No meio de tanta lama, é difícil prever se o STF vai mesmo investigar Moraes

Tribuna da Internet | Não existem santos no STF, porém há ministros mais  sujos do que os outros

Charge do Zappa (humortadela.com)

Carolina Brígido
Estadão

O relatório da Polícia Federal que mostra a relação aparentemente pouco republicana entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro impacta não apenas o ministro, que corre o risco de virar alvo de um inquérito no próprio Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia deve custar caro para a Corte como um todo.

O relator, André Mendonça, indicou que deve ser do plenário, em sessão pública e presencial, a decisão sobre a abertura ou não de inquérito contra o colega. A recomendação depende do aval dos ministros – especialmente do presidente, Edson Fachin.

GONET ENVOLVIDO – Mendonça pediu um parecer para a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não deve levá-lo em conta, já que o próprio chefe da instituição, Paulo Gonet, foi citado pela PF por ser ligado a Vorcaro. Não há previsão de quando essa sessão será realizada – nem mesmo se vai acontecer.

Nos bastidores do STF, a avaliação é que, seja qual for a decisão tomada em plenário, o tribunal sairá derrotado. Abrir o inquérito significaria soltar a mão de um dos pares e abrir a guarda para a ampliação de críticas ao Supremo – não apenas pelos indícios encontrados pela PF, mas também por motivações políticas. O cenário é provável, já que o País está a um mês das eleições e boa parte dos candidatos usa impeachment de ministros do STF como bandeira.

Por outro ângulo, a abertura de inquérito contra Moraes aumentaria a chance de ser instaurado processo de impeachment contra ele no Senado. Na avaliação de integrantes da Corte, se isso acontecer, outros ministros do Supremo podem ser afastados na mesma leva, o que enfraqueceria o tribunal como instituição e pilar da democracia.

DESMORALIZAÇÃO – Ao mesmo tempo, arquivar indícios fortes colhidos pela PF desmoralizaria o Supremo e deixaria o tribunal com a pecha de corporativista. Diante desse dilema, fontes do Supremo avaliam que hoje seria difícil prever o placar de um eventual julgamento sobre a questão no plenário.

O resultado do julgamento dependerá do trabalho que Mendonça e Moraes farão nos bastidores nos próximos dias. É dado como certo que Mendonça conta com ao menos um voto, o de Luiz Fux. No time de Moraes, devem ser elencados Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Os outros quatro ministros estariam na coluna do meio, podendo se inclinar para um lado ou para outro, a depender das conversas reservadas aguardadas para os próximos dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São procedentes as dúvidas sobre o que decidirá o plenário, porque o Supremo já está mais do que desmoralizado desde 2019, quando determinou ilegalmente a soltura de Lula, tornando o Brasil o único país da ONU (são 193 nações) que não prende criminoso condenado em três instâncias. Mas é certo que o ministro André Mendonça vai pedir ao plenário a abertura de inquérito contra Moraes, cuja presença no Supremo é uma ofensa à cidadania. (C.N.)

11 thoughts on “No meio de tanta lama, é difícil prever se o STF vai mesmo investigar Moraes

  1. Editorial: Moraes tem de sair do Supremo

    Opinião do Estadão: Ministro do Supremo tem a obrigação de renunciar, sob pena de arrastar a Corte para sua crise pessoal

    Diante das gravíssimas revelações feitas por este jornal sobre sua relação com o Master, o ministro tem a obrigação de renunciar, sob pena de arrastar o Supremo para sua crise pessoal

    Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais.

    Para começar, participar da elaboração de um contrato é exercício de advocacia, atividade incompatível com a magistratura. Mas as mensagens do celular de Vorcaro tornadas públicas hoje pintam um quadro muito mais grave.

    O banqueiro, pivô do maior escândalo da história do sistema financeiro nacional, tratava Moraes como alguém a quem podia recorrer para influir no curso de investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou, em referência ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

    Em outra mensagem: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

    Não se sabe o que Moraes respondeu. Pouco importa, porque já não se pode negar o que está diante dos olhos: um investigado por fraudes bilionárias buscava num ministro informação, orientação e intervenção sobre atos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto seu banco pagava somas exorbitantes ao escritório de sua família – contrato que tem as digitais do próprio Moraes.

    Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas?

    Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como “insuficiente”, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.

    Gonet arquivou anteriormente uma representação contra o ministro. Agora surgiram evidências novas, e uma delas envolve o procurador-geral nominalmente: Vorcaro pedia a Moraes que recorresse ao próprio Gonet para conter a investigação. André Mendonça já cobrou esclarecimentos da PGR e avalia os próximos passos. Se isso ainda não basta para abrir uma investigação formal e independente, é difícil saber o que bastaria.

    Investigar, porém, resolve apenas parte da crise. As suspeitas recaem justamente sobre o uso do poder que Moraes continua exercendo. O homem que lhe pedia ajuda para alcançar o chefe da PF e o procurador-geral era o dono do banco que despejava dezenas de milhões de reais no escritório de sua mulher.

    O ministro participou pessoalmente do contrato e agora pode ter de ser investigado pelas mesmas instituições sobre as quais Vorcaro esperava que ele exercesse influência. Essa situação é incompatível com a normalidade institucional.

    Moraes tem direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as garantias legais que tantas vezes negou a outros, mas essas garantias não obrigam o Supremo a carregar, por tempo indefinido, o peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte.

    O STF já errou demais no caso Master. Dias Toffoli, que também mantinha negócios com Vorcaro, só deixou a relatoria do caso depois que sua posição se tornou insustentável.

    Agora a crise atinge Moraes em outro patamar – o mesmo ministro que tantas vezes invocou a defesa do STF e do Estado Democrático de Direito para justificar o exercício de seus poderes. Chegou a hora de demonstrar que seu compromisso com as instituições vale também quando o sacrifício é seu.

    Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado.

    Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 01/09/2026 | 18h22 Por Editorial

    O sesquicentenário Estadão chutou o balde!

  2. Decisão de Mendonça transforma Moraes em personagem central das eleições

    A decisão de André Mendonça de enviar à PGR relatório da PF detalhando mensagens de celular trocadas entre o seu colega e principal rival, Alexandre de Moraes, e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, preso por comandar o maior esquema de fraude financeira da história, torna evidente o tamanho da crise no Supremo.

    Com a divulgação das mensagens, Mendonça empurra a PGR a duas decisões:

    – Ou concorda que existem indícios para investigar Alexandre de Moraes, abrindo a possibilidade de um futuro afastamento seja por decisão dos demais ministros do STF

    – Ou por um processo de impeachment pelo Senado, ou recusa o pedido de Mendonça e amplifica o discurso de dezenas de candidatos ao Senado pelo país de que o STF é uma ‘casa de intocáveis’.

    A decisão de incluir Alexandre de Moraes no processo é exclusiva do procurador-geral Paulo Gonet. A competência da investigação é do Ministério Público e não do STF.

    Faltando 33 dias para a escolha de 54 senadores, Mendonça transformou Alexandre em personagem central das eleições.

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, 01/09/2026 14h13 Por Thomas Traumann

  3. O material revelado teria sido considerado de baixo potencial ofensivo, e a decisão de proceder dessa maneira teria sido tomada em consenso entre eles.

    Devem ter chegado a um impasse, sendo necessário revelar algo, mas não necessariamente mostrar a bunda.

    É difícil acreditar que tenham decidido expurgar o feudo, usando justo ele como boi de piranha. Até porque, nesse cenário, deve haver outros na fila para o mesmo destino.

    Pôquer é para quem pensa à frente: afinal, você distribui as cartas focando no próximo lance ou no fechamento do jogo?

  4. Gonet pede nulidade de relatório da PF que detalha relação entre Vorcaro e Moraes

    Citado em mensagens, Gonet pede nulidade de relatório da PF que detalha relacão entre Vorcaro e Moraes

    Parecer foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, que pediu que documento seja analisado pelo plenário do STF

    (…)

    O Globo, Política, Opinião, 01/09/2026 19h35 Por Pepita Ortega — Brasília

  5. “Segundo a PF, as conversas indicam pedidos para que o magistrado (Moraes) atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, visando conter operações e investigações ligadas ao Banco Master”

    O nome disso é OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA” !!!

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