Carluxo (ao fundo) aconselha Flávio a não se afastar da base
Carolina Linhares
Folha
As tensões internas do bolsonarismo voltaram a se acirrar em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal) com cobranças da ala mais radical sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Sob reserva, esses apoiadores pedem mais gestos em relação a Jair Bolsonaro (PL) e reclamam de Daniella Marques, conselheira econômica do filho 01.
O descontentamento foi tornado público por meio de um post de Carlos Bolsonaro (PL-SC), candidato ao Senado, direcionado ao irmão. “Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai, à rejeição à covardia, aos desmandos e às revelações do modus operandi de determinados setores do Judiciário e à ruína, tanto econômica quanto social, que Lula [PT] vem trazendo ao país”, publicou nesta semana.
AFASTAMENTO – “Qualquer um de seu entorno que tente levá-lo para qualquer outra linha de raciocínio o afasta de sua base e o torna refém pós-eleitoral, como o sistema deseja”, acrescentou. Segundo interlocutores de Carlos Bolsonaro, ele se refere a Daniella, que foi presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro. Ela também era a principal assessora do ex-ministro Paulo Guedes e atua no mercado financeiro. Daniella foi procurada pela reportagem por meio de sua assessoria, mas não quis comentar.
A opinião é compartilhada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA, segundo pessoas próximas ao ex-deputado. A Folha já mostrou que os bolsonaristas da ala ideológica rechaçam nomes do mercado financeiro, como Daniella, para ocupar o posto de ministro da Economia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Na visão deles, os banqueiros representam o sistema que o bolsonarismo deve combater.
LIBERALISMO EXTREMISTA – Uma das críticas a Daniella é a de que ela representa um liberalismo extremista. Nas palavras de um interlocutor da família Bolsonaro, ela está em rota de colisão com o movimento da direita conservadora e contraria os valores bolsonaristas.
Daniella foi filiada ao Republicanos e chegou a ser cotada para ser vice na chapa, mas a opção do partido pela neutralidade inviabilizou a aliança. Mesmo com o revés, ela ocupa cada vez mais espaço na campanha de Flávio, com discursos em atos importantes, aparições nas lives do candidato e uma agenda própria, com eventos e viagens pelo país.
A nova divisão no bolsonarismo ocorre num momento em que a campanha do PL vislumbra a perspectiva de vitória após as últimas pesquisas registrarem empate com Lula no segundo turno. O embate entre os ministros André Mendonça, escolhido por Bolsonaro, e Alexandre de Moraes, tido como algoz da direita, acabou impulsionando o candidato do PL, especialmente na esteira do 7 de Setembro.
ASSOCIAÇÃO – O ato bolsonarista associou Lula e Moraes, explorando as conversas do ministro com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Daniella estava presente na avenida Paulista e discursou no carro de som, enquanto Carlos não compareceu.
Parte dos interlocutores de Flávio afirma que a maré positiva para o candidato ampliou a briga por espaço e influência no comando da campanha. Já os bolsonaristas radicais, hoje mais alijados do núcleo duro, dizem que o senador está perdendo a conexão com sua base. Para essa ala ideológica, Daniella deveria ter uma posição técnica e de bastidor, mas tem ocupado a vitrine e dado ordens.
De acordo com esses apoiadores de Flávio, Daniella prega corte de gastos e tesouraço, algo que prejudicaria o candidato do PL eleitoralmente. Para eles, Flávio tem que se comprometer a manter programas sociais e entender que o Brasil é um país pobre em que boa parte da população depende de auxílios.
DERROTA EM 2022 – Ainda de acordo com essa ala, a atuação de Paulo Guedes, de quem Daniella foi braço direito, teria levado Bolsonaro à derrota em 2022. “Não sou eu o dono da razão e muito, mas muito menos o seu entorno que tenta seduzi-lo cada vez mais. Não preciso entrar em maiores detalhes pois os entendedores entenderão”, publicou ainda Carlos.
A publicação foi endossada por Paulo Figueiredo, influenciador que mora nos EUA e critica o voto feminino. Entre as ideias defendidas por Daniella estão corte de gastos públicos, valorização da economia do cuidado e a ideia de que a mulher é pauta da direita, algo que Flávio tem repetido. Em mais de uma ocasião, a dupla utilizou um broche com uma tesoura verde e amarela, em alusão ao tesouraço.
SEM DETALHES – Em agosto, em entrevista ao C-Level, videocast da Folha, Daniella não quis detalhar como chegar à economia prometida de 1,5% do PIB e disse que isso seria decidido em eventual transição de governo. “Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso, é o que vai sair de lá e que vai definir. Eu não sou a Mãe Dináh”, afirmou.
Aliados de Flávio dizem que não é momento de tratar de tesouraço, mas sim de falar sobre segurança pública, emprego e exaltar as bandeiras antissistema defendidas por Bolsonaro. Eles opinam que o candidato deveria exaltar a memória do pai, sua herança e seu legado, em uma campanha mais emotiva.
Por acaso quem fala que tem que fazer o diabo é partir para cima, e um pacifista?
Presidenciável na mira da PF: Flávio é investigado no STF por 4 crimes
O levantamento do sigilo de documentos do caso Banco Master no STF revelou o segredo que André Mendonça guardou a sete chaves:
– Flávio é oficialmente investigado pela PF por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.
O inquérito, autorizado pelo próprio Mendonça ainda em julho a pedido da PF, apura o financiamento milionário e remessas ilegais ao exterior ligadas ao documentário Dark Horse.
Pressionado por Fachin e pela reação de ministros que cobravam acesso amplo aos autos após vazamentos seletivos, Mendonça teve de abrir a gaveta.
A revelação atinge em cheio a campanha de Flávio às vésperas do primeiro turno.
Candidato à Presidência pendurado em quatro crimes graves e sem nunca ter explicado o dinheiro de Vorcaro, Rachadinha agora terá de fazer campanha explicando como virou caso de polícia no Supremo.
Fonte: Metrópoles, Opinião, 12/09/2026 09:00 Por Ricardo Noblat
Flávio é um candidato sob suspeita
Com autorização de Mendonça, Flávio é formalmente investigado pela PF por relação financeira com Vorcaro
O País acaba de tomar conhecimento de que Flávio, candidato a presidente, é oficialmente investigado pela PF por sua associação com Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-mito.
A investigação, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, apura se Flávio cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Como se sabe, Flávio pediu de viva voz R$ 134 milhões a Vorcaro, tendo recebido mais de R$ 60 milhões, segundo a PF. O candidato, inclusive, esteve pessoalmente com o banqueiro vigarista no curto interstício em que ele esteve livre, condicionado ao uso de tornozeleira eletrônica, entre uma prisão e outra.
É gravíssimo o fato de um candidato (…) concorrer à Presidência da República na condição de investigado – e sob tão sérias suspeitas.
Isso só reforça que Flávio não reúne condições morais nem sequer para disputar cargos eletivos, quanto mais para ser chefe de Estado e de governo.
Ao que tudo indica, o financiamento do tal filme pode ter sido apenas um meio de obtenção de dinheiro sujo da rede de operações de Vorcaro para bancar uma série de gastos de figuras de proa do bolsonarismo – desde o filme propriamente dito até o sustento da vida de playboy que Dudu Bananinha, irmão de Flávio, leva nos Estados Unidos.
Um fundo de investimentos no Texas, cujo titular é um advogado amigo de Bananinha, recebeu dinheiro de sócios de Vorcaro para, supostamente, cobrir despesas da produção de Dark Horse, uma transação inusual no setor audiovisual.
“Caixa dois”
Ademais, há suspeita, ainda a ser investigada, de que parte dos milhões recebidos por Flávio de Vorcaro possa ter sido usada no financiamento de sua própria campanha eleitoral, o que caracterizaria “caixa dois”.
Louve-se aqui a iniciativa de Edson Fachin, de pedir a Mendonça, relator do caso Master na Corte, que levantasse o sigilo das investigações, pedido este atendido, ainda que parcialmente.
O eleitor tem o direito de ir às urnas sabendo exatamente de tudo o que pesa contra quem pretende governá-lo. A decisão de voto diz respeito apenas à sua consciência.
Diante dessa mixórdia entre interesse público e interesses privados, Flávio não só segue devendo explicações convincentes ao País, como chega a ser cínico ao insistir que tudo não teria passado de uma relação “privada”, envolvendo dinheiro “privado”. É uma dupla mentira:
– Em primeiro lugar, porque há fundadas suspeitas de que recursos de emendas ao Orçamento da União do deputado federal Mario Frias (PL-SP) tenham sido direcionados para o orçamento de Dark Horse, como revelou a Operação Make Up, deflagrada pela PF há poucos dias.
– Em segundo lugar, porque o dinheiro de Vorcaro não pode ser tratado naturalmente como recurso privado: trata-se de fruto da maior fraude financeira de que o País já teve notícia.
O que Flávio trata como dinheiro “privado” é o prejuízo de milhões de correntistas, investidores, servidores públicos e aposentados, o maior rombo já coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
Se Flávio considera normal financiar uma hagiografia do pai – e sabe-se lá mais o quê – com recursos de origem tão gritantemente espúria, a fragilidade jurídica da defesa é o menor de seus problemas. Está-se diante, isso sim, de sua própria falência ética.
Espera-se que um candidato à Presidência saiba distinguir entre o certo e o errado, o público e o privado, o lícito e o ilícito. Alguém que se perde entre essas noções elementares, evidentemente, não está qualificado para governar o Brasil.
Pode não parecer, mas caráter ainda importa. E ele se revela nas escolhas feitas por um candidato. Flávio fez as suas: chamou Vorcaro de “irmão” no áudio em que lhe pediu R$ 134 milhões e não teve pudor em ignorar a origem do dinheiro.
Que os eleitores se perguntem que espécie de irmandade é essa – e o que ela diz sobre quem aspira à Presidência da República.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 12/09/2026 | 03h02 Por Editorial
O encontro secreto entre Flávio Bolsonaro e Queiroz, o pivô do escândalo das rachadinhas
No mês passado, pouco antes do comício que marcou o início oficial de sua campanha, Flávio Bolsonaro cruzou rapidamente com Fabrício Queiroz na Av. Atlântica. Celulares registraram o rápido abraço. Queiroz eternizou a cena em suas redes sociais.
De acordo com interlocutores dele, o pivô do escândalo das rachadinhas, um fantasma insepulto da trajetória política de Flávio, quis dizer, ao seu jeito, “não me abandone”. Foi o segundo encontro dos dois em 2026.
O primeiro foi secreto e cercado de muitos cuidados. No início do ano, o hoje subsecretário de Ordem Pública de Saquarema (RJ) procurou exaustivamente o antigo chefe, a quem serviu por 11 anos.
Naquele momento, Flávio era um recém-lançado candidato a presidente. Queiroz queria encontrar-se com ele em Brasília. O senador disse não. O ex-subordinado insistiu.
No fim do primeiro trimestre, de acordo com relatos de Queiroz, Flávio foi obrigado a topar a conversa.
Nela, Flávio disse ao seu ex-assessor parlamentar, ex-segurança, ex-motorista e, sobretudo, ex-coordenador das rachadinhas do seu gabinete parlamentar, para se afastar dele na campanha.
Para o encontro, Flávio exigiu alguns cuidados do seu ex-faz-tudo. Um deles deu trabalho: Queiroz teria que se deslocar de carro do Rio de Janeiro a Brasília. Viajar de avião, nem pensar. O encontro não poderia deixar rastros, com imagens de câmeras de segurança nos aeroportos flagrando embarques e desembarques.
Queiroz reclamou. Mas assentiu. Pegou a estrada entre o Rio e a capital federal numa viagem de 15 horas. Na conversa, realizada num local discreto em Brasília, Queiroz se acertou com Flávio, mas ouviu dele: “Não me procure mais”.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 13/09/2026 05h40 Por Lauro Jardim
Queiroz é um fantasma insepulto na vida de Flávio Rachadinha.
Especula-se, à boca pequena, que Queiroz poderá assumir um cargo de alto escalão em um eventual governo de Flávio Rachadinha — ocupando, por exemplo – pasmem-se! – , o posto de Secretário do Tesouro Nacional.
Senhor Panorama , acredito que o juiz relator André Mendonça , perdeu legitimidade ao ” ocultar e proteger ” deliberadamente o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro , nessas bandalheiras de ” falcatruas , golpes e roubos ” do dinheiro dos cofres públicos , com o agravante de que roubaram do Brasil e de seu povo , e levaram os produtos de crimes para os EUA , ou seja , o juiz relator André Mendonça também faz parte desses crimes contra o Brasil .