Gonet fecha com Moraes e defende cerco a Bolsonaro
Mariana Muniz
O Globo
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a manutenção das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o cumprimento de sua prisão domiciliar.
Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu que a Primeira Turma rejeite os recursos apresentados pela defesa contra a suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e contra a proibição de encontros e manifestações de caráter político-eleitoral.
CARTA – Segundo Gonet, as medidas adotadas por Moraes são compatíveis com o regime de execução da pena e decorreram do descumprimento das condições impostas para a prisão domiciliar. A PGR sustenta que Flávio Bolsonaro utilizou uma visita autorizada para receber do pai uma carta posteriormente divulgada nas redes sociais, o que contrariou a vedação de utilização indireta de meios de comunicação pelo ex-presidente.
A manifestação também rebate o argumento da defesa de que a suspensão das visitas prejudicaria a atuação profissional de Flávio como advogado do pai. Para a PGR, o direito de visita não possui caráter absoluto e pode sofrer restrições quando há violação das condições impostas pela Justiça. Gonet afirma ainda que Bolsonaro permanece representado pelos demais advogados constituídos no processo, não havendo cerceamento de defesa.
No parecer, a Procuradoria argumenta que a prisão domiciliar concedida a Bolsonaro não alterou o regime de cumprimento da pena, que permanece sendo o fechado. O benefício, afirma Gonet, foi concedido exclusivamente em razão do estado de saúde do ex-presidente e não afasta as limitações inerentes à execução penal. Por esse motivo, considera legítima tanto a restrição das visitas quanto a proibição de encontros com finalidade político-eleitoral e da divulgação de manifestações dessa natureza.
Invasão dos veículos chineses no Brasil
O crescimento da venda de carros chineses no Brasil em 2026 é expressivo e quebra recordes históricos.
O Brasil se tornou o maior importador de carros chineses do mundo, superando mercados como a Rússia.
As importações e emplacamentos de veículos vindos da China praticamente dobraram em comparação ao ano anterior.
O Brasil registrou mais de 140 mil emplacamentos de veículos vindos da China apenas no primeiro semestre.
As marcas chinesas saltaram de apenas 1% de participação em 2020 para uma fatia de 14% do mercado nacional.
Cerca de 87% dos veículos importados da China para o Brasil são modelos híbridos ou 100% elétricos.
Marcas como BYD e GWM conseguem oferecer alta tecnologia por valores menores devido à forte integração de suas cadeias produtivas (fabricação própria de baterias, por exemplo).
Com o mercado interno chinês mais frio, as montadoras locais direcionaram seus estoques massivamente para a exportação, escolhendo o Brasil como alvo prioritário.
Para evitar impostos de importação futuros, gigantes chinesas já investem bilhões para produzir veículos diretamente em solo brasileiro, a exemplo das fábricas da BYD na Bahia e GWM em São Paulo.
A chegada em massa dessas marcas causou um forte efeito dominó nos preços.
Montadoras tradicionais responderam com cortes de preços e bônus agressivos para não perder clientes.
Além disso, o alto volume de carros novos tecnológicos pressionou os valores de revenda, acelerando a desvalorização de veículos seminovos e usados a combustão no país.
O “atracamento” de Brasil e China pode ter chegado a um ponto de não retorno.
Carro chinês não tem galantia. 🤣
Não tem peças de reposição. No YouTube tá cheio de compradores insatisfeitos. Fato!
Só daqui a cinco anos, pode ser que valha a pena comprar isso, por enquanto, é furada.
José Luis
Nas eleições, Trump deseja que o Brasil volte a ser quintal dos EUA
O Brasil é grande demais para virar marisco na briga entre os EUA, uma superpotência marítima, e a China, a grande potência continental emergente, que ameaça a hegemonia norte-americana e amplia sua influência na América Latina.
Entretanto, o governo Lula pode não passar ileso pela guerra comercial, tecnológica e geopolítica entre as duas maiores economias do planeta.
A China (…) dispõe de armas nucleares, controla cadeias industriais estratégicas e possui um gigantesco mercado interno, além de riquezas minerais estratégicas, como as terras raras.
Além disso, tornou-se a principal parceira comercial de grande parte da América do Sul, inclusive do Brasil.
(…)
É nesse contexto que ocorrem as eleições no Brasil. Nossa aproximação com a China, a participação no Brics, a defesa do multilateralismo e a autonomia da política externa contrariam Washington.
A nova Doutrina Monroe já não se dirige às antigas potências coloniais europeias, mas à presença econômica chinesa. Trump deseja que os países latino-americanos aceitem a liderança dos EUA ou serão tratados como plataformas de expansão de Pequim.
A crescente interferência norte-americana nas eleições brasileiras nasce dessa lógica. Não se trata apenas de afinidade ideológica de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio com a família Bolsonaro e a direita brasileira.
Existe uma disputa concreta sobre a futura orientação do Brasil. Um governo alinhado a Washington poderia rever acordos tecnológicos, limitar investimentos chineses, enfraquecer o Brics e apoiar a estratégia dos Estados Unidos na região.
Já um governo comprometido com a autonomia diplomática, mesmo mantendo boas relações com os norte-americanos, preservaria espaço para negociar simultaneamente com Pequim e União Europeia.
Para isso, Trump impõe tarifas, sanciona autoridades, critica o Supremo Tribunal Federal (STF) e já não esconde o apoio da Casa Branca à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Às favas as normas diplomáticas. O presidente Lula é considerado um estorvo pelos estrategistas da Casa Branca. Quando Washington relaciona medidas comerciais a decisões da Justiça brasileira ou ao andamento da campanha presidencial, transforma as tarifas em armas eleitorais.
Como a balança comercial com os EUA representa apenas 2% do nosso Produto Interno Bruto (PIB), essa interferência pode ir além das tarifas, por meio de manipulação do ambiente digital, pressões sobre empresas de tecnologia e campanhas de desinformação.
A maior ameaça é a nova tentativa de desacreditar o sistema eleitoral, que constrói a perigosa narrativa segundo a qual o resultado das urnas eletrônicas somente será legítimo se reconhecido por Trump.
Fonte: Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 13/08/2026 – 07:22 Por Luiz Carlos Azedo