Fake news sobre fraude nas urnas vira arma de mobilização de apoiadores de Flávio

Senador eleito usa desinformação para convocar apoiadores

Bela Megale
O Globo

O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) usou uma fake news para convocar apoiadores de Flávio Bolsonaro a serem fiscais de urna na eleição de domingo. Gayer enviou um áudio para o grupo de WhatsApp “Tropa do Flávio” afirmando que receberam denúncias de que mesários estariam computando votos de pessoas que não compareceram às urnas, especialmente no Nordeste.

A região é a única em que Lula teve uma ampla maioria dos votos. O senador eleito não fundamenta de onde vieram as denúncias e nem diz ter feito qualquer comunicação às autoridades responsáveis para que o caso fosse investigado.

“DENÚNCIAS” – “Recebemos aí várias denúncias de mesários espalhados por todo o Brasil, principalmente ali na região do Nordeste, que estão votando por pessoas que não foram. Ou seja, pessoas que se ausentaram, que se abstiveram, olharam lá depois e parece que tiveram o voto dela computado na zona. Há uma denúncia séria de que mesários estão fazendo isso. Qual é a única solução para a gente impedir que isso aconteça no segundo turno? Nós precisamos ter fiscais de urna”, disse Gayer na gravação.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), Lula segue com 61% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio oscilou para baixo de 32% para 31%. O senador eleito disse que é necessário ter 2 milhões de fiscais espalhados pelo Brasil para “garantir que não vai ter mesário votando no Lula depois das 5h00, que é o que muitas denúncias estão nos dizendo”.

A campanha de Flávio intensificou os pedidos para que seus apoiadores atuem como fiscais de urna, representantes credenciados pelos partidos políticos para acompanhar e fiscalizar a votação e a apuração dos votos. Segundo um integrante da cúpula do PL, no primeiro turno a sigla teve cerca de 50 mil fiscais e planeja ter cerca de 150 mil no segundo turno.

One thought on “Fake news sobre fraude nas urnas vira arma de mobilização de apoiadores de Flávio”

  1. A responsabilidade pela eleição de um candidato, seja ele quem for, não é apenas dele próprio ou do partido, mas sobretudo dos eleitores que o elegeram.

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