Candidatos que não vão ‘têm muito a esconder’, diz Caiado
Matheus de Souza
O Globo
O candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu nesta quinta-feira a criação de uma regra eleitoral que torne obrigatória a presença dos candidatos nos debates eleitorais. Até o momento, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) têm dito que não vão comparecer ao evento realizado pela Band neste final de semana.
Durante agenda no Brás, região central de São Paulo, Caiado afirmou que a legislação deveria tratar a participação dos candidatos nos confrontos eleitorais da mesma forma que estabelece a obrigatoriedade do voto para o eleitor. “Se você tem um voto obrigatório para o eleitor, por que você não tem também a presença obrigatória do candidato nos debates? Então você tem dois pesos e duas medidas”, afirmou.
“AMARELADO” – Sem citar nominalmente os adversários, Caiado afirmou que Lula e Flávio teriam “amarelado”. Por enquanto, além de Caiado, apenas Renan Santos (Missão), Augusto Cury e Romeu Zema (Novo) confirmaram presença no debate. “Isso significa o quê? Que eles têm muito a esconder. Eles realmente não suportam o debate. Enquanto tal, não deveriam estar aí na disputa”,disse.
O candidato também defendeu uma reforma mais ampla das regras eleitorais. Segundo Caiado, uma eventual mudança na legislação deveria incluir a discussão sobre o voto distrital e estabelecer parâmetros para a realização dos debates. A ideia, segundo ele, seria concentrar os confrontos nas principais redes de comunicação e permitir a organização de debates por meio de consórcios entre empresas de imprensa.
Para Caiado, o modelo ajudaria a garantir que o eleitor tivesse mais oportunidades de comparar as propostas dos candidatos durante o primeiro turno, que classificou como uma etapa de “seleção” de quem deverá chegar à disputa pela presidência.
MUDANÇA NA ESTRATÉGIA – Durante a coletiva, Caiado também negou que a troca no comando do marketing de sua campanha represente uma mudança na estratégia eleitoral. O candidato explicou que a alteração ocorreu para que Marcos Carvalho passasse a se dedicar exclusivamente à campanha.
Segundo ele, Paulo Vasconcelos, que deixou o comando da área, acumulava a atuação na campanha de Caiado com outras duas campanhas. Marcos, que já integrava a equipe, assumiu o controle da comunicação de forma exclusiva. “Não terá nenhuma solução de continuidade no programa e nem na apresentação do nosso programa eleitoral. E nada vai mudar”,afirmou.
AUSÊNCIA DE KASSAB – O goiano também explicou a ausência do vice, Gilberto Kassab, na agenda desta quinta-feira. De acordo com o candidato, o aliado estava em São Carlos, no interior de São Paulo, para participar de outro evento.
Caiado afirmou que, com 46 dias de campanha, não seria possível concentrar todas as agendas. A estratégia, segundo ele, é dividir compromissos para ampliar a presença da campanha. “Cada um vai atuar numa área, de acordo com o convite que foi formulado”, afirmou.
Caiado tem intenção de voto de 5% e tempo de TV de 2 minutos.
Zema tem 3% de intenção de voto e nenhum tempo de TV.
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