
Gilmar, que apoia Vorcaro, deixará a presidência da Turma
Rafael Moraes Moura
O Globo
Após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitarem a sua segunda proposta de delação e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir manter o seu pai preso na cadeia, o banqueiro Daniel Vorcaro deve ter mais uma má notícia da Suprema Corte.
Em agosto, o decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes, deixa o comando da Segunda Turma, colegiado responsável pela análise das decisões do relator das investigações do caso Master, André Mendonça. Pelo critério de rodízio previsto no regimento interno da Corte, a turma passará a ser presidida pelo ministro Luiz Fux, a quem caberá definir a pauta de julgamento das sessões presenciais pelo período de um ano.
ALIADO INCONDICIONAL – Fux sempre acompanha os entendimentos de Mendonça no caso Master e se converteu numa espécie de “aliado incondicional” do relator no conturbado ambiente da Segunda Turma. Já Gilmar se tornou o principal foco de oposição de Mendonça no colegiado, abrindo divergências e votando para derrubar prisões, não se cansando de associar a investigação aos excessos da Operação Lava-Jato, que ele próprio ajudou a enterrar no STF.
Na prática, a passagem de bastão de Gilmar para Fux pode trazer implicações para o caso Master já que cabe ao presidente da Turma a elaboração das pautas das sessões presenciais. Por um lado, isso dá a Mendonça um aliado no controle da pauta de julgamentos, reduzindo o risco de surpresas que podem tumultuar as investigações.
Por outro, retira de Gilmar o poder de manobra de controlar a pauta de julgamentos, como ele fez na última terça-feira, quando surpreendeu Mendonça ao decidir de última hora inserir na sessão a análise das prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do banqueiro.
CAUTELA – “É precisamente a dimensão do caso que recomenda redobrada cautela. É nos casos de maior repercussão, aqueles em que a pressão por resultado se faz mais intensa e o clamor público mais agudo, que a proteção de garantias se faz mais necessária”, disse Gilmar Mendes, ao votar contra as prisões preventivas. “Juiz algum pode comportar-se como delegado de polícia. Nós sabemos muito bem onde esse caminho termina.”
Na ocasião, Gilmar afirmou que encontra na investigação do clã Vorcaro “desconfortante semelhança” e “tristes reminiscências dos métodos e expedientes” da Lava-Jato, mas foi prontamente rebatido por Mendonça.
“Não estamos aqui a julgar a Lava-Jato. Estamos aqui a julgar a maior fraude financeira da história do nosso país e, talvez, uma das maiores do mundo. E essa fraude tem algumas peculiaridades. Não é simplesmente um crime de colarinho branco; é mais do que isso. Não são simplesmente atores nos gabinetes, nos escritórios da Faria Lima ou nos palácios que provocaram a dilapidação do FGC [Fundo Garantidor de Crédito], das poupanças do nosso país. Aqui há contornos de máfia, contornos de crime organizado mafioso: fuzis, metralhadoras, armas raspadas, infiltração no sistema policial”, devolveu o relator.
CORRELAÇÃO DE FORÇAS – A troca no comando da Segunda Turma não altera a composição do colegiado, que segue sendo formado por Mendonça, Fux, Gilmar, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.
Toffoli não tem votado em julgamentos do caso Master desde que deixou a relatoria das investigações em fevereiro deste ano, após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar pessoalmente ao presidente do tribunal, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição.
Mesmo longe do caso Master, Toffoli ainda pode ajudar Vorcaro indiretamente, já que o seu afastamento deixa apenas quatro ministros aptos a votar na Segunda Turma, abrindo margem para empates, que sempre favorecem os investigados.
FIEL DA BALANÇA – Nas contas de interlocutores de Mendonça, o fiel da balança da Turma será o ministro Nunes Marques, que, até aqui, tem acompanhado o relator, como no julgamento de Henrique e Felipe Vorcaro.
Se a saída de Fux é um revés para Vorcaro, pelo menos uma boa notícia o aguarda: Mendonça deve mantê-lo na sala especial da superintendência da PF, apesar da pressão da corporação de retirá-lo de lá.
Antigamente só se formavam turmas no mundo do crime explícito.
Honestidade não é tratada como valor nem nas aparências
É espantosa a forma como próceres da política vêm reagindo às investigações da Polícia Federal (PF) que os implicam no caso Master. Reina a absoluta falta de compunção.
É como se em Brasília a honestidade tivesse deixado de ser um valor a ser cultivado até no campo das aparências.
Para começar, o relatório da PF tornado público há poucos dias por decisão de Mendonça, relator do caso Master no STF, expôs com ainda mais riqueza de detalhes uma relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que (…) materializa a venda de um mandato parlamentar.
Nada menos. Segundo os investigadores, Vorcaro bancou uma frenética vida de luxos ao redor do mundo para Ciro num “mutualismo ilícito” que misturou a defesa dos interesses privados do banqueiro e o exercício do múnus público. Ciro segue impassível diante desses achados.
Por sua vez, Hugo Motta, declarou não ver problema algum, ora vejam, em ter sua hospedagem de luxo na capital portuguesa custeada por Vorcaro quando de sua participação no Fórum Jurídico de Lisboa, organizado por Gilmar Mendes.
Em que lugar decente do mundo uma imoralidade dessas pode ser tratada como aceitável?
Em troca de que o presidente de uma casa legislativa aceita favores de um empresário – principalmente de alguém como Vorcaro – e trata isso como se fosse prática trivial? É esse o grau de desorientação da bússola moral na Praça dos Três Poderes?
Recorde-se, ainda, que Flávio, pré-candidato a presidente, foi outro que tratou como reles negociação privada, no fim do ano passado, a cobrança de milhões de dólares feita por ele a Vorcaro – à época já tido e havido como o responsável pelo maior crime financeiro da história do País – para, supostamente, financiar um filme sobre seu pai, o ex-mito.
Nesse inventário de descalabros, não se pode deixar de mencionar o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, alcançado por nova fase da Operação Compliance Zero em razão de seu suposto envolvimento com o caso Master.
Wagner é investigado por ter sido agraciado com um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador em troca de contrapartidas legislativas de interesse do banco. Sua explicação para o negócio é um insulto à inteligência alheia.
Wagner afirmou que pediu a um amigo, o investidor Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que comprasse o imóvel em seu lugar enquanto ele providenciava recursos para recomprá-lo, inclusive com a venda do apartamento de sua filha.
É o caso de relembrar que a política republicana sustenta-se sobre um primado elementar: um mandatário tem o dever de impedir que interesses privados conspurquem sua independência. E isso não se limita ao cumprimento da lei, de resto uma obviedade.
Há certas condutas que até podem escapar aos limites estritos dos textos legais, mas, ainda assim, são rigorosamente incompatíveis com a dignidade do mandato eletivo.
Desde Cícero, o trato da res publica pressupõe que aqueles investidos de poder público o exerçam em benefício da coletividade. Mas nem é preciso voltar tanto.
Montesquieu e os federalistas americanos conceberam robustos sistemas de freios e contrapesos, vigentes no mundo civilizado até hoje, porque compreenderam que o poder, quando dissociado da virtude, corrompe.
Aqui, a Constituição de 1988 não fez diferente ao estabelecer como princípios da administração pública a probidade, a moralidade e a impessoalidade.
Hospedar-se à custa de um investigado (…) é moralmente inaceitável para quem exerce cargo público. Receber emendas legislativas prontas das mãos de um banqueiro (…) desfigura a essência do mandato parlamentar.
Vorcaro pode ser só um mecenas, fã da história pessoal de Bolsonaro. Ou, ainda, um generoso corretor imobiliário. Mas a distinção entre ilegal e imoral, aqui, não é sutil, é a base sobre a qual repousa a confiança nas instituições deste país.
O que se vê, porém, é que essa distinção foi varrida da prática política cotidiana com uma orgulhosa sem-vergonhice.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 21/06/2026 | 03h02 Por Editorial
O que temos de “dá o cano”, digo, decanos.
https://www.youtube.com/watch?v=HooyxC4w2OI
Negros deste naipe não entram na proteção da vertente identitarista.
https://www.youtube.com/watch?v=–YbXPH88HY
Onde queremos chegar com este STFinho?
Dando o cano?
Digo, decanos.
https://www.youtube.com/watch?v=HooyxC4w2OI
https://www.youtube.com/watch?v=–YbXPH88HY
Só mesmo pra proteger o verme Lula e seus “nossos criminosos” que este decanos prestam.
O vagabundo “nos vencemos o bolsonarismo” preferiu tirar o time de campo.
Que merda de país é este?
Vamos ser o museu vivo do narcotraficante Foro de São Paulo, com o verme Lula preservado em formol?
Nada mais espanta: a política entre o lucro e a impunidade
Denúncias envolvendo Flávio, Ciro Nogueira, Motta e Jaques Wagner ilustram como a moralidade pública foi escanteada em troca de favores
Deve ser um bom negócio concorrer a eleições, haja vista o número crescente de candidatos. Faz bem ao ego. Você se torna conhecido e pode acabar se elegendo. O principal: sem gastar dinheiro.
Os outros que gastem — fundos partidários ou doadores espontâneos. Sabe o que mais? Em muitos casos, as sobras de campanha enriquecem, sem distinção, candidatos vencedores e perdedores.
O avanço do Congresso sobre o controle do Orçamento da União dispensa deputados federais e senadores de se preocuparem com o financiamento de campanhas. O dinheiro das emendas parlamentares é suficiente para dar conta do recado.
São eles, ao gosto de cada um, que determinam onde, quando e como o dinheiro deve ser aplicado em seus redutos. E ainda embolsam parte dele. Nada mais espanta. A corrupção naturalizou-se. Ninguém reclama.
O Caso do Banco Master é o melhor exemplo disso no momento. Um senador (Flávio Bolsonaro) não vê nada demais em negociar um total de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai.
Desse montante, pelo menos cerca de R$ 61 milhões foram repassados pelo banqueiro entre fevereiro e maio de 2025.
Outro senador (Ciro Nogueira) também não vê nada demais em receber mesadas de Vorcaro no valor de R$ 350 mil mensais, além de ter pagas as viagens em jatinhos, compras de roupa para enfrentar o frio nos Alpes franceses e despesas com sua companheira.
O presidente da Câmara (o minúsculo Huguinho Motta) não se constrange com o fato de ter viajado e se hospedado em Lisboa por conta de Vorcaro.
Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, é investigado por ter pedido ao banqueiro Augusto Lima, seu amigo e ex-sócio de Vorcaro, que comprasse em Salvador um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
Ele o recompraria quando tivesse dinheiro. Foi crime? Se não foi, foi imoral. Lula espera que ele não demore a se afastar da função para não ter que afastá-lo.
Enquanto isso, nós, brasileiros, só prestamos atenção aos jogos da Copa, embora descrentes no hexa.
Metrópoles, Opinião, 22/06/2026 05:30 Por Ricardo Noblat
Nem a solução Bukele resolve a putrefação do STF.
Precisaremos de uma nova Constituição.
Dão o cano, digo, vejamos nosso decano.
https://www.youtube.com/watch?v=HooyxC4w2OI
https://www.youtube.com/watch?v=–YbXPH88HY
Uma supremíssima desta só serve pra proteger um verme asqueroso como Lula e seus “nossos criminosos”.