
Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)
Pepita Ortega
O Globo
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pediu que o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, indique se há disponibilidade de compartilhar, com os colegas da Corte, a íntegra do conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O pedido se dá na esteira da solicitação do ministro Cristiano Zanin, para que os ministros tenham acesso a todas as mensagens de Vorcaro antes de julgar, na próxima terça-feira, o relatório que identificou Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-dono do Banco Master em diálogos identificados pela Polícia Federal.
ÍNTEGRA DE DADOS – Zanin requereu acesso à íntegra dos dados que foram extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, o material encontra-se à disposição do gabinete do ministro André Mendonça.
Zanin avaliou que os dados do celular de Vorcaro tem de ser compartilhados porque já estão abrangidos pela derrubada do sigilo dos procedimentos que estão relacionados, de alguma forma, à petição que será analisada na próxima terça-feira, no plenário do STF. Este procedimento foi aberto por Mendonça justamente a partir das mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro.
Segundo o ministro, a obtenção da íntegra do celular de Vorcaro visa permitir a “apreciação completa e necessária” do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República sobre o relatório que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro. O chefe do Ministério Púlico Federal, Paulo Gonet, defendeu a anulação do documento, sob o argumento de que Mendonça não poderia ter determinado, sozinho, a elaboração do mesmo.
PRAZO – Em outro despacho, Fachin deu prazo de 24 horas para que Mendonça encaminhe à Presidência da Corte e aos gabinetes dos demais ministros todos os procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master. O material deverá ser remetido em um HD próprio.
O presidente também determinou o levantamento do sigilo de um dos principais braços da Operação Compliance Zero, ressalvando apenas diligências em andamento ou ainda a serem realizadas cuja divulgação possa prejudicar sua efetividade. A decisão acolhe pedido do vice-procurador-geral da República, que havia apontado que parte dos procedimentos não estava incluída na relação de processos cujo sigilo já havia sido retirado por Mendonça.
O bicho vai pegar pro burro preto.
O celular do Vorcaro, cobrança do filme, reunião, “irmão estarei contigo sempre”, sai da gaveta do terrivelmente crentelho e vai pra Corte inteira.
Fachin mandou abrir.
Até ontem era mensagem vazada.
Agora é pasta na mesa de todo ministro.
Se tiver mais áudio ou mais dinheiro, a história de “só patrocínio” não segura.
Que aliás, nunca segurou.
Acho que o rachado vai morar embaixo da cama do american banana.
Até terça feira esse ladrão não dorme.
Haja Rivotril!
kkkkk
Tic tac tic tac…
José Luis
Governo e campanha de Lula tentam surfar no fim do sigilo do Caso Master
Integrantes do governo e da campanha à reeleição de Lula tentam surfar politicamente na decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de pedir a derrubada do sigilo das investigações relacionadas ao Caso Master.
Nas redes sociais, aliados de Lula passaram a repercutir a decisão e a associá-la à posição defendida pelo petista de dar publicidade às apurações. A estratégia também busca jogar luz sobre as suspeitas envolvendo Flávio.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, por exemplo, foi às redes sociais nas últimas horas afirmar que a iniciativa de Fachin “merece enaltecimento”. E destacou que Lula já vinha defendendo mais transparência nas investigações.
“A publicidade é a regra da República. A transparência protege as instituições, assegura igualdade de tratamento aos envolvidos, clareia as escolhas dos cidadãos e permite que a sociedade conheça os fatos sem recortes, versões ou seletividades”, escreveu Messias.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, foi mais incisivo. Afirmou que a decisão de Fachin vai ao encontro do que o petista “sempre defendeu” e aproveitou a publicação para direcionar os holofotes para Flávio.
O secretário petista citou a relação do candidato do PL com Vorcaro e mencionou, entre outros pontos, áudios, repasses de dinheiro e uma nota fiscal do escritório de Flávio. “Tem de tudo — menos o fim do sigilo”, escreveu.
Na manhã da sexta-feira (11/9), Éden voltou ao tema e subiu o tom contra Flávio. Em nova publicação no X, disse que a quebra do sigilo sobre Vorcaro e o escândalo do Master expõem o que chamou de “gigantesca hipocrisia” da campanha do candidato do PL.
A movimentação dos aliados de Lula ocorre após Fachin determinar, na quinta-feira (10/9), que fosse retirado o sigilo dos procedimentos relacionados à investigação do Master, ressalvadas diligências que ainda necessitem de confidencialidade.
Relator das investigações do Caso Master no Supremo, o ministro André Mendonça atendeu à determinação do presidente da Corte e retirou o sigilo da principal petição e de outros procedimentos relacionados à apuração.
A ofensiva nas redes evidencia a tentativa da campanha de Lula de transformar a abertura das investigações em um ativo eleitoral para Lula: de um lado, vinculando o presidente à defesa da transparência; de outro, tentando atingir Flávio.
Metrópoles, Opinião, 11/09/2026 11:49 Por Carolina Nogueira / Igor Gadelha