Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)
Bernardo Mello Franco
O Globo
Em conversa recente, um ministro do Supremo previu a chegada de um “setembro sangrento”. Falava da eleição presidencial, não da crise que estava por explodir na Corte. A um mês das urnas, é difícil encontrar a fronteira que deveria separar os dois assuntos. Tudo se mistura no noticiário e na cabeça do eleitor, bombardeado por cifras milionárias e sinais explícitos de corrupção.
As novas suspeitas sobre o ministro Alexandre de Moraes inflamaram a militância bolsonarista. Depois do fiasco no lançamento da campanha em Copacabana, o PL espera usar o caso para arrastar uma multidão à Avenida Paulista no 7 de Setembro.
NOVO MOTE – A direita ganhou um mote para voltar a bradar por impeachment no Supremo. Pouco importa que Flávio Bolsonaro tenha pedido R$ 134 milhões ao mesmo Daniel Vorcaro que prometeu R$ 130 milhões ao escritório da mulher de Moraes.
A semelhança entre as quantias prometidas pelo dono do Banco Master é mais uma ironia mórbida do escândalo, que lançou uma nuvem de descrédito sobre a elite política e a cúpula do Judiciário.
No Supremo, o clima é de bangue-bangue. André Mendonça atirou primeiro ao divulgar os diálogos que comprometem Moraes. Ontem Moraes revidou ao pedir que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
ARBITRAGEM – O presidente Edson Fachin, que não conseguia aprovar regras simples sobre viagens, presentes e palestras, agora se vê obrigado a arbitrar uma guerra aberta e sem precedentes da história do tribunal.
Entrincheirados, Mendonça e Moraes não dão sinais de recuo. Os dois sabem que o resultado da eleição também definirá o futuro do Supremo — e de suas próprias trajetórias.
Divulgada ontem, a nova pesquisa do Datafolha agravou a tensão em Brasília ao mostrar uma disputa emparelhada. Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio aparecem em empate técnico: 46% a 44%. Agora falta apenas um mês para a eleição. Setembro será sangrento. E está apenas começando.
Moraes declara guerra a Mendonça e põe STF para definir de que lado ficará no duelo público
Ministros têm embate sobre investigações do caso Master
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Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 03/09/2026 | 21h13 Por Francisco Leali
Pedido de Moraes abre margem para anular inquéritos contra Vorcaro e Lulinha
Ao alegar que houve parcialidade de André Mendonça, Moraes lança bases para que o STF se inspire na Lava Jato e encerre investigações
O pedido do ministro do STF Alexandre de Moraes contra André Mendonça, apresentado na noite desta quinta-feira, 3, abre margem para que o Tribunal anule as investigações que miram o banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da Compliance Zero, e as que miram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito da Operação Sem Desconto.
Com base em um relatório de inteligência da Polícia Federal, sem identificação de autoria, Moraes afirma haver “fortes indícios” de atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça.
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Fonte: O Antagonista, Brasil, 03.09.2026 22:43 Por Wilson Lima
Crise Moraes-Vorcaro só favorece Flávio
Para presidente do Instituto Locomotiva, relação de ministro do STF com fundador do Master reforça narrativa bolsonarista de perseguição
A crise envolvendo as relações de proximidade do ministro Alexandre de Moraes, do STF, com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, hoje preso, favorece, até o momento, só o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026, na avaliação de Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
“Isso meio que ameniza a situação do Flávio. Coloca o juiz que prendeu o pai dele numa situação delicada, o que aumenta a ideia e dá munição à narrativa de conspiração contra Bolsonaro”, disse.
Alexandre de Moraes foi o responsável pela prisão do ex-mito, pai de Flávio. Desde o início do processo, tanto o ex-presidente quanto os seus seguidores acusaram o ministro de perseguição.
Outra consequência, na avaliação de Meirelles, é que reduz o impacto dos áudios em que Flávio aparece solicitando doações para o filme “Dark Horse”, sobre o seu pai, a Vorcaro. “Coloca um juiz da Suprema Corte no mesmo nível de relação com o Vorcaro que tinha o Flávio”, disse.
Há um 3º ponto de impacto na candidatura, segundo Meirelles: reforça a imagem de Flávio como um candidato contrário ao sistema político e às instituições que são percebidas como parte dele. “Aumenta um pouco a autoridade de ser um candidato antissistema”, afirmou.
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Fonte: Poder360, Eleições 2026, 4.set.2026 – 6h00 Por Guilherme Waltenberg de Brasília
Moraes e Toffoli ficam expostos em 400 páginas da PF sobre a rede do Master em Brasília
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A crise avança como rio de enchente pela Praça dos Três Poderes, em Brasília, a menos de quatro semanas do primeiro turno das eleições.
Aos olhos dos eleitores, informam as pesquisas, prevalece a percepção de aumento da corrupção com patrocínio e beneficiários políticos no Judiciário, no governo e no Congresso.
É evidente a degradação na credibilidade institucional. Ganha realce no gradual descrédito do Judiciário, como demonstra o Índice de Confiança Social da Ipsos no histórico da última década e meia.
Ecoa no protocolo do Senado, onde tem aparecido um pedido de destituição de juiz do Supremo a cada três semanas.
Foram oitenta requerimentos nos últimos 44 meses. Somam 109, se contados o estoque (29) dos anos 2021 e 2022, basicamente motivado pela intervenção do tribunal na política de saúde pública para impedir o pandemônio negacionista esboçado na pandemia.
Os campeões de pedidos de impeachment (67 desde 2023) são Alexandre de Moraes (com 38), Gilmar Mendes (11), José Antonio Dias Toffoli (10) e Flávio Dino (8).
Moraes e Toffoli são protagonistas em dois relatórios policiais que somam 400 páginas nos autos sobre a rede de influência do Banco Master em Brasília.
Desse volume, 188 páginas detalham o relacionamento de Moraes e família com o antigo dono do Master, Daniel Vorcaro.
“Não é normal”, disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao confirmar a quantidade inédita de pedidos impeachment de juízes do Supremo.
Anormal, também, são os quase noventa casos de senadores, deputados federais e funcionários públicos graduados acusados em inquéritos à espera de decisão no STF.
É síntese da liquefação política. Cresce a desconfiança pública sobre o conluio da oligarquia estatal emergente, como define Joaquim Falcão em A Oligarquia dos Poderes e a Crise da Democracia.
O Supremo está emaranhado no próprio enredo de atropelos da Constituição durante a última década e meia, desde a Operação Lava-Jato até os casos do INSS e do Banco Master.
Fraturou-se em público no confronto aberto entre os juízes Mendonça, relator do caso Master, e Moraes, personagem do inquérito.
O condimento dos inquéritos sobre proteções políticas às trapaças nas aposentadorias e no mercado financeiro está nos interesses particulares dos candidatos mais destacados nas pesquisas eleitorais:
– Lula tem um dos filhos sob investigação em caso de tráfico de influência; e Flávio Bolsonaro já confessou ter recebido dezenas de milhões de reais em transações obscuras com o antigo dono do banco das fraudes, que completou cinco meses em prisão preventiva.
É sinal de que a crise institucional, protagonizada pelos que deveriam evitá-la, continuará avançando como rio de enchente na direção dos próximos governo e Congresso, com o auxílio luxuoso do Supremo.
Fonte: Revista Veja, Política, 4 set 2026, 06h00 Por José Casado
Caso Master deflagra operação de “salve-se quem puder” em Brasília
As recentes revelações do rumoroso caso Master deflagraram, nos últimos dias, uma espécie de operação de “salve-se quem puder” envolvendo diferentes grupos de poder em Brasília.
À medida que novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro vêm a público e ampliam o alcance da crise, esses grupos intensificam os movimentos para tentar preservar seus integrantes.
O grupo mais atuante é formado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, pelo procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Os três foram citados nas mensagens do dono do Banco Master que vieram à tona nos últimos dias. E, diante do desgaste, passaram a atuar para tentar sair da crise o menos arranhados possível.
Gilmar: eminência nem tão parda
Nesse movimento, contam com um aliado de peso: Gilmar Mendes, atual decano do STF e uma das figuras mais experientes de Brasília quando o assunto é gestão de crises políticas e institucionais.
Embora não tenha sido diretamente mencionado nas mensagens, Gilmar tem uma relação próxima com Gonet, de quem já foi sócio. O ministro foi um dos padrinhos da indicação do procurador para a PGR.
Gilmar também olha para o próprio futuro do Supremo e para os próximos anos que ainda terá na Corte. Não lhe interessa, portanto, uma crise que enfraqueça seus aliados dentro do tribunal.
Moraes também conta com outro aliado importante: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador já deixou claro que, enquanto estiver sentado na cadeira, não abre impeachment do ministro.
Lula é cobrado
Na tentativa de se blindar, o grupo de Moraes cobra apoio do presidente Lula. Para isso, lembram que o Supremo foi um dos principais pilares de sustentação da governabilidade do terceiro mandato do petista.
Lula, porém, não reagiu como o grupo de Moraes esperava. Sem citar nomes, o petista publicou um vídeo defendendo que “é fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem, doa a quem doer”.
A menos de um mês para o primeiro turno, a reação de Lula foi baseada no cálculo de que ele não poderia ser omisso neste momento, sob pena de o episódio trazer prejuízos para sua campanha à reeleição.
Mendonça e Messias viram alvo
Em outra frente, o grupo ligado a Moraes decidiu partir para cima de André Mendonça. Foi o ministro quem autorizou o fim do sigilo que permitiu que as mensagens de Vorcaro viessem a público.
Na noite de quinta-feira (3/9), Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, uma investigação contra Mendonça pela prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Moraes pede ainda que o colega seja investigado por favorecimento a determinados grupos políticos. Todos os crimes, segundo ele, teriam sido cometidos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
A reação do grupo de Moraes também atingiu Jorge Messias. O advogado-geral da União passou a ser alvo de críticas da cúpula da PF, que o acusa de omissão por não ter reagido às decisões de Mendonça.
Fonte: Metrópoles, Política, Opinião, 04/09/2026 07:57 Por Igor Gadelha
Lula diz que ‘ninguém pode utilizar cargo em benefício pessoal’ e que democracia fica vulnerável sem instituições sólidas
HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA
Sr. Newton, me traga um piscina d’água…..
O verme é um desgraçado mesmo, não tem jeito..
aquele abraço
O Lula fala com conhecimento de causa:
– Ele disse em janeiro de 2016, num encontro com blogueiros, que é “a alma mais honesta desse país”.
rzrzrz
Moraes usou relatório interno da PF ‘sem valor probatório’ para acusar Mendonça de interferências
Documento citado por ministro para pedir investigação contra colega não tem assinatura e se define como ‘sem caráter decisório e sem valor probatório’
O ministro do STF Alexandre de Moraes usou um relatório interno da PF que se define como “sem valor probatório” para pedir investigação contra seu colega André Mendonça por abuso de autoridade e interferências indevidas na condução de investigações.
O documento citado por Moraes não tem cabeçalho oficial da PF nem é assinado por nenhum delegado.
Ao apresentar diversos tópicos sobre a condução dos inquéritos, o relatório cita relatos anônimos dizendo que Mendonça tentou interferir indevidamente no andamento de acordos de delação premiada da PF na investigação sobre desvios do INSS.
Aponta, também sem identificar a fonte, que o ministro disse não confiar na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ou do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
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Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 03/09/2026 | 23h31 Por Aguirre Talento e Carolina Brígido – Brasília