
Charge do Nani (Nani Humor)
Maria Vitória Ramos
Bruno Morassutti
Folha
No último mês, a 8ª Vara Cível de Brasília determinou que a Embratur divulgue de forma nominal e individualizada as remunerações de seus funcionários, diretores e conselheiros. A entidade, que administra recursos públicos, precisou de uma ordem judicial para fazer o que a Lei de Acesso à Informação (LAI) já manda.
A decisão responde a uma ação civil pública da Fiquem Sabendo e repete um roteiro conhecido. Por mais óbvio que pareça a qualquer cidadão, muitas carreiras ainda lutam pela opacidade de seus contracheques. A divulgação atenderia a “mera curiosidade”; a ocultação protegeria os quadros de “investidas” do setor privado; a intimidade das pessoas estaria ameaçada. No fundo, persiste a ideia de que prestar contas é opcional.
DENÚNCIAS – Por isso nos vemos obrigados, de forma rotineira, a apresentar denúncias e ações para forçar entidades a cumprir a lei. No caso da Embratur, o juiz Leandro Borges de Figueiredo concedeu tutela de evidência e deu 30 dias para a publicação, por entender que a pretensão se volta “à concretização dos princípios da publicidade, da transparência e da prestação de contas na administração de recursos públicos”.
O mesmo enredo se repete na Apex-Brasil, agência de promoção de exportações que, como a Embratur, é um serviço social autônomo estruturado em recursos públicos. Movemos ação idêntica e, em março, a Justiça também mandou a agência abrir os dados. A entidade alega já divulgar seus dados de pessoal, mas só publica faixas salariais por cargo, sem nomes nem valores. Em 2020, reportagem da coluna de Lúcio Vaz, na Gazeta do Povo, mostrou o presidente da Apex recebendo até 73% acima do salário do presidente da República. Sem dados individualizados, não há como saber como esses valores evoluíram.
A usina de Itaipu é mais um exemplo. Com receita superior a US$ 3 bilhões em 2024, a binacional trata a própria folha salarial como informação sensível e resiste a abrir os supersalários de sua diretoria, já noticiados por esta Folha. Seus gestores alegam natureza “sui generis” e afirmam que a usina gera sua própria riqueza e não dependeria de recursos públicos. TCU (Tribunal de Contas da União), CGU (Controladoria-Geral da União) e Ministério Público Federal foram barrados por decisões judiciais de fiscalizá-la. Também a processamos; no Paraguai, o caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
OBRIGAÇÃO – A resistência não é só desses entes peculiares. No fim de 2023, esgotados os recursos, o TCU tornou definitiva a obrigação de todas as estatais federais, inclusive as de economia mista e capital aberto, publicarem salários nominais e individualizados.
Já no Acórdão 728/2019, o relator Vital do Rêgo assentou que “nenhuma dúvida há de que as empresas públicas e sociedades de economia mista que atuem em concorrência também estão sujeitas às obrigações de divulgação das remunerações de seus empregados”. Protocolamos mais de cem pedidos com a decisão em mãos. Mesmo assim, gigantes como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal seguem entregando apenas números agregados. Como já escrevemos nesta coluna, as estatais têm que entender que são… estatais.
É papel do cidadão cobrar seu direito a um governo aberto. Mas é dever do gestor atendê-lo de forma proativa, política essencial à legitimidade das instituições. Por mais importante que seja o reconhecimento judicial do direito à informação, toda vitória da sociedade civil nesta seara tem também um gosto de derrota: fomos obrigados a exigir, num processo, que alguém faça aquilo que a própria lei já manda fazer.
Um sonho: Justiça Transparente…
Sem a legitimidade do voto.
Sem fundamentar minimamente as suas decisões.
Sem nenhum respeito às Leis vigentes e à jurisprudência vinculante.
Cada juiz é um rei absolutista.
Num oceano de penduricalhos e regalias e presentes.
E corrupção endêmica.
Reforçada pela blindagem ilimitada.
E pela politicagem seletiva para esses tiranos de toga.
Crítico do sigilo, Lula usa e abusa das agendas “secretas” em Brasília
Nas últimas semanas, Lula promoveu encontros fora da agenda com autoridades do Legislativo, Judiciário e até mesmo com assessor de Putin
Crítico dos sigilos impostos durante o governo Jair Bolsonaro, o presidente Lula tem usado e abusado de “agendas secretas” nas últimas semanas, antes do início oficial da campanha eleitoral de 2026.
O caso mais recente foi a conversa entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se tornou desafeto do petista após articular a rejeição da indicação do ministro Jorge Messias ao STF.
O encontro aconteceu na terça-feira (4/8), na casa do ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pela prisão de Jair Bolsonaro. Lula e Alcolumbre, entretanto, não registraram a reunião em suas agendas oficiais.
Questionado pela reportagem do G1 sobre a agenda, Alcolumbre se limitou a dizer que era “segredo”, como se a conversa entre ele e Lula fosse de cunho estritamente pessoal, sem assuntos de interesse público na pauta.
No mesmo dia em que se reuniu com Alcolumbre, Lula recebeu, também fora da agenda, integrantes do governo russo. Horas depois, o petista ligou para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, revelada depois em nota oficial.
Olho no STF
Por falar em Moraes, Lula foi flagrado pelas câmeras e pelos microfones chamando Moraes para um “café” informal após a cerimônia de sanção do projeto que instituiu o chamado “Pix Pensão”, em 29 de julho.
Moraes, por causa do recesso parlamentar, presidia interinamente o STF. No mesmo dia, o ministro realizou um novo sorteio para definir um novo relator para um dos pedidos de investigação contra o Lulinha.
Vorcaro e Lira
Desde que voltou ao Palácio do Planalto, Lula realiza encontros com autoridades da República fora de sua agenda, sem cerimônias. Fazia isso, por exemplo, para visitar o então presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
Reportagem da Folha de S. Paulo de 2023 mostrou que Lula e Lira chegavam a dispensar a escolta e utilizar carros descaracterizados para se locomover por Brasília sem chamar atenção.
O caso mais famoso das “agendas secretas” de Lula foi o encontro do presidente com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia 4 de dezembro de 2024.
O banqueiro foi levado ao Planalto pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para conversar sobre o Banco Master. Em conversas com sua então namorada, Vorcaro relatou que o encontro havia sido “ótimo”.
Vorcaro também foi tema de uma conversa secreta de Lula com Moraes. O encontro ocorreu após vazamento de mensagens que mostravam a relação do ministro do STF com Daniel Vorcaro.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 09/08/2026 05:00 Por Gustavo Zucchi / Igor Gadelha
O governo dos trambiques secretos.
Qualquer abelhudo vazar algum trambique secreto vai ser investigado e arcar com o peso da lei.