Lideranças políticas se assustam e tentam abafar o Caso Master, enquanto a crise avança

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  1. Decisão de Alexandre de Moraes pavimenta caminho para implodir investigações do Master

    Ministro do STF abraça tese que vinha sendo estudada pela própria defesa de Vorcaro para tentar anular a apuração

    A ofensiva de Alexandre de Moraes sobre o ministro André Mendonça apontando “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” na condução do caso Master não é apenas um revide contra o colega na tentativa de matar no peito a possibilidade de uma investigação contra si próprio.

    Na prática, a iniciativa de Moraes abre caminho para implodir toda a apuração da maior fraude bancária da história do país.

    Ao dizer que houve direcionamento das investigações e “quebra na cadeia de custódia”, Moraes abraça uma tese que vinha sendo estudada pela própria defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para tentar anular a apuração.

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, Opinião, 03/09/2026 20h10 Por Rafael Moraes Moura — Brasília / Malu Gaspar

  2. Daniel Vorcaro investe na crise institucional

    Como os líderes do PCC e CV, Vorcaro mantém o poder mesmo preso e investe na crise institucional

    Banqueiro age, de forma claramente calculada, para jogar os ministros do STF uns contra os outros

    Assim como os líderes do PCC e do CV mantêm seu comando e dão as ordens nas facções, mesmo presos em penitenciárias de segurança máxima, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sustenta até hoje seu poder destrutivo contra as instituições, depois de meses na Papudinha, em Brasília.

    Depois de cooptar figuras centrais de Legislativo, Judiciário e Executivo quando era biliardário, rei da cocada preta e estava solto e infiltrado nos três poderes, Vorcaro continua sendo personagem chave na guerra que sacode a capital da República como nunca antes visto.

    Depois de tentar enganar tudo e todos com duas tentativas falsas de delação premiada, Vorcaro agora, de forma claramente calculada, age para jogar os ministros do STF uns contra os outros e empurrar a PF e a PGR para a fogueira, com um desgaste que atinge até agentes das duas instituições até a opinião pública.

    De burro, Vorcaro não tem nada. Ele é um gênio do mal, estratégico e sem qualquer limite e é exatamente porque Flávio Bolsonaro foi flagrado lhe pedindo R$ 134 milhões que ele agora mira o outro lado da polarização, não em Lula diretamente, mas em seu governo. É do seu interesse embolar tudo e confundir a sociedade.

    Um ambiente institucional corroído, poluído e repugnante é francamente favorável à sua estratégia de provocar um movimento de autopreservação e um “acordão” em que possa surfar e tentar salvar a própria pele. Por isso, investe na divisão do Supremo.

    Alexandre de Moraes, reconhecido como aliado de Lula, está no fundo de um poço sem volta, e André Mendonça, admitido como aliado dos Bolsonaro, é quem dá as cartas no escândalo Master no Supremo, sob aplausos da sociedade. A divisão do STF em torno deles é um presente e tanto para Vorcaro.

    O PGR Paulo Gonet entra na história não apenas como sendo da “turma do Gilmar Mendes” e aliado (ou advogado de defesa?) de Alexandre de Moraes, mas também na situação constrangedora de estar se auto-protegendo.

    Afinal, Gonet é mais um dos “amigos” que gosta, e desfruta, dos charutos e do uísque do estoque luxuosíssimo de Vorcaro. Qualquer decisão que tome no caso será usada contra ele, como já foi quando atacou Mendonça e não deu uma palavra sobre as revelações escandalosas contra Moraes.

    O novo peixe na rede de Vorcaro é o delegado Andrei Rodrigues, que comanda a instituição mais respeitada e de maior resultado nessa confusão toda, a Polícia Federal.

    Não há provas de ilícitos contra ele e, até aqui, o delegado só está sendo citado pelo próprio Vorcaro, com quem participou de viagens e eventos e agora age para atraí-lo para a sua rede de envolvidos.

    A nova suspeita é que Mendonça e a própria direção da Papudinha tenham dado um drible em Rodrigues e na PF para desviar Flávio Bolsonaro do alvo e mirar no governo Lula. No dia em que deveria depor à PF, Vorcaro foi escondido para o gabinete de Mendonça no STF.

    O problema é que não foram só Gonet e Andrei Rodrigues que se encontraram com Vorcaro, mas o próprio André Mendonça, confirmando, mesmo que o encontro tenha sido absolutamente trivial, a triste e avassaladora percepção nacional de que “não sobra ninguém”.

    Em nota, o Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) elogia a quebra de sigilo das investigações sobre Alexandre de Moraes, mas cobra que André Mendonça “quebre o sigilo igualmente dos casos INSS e Dark Horse”, sobre Lulinha e Flávio Bolsonaro, inclusive para evitar impacto nas eleições.

    Assim como é importante dar transparência aos fatos que envolvem Morais, mas também Lulinha e Flávio Bolsonaro, seria conveniente que Paulo Gonet, Andrei Rodrigues e o próprio André Mendonça explicassem, sem tergiversar – e sem serem desmentidos depois, como Flávio foi – qual o grau de relação que têm, ou tiveram, com Vorcaro.

    Ele, que é o único ser no País e no planeta a se beneficiar da tragédia institucional que estamos assistindo.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 03/09/2026 | 21h35 Por Eliane Cantanhêde

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