
Flávio não tem disciplina para estudar temas a fundo
Bela Megale
O Globo
Flávio Bolsonaro já recebeu as orientações de adotar um tom mais ameno e responder às perguntas de Lula no debate da Globo, que acontece nesta sexta-feira (23). Aliados do senador e integrantes de sua campanha, no entanto, avaliam que as novas orientações atingem o ponto fraco de Flávio.
Segundo pessoas próximas ao senador, Flávio não tem disciplina para estudar temas a fundo e, por isso, pode mostrar dificuldades em apresentar dados numéricos e uma linha de raciocínio capaz de confrontar as perguntas trazidas por Lula.
CHECAGEM – O fato de ocorrer um serviço de checagem de informações feitas pelos candidatos ainda com o debate em andamento também preocupa aliados de Flávio. No confronto que teve com Lula na Band, o senador optou por não responder a maioria das perguntas feitas pelo presidente e retrucar com ironia e ataques.
A campanha de Flávio considera que ele se saiu melhor que o petista, mas destacou a necessidade de baixar o tom e se mostrar um candidato mais preparado para governar o país. Assim como no primeiro debate, sua campanha tem como meta um zero a zero com Lula.
Pablo Marçal foi um dos responsáveis pelo estilo ostensivo de Flávio. Neste momento, a campanha avalia que é preciso se distanciar do influenciador, que pode transferir para Flávio parte de sua rejeição. Ele foi cortado do grupo de pessoas que vai treinar o candidato do PL para o debate da Globo.
Porque queres a ditadura?
Porque tanto ódio ao sofrido povo brasileiro?
Estas duas perguntas não nascem de provocação vazia. Nascem da perplexidade diante de quem, de uma tribuna que se apresenta como independente e livre, parece preferir a concentração de poder, o enfraquecimento das instituições e o desprezo pelo sofrimento cotidiano da maioria, em nome de uma “ordem” que nunca chegou de verdade e de um “povo” que só é invocado quando convém.
O povo brasileiro já conhece ditadura. Conheceu a de 1964-1985, com seus atos institucionais, censura, tortura e silêncio forçado. Conheceu também, em outras latitudes e tempos, as variantes de esquerda e de direita que prometiam limpeza, eficiência e salvação e entregaram repressão, miséria e culto à personalidade.
Em todos os casos, o discurso era o mesmo: “o povo sofre porque a democracia é fraca, corrupta e lenta; só um poder forte resolve”. O resultado, quase sempre, foi o contrário: o sofrimento aumentou e a saída ficou mais difícil.
Quando se defende, ou se relativiza, o retorno de práticas autoritárias,
seja sob o pretexto de combater o crime, de “limpar” o Judiciário, de “disciplinar” a imprensa ou de impor uma visão única de país, o que se pede, na prática, é a suspensão das garantias que protegem exatamente o cidadão comum.
O sofrido povo brasileiro não precisa de mais poder concentrado nas mãos de quem já demonstrou pouca capacidade de resistir à tentação do arbítrio.
Precisa de instituições que funcionem, de justiça que seja igual para todos, de economia que gere emprego e de política que não trate o eleitor como massa a ser mobilizada ou silenciada.
O ódio ao povo aparece quando se trata com desprezo as dificuldades reais da maioria: a violência que não escolhe ideologia, a inflação que come o salário, a educação precária, a saúde que falha, a desigualdade que persiste.
Aparece quando se prefere a narrativa de que “o povo é ignorante”, “manipulado” ou “merece o que tem”, em vez de reconhecer que o país sofre há décadas com elites de todos os lados que usam o Estado em benefício próprio.
Aparece quando se normaliza a ideia de que direitos e liberdades são luxo descartável em nome de um projeto de poder.
Não se combate corrupção, ineficiência ou ideologia adversária com ditadura.
Combate-se com transparência, separação de poderes, imprensa livre e voto.
Quem pede o contrário, mesmo que diga fazê-lo “pelo bem do povo”, precisa responder com clareza: por que, depois de tantas experiências históricas, ainda se acredita que concentrar o poder nas mãos de poucos irá, desta vez, proteger em vez de oprimir o mesmo povo que se diz querer salvar?
O Brasil já pagou caro demais por essa ilusão. O sofrido povo brasileiro merece mai democradia e nao menos democracia
Merece instituições que o respeitem e políticos e comentaristas que não confundam o desejo de ordem com a vontade de poder sem limites.
Porque o desejo de jogar o povo no abismo e colocá-lo nas mãos de uma pessoa que se mostra irresponsável e jamais trabalhou na vida, que sempre votou contra o povo e jamais criou um projeto durante a sua vida no parlamento, não é defesa da democracia nem amor ao país. É exatamente o contrário.
José Luis