídico, empresarial, cultural, político e brasileiros ditos comuns — donos da nobre credencial de cidadãos — juntos na expectativa de que o Supremo Tribunal Federal aplique aos seus os critérios da legalidade válidos para todos, de modo a não perder a legitimidade para julgar quem ou o que quer seja.
PERÍODO ELEITORAL – Inédito é que tal união ocorra justamente em período eleitoral e ainda mais numa quadra de categórica divisão do país entre duas forças políticas. Cisão que em boa medida se reflete no ambiente idealmente imparcial do STF.
Sintomático, portanto, que no clima de acirramento político-eleitoral os diferentes grupos sociais falem o mesmo idioma nos seguintes tópicos: perplexidade diante do desarranjo que assola a corte; repulsa a condutas de magistrados; demanda pela adoção dos melhores procedimentos de correção; uma enorme desconfiança de que o tribunal vai decepcionar e procurar alguma forma de acomodação.
PRÁTICAS QUESTIONÁVEIS – Dessa coincidência de visões na opinião pública depreende-se que não estamos diante de algo que possa se confundir com a disputa eleitoral em curso. Fazer essa junção é deslocar para outro campo o cerne do assunto em tela: a contaminação da Corte Suprema de Justiça por práticas questionáveis, quando não ilícitas, que precisam ser passadas a limpo.
Adiar o enfrentamento dessa chaga para depois do pleito não fará desaparecer o fato de que hoje temos metade da corte sob algum tipo de desconfiança. A mais grave recai sobre o ministro Alexandre de Moraes, que não terá autoridade para daqui a um ano assumir a presidência do Supremo se não estiver acima de qualquer suspeita.
Impedimento de Nunes Marques é a senha para defesa de Vorcaro pedir ao STF libertação do ex-banqueiro
A defesa de Daniel Vorcaro já está preparando um recurso para contestar votos dados por Nunes Marques na Segunda Turma do STF pela manutenção da prisão preventiva do ex-banqueiro.
O gancho para o recurso ocorreu hoje na sessão do STF que julga se será aberta uma investigação para apurar as relações entre Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Nunes Marques se disse impedido de votar. Declarou que na “condição de presidente do TSE” não se sentia “confortável” para julgar o caso e acrescentou que “se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, de seu pai e de outras pessoas envolvidas.
O ministro votou duas vezes para manter as prisões não só de Vorcaro, mas de outras personagens ligados ao caso Master, em março e em junho. Sem os seus votos, não se teria obtido maioria na Segunda Turma.
Diz um advogado de Vorcaro:
— Ele não poderia ter votado em nenhuma das ocasiões.
O Globo, Opinião, 15/09/2026 16h02 Por Lauro Jardim
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/15/gilmar-e-mendonca-batem-boca-no-stf.ghtml
Esta podre “república” precisa extinta.
Ou melhor, precisa ser iniciada.
Porque jamais a tivemos.
STF deixa destino de Moraes em suspenso, mas revela cenário favorável à vitória do ministro
Em caso de empate em votação sobre abertura de investigação, o alvo das apurações é beneficiado
A sessão do STF desta terça-feira, 15, terminou sem que fosse tomada nenhuma decisão concreta.
Ainda assim, as discussões e bate-bocas vistos no plenário sinalizam que, se for julgado um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, ele pode sair vitorioso – e, portanto, se livrar de ser alvo de um inquérito por indícios de que mantinha elo com Daniel Vorcaro.
Em casos criminais, se houver empate, o resultado a ser proclamado deve ser o mais favorável ao investigado, em decorrência de regra expressa na legislação penal.
O placar favorável a Moraes se delineou a partir da decisão de Kassio Nunes Marques de se declarar impedido para participar da sessão. O voto dele era contabilizado no time de Mendonça.
Não há previsão de quando Dino devolverá o pedido de vista ao plenário. Nos bastidores, há expectativa de que isso aconteça após as eleições.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 15/09/2026 | 20h16 Por Carolina Brígido