Paulo Peres
Poemas & Canções
O jornalista e poeta carioca Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918) no soneto “Penetrália” fala dos sentimentos que o envolvem quando está amando, mas seu próprio orgulho o impede de recuperar um amor perdido.
Bilac foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupou a cadeira nº 15 e escolheu outro poeta, Gonçalves Dias, como seu padrinho.
PENETRÁLIA
Olavo Bilac
Falei tanto de amor!… de galanteio,
Vaidade e brinco, passatempo e graça,
Ou desejo fugaz, que brilha e passa
No relâmpago breve com que veio…
O verdadeiro amor, honra e desgraça,
Gozo ou suplício, no íntimo fechei-o:
Nunca o entreguei ao público recreio,
Nunca o expus indiscreto ao sol da praça.
Não proclamei os nomes, que baixinho,
Rezava… E ainda hoje, tímido, mergulho
Em funda sombra o meu melhor carinho.
Quando amo, amo e deliro sem barulho:
E quando sofro, calo-me e definho
Na ventura infeliz do meu orgulho.
Que me perdoem os poetas, mas não dá para entender o que o grande brasileiro quer dizer.
Vejam só:
Falei tanto de amor!… de galanteio,
Vaidade e brinco, passatempo e graça,
Ou desejo fugaz, que brilha e passa
No relâmpago breve com que veio
Falei tanto de vaidade e brinco, passatempo e graça…???
Ou desejo fugaz que brilha e passa no relâmpago breve com que veio?
Com todo respeito. O que tudo isso quer dizer? Estou ávido por esclarecimento.
Obrigado.