O desafio brasileiro diante da nova política do governo dos EUA

Planalto analisa os efeitos das decisões de Trump

Pedro do Coutto

A decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas inaugurou uma nova etapa nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Mais do que uma discussão jurídica ou policial, o tema rapidamente ganhou contornos diplomáticos, econômicos e eleitorais, transformando-se em um dos assuntos mais sensíveis da agenda bilateral entre os dois países.

A reação do governo do presidente Lula da Silva foi imediata. Brasília passou a articular uma estratégia para demonstrar que o Brasil já mantém mecanismos robustos de cooperação internacional no combate ao crime organizado, compartilhando informações, realizando operações conjuntas e firmando acordos permanentes com autoridades estrangeiras. O objetivo é evitar que a nova classificação seja interpretada como justificativa para qualquer tipo de interferência externa em assuntos considerados de competência exclusiva do Estado brasileiro.

REFLEXOS – A preocupação do Palácio do Planalto não se limita à nomenclatura adotada por Washington. O receio central está nas consequências políticas e jurídicas que podem decorrer dessa decisão. A legislação norte-americana prevê instrumentos mais amplos de sanção financeira, monitoramento internacional e restrições econômicas quando organizações são enquadradas como terroristas.

Autoridades brasileiras argumentam que PCC e Comando Vermelho são facções criminosas voltadas essencialmente para atividades ilícitas lucrativas, como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, sem possuírem objetivos ideológicos ou políticos que tradicionalmente caracterizam organizações terroristas.

FINALIDADES – Essa distinção não é meramente semântica. No entendimento predominante entre especialistas em segurança pública e autoridades brasileiras, terrorismo pressupõe uma motivação política, religiosa ou ideológica destinada a influenciar governos, intimidar populações ou alterar estruturas de poder. Já o crime organizado busca essencialmente a expansão de mercados ilícitos e a maximização de lucros. Embora PCC e Comando Vermelho promovam violência extrema e imponham terror em diversas comunidades, sua finalidade principal permanece econômica.

O debate, entretanto, tornou-se ainda mais complexo ao ser incorporado à disputa política brasileira. A classificação anunciada por Marco Rubio ocorreu após contatos públicos de Flávio Bolsonaro com integrantes da administração Trump. O senador e pré-candidato presidencial apresentou a medida como uma resposta mais dura ao avanço das facções criminosas e como demonstração de alinhamento com a política de segurança adotada pelos Estados Unidos.

Para seus apoiadores, a iniciativa representa um reconhecimento internacional da gravidade do problema enfrentado pelo Brasil. Para seus críticos, contudo, a articulação abre espaço para questionamentos sobre soberania nacional e eventual influência estrangeira em questões internas brasileiras.

FLUXOS FINANCEIROS – O ponto mais relevante talvez esteja justamente naquilo que permanece fora dos holofotes políticos. O combate ao crime organizado depende menos de classificações simbólicas e mais da capacidade efetiva de interromper fluxos financeiros, redes de lavagem de dinheiro, rotas de narcotráfico e cadeias internacionais de abastecimento. Nesse aspecto, a cooperação entre Brasil e Estados Unidos já existe há décadas e pode ser fortalecida independentemente da controvérsia sobre o enquadramento jurídico das facções.

Outro aspecto frequentemente negligenciado envolve a dimensão transnacional do problema. As facções brasileiras não operam isoladamente. Elas dependem de redes internacionais de tráfico, contrabando e movimentação financeira que atravessam fronteiras.

Se Washington pretende ampliar sua participação no enfrentamento dessas organizações, um dos caminhos mais eficazes seria intensificar ações contra as estruturas que alimentam esses mercados ilícitos, rastreando recursos financeiros, identificando intermediários e fortalecendo mecanismos de inteligência compartilhada. O foco estratégico deveria estar menos na retórica política e mais na desarticulação concreta das cadeias criminosas que sustentam o poder econômico dessas organizações.

DESAFIO INTERNO – Ao mesmo tempo, o governo brasileiro enfrenta um desafio interno que não pode ser ignorado. A resistência à classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas não elimina a necessidade de demonstrar resultados concretos no enfrentamento ao crime organizado. O crescimento da influência dessas facções ao longo das últimas décadas alimenta uma percepção de insegurança que ultrapassa divisões ideológicas e afeta diretamente a confiança da população nas instituições públicas.

O episódio revela, portanto, uma questão maior do que a simples divergência entre Brasília e Washington. Trata-se de definir até que ponto a cooperação internacional pode avançar sem comprometer a soberania nacional e como o Brasil pretende enfrentar organizações criminosas que já operam em escala continental. Entre o risco da intervenção externa e a necessidade de uma ação cada vez mais coordenada contra o crime organizado, o desafio consiste em encontrar um equilíbrio capaz de preservar a autonomia brasileira sem abrir mão da colaboração internacional.

A discussão não deveria girar apenas em torno do nome atribuído ao PCC e ao Comando Vermelho. A verdadeira questão é saber quais instrumentos serão efetivamente capazes de reduzir seu poder econômico, limitar sua expansão territorial e proteger a população brasileira. A resposta para esse problema dificilmente será encontrada em disputas eleitorais ou em gestos simbólicos. Ela dependerá, sobretudo, de inteligência, cooperação internacional e capacidade institucional para enfrentar um fenômeno criminoso que há muito tempo deixou de respeitar fronteiras.

7 thoughts on “O desafio brasileiro diante da nova política do governo dos EUA

  1. Bertha Lopez Carballosa

    Salud pública na empresa Salud pública

    Frequentou Cesar Fornet Fruto:

    LAVROV CONSEGUI DIZER A VERDADE QUE NINGUÉM QUER OUVIR: QUEM NÃO TEM A BOMBA, ACABA COMO GADDAFI 💀
    O chanceler russo foi claro: a Kadhafi recebeu paz se renunciasse ao seu programa nuclear. Ele acreditou nos gringos. Acabou arrastado para um ralo com uma faca no cu enquanto Hillary batia palmas na TV. Essa é a “segurança internacional” que o Ocidente vende.
    O CÁLCULO QUE NÃO FALHA
    🔹 O Iraque não tinha armas de destruição maciça → invadiram-no. 🔹
    🔹 Gaddafi renunciou às suas confiando no Ocidente → lincharam-no. 🔹
    🔹 A Coreia do Norte desenvolveu as suas apesar das sanções → hoje negociam de você para você com Washington. 🔹
    A conta é simples: sem a bomba, você é destruído. Com a bomba, eles respeitam-te. A Coreia do Norte entendeu isso antes de todos e ninguém se atreve a tocá-los. O Irão está aprendendo a lição em tempo real depois de ver como europeus e gringos quebraram o acordo nuclear vezes sem conta. Não é ideologia. É sobrevivência.
    O PETRÓLEO, SEMPRE O PETRÓLEO
    Todo este circo começou porque Washington acusou o Irão de “promover terrorismo”. Lavrov descobriu a verdade: a administração americana propôs ao Irão controlar o Estreito de Ormuz em partes iguais, 50/50. A resposta iraniana foi recusar totalmente. Eles não queriam ceder nem um grama de soberania. Então o Pentágono optou pela guerra.
    Não é terrorismo. Não é democracia. Não é proliferação nuclear. É a rota do petróleo. O verdadeiro arsenal de destruição maciça sempre foi o dólar.
    📍 SEGUNDO FONTES DE: Radio Havana Cuba / Infobae / O Informador / DNA Digital / Notícia ao Minuto / HispanTV
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  2. O Sr Pedro do Coutto parece um ‘funça’ da SECOM, o homem é um incansável defensor do banditismo petista.

    Sr Pedro, o único receio do narcotraficante Luladrão, da Farinha Lima e dos mérdias em-pó-eirados é o sequestro da bufunfa do narcoterrorismo do consórcio PT/STF/PCC. Todos faturam milhões de dólares com as ‘ tenebrosas transações’ das facções. Nesse cenário, a única medida que devemos esperar da máfia petralha é a criação de mecanismos para ocultar as relações entre a Farinha Lima e o PCC/CV.

    Li que o desgoverno do narco-luladrão pretende lançar títulos do tesouro nacional no mercado xing-ling. Está pavimentando a rota PCC-PCCh para a lavagem do dinheiro sujo.

  3. Desafio é que o povo faz para sobrevier com os políticos e a justiça que temos. Tem um vídeo que mostra o molusco criticando os políticos que não fazem nada para o povo. Somando todos os governos de esquerda desde fhc até agora o que fizeram para melhorar a vida dos brasileiros, NADA

  4. Trump e os EUA nada farão para combater as organizações criminosas do Brasil, que somam mais de 60. O PCC e o CV são as mais organizadas.
    O que Trump realmente deseja? Dominar o Brasil através de prepostos na presidência e Flávio foi o escolhido e assim se apossar das riquezas nacionais, especificamente as Terras Raras,nos minerais estratégicos, a riqueza da Amazônia e a água um ativo que será mais caro do que o petróleo.

    Eles, os EUA sempre arrumam um pretexto, quando desejam dominar um país do interesse vc estratégico da Economia americana.
    No Irã, a desculpa foi o programa nuclear. Na Síria se tratou do governo Hafez Assad e o Estado Islâmico.
    Em Cuba é o regime comunista, que pretendem derrubar para instalar a Democracia na Ilha.

    O Brasil se tornou um problema, por causa do comércio com a China e a competição com o Agro nacional, favorável ao Brasil, que vem batendo Record nas safras anuais e deixando o Agro americano a ver navios. Por essa razão, os americanos acusam o Brasil de trabalho escravo e desmatamento acelerado, como práticas abusivas e desleais com o concorrente.

    Os EUA nunca se preocuparam com Democracia em qualquer país, pelo contrário, o governo Kenedy e seu sucessor, o Presidente Lindona Johnson apoiaram e ajudaram os militares brasileiros no Golpe de 1964, que durou 21 anos.

    O Acordo Nuclear Brasil & Alemanha assinado pelo general presidente Ernesto Geisel, foi o estopim para os EUA pressionarem para o fim do Regime Militar em 1985 já no governo João Figueiredo. Os EUA jamais permitirão, que o Brasil consiga dominar todo o ciclo de urânio enriquecido a 90 por cento, suficiente para montar um artefato nuclear, uma bomba atômica.

    As Tarifas comerciais, impostas pelo governo dos EUA, são uma arma poderosa contra o crescimento do Brasil. Mas, nem os Estados Unidos, nem país algum será capaz de deter o destino desta grande nação continental, o Brasil vai crescer e se tornar potência mundial.

    Quem viver verá essa gloriosa transformação.

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