Hugo Motta se antecipa ao PL e sonha costurar sua reeleição na Câmara

Motta  articula reeleição ao comando da Câmara

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu na manhã desta quarta-feira com parlamentares para discutir estratégias para garantir sua recondução à frente da Casa, a partir de fevereiro de 2027, diante do aumento expressivo da bancada do PL neste ano.

Motta teve apoio de quase todos os partidos quando foi eleito presidente pela primeira vez, em 2024, mas se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos meses por interesses eleitorais na Paraíba, seu reduto eleitoral, contrariando parlamentares da oposição.

ESTRATÉGIAS – Agora, com o crescimento da bancada do PL (foram eleitos 121 deputados, ante 99 em 2022), aliados de Motta falam em traçar estratégias para evitar uma candidatura adversária competitiva na oposição ou que demais partidos deixem de apoiá-lo.

O presidente da Câmara já tinha designado um grupo pequeno de aliados próximos para ajudá-lo nesse processo, entre eles os líderes do PP, Dr. Luizinho (RJ), e do MDB, Isnaldo Bulhões Jr. (AL). Agora, segundo relatos, a ideia é buscar amarrar o apoio dos partidos enquanto intensifica o diálogo individual com os deputados, sobretudo os que tomarão posse para seus primeiros mandatos no próximo ano.

Foram eleitos 183 novos deputados no domingo —de um total de 513—, numa taxa de renovação de cerca de 35,6%. Desde agosto Motta já vinha afirmando a aliados que buscaria aproximação com os novatos. A avaliação é que é preciso usar as ferramentas que um presidente da Câmara tem a seu dispor para se aproximar dos estreantes: entre elas a distribuição de relatorias de projetos estratégicos, cargos administrativos na Casa, divisão de gabinetes e até mesmo fatia das emendas parlamentares.

REUNIÃO – A estratégia é colocar isso em prática a partir de agora, já com o resultado das urnas. Procurado, Motta não se manifestou. Nesta quarta, o parlamentar se reuniu com alguns deles, como Lucas Reis (PT-BA), ex-chefe de gabinete de Jaques Wagner (PT-BA), que teve 192 mil votos, e Ditinho Avivip (União Brasil-BA), que teve 111 mil votos. O parlamentar também se reuniu com Luizinho, Isnaldo e outros aliados como o líder do PSDB, Adolfo Viana (BA). O recém-eleito senador Guilherme Derrite (PP-SP), que hoje exerce mandato de deputado, também passou na residência oficial da presidência da Câmara.

Outros encontros na próxima semana com deputados também estão sendo discutidos por esse entorno de Motta, além de viagens aos estados para buscar aproximação com os parlamentares. Na primeira eleição à presidência, o parlamentar cumpriu agendas em diversas cidades de diferentes estados.

Um aliado de Motta diz que a recondução ao posto estaria mais bem encaminhada se Lula fosse reeleito presidente no próximo dia 25, diante da força da máquina federal que poderia atuar em favor do deputado. Apesar disso, mesmo com eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL), ele acredita que o parlamentar já larga com uma base de 250 a 300 votos — para ser eleito presidente é preciso ter votos de mais da metade dos 513 votantes, em votação secreta. Isso porque o cenário hoje é que os partidos do chamado centrão apoiem Motta.

APOIO – Nos bastidores, esse grupo entende que Dr. Luizinho deverá ser o candidato de Motta em 2029, o que amarra o partido agora na sua reeleição. Além disso, o presidente da Câmara é próximo de Ciro Nogueira, presidente nacional da legenda. Com o PP numa federação com o União Brasil, a expectativa é que também a sigla apoie Motta. Além disso, o parlamentar conta com sinalizações positivas do PT e de partidos da esquerda como PSB e PDT.

Uma dúvida é o PSD, que em 2023 lançou o líder da bancada, Antonio Brito (BA), à disputa. Brito desistiu depois que Motta conseguiu endosso do PT e do PL. O PL, por sua vez, tem falado do desejo de lançar uma candidatura, e o mais cotado é o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ). A avaliação de integrantes do partido é que Motta perdeu as chances de ter apoio dos deputados da oposição após se aproximar de Lula.

Buscando apoio do presidente para eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado, Motta declarou publicamente apoio à reeleição do petista, participou de atos pró-Lula na Paraíba e posou para fotos usando boné vermelho com o nome do presidente e fazendo o “L” com as mãos, gestos associado a apoiadores do presidente. O pai do deputado, no entanto, não teve apoio formal de Lula na disputa, e ficou em terceiro lugar.

NEGOCIAÇÃO –  O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), levou o apoio à recondução de Motta à mesa de negociação com o PL para que o partido endossasse a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Apesar disso, não há nenhuma garantia nesse movimento, segundo relatos, e essa discussão ainda será feita.

Aliados de Motta minimizam a possibilidade de o PL lançar um candidato próprio, mas afirmam ser preciso já amarrar apoios agora, evitando que sua candidatura desidrate. Eles dizem que há instrumentos da Presidência da Câmara que podem criar dificuldades para essa iniciativa, como, por exemplo, ameaçar o partido com perda de espaço na Casa e nas comissões temáticas. Além disso, há uma avaliação que o PL tem como prioridade eleger o próximo presidente do Senado, abrindo espaço para uma composição com os partidos do Centrão pela recondução de Motta na Câmara.

One thought on “Hugo Motta se antecipa ao PL e sonha costurar sua reeleição na Câmara”

  1. Não basta um presidente jacu de gaiola, ridículo, incompetente e inútil, temos que ter ministros, chefes de legislativos tão pilantras, como os que se tem.

    A desratização do Estado será um árduo trabalho.

    Se o Flávio, fizer igual o pai e passar pano pra gente despossuída de qualquer caráter, será engolido pelos delinquentes.

    https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54472964

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