Campanha coloca eleição de senadores entre as prioridades
Bruna Lessa
O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou nesta quinta-feira uma maratona de gravações com candidatos aliados ao Senado, em uma estratégia da campanha petista para tentar ampliar a bancada governista e conter o avanço de nomes ligados ao bolsonarismo na Casa. Com dois terços das cadeiras em disputa neste ano, a composição do Senado é tratada pela campanha como uma das prioridades da eleição, atrás apenas da própria reeleição do presidente.
A preocupação é com a possibilidade de a oposição conquistar uma maioria capaz de impor derrotas ao governo e aumentar a pressão sobre o Palácio do Planalto em um eventual quarto mandato de Lula. A avaliação entre aliados é que a atual correlação de forças no Congresso já dificulta a aprovação de pautas defendidas pelo Executivo e pode se tornar ainda mais desfavorável a partir de 2027.
PRIORIDADE – “Nós definimos, obviamente, que a prioridade maior é a eleição do presidente Lula, a reeleição dele, mas colocamos já de imediato como prioridade a eleição dos senadores. Todo mundo sabe como é difícil a vida no Senado hoje. A extrema-direita está trabalhando para tentar obter uma maioria absoluta no Senado, e a nossa estratégia é fazer com que nós possamos eleger uma bancada lulista”,afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), que participou das gravações nesta quinta-feira.
Lula reservou horários nesta quinta e sexta-feira para gravar peças de apoio a aliados que disputam cargos majoritários nos estados. Candidatos ao Senado e aos governos estaduais foram chamados a Brasília pela cúpula petista para participar das filmagens, feitas no QG de comunicação da campanha, no Lago Sul.
A participação do presidente será adaptada às diferentes disputas estaduais, com falas preparadas pelo núcleo de comunicação da campanha levando em consideração as particularidades de cada região. O apoio de Lula é considerado especialmente importante no Nordeste, onde o petista historicamente concentra seus melhores resultados eleitorais.
PESO ADICIONAL – A eleição para o Senado, porém, ganhou peso adicional no planejamento deste ano. Das 81 cadeiras da Casa, 54 estarão em disputa, já que cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores. O número abre espaço para uma mudança significativa na composição do plenário a partir do próximo ano.
Segundo Costa, a estratégia não se limitará aos candidatos ao Senado. Lula também deverá gravar com candidatos aos governos estaduais que apoiam sua reeleição e terá pequenas inserções nos programas de candidatos a deputado federal do PT. A intenção é associar a eleição de uma bancada maior à capacidade de um eventual novo governo aprovar suas principais propostas no Congresso.
“A informação que nós temos é de que o presidente vai gravar seis segundos para todos os programas dos parlamentares, dos deputados federais. Ou seja, isso inclusive é importante dizer: é a primeira vez que nós estamos fazendo um trabalho para o voto no PT para deputado. Isso tudo tem a ver com a correlação de forças difícil que a gente está enfrentando hoje”, disse o senador.
ESCALA 6X1 – Costa citou como exemplo o fim da escala de trabalho 6×1, uma das bandeiras que Lula pretende explorar durante a campanha. Segundo ele, a participação do presidente nos programas eleitorais deverá reforçar a mensagem de que a aprovação de propostas defendidas pelo Planalto depende também da eleição de deputados e senadores aliados.
“Essa gravação junto ao presidente da República é muito importante. Provavelmente também os deputados federais deverão ter uma participação de Lula nos seus programas, mostrando que, se a gente quiser aprovar as grandes pautas do Brasil, como o fim da escala 6×1 e outras mais, é preciso que a gente tenha uma melhor correlação de forças no Congresso Nacional”, afirmou.
A ofensiva ocorre às vésperas do início oficial da campanha eleitoral e em um momento em que o bolsonarismo também concentra esforços na disputa pelo Senado. Para o entorno de Lula, o resultado das eleições para a Casa terá impacto direto sobre a margem de atuação do próximo presidente, já que cabe aos senadores, além da votação de projetos e propostas de emenda à Constituição, analisar indicações para tribunais superiores e outras autoridades e processar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Há um esforço coordenado em manter as coisas como estão e Lula no Planalto
Ala relevante do STF e os presidentes das casas legislativas atuam neste momento para que Lula permaneça no poder.
É mais do que uma aliança de conveniência para escapar de investigações. Trata-se de esforço para manter as coisas como elas estão.
Do ponto de vista institucional existe uma pesada ameaça:
– O Supremo tem as armas para combater a hipertrofia do Congresso, hoje dominado por uma massa amorfa de parlamentares que através de emendas atuam em causa própria com dinheiro público.
– O Congresso tem as armas para combater a hipertrofia dos poderes do Supremo e seus instrumentos de exceção, e dependendo das eleições poderia passar do rosnado para a mordida.
Mas uma conflagração se tornou no momento menos crível pois o Congresso busca algum tipo de acomodação com Lula pós-eleição – vide as posturas públicas de Hugo Motta e David Alcolumbre.
E está patente no comportamento dos dirigentes de várias correntes políticas que eles não enxergam em Flávio a densidade política necessária para comandar um embate nesses moldes. Atribuem a outros nomes da direita chances reduzidas de chegar ao segundo turno.
O problema para esse esforço em deixar as coisas basicamente como estão é o tamanho das incógnitas. (…) O que torna a votação muito suscetível ao “imponderável” de última hora. Imponderáveis costumam ser incontroláveis.
Outra incógnita relevante tem natureza subjetiva, mas também detectada por levantamentos, especialmente pelas qualitativas não publicadas. Os traços predominantes em larga parcela do eleitorado são desânimo, desconfiança e falta de esperança em qualquer candidato. E na capacidade das eleições de alterarem o “sistema”.
Como é que este clima pesado vai atuar? Em altos segmentos do setor financeiro já se verifica resignação diante da tragédia anunciada. No caso, tragédia da dívida de grandes corporações (fora a sinuca das contas públicas).
Fala-se na alta probabilidade do temido “credit crunch”, no estrangulamento do oxigênio da economia, justamente pela baixa expectativa de mudanças significativas, ou seja, a permanência por longo prazo de juros insuportáveis.
Nesse sentido, não há qualquer respeito pelo que Lula diga ou insinue que vá fazer, muito menos pelas vozes que hoje sussurram hipotéticos “ajustes” fiscais numa eventual vitória.
Curiosamente ninguém está pedindo para ser amarrado ao mastro e, assim, poder resistir ao canto das sereias – que não se vislumbra nem ouve.
O som predominante é o da arrebentação nas pedras, que é onde costuma acabar uma nau sem rumo.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 12/08/2026 | 20h00 Por William Waack
Programa de governo de Lula: balelas, lorotas e mentiras
O programa de governo de Lula é uma compilação de balelas realizadas, lorotas em andamento e mentiras a ser implantadas
O partido do chefão está no poder desde 2003, à exceção do intervalo de 5 anos e 7 meses, soma dos mandatos de Temer e do ex-mito, e o programa de governo de Lula dá a entender que o Brasil, já um sucesso fenomenal graças a ele e ao PT, irá galgar ainda mais andares no ranking das nações nos próximos quatro anos, caso o chefão petista seja reeleito.
O parágrafo mais desavergonhado é o que fala sobre a situação fiscal brasileira, essa conquista dos guerreiros do povo brasileiro. Ri para não chorar, clichê que virou hábito incorporado em vários aspectos da vida deste senhor cansado de indignar-se.
(…)
A “estratégia fiscal inovadora com o novo arcabouço fiscal, que controlou o crescimento das despesas sem prejudicar a recomposição dos gastos” consistiu em tirar uma série de despesas bilionárias, de caráter eleitoreiro, do teto fixado em lei. Há quem chame ternamente de puxadinhos.
É como se uma família ajustasse o orçamento doméstico colocando gastos exorbitantes no cartão de crédito fora do limite imposto pelas entradas salariais.
Oficialmente, os gastos excepcionais do governo Lula, desde 2023, chegarão a R$ 170 bilhões até o final deste ano; se contarmos, porém, a fatia retirada dessa conta pela PEC da Transição e o pagamento de precatórios (herdados do governo do ex-mito), o total ultrapassará os R$ 300 bilhões.
Resultado no mundo de verdade: a dívida bruta do governo já soma 82% do PIB. São 25 pontos percentuais a mais do que a média de endividamento de países semelhantes ao Brasil, de renda média.
O mix de alta procura por crédito escasso, principalmente da parte de um governo voraz e deficitário, baixa poupança interna e necessidade de manter a inflação dentro da meta leva a que os juros sejam tão altos no Brasil — e, por causa deles, a situação do paciente se agrava progressivamente.
O paciente somos nós que pagamos a conta, uma vez que governo não produz riqueza, embora possa imprimir dinheiro tão desprovido de lastro quanto as palavras que não pagam dívidas.
(…)
Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 10/08/2026 22:49 Por Mario Sabino
Senhor Panorama , queiramos ou não , Lula é muito superior a todos os atuais pretendente a presidência da república juntos , no que concerne á inserção , interlocução e interação do Brasil no contexto internacional , e com toda certeza essa interlocução internacional irá acabar , caso Lula perca as eleições em Outubro , pelo fato de que nenhum dos atuais pretendentes a presidência tem noção ou interesse algum em manter a relação do Brasil com o multilateralismo internacional , pois todos já estão se curvando aos interesses dos EUA , antes mesmo de terem sidos eleitos .
É o que parecem achar também, Senhor José Carlos, aqueles cuja notícia William Waack deu acima, na coluna do Estadão.